Produção PIBID
Capítulo 6 (Publicação de discentes do PIBID juntamente com egressos do curso)
PIBID Amostra Sinpete.pdf
Documento PDF (6.4MB)
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Vera Lucia Pontes dos Santos, Hilda Helena Sovierzoski,
Maria Ester de Sá Barreto Barros e Geisa Ferreira dos Santos
(Org.)
Coleção Sinpete
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Vera Lucia Pontes dos Santos, Hilda Helena Sovierzoski,
Maria Ester de Sá Barreto Barros e Geisa Ferreira dos Santos
(Org.)
Coleção Sinpete
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Vera Lucia Pontes dos Santos, Hilda Helena Sovierzoski,
Maria Ester de Sá Barreto Barros e Geisa Ferreira dos Santos
(Org.)
Coleção Sinpete
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Maceió/AL
2024
@2024 Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal)
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Núcleo de Conteúdo Editorial
Bibliotecário Responsável: Roselito de Oliveira Santos – CRB-4 – 1633
C569
Coleção SINPETE: ciência na escola para o desenvolvimento sustentável
volume 3 - Ensino superior./ Vera Lúcia Pontes dos Santos et al. (Org.).
— Maceió: Edufal, 2024.
216 p.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-65-5624-294-1 E-book
1. Ensino Superior. 2. Sustentabilidade 3. Ciência na escola
4. Hilda Helena Sovierzoski. 5. Maria Ester de Sá Barreto Barros.
6. Geisa Ferreira dos Santos. I. Título.
CDU: 378:504
Direitos desta edição reservados à
Edufal - Editora da Universidade Federal de Alagoas
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A. C. Simões
CIC - Centro de Interesse Comunitário
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Editora afiliada
Este volume é parte integrante da Coleção Ciência na Escola para
o Desenvolvimento Sustentável, produto do Sinpete 2023.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (Ufal)
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Vice-reitora
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Pró-Reitor de Graduação
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Coordenação do Programa de Formação Continuada em Docência do Ensino Superior (Proford)
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Vera Lucia Pontes dos Santos
Líder do Grupo de Pesquisa Formação de Professores da Educação Básica e Superior (Foproebs)
Vera Lucia Pontes dos Santos
Coordenadora-geral da Semana Institucional de Pesquisa,
Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete)
Vera Lucia Pontes dos Santos
Mentoria Científica
Dr. Aleilson da Silva Rodrigues
Dra. Andrea Marques Vanderlei Fregadolli
Dra. Débora Cristina Massetto
Dra. Érica Thereza Farias Abrêu
Dra. Francine Santos de Paula
Dra. Geisa Ferreira dos Santos
Dra. Hilda Helena Sovierzoski
Dr. Isnaldo Isaac Barbosa
Dra. Jadriane de Almeida Xavier
Dra. Jeylla Salomé Barbosa dos Santos Lima
Ma. Josenilda Rodrigues de Lima
Ma. Laise Damasceno Lucas
Dra. Luana Marina de Castro Mendonça
Dr. Luis Guillermo Martinez Maza
Dra. Maria Ester de Sá Barreto Barros
Dr. Müller Ribeiro Andrade
Dra. Patrícia Brandão Barbosa da Silva
Ma. Regina Maria Ferreira da Silva Lima
Esp. Rosely Maria Morais de Lima Frazão
Dra. Vera Lucia Pontes dos Santos
Municípios
Barra de São Miguel, Branquinha, Maceió, Murici, Olho D’Água
das Flores, Olho D’Água do Casado, Palmeira dos Índios, Rio Largo, Santana do Ipanema e São Sebastião
Escolas Municipais
Escola Municipal Medea Cavalcante
Escola Municipal Juvenal Lopes
Escola Municipal Aurino Maciel
Escola Municipal Pedro Tenório Raposo
Escola Municipal Marinete Neves
Escola Municipal Pe. Mousinho
Escola Municipal Demócrito José
Escola Municipal D. Pedro II
Escola Municipal Diogenes Batista
Escola Municipal Dr. Gerson Jatobá Leite
Escola Municipal de Educação Básica Antenor Serpa
Escolas Estaduais
Escola Estadual Princesa Isabel
Escola Estadual Theotônio Vilela
Escola Estadual Onelia Campelo
Escola Estadual Professor Loureiro
Escola Estadual José Victorino da Rocha
Escola Estadual Ângelo de Abreu
Escola Estadual Profa. Laura Maria Chagas de Assis
Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti Silva
Escolas Particulares
Colégio Rosalvo
Colégio Rosalvo Félix
Instituições Federais
Instituto Federal de Alagoas (Ifal) - Campus Murici
Universidade Federal de Alagoas (Ufal) – Campus A. C. Simões
(Maceió)
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal)
Instituto de Ciências Sociais (ICS/Ufal)
Instituto de Educação Física e Esporte (Iefe/Ufal)
Instituto de Química e Biotecnologia (IQB/Ufal)
Faculdade de Medicina (Famed/Ufal)
Apoio Interinstitucional
Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação
(Secti) de Alagoas
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal)
Universidade Estadual de Alagoas (Uneal)
Instituto Federal de Alagoas (Ifal)
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal)
Secretaria de Estado da Educação (Seduc - AL)
União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)
Esta coleção Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável é financiada com recursos do Sinpete.
A todos os que participaram, direta ou
indiretamente, especialmente professores e estudantes do
Ensino Superior, desde a formulação da ideia inovadora,
à aprovação, à apresentação no Sinpete, aos encontros de
mentoria científica, aos encontros de redação e discussão
do capítulo e às revisões e correções, mostrando o rigor do
processo de produção da escrita científica.
“Educar é um ato social que não se restringe a
uma sala de aula” .
Bárbara Carine Soares Pinheiro, professora da
Universidade Federal da Bahia (UFBA), química, filósofa,
escritora, influencer, cofundadora da primeira escola
afro-brasileira do Brasil.
SUMÁRIO
PREFÁCIO_______________________________________________ 12
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO CIÊNCIA NA ESCOLA
PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL___________ 18
APRESENTAÇÃO DO VOLUME 3: ENSINO SUPERIOR__ 24
CAPÍTULO 1
DESCOBRINDO O MUNDO: APRENDENDO CIÊNCIAS
ATRAVÉS DA INVESTIGAÇÃO____________________________ 26
CAPÍTULO 2
ECOEMPREENDEDOR: TRANSFORMANDO RESÍDUOS EM
OPORTUNIDADES – SABÃO SUSTENTÁVEL COM ÓLEOS
RESIDUAIS COM BAGAÇO DE COCO E PASTA DE BRILHO
COM CASCA DE OVO NAS ESCOLAS_____________________ 46
CAPÍTULO 3
LABPARATODOS: LABORATÓRIO DIGITAL E INCLUSIVO
DE MICROSCOPIA PARA ENSINO DE PARASITOLOGIA____74
CAPÍTULO 4
REVISÃO DE LITERATURA PARA DESENVOLVIMENTO
DO APLICATIVO M-EDUCATION-HEALTH PARA
REGISTRO DE SAÚDE DE PCDs QUE POSSUEM
DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM_____________________ 87
CAPÍTULO 5
SAÚDE NO PULSO: USO DE PULSEIRA INTELIGENTE
PARA ESTIMULAR ATIVIDADE FÍSICA EM
ADOLESCENTES________________________________________119
CAPÍTULO 6
LABORATÓRIO DE INICIATIVAS SOCIAIS E DIREITOS
HUMANOS: UMA EXPERIÊNCIA METODOLÓGICA DE
ENSINO NA ESCOLA ESTADUAL MARCOS ANTÔNIO
CAVALCANTI SILVA_____________________________________136
CAPÍTULO ESPECIAL
PRÓ-SINPETE: EDUCAÇÃO, DIVULGAÇÃO E
POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E
INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO BÁSICA DE ALAGOAS______155
SOBRE OS/AS AUTORES/AS____________________________200
PREFÁCIO
“A Ciência afeta as questões humanas de duas maneiras. A primeira,
é bem conhecida por todos: diretamente e mais ainda indiretamente,
a Ciência produz benefícios que já transformaram por completo a
existência humana. A segunda maneira, é de cunho educacional:
atua sobre a mente. Embora possa parecer menos óbvia a um exame
superficial, ela não é menos incisiva que a primeira”
Albert Einstein[1]
O desenvolvimento do interesse pela ciência deve
ser contínuo. No processo de formação de nossas crianças
e jovens, a ciência é utilizada tanto como instrumento para
educar quanto apresentada como um amplo e complexo
sistema que envolve várias áreas do saber humano, a serem
exploradas e apreendidas, paulatinamente, de acordo com
os avanços cognitivos e a evolução do ensino-aprendizagem dos nossos estudantes.
Pelo aspecto do estado da arte do conhecimento na
contemporaneidade, há pouco espaço para dúvidas de que
a humanidade avançou consideravelmente nos últimos dois
séculos, pelo menos. A sensível diminuição da taxa de mortalidade infantil e o aumento da longevidade são elementos
que comprovam grandes avanços, especialmente em áreas
como saúde pública, nutrição, saneamento básico e acesso
a tratamentos médicos avançados, refletindo melhorias significativas na qualidade de vida e no bem-estar das populações. Isso foi posto com muita clareza no livro do celebrado
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
psicólogo de Harvard, Steven Pinker, em O Novo Iluminismo:
Em Defesa da Razão, da Ciência e do Humanismo (2018)[2].
O desenvolvimento de um portfólio considerável de
vacinas e antibióticos permitiu à sociedade humana conviver
com as incertezas trazidas pela natureza e suas intempéries,
por exemplo. A pandemia da Covid-19, a maior crise sanitária que nossas gerações vivenciaram, demonstrou a importância que o conhecimento humano traduzido em ciência
significa para a defesa, proteção e preservação humanas.
E não estamos comentando sobre outros tantos e significativos avanços que a ciência tem promovido e impactado
em nossas vidas, principalmente em áreas e espaços mais comemorados pela opinião pública mundial, como tecnologias
de comunicação e informação, transportes, energias, construções, inteligência artificial, biotecnologia, nanociências, etc.
Em estudo muito recente produzido pelo Centro de
Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação, um dado muito relevante foi apresentado: 66% dos entrevistados consideraram
que a ciência traz muito mais benefícios do que malefícios
para a sociedade e mais de 80% da população concorda que
a maioria das pessoas é capaz de entender o conhecimento
científico se ele for bem explicado.
São dados muito otimistas e contribuíram muito para
eles a presença de cientistas e especialistas nos meios de
comunicação brasileiros durante a pandemia, todos empenhados numa batalha contra a desinformação, as fake news
[2]
PINKER, S. O novo iluminismo: em defesa da razão, da ciência e do
humanismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, 664p.
13
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
e o negacionismo, pelo bem comum e orientação à sociedade em um momento tão delicado de nossa humanidade.
Porém, temos um outro lado da moeda, citado no início, que desafia nossos educadores, instituições de ensino e
responsáveis por delinear as políticas educacionais no país:
como tornar a ciência, o conhecimento formalizado, mais atrativos para nossos jovens como perspectiva de formação profissional e importante instrumento de transformação social?
O Brasil precisa formar muito mais cientistas. Nos últimos anos, sabemos que o negacionismo e o descaso com
as políticas federais de ciência, tecnologia e inovação tiveram um peso muito grande na desvalorização da carreira de
cientista, inclusive afugentando milhares deles para o exterior. Ademais, as condições de trabalho e a baixa remuneração, somadas à indefinição quanto à carreira, contribuem
muito para o desinteresse de nossos jovens por uma profissão de tão elevada importância para qualquer sociedade.
É também relevante considerar que, na vida social da
maioria de nossa juventude, antes mesmo de definir uma
carreira profissional, a atenção deles é muito disputada por
inumeráveis e diversos interesses, desde as atividades de
entretenimento, passando pelas redes sociais, pelas práticas esportivas e sociais, etc. A pressão pela definição do seu
futuro laboral coloca como prioridades escolhas profissionais que possuem tradição na família ou são promissoras do
ponto de vista dos retornos financeiros. Por sua vez, muitos
jovens sequer têm a possibilidade de fazer essas escolhas
ou não conseguem ter a atenção disputada pela vida ordinária, pois as condições adversas de vida os pressionam a
14
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
trabalhar logo cedo para contribuir com a subsistência e a
sobrevivência familiar.
Então, aqui se encontra um outro aspecto muito relevante para que o Brasil possa dar um salto de qualidade em
nosso processo de desenvolvimento científico e tecnológico: como reforçar e melhorar o processo de introdução dos
métodos e técnicas científicas em nossas escolas de Educação Básica e promover, massivamente, a popularização da
ciência, despertando logo cedo a perspectiva de que o campo científico pode ser uma área de realização de projetos de
vida e promissora do ponto de vista profissional?
Esse desafio deve ser enfrentado pelo Brasil. Acreditamos que em Alagoas parte dele tem sido enfrentada através
de algumas iniciativas relevantes, que já colhem frutos. Através da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação
(Secti - AL) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), o governo estadual tem promovido e executado
o Programa de Iniciação Científica Jr. concedendo bolsas
para jovens do Ensino Médio que se envolvem em projetos
de pesquisa básica e aplicada propostos por professores da
rede pública estadual em editais lançados pela Fapeal. Esse
programa já atinge quase 80% de escolas da rede estadual,
distribuídas em todas as regiões de Alagoas. Resultados já
apontam que os bolsistas têm melhorado, significativamente, o desempenho nas avaliações do Enem, por exemplo.
Agora, o que aconteceu nos últimos anos de interessante e tem se aproveitado, estrategicamente, das políticas
públicas de incentivo à CT&I e educação em Alagoas, é a realização da Semana Interinstitucional de Pesquisa, Tecno-
15
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
logia e Inovação na Educação Básica (Sinpete), promovida
pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e executada por
um grupo muito qualificado de pessoas, preocupadas em
conectar a Universidade e a Educação Básica no estado com
o propósito de estimular e popularizar a ciência e tecnologia.
O Sinpete conta com a colaboração de várias instituições e entidades e geralmente é realizado durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontece sempre
nos meses de outubro. Ele reúne estudantes do Ensino
Fundamental, Médio e Superior, que têm a oportunidade
de apresentar suas experiências com a ciência, trabalhos
acadêmicos e atividades extracurriculares que envolvam o
conhecimento científico. Envolve redes municipais de Educação e a rede estadual, em um grande festival, digamos assim, em comemoração à ciência.
Uma síntese do resultado desse magnífico trabalho
encontra-se reunida nesses três volumes que temos a grande satisfação de prefaciar. Nessa segunda edição, a coleção
traz como temática Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável. Um assunto muito oportuno, especialmente
numa conjuntura da humanidade difícil, quando enfrentamos mais incertezas do que soluções para lidar com as mudanças climáticas.
Os textos que encontramos nos três volumes são
frutos da capacidade que reúne nossa rede pública, municipal e estadual, em produzir ciência, básica e aplicada,
contrariando qualquer prognóstico de que o conhecimento científico é um privilégio somente para os grandes centros desenvolvidos, mais aquinhoados do ponto de vista
16
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
da riqueza econômica e rede de relacionamentos. Não, fazer ciência não depende somente de recursos econômicos,
mesmo sendo esse item importante. É possível também fazer ciência e divulgar suas virtudes com mais amplitude
ali onde há interesse, sede de conhecimento e vontade de
transformar, vidas e estruturas. E o Sinpete vem contribuindo com aquele segundo aspecto que se encontra na citação
de Einstein que abre esse prefácio.
Parabéns aos organizadores e organizadoras do
Sinpete, às entidades e instituições que apoiam e, especialmente, aos estudantes, professores e mentores do nosso
sistema público de Educação Básica e Superior.
Desejamos um excelente aproveitamento desse espetacular material!
Julho de 2024.
Fábio Guedes Gomes
Professor da Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade (Feac/Ufal)
Diretor Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Alagoas (Fapeal)
17
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO CIÊNCIA
NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
Em entrevista à revista Psychology Today, em janeiro
de 1996, Carl Sagan enuncia a célebre frase: “Toda criança começa como um cientista nato. Nós é que tiramos isso delas”.
Esse enunciado não é aleatório; é envolto de significados.
Reflete o lugar de fala de um cientista que viveu literalmente
imerso no mundo das ciências. O estadunidense Sagan foi
físico, biólogo, professor, cientista, astrônomo, astrofísico,
cosmólogo e escritor de 20 livros e mais de 600 publicações
sobre ciência e ficção científica, sendo considerado um dos
maiores divulgadores científicos de todos os tempos.
Assim como Sagan, acreditamos que a criança já nasce cientista. Desde pequena, ela é indagativa, enchendo-nos
de perguntas sobre os porquês das coisas. É curiosa e cheia
de vontade de aprender. A forma como nós, adultos, acolhemos e estimulamos a curiosidade infantil nos contextos de
Educação formal e informal define quão fascinada ela será
pelas Ciências. Se seu entusiasmo se mantiver intacto tal
como naturalmente se mostra, teremos jovens cientistas geniais ajudando a tornar o mundo um lugar melhor de se viver.
É papel da Educação formal estimular o pensamento
científico, a criatividade e a inovação. A escola como lócus
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
privilegiado de Educação integral da criança e do adolescente precisa internalizar que a Ciência não é algo restrito
à universidade; ela está em todo lugar: na natureza, no cotidiano, nas práticas sociais e, por estar presente em tudo o
que fazemos, precisa integrar o currículo escolar.
Nesse sentido, a Educação Científica emerge, associada a todas as áreas de conhecimento, como uma área de
pesquisa/conhecimento extremamente relevante na formação do cidadão. O conteúdo científico abordado na escola e
a função social da Ciência estão imbricados em sua essência e, portanto, não devem ser dissociados. Ao ser abordada
desde os primeiros anos escolares, a Educação Científica
corrobora o processo de letramento científico, naturalizando o uso social da Ciência. Um cidadão letrado cientificamente vai além da leitura do texto científico; ele é capaz de
ler a realidade social e intervir sobre ela, resolvendo problemas do dia a dia.
Nessa perspectiva, o Sinpete[3] se reveste de um sentido
especial porque seu escopo e objetivos o colocam num
patamar de programa que extrapola a ideia estrita de uma
mostra ou feira de ciências. Seu desenho permite a conexão direta com as escolas de Educação Básica o ano inteiro,
de forma contínua, através de ações cidadãs de divulgação,
formação e mentoria, voltadas para o fortalecimento do conhecimento científico produzido no contexto da escola, em
prol da resolução de questões levantadas dentro do próprio
ambiente escolar.
[3]
Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação
Básica (Sinpete).
19
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Estar alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) faz do Sinpete um programa sintonizado
com as preocupações mundiais, humanitárias, sociais, econômicas e ambientais, com a concepção de mundo como
um lugar de todos. Em sua essência, o Sinpete colabora com
o ODS 4 - Educação de Qualidade, que traz como prioridade “garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e
equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao
longo da vida para todos” (ONU, 2015).
A promoção da sustentabilidade socioambiental, de
múltiplas oportunidades de aprendizagem, da inovação metodológica e da Educação Científica na escola, bem como
da formação de professores para o letramento científico,
tem como enfoque aproximar a Educação Básica do Ensino
Superior e, sobretudo, estimulá-la a experienciar a Ciência
como prática social na sala de aula, no seio da escola e na
interface universidade-escola, interconectando estudantes
e professores de todos os níveis educacionais.
Os textos desta coleção, de autoria de professores e
estudantes de escolas públicas, dos Anos Iniciais do Ensino
Fundamental ao Ensino Médio e, também do Ensino Superior, evidenciam a produção do conhecimento nos variados campos da Ciência. A abertura do Sinpete para mostra
de projetos e/ou trabalhos desenvolvidos com grupos de
alunos de cursos de graduação e/ou pós-graduação stricto sensu interliga o protagonismo da Educação Científica e
estimula visitantes, outros professores e outros alunos para
a criatividade, cooperação e divulgação de suas pesquisas.
20
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
São ensaios que traduzem a participação ativa e o protagonismo científico dos estudantes, orientados pela busca
por soluções educacionais, econômicas, sociais e sustentáveis. Esta coleção é, portanto, o resultado da mentoria especializada promovida pela Universidade Federal de Alagoas
(Ufal) no âmbito do Sinpete. Essa mentoria consiste na condução das equipes dos projetos selecionados no Concurso
de Ideias e Pesquisas Inovadoras, fortalecendo sua inserção
na Iniciação Científica.
O Sinpete reuniu uma equipe de 20 mentores, pesquisadores da Ufal e Uneal, que foram responsáveis pela formação científica, acompanhamento dos projetos e orientação
da escrita acadêmica dos capítulos desta coleção. Por meio
de encontros presenciais e on-line, coletivos e/ou personalizados, cada grupo – orientador(a) e alunos(as) – avançou
no desenvolvimento da pesquisa e da redação do texto científico, o qual reflete o resultado do projeto desenvolvido.
A criatividade e a inovação materializadas no projeto,
bem como a produção e a redação do capítulo da coleção,
desenvolvidas nos encontros de mentoria ocorridos na Ufal,
no lócus da escola ou on-line, proporcionaram o contato
direto e a vivência de estudantes e professores da Educação Básica com o universo do Ensino Superior. O desfecho
dessa experiência singular está impresso nesta coleção, na
forma de três volumes, cada um destinado a uma etapa de
ensino: Volume 1 - Ensino Fundamental; Volume 2 - Ensino
Médio; e Volume 3 - Ensino Superior.
O Volume 1 - Ensino Fundamental está estruturado
em 15 capítulos e concentra a produção científica de pro-
21
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
fessores e estudantes de escolas do Ensino Fundamental dos
municípios de Barra de São Miguel, Branquinha, Maceió,
Murici, Palmeira dos Índios, São Sebastião e Olho d’Água
do Casado. Já o Volume 2 - Ensino Médio compreende 14
capítulos que trazem subjacentes a produção científica de
professores e estudantes do Ensino Médio e Ensino Médio
Técnico de escolas e institutos federais dos municípios de
Maceió, Murici, Olho d’Água das Flores e Santana do Ipanema. Finalmente, o Volume 3 - Ensino Superior é composto
por seis capítulos que expressam a produção científica de
professores e estudantes dos seguintes cursos de graduação: Educação Física, Química, Ciências Biológicas, Medicina e Ciências Sociais, todos da Ufal.
A abrangência dos temas de CT&I e Empreendedorismo apresentados nos 35 capítulos desta coleção e produzidos pelos diversos atores – escolares e universitários
– mostra a trajetória empreendida desde a fase inicial da
Educação Científica, culminando com estes grupos escrevendo, pelo menos, um capítulo de livro, sob mentoria de
pesquisadores da Ufal e Uneal.
A coleção traz, ainda, um capítulo especial intitulado “Pró-Sinpete: Educação, Divulgação e Popularização
da Ciência, Tecnologia e Inovação na Educação Básica de
Alagoas”. Este capítulo traduz o histórico, os resultados e
os impactos do Sinpete como programa de articulação universidade-escola que se propõe a estimular e promover a
Educação Científica, formando, produzindo, divulgando e
popularizando a CT&I de forma irrestrita. Divulgam-se os
números experienciados no Sinpete com vistas ao estímulo,
22
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
à instigação e ao convite para novas e futuras participações
da disseminação da Educação Científica nos variados campos da Ciência, evidenciando o belíssimo e árduo trabalho
da materialização do conhecimento produzido na escola.
Finalmente, ao se eleger epígrafes de autoria de mulheres, negras, brasileiras, a exemplo de Sônia Guimarães,
primeira mulher negra brasileira a lecionar no ITA[4]; Jaqueline Goes de Jesus, biomédica que trabalhou no sequenciamento do genoma do SARS-Cov2 e Embaixadora da Ciência
no Brasil; e Bárbara Carine Soares Pinheiro, química, filósofa, escritora, influencer, cofundadora da primeira escola
afro-brasileira do Brasil, reconhece-se a importância das
interseccionalidades nas Ciências.
Agradecemos o prefácio brilhantemente escrito pelo
Dr. Fábio Guedes, presidente da Fapeal, que, além de fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico no estado de
Alagoas, debruça-se na temática desta coleção. Desejamos
uma excelente leitura!
Vera Lucia Pontes dos Santos
Mentora científica, coordenadora-geral do Sinpete e pedagoga da
Pró-reitoria de Graduação da Ufal
Hilda Helena Sovierzoski
Mentora científica e professora do Instituto de Ciências Biológicas
e da Saúde (ICBS/Ufal)
23
APRESENTAÇÃO DO VOLUME 3:
ENSINO SUPERIOR
O ingresso na universidade sempre vem atrelado a
muitos sonhos e dúvidas. Como serão os anos de formação?
Como sairei? Que tipo de profissional me tornarei? São tantos caminhos possíveis para cada profissão! Uma coisa posso afirmar: vivenciar as possibilidades que a universidade
proporciona para o desenvolvimento de pesquisas e extensão é um caminho que fará você participar ativamente da
formação do seu “eu” profissional.
Neste terceiro volume da coleção Ciência na Escola
para o Desenvolvimento Sustentável, você poderá contemplar projetos de estudantes e docentes do Ensino Superior
que foram premiados no Concurso de Ideias Inovadoras da
2ª edição da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia
e Inovação na Educação Básica (Sinpete).
Agora você deve estar se perguntando: como projetos de estudantes e docentes universitários podem compor uma coleção de Ciência na escola? Ah, caro/a leitor/a,
você não imagina a importância da relação entre escola e
universidade. Afinal, não é na escola que estão os futuros
universitários?
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Pois bem, ao longo dos capítulos deste volume, você
verá o registro do desenvolvimento de trabalhos nas áreas
de Química, Ciências Biológicas, Medicina, Educação Física
e Ciências Sociais nas escolas. Além disso, em cada capítulo
será possível identificar alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) preconizados pela Organização
das Nações Unidas (ONU), que são um apelo global à ação
para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o
clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade.
A aí, ficou curioso/a? Então, mergulhe nesta obra para
descobrir a Ciência de diversas formas: investigativa, empreendedora, inclusiva, ativa e social. Tenho certeza de que
esta leitura fará você compreender de forma mais abrangente a importância de uma boa formação universitária. E,
por isso, já o/a convido a ficar atento/a às oportunidades
para que, quem sabe, um trabalho seu não esteja compondo
a próxima Coleção Sinpete.
Maria Ester de Sá Barreto Barros
Mentora científica do Sinpete e professora do Instituto de Química
e Biotecnologia (IQB/Ufal)
25
CAPÍTULO 1
DESCOBRINDO O MUNDO: APRENDENDO
CIÊNCIAS ATRAVÉS DA INVESTIGAÇÃO
Thatiane Veríssimo dos S. Martins1
Dhara Beatriz de Amorim Pryston2
Igor Matheus de A. Silva3
Evellyn Patricia Santos da Silva3
César Cavalcante Ferreira4
Aline Gonçalves Felix4
Isadora R. Alves da S. Santos4
Maria Ester de Sá Barreto Barros5
Orientadora | Professora substituta do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB/Ufal)
1
Coorientadora | Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia
(IQB/Ufal)
2
Estudante | Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia
(IQB/Ufal)
3
4
Estudante | Curso de Química licenciatura (IQB/Ufal)
5
Mentora científica do Sinpete | Professora do IQB/Ufal
CONTEXTUALIZAÇÃO
As metodologias ativas de ensino vêm sendo usadas
como uma abordagem para atender às demandas educacio-
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
nais do século 21, promovendo uma aprendizagem dinâmica
e participativa (Malheiros, 2019). Elas refletem uma mudança de padrão na educação, valorizando a autonomia do aluno e sua capacidade de construir conhecimento de forma
colaborativa. De acordo com Pontes et al. (2022, p. 4), “as
metodologias ativas têm como objetivo colocar o estudante
no centro dos processos de ensino e de aprendizagem”.
