A metamorfose das relações: um estudo do olhar da comunidade sobre o indivíduo e as instituições de atenção psiquiátrica

Discente: Jéssica Luiza Correia da Silva; Orientador: Wendell Fischer Teixeira Assis.

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

Jéssica Luiza Correia da Silva

A METAMORFOSE DAS RELAÇÕES: um estudo do olhar da comunidade sobre o
indivíduo e as instituições de atenção psiquiátrica

Maceió
2015

Jéssica Luiza Correia da Silva

A METAMORFOSE DAS RELAÇÕES: um estudo do olhar da comunidade sobre o
indivíduo e as instituições de atenção psiquiátrica.

Monografia apresentada ao curso de Ciências
Sociais Licenciatura da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito parcial para obtenção do
título de Licenciado em Ciências Sociais-.

Orientador: Prof. Dr. Wendell Fischer Teixeira Assis

Maceió
2015

Jéssica Luiza Correia da Silva

A METAMORFOSE DAS RELAÇÕES: um estudo do olhar da comunidade sobre o
indivíduo e as instituições de atenção psiquiátrica.

Aprovada em ___/___/___

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________
1º Examinador
Universidade Federal de Alagoas – Maceió – AL

___________________________________________
2º Examinador
Universidade Federal de Alagoas – Maceió – AL

_____________________________________________
3º Examinador
Universidade Federal de Alagoas – Maceió – AL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
2015

A todos aqueles que, de maneira direta ou não,
contribuíram para que esse trabalho acontecesse.

AGRADECIMENTOS

Meus sinceros agradecimentos a meus amigos, aos mais próximos e aos mais
distantes, por demonstrarem compreensão no meu desespero quando acreditava que não
conseguiria.
Aos meus companheiros de curso, que como guerreiros me acompanharam durante
essa complicada, mas breve jornada, que foi a graduação. Aos profissionais que nos
auxiliaram com seus ensinamentos, com os quais aprendi a ter um novo olhar sobre a
realidade que está a minha volta.

A exageração degenera os sentimentos, desvirtua os fatos, desfigura a
verdade. (MACEDO, 1990).

RESUMO

O presente trabalho procura analisar a forma como a comunidade enxerga os centros
de atenção psiquiátrica, sendo estes desde hospitais psiquiátricos a Centros de Atenção
Psicossociais (CAPS). O campo de pesquisa foi tomado a partir dos levantamentos feitos, em
algumas cidades do Estado de Alagoas, a partir de questionários aplicados. O primeiro
capítulo do trabalho busca contextualizar ao longo da história a visão sobre o doente mental e,
posteriormente, das instituições psiquiátricas em um primeiro plano, seguida de uma análise
sobre a reforma psiquiátrica. No segundo capítulo é feito a analise dos dados obtidos com os
questionários que foram aplicados a indivíduos que aceitaram participar da pesquisa, esses são
estudantes universitários de diferentes faixas etárias, residentes de seis cidades do Estado de
Alagoas, possuindo a finalidade de diagnosticar a forma como os entrevistados enxergam os
indivíduos pertencentes, ou que já passaram, por instituições como os hospitais psiquiátricos
ou centros de assistência psicossocial (CAPS), sendo suas respostas fundadas na experiência,
ou não, com situações dessa categoria. No terceiro capítulo é feita a análise teórica das
entrevistas realizadas, para tanto nos ancoramos no referencial teórico apresentado por
Goffman quanto o estigma, analisando-o a partir das relações de poder desenvolvidas por
Foucault - outros autores também foram utilizados.

Palavras-Chave – Comunidade. Instituição. Estigma.

RESUMEN

Esta obra analiza cómo la comunidad ve los centros de atención psiquiátrica, y éstos
de los hospitales psiquiátricos a Centros de Atención Psicosocial (CAPS). El campo de
investigación se ha tomado de las encuestas realizadas, en algunas ciudades del estado de
Alagoas, a partir de cuestionarios. El contexto de búsqueda de empleo primer capítulo en la
historia de la vista de los enfermos mentales y, después, instituciones psiquiátricas en un
primer plano, seguido de un análisis de la reforma psiquiátrica. En el segundo capítulo se
realiza el análisis de los datos obtenidos de los cuestionarios aplicados a los individuos que
aceptaron participar en la investigación, estos son estudiantes universitarios de diferentes
edades, residentes de seis ciudades en el estado de Alagoas, con el fin de diagnosticar cómo
encuestados avistados individuos pertenecientes, o que han pasado, por instituciones como
hospitales psiquiátricos o centros de atención psicosocial (CAPS), y sus respuestas basadas en
la experiencia, o no, con situaciones que categoria. El tercer capítulo se hace un análisis
teórico de las entrevistas, tanto para el anclaje en el marco teórico presentado por Goffman
como el estigma, analizarla desde las relaciones de poder desarrollado por Foucault - también
se utilizaron otros autores.

Palabras-Clave – Comunidad. Institución. Estigma.

ÍNDICE

INTRODUÇÃO ____________________________________________________ 10

Capítulo I – Indagando o Ontem e o Hoje _______________________________ 14
1. A Visão Sobre o Doente Mental ______________________________________ 14
2. A Presença dos Hospitais Psiquiátricos na Região Nordeste do Brasil _________ 16
3. Algumas Conjunturas acerca da Reforma Psiquiátrica _____________________ 19
3.1. A Reforma Psiquiátrica no Estado de Alagoas ___________________________ 20
Capítulo II – A Luneta Mágica _________________________________________ 23
1. Aplicação e Resultados ______________________________________________ 23
Capítulo III – Estigma e as Relações Com a Instituição _____________________ 35
1. 3,2,1. . . As Entrevistas ___________________________________________ 36
Considerações Finais __________________________________________________ 43

Referências __________________________________________________________ 45

INTRODUÇÃO

O objetivo do presente trabalho é problematizar o discurso criado pela comunidade
acerca dos indivíduos diagnosticados como doentes mentais e a assistência prestada a eles em
instituições de atenção psicossocial (CAPS). É construído um paralelo entre o indivíduo e a
instituição ao longo da história, além disso, com base nas entrevistas realizadas com
indivíduos residentes de seis cidades do Estado de Alagoas, as expressões desenvolvidas pelas
pessoas que participaram da pesquisa; procura-se compreender, se e de que forma, o individuo
está sujeito ao estigma (GOFFMAN, 2004) pelo fato de fazer uso dos serviços prestados em
instituições de atendimento psiquiátrico. A percepção do estigma pode ser variável de acordo
com o contexto histórico e social, e como afirma Siqueira & Cardoso (2011):

As tendências morais e intelectuais da época e a estrutura
cultural são elementos importantes quando se pensa onde e quem
determina o que é estigma. Vale salientar que, o grau de intensidade
de estigma também se altera para cada tempo e lugar. Ao mesmo
tempo em que estigma está ligado à ideia de mudança em paralelo
com o social e o cultural, as pessoas que compõem a sociedade são
responsáveis pela sua perpetuação. Como membros da sociedade, os
indivíduos perpetuam as suas concepções de estigma e a forma de
responder a ele. Isso se dá pelo passar das gerações, através da
aprendizagem social e da socialização. (SIQUEIRA & CARDOSO,
2011, P. 05).

De modo geral se procurará elaborar um diagnóstico acerca das relações entre a
sociedade e a instituição psiquiátrica. A pesquisa será realizada levando em consideração o
olhar da comunidade sobre a condição dos internos. De modo específico pretende-se
pesquisar sobre os reflexos provenientes das instituições psiquiátricas nos indivíduos e na
sociedade ao qual fazem parte, analisando a produção, ou não, de estigmas nesse processo.
Identificando de que modo a identidade do individuo é construída, ou ainda se as relações
10

estigmatizadas são provenientes de relações de poder, a partir do resultado obtido na primeira
etapa da pesquisa.
As entrevistas realizadas com as pessoas da comunidade submete-se a finalidade de
analisar as impressões delas sobre as instituições de atenção psiquiátrica e os indivíduos que
dela fazem uso. Esse será o ponto central a ser discutido: a comunidade acredita na função da
instituição? Quais são as impressões dessas pessoas frente aos indivíduos internos em
Instituições Psiquiátricas?
Tal pesquisa foi realizada pautada no fato de que as impressões formadas sobre o
indivíduo são provenientes de fatores sociais, e dessa forma modificadas de acordo com a
situação social – tempo e espaço -, não podendo desprender o indivíduo da causa social ao
qual ele está envolvido.

“Não existe uma psicanálise do individual e outra ‘aplicada’ ao
sintoma social. Pois o sintoma é sempre social. Nesta afirmação, aliás,
nenhum sociologismo: pois o que chamamos de individual, a
singularidade, é sempre o efeito de uma rede discursiva, que é a rede
mesma do coletivo”. (ARAGÃO; CALLIGARIS; COSTA; SOUZA;
1991).

Analisando em um primeiro momento - no primeiro capítulo - aspectos do doente
mental e das instituições psiquiátricas, em diferentes momentos da sociedade, procura-se
demonstrar que tais aspectos são de cunho social e que aparecem com diferentes roupagens
de acordo com a época, a sociedade, os indivíduos e os interesses em questão. Como afirma
Foucault (1978) ao analisar as relações entre loucura e convívio social;

11

“No processo de apropriação da loucura pela medicina o conceito de
alienação tem um papel estratégico, sinônimo de erro, um distúrbio
das paixões humanas, que incapacita o sujeito de partilhar do pacto
social”. (FOUCALT, 1978).

De fato, de que forma tal processo se dá? A partir dos dados levantados pretende-se
chegar a uma conclusão frente a essa questão posta. A comunidade realmente acredita no fato
de que uma vez interno o indivíduo torna-se um ''peso social'', ou há uma janela pela qual o
indivíduo continuaria a ''partilhar do pacto social''?
Pensando em tais questões o trabalho está dividido em três capítulos. O primeiro
capítulo é destinado a fazer uma abordagem histórica acerca da visão da loucura e dos
hospitais psiquiátricos - apresentando a história da criação e o papel dos hospitais
psiquiátricos no Brasil e no Nordeste, e como que os mesmos apresentam-se hoje no Estado
de Alagoas -; em um segundo momento, no mesmo capítulo, é discutido sobre a reforma
psiquiátrica e as questões que a circundam, abordando os centros de atenção psicossocial no
Estado de Alagoas. O segundo capítulo constitui a analise de dados levantados através de
pesquisas de opinião com estudantes universitários de seis cidades do Estado de Alagoas; a
pesquisa foi feita na modalidade on-line, foram enviados questionários via e-mail formulados
com a intenção de diagnosticar a posição dos pesquisados referente a internações em centros
de atenção psiquiátrica, suas funcionalidades, quanto instituições, e a de seus tratamentos. No
terceiro capítulo é realizado o confronto teórico com os dados obtidos nas entrevistas,
avaliando os discursos construídos pelos participantes. Ao longo da pesquisa abordei as
instituições como sendo “centros de atenção psiquiátrica/psicossocial” entendendo o fato de
que o sistema antes da reforma psiquiátrica – hospitais psiquiátricos - coexiste com os centros
criados posteriormente (CAPS).
12

A coleta de dados para a pesquisa, tanto a pesquisa de opinião como a entrevista, deuse de maneira muito difícil, pois muitas das pessoas abordadas nos centros de atendimento,
quando indagadas se gostariam de participar da presente pesquisa, recusaram. Para a recusa
elas manejaram diferentes argumentos, em sua grande maioria, disseram não possuírem
nenhum tipo de interesse com a temática que estava sendo tratada. Nas pesquisas de opinião,
como os questionários foram enviados por e-mail e não houve nenhum contato físico com os
solicitados, as pessoas nem sequer respondiam com alguma desculpa para não participar.
Dessa forma, percebi que o pesquisador, nos tempos atuais, precisa garimpar cada vez mais se
acaso quiser ver sua pesquisa realizada.

13

CAPÍTULO I
Indagando o Ontem e o Hoje

Indagando acerca da existência e do papel dos hospitais psiquiátricos e dos centros de
assistência psicossociais é que se procura situar nesse capítulo o papel assumido por essas
instituições em seu surgimento e como a sociedade estava em volta nesses processos. Procurase apresentar de que forma ao longo das décadas o doente mental foi sendo visto pela
comunidade. Como sugere Goffman (2004);

''A sociedade estabelece os meios de categorizar as pessoas e o total
de atributos considerados como comuns e naturais para os membros
de cada uma dessas categorias: Os ambientes sociais estabelecem as
categorias de pessoas que têm probabilidade de serem neles
encontradas''. (GOFFMAN, 2004).

1- A Visão Sobre o Doente Mental

Ao longo da história o indivíduo que sofria de algum transtorno psicológico era
enquadrado em um círculo que variava de acordo com a sociedade e a época, as relações que
tais atos poderiam resultar. Em determinados períodos históricos - como na antiguidade préclássica, por exemplo - as doenças eram explicadas como sendo resultado da ação
sobrenatural. Posteriormente – por volta de 600 a.c. – os filósofos gregos levantaram a ideia
organicista da loucura, em que, até por volta do começo da Idade Média, o tratamento
14