Alinhadas às teorias contemporâneas de aprendizagem, esses tipos de metodologias preparam os alunos para
enfrentar os desafios atuais da sociedade, promovendo
maior engajamento e desenvolvimento de habilidades e
competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Vila Nova; Coelho, 2021).
O estudo proposto proporciona o avanço do conhecimento em Ciências da Natureza e suas Tecnologias
e a melhoria das práticas e metodologias educacionais na
disciplina de Química, pois integra diferentes áreas de conhecimento, possibilitando, assim, a interdisciplinaridade.
Segundo Souza et al. (2022, p. 5), “a interdisciplinaridade se
constitui como uma abordagem teórico-prática que orienta
tanto pesquisadores quanto docentes a analisarem os fenômenos a partir de diferentes perspectivas”.
A disciplina de Química, componente da área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, está presente no cotidiano dos alunos. Logo, a compreensão dos fenômenos
que ocorrem no mundo e as transformações químicas são
de suma importância. Porém, muitos estudantes não se sentem motivados a aprender Química e a rotulam como uma
matéria “complicada”, “difícil” e “abstrata”. Isso acontece
27
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
devido aos processos de memorização de fórmulas e nomenclaturas que, muitas vezes, são desvinculados de significados e aplicabilidade (Xavier et al., 2021).
A Química pode ser explorada em diversas temáticas, tais como a Forense e a Ambiental, que podem fornecer uma aprendizagem significativa voltada à realidade dos
alunos. Abordagens desse tipo podem aumentar o interesse
e o envolvimento dos discentes durante a aula, tornando
o aprendizado estimulante ao promover a conscientização
ambiental e incentivar a investigação científica (Wartha;
Lemos, 2016).
No contexto atual da educação, é essencial consolidar o trabalho investigativo didático para promover uma
abordagem pedagógica diversificada por meio de experimentos práticos, simulações de cenários e observação de
evidências para a resolução de problemas do mundo real,
como crimes ambientais e análises de cenas criminais, para
a formação de cidadãos mais críticos e responsáveis (Costa;
Amaral, 2023).
Nesse viés, este estudo propõe o uso de metodologia
ativa, a saber, rotação por estações, visando desenvolver
competências gerais da BNCC, tais como: pensamento científico, crítico e criativo; conhecimento, responsabilidade e
cidadania. Esses aspectos podem ser abordados no contexto de Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA),
visando à Alfabetização Científica (Rodrigues et al., 2015).
Além disso, a pesquisa também propõe trabalhar algumas
habilidades da área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias da BNCC, apresentadas no Quadro 1.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Quadro 1 - Habilidades da BNCC contempladas no estudo
Código
Habilidade
EM13CNT104
Avaliar os benefícios e os riscos à saúde e ao ambiente,
considerando a composição, a toxicidade e a
reatividade de diferentes materiais e produtos, como
também o nível de exposição a eles, posicionando-se
criticamente e propondo soluções individuais e/ou
coletivas para seus usos e descartes responsáveis.
EM13CNT105
Analisar os ciclos biogeoquímicos e interpretar os
efeitos de fenômenos naturais e da interferência humana
sobre esses ciclos, para promover ações individuais e/
ou coletivas que minimizem consequências nocivas à
vida.
EM13CNT205
Interpretar resultados e realizar previsões sobre
atividades experimentais, fenômenos naturais e
processos tecnológicos, com base nas noções de
probabilidade e incerteza, reconhecendo os limites
explicativos das ciências.
EM13CNT301
Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e
estimativas, empregar instrumentos de medição e
representar e interpretar modelos explicativos, dados
e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e
justificar conclusões no enfrentamento de situaçõesproblema sob uma perspectiva científica.
Fonte: Brasil (2018).
As competências e habilidades citadas anteriormente, utilizadas na aplicação deste trabalho, fomentam o processo de ensino e aprendizagem de Ciências da Natureza e
suas Tecnologias, mais especificamente o Ensino de Química, contribuindo com uma educação emancipadora, transformadora e libertadora, conforme a concepção de Freire
(1996).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Para Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015), o modelo de rotação por estações proporciona uma aula dinâmica
com espaços de aprendizagem envolvendo séries, independentes ou não, sem que exista uma ordem ou prioridade
nas estações, mas com a recomendação de que todas elas
possuam o mesmo tempo de existência, delimitado pelo
professor. No contexto da Educação em Ciências, a rotação
por estações pode ser usada para ensinar conceitos químicos, biológicos, físicos ou ambientais, permitindo que os
alunos participem de uma variedade de atividades práticas
e teóricas para aprofundar sua compreensão do assunto
em questão.
Essa metodologia tem o objetivo de ser colaborativa,
com a troca de informações entre grupos ou pessoas, sendo
todo o processo acompanhado pelo docente, a fim de avaliar e verificar a participação dos alunos, se o objetivo da
atividade foi alcançado e se o processo de ensino e aprendizagem foi satisfatório. No contexto da Educação em Ciências, a rotação por estações é uma abordagem versátil que
permite aos estudantes participarem de uma variedade de
atividades práticas e teóricas para aprofundar sua compreensão dos conceitos. Essa metodologia visa promover a colaboração e a troca de informações entre os discentes, com
o acompanhamento do docente para avaliar a participação
e garantir o alcance dos objetivos de aprendizagem.
Abordagens didáticas como a proposta neste trabalho contribuem para uma aprendizagem efetiva da disciplina de Química. Porém, para aplicar esta metodologia ativa,
é fundamental que os professores estejam em constante
30
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
formação, a fim de garantir o protagonismo juvenil e a preparação integral do aluno no processo de ensino e aprendizagem (Brasil, 2018).
Nesse sentido, este trabalho visa contribuir com
uma proposta de rotação por estação, interconectando
os temas geradores de Química Forense e Ambiental para
preparar os estudantes em um compromisso de desenvolvimento profissional e humano (Lima-Júnior et al., 2021).
É importante salientar que o estudo está atrelado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), principalmente à Educação de Qualidade, com foco em aprendizado
ativo e experimental.
Dessa forma, o objetivo principal deste projeto foi integrar o ensino de Química à investigação científica. Isso
significa que os alunos podem desenvolver habilidades
como fala, leitura, escrita e capacidade de selecionar e avaliar evidências. Também trabalha a resolução de problemas,
sendo os estudantes desafiados a investigar e resolver situações reais ou hipotéticas. Eles podem explorar questões,
coletar dados, formular hipóteses e buscar respostas.
Assim, as propostas do presente trabalho têm como
objetivo contribuir com metodologias ativas que se adequem
às diferentes realidades escolares, principalmente àquelas
em que a vulnerabilidade social seja mais evidenciada, propondo adaptações que possibilitem o uso de materiais e experimentos de baixo custo (Martins et al., 2023). Esse tipo de
abordagem é importante para garantir a igualdade de acesso
à educação para todos, que independe de habilidades, necessidades ou origens dos estudantes (Ward et al., 2015).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
Metodologia
O estudo foi proposto para ser realizado em dois encontros, cada um com duração de uma hora-aula, destinados a turmas do Ensino Médio. Inicialmente, foi realizada
uma abordagem da Química Forense e Ambiental, com uma
breve apresentação sobre essas temáticas utilizando recursos multimídia como apoio didático.
No segundo momento, adotou-se a metodologia de
rotação por estações, em que os alunos foram divididos
em grupos e, em seguida, moveram-se entre diferentes espaços, cada um dedicado a ações e/ou tarefas específicas
relacionadas a um tema central, tendo em vista que atividades experimentais nas aulas de Química possuem o
objetivo pedagógico de aperfeiçoar o ensino, tornando-o
interativo e reflexivo (Andrade; Viana, 2017). As estações
foram organizadas com experimentos cujos resultados
ajudaram a solucionar um crime fictício, que serve de contexto para este estudo.
Resultados e discussões
As atividades do projeto foram realizadas no mês de
abril de 2024, nos dias 23 e 30, no Colégio Focus (escola da
rede privada), localizado em uma região periférica da cidade de Maceió, estado de Alagoas, nas proximidades da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). No primeiro encontro,
os discentes de graduação e pós-graduação em Química da
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Ufal ministraram uma aula teórica (Figura 1), abordando as
técnicas utilizadas nos laboratórios de Ciências Forense e
Ambiental, com o objetivo de auxiliar os alunos na compreensão dos temas abordados na metodologia de rotação por
estações. Ao final, apresentou-se o estudo de caso para que
os estudantes investigassem.
Figura 1 - Imagens do primeiro encontro formativo, A - um dos
apresentadores explicando o assunto, B - discussão do assunto
por outro apresentador, C - finalização desse encontro com a
apresentação final
Fonte: Acervo dos autores (2024).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
No segundo encontro, o cenário foi previamente
montado e as estações, organizadas (Figura 2). Assim, na primeira estação, cada grupo de alunos, assumindo o papel de
investigadores, foi conduzido a uma cena fictícia do crime,
em que puderam visualizar as evidências e fazer anotações.
Figura 2 - Imagens do segundo encontro formativo, A
- orientações gerais sobre a atividade, B - simulação de vítima
no chão, com a marcação para análise, C - estudo em grupo no
local onde está a vítima, D - apresentação do material necessário
para análise de impressões digitais, E, F e G - alunos praticando
essa análise com suas próprias impressões digitais
Fonte: Acervo dos autores (2024).
34
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Na segunda estação, os estudantes realizaram análises ambientais de uma amostra de água coletada próximo à
fábrica fictícia, previamente adulterada com carbonato de
cálcio (CaCO3), para realizar o teste de dureza da água. Este
teste consistiu em comparar a dureza da água de torneira
com a água que foi adulterada. Para tanto, foi adicionado
sabão nas duas amostras e, após agitação, os discentes observaram que a amostra contendo carbonato de cálcio não
apresentou formação de espuma, caracterizando, assim, a
água dura. No entanto, observaram que na água sem nenhuma adulteração a espuma estava visivelmente presente, fator que corresponde à água mole.
Além da dureza da água, também foi realizada a análise
de pH de amostras de água, sabão e suco de limão utilizando
fita de pH e extrato de repolho roxo previamente preparado
(Figura 3). Os alunos puderam verificar que o pH do sabão é
básico (pH > 7,0), o pH do suco de limão é ácido (pH < 7,0) e
o pH da água é próximo da neutralidade (pH = 7,0).
35
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 3 - Infográfico da experimentação ácido-base utilizando
repolho roxo como indicador
Fonte: Autores (2024).
Com as análises de dureza e pH da água, os alunos
foram confrontados com a problemática do lançamento
dos efluentes industriais no meio ambiente. Se essa ação
for realizada de forma irregular, pode modificar vários parâmetros estabelecidos em legislação no País, tal como
a Resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama) (Brasil, 2005). Isso ocasiona graves
transtornos ambientais se os efluentes não receberem o
tratamento adequado. Assim, esse momento foi crucial
para incentivar o debate e o pensamento crítico dos estudantes para compreenderem os conteúdos abordados de
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
maneira mais eficaz, além de perceberem a Química como
uma ciência presente em seu cotidiano.
Na terceira estação, a parte forense entrou em ação e
os alunos foram ao cenário laboratorial para realizar a revelação das impressões digitais, utilizando o vapor de iodo (I)
a fim de descobrir quem foi o assassino fictício. Essa etapa
consistiu em aplicar a digital do dedo polegar numa folha de
papel levada ao vapor de iodo aquecido aproximadamente
a 60°C e que foi sublimado (estado sólido para o estado gasoso). Dessa forma, a impressão digital pôde ser vista.
A revelação de impressões digitais latentes resulta da
interação da gordura da pele com o vapor de iodo, inicialmente com uma coloração marrom que, após esse contato,
forma um produto de coloração marrom-amarelada (Sebastiany et al., 2013; Santos et al., 2013), permitindo a visualização da impressão digital anteriormente invisível a olho nu.
É importante ressaltar que, com o passar do tempo, a impressão digital revelada tende a desaparecer. Por esse motivo, é aconselhável registrá-la fotograficamente ou fixá-la
com fita adesiva para prolongar sua visualização.
Assim, cada aluno teve a oportunidade de revelar sua
própria digital, identificando-a com seu nome, fotografando-a e catalogando-a, o que proporcionou uma experiência
prática e emocionante na investigação forense. Na Figura
4, o infográfico descreve o roteiro seguido na realização da
coleta e na revelação das impressões digitais latentes dos
estudantes na perspectiva forense.
37
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 4 - Infográfico referente ao procedimento
experimental para revelação de impressões digitais latentes
Fonte: Autores (2024).
Além disso, é fundamental enfatizar que tanto os professores quanto os alunos devem evitar respirar o vapor de
iodo durante o procedimento experimental. De acordo com
a Ficha de Informações sobre Produtos Químicos (FISPQ)
do iodo sublimado, sua inalação pode causar irritação do
trato respiratório, queimação nas mucosas e membranas
respiratórias, rinite, rouquidão, dor de cabeça e falta de ar.
Com o intuito de elucidar e enriquecer a pesquisa, foi
elaborado um estudo de caso que retrata uma cena de crime,
conforme a descrição a seguir, seguido de uma sequência
com as cenas do local do delito, que pode ser visualizada na
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 5. Este painel foi apresentado no primeiro encontro,
com o objetivo de estimular a curiosidade, o pensamento
crítico, a colaboração, a comunicação e o interesse dos
alunos. Após o caso, segue, na Figura 5, a sequência de três
imagens com cenas do local do crime.
ESTUDO DE CASO – CENA FICTÍCIA
O homem estava deitado na cama do hospital, rosto inchado e machucado,
recusando-se teimosamente a falar com os policiais que tentavam questioná-lo
sobre o ataque brutal que sofrera. Os investigadores estavam frustrados, sabendo
que ele tinha informações cruciais sobre o caso (Figura 5A).
No entanto, uma reviravolta chocante veio à tona quando a equipe de
investigação descobriu uma ligação entre o homem e a morte de um comerciante
local alguns dias antes. As evidências apontavam claramente para sua participação
no crime, mas o motivo permanecia obscuro.
Foi então que análises forenses revelaram resquícios de sangue e material
genético do homem na cena do crime do comerciante, além de digitais encontradas
no corpo da vítima. Era evidente que ele não era apenas uma vítima, mas também
um participante ativo no assassinato (Figura 5B).
Porém, o homem se recusava a cooperar, não por medo ou por estar
diretamente envolvido no crime, mas sim porque queria proteger alguém.
Essa revelação lançou uma nova luz sobre o caso, levando os investigadores a
questionarem quem ele estava tentando proteger e qual era o verdadeiro motivo
por trás do assassinato do comerciante.
Com essa nova descoberta, a investigação tomou um rumo ainda mais
complexo, levando os detetives a desvendarem uma teia de segredos e mentiras que
mudaria para sempre a vida daquela pequena comunidade.
Enquanto a equipe de investigação continuava a reunir provas sobre o
crime, eles receberam uma denúncia anônima que mudaria completamente o curso
da investigação. A denúncia apontava para o dono de uma fábrica na pequena
cidade, que havia sido denunciado pelo comerciante morto.
Os policiais seguiram a pista e encontraram a fábrica, uma estrutura
sombria e mal cuidada nos arredores da cidade. Ao se aproximarem, puderam ver
resíduos químicos sendo despejados em um rio próximo, confirmando as suspeitas
de que a fábrica estava operando ilegalmente e sem seguir as regulamentações de
segurança e descarte adequado de resíduos (Figura 5C).
Com cautela, os policiais invadiram a fábrica e encontraram o dono, um
homem de aparência sinistra, entre seus equipamentos industriais. Ele tentou
resistir, mas foi rapidamente dominado e levado sob custódia.
Durante a investigação da fábrica, os policiais descobriram evidências que
conectavam diretamente o dono da fábrica ao assassinato do comerciante. Era um
plano elaborado para silenciar a denúncia e manter a fábrica operando ilegalmente.
O vazamento catastrófico que ocorreu na fábrica recentemente foi o
ápice de suas atividades criminosas, resultando em danos irreparáveis à saúde das
pessoas e ao meio ambiente local. Com essa descoberta, os policiais agora tinham
em suas mãos não apenas o responsável pelo assassinato, mas também por um
crime ambiental de proporções devastadoras.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 5 - Esquema sequencial da cena do caso forense, A
- policiais, de costas, conversando com o suspeito, B - possível
cena do crime, C - fábrica em operação
Fonte: Acervo dos autores (2024).
Como mencionado anteriormente, o presente estudo investigou a eficácia do método de rotação por estação
no ensino de Ciências da Natureza e suas Tecnologias nas
temáticas de Química Forense e Ambiental, com foco na
compreensão e na fixação desses conteúdos pelos alunos.
Espera-se que a aplicação da metodologia de rotação por
estações em turmas do Ensino Médio aponte melhorias no
ensino da disciplina de Química e que, ao final da utilização da técnica proposta, os alunos tenham compreendido
o que são a Química Forense e a Química Ambiental e como
elas são úteis à sociedade, além de aprender como são realizadas algumas análises químicas, tais como dureza e pH da
água e revelação de impressões digitais.
40
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
É interessante notar que o uso das metodologias ativas, a exemplo da experimentação e da rotação por estações,
pode facilitar o entendimento dos conteúdos, destacando,
assim, a importância de adotar estratégias de ensino mais
práticas. No entanto, é importante ressaltar que o uso de
experimentos e atividades práticas não apenas facilita a
compreensão dos conteúdos, mas também estimula o interesse e a participação dos alunos nas aulas de Ciências,
com conteúdos especialmente de Química. A integração de
experimentos em sala não só enriquece a experiência educacional, mas também promove uma compreensão mais
profunda e duradoura dos conceitos científicos.
Este aspecto pôde ser observado pelos monitores que
aplicaram o projeto e pelo professor regente da turma, que
perceberam a participação ativa dos estudantes nas atividades propostas e a compreensão aprofundada dos conceitos e da relevância da Química em suas vidas cotidianas.
Além disso, o professor regente enfatizou a importância da
experimentação e do uso de metodologias ativas, como a
rotação por estação, para o sucesso do ensino de Ciências
e expressou entusiasmo em continuar explorando essas
abordagens ativas em suas aulas.
O método de rotação por estação é uma valiosa ferramenta educacional para o ensino de Ciências, oferecendo
benefícios tanto para alunos quanto para professores. Promove uma compreensão mais profunda dos conceitos, estimula o pensamento crítico e a colaboração dos estudantes.
Representa uma oportunidade para os professores explora-
41
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
rem outras abordagens pedagógicas e adaptarem as aulas às
necessidades dos discentes.
A pesquisa educacional destaca a importância de explorar e testar inovações no processo de ensino-aprendizagem. A incorporação de métodos inovadores no colégio
trabalhado, como a metodologia ativa de rotação por estação, demonstra o potencial das novas ferramentas em promover uma educação mais dinâmica e atrativa. Investir em
estratégias que combinem o uso de experimentos, atividades práticas e tecnologias é fundamental para proporcionar
uma experiência educacional enriquecedora e preparar os
alunos para os desafios do mundo contemporâneo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ideia para esta iniciativa surgiu durante as aulas de
Química Analítica Experimental ministradas para discentes
do Instituto de Química e Biotecnologia da Ufal. O objetivo principal consistiu em identificar técnicas laboratoriais
desenvolvidas durante a disciplina que poderiam ser utilizadas no Ensino Básico.
Reconhecendo seu potencial de impacto positivo, a
ação foi submetida ao concurso de ideias inovadoras do
Sinpete 2023, cujo tema foi “Ciências Básicas para o Desenvolvimento Sustentável”. Este trabalho, alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 – Educação de
Qualidade, conquistou o segundo lugar na categoria Ensino
Superior. A premiação garantiu mentoria científica, permitindo que a proposta evoluísse para uma aplicação prática,
42
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
resultando na materialização dos resultados apresentados
neste capítulo.
No desenvolvimento do projeto, observou-se que a
abordagem adotada não só fortalece habilidades científicas, mas também promove conscientização sobre questões
ambientais. Envolver os alunos na coleta e na análise de dados ambientais incentiva-os a refletir sobre suas ações em
relação ao mundo ao seu redor.
O projeto “Descobrindo o mundo: aprendendo Ciências através da investigação” não apenas proporcionou
aos alunos uma oportunidade única de aprender Ciências
de maneira prática e interativa, mas também capacitou-os
a serem protagonistas de sua própria aprendizagem, desenvolvendo habilidades essenciais de pensamento crítico, resolução de problemas e trabalho em equipe.
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Conama nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu
enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões
de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário
43
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“Quixaba”: alfabetização científica com enfoque CTSA no En-
44
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php/rsd/article/view/23523. Acesso em: 26 abr. 2024.
45
CAPÍTULO 2
ECOEMPREENDEDOR: TRANSFORMANDO
RESÍDUOS EM OPORTUNIDADES – SABÃO
SUSTENTÁVEL COM ÓLEOS RESIDUAIS COM
BAGAÇO DE COCO E PASTA DE BRILHO
COM CASCA DE OVO NAS ESCOLAS
Thatiane Veríssimo dos S. Martins1
Dhara Beatriz de Amorim Pryston2
Evellyn Patricia Santos da Silva3
Keyla Milena Alves da Silva4
Isabelle Souza Soares4
Matheus Oliveira de Novaes4
Wander dos Santos Sá4
Maria Ester de Sá Barreto Barros5
Orientadora | Professora substituta do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB/Ufal)
1
Coorientadora | Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia
(IQB/Ufal)
2
Estudante | Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia
(IQB/Ufal)
3
4
Estudante | Curso de Química licenciatura (IQB/Ufal)
5
Mentora científica do Sinpete |Professora do IQB/Ufal
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
CONTEXTUALIZAÇÃO
O Referencial Curricular de Alagoas (ReCAL) é um
documento elaborado de forma coletiva e democrática, publicado em 2021 pela Secretaria de Estado de Educação de
Alagoas (Seduc - AL), alicerçado na Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) e fundamentado na Lei de Diretrizes e
Bases da Educação (LDB). É um instrumento pedagógico
que deve orientar os processos de ensino e aprendizagem
na etapa do Ensino Médio, com o objetivo de promover a
educação integral dos jovens alagoanos, oferecendo uma
educação de qualidade para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva (Alagoas, 2021).
Este documento frisa as habilidades que devem ser
desenvolvidas pelos estudantes e orienta que a aprendizagem deve ser significativa, realizada numa perspectiva de
“ensino por redescoberta”, por meio da utilização de metodologias ativas para a formação crítico-reflexiva dos alunos, conduzindo ações para gerar benefícios e incentivar o
protagonismo juvenil na contribuição para melhorar a qualidade de vida do ser humano de forma sustentável, diminuindo, assim, os danos causados ao meio ambiente em que
está inserido (Alagoas, 2021).
No currículo do Ensino Médio, o ReCAL também
apresenta parte flexível ofertada pelos Itinerários Formativos. Na área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, estes contemplam os seguintes eixos: Investigação Científica;
Mediação e Intervenção Sociocultural; Empreendedorismo
e Processos Criativos. Neste aspecto, o ReCAL traz um olhar
47
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
para o território do estado com relação à sua biodiversidade, enfatizando a Área de Proteção Ambiental da Costa
dos Corais e o Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba, fazendo paralelo com a problemática ambiental que
destaca a presença do Polo Cloroquímico na região e a atividade sucroalcooleira que intensificou impactos no meio
ambiente local. Além disso, aponta outras riquezas protegidas do nosso território, tais como as Unidades de Conservação (UCs) espalhadas por vários municípios alagoanos
(Alagoas, 2021).
Toda essa temática ambiental sugerida pelo ReCAL
encontra espaço para ser explorada nos Ateliês Pedagógicos, ambientes que propiciam o desenvolvimento de práticas de ensino diversas, como oficinas, projetos, seminários,
pesquisas, desafios, experimentos, situações-problema,
aulas de campo e visitas técnicas, entre outras. Assim, visando viabilizar essa abordagem nas escolas do estado, são
elaborados os Desdobramentos Didático-Pedagógicos, que
servem como guias para orientar as práticas docentes, estimulando a contextualização e o aprofundamento dos temas
pertinentes ao estado (Alagoas, 2021).
Um tema importante a ser inserido nestes Ateliês Pedagógicos, pois impacta toda a sociedade, é a questão do
descarte, da reciclagem e do reaproveitamento dos resíduos sólidos. Foo et al. (2021) enfatizaram que a geração global
de resíduos é cada vez maior, devido ao consumo e ao descarte inadequado, e que a recuperação de resíduos ainda é
baixa, pela falta de leis mais rigorosas e de conscientização
ambiental. No Brasil, a Resolução do Conselho Nacional
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do Meio Ambiente (Conama) nº 275/2001 estabelece que
a reciclagem de resíduos deve ser incentivada, facilitada e
expandida no País, para reduzir o consumo de matérias-primas, de recursos naturais não renováveis, de energia e de
água (Brasil, 2001).
A gestão destes resíduos deve seguir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305/2010, que
dispõe, entre outros deveres e responsabilidades, sobre a
obrigatoriedade de implementação de processos de logística reversa, que consiste em repassar a responsabilidade
pela coleta e pelo reaproveitamento e descarte de alguns
tipos de resíduos para seus fabricantes. Contudo, ainda há
um grande esforço para incluir, por exemplo, o óleo de cozinha e demais gorduras de uso culinário na lista de produtos do sistema de logística reversa. O descarte inadequado
de óleos e gorduras culinárias resulta na poluição da água,
pois um litro de óleo pode poluir aproximadamente 20 mil
litros de água e levar ao entupimento das redes de esgoto
(Cruz et al., 2019).
Outro resíduo sólido bastante produzido no Brasil
são as cascas de ovo de aves, principalmente de galinha.
O consumo de ovos de galinha na dieta do brasileiro tem
aumentado gradativamente com o passar dos anos e, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA),
em 2019, foram consumidos, em média, 230 ovos por habitante. A casca de ovo representa cerca de 10% do peso do
ovo, gerando uma quantidade de resíduos de 5,93 milhões
de toneladas por ano no mundo inteiro. A valorização do
resíduo da casca de ovo vem sendo estudada em várias apli-
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cações, a exemplo de: matéria-prima na síntese de biomateriais, formulação de cerâmicas de revestimento, corretivo
alcalinizante em solo, remoção de metais pesados em águas
residuais (Gralik; Biava, 2019).
Os resíduos provenientes do plantio e do consumo de
coco também merecem destaque. O coqueiro é cultivado em
quase todo o território brasileiro, com uma área de 187,5 mil
hectares em 2020, produzindo 1,6 bilhão de frutos. A região
Nordeste é o principal centro produtor do País, representando 80,9% da área colhida e 73,5% da produção nacional
(Brainer, 2021). Dessa forma, os resíduos sólidos provenientes do coco caracterizam-se como de elevada importância
no Brasil, pois o descarte dos bagaços em lixões ou à beira
das estradas representa um desafio ambiental significativo,
devido à sua lenta decomposição (Tossani, 2012).