executado era de apoio e conforto aos doentes mentais. Porém tal situação se modificou, do
final da Idade Média até a Idade Moderna, o doente mental passa a ser visto como que
possuído pelo demônio, dessa forma o tratamento, antes humanitário, foi substituído por
espancamentos, tortura, entre outras ações, que possuíam como finalidade a libertação da
possessão. Como esclarece Foucault (1979), ainda no começo da idade clássica, a loucura era
vista como pertencendo às quimeras do mundo; podia viver no meio delas e só seria separada
no caso de tomar formas extremas ou perigosas.
No século XVII existiam hospitais destinados a indivíduos que causavam algum
transtorno a sociedade na qual estavam inseridos. Ainda que a loucura já tivesse passado do
campo mitológico para o âmbito médico, a medicina ainda não tinha elementos para defini-la.
Como nos esclarece Foucault (1979) antes do século XVIII, a loucura não era
sistematicamente internada, e era essencialmente considerada como uma forma de erro ou de
ilusão.
No século XVIII com Phillippe Pinel houve uma grande reforma psiquiátrica, sendo os
asilos substituídos pelos manicômios destinados aos doentes mentais. Dessa forma,
desenvolveram-se várias experiências e formas de tratamento nos hospitais que se difundiram
da França para o resto da Europa. O que Pinel afirmava era que o tratamento no manicômio
deveria ser de reeducação do alienado, implicando uma função disciplinadora; no entanto,
com o passar do tempo, houve uma releitura distorcida do tratamento moral de Pinel, valendose disso como justificativa para submeter o doente mental. Foi desse modo que o tratamento
moral de Pinel estava sendo aplicado no inicio do século XIX, utilizando medidas físicas e
higiênicas como forma de tratamento do doente mental; aos poucos, o que era tido como uma
doença moral passou também a ter uma concepção orgânica. No século XX a ideia de
submissão do louco persistia.
15

Ao longo do tempo manifestou-se a necessidade de criar determinados abrigos
destinados a indivíduos que possuíam certas maneiras que não mais se “enquadravam
socialmente”, surgiram assim os primeiros hospitais psiquiátricos, com o objetivo de abrigar
idosos, criminosos, doentes mentais, entre outras categorias. Com o passar das décadas e o
desenvolvimento de novas teorias as funções dos hospitais psiquiátricos ficaram restritas ao
doente mental, estes, inicialmente, eram mantidos em tais instituições com o objetivo de
manter o controle dos mesmos, tratamento era algo não pensado em tal momento.
Para o que Foucault (1979) chama a atenção de que os asilos no começo do século
XIX

quando

foram

instaurados

eles

eram

justificados

porque

conseguia

unir

harmoniosamente ''as exigências da ordem social que pedia proteção contra a desordem dos
loucos, e as necessidades da terapêutica, que pediam o isolamento dos doentes''.
No Brasil os hospitais psiquiátricos surgiram no final do século XIX, influenciados
tanto pela psiquiatria francesa quanto pelo tratamento moral de Pinel. O primeiro foi o Asilo
Pedro II, no Rio de Janeiro fundado em 1853. O Hospício São Pedro de Porto Alegre foi
inaugurado em 1884. As atividades de ensino neste Hospital tiveram início em 1908,
incentivadas por seu Diretor Dr. Deoclécio Pereira, para os alunos da Faculdade de Medicina.
Posteriormente, em 1926, inicia-se a grande fase de pesquisas no Hospital, instituída por seu
Diretor Dr. Jacyntho Godoy. Nesse contexto histórico o doente mental hospitalizado se
apresenta como sujeito de estudo.

2- A Presença dos Hospitais Psiquiátricos na Região Nordeste do Brasil

16

Elaborando um traçado acerca da presença dos hospitais psiquiátricos no Nordeste do
Brasil encontra-se um panorama bem distinto. Primeiramente os doentes mentais eram
destinados a enfermarias nas Santas Casas, tal ação era chamada de psiquiatria
hospitalocêntrica, datada por volta do século XIX. No Brasil, do Segundo Reinado à
República, foram construídos estabelecimentos destinados exclusivamente aos “insanos”. No
Estado de Alagoas há dois exemplos, em Maceió o Asilo Santa Leopoldina de 1891, e o
Portugal Ramalho, também em Maceió, datado por volta da metade do século XX.
No Nordeste, assim como no restante de todo o território brasileiro, a assistência
psiquiátrica em seus Estados se inicia através das ações da igreja, com as Santas Casas de
Misericórdia, nelas eram criados espaços destinados à atenção aos alienados, tal trabalho era
realizado, inicialmente, pelas freiras, como também a administração de tais instituições.
Alguns Estados na região Nordeste se tornam pioneiros nesse tipo de assistência, dentre eles
encontra-se Alagoas representada por sua capital Maceió a partir de 1891. O modelo
manicomial no Brasil e no Nordeste era caracterizado basicamente pela assistência
psiquiátrica na capital – centralizada no modelo hospitalocêntrico.
Os primeiros “alienistas” eram autodidatas, quando os asilos foram criados os médicos
passaram a atuar em tais instituições sem que tivessem uma preparação que os habilitassem a
exercer aquela nova prática. O asilo era o espaço de experimentação de técnicas.
Diversos eram os métodos terapêuticos, entre os mais utilizados encontra-se o
isolamento terapêutico, algumas atividades baseadas na disciplina – como o trabalho agrícola
-, o colete de força, a cadeira de contenção, medicamentos, e sujeições físicas que iam desde
ergoterapia a eletrochoques.
No fim do século XIX e início do século XX os Estados do Nordeste encontram-se
economicamente vulneráveis, dessa forma, alguns passam a ser dependentes dos recursos da
União, esta cria e difunde o modelo hospitalocêntrico/hospiciocêntrico de atenção, sendo este
17

incorporado localmente pelo poder público e pelas Santas Casa de cada Estado. Conforme
descreve Medeiros (1999).

“Desde 1931 os muros da velha instituição asilar começaram a ser
derrubados no Brasil, a partir do Nordeste. Mais exatamente, a partir
do Recife, a psiquiatria teria outra identidade: não mais o alienista
nem o alienado. Na direção da velha ‘Tamarineira’, Ulysses
Pernambucano assentava singular psiquiatria social, aberta aos
conhecimentos biológicos e psicológicos, aos antropólogos e sociais,
cuja estratégica importância ecoa nas atuais reformas da assistência
aos doentes mentais no país”. (MEDEIROS, 1999).

As alterações no modelo de assistência psiquiátrica tiveram inicio na década de 70,
com a ambulatorização da assistência, se centrando na consulta médica e na dispensação de
psicofarmacos. Até a década de 90 tal modelo sofreu poucas alterações. As mudanças giraram
em torno de tentativas de humanizar o modelo em vigor, através de melhorias estruturais e
assistenciais.
Segundo a autora Lúcia Cristina dos Santos Rosa, no livro O Nordeste na Reforma
Psiquiátrica, a região Nordeste “conta com um parque manicomial com aproximadamente 58
hospitais psiquiátricos, através dos quais são oferecidos para a rede do SUS em torno de
10.148 leitos, isto é, o Nordeste figura em 2º lugar entre as regiões em número de hospitais e
leitos psiquiátricos. O estado de Pernambuco lidera na região, concentrando 16 hospitais
psiquiátricos e 3.293 leitos. Em segundo lugar figura a Bahia com 9 hospitais e 1633 leitos,
enquanto o 3º lugar é ocupado pelo Ceará com 8 hospitais e 1120 leitos. Com exceção do
Piauí e Maranhão, os outros 07 estados contam com hospitais de custódia de tratamento
psiquiátrico, internando em torno de 1.106 pessoas”, estando esses serviços localizados, de
18

modo geral, na capital de cada estado ou nas cidades de maior desenvolvimento econômico.
Alagoas é apontado em 2000 como o 2º estado com maior número de internados em hospitais
psiquiátricos (ROSA, 2006).