Assim, este trabalho articula a temática ambiental
sugerida pelo ReCAL (Alagoas, 2021) às competências e
habilidades específicas da área de Ciências da Natureza e
suas Tecnologias propostas pela BNCC (Brasil, 2018) (Quadro 2). Há quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas
(ONU, 2015), a saber: Educação de Qualidade, Água Potável e Saneamento, Consumo e Produção Responsáveis e
Vida Terrestre.
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Quadro 2 - Códigos das habilidades para Ciências da Natureza e
suas Tecnologias desenvolvidas no projeto Ecoempreendedor
Código
Habilidade
EM13CNT206
Discutir a importância da preservação e conservação
da
biodiversidade,
considerando
parâmetros
qualitativos e quantitativos, e avaliar os efeitos da ação
humana e das políticas ambientais para a garantia da
sustentabilidade do planeta.
EM13CNT301
Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e
estimativas, empregar instrumentos de medição e
representar e interpretar modelos explicativos, dados
e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e
justificar conclusões no enfrentamento de situaçõesproblema sob uma perspectiva científica.
EM13CNT101
Analisar e representar, com ou sem o uso de dispositivos
e de aplicativos digitais específicos, as transformações
e conservações em sistemas que envolvam quantidade
de matéria, de energia e de movimento para realizar
previsões sobre seus comportamentos em situações
cotidianas e em processos produtivos que priorizem
o desenvolvimento sustentável, o uso consciente dos
recursos naturais e a preservação da vida em todas as
suas formas.
EM13CNT104
Avaliar os benefícios e os riscos à saúde e ao ambiente,
considerando a composição, a toxicidade e a
reatividade de diferentes materiais e produtos, como
também o nível de exposição a eles, posicionando-se
criticamente e propondo soluções individuais e/ou
coletivas para seus usos e descartes responsáveis.
Fonte: Brasil (2018).
Portanto, o objetivo deste trabalho é apresentar uma
ideia inovadora com abordagem holística, multi e interdisciplinar para promover a sustentabilidade, o empreendedorismo e a educação ambiental nas escolas (Calazans; Silva;
Nunes, 2021). Para isso, foi proposta a produção de sabão
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sustentável e pasta de brilho utilizando três dos resíduos
sólidos mencionados: o óleo de fritura, a casca de ovo e o
bagaço interno do coco.
Esta proposta pode ser principalmente aplicada por
professores da disciplina de Química, que atualmente enfrentam desafios na adaptação às mudanças propostas pela
Reforma do Ensino Médio e precisam repensar suas práticas e desenvolver competências interdisciplinares para se
adaptar às novas exigências (Morais et al., 2022). Portanto,
este material pode ser utilizado como um produto educacional em que os professores podem se basear para suas
aulas e atividades, sendo útil para o surgimento de novas
ideias nos processos de ensino e aprendizagem de Química.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
Percurso metodológico
A metodologia proposta para este projeto consistiu
em três encontros, numa sequência didática de classes teóricas e experimentais, para ser desenvolvida em turmas
do Ensino Médio em aulas de Ciências da Natureza e suas
Tecnologias e nos quatro itinerários formativos previstos
na BNCC.
No primeiro encontro, foram brevemente apresentados conteúdos relacionados a Empreendedorismo, Meio
Ambiente e Química. Por fim, foi solicitada aos estudantes
colaboração voluntária para a coleta de óleo residual e cas-
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cas de ovo, bem como a elaboração de embalagens (nome e
design) para os produtos desenvolvidos.
No segundo encontro, foi realizada a aula experimental com uso dos Equipamentos de Proteção Individual
(EPIs) adequados para manipulação de todas as substâncias utilizadas. Assim, os alunos foram separados em grupos
para produzirem o sabão e a pasta de brilho.
No terceiro e último encontro, os monitores apresentaram a Química envolvida na produção do sabão, com uma
breve revisão sobre polaridade, composição química e funcionamento do sabão para remover a sujeira. Os estudantes apresentaram os produtos desenvolvidos à comunidade
escolar e houve discussão dos impactos reais de suas ações
sustentáveis e da ampliação da conscientização ambiental.
Resultados e discussões
O projeto foi desenvolvido por discentes da graduação e da pós-graduação em Química da Ufal em uma turma
do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Santos Dumont, em Rio Largo, Alagoas, durante os meses de março
(15/03 e 22/03) e abril (12/04) de 2024, com prévia permissão da direção escolar e sob orientação da professora Dra.
Thatiane V. S. Martins.
No primeiro encontro, o projeto e seus objetivos foram apresentados aos alunos por aproximadamente 20
minutos, com o auxílio do projetor multimídia para a visualização dos slides como recurso didático, conforme Figura
6. Nessa etapa, estiveram presentes 29 alunos.
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Figura 6 - Imagens do primeiro encontro do
projeto Ecoempreendedor, A - visão da sala de aula no início da
apresentação do projeto, B - aspecto geral dos alunos assistindo
esse encontro, C - alunos anotando o que julgam importante,
D - outra observação dos alunos assistindo a apresentação, E finalização da apresentação
Fonte: Acervo dos autores (2024).
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Também foram apresentados os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado do óleo de fritura
para que os alunos identificassem a problemática ambiental em que estão inseridos. Por exemplo, de acordo com dados apresentados em reportagem do jornal Estadão (Brasil,
2021), pesquisas mostram que cerca de 1,0 bilhão de litros
de óleo residual são descartados de forma incorreta anualmente no Brasil. Diante desse dado alarmante, a turma foi
confrontada com a realidade e como suas ações podem gerar consequências maléficas ao meio ambiente, tais como
entupimento das tubulações e poluição das águas, do solo
e da atmosfera.
Nesse contexto, os estudantes foram apresentados
a métodos de reciclagem do óleo residual, como a fabricação de tintas, biodiesel e sabão, enfatizando que a utilização deste resíduo pode gerar novos produtos, promover
a sustentabilidade e ser economicamente viável. Também
foram brevemente abordados conteúdos sobre Química Orgânica (reação de saponificação) e sobre os reagentes e as
proporções utilizadas para a produção do sabão. Toda essa
abordagem foi importante para a contextualização prevista
no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e faz parte da
revisão que ocorre no “Aprofundamento” que a Seduc - AL
propõe para os concluintes do Ensino Médio no estado.
Por fim, foi solicitado aos alunos que desenvolvessem uma embalagem (logotipo fictício e design) para os
produtos, com o objetivo de estimular a criatividade e a visão empreendedora. Também foi pedido que os estudantes
colaborassem com a tarefa de armazenar óleo de fritura e
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cascas de ovo para a fabricação de sabão e pasta de brilho
na atividade seguinte.
O segundo encontro foi realizado na quadra da escola, para a execução da parte prática do projeto. A turma foi
dividida, de forma voluntária, em dois grupos de nove alunos, ou seja, 18 estudantes participaram da segunda etapa.
Um grupo produziu sabão de coco, feito com óleo residual de frituras e bagaço interno do coco, e o outro fabricou
pasta de brilho, também com óleo de fritura e cascas de ovo
trituradas. Vale salientar que os discentes foram supervisionados e informados sobre a importância da utilização dos
EPIs. A duração do experimento foi de, aproximadamente,
1 hora e 30 minutos.
Durante a prática (Figura 7), os estudantes se mostraram interessados, pois forneceram os materiais solicitados
na semana anterior, tiraram dúvidas, realizaram pesagens,
fizeram observações e outras operações, como medidas de
soluções, realizaram misturas por meio da adição de essências nos produtos e identificação da basicidade utilizando
a fita de pH.
É importante enfatizar que projetos como esse estimulam a Educação Ambiental e promovem o surgimento de
novas oportunidades de ensinar aos alunos sobre sustentabilidade, preservação do meio ambiente e o impacto das
ações humanas no planeta. Além disso, permitem o aprendizado significativo e o desenvolvimento de habilidades e
competências como o trabalho em equipe e a criatividade.
Isso promove consciência social e integração de diversas áreas curriculares, por exemplo, como o uso do sabão também
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proporciona saúde e higiene na prevenção de doenças e uma
abordagem holística para o engajamento empreendedor.
Figura 7 - Estudantes realizando a parte prática do projeto, A aluno manipulando o material para preparação dos produtos do
projeto, B - visão geral da quadra da escola com os participantes
da atividade, C e D - preparação do sabão de coco e da pasta
de brilho pelos alunos, E - finalização da atividade
Fonte: Acervo dos autores (2024).
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O terceiro e último encontro foi a divulgação dos
produtos confeccionados, quando os alunos puderam
apresentar e comentar o projeto, a importância de realizar a
ação da reciclagem do óleo de fritura e como isso é benéfico
ao meio ambiente. Além disso, também produziram embalagens criativas para o sabão. Esse momento pode ser visto
em algumas fotos, na Figura 8.
O apoio escolar foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, na disponibilização de espaço físico,
equipamentos e utensílios, reagentes e voluntários. As merendeiras da escola, por exemplo, contribuíram com as cascas de ovos para a fabricação da pasta de brilho. Espera-se
que o projeto tenha auxiliado de forma benéfica e que os
alunos envolvidos multipliquem seus conhecimentos com
a comunidade escolar e dos arredores para que, com essas
pequenas ações de recolher óleo residual, possam diminuir
a quantidade de lixo gerado e consigam transformá-lo em
um produto ecológico como o sabão.
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Figura 8 - Momentos do terceiro encontro formativo, quando os
estudantes apresentaram os produtos confeccionados, A - um dos
grupos de alunos apresentando a produção como a embalagem,
B - embalagem com outro formato mostrado por outro grupo de
alunos, C e D - mais um grupo de alunos expondo a produção
do sabão de coco, E - dois formatos diferentes de embalagens
produzidos pelos alunos
Fonte: Acervo dos autores (2024).
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No terceiro encontro, houve a participação de 28 alunos. Isso demonstrou que, mesmo uma parte da turma não
participando da experimentação, as abordagens em sala de
aula foram válidas na aprendizagem dos estudantes. Ainda
nesse último encontro, os monitores apresentaram como a
Química está envolvida na produção do sabão, bem como
a ampliação da conscientização ambiental, conectando os
colegas com o impacto real de suas ações sustentáveis.
A produção do sabão ocorre por meio da reação orgânica chamada saponificação, em que o óleo ou a gordura reagem com uma base forte, que pode ser hidróxido de
sódio ou potássio – na prática desenvolvida, foi utilizado
hidróxido de sódio. Também foi enfatizado que esta base
possui pH elevado e que, para que o sabão ou a pasta de
brilho sejam usados com segurança, é recomendado manter um repouso, denominado “tempo de cura”, de 20 dias,
para que a soda cáustica não cause problemas na pele (reações alérgicas, vermelhidão, ressecamento, etc.) ou a outros materiais que entrarão em contato com o sabão e a
pasta de brilho.
Outros aspectos da Química também foram relembrados numa perspectiva de ensino em espiral, com uma
breve revisão sobre polaridade, composição química e funcionamento do sabão para remover a sujeira. A molécula do
sabão é um sal de ácido graxo (cadeia longa) e apresenta
duas partes: uma apolar, que é a cadeia carbônica (caracterizando uma cauda) e interage com óleos e gorduras (sujeira), e a parte polar (cabeça), que interage com a água.
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Desse modo, as moléculas do sabão removem a sujeira, formando micelas, num mecanismo de aprisionamento em que a cauda apolar interage com o interior e a
cabeça com a parte externa, que é a água. Também foram
comentados brevemente processos endotérmicos e exotérmicos, pois a adição do hidróxido de sódio ao óleo de
fritura libera calor durante a reação, configurando uma reação exotérmica.
Esse projeto proporcionou a disseminação do conhecimento e a divulgação científica a partir da produção de
sabão e pasta de brilho. Visando elucidar as etapas envolvidas, os autores propuseram uma ilustração elaborada com
o auxílio do software Photoshop e do programa PaintTool.
Esses materiais podem ser utilizados por professores e alunos (Figura 9).
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Figura 9 - Apresentação lúdica com uma história em quadrinhos
sobre a confecção do sabão e da pasta de brilho
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Fonte: Autores (2024).
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Sendo assim, no desenvolvimento do projeto extensionista “Ecoempreendedor: transformando resíduos em
oportunidades – sabão sustentável com óleos residuais
com bagaço de coco e pasta de brilho com casca de ovo
nas escolas”, alunos do curso de Química licenciatura e do
Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia
(PPGQB) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foram à
escola estadual para explorar os aspectos da BNCC.
Por exemplo, na área de conhecimento Ciências da
Natureza e suas Tecnologias, o grupo trabalhou na explanação e experimentação das reações químicas envolvidas na
fabricação de sabão sustentável com a utilização do óleo residual (agente poluidor) que foi transformado em produtos
comercializáveis e úteis à sociedade. Este projeto é inovador, pois utiliza casca de ovo e bagaço interno do coco, dois
resíduos cujo uso na fabricação de sabão sustentável não
foi encontrado pelos autores na literatura. Esses resíduos,
juntos, geram características abrasivas e aroma agradável
ao produto.
Todos esses elementos inserem o projeto ao Itinerário Formativo Integrado com a área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias com os temas transversais da BNCC,
que são: Meio Ambiente, Saúde e Economia. Pode-se entender que o projeto Ecoempreendedor abordou todos os temas dos Itinerários Formativos e o eixo temático Matéria e
Energia propostos na BNCC e no ReCAL sendo capaz de estimular o protagonismo estudantil e promover a conscientização ambiental com a importância da preservação do meio
ambiente, gerando habilidades de inovação e criatividade,
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uma vez que os estudantes foram convidados a criar embalagens e nomes fantasias para os sabões produzidos por
eles. Além disso, incentivou a interdisciplinaridade e uma
educação integral e contextualizada para os estudantes.
Portanto, o projeto Ecoempreendedor também está atrelado ao enfoque Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente
(CTSA), pois o intuito foi auxiliar na formação de cidadãos
conscientes para uma sociedade sustentável (Nunes; Dantas, 2016).
O projeto foi interessante para compreender o nível de conhecimento dos alunos e ajustar a abordagem no
decorrer dos encontros. Isso proporciona reflexão sobre
a importância de melhorar a contextualização no ensino
de Química e como a problemática ambiental está sempre
presente. Dessa forma, o engajamento de alunos e professores em conjunto é importante para um ensino mais prático e colaborativo.
Foi observado que os alunos não lembravam os conceitos de Química Ambiental, por isso a importância do
ensino em espiral na perspectiva de relembrar e revisar os
assuntos que são também úteis ao Enem. No entanto, ao
adaptar a proposta de incluir atividades práticas e discussões interativas no projeto, foi evidente o engajamento dos
estudantes, o que demonstra a importância de inovar nos
métodos pedagógicos, combinando teoria e prática para
que os discentes visualizem o impacto real e benéfico de
suas ações.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ideia para esta iniciativa surgiu durante a implementação do projeto “Meninas na Biorrefinaria”, financiado
pelo CNPq, que visava à inserção de meninas do Ensino Básico nas Ciências Exatas e da Terra. Vislumbrando o alcance e os impactos positivos que esta ideia poderia atingir,
a ação foi submetida ao concurso de ideias inovadoras do
Sinpete 2023, que teve como tema “Ciências Básicas para
o Desenvolvimento Sustentável”. Este trabalho, que no escopo do evento compreende os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 (Educação de Qualidade) e 12
(Consumo e Produção Responsáveis), conquistou o terceiro
lugar na categoria Ensino Superior. Essa premiação possibilitou que o projeto fosse contemplado com a mentoria científica e saísse do âmbito da ideia para a aplicação in loco e a
materialização dos resultados no texto deste capítulo.
No desenvolvimento do projeto, observou-se o evidente impacto positivo na aprendizagem dos alunos, acompanhado de um crescente interesse na utilização de resíduos
na produção de sabão ecológico. O envolvimento de toda
a comunidade escolar nessas oficinas é um testemunho do
alcance e da relevância deste trabalho, que não promoveu
apenas o aprendizado dos alunos, mas também contribuiu
para a importância de ações possíveis para a construção de
um futuro mais sustentável e consciente.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
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73
CAPÍTULO 3
LABPARATODOS: LABORATÓRIO DIGITAL
E INCLUSIVO DE MICROSCOPIA PARA
ENSINO DE PARASITOLOGIA
Müller Ribeiro Andrade1
Felipe Neves2
Ienmily Araújo2
Hevelyn Oliveira da Silva3
Luana Marina de Castro Mendonça4
Orientador | Professor do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
(ICBS/Ufal)
1
2
Estudante | Curso de Letras (Fale/Ufal)
3
Estudante | Curso de Pedagogia (Cedu/Ufal)
Mentora científica do Sinpete |Professora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal)
4
CONTEXTUALIZAÇÃO
As Ciências Biológicas não são inteiramente acessíveis às pessoas com deficiência visual (PcDVs). Na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por exemplo, não há
registro de um discente cego ou com baixa visão nos cursos
de Biologia. Diante dessa problemática, surgiram duas in-
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dagações: qual o motivo de não haver estudantes com deficiência visual matriculados no curso? E quando houver,
como esses alunos acessarão os materiais microscópicos de
modo equitativo? Essas interrogações provocaram outras:
como podemos tornar a Parasitologia acessível? Quais são
os recursos didáticos mais eficientes para as PcDs? Foi nesse contexto que nasceu o Laboratório Virtual e Inclusivo de
Parasitologia (LabPARAtodos).
O Laboratório Virtual foi criado a partir da ideia de
unir audiodescrição com Biologia. Após uma busca na literatura científica, comprovou-se que não havia trabalhos
que aplicavam a audiodescrição (AD) em imagens microscópicas com fins didáticos (Freire, 2023). Com isso, o LabPARAtodos tornou-se um projeto pioneiro no âmbito da
Parasitologia.
Mas, afinal, o que é audiodescrição? Trata-se de um
tipo de tradução intersemiótica que transpõe o signo visual
para o verbal, isto é, transforma imagens em palavras vívidas (Motta, 2016). A mesma autora compreende audiodescrição como um recurso de acessibilidade comunicacional
que amplia o conhecimento das pessoas com e sem deficiência visual, desse modo, contribuindo para a inclusão social, cultural e educacional. Com essa Tecnologia Assistiva
(TA) aliada à práxis pedagógica, os professores proporcionarão um ensino equitativo aos estudantes cegos ou com
baixa visão.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015) considera como barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou
75
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo,
a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à
liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao
acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros.
Para desfazer esses obstáculos, o Laboratório Inclusivo tem o objetivo de auxiliar no processo de tornar o ensino
de Biologia acessível para pessoas com deficiência visual.
O LabPARAtodos busca contribuir com a desconstrução
de barreiras presentes nas instituições de ensino; por essa
razão, está inserido nos campos de educação inclusiva,
saúde e bem-estar, educação de qualidade e redução das
desigualdades.
De início, a iniciativa surgiu com a proposta de inserir práticas de ensino acessíveis no âmbito das Ciências
Biológicas; contudo, a fase atual do projeto pioneiro objetiva ampliar essa aplicação nas demais áreas de conhecimento: Histologia, Patologia, Botânica, dentre outras.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
Reconhecendo que o LabPARAtodos partiu do princípio de incluir os educandos e desconstruir o capacitismo
presente no ambiente da universidade, as ações desenvolvidas pela equipe, formada por um professor e alunos da
Universidade Federal de Alagoas, foram focadas em promover metodologias acessíveis durante todo o processo de
construção desta ideia inovadora. Para melhor organização,
inicialmente, foram estabelecidas etapas que serviram para
76
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
nortear todo o grupo e para que o projeto alcançasse resultados positivos. As etapas foram divididas em três e nomeadas como: 1. Revisão de literatura; 2. Capturas das imagens
microscópicas; 3. Planejamento e elaboração de um protocolo de audiodescrição científica.
A primeira etapa (revisão de literatura) foi definida
pela indagação: será que há trabalhos que utilizam a audiodescrição para fins didáticos no campo das Ciências Biológicas? A equipe buscou responder a essa questão por meio
de reuniões, discussões, ações formativas e muita pesquisa.
Em novembro de 2022, uma busca por artigos foi
conduzida em diversas bases de dados acadêmicas: Periódicos Capes, Google Acadêmico, Eric, Scopus e SciELO.
A pesquisa foi realizada usando a string de busca (School OR teaching OR academic) AND (audio description) OR
(audiovisual aids) OR (audiovisual translation) AND (visual
impairment) OR (Visual Disabilities). Essa busca resultou na
identificação de 2.004 artigos; dentre eles, quatro estavam
relacionados à Biologia e somente dois uniam audiodescrição e Biologia. Uma dessas publicações, escrita por Lima
(2017), foi intitulada como “Uma proposta da relação entre
modelo mental, imagem e audiodescrição para a abordagem do conceito de célula no ensino de Biologia para alunos com deficiência visual”.
Comprovando que não havia, na literatura científica, trabalhos que aplicassem essa tecnologia assistiva em
imagens microscópicas, o grupo aprofundou os estudos
em audiodescrição para fundamentar o LabPARAtodos.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Essa fase foi essencial para o alicerce do projeto, pois a
revisão de literatura
auxilia o pesquisador na captação de fontes de ideias para novas investigações, a
orientação em relação ao que já é conhecido, a percepção de temas e problemas
pouco pesquisados e a perceber o momento em que a situação problema está
esclarecida (Echer, 2001, p. 2).
Além disso, entender como aplicar, acessar as diretrizes elaboradas pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT) e reconhecer o potencial da AD enquanto
recurso didático foram pontos imprescindíveis na construção do LabPARAtodos.
Feitos a revisão de literatura e os estudos em audiodescrição, que envolveram cursos, leitura de documentos oficiais
e discussões sobre educação inclusiva, era hora de avançar.
A segunda etapa (capturas das imagens microscópicas) foi definida pela criação do laminário digital (Figuras
10 e 11). Inicialmente, foram selecionadas as lâminas do
acervo do Laboratório de Parasitologia (LabPar) do ICBS/
Ufal e do Laboratório de Doenças Infecto-parasitárias (LaDIP) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 10 - Cisto com bradizoítos de Toxoplasma gondii. Imagem
ampliada 80x
Fonte: Andrade (2024).
Figura 11 - Trofozoíto único Giardia duodenalis, com lente de
aproximação de 80x
Fonte: Andrade (2024).
O processo de captura das lâminas foi realizado por
escaneamento e foram geradas imagens em arquivo JPEG
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
de alta resolução, para melhor visualização das estruturas
microscópicas. Feito isso, a equipe selecionou as telas capturadas e registrou as informações de cada parasito: taxonomia, morfologia, ciclo de vida, dados epidemiológicos e
enfermidade associada. Essa catalogação foi feita no software livre XnView, com o auxílio de um profissional capacitado. Para exemplificar o resultado final desta etapa,
segue uma amostra do nosso banco de dados (Quadro 3).
Quadro 3 - Descrição técnica dos parasitos Toxoplasma gondii e
Giardia duodenalis elaboradas na segunda etapa do projeto
1.
Toxoplasma gondii – descrição técnica
Características gerais e técnicas
• Nome científico (espécie): Toxoplasma gondii
• Enfermidade associada: toxoplasmose
• Fase evolutiva (trofozoíto, cisto e oocisto, gameta): cisto
Atributos visuais
• Formato geral (esférico, oval, alongado): cisto de formato esférico, com
contornos bem definidos. Seu interior é repleto de bradizoítos, o que confere
um aspecto pontilhado ao conteúdo do cisto, decorrente do núcleo corado de
cada bradizoíto, com citoplasma mais claro.
2.
Giardia duodenalis – descrição técnica
Características gerais e técnicas
• Nome científico (espécie): Giardia duodenalis
• Enfermidade associada: giardíase
• Fase evolutiva (trofozoíto, cisto e oocisto, gameta): trofozoíto
Atributos visuais
• Formato geral (esférico, oval, alongado): formato de pêra ou gota de água, com
simetria bilateral. No interior do trofozoíto, na parte frontal (na porção de maior
largura), são encontrados dois núcleos com nucléolos (demonstrados por uma
região central de maior concentração do corante), lado a lado. Separando-os,
há uma estrutura denominada axonema, que se assemelha a duas linhas retas
longitudinais. Um pouco abaixo dos núcleos, há os corpos medianos, que são
duas formações horizontais, paralelas e em forma de vírgula.
• Revestimento (flagelos, cílios e pseudópodos): tem quatro pares de flagelos, um
par anterior aos dois núcleos, um par ventral, um par posterior e um par caudal.
Fonte: Autores (2024).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Com as imagens selecionadas para compor o laminário digital e os dados descritivos registrados, era o momento de avançar mais um pouco.
A terceira etapa (planejamento e elaboração de um
protocolo de audiodescrição científica) foi o resultado das
anteriores. Inspirando-se no aplicativo SnapSects, a equipe
elaborou um método de audiodescrição científica que fosse
aplicável nas Ciências Biológicas, especialmente a Parasitologia. Esse método se configura em um Protocolo Operacional Padrão (POP) e foi sistematizado em cinco fases:
1. Caracterização das imagens capturadas das lâminas;
2. Processo
digitalizadas;
de
audiodescrição
das
lâminas
3. Revisão da audiodescrição;
4. Avaliação;
5. Finalização e arquivamento.
Essas fases foram executadas por diferentes integrantes da equipe. O descritor técnico em Biologia Parasitária ficou responsável pela descrição técnica do parasito
na captura das lâminas. Coube ao audiodescritor roteirista
a elaboração do texto audiodescrito com base na descrição técnica. O processo de revisão da audiodescrição foi
realizado pelo audiodescritor consultor, uma pessoa cega
com formação na área. Por fim, todas essas fases foram
avaliadas pelo coordenador do projeto, para validar a qualidade do serviço.
As fotografias e as audiodescrições produzidas seriam disponibilizadas em um aplicativo LabPARAtodos, po-
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
rém, esses materiais foram arquivados por falta de recursos
humanos e intelectuais que subsidiassem o aplicativo. Com
isso, para democratizar o acesso ao conhecimento produzido e a outros correlacionados, foi criado, no Instagram, o
perfil @labparatodos.ufal. Lá, são postados fotografias e vários conteúdos didáticos e informativos, todos com audiodescrição escrita e gravada. Para exemplificar o que é feito
na página, segue uma amostra, apresentada na Figura 12.
Figura 12 - Postagem com audiodescrição no Instagram
@labparatodos.ufal: piolhos da espécie Pediculus humanus
capitis. O QR code direciona para o perfil do Instagram
@labparatodos.ufal
Fonte: Captura de tela do perfil no Instagram @labparatodos.ufal (2023).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Notas proêmias: os piolhos da espécie Pediculus humanus
capitis são quase idênticos. Eles se distinguem por dois
detalhes: tamanho e características do órgão sexual. A
fêmea é mais alta e tem a vulva em formato de uma fenda
arredondada; o macho é um pouco menor e tem o edeago
aparente: a parte terminal do órgão.
Audiodescrição: fotografia de dois piolhos da espécie
Pediculus humanus capitis: de perto, em uma lâmina
microscópica, o piolho feminino e o masculino, lado a lado.
Com um par de antenas, os parasitos têm a cabeça pequena
e o tórax achatado, que inicia estreito e finda mais largo.