3- Algumas Conjunturas acerca da Reforma Psiquiátrica

Ao se falar no Processo de Reforma Psiquiátrica brasileira deve-se atentar para o fato
de que existiram “processos”, sendo eles ocorrências locais, específicas, singulares dos
lugares em que ocorreram.
No Brasil o Processo de Reforma Psiquiátrica foi presente na realidade do país desde o
final da década de 70, com a criação do Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental – que
hoje é denominado de Movimento Nacional de Luta Antimanicomial -, assim, começaram a
serem elaboradas críticas ao modelo psiquiátrico tradicional, sendo elas dirigidas ao modelo
centrado no hospital psiquiátrico, como também sendo elaboradas várias propostas
alternativas ao mesmo. Tais ideias, porém, só puderam ser colocadas em prática com a
chegada do SUS. O processo se instalou definitivamente na agenda política nacional a partir
de vários fatores, dentre eles: a extinção de vários hospitais psiquiátricos – que em sua grande
maioria apresentava situações de violência muito clara -; a criação de serviços de atenção
psicossocial e outros dispositivos assistenciais e culturais; quanto com a consolidação do
movimento em pró da reforma psiquiátrica.
Esse seria um período de transição para o modelo assistencial, de um modelo
hospitalocêntrico excludente, para um modelo de serviços aberto em que preserva a cidadania,
em que, mesmo estando os dois modelos coexistindo – pré e pós reforma psiquiátrica – pode-

19

se notar o avanço no que diz respeito a reconhecimento do portador de transtorno mental
como sujeito de direitos.
Na região Nordeste o estado do Ceará apresentou-se como pioneiro, criando o
primeiro CAPS na região em 1991, em Iguatu; sendo também o primeiro na região a criar
uma lei estadual na perspectiva da reforma psiquiátrica, e a segunda no país. Segue o Rio
Grande do Norte como sendo o segundo estado da região a criar CAPS; e o estado de
Pernambuco a criar a segunda lei estadual na região voltada para a reforma. A lei estadual no
plano jurídico assegura o acionamento de instrumentos que podem fazer com que os direitos
de fato se concretizem.
A reforma psiquiátrica incide em várias esferas e direções, deslocando personagens,
nascidos na região Nordeste e que tiveram participação de destaque na história da psiquiatria
brasileira, para outras regiões. Entre eles pode-se citar o psiquiatra baiano Juliano Moreira que
liderou o processo de implantação da política de assistência psiquiátrica a partir de 1903; a
psiquiatra alagoana Nice da Silveira que construiu uma obra singular a partir da Casa das
Palmeiras e do Museu do Inconsciente no Rio de Janeiro; e o alagoano Luiz Cerqueira, que
contribuiu no processo reformista de São Paulo.

3.1- A Reforma Psiquiátrica no Estado de Alagoas

Dos anos de 1995 a 2005 o processo de implementação da Reforma Psiquiátrica em
Alagoas ocorreu de modo diverso. Já em 1995 é criado o Núcleo Estadual de Saúde Mental de
Alagoas, uma organização não governamental que possuía, entre outros objetivos, o de
problematizar o atendimento dos serviços de saúde mental. Três anos depois, em 1998, é
20

criada a Lei municipal da Reforma Psiquiátrica; além da criação de três centros de atenção
psicossocial. Até 1999 a cidade de Maceió contava com 04 centros de atenção psicossocial;
possuindo no interior do Estado apenas três cidades que contavam com centros de atenção
psicossocial, que eram as cidades de Arapiraca, Palmeira dos Índios e Água Branca. No ano
de 1999 é realizado, na cidade de Paripueira, o 4º Encontro Nacional da Luta
Antimanicomial; é elaborada no mesmo ano a Política de Saúde Mental de Maceió.
Em 2000 é revogada pela Câmara Municipal e Prefeitura de Maceió a Lei Municipal
de Saúde Mental, mas é aprovado o substitutivo do projeto de lei 143/99, que dispõe sobre a
assistência psiquiátrica e a regulamentação da saúde mental em Maceió. O Plano de Saúde
Mental de Maceió preconiza a descentralização da assistência da capital; nesse ano a cidade
contava com 03 centros de atenção psicossocial, e com 01 hospital psiquiátrico na rede
assistencial, estando na rede privada 03 hospitais psiquiátricos conveniados com o SUS. De
acordo com o Ministério da Saúde, em 2005 Alagoas contava com 12 CAPS.
Com base nas entrevistas e no trabalho de campo realizado pode-se afirmar que há
dificuldades de implementação do novo modelo até os dias atuais, entre outros motivos, a
coexistência do velho e do novo persiste. Em grande medida os manicômios são avaliados
como sendo a melhor alternativa para tratamento de doentes mentais, estando os Centros de
Assistência Psicossocial sujeitos a um segundo plano. As práticas executadas nos Hospitais
Psiquiátricos são aceitas, em grande medida, como sendo o único meio de contenção ou
tratamento do paciente, e os CAPS são encarados como sendo instituições que prestam apenas
assistência ao indivíduo, não contribuindo para nenhuma mudança na condição do mesmo.

* * *

21

A partir dos dados levantados pode-se constatar que ao longo da história o indivíduo
que sofria com algum transtorno psicológico foi estigmatizado (GOFFMAN, 2004) de
diferentes formas, o louco - como vem sendo tachado - a forma como eram vistos sofreu
mudanças no espaço de tempo, de acordo com a sociedade em que estavam inseridos e com a
época em questão. Nos capítulos posteriores o foco será o de procurar realizar um diagnóstico
acerca do atual pensamento da sociedade alagoana sobre os indivíduos que traçam relações
com instituições de atendimento psicossocial.

22

CAPÍTULO II
A LUNETA MÁGICA

“Cada qual é o que é; cada qual tem as suas qualidades, e seus
defeitos”. (MACEDO, 1990).

Nesse capítulo são apresentados os dados que foram obtidos a partir de questionários
enviados via e-mail para pessoas de seis cidades do Estado de Alagoas. Esses indivíduos são
estudantes universitários e foram escolhidos de forma aleatória, desconsiderando o fato de as
cidades em que eles moram possuir Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os
questionários foram executados com a finalidade de avaliar a perspectiva dos participantes
quanto ao indivíduo interno e a instituição. Sendo estes, de grande importância para a analise
teórica no capítulo 3, e conclusão geral do trabalho.
Apesar dos dados levantados, tal ação deu-se de maneira difícil, pois muitos dos emails enviados não foram respondidos, 60%. Mas o número daqueles que responderam – 40%
do total de e-mails enviados - foi significativo para o desenvolvimento da presente pesquisa.
Todos os e-mails enviados foram para estudantes universitários – de faculdades públicas e
particulares -, para aqueles que não responderam a pesquisa, apesar da insistência em reenviar
solicitações por alguma resposta e se comprometerem a responder, ficaram posteriormente
indiferentes a qualquer envio de solicitação de resposta.