Em cada lado do tórax amarronzado, três pernas curtas
e robustas com garras em formato de pinça. Eles têm o
abdômen com nove contornos ondulados nas laterais e, na
parte inferior, o órgão sexual. Fim da audiodescrição.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O LabPARAtodos nasce como uma iniciativa de unir
Biologia e audiodescrição com um olhar atento para os estudantes cegos e com baixa visão. A elaboração e a aplicação
das metodologias do projeto trouxeram inúmeras reflexões
não só para os participantes, como também para as pessoas
que transitam no âmbito acadêmico.
Durante o percurso, foi possível perceber que ainda há muito o que aprender e planejar para promover uma
educação inclusiva, a começar pelos profissionais da área.
A indagação inicial do LabPARAtodos provocou incômodo
e autoavaliação enquanto profissionais, mas, sobretudo,
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
enquanto humanos no sentido de tratar o indivíduo com
deficiência à frente das suas limitações, valorizando-o, independentemente de suas condições físicas, sensoriais ou
intelectuais. Esse foi um dos aprendizados mais significativos que o projeto proporcionou, pois demonstrou que
ter uma compreensão mais humanizada é o primeiro passo
para a introdução de práticas inclusivas.
O LabPARAtodos alcançou resultados positivos como
a composição do laminário digital, a parceria entre os membros da equipe, as participações em ações formativas com a
finalidade de discutir possibilidades para a inclusão em práticas didáticas e a criação do perfil no Instagram. O projeto,
no entanto, enfrentou alguns desafios nessa caminhada.
A ideia original era desenvolver um aplicativo gratuito com imagens de lâminas parasitológicas acessíveis;
contudo, isso não foi possível, devido à falta de um bolsista programador. Para a criação do aplicativo, é necessária a
aplicação de dispositivos e softwares compatíveis com os
leitores de tela que auxiliam a PcDV no uso de ferramentas tecnológicas. Além disso, a necessidade de atualizações
constantes, o treinamento adequado para educadores, o
feedback dos usuários, a cobertura curricular abrangente e a capacidade de personalização são fatores essenciais
para garantir um ambiente digital inclusivo e eficaz para o
aprendizado dos alunos com deficiência visual. Infelizmente, o projeto ainda não tem recursos financeiros, intelectuais e humanos para executar tais atividades e concretizar a
ideia do aplicativo.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Mesmo com os impasses mencionados, a equipe
LabPARAtodos trabalha incansavelmente para democratizar
o acesso ao conhecimento científico com uma linguagem
simples, por isso, tem buscado novas formas de promover
a construção do aplicativo gratuito e, assim, cumprir
com o objetivo inicial. Até lá, os trabalhos realizados no
LabPARAtodos têm sido divulgados no Instagram.
A ideia inovadora do Laboratório Virtual Inclusivo
foi mais que necessária para as comunidades acadêmica
e escolar. As contribuições e os resultados alcançados
demonstram que é possível superar as barreiras enraizadas na
educação ao utilizar a audiodescrição como recurso didático
e como um caminho para romper com comportamentos não
inclusivos na sala de aula. O LabPARAtodos contribui para
o ensino inclusivo da Biologia, para a democratização do
acesso ao conhecimento científico e para a construção de
uma sociedade equitativa.
Os resultados apresentados aqui representam a
culminação de processos possibilitados pelo Sinpete. O
LabPARAtodos ficou em 1º lugar no Concurso de Ideias
Inovadoras, categoria Ensino Superior, no ano de 2023.
A partir da premiação, contamos com apoio do Sinpete
através de formação e mentoria científica, que culminaram
na produção e na publicação deste capítulo.
Por fim, com este projeto pioneiro, a equipe
LabPARAtodos espera influenciar as demais áreas do
conhecimento a criarem propostas acessíveis para as
gerações futuras e a não repetirem práticas excludentes.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da
Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília,
2015.
ECHER, I. C. A revisão de literatura na construção do Trabalho Científico. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 22, n. 2, p.
5-20, 2001.
FREIRE, J. Projeto da universidade cria laboratório inclusivo para estudantes cegos. Maceió, 24 fev. 2023. Disponível
em: https://tinyurl.com/ycx754jv. Acesso em: 26 mar. 2024.
LIMA, M. L. B. de. Uma proposta da relação entre modelo
mental, imagem e audiodescrição para a abordagem do
conceito de célula no ensino de Biologia para alunos com
deficiência visual. 2017. 47 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas) – Universidade Federal de Pernambuco, Vitória de Santo Antão, 2017.
MOTTA, L. M. V. de M. Audiodescrição na escola: abrindo
caminhos para a leitura do mundo. São Paulo: Pontes, 2016.
86
CAPÍTULO 4
REVISÃO DE LITERATURA PARA
DESENVOLVIMENTO DO APLICATIVO
M-EDUCATION-HEALTH PARA REGISTRO
DE SAÚDE DE PCDs QUE POSSUEM
DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM
Andrea Marques Vanderlei Fregadolli1
Arlindo Gabriel Mamede Cossolosso2
Pedro Henrique Albuquerque de Oliveira Santos2
Sofia Evangelista Arruda de Oliveira2
Maria Eduarda Laranjeira Costa da Fonseca2
Clodoaldo Lopes Silva3
Débora Cristina Massetto4
Laise Damasceno Lucas5
1
Orientadora | Professora da Faculdade de Medicina (Famed/Ufal)
2
Estudante | Curso de Medicina (Famed/Ufal)
3
Professor voluntário | Curso de Medicina (Famed/Ufal)
Mentora científica do Sinpete | Professora do Centro de Educação (Cedu/
Ufal)
4
Comentora científica do Sinpete | Superintendente da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti - AL)
5
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
CONTEXTUALIZAÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo geral apresentar um Mapeamento Sistemático e Revisão Sistemática Integrativa, discutindo sobre o desenvolvimento de um
aplicativo para registros acadêmicos e de saúde de pessoas
com deficiências de aprendizagem.
O primeiro passo necessário é discutir os Descritores
em Ciências da Saúde (DeCS), que definem a terminologia
Deficiências de Aprendizagem (DA) como discrepâncias
significativas entre o nível intelectual percebido de um indivíduo e sua capacidade de adquirir novas habilidades,
que pode resultar de uma gama de condições psicológicas, orgânicas ou ambientais (DeCS, 2017). Embora o DeCS
abarque as expressões Dificuldades de Aprendizagem e Distúrbio de Aprendizado dentro de um significado comum, é
preciso salientar que estudos recentes têm apontado diferenças preponderantes entre esses termos.
Nesse contexto, a primeira expressão é utilizada como
referência a uma questão pedagógica, na medida em que o
processo de aprendizado é, hoje, compreendido como um
percurso que envolve diversas questões educacionais, históricas, culturais e socioeconômicas que podem interferir
nele significativamente.
Por outro lado, os Distúrbios de Aprendizado (DA) são
assinalados como um fenômeno de origem neurobiológica
(Seabra, 2020). Os distúrbios do neurodesenvolvimento são
uma das causas mais importantes de DA e incluem os seguintes transtornos: déficit de atenção com hiperatividade
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
(TDAH), transtornos do espectro do autismo e transtornos
específicos de aprendizagem (subdivididos em dislexia,
disfasia, dispraxia e discalculia).
Cada distúrbio possui fisiopatologia distinta e as comorbidades (mais de um transtorno simultaneamente) são
comuns. Eles costumam se manifestar em tenra idade e são
capazes de comprometer tanto processos cognitivos específicos quanto globais, podendo desempenhar grande prejuízo na vida acadêmica e pessoal do estudante que não foi
diagnosticado ou tratado adequadamente (APA, 2014).
Dados do Programa Internacional de Avaliação de
Estudantes (Pisa) de 2018 indicam que metade dos discentes brasileiros de 15 anos sabem menos que o básico em
Literatura e Ciência e mais de dois terços desconhecem o
básico de Matemática (Brasil, 2019). Um dos motivos para
isso pode ser a pouca atenção das instituições de ensino às
necessidades dos alunos com deficiências de aprendizado,
distúrbio frequentemente subnotificado e desvalorizado.
Glozman e Plotnikova (2019) apontam que cerca de um terço das crianças apresentam dificuldades de
aprendizado já no primeiro ano escolar e Back et al. (2020)
descrevem que a metade dos casos relacionados ao neurodesenvolvimento são subnotificados. Sem o diagnóstico precoce, o acompanhamento torna-se mais difícil e
menos efetivo.
As DA são importantes predisponentes ao desequilíbrio social e emocional. Pioram a relação dos jovens com
os pais e os outros, levam ao desajuste social e tornam os
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
alunos mais suscetíveis a transtornos mentais, ansiedade e
estresse (Santos et al., 2016).
Uma família que entende melhor a condição de seu
filho pode auxiliar para que haja menores efeitos na psique, já que pode evocar serviços de apoio mais apropriados. Nesse sentido, é necessário que ela seja orientada pela
equipe de saúde e participe ativamente do tratamento do
distúrbio de aprendizagem (Hyman; Levy; Myers, 2020). Tal
prerrogativa abre espaço para formas de facilitar o trabalho
familiar e provocar laços de cuidado.
O diagnóstico das deficiências de aprendizagem deve
ser multidisciplinar e abordar o plano de fundo individual
(aspectos religiosos, culturais, socioeconômicos, linguísticos, ambientais, problemas visuais ou auditivos). A família e
os professores são aliados essenciais dos profissionais para
a realização do diagnóstico (Gricorenko et al., 2020; Plotnikova, 2021). Ainda que a identificação precoce seja vital e
de difícil realização, carecem estudos acerca da necessidade de fluidificar a comunicação interpessoal e interprofissional entre todos os atores desse processo.
De acordo com Back et al. (2020) e Silva et al. (2019),
a equipe multidisciplinar envolvida na avaliação é composta principalmente de: a) neuropediatra, objetivando identificar as causas clínicas e/ou neurológicas associadas ao
processo de disfunção do aprendizado; b) serviço social,
que analisa o contexto familiar e as interações do indivíduo
com a sociedade; c) neuropsicólogo, que identifica quadros
clínicos nas bases anatomofuncionais cerebrais ao ver as
funções cognitivas; d) psicopedagogo, ao analisar a forma
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
como o indivíduo aprende e verificando a compatibilidade
dele com sua faixa etária, ano escolar e desempenho acadêmico; e) fonoaudiólogo e oftalmologista, com a pesquisa de
alterações morfológicas capazes de levar a dificuldades de
leitura e de escrita.
Por fim, a enfermagem atua com seus cuidados capazes de resultar em estímulos que provoquem impacto positivo, além de estratégias de intervenção e criação de laços
de confiança (Back et al., 2020; Silva et al., 2019).
Cabe pontuar a importância das tecnologias para proporcionar a devida intervenção nas dificuldades supracitadas. A informática traz vários benefícios para a assistência
em saúde, permitindo a consulta do profissional a diversas
informações sobre o processo saúde-doença dos pacientes,
além de aumentar a comunicação com o paciente e outros
profissionais (Campos et al., 2020). Entre os mais de 325.000
aplicativos classificados como de saúde ou de bem-estar,
poucos apresentam dados que comprovem sua eficácia,
segurança e validação, dada a inefetividade da fiscalização
governamental, que dificulta o acesso à informação confiável e fidedigna (Eis et al., 2022).
Os novos recursos são, hoje, preponderantes para a
avaliação do paciente com distúrbios do neurodesenvolvimento, posto que essa é uma ação de caráter interdisciplinar. As tecnologias podem ser usadas para facilitar a
comunicação dos inúmeros profissionais envolvidos na dinâmica do diagnóstico e do tratamento, de tal modo a proporcionar uma investigação dos aspectos biopsicossociais
do desenvolvimento e da aprendizagem e a redução de vie-
91
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
ses profissionais, garantindo a confiabilidade do diagnóstico e a efetividade das intervenções (Back et al., 2020; Silva
et al., 2019).
As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação
(TDCs) têm sido utilizadas de forma inovadora para atender
às necessidades educacionais e de saúde da população. Na
área da Saúde, surgiu o termo Electronic Health (eHealth),
proposto para o conjunto de TDIC elaborado para o apoio
à Saúde e seus serviços (Who, 2020). Na área da Educação,
poderia se usar o mesmo raciocínio do eHealth para
criar o eEducation, ou melhor, unir os dois termos para
desenvolver artefatos tecnológicos que integrem as duas
áreas, baseando-se em um novo termo: eEducation-Health.
Intervenções digitais do tipo telemedicina,
monitoramento de dados, vigilância em saúde, inteligência
artificial e big data compõem o eHealth. A ferramenta
Mobile Health (mHealth) é um subconjunto do eHealth que
corresponde ao emprego de dispositivos móveis sem fio
(smarthphones, tablets, assistentes digitais e dispositivos
de monitoramento) para oferta de serviços voltados à
saúde (Martini et al., 2021).
A ferramenta mHealth pode ser utilizada por
profissional de saúde para o rastreamento do estado
de saúde de pacientes, consultas remotas, transmissão
e rastreamento de pedidos de prescrição, além do
acompanhamento do consumo de medicação pelo/a
paciente. Essa tecnologia pode oferecer ao profissional
acesso aos materiais e listas de verificação de acordo com
protocolos que auxiliem na tomada de decisões clínicas
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
(Kitsiou et al., 2017). A partir da mesma abordagem
apresentada no primeiro parágrafo, a ferramenta mHealth
passaria a ser designada por Mobile Education Health
(m-Education-Health), uma ampliação da mHealth com
inserção de registros educacionais e familiares de aluno/a/
paciente que apresenta deficiências de aprendizagem.
O uso da mHealth dá-se na forma de aplicativos (APPs)
que atuam como ferramentas auxiliares para os cuidados de
saúde. Especificamente na área de Saúde, o uso de tecnologia por dispositivo móvel tem sido proposto para tornar
mais eficiente o manejo dos casos e minimizar as dificuldades relativas à prática clínica (Vescovi et al., 2017). Dessa
forma, a associação de ferramentas mHealth com o contexto
de deficiência de aprendizagem pode ser investigada através de um mapeamento sistemático, que agrupa e cataloga
vários estudos primários já existentes e responde a uma pergunta de pesquisa (James; Randall; Haddaway, 2016).
Em 2018, foi publicada no Diário Oficial da União a
Lei nº 13.787, que autoriza profissionais de saúde, clínicas
e hospitais a digitalizar todos os documentos reunidos nos
prontuários dos pacientes e a eliminação posterior do original impresso, desde que a digitalização seja certificada
digitalmente. A notícia foi bem recebida pela área médica,
que há anos enfrenta dificuldades em relação ao acúmulo
de papel e ao processo de arquivamento.
Neste estudo, está sendo proposto um prontuário eletrônico do/a aluno/a/paciente em nuvem, que se comporta
como um subtipo de prontuário eletrônico de paciente e
integra, além dos registros sobre a saúde de um/a paciente
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
no formato digital, os registros acadêmicos dele/a na condição de aluno/a, tanto no âmbito da Educação Básica quanto
no Ensino Superior, com as informações armazenadas na
nuvem. Esse artefato eletrônico deve ser sigiloso, científico e possuir como um dos objetivos a comunicação entre a
equipe interdisciplinar de Saúde e Educação.
Os prontuários eletrônicos são uma nova forma de
registrar as características individuais dos/as usuários/as
e a consolidação dos dados relativos a agravos e serviços
de saúde por atributos de pacientes e a intercomunicação
entre profissionais e instituições de saúde diferentes. Eles
consistem em uma forma de Registro Eletrônico de Saúde
(RES) que pode ser usada de diferentes maneiras, servindo
para fins científicos, epidemiológicos e assistenciais, sendo
importantes também para tomadas de decisão em nível governamental e planejamento e implementação de políticas
públicas (Toledo et al., 2021).
Logo, é nítido que o uso de prontuários eletrônicos
apresenta uma evolução por permitir contato entre vários profissionais em redes de apoio. Quando se pensa na
Atenção Primária à Saúde, vem a problemática da falta de
habilitação das equipes existentes para o atendimento de
pacientes com transtorno mental, de modo que se necessita de apoio e capacitação para identificar os/as usuários/
as que apresentam essas enfermidades e a melhor forma de
fazer a abordagem. Nesse ponto, o cuidado colaborativo,
que seria o compartilhamento de informações clínicas, a
troca de experiências e de conhecimentos com o nível secundário, torna-se um pilar capaz de aumentar a expertise
94
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
das equipes e preencher lacunas no tratamento desses/as
pacientes (Salgado; Fortes, 2021).
No Brasil, essa demanda foi chamada de apoio matricial e é realizada por práticas integrativas entre as equipes
de Estratégia Saúde da Família (ESF) e Atenção Especializada, que eram colocadas em prontuários eletrônicos para
comunicação entre os níveis de atenção. Analisando essa
política pública, apesar de apresentar graves problemas
de funcionamento, o referido aplicativo atuaria em uma
perspectiva semelhante ao estreitar laços não entre níveis
de atenção, mas entre profissionais, de maneira a gerar tratamentos mais efetivos e individualizados e diagnósticos
mais corretos (Salgado; Fortes, 2021).
A integração de aplicativos em formato de prontuário
eletrônico do paciente/aluno contribui significativamente
para o diagnóstico e o tratamento de transtornos do neurodesenvolvimento. Essa medida facilita o raciocínio interdisciplinar e melhora a comunicação entre os profissionais
de saúde responsáveis pelo indivíduo e a equipe pedagógica que presta assistência ao aluno, tanto no âmbito acadêmico quanto em atividades pedagógicas extracurriculares,
como inglês, música e esportes. Dessa forma, todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem podem acessar os arquivos de acompanhamento do aluno/
paciente, promovendo melhor inserção e monitoramento
no contexto escolar e social.
Entretanto, observa-se que a efetividade de um aplicativo depende de como ele será capaz de abarcar as necessidades dos usuários (Renzi; Muniz; Fiúza, 2018). Para
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
isso, o modelo mental de Wirfs-Brock (1993) pode ser utilizado para compilar as necessidades, as expectativas e os
comportamentos de um usuário para um sistema específico. A técnica de “personas” também contribui com as representações realistas-representativas, que podem incluir
detalhes fictícios, baseados em informação imaginária ou
características biográficas e demográficas da personalidade
construída, destinados à criação de um perfil específico de
usuário e com alta validade (Cooper; Reinmann; Dubberly,
2003). Uma grande habilidade da técnica de “personas” que
a torna extremamente útil na programação de aplicativos é
a capacidade de se assemelhar profundamente a usuários
reais, podendo criar caminhos mais naturais na programação deles (Tavares, 2010).
A técnica de “personas” será utilizada para simular o
funcionamento do aplicativo e corrigir as possíveis falhas.
Passados os testes, o aplicativo será divulgado no Instagram Business. Adicionalmente, é preciso considerar que,
na última década, as redes sociais cresceram rapidamente,
tornando-se parte importante da nossa vida. Elas são baseadas em canais de comunicação on-line gerados a partir
de conteúdos feitos por usuários, contemplando a interação entre públicos e colaborações. Atualmente, entende-se
que este é um campo fértil para aumentar o alcance de produtos e serviços na Medicina, tornando-se uma ferramenta importante para o crescimento da imagem de médicos e
organizações médicas (Wong; Liu; Sebaratnam, 2019).
Um exemplo disso é o Instagram, uma rede social
para compartilhamento gratuito de fotos e vídeos que apre-
96
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
sentou mais de dois bilhões de usuários ativos no mundo e
aproximadamente 99 milhões de pessoas no Brasil no ano
de 2022. A plataforma tem o potencial de facilitar a troca
de informações clínicas para o público em geral, bem como
entre profissionais de saúde e fornecedores de artigos médicos (Wong; Liu; Sebaratnam, 2019). O alcance proporcionado por essa rede é extremamente importante no contexto
atual de marketing digital, que atualiza as estratégias de negócios e torna o uso dessa rede essencial para aumentar o
alcance dos produtos (Agung; Darma, 2019).
Por conseguinte, o Instagram produziu ferramentas
para facilitar o trabalho de marketing digital na sua plataforma, um tipo de conta especial disponível para empresas,
empreendedores e lojas, com capacidade de proporcionar
dados e conhecimento sobre o alcance e o engajamento das
publicações, além de poder inserir endereços, contatos,
e-mails, fotos e conversar com o público por meio do botão
de mensagem direta. Esses recursos ajudam a aumentar a
taxa de conversão de clientes. Com isso, é possível tornar
o produto muito mais vendável e aumentar ainda mais o alcance ao usar as próprias métricas do Instagram para isso
(Personal, 2020).
A partir do contexto apresentado, que inclui definição de conceitos, reflexões sobre a necessidade do apoio
multidisciplinar diante das dificuldades de aprendizagem,
importância do compartilhamento e divulgação de dados
médicos e educacionais para apoiar estudantes em seu processo de aprendizado e papel das tecnologias digitais na
área médica, será feita a descrição das revisões de literatura
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
sobre esses temas que precederam a execução da ideia inovadora inscrita no Sinpete 2023.
Reconhecendo a possibilidade de impacto positivo
no cotidiano e na vida de pessoas com déficit de aprendizagem, o projeto foi submetido ao concurso de ideias inovadoras do Sinpete 2023, cuja temática principal foi “Ciências
Básicas para o Desenvolvimento Sustentável”. Este projeto
é de grande importância, pois contempla os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 (Educação de Qualidade) e 10 (Redução das Desigualdades). Graças à sua relevância e ao seu potencial, alcançamos o primeiro lugar na
categoria Ensino Superior.
Após o evento, recebemos a oportunidade de uma
mentoria científica para auxiliar no desenvolvimento do
projeto no âmbito do Programa Institucional de Bolsas
de Iniciação Científica (Pibic) da Universidade Federal
de Alagoas (Ufal) em 2023. Os resultados obtidos foram
apresentados neste capítulo, destacando os ganhos e os
avanços proporcionados pela pesquisa realizada para a
Sinpete 2023.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
Desenvolvimento de uma revisão sistemática integrativa: evidências científicas sobre fatores envolvidos nas
dificuldades e nos distúrbios de aprendizagem
Inicialmente, reuniões semanais foram realizadas,
com duração de aproximadamente duas horas, na platafor-
98
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
ma Jitsi Meet (https://meet.jit.si/pibicfamed2024), sob coordenação da orientadora do projeto. Nessas reuniões, foi
possível atualizar o progresso da pesquisa e sanar qualquer
dúvida dos orientandos.
Para dar início ao brainstorming sobre o estado da
arte do aplicativo, do website e do Instagram Business sobre
deficiências de aprendizagem, foram realizadas duas revisões sistemáticas: a primeira com o tema Evidências Científicas sobre fatores envolvidos nas Dificuldades e Distúrbios
de Aprendizagem. Esta revisão foi baseada no protocolo
Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Checklist (Prisma) (Page et al., 2023).
A pergunta de pesquisa foi criada de acordo com a
estratégia Paciente, Intervenção, Comparação, Desfecho
(Pico). P: Crianças e adolescentes com Dificuldades de
Aprendizagem e Distúrbios de Aprendizado (por exemplo, déficit de atenção, dislexia, discalculia, entre outros);
I: identificar quais são os fatores de risco; C: comparação
entre crianças e adolescentes que apresentam Dificuldades
de Aprendizagem e Distúrbios de Aprendizado pesquisadas
em relação aqueles que não as têm; O: para determinar a
associação entre fatores de risco e o surgimento ou o agravamento das deficiências de aprendizagem. Esta revisão seguiu-se em seis etapas, a saber:
99
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Etapa 1
•
Tema: Evidências científicas sobre fatores envolvidos nas Dificuldades de Aprendizagem e nos
Distúrbios de Aprendizado;
•
Pergunta norteadora: Em crianças e adolescentes com Dificuldades de Aprendizagem e Distúrbios de Aprendizado (P), quais são os fatores de
risco identificados (I), em comparação com aqueles sem tais dificuldades (C), para determinar a
associação entre esses fatores e o surgimento ou
agravamento das deficiências de aprendizagem
(O)?;
•
Estratégias de busca: cruzamento de descritores
por meio do operador booleano AND; utilização
do booleano [*] no final das palavras para englobar o plural e o singular ou qualquer conjugação;
uso de parênteses para agrupar termos de um
mesmo campo de estudo; uso de descritores estruturados (codificação) no DeCS ou MeSH; uso
de metadados (filtros) nas bibliotecas virtuais; uso
de descritores em inglês para ampliar o número de
artigos; (learning disabilt*) OR (learning difficult*)
OR (learning disorder*) AND (risk factor*);
•
Bancos de terminologias: DeCS (http://decs.bvs.
br) e MeSH (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/mesh);
•
Descritores livres e estruturados (nome/registro
DeCS/registro MeSH):
Learning disabilities/8037/D007859;
100
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Learning difficulties/8037/D007859;
Learning disorder/56100/D000067559;
Risk factor/28612/D012307;
•
String de busca: (learning disabilit*) OR (learning difficult*) OR (learning disorder*) AND (risk
factor*);
•
Ferramenta de varredura: integrada às bibliotecas virtuais:
Bibliotecas Virtuais: BVS (http://brasil.bvs.br);
ScienceDirect (https://www.sciencedirect.com);
Periódicos Capes (https://www.periodicos.capes.gov.
br);
SciElo (https://www.scielo.br);
PubMed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov).
Etapa 2
•
Período de coleta dos dados: setembro de 2023 a
fevereiro de 2024;
•
Critérios de inclusão: estudos originais a partir de 2019, completos e gratuitos e nos idiomas
inglês, português e espanhol, que tratam de fatores de risco das deficiências de aprendizagem em
crianças ou adolescentes. Nas bases de dados que
permitiam tal função, a pesquisa dos termos foi
restrita a título, resumo ou palavras-chaves dos
artigos, e foi selecionado o filtro de assunto principal “Deficiências de Aprendizagem”;
101
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
•
Critérios de exclusão: estudos em animais, em
adultos ou que não abordam diretamente os fatores de risco nas deficiências de aprendizagem;
revisões e estudos não originais também foram
excluídos.
Etapa 3
•
Número de trabalhos selecionados para a revisão sistemática integrativa a partir da leitura dos
agentes indexadores das publicações (resumo,
palavras-chaves e título) e resultados, que devem
conter os descritores utilizados neste estudo: 372.
Etapa 4
•
Categorias obtidas com a análise dos trabalhos
científicos investigados: disponível no artigo
científico completo.
Etapa 5
•
Análise, interpretação e discussão dos resultados:
disponível no artigo científico completo, resultados preliminares na última seção deste relatório.
Etapa 6
•
Tecnologias
Utilidade):
digitais
102
utilizadas
(Nome/Link/
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Rayyan/www.rayyan.ai/Gerenciamento de títulos
e resumos de artigos;
Mendeley/www.mendeley.com/Gerenciador
artigos completos.
de
Etapa 7
•
Apresentação da revisão em formato de artigo que
contemple propostas para estudos futuros: disponível no artigo científico completo.
As etapas de reunião semanal, brainstorming com os
participantes do projeto sobre o estado da arte do aplicativo, do website, do Instagram Business e desenvolvimento
do website e do Instagram Business também não tiveram intercorrências até o momento e foram previstas para acontecer até o fim deste projeto de pesquisa.