1- Aplicação e Resultados

23

Na presente pesquisa foram contatadas pessoas das seguintes cidades do Estado de
Alagoas: Arapiraca, Campo Alegre, Coruripe, Maceió, São Miguel dos Campos, Viçosa.
Foram enviados para cada pessoa dessas cidades e-mails, desconsiderando o fato de nessas
mesmas cidades haver ou não instituições que se enquadrem no modelo da pesquisa em
questão. Ao todo foram enviados 74 e-mails para pessoas em diferentes situações – diferentes
faixas etárias, graus de escolaridade -; chegando a uma distribuição de e-mails nos seguintes
termos, entre as cidades mencionadas.

Tabela 1- Número de e-mails enviados por cidade.
CIDADES

Número de e-mails enviados

Arapiraca

03

Campo Alegre

27

Coruripe

02

Maceió

37

São Miguel dos Campos

03

Viçosa

02

Total

74

De todos os e-mails enviados apenas 29 deram um retorno respondendo o
questionário. Apesar do pouco retorno dos e-mails enviados, obtive respostas de pessoas de
todas as cidades em questão, possibilitando uma primeira análise sobre a problemática posta.
Abaixo, segue a tabela com as especificações da quantidade de pessoas que responderam o
questionário, identificando suas cidades.

24

Tabela 2 – Número de participantes por cidade.
Cidades

Número de pessoas que responderam
ao questionário

Arapiraca

01

Campo Alegre

16

Coruripe

01

Maceió

09

São Miguel dos Campos

01

Viçosa

01

Total

29

Dentre os participantes da pesquisa a faixa etária foi de vinte à cinquenta e cinco anos,
como pode ser observado na tabela abaixo grande parte dos que responderam aos
questionários enviados são jovens entre 20 e 30 anos, do total de 29 pessoas que responderam
ao questionário.

Tabela 3 – Intervalo de idade dos participantes da pesquisa.
Intervalo de idade

Número de Pessoas

Entre 20 e 30 anos

23

Entre 31 e 40 anos

04

Entre 41 e 50 anos

01

25

Entre 51 e 55 anos

01

Total

29

Todos os participantes da pesquisa são estudantes universitários – de faculdades
públicas e particulares -, distribuídos da seguinte maneira segundo os cursos.

Tabela 4 – Distribuição dos Participantes segundo o curso.
Cursos

Nº Participantes

Ciências Biológicas

02

Ciências Contábeis

01

Ciências Sociais

07

Comunicação Social

01

Educação Física

02

Enfermagem

01

Física

01

História

04

Letras

05

Matemática

01

Pedagogia

02

Serviço Social

02

Total

29

26

Os questionários apresentados aos participantes foram constituídos por quatro
questões referentes a centros de atenção psiquiátrica/psicossocial - como CAPS, Hospitais
Psiquiátricos, Centros de Tratamento para Dependentes Químicos – e aos indivíduos internos
que deles fazem parte. Daqueles que responderam a pesquisa, 17 pessoas afirmaram conhecer
alguém que já esteve internado em algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial, e
desses, 13 disseram se tratar de pessoas que não são familiares, sendo colocados na categoria
“OUTRO”.

Tabela 5 – Quanto aos que responderam conhecer alguém que já esteve interno em algum
centro de atenção psiquiátrica/psicossocial.
Você conhece alguém que já esteve interno em

Nº Pessoas

algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial.
Sim

17

Não

12

Total

29

Tabela 6 – Daqueles que responderam “Sim” para se conheciam alguém que já esteve interno
em algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial, informando de quem se tratava.
Dos que estavam internos

Nº Pessoas

Familiares

04

Outros

13

Total

17

27

Das pessoas que responderam “Outros” para se conheciam alguém que já esteve
interno em algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial, afirmaram se tratar de amigos,
vizinhos ou conhecidos.

Tabela 7 – Categorias apresentadas por aqueles que responderam “Outros” para os indivíduos
que conheciam que estiveram em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial.
Categorias

Nº Pessoas

Amigos

03

Conhecidos

05

Vizinhos

05

Total

13

Foi realizado também o questionamento quanto a opinião do pesquisado a respeito dos
indivíduos que se encontram internados em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial. A
categoria “OUTRO” representa aqui os indivíduos que optaram por expressar sua opinião de
forma objetiva, devido o questionário ser composto também por alternativas de múltipla
escolha.

Tabela

8

–

Posição

sobre

os

indivíduos

internos

em

centros

de

atenção

psiquiátrica/psicossocial.
Posicionamento

Nº Pessoas

Indivíduos com possível tratamento

24
28

Indivíduos sem possível tratamento

0

Outro

05

Total

29

As respostas para aqueles que optaram pela alternativa “Outro”, quanto o
posicionamento sobre os indivíduos que se encontram internos em centros de atenção
psiquiátrica/psicossocial, encontraram-se em alguns pontos e em outros se afastaram. Em três,
especificamente, as abordagens foram muito parecidas, tendo como ponto de ligação o fato de
afirmarem que a questão iria variar de acordo com o caso/transtorno. As respostas foram,
respectivamente: “acredito que vai depender do nível do transtorno”; “irá depender do caso,
em alguns casos pode ser possível tratar, mas em outros não”; “cada caso tem uma
concepção específica, sempre é possível tratar, mas certos casos não é possível a cura”.
Nessas três respostas foram abordadas questões como “transtorno”, “tratamento” e “cura”. As
outras duas respostas foram mais contextualizadas com as experiências vividas: “família
cansada do fardo que é cuidar de um doente mental, onde poderia ser tratado num CAPS e
que prefere abandonar o doente”; “são indivíduos que possivelmente não conseguiram
adaptar-se aos tratamentos psicológicos convencionais, e, por conta disso, acabam sendo
‘encarcerados’ com a alegação de tratar a sua saúde mental e/ou doença mental”.
No que se refere a finalidade dos centros de atenção psiquiátrica/psicossocial as
pessoas que participaram da pesquisa optaram por uma das três alternativas propostas, não
expondo uma opinião individual na alternativa “Outro”.

Tabela

9

–

Posicionamento

quanto

a

finalidade

dos

centros

de

atenção

psiquiátrica/psicossocial.
29

Posicionamento

Nº Pessoas

Internação de indivíduos visando tratamento

19

Internação de indivíduos não visando tratamento

06

Internação de indivíduos visando o controle dos mesmos

04

Outro

0

Total

29

Às pessoas que responderam “Sim” para a pergunta de se conheciam alguém que já
esteve algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial – 17 dos participantes, como mostra
a tabela 5 -, foram feitas também perguntas quanto a possibilidade de tratamento dos
indivíduos e a funcionalidade dos centros de atenção psiquiátrica/psicossocial.

Tabela 10 – Posicionamento, para aqueles que afirmaram conhecer alguém que já esteve
interno em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial, quanto ao indivíduo como interno.
Posicionamento

Nº Pessoas

Indivíduos com possível tratamento

14

Indivíduos sem possível tratamento

0

Outro*

03

Total

17

*Nessa categoria três participantes fizeram exposição objetiva de suas opiniões. Tais
opiniões foram descritas anteriormente.

30

Tabela 11 - Posicionamento, para aqueles que afirmaram conhecer alguém que já esteve
interno em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial, quanto a funcionalidade dos centros
de atenção psiquiátrica/psicossocial.
Posicionamento

Nº Pessoas

Internação de indivíduos visando tratamento

11

Internação de indivíduos não visando tratamento

05

Internação de indivíduos visando o controle dos mesmos

01

Outro

0

Total

17

Dos participantes, mencionados acima que afirmaram – na tabela 10 – conhecer
alguém que já esteve interno em algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial quanto ao
indivíduo interno, 14 afirmaram se tratar de indivíduos com possível tratamento, desses, 06
não acreditam na funcionalidade da instituição com a finalidade de tratamento. Nessa
categoria, embora nenhum participante tenha optado, no questionário, pela afirmativa de que
com esses indivíduos não ser possível o tratamento, 03 afirmaram, em respostas objetivas, que
em muitos casos o tratamento (ou não) do indivíduo irá depender da situação em que esse
mesmo indivíduo se encontra. Todos os questionados que expuseram sua opinião de forma
objetiva, acreditam no papel dos centros de atenção psiquiátrica/psicossocial visando o
tratamento dos internos, e, de modo geral, 11 dos 17 participantes descritos na categoria
acima.
Os 12 restantes dos participantes responderam “Não” para a pergunta de se conheciam
alguém que já esteve em algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial – como mostra a

31

tabela 5 -, esses responderam também a perguntas quanto ao indivíduo como interno, e a
funcionalidade desses centros.

Tabela 12 - Posicionamento, para aqueles que afirmaram não conhecer alguém que já esteve
interno em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial, quanto o indivíduo como interno.
Posicionamento

Nº Pessoas

Indivíduos com possível tratamento

10

Indivíduos sem possível tratamento

0

Outro*

02

Total

12

*As respostas foram: “Acredito que vai depender do nível do transtorno”; “São indivíduos que possivelmente
não conseguiram adaptar-se aos tratamentos psicológicos convencionais, e, por conta disso, acabam sendo
‘encarcerados’ com a alegação de tratar a sua saúde mental e/ou doença mental”.

Tabela 13 - Posicionamento, para aqueles que afirmaram não conhecer alguém que já esteve
interno em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial, quanto a funcionalidade dos centros
de atenção psiquiátrica/psicossocial.
Posicionamento

Nº Pessoas

Internação de indivíduos visando tratamento

08

Internação de indivíduos não visando tratamento

01

Internação de indivíduos visando o controle dos mesmos

03

Outro

0

Total

12

32

Nessa categoria – dos indivíduos que afirmaram não conhecer alguém que já esteve
interno em algum centro de atenção psiquiátrica/psicossocial – os participantes ao serem
indagados sobre seu posicionamento quanto ao indivíduo interno – tabela 12 – 10 pessoas
acreditam que os indivíduos internos são tratáveis, dessas, 08 acreditam que a internação dos
indivíduos em centros de atenção psiquiátrica/psicossocial é visando tratamento. Assim como
na categoria anterior, nenhum participante optou pela afirmativa de que os indivíduos não
possuem tratamento, porém ao exporem suas opiniões de forma objetiva – 02 dos
participantes – voltou a ser afirmado que o tratamento vai depender do caso do indivíduo, mas
foi colocado em questão o fato do indivíduo não se adaptar aos tratamentos impostos e por
isso serem internados. Todos os questionados que expuseram sua opinião de forma objetiva
não acreditam na instituição com a finalidade de tratamento dos indivíduos que estão internos
– diferentemente do que ocorreu na categoria anterior -, e, de modo geral, 04 dos 12
participantes.
Realizando um comparativo entre as duas categorias descritas, notam-se algumas
variantes. A primeira é em relação ao indivíduo - tendo a segunda categoria em comparação à
primeira – pode ser observado um aumento daqueles que afirmaram serem os indivíduos, em
situação de internamento, tratáveis. Assim como um aumento daqueles que acreditam que as
internações em centros de atenção psicossocial visam o tratamento.
Os questionários aplicados possuíam a finalidade de diagnosticar, de forma
sintetizada, a posição dos participantes quanto ao indivíduo interno e a instituição de
tratamento psiquiátrico. Dessa forma, de acordo com os dados obtidos através do retorno dos
questionários respondidos, foram constatados aspectos importantes para o desenvolvimento
da pesquisa. Em primeiro lugar foi apontada a posição que os indivíduos internos representam
para aqueles que estavam participando da pesquisa, como indivíduos que estão “doentes” e
33

que precisam de tratamento e/ou internação. Esses indivíduos são vistos por se só, sendo
descartado qualquer envolvimento com o social. Os centros de atenção psicossocial e/ou
hospitais psiquiátricos, foram apontados como a única forma de possibilitar tratamento, e até
mesmo uma cura, para os indivíduos que apresentam algum transtorno psicológico. Os
preceitos dos direitos humanos defendidos pela reforma psiquiátrica, no que concerne a
humanização do indivíduo, perdem sua caracterização nesse ponto da pesquisa, pois foi
demonstrado com os dados obtidos dos questionários que, em sua maioria, os participantes da
pesquisa acreditam no caráter fechado da instituição de atendimento psiquiátrico.

34

CAPÍTULO III
ESTIGMAS E AS RELAÇÕES COM A INSTITUIÇÃO

Nesse capítulo será dada ênfase as questões norteadoras desse trabalho. A partir dos
dados obtidos nos questionários anteriores, juntamente com as entrevistas realizadas, serão
desenvolvidas as principais implicações aqui levantadas. Procurando discutir as formas pelas
quais o indivíduo enxerga o outro, criando paralelos entre a forma como as instituições de
atenção psicossocial, e os próprios indivíduos internos, são vistos hoje a partir das opiniões
expostas pelos participantes da pesquisa.
O primeiro ponto é: os indivíduos, pertencentes à comunidade estudada, contribuem
para a manutenção de estigmas quanto ao louco?
E em um segundo momento: qual o papel que as instituições de atenção psicossocial
assumem atualmente de acordo com a comunidade estudada?
A ideia de estigma é vista como sendo uma construção social (GOFFMAN, 2004), e
assim, o que está sendo avaliado é o fato dos participantes da pesquisa estarem difundindo
velhos estigmas ou até mesmo contribuindo para a formação de novos, impulsionados pela
sociedade e pela cultura dos dias atuais.
GOFFMAN (2004) ao tratar sobre o estigma o expõe como sendo um atributo de
descrédito, em que impinge ao indivíduo um defeito, classificando-o em uma categoria
previamente posta. Como sugere o autor;

“O termo estigma, portanto, será usado em referência a um atributo
profundamente depreciativo, mas o que é preciso, na realidade, é uma
35

linguagem de relações e não de atributos. Um atributo que estigmatiza
alguém pode confirmar a normalidade de outrem, portanto ele não é,
em si mesmo, nem horroroso nem desonroso”. (GOFFMAN, 2004; p.
06).