A fim de produzir uma revisão sistemática integrativa
sobre o tema, foi inserida a string (learning disabilit*) OR
(learning difficult*) OR (learning disorder*) AND (risk factor*) nas bases de dados PubMed, SciELO, BVS e periódicos
Capes. Na base de dados ScienceDirect, o booleano [*] não
é aceito, portanto foi utilizada a string (learning disabilities)
OR (learning difficulties) OR (learning disorders) AND (risk
factor). Foram utilizados os seguintes filtros: artigos com
menos de cinco anos, gratuitos, assunto principal Deficiências de Aprendizagem (quando disponível), busca apenas
no título, resumo ou palavras-chaves (quando disponíveis).
103
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Os resultados das buscas foram exportados no formato RIS (com exceção da plataforma PubMed, que exporta apenas em NBIB) e inseridos na plataforma Rayyan
(https://www.rayyan.ai). Esse gerenciador de artigos para
revisões cataloga título e resumo de cada artigo para que
se possa detectar duplicatas, sua inclusão ou exclusão de
forma independente e cega pelos autores. Divergências foram resolvidas por meio de discussões com a orientadora
da pesquisa.
Os textos selecionados na plataforma Rayyan foram
baixados e inseridos no Mendeley (https://www.mendeley.
com), que gerencia artigos na íntegra e possui suporte integrado ao Microsoft Word, programa utilizado para a redação desta revisão. A partir disso, foi possível obter um total
de 372 artigos, dos quais 27 eram duplicatas, resultando
em 345 artigos elegíveis. Destes, 31 foram incluídos neste
trabalho, após leitura independente pelos autores e análise
dos critérios de inclusão e exclusão. Os demais foram retirados da revisão, por não atenderem aos critérios propostos.
Os artigos completos (Figura 13) foram lidos e uma tabela
sumarizando citação, nome, periódico, nível de evidência,
resultados e conclusão contidos no resumo foi criada.
104
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 13 - Seleção dos artigos presentes na revisão sistemática
Fonte: Autores (2024).
O resultado contido no resumo (abstract) dos artigos foi compilado em um único texto e, em seguida, foram
elaboradas categorias temáticas utilizando a abordagem de
Bardin (2016) em um software de Inteligência Artificial.
Essa metodologia baseada na análise do conteúdo
visa identificar padrões, temas e conceitos recorrentes nos
estudos selecionados, permitindo uma avaliação mais deta-
105
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
lhada e abrangente das evidências disponíveis sobre o tema
em questão (Bardin, 2016).
Para isso, foram criados temas para cada um dos textos coletados, utilizando do comando “baseado no texto
acima, gostaria que você realizasse a criação de temas capazes de elencar os principais contextos presentes no texto”
e a posterior compilação deles em 10 temas para a revisão,
processo em que foi utilizado mais um comando, sendo ele
“baseado nos temas coletados acima, gostaria que fossem
sintetizadas essas possibilidades em dez categorias temáticas que contemplem os principais conceitos discutidos nos
artigos”. A seguir, detalha-se o percurso a fim de realizar o
mapeamento sistemático.
Desenvolvimento de um mapeamento sistemático: ferramentas mHealth usadas para apoiar equipes interprofissionais que atuam nas deficiências de aprendizagem
Durante o período, a equipe concentrou-se nas atividades essenciais de pesquisa e coleta de dados para o
mapeamento sistemático e as revisões sistemáticas. Realizamos reuniões semanais de cerca de duas horas, usando
a plataforma Jitsi Meet (https://meet.jit.si/pibicfamed2024),
sob a orientação da coordenadora do projeto, para acompanhar o progresso, receber feedback, estabelecer metas e
esclarecer dúvidas.
Seguimos o protocolo Prisma para garantir a qualidade da revisão sistemática, conforme recomendado por Page
et al. (2023). Este texto detalha o mapeamento sistemático
106
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
realizado pelos membros da equipe, focado em tecnologias
mHealth para profissionais de Saúde e Educação em deficiências de aprendizagem, seguindo a estratégia Pico e o protocolo Prisma em seis etapas definidas:
Etapa 1
•
Tema: Mapeamento sistemático de ferramentas mHealth usadas para apoiar equipes interprofissionais que atuam nas deficiências de
aprendizagem;
•
Pergunta norteadora: Quais as tecnologias existentes que fazem uso da ferramenta mHealth para
apoiar profissionais de Saúde e Educação?;
•
Estratégias de busca: cruzamento de descritores
por meio do operador booleano AND; Exclusão de
descritores por meio do NOT; Estabelecimento de
ordem de prioridade por meio dos parênteses ();
•
Bancos de terminologias: DeCS (http://decs.bvs.
br) e MeSH (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/mesh);
mHealth (termo alternativo de telemedicine) –
30481 | D017216; Mobile Health (termo alternativo de telemedicine) – 30481 | D017216; Learning
(aprendizagem) – 8036 | D007858;
•
String de Busca: (mHealth OR Mobile Health)
AND learning AND (Health Personnel OR Faculty)
AND NOT telemedicine;
•
Ferramentas de varredura: integradas às bibliotecas virtuais, a saber:
107
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
•
BVS (http://brasil.bvs.br);
•
Wiley (https://onlinelibrary.wiley.com);
•
ScienceDirect (https://www.sciencedirect.com);
•
Periódicos Capes (https://www.periodicos.capes.
gov.br);
•
SciElo (https://www.scielo.br);
•
PubMed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov).
Etapa 2
•
Período de coleta de dados (período em que
foram coletados os dados referentes à revisão
sistemática e ao mapeamento sistemático): dezembro de 2023 a fevereiro de 2024;
•
Critérios de inclusão: texto completo do tipo
artigo científico; disponível gratuitamente nas
bibliotecas virtuais; publicado entre 2019-2024;
artigos que contemplem o tema principal, quem
se beneficia ou é afetado pelas tecnologias mHealth voltadas para o apoio a profissionais de Saúde e Educação em deficiências de aprendizagem;
•
Critérios de exclusão: artigos repetidos; artigos
que não contemplam o tema principal, quem se
beneficia ou é afetado pelas tecnologias mHealth voltadas para o apoio a profissionais de Saúde e Educação em deficiências de aprendizagem;
livros, capítulos de livros, comentários, boletim,
108
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
protocolo, editorial, conferência, evento científico, resumos, anais de congressos.
Etapa 3
•
Os artigos para o mapeamento sistemático foram selecionados a partir da coleta de todos os
artigos, nas principais plataformas indexadoras,
que contemplassem a string da pesquisa. Foram
escolhidos os artigos que abordam o tema principal produzido na pesquisa a partir da leitura flutuante dos agentes indexadores das publicações
(resumo, palavras-chaves e título) e resultados de
modo que contemplassem os descritores utilizados neste estudo, sendo posteriormente analisados por todos os membros da equipe;
•
A biblioteca virtual PubMed apresentou necessidade de mudança em sua string, sendo utilizada
a exclusão do termo AND da string principal, tornando-se (mHealth OR Mobile Health) AND learning AND (Health Personnel OR Faculty) AND NOT
telemedicine. As demais bibliotecas virtuais permitiram a utilização da string original, sem necessidade de modificações.
Etapa 4
•
Desenvolvimento de categorias temáticas que
abordem os temas levantados pelos artigos cien-
109
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
tíficos presentes, disponíveis no artigo científico
completo.
Etapa 5
•
Análise, interpretação e discussão dos resultados,
disponíveis no artigo científico completo, resultados preliminares na última seção deste capítulo.
Etapa 6
•
Tecnologias
Utilidade):
digitais
utilizadas
(Nome/Link/
Rayyan/www.rayyan.ai/Gerenciamento de títulos e
resumos de artigos; Mendeley/www.mendeley.com/
Gerenciador de artigos completos.
As etapas de preparação, reuniões semanais (durante
todo o período) e coleta de dados (prevista para o período de setembro a fevereiro) transcorreram sem problemas
durante o tempo estipulado, sem intercorrências até o momento, e foram calculadas para continuar ocorrendo até o
fim deste projeto de pesquisa.
As revisões sistemáticas surgem da necessidade de
sintetizar a vasta quantidade de conhecimento científico
em constante mudança e formação, para que seja possível
abarcar os avanços existentes no meio de forma organizada
e didática. Possuem informações completas e baseadas em
evidências, que são as bases de grandes consensos por sua
110
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
capacidade de sumarizar e evitar vieses por métodos científicos bem institucionalizados (Page et al., 2023).
Em contrapartida, o mapeamento sistemático da literatura ou revisão de escopo surge quando não existe uma
real necessidade de responder com grande profundidade às
questões específicas do trabalho. Esse formato é útil para
uma abordagem geral e ampla de um tópico de interesse,
sendo usado, por exemplo, em situações em que existem
poucas evidências na literatura do conteúdo pesquisado.
O mapeamento sistemático segue passos semelhantes aos da revisão, respondendo também a uma pergunta
principal e norteadora. Para este trabalho, está sendo usada
a pergunta: quais as tecnologias existentes que fazem uso
da ferramenta mHealth para apoiar profissionais de Saúde
e Educação?
Para eliminar essa dúvida, também foi utilizada uma
string própria, capaz de sanar nossa necessidade: (mHealth
OR Mobile Health) AND learning AND (Health Personnel OR
Faculty) AND NOT telemedicine.
Os termos booleanos “OR” e “AND” justificam-se,
nesse caso, para atrelar o aprendizado com as profissões
da Saúde e ferramentas de mobile health, excluindo o excesso efetivado por ações em telemedicina com o termo
“NOT”. Foram incluídos todos os artigos localizados nos
idiomas inglês, português e espanhol, sendo a grande
maioria em inglês.
Para escolher os artigos pertencentes à revisão, foi
utilizada a estratégia Pico. Seus componentes são: P (Pa-
111
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
ciente/Problema/População) – refere-se aos pacientes, à
população ou ao problema de interesse na pesquisa. Nessa
pesquisa, poderia ser quem se beneficia ou é afetado pelas
tecnologias mHealth voltadas para o apoio a profissionais
de Saúde e Educação em deficiências de aprendizagem, ou
seja, os profissionais de Saúde e Educação envolvidos no
suporte a deficiências de aprendizagem; I (Intervenção) –
descreve a intervenção ou a exposição que está sendo estudada. Neste contexto, seria a utilização das tecnologias
mHealth para o suporte a profissionais de Saúde e Educação
em deficiências de aprendizagem, no caso as tecnologias
mHealth utilizadas para apoiar esses profissionais; C (Comparação) – representa a comparação entre diferentes intervenções, se houver. Em algumas perguntas de pesquisa, a
comparação pode não ser relevante. Neste caso, corresponde às potencialidades e fragilidades de cada ferramenta encontrada; O (Outcome/Resultado) – indica os resultados ou
efeitos que estão sendo avaliados na pesquisa. Pode incluir
benefícios, impactos, lacunas de conhecimento e o alcance
das tecnologias móveis mHealth para apoiar profissionais
de Saúde e Educação nas deficiências de aprendizagem.
Por conseguinte, ela foi utilizada para encontrar tecnologias que registram apenas os dados de saúde de profissionais que acompanham de forma isolada os pacientes com
dificuldades de aprendizagem e distúrbios do aprendizado,
sem os registros escolares/acadêmicos.
Após a aplicação dos filtros (artigos publicados de
2019-2024, textos completos gratuitos, produzidos nos
idiomas português, inglês e espanhol), foi possível obter
112
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
um total de 242 artigos. Os resultados estão sendo analisados com o uso do software Mendeley para agrupamento das
referências e inseridos na Rayyan a fim de que os participantes tenham feedback uns dos outros para a realização
da pesquisa e sobre a inclusão ou não dos artigos, além de
ajudar também com a retirada de textos duplicados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho teve como objetivo geral apresentar literatura sistemática por meio de mapeamento sistemático e revisão sistemática integrativa, discutindo o
desenvolvimento de um aplicativo para registros acadêmicos e de saúde de pessoas com deficiências de aprendizagem.
Para atender ao propósito, debateu-se sobre a importância de um olhar diferenciado em sujeitos que apresentam deficiências de aprendizagem, refletindo sobre suas
necessidades formativas e identificando como é possível
a atuação de diferentes profissionais das áreas acadêmica,
pedagógica e médica, a fim de promover seu desenvolvimento, aprendizado e melhoria de vida.
A partir da revisão de literatura e de ideias em torno
da organização do aplicativo, que conta com embasamento teórico rigoroso, estima-se que a contribuição científica
do presente trabalho é no sentido de construir formas de
apoiar a atuação dos profissionais envolvidos no diagnóstico e no acompanhamento de sujeitos com dificuldades de
aprendizagem, apresentando novas possibilidades de in-
113
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
tegração entre as diferentes intervenções já praticadas no
contexto de promoção da saúde desses grupos.
Na conjuntura do desenvolvimento sustentável e da
Agenda 2030, que visa garantir educação de qualidade para
todos e promover a inclusão e a equidade na educação, é
fundamental que o trabalho de profissionais atentos às dificuldades de aprendizado seja pautado na ideia de que esses
indivíduos são compreendidos como pessoas com direitos
e capazes de alcançar seus objetivos pessoais. Essa perspectiva está alinhada com o ODS 4 (Educação de Qualidade), que busca garantir que todos os alunos tenham acesso
a uma educação de qualidade, equitativa e inclusiva, e que
promova oportunidades de aprendizagem ao longo da vida
para todos (Ipea, 2018).
O aplicativo, ao propiciar a comunicação entre as diferentes esferas de assistência e o detalhamento do conhecimento empírico em seu arcabouço, pode contribuir para
um tratamento mais efetivo e unificado, tornando o indivíduo autossuficiente e capaz de alcançar o que é esperado
para ele em sociedade e produtor da sua própria história.
Essa iniciativa alinha-se com o ODS 17 (Parcerias para os
Objetivos), que destaca a importância da colaboração e da
construção de parcerias entre diferentes setores da sociedade para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Ipea, 2018).
Outro ponto é que esse projeto destaca-se por sua
relevância para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 (Educação de Qualidade) e 10 (Redução das
Desigualdades), contribuindo diretamente para a constru-
114
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
ção de um futuro mais sustentável para todos, reconhecendo a relevância e o potencial transformador deste projeto,
com o primeiro lugar na modalidade Ensino Superior do
Sinpete 2023, sinalizando a importância do aplicativo e seu
potencial para a criação de um ambiente propício para o
desenvolvimento pessoal e intelectual de pessoas que apresentam déficits do aprendizado (Ipea, 2018).
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118
CAPÍTULO 5
SAÚDE NO PULSO: USO DE PULSEIRA
INTELIGENTE PARA ESTIMULAR ATIVIDADE
FÍSICA EM ADOLESCENTES
Maria Elizabete de Andrade Silva1
Emanuel Augusto dos Santos2
Eduardo Henrik Evangelista Pires dos Santos2
Rayane Janine Lessa Santos2
Juan Pablo Veron de Oliveira2
Francine Santos de Paula3
Orientadora | Professora do Instituto de Educação Física e Esportes (Iefe/
Ufal)
1
2
Estudante |Curso de Educação Física licenciatura (Iefe/Ufal)
Mentora científica do Sinpete | Professora do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB/Ufal)
3
CONTEXTUALIZAÇÃO
A proposta inovadora Saúde no Pulso surge como
resposta à crescente preocupação com os níveis de sedentarismo entre jovens e crianças em idade escolar. O sedentarismo é definido pelo American College of Sports Medicine
(ACSM) (2014) como a falta de participação em atividades
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
físicas regulares, como caminhar, correr, nadar ou praticar
esportes, o que resulta em consequentes impactos negativos na saúde. Ainda segundo o ACSM (idem), a prática de
atividade física regular apresenta uma relação inversa à
saúde quando comparada ao sedentarismo, ou seja, previne
uma série de problemas futuros, promovendo a diminuição
dos riscos de doenças crônicas e cardiovasculares e de obesidade, entre outras.
O sedentarismo está relacionado ao tempo de uso de
telas (smartphones, tablets, computadores e televisores),
tornando-se um problema comum entre crianças e adolescentes em contexto escolar (Silva; Leite Filho, 2022). É
importante conscientizar as pessoas sobre a necessidade de equilibrar o tempo de uso de tela com a prática de
atividade física, de maneira que contribua para uma vida
mais saudável.
Em um estudo intitulado “Padrões de comportamento sedentário em adolescentes de um município da região
Nordeste do Brasil”, realizado por Mendonça et al. (2018),
observou-se que os jovens permaneceram mais da metade
do tempo diário acordados em comportamento sedentário,
sobretudo nos dias de meio de semana e no horário escolar
(Tabela 1).
120
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Tabela 1 - Características sociodemográficas e padrões
de comportamento dos adolescentes de João Pessoa, Paraíba, 2014
Variáveis
Sexo
Masculino
Feminino
Faixa etária (anos)
10 a 11
12 a 14
Classe Econômica a*
Alta (A/B)
Média-baixa (C/D/E)
Classificação de Tempo
em CS
≤ 8 horas por dia
> 8 horas por dia
Tempo em CS (min./
dia)
Semana (segunda a
domingo)
Dias de meio de semana
(segunda a sexta)
Média
n
%
IC95%
309
347
47,1
52,9
43,3-50,9
49,1-56,7
401
255
61,1
38,9
57,4-64,9
35,1-42,6
241
382
38,7
61,3
34,9-42,5
57,5-65,2
458
198
69,8
30,2
IC95%
66,3-73,3
26,7-33,7
Mínimo
Máximo
DP
444,63
105,04
448,73
108,10
Dias de final de semana
(sábado e domingo)
434,38
144,24
Horário escolar**
164,32
39,34
142,21
47,23
70,48
15,08
13,61
3,29
Bouts de 10-19 minutos
7,37
Bouts ≥ 20 minutos
Breaks de CS (número/
dia)
Total Beaks
Breaks 1-4 minutos
Breaks 5-9 minutos
Breaks 10-19 minutos
Breaks ≥ 20 minutos
3,48
96,19
74,70
13,83
6,42
2,19
Fora do horário
escolar***
Bouts de CS (número/
dia)
Bouts de 1-4 minutos
Bouts de 5-9 minutos
436,58452,68
440,44457,02
176,31
1041,29
168,83
975,50
151,00
1247,04
60,22
282,03
39,79
388,61
69,44-71,52
14,83-15,33
24,93
4,32
114,44
25,11
2,42
7,19-7,56
1,24
15,90
1,78
3,35-3,62
0,04
13,03
15,00
13,34
3,42
2,23
1,31
95,04-97,34
73,68-75,73
13,57-14,09
6,25-6,59
2,09-2,29
44,71
36,71
3,20
0,02
0,04
146,68
114,62
23,93
14,70
7,44
423,32445,44
161,31-167,
34
138,58145,83
*33 adolescentes não responderam; ** Horário escolar (turno de aula – manhã [06:00
às 11:59] ou tarde [12:00 às 17:59]); *** Fora do horário escolar (turno oposto à aula –
[manhã ou tarde] + noite [18:00 às 05:59]); n – número de adolescentes; % – porcentagem
dos adolescentes; IC95% – intervalo de confiança de 95%; CS – comportamento
sedentário; DP – desvio padrão; min. – minutos.
Fonte: Mendonça et al. (2018, p. 4).
121
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Mendonça et al. (2018) ainda verificaram que cerca
de 30,2% das pessoas analisadas foram identificadas como
tendo um alto nível de comportamento sedentário. Desse
público-alvo, temos 52,9% de pessoas do sexo feminino e
47,1% do sexo masculino, e 38,7% são de classe alta e 61,3%
de classe média-baixa. Além disso, houve uma média de
444,63 minutos por dia gastos em comportamento sedentário durante a semana, com uma média maior nos dias úteis
(448,73 minutos por dia) em comparação com os fins de semana (434,38 minutos por dia). Os adolescentes tendiam a
passar mais tempo sedentários durante o horário escolar
(164,32 minutos por dia) em comparação com o tempo fora
da escola (142,21 minutos por dia). Em média, foram feitas
96,19 pausas por dia no comportamento sedentário, com a
maioria das interrupções (94%) ocorrendo em intervalos de
curta duração (1-4, 5-9 e 10-19 minutos).
Com isso, os autores concluíram que havia necessidade de intervenções para reduzir o tempo de exposição
dos adolescentes aos comportamentos sedentários, a fim
de promover hábitos saudáveis e incentivar a atividade física, contribuindo para a melhoria da saúde e do bem-estar
dos adolescentes (Mendonça et al., 2018).
O motivo que alavancou essa proposta deu-se a partir
de observações durante o Programa Institucional de Bolsas
de Iniciação à Docência (Pibid), uma ação da Política Nacional de Formação de Professores do Ministério de Educação
(MEC), visando proporcionar aos discentes na primeira metade dos cursos de licenciatura uma aproximação prática
122
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
com o cotidiano das escolas públicas de Educação Básica
e com o contexto em que elas estão inseridas (Brasil, 2022).
Durante o período de realização do projeto Pibid
do curso de licenciatura em Educação Física do Instituto
de Educação Física e Esporte da Universidade Federal de
Alagoas (Iefe/Ufal), foram realizadas várias observações na
escola de Educação Básica onde foram desenvolvidas as atividades propostas. A partir disso, foi evidenciado que, durante as aulas de Educação Física e nos intervalos escolares,
grande parte dos estudantes estavam em comportamentos
sedentários, como, por exemplo, passar longos períodos
sentados em sala de aula sem pausas ativas, uso excessivo
de smartphones e falta de engajamento durante as aulas de
Educação Física, entre outros.
Esse comportamento é frequentemente atribuído ao
uso excessivo da tecnologia, que mantém os alunos entretidos e fisicamente inativos. Da mesma forma, concluem
Sousa, Santos e Cascão (2018)
[...] que cada vez mais as crianças e adolescentes têm sido menos ativos, em decorrência de vários aspectos, entretanto
em nosso entender a influência e uso desenfreado da tecnologia é uma causa importante dessa inatividade cada vez mais
frequente na vida contemporânea (Sousa;
Santos; Cascão, 2018, p. 4).
Esse comportamento observado chamou a atenção
para a necessidade de motivar e promover hábitos saudáveis por meio das atividades físicas entre os estudantes, não
123
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
apenas para melhorar sua saúde física, mas também para
promover o bem-estar e o desenvolvimento integral (Silva
et al., 2017). A motivação, então, torna-se fundamental para
a prática de atividade física, contribuindo para alcançar resultados satisfatórios e manter um estilo de vida saudável a
longo prazo.
Integrada à disciplina de Educação Física, esta ideia,
embasada na abordagem de saúde renovada, visa promover
e formar hábitos saudáveis ao longo das faixas etárias de
escolares (Darido, 2003). Além disso, baseia-se nas conclusões de Balbinotti et al. (2011), destacando a importância de
abordagens motivacionais e lúdicas para envolver os indivíduos na prática regular de atividades físicas, contribuindo, assim, para sua saúde e seu bem-estar.
O projeto Saúde no Pulso também está integrado com
diversos objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU, 2015)
e descritos na camada 75/2023 Prograd/Ufal para participação no Sinpete 2023, tais como: ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, ao promover hábitos saudáveis e prevenir problemas de
saúde relacionados ao sedentarismo; ODS 4 – Educação de
Qualidade, ao criar um ambiente escolar mais ativo e saudável, e ODS 17 – Parcerias e meios de implementação necessários para a realização desse projeto nas escolas.
Assim, o objetivo deste estudo é incentivar os alunos a
adotar um estilo de vida ativo, promovendo a conscientização
sobre a importância da atividade física e, consequentemente, criar um ambiente escolar fisicamente ativo e saudável. É
importante destacar que esta proposta ainda não foi coloca-
124
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
da em execução e que, para tanto, será necessário estabelecer parcerias com instituições públicas e/ou privadas.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
O estudo adota uma abordagem quantitativa que, segundo Fonseca e Martins (2012), caracteriza-se como aquela que se baseia em dados mensuráveis. A população deste
estudo compreenderá estudantes de ambos os sexos de escolas públicas na cidade de Maceió, que cursam o Ensino
Fundamental – Anos Finais. Serão incluídos na amostra os
estudantes que aceitarem participar do projeto que estiverem presentes na escola e não apresentem doença no dia do
recolhimento de dados.
Antes do início da execução da proposta, o projeto
será submetido à Plataforma Brasil, para receber autorização
ética e para avaliação dos instrumentos de análise e coleta
de dados. Após a aprovação, daremos início à solicitação das
assinaturas dos responsáveis e participantes no Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e, caso necessário, também será solicitado o Termo de Assentimento Livre e
Esclarecido (Tale), seguindo, desta forma, todos os procedimentos éticos antes de iniciarmos as ações do projeto.
Os instrumentos para coleta de dados serão o bracelete contador de passos, especificamente do tipo smartwatch (modelo smart digital, pedômetro LCD, corrida e
caminhada) e o Questionário Internacional de Atividade
Física (IPAQ), proposto pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) (1998). O seguinte texto foi acrescentado:
125
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Este instrumento, o IPAQ, apresenta-se em duas etapas, uma longa e outra curta, a curta é utilizada em estudos
que necessitam de uma avaliação rápida e geral do nível de
atividade física dos participantes; e a longa objetiva fornecer uma avaliação mais detalhada e abrangente das diferentes dimensões da atividade física, incluindo atividades no
trabalho, transporte, tarefas domésticas e lazer, assim, esta
foi a utilizada no presente projeto.
Na Figura 14, pode ser identificado o modelo do bracelete descrito anteriormente.
Figura 14 - Bracelete contador de passos
Fonte: https://l1nk.dev/xZakw.
126
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
O questionário citado tem o objetivo de servir
como um instrumento mundial para determinar o nível
de atividade física populacional, por meio de perguntas relacionadas ao tempo gasto em atividades físicas na
rotina dos indivíduos, tais como em trabalho, meio de
transporte, tarefas domésticas, recreação, lazer e tempo
gasto sentado, separando os tipos de atividades físicas
em moderadas e vigorosas, sendo moderadas aquelas que
precisam de algum esforço físico e que fazem respirar um
pouco mais forte que o normal, e vigorosas aquelas que
precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar muito mais forte que o normal (OMS, 1998).
Nessa perspectiva, este instrumento foi selecionado
por atender aos objetivos da coleta de dados do projeto,
abrangendo as fundamentações necessárias para determinar o nível de atividade física no cotidiano dos estudantes antes e depois do uso dos braceletes. Desta forma,
seguiremos os níveis estabelecidos pela OMS (1998), conforme segue:
•
Muito ativo: refere-se a pessoas que se envolvem
em atividades físicas vigorosas, como corrida ou
esportes intensos, por pelo menos cinco dias por
semana, durante 30 minutos ou mais por dia. Ou
podem praticar atividades físicas de intensidade
moderada, como caminhada rápida ou ciclismo,
por pelo menos cinco dias por semana, durante
60 minutos ou mais por dia;
•
Ativo: inclui indivíduos que não atendem aos critérios de muito ativo, mas ainda têm uma quanti-
127
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
dade significativa de atividade física semanal, seja
em atividades moderadas ou vigorosas, embora
em menor quantidade ou duração;
•
Irregularmente ativo: refere-se a pessoas que
têm uma quantidade variável de atividade física.
Embora possam se envolver em atividades moderadas ou vigorosas, não o fazem regularmente ou
consistentemente o suficiente para serem consideradas ativas;
•
Sedentário: engloba aqueles que têm pouca ou
nenhuma atividade física em sua rotina diária,
passando longos períodos sentados, com pouca
movimentação.