A partir dos estudos de tal autor é abordado, especificamente, um tipo de estigma que
GOFFMAN (2004, p. 07) classificou como culpas de caráter individual, estas são
“percebidas como vontade fraca, paixões tirânicas ou não naturais, crenças falsas e rígidas,
desonestidade, sendo essas inferidas a partir de relatos conhecidos de, por exemplo, distúrbio
mental, prisão, vicio, alcoolismo, homossexualismo, desemprego, tentativas de suicídio e
comportamento político radical”.
A instituição, por sua vez, foi analisada pelos participantes em sua funcionalidade, nos
papeis desempenhados por ela nos dias atuais, nesses momentos as teorias desenvolvidas por
Foucault e suas observações quanto às instituições serão tomadas como base para a analise.

1 – 3, 2, 1. . . As Entrevistas

As entrevistas foram realizadas com o objetivo de melhor analisar a relação entre a
comunidade e as instituições de atenção psiquiátrica e os indivíduos que nelas encontram-se
internos. Nessa etapa da pesquisa foram entrevistados estudantes universitários, com faixa
etária de 19 a 27, de diferentes cursos (Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Comunicação
Social, História, Letras, Pedagogia) de quatro cidades do Estado de Alagoas (Campo Alegre,
Capela, Coruripe, Maceió).

36

No primeiro capítulo dessa pesquisa foi levantada a questão do louco e da loucura ao
longo da história, levou-se em consideração para tal abordagem o fato da doença mental como
uma construção social (FOUCAULT, 1978) “e, por isso, os significados atribuídos à loucura e
à doença mental são também construções socioculturais. Como qualquer outra categoria, a
doença mental reproduz a realidade mediatizada pelo olhar da cultura que lhe confere
significados e sentidos específicos (num tempo e num espaço)” (ALVES; BRANDÃO,
2014:02). As opiniões criadas, quanto ao louco e a loucura, eram compartilhadas por toda a
sociedade. A ideia de loucura assumiu diferentes roupagens ao longo das épocas, e de acordo
com cada uma delas o trato com o louco modificava-se. Os hospitais psiquiátricos surgem
como instancias de poder a fim de manter aqueles que padecem longe das outras pessoas.
Como sugere Foucault;

“Antes do século XVIII, o hospital era essencialmente uma instituição
de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de
separação e exclusão. O pobre como pobre tem necessidade de
assistência e, como doente, portador de doença e de possível contágio,
é perigoso. Por estas razões, o hospital deve estar presente tanto para
recolhê-lo, quanto para proteger os outros do perigo que ele encarna”.
(FOUCAULT, 1979; p. 101).

As reformas psiquiátricas, particularmente no Brasil, que começaram a serem
pensadas a partir da década de 70, baseiam-se em uma luta antimanicomial combatendo os
tratamentos prestados nos hospitais psiquiátricos. Os Centros de Atenção Psicossociais
(CAPSs) surgem como uma forma de prestar uma melhor assistência aos indivíduos que dela
necessitam.
Ao iniciar esse trabalho me deparei com vários discursos criados por pessoas que
fazem parte das cidades onde foram realizadas as pesquisas. Mesmo sendo os questionários
compostos por perguntas objetivas, com alguns dos participantes tive a oportunidade de criar
37

conversas informais. Aproveitava a situação para saber, mais a fundo, o que elas pensavam
sobre o tratamento prestado nos hospitais psiquiátricos e aquele que era prestado nos centros
de atenção psicossocial, com a finalidade de diagnosticar se as pessoas acreditavam mais na
finalidade de um em detrimento do outro. Ao perguntar, em um determinado momento, se ela
acreditava que a assistência prestada em hospitais psiquiátricos e em centros de atenção
psicossociais eram semelhantes ela me respondeu que não.

“O tratamento oferecido em hospitais psiquiátricos é melhor, não dá
para comparar uma pessoa que está internada em um hospital com
uma que só vai a um centro poucas horas por dia”.

Não existe confiança da parte das pessoas para com os hospitais psiquiátricos, elas
mesmas afirmam conhecer a realidade desses lugares, porém acreditam que o melhor meio de
tratamento dá-se através da reclusão e da ingestão de medicamentos. Apenas em alguns casos,
como dependência química, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é visto como melhor
meio para o tratamento. Embora a reforma psiquiátrica tenha como uma de suas metas
assegurar os direitos de cidadão para o interno, esse ideal não chega a atingir a comunidade,
pois ela não atribui as mesmas relações de um com o outro.
As entrevistas foram um componente importante para o desenvolvimento da pesquisa,
pois levantaram questões fundamentais. A grande maioria dos entrevistados - aqueles que não
possuem experiências com indivíduos internos - disseram não poder emitir com seguridade
suas opiniões por não possuir conhecimento sobre o assunto. Um dos participantes, apesar de
ter concordado em participar, escolheu não responder as questões postas na entrevista,
afirmando: “Não tenho uma opinião formada a respeito, pois, o conhecimento que tenho é
mínimo”.
38

No que diz respeito aos indivíduos internos a imagem transmitida pelos participantes é
do indivíduo sofredor, necessitado de cuidados e assistência.

“São pessoas, que têm problemas exteriores e interiores que precisam
de ajuda para lhe dar com eles”.

“A meta principal é o alívio do sofrimento e o bem-estar psíquico,
daqueles que conseguem prosseguir com o tratamento”.

Em grande maioria, os indivíduos que fazem uso de algum tipo de centro de atenção
psiquiátrica/psicossocial são vistos como “pessoas que apresentam algum distúrbio
psíquico”, e que o “tratamento específico, intensivo e eficiente” seria essencial “quando há
um problema que possa interferir no modo de agir do indivíduo ou no modo como ele leva a
vida e trata as pessoas (...)”, e, consequentemente, para uma melhor integração à sociedade.
Ao falar dos indivíduos que já passaram por algum tipo de centro de atenção
psiquiátrica/psicossocial, os entrevistados relacionam a “reintegração à sociedade” a eficácia
do tratamento ao qual o indivíduo estava sendo submetido, como afirma um dos participantes:
“Se o tratamento foi eficiente, a pessoa pode se reintegrar na sociedade, levar uma vida
normal, porém tem que ter bastante cuidado no que diz respeito ao contato com o objeto
causador do distúrbio”. Outros participantes dizem que essas pessoas precisam ser
“respeitadas” e “aceitas”, que não devem ser discriminadas por precisarem de “apoio
médico”, que é necessário “saber respeitar as diferenças que nos cercam constantemente,
para que com isso possamos construir uma sociedade mais justa perante as leis que norteiam
o bem-estar social”. Um entrevistado dividiu os possíveis casos que podem surgir atribuindoos características distintas, e, só assim, emitiu sua opinião; em um determinado ponto ele
39

levanta um dos pilares da luta pela reforma psiquiátrica, que é a garantia dos direitos de
cidadão para os indivíduos internos.