No Quadro 4, podemos observar maior detalhamento
dos níveis de atividade física.
128
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Quadro 4 - Classificação do nível de atividade física adaptada
do IPAQ (2004)
Classificação
Características
Muito ativo
Indivíduo que cumpriu as recomendações:
a) vigorosa: 2-5 dias/semana e ≥ 30 minutos por
sessão;
b) vigorosa: 2-3 dias/semana e ≥ 20 minutos por
sessão + moderada e/ou caminhada em 5 dias/
semana e ≥ 30 minutos por sessão.
Ativo
Indivíduo que cumpriu as recomendações:
a) vigorosa: 2-3 dias/semana e ≥ 20 minutos por
sessão;
b) moderada ou caminhada: 2-5 dias/semana e ≥ 30
minutos por sessão;
c) qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/semana e
> 150 minutos/semana (caminhada + moderada +
vigorosa).
Irregularmente
ativo
Indivíduo que realiza atividade física, entretanto,
não é suficiente para obter classificação como ativo.
Para cumprir-se esta classificação, é realizada a
soma da frequência e a duração dos diferentes tipos
de atividades (caminhada + moderada + vigorosa).
Irregularmente
ativo A
Indivíduo que atinge ao menos um dos critérios da
recomendação quanto à frequência (5 dias/semana)
ou quanto à duração da atividade (150 minutos/
semana).
Irregularmente
ativo B
Indivíduo que não atinge nenhum dos critérios da
recomendação quanto à frequência ou quanto à
duração da atividade.
Sedentário
Indivíduo que não realiza nenhuma atividade física
por pelo menos 10 minutos contínuos durante a
semana.
Fonte: International Physical Activity Questionnaire (2004).
Como o projeto está previsto para ser realizado no
âmbito escolar, foi escolhida a versão longa do questionário,
129
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
por oferecer uma análise mais abrangente e precisa, permitindo uma avaliação mais completa do comportamento físico dos alunos. Ainda assim, tornou-se necessário adequar
as perguntas para a população-alvo, retirando a seção 1, relacionada à atividade física no trabalho, pois a faixa etária
dos alunos ainda não está inserida no contexto do trabalho,
segundo a Lei nº 8.069/1990 do Estatuto da Criança e do
Adolescente, que proíbe o envolvimento de crianças e adolescentes em atividades laborais (Brasil, 2002). Portanto, as
seções selecionadas foram:
•
Seção 2 – Atividade física como meio de
transporte;
•
Seção 3 – Atividade física em casa: trabalho, tarefas domésticas e cuidar da família;
•
Seção 4 – Atividade física de recreação, esporte,
exercício e de lazer;
•
Seção 5 – Tempo gasto sentado.
A análise dos dados obtidos por meio do bracelete
será realizada mediante a quantidade de passos registrada nos braceletes utilizados pelos estudantes. O acompanhamento acontecerá por meio de metas propostas em
ciclos. Inicialmente, o ciclo será composto de uma semana, aumentando gradativamente até atingir um mês, como
também será verificado o quanto cada aluno conseguiu
percorrer durante esses períodos. Além disso, um aumento gradativo da quantidade de passos a ser percorrida será
estipulado a cada cumprimento do desafio anterior, de
forma individualizada.
130
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Devido às circunstâncias de tempo, não foram possíveis a execução da ideia e a obtenção dos resultados planejados. Entretanto, a iniciativa inovadora Saúde no Pulso
possui todas as etapas e fases necessárias para a conclusão
do processo, sendo elas: mobilização das escolas e dos alunos, seleção das amostras e implementação dos instrumentos (braceletes), conforme apresentado abaixo:
1ª etapa: mobilização da escola e explicação sobre o projeto
Nesta primeira etapa, serão apresentados à direção
da escola o projeto, seu objetivo, a metodologia empregada e quais as vantagens/os pontos positivos que ele pode
oferecer para a instituição e para a comunidade escolar.
Caso a escola tenha interesse que este projeto seja desenvolvido na instituição, será iniciado um segundo momento, que envolverá uma reunião com todos os membros da
escola e, principalmente, com os pais, os gestores e os
estudantes. Nessa reunião, será explicado o objetivo do
projeto, a importância de adotar hábitos saudáveis, os
ganhos adquiridos por meio da prática regular de exercícios para a saúde e o bem-estar dos estudantes do Ensino Fundamental – Anos Finais, bem como a metodologia
para o desenvolvimento do projeto. Será ressaltado, ainda, como o projeto Saúde no Pulso pode tornar o movimento mais atrativo no dia a dia dos participantes.
131
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
2ª etapa: seleção da amostra e implementação dos
braceletes
Após a 1ª etapa, os alunos que demonstrarem entusiasmo para a participação no projeto receberão todas as
informações necessárias sobre a continuidade do Saúde
no Pulso, bem como sobre o funcionamento de pontos
motivacionais, regras a serem seguidas, orientação sobre
o monitoramento e o funcionamento dos dispositivos e
sobre o feedback dos resultados obtidos ao final de cada
meta cumprida.
3ª etapa: metas estabelecidas e obtenção de resultados
Por último, os alunos participantes do projeto poderão acompanhar, de forma ativa e visual, como está a desenvoltura de cada um, através dos passos evidenciados nos
braceletes e do feedback da equipe de monitoramento em
relação às metas. Portanto, as metas semanais/mensais de
número de passos serão estabelecidas para os alunos, de
forma individualizada, ao final de cada semana. Os resultados serão compartilhados com os estudantes, incentivando-os com base no cumprimento de metas por meio do uso
do aplicativo WhatsApp. Ainda nessas perspectivas, como
forma de engajamento, lembretes regulares serão dispostos
em murais para manter a motivação, encorajando a continuidade do desafio.
132
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do Programa Institucional de Bolsa de
Iniciação à Docência (Pibid), foi possível elaborar este
projeto, que possibilitou estudar mais sobre o tema, despertando para a inclusão de smartwatch como medidor da
atividade física.
Ao final do desenvolvimento do projeto, almejamos
atingir os objetivos definidos anteriormente: alunos mais
motivados e conscientes da necessidade de adotar um estilo de vida ativo, minimizando os aspectos deletérios do sedentarismo entre estudantes em fase escolar; valorização da
disciplina de Educação Física na escola, não apenas entre
os alunos, mas também entre gestores, pais e funcionários
em geral. Outro resultado esperado é a melhoria da relação
entre escola e famílias dos estudantes envolvidos no projeto Saúde no Pulso, por meio das mudanças do estilo de vida
dos mais jovens e frequentadores do Ensino Fundamental
– Anos Finais.
A apresentação deste projeto na Semana Interinstitucional de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação
Básica (Sinpete) possibilitou mais motivação e clareza para
colocá-lo em execução. Consideramos, ainda, a necessidade de trabalho conjunto entre as Secretarias de Saúde e de
Educação (estadual e municipal) em prol do desenvolvimento completo do público estudantil maceioense.
133
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
REFERÊNCIAS
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ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. 9. ed. Rio
de Janeiro: Guanabara, 2014. Disponível em: https://doceru.
com/doc/8vv00c. Acesso em: 16 abr. 2024.
BALBINOTTI, M. A. A. et al. Motivação à prática regular de
atividade física: um estudo exploratório. Estudos de Psicologia, v. 16, n. 1, p. 99-106, 2011.
BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Edital 23/2022, de 28 de abril de 2022.
Torna pública a seleção de Instituições de Ensino Superior
– IES interessadas em implementar projeto institucional no
âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência – PIBID. Brasília, 2022.
BRASIL. Lei Federal nº 8069, de 13 de julho de 1990. Dispõe
sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2002.
DARIDO, S. Educação Física na escola: questões e reflexões.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
FONSECA, J. S.; MARTINS, G. A. Curso de estatística. 6. ed.
São Paulo: Atlas, 2012.
INTERNATIONAL PHYSICAL ACTIVITY QUESTIONNAIRE.
Guidelines for Data Processing and Analysis of the International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) Short
Form. Version 2.0. 2004. Disponível em: https://tinyurl.com/
ywb5crvf. Acesso em: 27 abr. 2024.
134
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
MENDONÇA, G. et al. Padrões de comportamento sedentário em adolescentes de um município da região Nordeste do
Brasil. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v. 23,
p. 1-9, 2018.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Obesity: preventing
and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation, Geneva, 3-5 jun. 1997. Geneva: World Health Organization, 1998.
SILVA, F. E.; LEITE FILHO, M. A. A. Sedentarismo infantil provocado pelo uso excessivo da tecnologia. Revista Eletrônica
Nacional de Educação Física, Edição Especial, v. 5, n. 6, ago.
2022. Disponível em: https://www.periodicos.unimontes.br/
index.php/renef/article/view/5351/5549. Acesso em: 27 abr.
2024.
SILVA, J. S. et al. O conceito de saúde e de hábitos saudáveis
em adolescentes escolares. Pensar a Prática, v. 20, n. 4, p.
808-821, 2017.
SOUSA, F. C.; SANTOS, D.; CASCÃO, I. L. L. A investigação da
influência da tecnologia no sedentarismo em crianças de 12 a
13 anos. Revista Científica UMC, v. 3, n. 3, 5 out. 2018. Disponível em: https://seer.umc.br/index.php/revistaumc/article/
view/529. Acesso em: 17 abr. 2024.
135
CAPÍTULO 6
LABORATÓRIO DE INICIATIVAS SOCIAIS E
DIREITOS HUMANOS: UMA EXPERIÊNCIA
METODOLÓGICA DE ENSINO NA
ESCOLA ESTADUAL MARCOS ANTÔNIO
CAVALCANTI SILVA
Monike Bayma Marques1
Lucas Felipe Ramos Barbosa2
Nathalia Roberta Marques Gonçalves2
Joyce Monte Freire de Lima2
Davi Andrade Pereira2
Ronald Gabriel dos Santos Freitas2
Geisa Ferreira dos Santos3
Orientadora | Professora da Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti
Silva, em Maceió. Supervisora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) – subprojeto Sociologia
1
2
Estudante | Curso de Ciências Sociais (ICS/Ufal)
Mentora científica do Sinpete | Técnica em Assuntos Educacionais da Pró-reitoria de Graduação (Prograd/Ufal)
3
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
CONTEXTUALIZAÇÃO
Esta pesquisa busca apresentar e discutir experiências e conclusões no que se refere ao trabalho desenvolvido com temas relacionados aos direitos humanos e às lutas
sociais contra tipos de preconceitos e discriminações no
componente curricular Laboratório de Iniciativas Sociais
e Direitos Humanos (Alagoas, 2020), ministrado pela supervisora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), subprojeto Sociologia (Braga Jr.,
2022), e professora na Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti Silva.
Tal componente foi introduzido no ano letivo de 2020,
período do ensino remoto, tendo permanecido no currículo
das escolas em tempo integral no retorno das aulas presenciais após a pandemia de Covid-19. Dessa forma, o Laboratório de Iniciativas Sociais e Direitos Humanos tem sido o
espaço de construção de projetos em que o aluno é o protagonista na elaboração de ferramentas para entendimento e
propagação desses temas de maneira informativa para toda
a comunidade escolar.
Participam deste trabalho a professora de Sociologia
da escola e supervisora do Pibid, bem como estudantes de
licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal
de Alagoas (Ufal) que atuam no programa acompanhando
as aulas de Sociologia, trilhas formativas e disciplinas eletivas, além de disciplinas específicas da escola em tempo
integral que se relacionam com as Ciências Sociais.
137
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
A instituição educacional onde foi desenvolvida a
pesquisa localiza-se na Avenida Antônio Lisboa de Amorim, no conjunto Benedito Bentes 1, em Maceió, Alagoas,
e é configurada em período integral (das 7h às 17h50) para
todas as turmas do Ensino Médio, em conformidade com
o Documento Orientador do Programa Alagoano de Ensino
Integral (Alagoas, 2019). Frequentam a escola alunos do 1º
ao 3º ano do Ensino Médio; porém, até 2023, apenas o 1º e
o 2º anos estavam integrados ao Novo Ensino Médio (NEM)
(Alagoas, 2022).
A relação da instituição de ensino com o entorno
expressa-se na medida em que a maior parte de seu corpo
estudantil é composta por alunos provenientes do bairro
onde está localizada. A escola possuía, até o ano de 2023,
por volta de 400 alunos – desses, uma estimativa de 301
provém de diferentes conjuntos habitacionais localizados
no bairro. Tendo em vista o fato de que o referido distrito é
o mais populoso da cidade de Maceió e também o maior em
termos de extensão territorial, a escola exerce um importante papel social ao atender às altas demandas de acesso à
educação dessa população (Figura 15).
138
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 15 - Distribuição dos estudantes dos bairros em
que moram e frequentam a escola
Fonte: Adaptado de https://www.researchgate.net/figure/
Figura-1-Localizacao-e-bairros-de-Maceio-AL_fig1_371190001.
A escola conta com uma estrutura que possibilita a
modalidade de Educação Integral, comportando laboratórios de Informática e Ciências, visando oferecer melhor
aproveitamento de espaços para que os estudantes possam
ter acesso a uma educação mais completa e bem estruturada.
Por conseguinte, a fim de contextualizar as atividades, tendo em vista que em 2023 o Laboratório de Iniciativas Sociais e Direitos Humanos foi aplicado nas turmas
139
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
de 1º ano (duas), traçamos o perfil social através de dados
fornecidos pela escola:
•
A maioria dos alunos está distribuída entre as
classes do 1º ano, sendo trabalhadas duas turmas,
com 34 e 33 alunos, respectivamente;
•
Em relação à idade dos alunos, observamos média
entre 15 e 17 anos;
•
Alunos com deficiências visual, motora e auditiva
frequentam o Laboratório de Iniciativas Sociais
durante o período das aulas;
•
Os alunos representam diversidade de identidades de gênero e contato com estudantes que se
identificam como: Homem Cisgênero e Mulher
Cisgênero, e outros identificando-se como Transgênero ou Não-Binário;
•
Quanto à orientação sexual, a maior parte dos estudantes com quem travamos contato ao longo
de nossas atividades e discussões identificam-se
como Heterossexuais, havendo também Bissexuais e outros identificando-se como Pansexuais e
Homossexuais.
Além disso, dentre os aspectos tomados, destaca-se
que a maior parte dos alunos são provenientes de regiões
periféricas de Maceió, sobretudo do bairro do Benedito
Bentes, uma das regiões mais marcadas por desigualdades,
como afirma Gomes (2018):
140
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
A maioria dos conjuntos habitacionais de
baixa renda, em Maceió, são construídos
no final dos anos de 1980, muito aquém
de se atender à demanda necessária e em
locais muito aquém do que se poderia denominar integração dos grupos populacionais urbanos. Das muitas habitações
implantadas, aproximadamente 88% das
unidades de habitações concentraram-se
na parte alta da cidade, principalmente
no atual bairro Benedito Bentes (Gomes,
2018, p. 78).
Assim, é evidente o perfil socioeconômico dos estudantes e as formas de desigualdades, na medida em que,
ainda segundo Gomes (2018):
A área urbana selecionada tem em comum
com outros aglomerados urbanos brasileiros sua elevada concentração de problemas sociais, econômicos e ambientais,
que fazem daquela região uma área urbana
violenta (ou o que se constrói acerca dela)
[...] (Gomes, 2018, p. 77).
Os alunos do Laboratório de Iniciativas Sociais refletem, nesse ponto, um microcosmo do ambiente típico da
escola, com suas diferenças, singularidades e diversidade
de experiências. As discussões engendradas nesse ínterim
justificam-se na medida em que contribuem para a formação de espaços de sociabilidade mais conscientes e abertos
ao reconhecimento das diferenças e também para a formação da própria autonomia de cada um enquanto seres sociais e políticos, conscientes de seus direitos e deveres e
141
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
capazes de pensar criticamente as manifestações de opressões e preconceitos.
Com efeito, o objetivo central deste trabalho é apresentar os resultados de discussões e oficinas realizadas durante os trabalhos no componente curricular Laboratório de
Iniciativas Sociais e Direitos Humanos a respeito da temática dos preconceitos sociais, estabelecendo, assim, uma ligação direta com os direitos humanos no contexto traçado.
Um cenário sociocultural e histórico caracteriza-se
pela difusão de formas de preconceito e discriminação na
sociedade brasileira, como machismo, homofobia, racismo,
etarismo, gordofobia, capacitismo e aporofobia. Surge a
necessidade de educadores e estudantes, que também são
sujeitos políticos, e das escolas, que também têm seu papel
político e social (Freire, 1993; Saviani, 2008; Hooks, 2013;
Tardif, 2022), posicionarem-se e agirem na desarticulação
dessas formas de reprodução de lógicas discriminatórias e
no estímulo ao exercício de perspectivas críticas na relação
com os conteúdos e os estudantes.
Entendemos como Freire (1993) apresenta o assunto.
Ele comenta:
[...] Não há crescimento democrático fora
da tolerância que, significando, substantivamente, a convivência entre dessemelhantes, não lhes nega, contudo, o direito
de brigar por seus sonhos. O importante
é que a pura diferença não seja razão de
ser decisiva para que se rompa ou nem
sequer se inicie um diálogo através do
qual pensares diversos, sonhos opostos
142
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
não possam concorrer para o crescimento dos diferentes, para o acrescentamento
de saberes. Saberes do corpo inteiro dos
dessemelhantes, saberes resultantes da
aproximação metódica, rigorosa, ao objeto da curiosidade epistemológica dos
sujeitos. Saberes de suas experiências, feitos, saberes “molhados” de sentimentos,
de emoção, de medos, de desejos (Freire,
1993, p. 17).
Desse modo, consideram-se os objetivos e o eixo teórico do trabalho com base em uma perspectiva humanística
democrática, mas também crítica, visando à horizontalização da relação professor-aluno e ao reconhecimento dos
sujeitos em suas singularidades e também em suas diferenças, bem como à autonomia na maneira de se posicionar
diante dos problemas. Essa posição não se baseia em um
ideia de neutralidade, mas em um posicionamento, também
político, diante dos problemas e da relação com o ensino,
como aponta Freire (1993):
[...] não sendo neutra, a prática educativa, a formação humana, implica opções,
rupturas, decisões, estar com e pôr-se
contra, a favor de algum sonho e contra
outro, a favor de alguém e contra alguém.
E é exatamente este imperativo que exige
a eticidade do educador e sua necessária
militância democrática a lhe exigir a vigilância permanente no sentido da coerência entre o discurso e a prática. Não vale
um discurso bem articulado, em que se
defende que o direito de ser diferente e
uma prática negadora desse direito (Freire, 1993, p. 39).
143
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Ainda, tendo em vista o que afirma Freire (1993, p.
21), observa-se que: “[...] não é possível ser gente sem, desta
ou daquela forma, se achar entranhado numa certa prática
educativa [...]”. Destaca-se o papel humanizante do processo educativo na medida em que, ao falar-se em Educação,
trata-se simultaneamente de um âmbito da formação dos
sujeitos que, não sendo neutro, pode ser amplamente democrático ou mesmo alienado. O aporte teórico posiciona-se contra essas formas de representação política, ou
a-históricas, redutoras do processo educacional. De acordo
com Freire (1993):
A natureza formadora da docência, que não
poderia reduzir-se a puro processo técnico
e mecânico de transferir conhecimentos,
enfatiza a exigência ético-democrática do
respeito ao pensamento, aos gostos, aos receios, aos desejos, à curiosidade dos educandos [...] (Freire, 1993, p. 39).
Portanto, este trabalho envolve-se na problemática
do contexto de modos de preconceito e discriminação e
enseja promover, de forma reflexiva, tanto uma perspectiva
crítica nas relações desiguais vividas na sociedade quanto
uma formação dos estudantes enquanto sujeitos de direitos
(Brasil, 1988), aptos ao exercício de cidadania, tolerância,
empatia e ação política. Como define Arendt (2000), cidadania é o direito a ter direitos; nesse sentido, consideram-se
as lacunas apontadas entre a igualdade formal e jurídica (o
direito) e sua efetivação social nas vidas dos sujeitos (a sociedade tal como ela é).
144
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Assim, estabelecemos o Laboratório de Iniciativas
Sociais e Direitos Humanos como um espaço dialógico, de
pesquisa e produção criativa por parte dos estudantes do
Ensino Médio, desnaturalização das formas de preconceito,
discriminação e desigualdades, levando ao reconhecimento dos direitos e ao estímulo de uma perspectiva crítica que
contribui para a formação social, política e afetiva de estudantes, professores e comunidade escolar enquanto agentes políticos imersos nessas esferas sociais que possuem
direitos e deveres, sendo atravessados, de forma interseccional, por experiências de preconceitos e discriminação.
Dessa forma, busca-se a promoção da conscientização destes sujeitos quanto aos seus direitos através do
estímulo à pesquisa sobre modos de preconceito e discriminação e sobre os direitos inerentes à cidadania, por meio
do debate, considerando e estimulando as experiências de
estudantes e professores. A escola, nesse sentido, ocupa um
lugar privilegiado, como espaço social de promoção e reconhecimento das singularidades e pluralidades contidas
na esfera pública, na medida em que incentiva discussões
tão necessárias a respeito das questões em que todos estão
imersos e de que todos os sujeitos fazem parte.
A proposta da “ideia inovadora” estimula a produção
autônoma intelectual dos estudantes da Educação Básica
ativamente em conformidade com o eixo Ciências Humanas
e Sociais (Universidade Federal de Alagoas, 2023a). Com a
temática Direitos Humanos, torna-se possível a abordagem
das diversas problemáticas de demandas sociais, partindo
da realidade escolar e da comunidade no entorno. Assim,
145
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
a proposta de trabalho visa à inovação do ensino na escola, trazendo novas perspectivas na construção do conhecimento, que será produzido principalmente pelo estudante,
por meio da pesquisa de dados científicos, resultando na
extensão desse conhecimento, materializando-o por meio
de produções audiovisuais que, ao serem publicizadas nas
redes sociais, divulgam a informação e causam possível
transformação da comunidade.
Após o aprendizado, os grupos de estudantes são
convidados a pesquisar dados científicos na internet em
torno do tema proposto. Posteriormente, utilizam os conhecimentos apreendidos na metodologia para construções
de diversas produções artísticas e informativas (podcasts,
documentários, curtas-metragens, etc). Tais produções puderam ser acessadas pelo público escolar, bem como pela
comunidade, através do workshop ocorrido no fim do ano
letivo de 2023, em que se atinge maior público, com a escola
aberta à visitação, promovendo o conhecimento em busca
de transformação social.
O trabalho desenvolvido está de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) (2015). Os 17 objetivos e
as 169 metas globais interconectadas, a serem atingidos até
2030, ficaram conhecidos como Agenda 2030, de que o Brasil participa, e estão em consonância com o que foi previsto
no edital da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia
e Inovação na Educação Básica (Sinpete), bem como com as
determinações de ODS alinhadas com este trabalho: Saúde
e Bem-estar (ODS 3); Educação de Qualidade (ODS 4); Igual-
146
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
dade de Gênero (ODS 5); Redução das Desigualdades (ODS
10); Paz, Justiça e Instituições Eficazes (ODS 16).
O presente trabalho foi apresentado no Sinpete, que
tem como objetivo fortalecer projetos de estímulo à iniciação científica e tecnológica que valorizem o conhecimento
científico e o protagonismo estudantil de crianças, jovens e
adultos, por meio da conexão entre a Educação Básica e a
Educação Superior, evento já consagrado como de grande
importância para o pensar científico nas diversas esferas da
Educação, principalmente no que diz respeito à iniciação
científica na Educação Básica.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
No contexto do Laboratório de Iniciativas Sociais e
Direitos Humanos, exploramos, ao longo do ano, discussões acerca do preconceito, para o reconhecimento das
expressões que estão no cotidiano dos estudantes, como
também a análise de suas origens estruturais e de impactos mais profundos. Assim, possibilita-se aos alunos uma
compreensão ampla das diferentes formas de preconceito
e discriminação presentes em nossa sociedade.
Para introduzir os temas, os alunos recebem formação
prévia a fim de que aprendam a elaboração de slides através da plataforma Canva e a realizar pesquisas na internet,
distinguindo fontes confiáveis de não confiáveis, visando
à produção e à apresentação de slides com conteúdos que
abordam as temáticas trabalhadas nos bimestres estudados
por eles (Figura 16).
147
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Figura 16 - Bolsistas Pibid, sob a supervisão da docente Monike
Bayma, auxiliando os estudantes no uso da plataforma Canva, na
realização de pesquisa e elaboração de slides, no laboratório de
informática da escola, A - momento de trabalho dos alunos com
uma turma, B - atividade com outra turma
Fonte: Acervo dos autores (2024).
Ao longo de 2023, os alunos desenvolveram o tema
de formas diferentes: no primeiro e no segundo bimestres,
apresentaram seminários. Assim, foram trabalhados com
148
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
os estudantes diversos temas que se enquadram dentro do
eixo central dos direitos humanos. Foram apresentados seminários sobre gordofobia, etarismo, xenofobia, racismo,
preconceito de classe, machismo, capacitismo, intolerância
religiosa (Figura 17), entre outros temas que conversam com
as propostas do eixo do Laboratório de Iniciativas Sociais e
Direitos Humanos.
As apresentações estimularam os discentes a desenvolver senso crítico no que se refere à reflexão (Giddens, 1989), além de promover sua autonomia no processo
de aprendizagem, através da pesquisa, da elaboração das
apresentações e da própria materialização do assunto
trabalhado e discutido dentro de sala de aula.
Figura 17 - Slide de apresentação de um seminário produzido
pelos estudantes
Fonte: Acervo dos autores (2024).
149
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
No que se refere à produção de podcasts, uma turma se encarregou deste trabalho (Figura 18), dando ênfase
aos temas tratados, como LGBTfobia, misoginia e luta pelos direitos das mulheres. Nesta turma, foram produzidos
dois podcasts com os temas citados acima, com cada grupo
de estudantes contando com o auxílio de um bolsista Pibid
coordenando-os na escolha de referencial teórico e na organização da produção propriamente dita.
Figura 18 - Estudantes preparando seu podcast
Fonte: Acervo dos autores (2024).
As turmas também produzem documentários, como,
por exemplo, “Dia Internacional das Mulheres Importantes do Brasil” (Figura 5), disponível em: https://tinyurl.
com/37m2sf3h. Essa produção traz o contexto histórico da
implementação do Dia Internacional das Lutas pela Con-
150
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
quista dos Direitos das Mulheres e enfatiza o protagonismo
representativo feminino no âmbito nacional.
Através do acompanhamento das aulas, ressalta-se
que os direitos humanos podem ser trabalhados dentro do
espaço da Educação, contribuindo com a sociedade através do conhecimento adquirido durante o processo. Esse
componente curricular desenvolve-se sob a perspectiva da
teoria pedagógica histórica-crítica de Saviani (2008) para
compreensão da sociedade, desenvolvimento da consciência crítica e histórica, promoção da cidadania ativa e
conscientização de tolerância na diversidade de ambientes
em que os estudantes estão inseridos. Também promove
práticas colaborativas, compartilhamento de experiências
e ações socioeducativas, buscando sempre desenvolver o
protagonismo dos alunos.