“Como o doido não tem cura ele pode representar uma ameaça, e as
suas atividades devem ser monitoradas pelo responsável, mas em caso
de distúrbios de personalidade entendo que após a saída da clínica o
paciente está apto a realizar qualquer atividade junto à sociedade.
Em ambos os casos deve ser zelado o direito pleno da cidadania. A
expansão ou a restrição a socialização deve estar de acordo com o
diagnóstico do médico”.

Nesse depoimento pode-se perceber o grau de poder que é atribuído ao médico para
com o indivíduo; esse poder médico, segundo Foucault, era colocado em questão pelos que
aderiram a antipsiquiatria “pelo efeito que produzia sobre o doente, mais ainda que seu saber
e a verdade daquilo que dizia sobre a doença” (FOUCAULT, 1979). Entendendo o poder
como uma rede, que é criado a partir das relações sociais (FOUCAULT, 2008).
No caso dos centros de atenção psiquiátrica/psicossocial os entrevistados acreditam
em sua importância, pois eles os veem como um meio para atingir a “recuperação” para
conseguirem “novas posições frente à sociedade”. Alguns participantes disseram não possuir
proximidade com esses centros, mas que acreditam que eles realmente ajudam aqueles que
precisam de tratamento, “trabalhando em prol do bem estar do indivíduo, visando a melhoria
de suas relações sociais”. Essas instituições ainda são vistas como sendo necessárias à
sociedade, funcionando como “reparadoras de problemas”.

“(...) é evidenciado e confirmado constantemente através da mídia e
de pessoas físicas, que muitas instituições como tais, não atendem
eticamente e profissionalmente seus necessitados, uma vez que os
pacientes são tratados com indiferença e vários tipos de maus tratos,
que inclui os comportamentos abusivos de diversas origens dos
40

profissionais ditos “competentes” para com os deficientes mentais,
dependentes químicos e pessoas retraídas socialmente, etc, em várias
instituições públicas e privadas do país e região. No entanto, ainda
assim, existem instituições psiquiátricas/psicossociais que prestam
bons serviços aos grupos de necessitados, conduzindo os indivíduos
problemáticos ao bem-estar mental e social”.

Os entrevistados acreditam que essas instituições são tratadas com descaso pelos
órgãos do governo, acreditando que eles não dão base para seu funcionamento, assim como a
situação do SUS de um modo geral, existindo um “descaso com o louco, como os doentes de
outro tipo”. Um participante disse que já ouviu de alguns conhecidos, que “em alguns
hospitais não tratam devidamente os loucos que lá estão internados e que alguns doentes
chegam a serem amarrados, maltratados a ponto de retirar a sua humanidade, igualando-os
a animais irracionais; já o CAPS, embora eu nunca tenha estado lá, fui informada que o
tratamento é mais adequado e eficaz, sobretudo para distúrbios leves”. No que diz respeito
aos hospitais psiquiátricos alguns entrevistados acreditam que a instituição está provida de
meios para prestar assistência aos indivíduos que possuem algum transtorno psiquiátrico,
porém não desempenham tal ação.

“Estão incumbidas de exercerem o seu papel com a sociedade, devem
ajudar as pessoas a superarem sua identidade alienada, pessoal e
social, todavia, estes ambientes têm sido para os que precisam
lugares de opressão e descaso social, o estado destas pessoas foi
agravado, porque sentiram que se aqueles que deveriam estar
cuidando de seus estados mentais não demonstraram nenhum tipo de
interesse”.

Ressaltou-se o fato de que para obter êxito no tratamento, é necessário que a
assistência prestada nessas instituições, seja a melhor possível, possuindo estrutura adequada

41

e profissionais capacitados. Sendo lugares destinados a acolher os pacientes e estimular sua
integração social e familiar, buscando integrá-los ao ambiente social.
Ao longo das entrevistas muitos dos participantes construíram discursos distintos para
os indivíduos internos em hospitais psiquiátricos e os que se encontram em CAPS. A pesquisa
foi estruturada pensando nessas duas instituições de forma distinta, pois uma foi moldada ao
longo da história para atender a determinadas exigências de acordo com a época, enquanto a
outra foi pensada a partir de novos preceitos, tendo como base os direitos do homem, que
aboliam o antigo trato com os internos nos hospitais psiquiátricos. Assim, as abordagens
apresentadas serviram para situar o indivíduo interno frente à sociedade, e o modo como a
instituição está sendo colocada nesse meio, a partir da visão dos entrevistados na pesquisa.

42

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa foi inicialmente proposta como meio de analisar as atuais condições das
instituições de atenção psiquiátrica/psicossocial a partir da visão da comunidade estudada, no
caso, algumas cidades do Estado de Alagoas. Para isso, inicialmente foi realizada uma
explanação ao longo das épocas sobre o “indivíduo louco” e o surgimento e manutenção das
instituições. A partir de então, e com o auxilio de pesquisas de campo, foi sendo traçada e
desenvolvida as questões fundamentais da pesquisa.
Em primeiro lugar, e a partir de tudo que foi levantado, a comunidade atribui um
poder legitimador a instituição. A imagem criada da instituição foi dividida em três situações:
situação 1 – indivíduos que acreditam no hospital psiquiátrico como única instituição possível
de tratamento; situação 2 – indivíduos que acreditam que os hospitais psiquiátricos são
lugares de opressão e descaso; situação 3 – indivíduos que acreditam que os CAPS são o
único possível meio de tratamento e assistência. Independente da instituição em questão,
grande maioria dos participantes das duas etapas da pesquisa atribuem grande valor a esses
centros de tratamento e de grande importância para o funcionamento da sociedade.
O segundo ponto a ser discutido é quanto ao indivíduo interno e o fato da comunidade
conservar, ou criar, estigmas quanto a ele. O que pôde ser concluído é que sendo o estigma
uma construção social (GOFFMAN, 2004) e dessa forma influenciado pela época, cultura,
entre outras coisas, a comunidade estudada cria novas formas de categorizar esses indivíduos
de acordo com suas próprias experiências; uma delas é a de que acreditam que grande maioria
dos indivíduos que possuem algum transtorno psicológico são vítimas de doenças que
possuem tratamento ou até mesmo cura. Uma segunda categoria presente na pesquisa foi a
dos indivíduos que são vistos como necessitados de tratamento e assistência para em um
43

futuro próximo serem reinseridos na sociedade. A última delas é o indivíduo sem cura, mas
que possui tratamento, e mesmo assim precisa ser mantido internado, pois representa um
perigo para a sociedade.
Concluo que sim, existem novos estigmas na sociedade alagoana, estes fortemente
influenciados por ideais humanistas, aqueles mesmos propostos nas reformas psiquiátricas;
não se trata de estigmas depreciativos, pelo contrário, são aqueles que marcam pela atenção
prestada ao indivíduo e pensando no bem estar social.

44

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