Os processos avaliativos desse componente são voltados para a criação e a divulgação de produtos informativos para a sociedade através das redes sociais. Na sala de
aula, torna-se possível acompanhar o desenvolvimento das
etapas de pesquisa dos estudantes. Durante o processo de
pesquisa, procura-se auxiliá-los na explicação dos pontos essenciais a serem investigados e enfatiza-se a importância de encontrarem exemplos de preconceitos em suas
próprias vidas, de forma a compreender como isso afeta a
realidade em que vivem.
As apresentações dos seminários refletem o comprometimento de cada grupo, evidenciando dificuldades e facilidades já observadas durante a fase de criação. Por fim,
151
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
os discentes criam mecanismos para a disseminação do conhecimento adquirido através de suas produções.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados alcançados através das atividades desenvolvidas no Laboratório de Iniciativas Sociais e Direitos
Humanos como um espaço para elaboração de projeto permitem a observação de que a sala de aula é um local indispensável que possibilita a discussão, a problematização e a
aplicação dos direitos humanos.
Nela, os alunos não só se apropriam do conhecimento, mas desenvolvem concepções e atitudes que podem redirecionar sua visão de mundo e também suas interações,
fazendo com que contribuam para uma sociedade mais justa e inclusiva. Enfatiza-se a importância de uma escola que
seja inclusiva e que produza interações sociais para uma
convivência escolar humanitária, tendo em vista o atual
momento em que instituições de ensino de todo o País têm
registrado grandes índices de preconceito e discriminação.
As observações acerca do desenvolvimento de cada
turma, bem como do componente curricular Laboratório
de Iniciativas Sociais e Direitos Humanos, que permanece
no currículo estadual, permitem que seja fortalecida a necessidade de atividades de ensino por meio de pesquisas.
Isso porque, embora esse formato tenha enfrentado desafios, sua aplicação não apenas instiga a busca constante por
aprimoramento científico, mas também promove valores
sociais e práticas cidadãs.
152
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Essa perspectiva também auxilia os estudantes a entenderem sua própria realidade, visto que fazem parte do
ensino público e, muitas vezes, por conta da precarização de
diversos componentes curriculares que produzem o pensamento crítico, não conseguem identificar os contextos sociais em que estão inseridos. O Laboratório de Iniciativas
Sociais e Direitos Sociais também ressalta os resultados positivos adquiridos quando os alunos sentem que possuem
autonomia para decidir como vão produzir e entregar um
produto final.
REFERÊNCIAS
ALAGOAS. Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti Silva.
Projeto Político Pedagógico (PPP). Maceió, 2022.
ALAGOAS. Guia de Implementação dos Laboratórios de
Aprendizagem nas Unidades de Ensino da Rede Pública
Estadual de Educação. Maceió: Secretaria de Educação de
Estado, 2020.
ALAGOAS. Documento Orientador do Programa Alagoano
de Ensino Integral – Versão 2019. Maceió: Suped, 2019.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das
Letras, 2000.
BRAGA JR., A. X. Subprojeto Pibid – Sociologia (2022-2024):
jogos, gamificação e ludicidade no ensino de Sociologia. Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid),
Maceió, 2022. [arquivo digital].
153
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de
1988. Brasília, DF, 1988. Disponível em: https://tinyurl.com/
mr3nb4ew. Acesso em: 18 abr. 2024.
FREIRE, P. Política e educação. São Paulo: Contexto, 1993.
GIDDENS, A. Elementos da Teoria da Estruturação. In: GIDDENS, A. A constituição da sociedade. São Paulo: Martins
Fontes, 1989.
GOMES, J. S. Habitação, desorganização social e violência:
situação e perspectiva no bairro Benedito Bentes, Maceió-AL.
2018. Disponível em: https://tinyurl.com/y7hfa6zc. Acesso
em: 31 mai. 2024.
HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
ONU. Organização das Nações Unidas para o Brasil. Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável no Brasil, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br. Acesso em: 19 abr. 2024.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 2008.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2022.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Pró-Reitoria de
Graduação (Prograd). Chamada de proposta de atividades
para o Sinpete 2023. Edital retificado no dia 18-10-2023.
Maceió, 2023a. Disponível em: https://tinyurl.com/mr2zynrx.
Acesso em: 04 jun. 2024.
154
CAPÍTULO ESPECIAL
PRÓ-SINPETE: EDUCAÇÃO, DIVULGAÇÃO
E POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NA
EDUCAÇÃO BÁSICA DE ALAGOAS
Vera Lucia Pontes dos Santos1
Hilda Helena Sovierzoski2
Coordenadora-geral do Sinpete e pedagoga da Pró-reitoria de Graduação
(Prograd/Ufal)
1
Equipe técnica do Sinpete e professora do Instituto de Ciências Biológicas
e da Saúde (ICBS/Ufal)
2
A PRIMAZIA DA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA
Os estudos sobre Educação Científica remontam do
início do século 20, especialmente na década de 1950, no
período do movimento cientificista, “em que se atribuía
uma supervalorização ao domínio do conhecimento científico em relação às demais áreas do conhecimento humano”
(Santos, 2007, p. 474), desencadeando um movimento mundial em prol da Educação Científica.
No Brasil, esse movimento começou a ganhar força
somente na década de 1970, quando a pesquisa na área de
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Educação em Ciências no Brasil se efetivou, consolidando-se nos últimos 50 anos, de forma que hoje se conta com uma
comunidade científica atuante em dezenas de Programas de
Pós-Graduação em Ensino de Ciências (Santos, 2007).
Em plena Guerra Fria, em meio ao lançamento do
primeiro satélite artificial, o Sputinik, o método científico
ganha ênfase na escola, com o propósito de desenvolver o
espírito científico nos jovens (Krasilchik, 1987). A Educação
Científica é proposta para a Educação Básica como forma
de preparar os mais novos estudantes para adquirir uma
postura científica no cotidiano, pensando e agindo como
cientistas. Assim, a Educação Científica é compreendida
como processo de alfabetização e/ou letramento científico.
A compreensão de letramento como prática social
está imbricada na literatura de Educação Científica (Shamos, 1995). Um cidadão letrado vai além da leitura do vocabulário científico. Ele é capaz de conversar, discutir, ler
e escrever coerentemente um contexto não técnico, de forma significativa, compreendendo o papel da Ciência e da
Tecnologia na sociedade e da popularização da Ciência na
Educação Básica (Santos; Schnetzler, 1997).
Para Newton, Driver e Osborne (1999), muito mais que
memorizar vocábulos, sistemas classificatórios e fórmulas, o
Ensino de Ciências deve levar os alunos a fazer a leitura da
linguagem científica para utilizá-la em sua argumentação. Os
estudantes precisam compreender o significado do conhecimento científico, pois “um cidadão, para fazer uso social da
ciência, precisa saber ler e interpretar as informações científicas difundidas na mídia escrita” (Santos, 2007, p. 485).
156
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Assim, em conformidade com os estudos de Norris
e Phillips (2003), o letramento científico, isto é, aprender a
ler um texto científico, significa saber usar estratégias, fazer inferências, argumentar cientificamente, (re)interpretar
e compreender limitações teóricas. Além disso, o uso social
da Ciência, como forma de resolver problemas das comunidades locais, contribui para a popularização dela.
Para que o aluno compreenda e utilize a argumentação do conhecimento científico, divulgado e popularizado, é importante a adoção de estratégias, como comenta
Santos (2007)
o uso de meios informais de divulgação
científica, como textos de jornais e revistas e programas televisivos e radiofônicos
em sala de aula. Além disso, visitas programadas a espaços não-formais de educação, como museus de ciência, jardins
zoológicos, jardins botânicos, planetários, centros de visita de instituições de
pesquisa e de parques de proteção ambiental e museus virtuais, entre outros,
são importantes estratégias para inculcar
valores da ciência na prática social (Santos, 2007, p. 487).
Os conteúdos veiculados em meios informais assim
como as visitas a espaços não formais de Educação cumprem um papel fundamental na divulgação da Ciência para
públicos não especializados. Atualmente, essas iniciativas
são ainda mais amplas e ocorrem principalmente durante a
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promo-
157
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
vida anualmente pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI) em todo território nacional.
Segundo o MCTI (Brasil, 2024),
popularização da ciência é o ato de difundir e divulgar a ciência para toda sociedade, em meio a tantos desafios sociais,
ambientais, econômicos e tecnológicos,
entre outros. Faz-se necessário cada vez
mais fomentar a ciência, a tecnologia e a
inovação que contribuam para o bem-estar
social, fortalecendo as ciências interdisciplinares e transdisciplinares que possam
contribuir para atingir os objetivos socialmente definidos (Brasil, 2024, [s.p.]).
É no bojo dessas reflexões e ações que mostram
a Ciência como algo ainda distante da população, que a
Educação Científica emerge como uma abordagem ainda
incipiente na Educação Básica, carecendo de estímulos
para seu impulso. Quem melhor que a universidade para
promover tais estímulos na escola? Quem melhor que a escola para promover tais estímulos na universidade?
Neste cenário, é concebido o Programa Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação
Básica (Pró-Sinpete). O Pró-Sinpete (ou somente Sinpete,
como se tem utilizado o nome do programa) evidencia uma
conexão singular entre a universidade e a escola.
Sinpete: conectando universidade, escola e sociedade
O Sinpete consiste em um programa extensionista
da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que tem por
158
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
objetivo incentivar a iniciação na pesquisa científica e o
desenvolvimento científico e tecnológico na Educação
Básica de Alagoas. Seu princípio basilar é a promoção de
ações sistemáticas de estímulo ao protagonismo, criatividade, raciocínio científico e inovação, voltadas para o desenvolvimento humano, social e sustentável, pela via da
interlocução entre universidade e escola.
O Programa Sinpete está estruturado em três projetos sequenciais que dialogam entre si: a) Formação de professores para o letramento científico; b) Semana Sinpete de
divulgação e popularização da Ciência durante a SNCT; e c)
Mentoria especializada para iniciantes na pesquisa científica. Esses projetos são desenvolvidos ao longo do ano, antes,
durante e depois da SNCT, fomentando a Educação Científica nas escolas de Alagoas.
Anualmente, o programa realiza a Semana Sinpete,
que vem se consolidando como o maior evento de divulgação científica na Educação Básica promovido por uma
universidade pública. O evento dispõe de uma cuidadosa programação científica, educativa e cultural, primando
pelo acolhimento, colaboração, cooperação, protagonismo,
inclusão, responsabilidade, empoderamento, ética e atenção aos diferentes públicos que dela participam.
O evento transcende, assim, espaços acadêmicos,
promovendo debates sobre temas, como: sustentabilidade,
tecnologias sociais, tecnologias assistivas, economia solidária, economia criativa, segurança alimentar, educação
ambiental, empreendedorismo inovador, educação inclusi-
159
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
va, equidade e interseccionalidades, nos diferentes contextos sociais, dentro das diversas áreas de conhecimento.
O Sinpete se reveste de um sentido especial porque
seu escopo e objetivos o colocam num patamar de programa que extrapola a ideia estrita de uma feira de ciências
com fim em si mesma. A conexão direta estabelecida com
as escolas antes e depois do evento, que acontece tradicionalmente em outubro, é fortalecida pelo conjunto de ações
articuladas, que inclui formação e mentoria, promovidas o
ano inteiro.
No início dessas ações, estudantes e professores são
estimulados a conceber seus projetos de Iniciação Científica, os quais são apresentados durante a Semana Sinpete.
Após esse processo, os projetos seguem com o acompanhamento de mentoria especializada, visando ao desenvolvimento e à escrita da ideia ou pesquisa como um dos
capítulos dos volumes da coleção Ciência na Escola para
o Desenvolvimento Sustentável, publicada pela Editora Universitária da Ufal (Edufal).
Nesse sentido, o Sinpete reforça a promoção de uma
Educação mais dinâmica, inovadora e sustentável, em interlocução com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações
Unidas (ONU, 2015).
O Sinpete tem como objetivo geral difundir a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) e o Empreendedorismo
na Educação de Alagoas, articulando iniciativas acadêmicas,
escolares, científicas e sociais, de instituições públicas e pri-
160
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
vadas, em que os protagonistas são estudantes e professores
da Educação Básica e Superior. Nessa perspectiva, as ações
se sustentam nos objetivos específicos, conforme Quadro 5.
Quadro 5 - Objetivos específicos do Sinpete
• Estimular a interação entre universidades, instituições públicas e privadas
de pesquisa e desenvolvimento em CT&I e Empreendedorismo, contribuindo para o aprimoramento da qualidade da Educação em todos os níveis;
• Fomentar a produção e divulgação do conhecimento científico e tecnológico desenvolvidos na relação entre universidade e escola, valorizando
a Ciência, a Tecnologia e a Inovação como instrumentos de desenvolvimento sustentável;
• Fortalecer a interface entre universidade, escola e sociedade, por meio da
extensão inovadora, despertando o desejo dos estudantes que sonham
em fazer um curso superior e ter sua vida transformada pela Educação;
• Interconectar pesquisadores, educadores, profissionais, ações, projetos, saberes e espaços de divulgação científica, nas diferentes áreas de
conhecimento, visando contribuir para o desenvolvimento científico e
educacional no estado de Alagoas;
• Promover ações de sensibilização e formação com foco no protagonismo
estudantil e no empoderamento docente, visando potencializar o fazer
científico nas escolas do estado de Alagoas, ressaltando o conhecimento
científico como um mecanismo de transformação social;
• Disseminar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as tecnologias sociais, a economia solidária, a economia circular, o empreendedorismo,
fomentando a busca de soluções para problemas da escola e das comunidades locais, contribuindo para a construção de uma sociedade sustentável;
• Promover a semana de divulgação e popularização da ciência no contexto da SNCT para que a CT&I seja acessível a todos, indistintamente;
• Reunir professores da rede de ensino básico (fundamental e médio),
profissionais diversos e cidadãos em geral, interessados em CT&I e
empreendedorismo;
• Promover o apoio e suporte especializado à produção do conhecimento
científico nos ambientes de ensino públicos e privados dos municípios
alagoanos, reconhecendo a ciência produzida na escola;
• Apoiar a publicação de livros, e-books e periódicos de autoria de estudantes e professores da Educação Básica, potencializando a divulgação
do conhecimento produzido no ambiente escolar.
Fonte: Ufal (2024a).
161
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Assim, espera-se estimular a produção e a socialização do conhecimento científico como mecanismos de
transformação social, contextualizando, problematizando e
estudando questões de interesse dos grupos de professores
e alunos, nas diversas áreas do conhecimento, por meio do
método científico. De igual modo, pretende-se contribuir
com a divulgação dos avanços científicos e tecnológicos
em favor da melhoria da qualidade de vida da população
em geral e do desenvolvimento sustentável.
A seção a seguir apresenta uma breve contextualização do Sinpete no âmbito da Ufal e do estado de Alagoas.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2021), Alagoas se posiciona na 26ª posição no
ranking geral do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
dos estados brasileiros. Consequentemente, dos 102 municípios alagoanos, 86 possuem Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal (IDHM) “baixo” e “muito baixo”, requerendo políticas e ações efetivas que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico.
Ante esse cenário, a universidade se afirma como
uma instituição fundamental para o desenvolvimento de
uma sociedade. De acordo com dados publicados no portal da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB,
2019), mais de 95% da produção científica do Brasil devem-se à capacidade de pesquisa de suas universidades públicas. Estas, por sua vez, têm papel fundamental no estímulo
162
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
e fomento de ações de popularização da CT&I como mecanismo de transformação social.
Ao priorizar municípios com baixo IDHM, estimulando e fomentando a pesquisa científica na escola, o Sinpete
não só insere crianças e jovens na Iniciação Científica, mas
também coopera com o fortalecimento de políticas sociais
e ambientais.
A edição de 2022: a gênese
Em sua primeira edição, o Sinpete foi realizado pela
Ufal , com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que resultou da Chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 05/2022 - SNCT 2022, na linha
Evento Intermunicipal. Para tanto, a Ufal firmou parceria
com as Secretarias Municipais de Educação de Barra de São
Miguel, Murici e Maceió, alcançando, por abrangência, os
municípios de Coruripe e Minador do Negrão. A partir da
interlocução com esses cinco municípios, o Sinpete atendeu 12 escolas e mais de 1.000 participantes, entre estudantes, professores e gestores (Santos et al., 2023).
[5]
1
Dentro da 19ª SNCT, o Sinpete recebeu escolas em
visitação guiada pelas mostras, exposições e experimentos
de Física, Química, Geografia, Astronomia, Botânica, dentre outras, que compuseram o espaço temático do Sinpete. Além disso, os visitantes participaram de manifestações
culturais, lançamentos de livros, palestras, minicursos,
oficinas e mesas-redondas, num debate sobre temas da
CT&I em diálogo com as interseccionalidades. Além disso,
163
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
o Sinpete promove o Concurso de Ideias Inovadoras, que
premia projetos originados em escolas públicas dos três
municípios participantes. A astrônoma mais jovem do Brasil, Nicole Simeão (conhecida como Nicolinha), passa a ser
atração da conferência de encerramento e cerimônia de
premiação dos melhores projetos (Santos et al., 2023). A seguir (Figura 19), apresentamos alguns destaques do Sinpete, edição 2022.
Figura 19 - Conjunto de imagens do Sinpete, edição 2022, A –
estudante vivenciando o Gerador de Van de Graaff, B - meninas
integrantes do Projeto Physensi
Fonte: https://evento.ufal.br/sinpete-2022/galeria-de-fotos/
fotos-dia-3/3o-dia-de-evento.
Os projetos dessa edição resultam na publicação da
coleção Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável, composta por dez fascículos, lançada na 10ª Bienal
Internacional do Livro de Alagoas, nas versões e-book e impresso. A seguir, mostramos alguns destaques da cerimônia
de lançamento da coleção (Figura 20), que reuniu os autores
164
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
(estudantes e professores das escolas), familiares, gestores
e pesquisadores, numa grande festa de celebração.
Figura 20 - Cerimônia de lançamento da Coleção Ciência
na Escola para o Desenvolvimento Sustentável, A – autores
reunidos no Estande da Edufal, B – discurso do reitor da Ufal,
Josealdo Tonholo
Fonte: https://evento.ufal.br/sinpete-2023/observatorio-digital-deinformacao/fotos-bienal-do-livro/lancamento-da-colecao-ciencia-naescola-para-o-desenvolvimento-sustentavel.
A publicação digital está disponível no site da Edufal
e do Sinpete 2023 (https://evento.ufal.br/sinpete-2023/observatorio-digital-de-informacao/e-books-ciencia-na-escola-para-o-desenvolvimento-sustentavel).
A semente lançada em 2022 germina e se fortalece,
gerando uma demanda institucional e requerendo a continuidade do Programa Sinpete como uma política local de
estímulo e fomento à cultura científica na escola.
165
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
A edição de 2023: crescimento exponencial
Em 2023, em sua 2ª edição, o Sinpete explora as Ciências Básicas e o fomento de projetos inovadores nas escolas, socializados na 20ª SNCT, tomando como aporte o tema
“Ciências Básicas para o Desenvolvimento Sustentável”.
Esse tema traz, em sua essência, princípios e valores educativos, culturais, ambientais, sociais, inclusivos, equitativos
e interseccionais que orientam a conscientização e a participação ativa das comunidades locais frente à construção
de um futuro sustentável.
A Figura 21 a seguir, evidencia cartazes de divulgação
e chamadas de atividades do Sinpete 2023.
Figura 21 - Cartazes de divulgação e chamadas de atividades do
Sinpete 2023, A - chamada Concurso de Ideias Inovadoras, B
- chamada Submissão de Atividades, C - chamada Submissão
de Propostas de Atividades, D - chamada para visitação em grupo
Fonte: https://evento.ufal.br/sinpete-2023.
166
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
A edição do Sinpete 2023, de caráter estadual, foi realizada de forma descentralizada, visando à expansão e à
interiorização, tornando mais acessível a participação das
escolas localizadas no interior do Estado, as quais puderam
vivenciar o universo da Ciência e dos espaços universitários.
Para facilitar o acesso às atividades de CT&I e Empreendedorismo do Sinpete, realizamos o evento, simultaneamente,
em cinco cidades-polo, contemplando o Litoral, o Agreste,
a Zona da Mata e o Sertão de Alagoas. Ei-las, conforme ilustrado na Figura 22.
Figura 22 - Mapa com as cidades-polo do Sinpete, em 2023
Fonte: Ufal (2024a).
Com essa abrangência, o Sinpete consegue estimular a participação de 66 municípios, sendo que, destes, 80%
têm IDHM “baixo”. O Quadro 6 apresenta a distribuição dos
167
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
municípios que participaram em cada polo do Sinpete. Observa-se que nos polos Palmeira dos Índios e Maceió, há a
participação de professores e alunos de escolas do estado
de Pernambuco.
Quadro 6 - Distribuição dos municípios que participam das
atividades do Sinpete 2023, por cidade-polo
Nº de
municípios
Polos
Municípios participantes
Arapiraca
Girau do Ponciano, Craíbas, Junqueiro,
Taquarana, Boca da Mata, Campo Alegre,
Igreja Nova, Olho D’Água Grande, Penedo,
Coité do Noia, Limoeiro de Anadia, Teotônio
Vilela, Piaçabuçu, Batalha, Traipu, Feira
Grande, Lagoa da Canoa e Arapiraca
Palmeira
dos Índios
Minador do Negrão, Tanque d’Arca, Major
Izidoro, Cacimbinhas, Santana do Ipanema,
Igaci, Estrela de Alagoas, São Sebastião, Olho
D’Água das Flores, Batalha, Palmeira dos
Índios e Bom Conselho (PE)
Maceió
Maceió, Santa Luzia do Norte, Satuba,
Campo Alegre, Pilar, Rio Largo, Marechal
Deodoro, Viçosa, Boca da Mata, Santana
do Mundaú, Porto Calvo, Murici, Messias,
Coruripe, Flexeiras, Barra de Santo Antônio,
São Miguel dos Campos, Barra de São Miguel,
Branquinha, Coqueiro Seco, Cajueiro,
Paripueira, Capela, Limoeiro de Anadia, São
Miguel dos Milagres e Garanhuns (PE).
Maragogi
Passo de Camaragibe, Matriz de Camaragibe
e Maragogi.
3
Delmiro
Gouveia
Olho D’água do Casado, Água Branca,
Pariconha, São José da Tapera, Palestina,
Piranhas e Delmiro Gouveia.
7
TOTAL
18
12
26
66
Fonte: Ufal (2024b).
168
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Conforme o Quadro 6, Maceió é a cidade-polo que
alcança o maior número de municípios (39%) e, em segundo lugar, registra-se Arapiraca (27%). No Quadro 7, é possível observar a distribuição das escolas que participam do
Sinpete, por rede de ensino, em cada uma das cinco cidades-polo de realização.
Quadro 7 - Número de escolas por cidade-polo e tipo de rede de
ensino
Cidades-polo do Sinpete
Nº de
escolas
Maceió
Arapiraca
Palmeira
dos
Índios
Municipal
19
9
15
2
1
46
Estadual
93
20
14
1
-
128
Federal
3
1
-
-
-
4
Particular
37
14
1
-
-
52
TOTAL
152
44
30
3
1
230
Rede
Delmiro
Gouveia
Maragogi
Fonte: Ufal (2024b).
Os dados acima constatam que a cidade-polo que
recebe o maior número de escolas é Maceió, com predominância da rede estadual, que soma 63% do total de escolas
recebidas na capital de Alagoas. Na sequência, Arapiraca
e Palmeira dos Índios também apresentam números relevantes da adesão das escolas. Em relação à participação
dos estudantes, o Sinpete recebeu o total de 10.493 estudantes da Educação Básica, sendo 58% (6.052) em Maceió;
21% (2.198) em Arapiraca; 12% (1.250) em Delmiro Gouveia;
169
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
9,4% (992) em Palmeira dos Índios; e 0,42% (45) em Maragogi (Ufal, 2024a).
O Sinpete 2023 apresenta, assim, um crescimento
exponencial em número de municípios atingidos, quando
comparado com a edição de 2022, conforme Figura 23.
Figura 23 - Crescimento exponencial do Sinpete (2022-2023), em
número de municípios, escolas e estudantes participantes
Fonte: Ufal (2024b).
Os gráficos acima (Figura 23) registram o comparativo entre as duas edições do Sinpete, evidenciando o impacto social do projeto no estado de Alagoas. O Sinpete evoluiu
de cinco municípios alcançados em 2022, para 66 em 2023
(aumento de 1.320%); de 12 escolas envolvidas em 2022,
para 230 em 2023 (aumento de 1.917%); e, finalmente, de 1
mil estudantes participantes em 2022, para mais de 10 mil
em 2023 (aumento de 1.000%). Tal crescimento está estrei-
170
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
tamente ligado à implementação de atividades descentralizadas que, por meio de replicação do evento em diferentes
polos no interior do Estado, possibilitam a participação de
escolas das mais diversas redes e municípios.
MACROAÇÕES DO SINPETE: FORMAÇÃO, DIVULGAÇÃO
E MENTORIA
Conforme mencionado, o Sinpete segue um fluxo de
trabalho que acontece durante o ano inteiro. Sua estrutura
em macroações permite a organização de grandes frentes
de trabalho que ocorrem em diferentes momentos do ano,
de forma sequencial e articulada. As macroações perpassam
pelo estímulo à imersão científica, à Educação Científica, à
Iniciação na Pesquisa Científica e Tecnológica, à Formação
para o Letramento Científico, cujas atividades desenvolvem-se antes, durante e depois da semana Sinpete.
No segundo trimestre do ano, o Sinpete inicia a formação em metodologia científica, que têm como propósito
mobilizar, engajar e preparar professores do Ensino Fundamental, Médio, Técnico e Ensino Superior para a elaboração de projetos de pesquisa científica, a fim de que essas
propostas sejam submetidas na chamada para o Concurso
de Ideias e Pesquisas Inovadoras. De igual modo, apresenta
e discute a relevância da Educação Científica na perspectiva do letramento científico como prática social, destacando
sua iniciação desde os primeiros anos escolares.
No início do último trimestre do ano, durante a SNCT,
o Sinpete realiza o evento de divulgação científica. Em Ma-
171
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
ceió, a Semana Sinpete 2023 contou com uma ampla estrutura composta por tendas, estandes, salas climatizadas e
expositores, que configuram 15 arenas temáticas, que são
espaços interativos onde acontecem as diversas atividades
de CT&I. A Figura 24 a seguir mostra a visualização da estrutura física do evento.
Figura 24 - Vista da estrutura principal das arenas temáticas do
Sinpete na cidade-polo Maceió
Fonte: https://evento.ufal.br/sinpete-2023/
observatorio-digital-de-informacao/midias/fotos.
A Semana Sinpete reúne estudantes, professores, especialistas, empreendedores, pesquisadores e população
em geral em torno de atividades e debates científicos e tecnológicos. Participam de mostras, exposições, experimentos, oficinas, minicursos, com participação em palestras,
manifestações culturais, concursos, sessões de comunicação oral e pôster, lançamentos de livros e muitas outras. No
172
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Quadro 8 está elencado o quantitativo de atividades realizadas em cada cidade-polo, submetidas via chamada pública
e conduzidas por professores e pesquisadores da Ufal e IES
parceiras, assim como professores da Educação Básica.
Quadro 8 - Demonstrativo de submissão de atividades
nas cidades-polo do Sinpete
Maceió
Arapiraca
Palmeira
dos
Índios
Delmiro
Gouveia
Maragogi
Total
geral
Oficinas
34
14
9
0
1
58
Minicursos
20
4
1
0
2
27
Palestras
16
4
0
1
2
23
Mesasredondas
7
3
0
0
3
13
Manifestações
culturais
2
3
0
0
0
5
Total
79
28
10
1
8
126
Fonte: Ufal (2024b).
Conforme dados acima, durante o evento, são promovidas 126 atividades de natureza formativa. A maioria delas
está concentrada em Maceió, seguido por Arapiraca, que
também apresenta um número expressivo. A atividade do
tipo oficina é a modalidade que mais recebe propostas, correspondendo a 46% do total de atividades realizadas.
Listamos abaixo as atividades realizadas nas arenas temáticas da cidade-polo Maceió no Campus A. C.
Simões da Ufal (Quadro 9).
173
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Quadro 9 - Recorte das Atividades expositivas e interativas
realizadas nas arenas temáticas em Maceió
ARENAS TEMÁTICAS
ATIVIDADES REALIZADAS
ARENA CIÊNCIAS
BIOLÓGICAS E DA
SAÚDE
Experimento “Ciências Biológicas e ser cientista: caminhos e lições”
- ICBS/Ufal
Exposição “Conexões parasitárias: O intrigante mundo dos seres que
conectam tudo” - ICBS/Ufal
Exposição “Divulgação Científica com o projeto Conservação com
inovação e arte: “Mar à vista!” - ICBS/Ufal
Exposição “Por dentro da gestação” - EENF/Ufal
Exposição “Sistema Locomotor - evolução e funcionamento durante
a gestação - EENF/Ufal
Exposição da diversidade dos Invertebrados - ICBS/Ufal
Exposição de Microbiologia para Iniciantes - ICBS/Ufal
Exposição de projetos desenvolvidos no Mestrado e Doutorado em
Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPGDIBICT) ICBS/Ufal
Exposição “Invertebrados marinhos promovendo a Cidadania Azul”
- ICBS/Ufal
Mostra “Rede Escola Azul” - ICBS/Ufal
Mostra da Coleção Didática de Cordados do ICBS: “Entre escamas,
pelos e penas, quem são os vertebrados?” - ICBS/Ufal
Tenda da Ciência - O papel da Ciência em nosso cotidiano - ICBS/
Ufal
ARENA QUÍMICA E
BIOTECNOLOGIA
Experimento “A Química dos materiais de limpeza” - IQB/Ufal
Experimento “Antioxidante” - IQB/Ufal
Experimento “Detecção de sangue a partir do reagente de KastleMeyer” - IQB/Ufal
Experimento “Laboratório de Saneamento Ambiental” - Mestrado
em Recursos Hídricos e Saneamento (PPGRHS) e Engenharia
Ambiental e Sanitária - Ctec/Ufal
Experimento “Química forense para alunos da Educação Básica”
Experimento “Revelação de impressões digitais com carvão mineral”
Experimento de baixo custo
Experimento de Fotoproteção
Experimento de Impressão de Pegadas
Experimento de Química aplicado à Ciências Forenses
Exposição “Sala Instagramável”
Exposição “Avaliação da qualidade da água: Parâmetros físicoquímicos e presença de chumbo”
Exposição de materiais didáticos desenvolvidos por estudantes do
curso de Química Licenciatura
Exposição dos kits de experimentação química da Usina Ciência
Experimento Impressões Digitais: A Ciência na Ponta dos Dedos
Mostra “Divindades da natureza: representações de orixás e suas
forças” - Escola Estadual Laura Dantas
Mostra do Cine-Química - Apresentação de projeto curricular de
extensão
Palestra “Como transpor os três pilares da universidade (Ensino,
Pesquisa e Extensão) para o ensino básico?
174
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
OUTRAS ARENAS
Clube do livro - Histórias da Computação - Arena Literária
E-book “Agora também sou mãe”
Experimentos com atividades extensionistas de Matemática - IM/
Ufal - Arena Matemática
Exposição “Matemática em Exposição: Exibição de atividades do
PIBID e do PRP” - Arena Matemática
Kits Experimentais de Física - Mestrado Nacional Profissional em
Ensino de Física (MNPEF) - IF/Ufal
Kits Experimentais de Física com Arduino - Arena Física
Mostra do Paespe - Ctec/Ufal
Mostra “Pesquisa com o PEC” - Engenharia Química - Laboratórios
do Ctec
Fonte: Ufal (2024b).
Os mais de 6 mil estudantes que visitaram as arenas
temáticas e interagiram sobretudo com as Ciências Básicas
comunicam a relevância dessas atividades de divulgação
científica no âmbito das escolas de Alagoas. Os quase 1.300
participantes das atividades formativas que requisitaram
pré-inscrição, revelam o nível de interesse, conforme descrito no Quadro 10, apresentado a seguir.
Quadro 10 - Resumo do número de participantes ouvintes das
atividades formativas na cidade-polo Maceió
Modalidade
Nº de Participantes
Oficinas
780
Minicursos
185
Palestras
274
Mesas-redondas
59
Total
1.298
Fonte: Ufal (2024b).
175
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
As oficinas concentram 60% das participações, e são
as atividades de maior interesse do público. O caráter experimental, interativo e atrativo destaca pontos decisivos que
conquistam os participantes.
O Quadro 11 mostra o número de trabalhos científicos apresentados nas modalidades de comunicação oral ou
pôster, submetidos por professores da Educação Básica e
estudantes de cursos de formação de professores (licenciaturas) da Ufal e IES parceiras.
Quadro 11 - Número de trabalhos científicos submetidos
no evento, por cidade-polo
Cidade-polo
Comunicações
orais
Pôsteres
Nº de trabalhos
Arapiraca
28
17
45
Delmiro Gouveia
7
0
7
Maceió
39
33
72
Maragogi
1
0
1
Palmeira dos
Índios
2
0
2
Total
77
50
127
Fonte: Ufal (2024b).
As cidades-polo Maceió e Arapiraca concentram
92% dos trabalhos e são as que mais recebem comunicações orais e pôsteres. Esses trabalhos foram classificados
em eixos temáticos, que evidenciam a inter-relação entre
Docência, Ciência, Tecnologias Assistivas, Tecnologias
Digitais, Sustentabilidade, Direitos Humanos e Educação
176
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Socioemocional. A proposta dos eixos busca fortalecer o
debate sobre a relação entre docência, Ciência e temas de
relevância social.
Na cidade-polo Arapiraca, as atividades do Sinpete
são sistematizadas em torno da subtemática “Caatinga Forte: Rumo à Resiliência Sustentável”, conforme cartaz de divulgação a seguir (Figura 25).
Figura 25 - Cartaz de divulgação da subtemática do Sinpete
Arapiraca
Fonte: Ufal (2024b).
O Campus da Ufal Arapiraca recebe 2.198 alunos
de escolas públicas e privadas que participam das mostras científicas, visitas aos espaços da Ufal, inclusive com
conexão no Planetário e Casa de Ciência de Arapiraca. O
177
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
maior número de estudantes visitantes é de escolas da
rede municipal e estadual, correspondendo a 58% e 29%,
respectivamente.
As mostras científicas estruturam-se em 19 estações
alocadas no prédio central do Campus Arapiraca da Ufal,
com ênfase em Química (10), Física (5), Ciências Biológicas (2), Matemática (1) e uma com foco em atividades do
Instituto do Meio Ambiente (1). No Complexo de Ciências
Médicas e de Enfermagem (CME) são estruturadas 18 estações, compostas pelas ligas acadêmicas de Enfermagem
(4), Mostra Anatômica (3), Espaço Microbiano (3), Mostra de
Química (3), Espaço IUPI (1), Mostra Matemática (1), Grupo
Katie (1) e Estação Unimed (1), além da Sala de Espera com
jogos (1). Além das mostras, realizam-se palestras, oficinas,
mesas-redondas, apresentação das ideias inovadoras, comunicações orais e pôsteres com temas diversos.
Na cidade-polo Palmeira dos Índios, as atividades
do Sinpete acontecem no Campus IV da Uneal, em colaboração com a Ufal - Unidade Educacional Palmeira dos
Índios. Este espaço, como em outros das IES, recebe alunos que nunca tinham entrado numa universidade, os quais
ficam vislumbrados com a beleza das Ciências. De forma
inédita no campus, é possível colocar 15 laboratórios para
funcionar concomitantemente, com atividades de Biologia,
Química, Física, Matemática e Geografia. As atividades estruturam-se nas seguintes Arenas Temáticas: Laboratório
de Química 1; Laboratório de Química 2; Laboratório de
Química 3; Show de Química; Estufa; Coleta Seletiva; Laboratório de Biologia; Sala dos Microscópios; Laboratório de
178
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Geografia; Laboratório de Metodologias Ativas; Laboratório
de Jogos Matemáticos; Oficina de Xadrez; Oficina do Planetário; Show de Física; e Google Earth. A Uneal colabora
com a viabilização do acesso às Ciências para estudantes
de escolas situadas no município de Palmeira dos Índios e
do entorno.
Em Delmiro Gouveia, o evento é realizado dentro da
programação da III Jornada Pedagógica do Curso de Pedagogia do Campus do Sertão da Ufal. Inicialmente, articula-se com as prefeituras de Delmiro Gouveia, Água Branca
e Pariconha para a divulgação e disseminação do evento
na região. Também são enviados alunos para divulgação
no município de Paulo Afonso, BA. De igual modo, faz-se
uma integração direta com os municípios de Inhapi (menor
IDHM do estado de Alagoas) e Olho d’Água do Casado, para
participação de professores e estudantes nas atividades
promovidas. Durante o evento, realizam-se apresentação de
trabalhos, feira interativa lúdica, palestras, oficinas, experimentos e mostra das ideias inovadoras inscritas no Sinpete.
Finalmente, na cidade-polo Maragogi, o Sinpete é
realizado no Campus Ifal, envolvendo palestras, oficinas,
mostras e exposições. Dentre as atividades realizadas, destacam-se: minicurso “Copex - Aulões para o Enem (Matemática e Ciências da Natureza)”, mesa-redonda “Fazendo
pesquisa geográfica na escola por meio do Pibic Jr”, exposição “Escambo Literário”, minicurso “Introdução à Pesquisa
Científica: formação de banco de dados”, oficina “Fabricação Digital”, exposição “Espaço 4.0”, oficina “Preparados
Alternativos para o Controle de Pragas Agrícolas”, oficina
179
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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“Construção de foguetes”, oficina “Experimentoteca de
Solos”, oficina “Robótica”, palestra “Fake News e Ciência”,
além da apresentação de comunicação oral e de proposta
de ideia inovadora.
Assim, através das diversas atividades de divulgação
científica, busca-se fomentar a reflexão, a troca de experiências e a socialização do conhecimento científico. A programação completa e detalhada das atividades realizadas
em cada uma das cidades-polo do Sinpete, assim como outras informações relevantes, pode ser acessada no site do
evento, disponível em: https://evento.ufal.br/sinpete-2023.
Publicação dos trabalhos científicos
Os trabalhos científicos apresentados na Semana
Sinpete, nas modalidades comunicação oral ou pôster, estão direcionados para avaliação e publicação na Revista
OPTIE - Observatório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na
Educação Básica, conforme página ilustrada (Figura 26). Os
trabalhos são avaliados por pareceristas Ad Hoc, e os recomendados estão publicados na OPTIE.
180
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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Figura 26 - Home page da Revista OPTIE
Fonte: https://www.seer.ufal.br/index.php/
observatpesqtecneinvnaeduc/index.
É importante destacar o papel do Programa Sinpete
não só no estímulo à produção do conhecimento científico
mas também no incentivo à valorização, publicização e reconhecimento desse saber, gestado na relação entre a universidade e a escola, por meio da publicação dos trabalhos
na Revista OPTIE. Assim, divulgam-se e se popularizam as
Ciências, mostradas em pesquisas especializadas produzidas na integração universidade-escola, evidenciando e valorizando os saberes escolares e populares, resultantes do
uso social da Ciência e da Tecnologia.
181
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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Mentoria especializada em letramento científico
Dentre o rol de atividades realizadas no âmbito do
Sinpete, destaca-se o Concurso de Ideias e Pesquisas Inovadoras, que contempla projetos das escolas com mentoria
especializada em letramento científico, visando à formalização textual para publicação das ideias ou pesquisas em
formato de e-book e impresso.
Na última edição, foram premiadas 38 ideias inovadoras, de estudantes e professores de escolas públicas e
particulares da Educação Básica e Superior, distribuídas
nas categorias Ensino Fundamental - Anos Iniciais, Ensino
Fundamental - Anos Finais, Ensino Médio (Pessoa com Deficiência - PcD), Ensino Médio (ampla concorrência), Ensino Médio Técnico, além da categoria Ensino Superior. Além
de troféus e medalhas, os grupos desses projetos, com uma
média de seis integrantes, incluindo o professor orientador,
são contemplados com uma premiação extra: Mentoria Especializada em Letramento Científico. O Quadro 12 traz o
número de pessoas envolvidas na mentoria científica.
182
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Quadro 12 - Dados numéricos da Mentoria Especializada em
Pesquisa Científica - Sinpete 2023
Etapa de
Ensino
Nº de
Municípios
Nº de
Projetos
Nº de
Escolas
Nº de
Professores
(mentorados)
Nº de
Estudantes
(Mentorados)
Nº de Pesquisadores
envolvidos
(Mentores)
Ensino
Fundamental
4
14
13
13
64
6
Ensino
Médio
5
18
7
13
75
8
Ensino
Superior
1
6
6
5
25
6
TOTAL
10
38
26
31
164
20
Fonte: Ufal (2024b).
A mentoria promovida pelo Sinpete é um mecanismo
de apoio e suporte voluntário de pesquisadores universitários aos processos e etapas que envolvem o desenvolvimento do conhecimento científico produzido no âmbito
escolar, tendo como produto final a publicação de um capítulo de livro. Conforme Quadro 7, A mentoria atendeu a
38 projetos, correspondendo a um grupo de mentorados
composto por 31 orientadores e 164 estudantes iniciantes
na pesquisa. Para atender os mentorados constitui-se um
grupo de 20 mentores científicos.
A mentoria foi realizada de forma individual e coletiva, por meio de encontros presenciais e on-line, tendo como foco a formação do professor orientador e dos
demais integrantes do projeto, visando ao letramento
científico, ao desenvolvimento da pesquisa e à respectiva
publicação científica.
183
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Ao fim da mentoria, além da certificação de 60 horas,
as equipes figuram com (co)autoria da 2ª coleção Ciência
na Escola para o Desenvolvimento Sustentável, prevista para
lançamento durante o Sinpete 2024. A mentoria compreende um período de quatro meses, com realização de atividades diversas, conforme Quadro 13.
Quadro 13 - Cronograma de execução da Mentoria do Sinpete
Data/Período
Atividade
11/12/23
Solicitação de Atualização do Lattes e de Ajustes do
Projeto científico
18/12/23
Encontro Inaugural da Mentoria (Sensibilização)
01 a 23/02/24
Mentoria Personalizada (Individual)
26 a 29/02/24
Jornada de Formação Científica (Planejamento,
Pesquisa e Produção
01 a 23/03/24
Mentoria Personalizada (Individual)
25 a 29/03/24
Jornada de Formação Científica (Produção e
Revisão)
01 a 20/04/24
Mentoria Personalizada (Individual)
22 a 26/04/24
Jornada de Formação Científica (Revisão Final)
30/04/24
Entrega do Manuscrito
01 a 31/05/24
1ª Revisão
01 a 30/06/24
2ª Revisão
22/10/24
Lançamento da coleção no Sinpete 2024
Fonte: Ufal (2024b).
A seguir, observam-se alguns registros das atividades
realizadas no âmbito da Mentoria do Sinpete (Figura 27), es-
184
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
pecificamente no Encontro Inaugural da Mentoria, em dezembro de 2023.
Figura 27 - Encontro Inaugural da Mentoria, A - time de Mentores,
B - time de Orientadores junto com Mentores, C - abertura com
fala da coordenadora-geral, Profa. Vera Pontes, D - foto de todos
os participantes da Mentoria, E - grupo de trabalho coordenado
por uma das mentoras, Profa. Luana Mendonça
Fonte: Ufal (2024a).
O encontro das equipes das escolas, institutos e faculdades que integram a mentoria do Sinpete 2023 recebe
130 participantes, entre estudantes, professores orientadores e pesquisadores mentores. Os participantes estão em
busca do conhecimento que os auxiliará na produção científica. A aula magna ministrada pelo Prof. Dr. Kinsey Pinto,
coordenador da Usina Ciência da Ufal, trouxe o debate em
torno da pauta “Pesquisa continuada: o conhecimento cien-
185
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
tífico para promoção do desenvolvimento sustentável”, que
contou com a participação ativa e maciça dos mentorados
e mentores, marcando o início de uma jornada de grande
aprendizado para todos.
OS IMPACTOS AMBIENTAIS, SOCIAIS E CIENTÍFICOS
Os projetos são convertidos em produções científicas em diversas áreas do conhecimento e, por conseguinte,
são publicados em periódicos, no caso das comunicações
orais ou pôsteres, e publicados em e-books ou livros impressos, no caso da 2ª edição da coleção do Sinpete. Isso
contribui para o avanço do estado da arte nas áreas de conhecimento envolvidas.
Por meio do Sinpete, a Ufal realiza uma grande ação
de Educação Científica, interligando escola e universidade.
O exercício de identificar problemas e apresentar soluções
contribui para mobilizar a comunidade na construção de
pautas voltadas à agenda de políticas públicas fortalecendo
esse processo político.
A inovação fica evidenciada nos diferentes projetos
apresentados, a exemplo da produção de piso cerâmico
com as cascas do sururu, tanto no aspecto do novo produto
(piso cerâmico diferenciado), como a inovação no processo
de fabricação de piso cerâmico. Outros exemplos são a produção de tijolos ecológicos de polímero PET[6]; o projeto que
versa sobre a elaboração de pilhas com materiais sustentáveis; o projeto sobre o uso de biopolímeros para retardar o
amadurecimento das frutas, impactando positivamente no
2
186
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
comércio, tanto nas feiras como na venda de mercados locais, dentre outros projetos/pesquisas. Ainda em termos de
inovação no âmbito das políticas públicas, observa-se, por
exemplo, o projeto voltado para a implementação de um
laboratório de inclusão, onde se usa a audiodescrição em
sala de aula e em atividades extraclasse, a fim de viabilizar o
aprendizado de alunos com deficiência visual. Desse modo,
podemos dizer que o Sinpete contribui para a inovação de
produtos, processos e políticas públicas.
A apresentação dos trabalhos evidencia ideias e produtos passíveis de registro ou patenteamento, e pode vir
a gerar frutos na indústria alagoana e, quiçá, regional ou
nacional. As vivências e as experiências viabilizadas pelo
Sinpete contribuem para a formação de recursos humanos
especializados no âmbito da CT&I na Educação Básica e no
serviço público (por envolver instituições de natureza pública) e com projeção de se estender à indústria, sobretudo
à indústria local.
Alguns dos projetos expostos apontam para o crescimento econômico local, no âmbito dos municípios a que
pertencem os estudantes e professores, no sentido de propiciar parcerias entre trabalhadores autônomos, comerciantes, dentre eles, empresas e microempreendedores
individuais, com vistas ao desenvolvimento de projetos
vinculados à economia, à distribuição de produtos e serviços gerenciados inclusive por meio de tecnologia digital ou
inteligência artificial, com a produção de aplicativos aptos
para uso em dispositivos móveis.
187
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Os processos de produção de conhecimento inserem
estudantes e professores das escolas, iniciantes na CT&I e
Empreendedorismo, no meio acadêmico, implicando a mudança de hábitos científicos, como atualizar e/ou criar seus
currículos Lattes e buscar referenciais teóricos para suas
pesquisas. Com a dimensão exponencial do Sinpete 2023,
projeta-se a próxima edição do programa.
A EXPECTATIVA PARA O SINPETE 2024
Os resultados apresentados anteriormente mostram a
importância da interação escola-universidade e que deste
momento de crescimento profícuo várias ideias, projetos e
pesquisas baseadas em CT&I e Empreendedorismo surgem
nas diversas comunidades escolares.
Observa-se que as escolas que visitam o Sinpete em
2023, nas cinco cidades-polo, trazem aspectos de infraestrutura do evento, de logística da escola, de visitação, de
pertencimento, de aprendizado, de troca de experiência,
entre outros aspectos destacados no Quadro 14, mostrando o olhar das escolas visitantes, ao apontarem os pontos
frágeis que observam. O aprendizado para a organização do
Sinpete após receber a avaliação das escolas mostra pontos
de melhoria, a serem trabalhados na próxima edição.
188
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Quadro 14 - Avaliação das escolas visitantes, por ordem
de relevância dos itens elencados
Fragilidades com Sugestões de Melhorias
Frequência
1. Garantia de transporte para o deslocamento dos alunos.
9
2. Otimização e antecipação da divulgação.
5
3. Melhoria no tamanho, localização e distribuição dos espaços
temáticos (estandes).
4
4. Exploração de mais ambientes da Ufal, intercalando atividades
com exposições e passeios guiados.
3
5. Maior tempo de duração do evento, com mais dias/horários de
visitação para as escolas de Educação Básica.
2
6. Possibilidade de escolha do ambiente (sala), horário e turno no
ato da inscrição, além de prazo mais amplo.
2
7. Alinhamento dos horários das atividades com o horário que os
alunos dependem de transporte.
2
8. Apoio aos professores e alunos que desejam submeter
trabalhos no evento.
1
9. Disponibilizar um canal mais efetivo (e rápido) de comunicação
com a organização do evento.
1
10. Mais atividades práticas, experimentos, shows de ciência e
mão na massa com estudantes visitantes.
1
11. Disponibilização de mais monitores.
1
12. Melhorar a ventilação do local do evento.
1
13. Melhoria da comunicação com a Seduc - AL para que facilite
todo processo.
1
14. Dar retorno à escola, mesmo se ela não for selecionada.
1
15. Ausência dos cursos de Ciências Humanas.
1
16. Utilização de mural para captar o que os estudantes mais
gostaram e sorteios de livros e materiais para alunos visitantes.
1
Fonte: Ufal (2024a).
189
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Ao aproveitar o momento de avaliação que as escolas
respondem no Sinpete 2023, verificam-se elogios, fortalecendo os pontos fortes, mas as fragilidades são apresentadas não só no formato de sugestões, como elencadas acima,
mas também nas opiniões emitidas no quesito “Fala, Escola!”. Destacam-se algumas falas, listadas abaixo, sobre as
potencialidades que motivam e promovem o aprimoramento do programa, do ponto de vista das escolas, incluindo os
estudantes, professores e gestores.
Fala, Escola!
O evento teve uma excelente organização em 2023.
Penso que visitar o SINPETE foi uma experiência incrível e que corroborou ainda mais para uma mudança de perspectiva de parte dos alunos presentes. Acho que foi tão bom
que qualquer pequeno problema que tenha existido não pode
(e não deve) ser levado em consideração. Ademais, será uma
satisfação enorme participar novamente neste ano de 2024.
O evento foi muito bom, só não foi melhor porque não
podíamos demorar mais, tínhamos horário de retornar. Como
não conseguimos inscrever os alunos em oficinas específicas,
acabamos vendo um pouco de tudo e foi bem proveitoso.
A descentralização do Sinpete em 2023 foi de fundamental importância para que as escolas do interior pudessem
participar do evento no Campus Arapiraca. Foi a primeira
190
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
vez que levei alunos e só recebi comentários positivos por
parte deles. Como só ficamos uma manhã, eles informaram
que queriam ter conhecido mais os espaços da universidade, então acho que esse seria um ponto a ser incorporado na
edição de 2024, intercalando as atividades com exposições e
passeios guiados.
O evento foi maravilhoso! Uma sugestão seria disponibilizar mais dias/horários de visitação para as escolas de
Educação Básica (Ufal, 2024a).
E qual é a expectativa para o Sinpete 2024? O Sinpete
segue firme em seu propósito de fomentar a cultura científica na escola. Há prospecção de maior investimento na
estrutura do evento no interior do Estado. Com o apoio da
Ufal e de parceiros comprometidos com a qualidade da
Educação em Alagoas, pretende-se configurar uma estrutura física composta por espaços temáticos de CT&I e Empreendedorismo em Maceió, Arapiraca, Delmiro Gouveia e
Santana do Ipanema.
O tema da Semana Sinpete 2024 será referenciado
no tema da 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia:
“Biomas do Brasil: Diversidade, Saberes e Tecnologias Sociais”, com data prevista para 16 a 22 de outubro de 2024.
O nosso principal público são estudantes e professores das escolas do Ensino Fundamental, Médio, Técnico
e Superior, incluindo bolsistas dos Programas PET, Paespe,
Pibic, Pibiti, Pibic Jr. Professor Mentor, Pibid, PRP, dentre outros iniciantes na pesquisa, tecnologia e atividade
191
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
docente. Nossa expectativa é que nessa próxima edição, o
Sinpete consiga alcançar o mínimo de 70 municípios, 300
escolas e 12 mil estudantes, com ações de divulgação e popularização da CT&I e Empreendedorismo.
Para tanto, a composição da programação geral será
feita mediante chamadas abertas ao público interno e externo, para cada modalidade de macroação, apresentada a
seguir:
a) Concurso de Ideias e Pesquisas Inovadoras - concurso constituído de várias etapas (projeto, vídeo, exposição e
voto popular) que seleciona as ideias e pesquisas inovadoras, de relevância social, sustentável, científica e tecnológica, que serão acompanhadas por pesquisadores da área,
visando à publicação científica.
b) Arenas Temáticas - espaços interativos estruturados
com mostras, exposições, demonstrações, experimentos,
minioficinas (mão na massa), shows científicos, jogos, palestras, minicursos, mesas-redondas, manifestações culturais, etc., advindas das unidades acadêmicas, campi fora
de sede, instituições parceiras, escolas e organizações da
sociedade civil, nas diferentes áreas do conhecimento, incluindo a Arena de Ideias e Pesquisas Inovadoras.
c) Visita Interativa - recepção de escolas para realização
de um passeio guiado pelos espaços temáticos do evento
e pelos diferentes ambientes da Universidade Federal de
Alagoas, visando à ampliação do conhecimento e à imersão científica.
192
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
d) Palco de Divulgação Científica - apresentação de trabalhos científicos e projetos de ação prática, como produções
técnicas e relatos de experiência que focalizem a interlocução com os ODS: site, mídia social, história em quadrinhos, reportagem, exposição, peça de teatro, festival, feira,
olimpíada, concurso, intervenção, etc., na modalidade de
comunicação oral ou pôster. Para essa atividade, o público
prioritário será de professores e futuros professores, pesquisadores e futuros pesquisadores, escolas e agentes das
organizações da sociedade civil.
e) Ciclo de Diálogos Interativos - palestras, mesas-redondas, minicursos e oficinas direcionados que fomentem o diálogo, as vivências significativas e o intercâmbio de temas
relevantes sobre Ciência e Tecnologia numa perspectiva
acadêmica e social de equitatividade e interseccionalidade.
Hoje, contamos com um quadro de 22 pesquisadores
envolvidos com as ações do Programa, vinculados às seguintes áreas de conhecimento: Biologia, Educação, Física,
Informática, Química, Letras, Matemática, Medicina, Ciências Agrárias, entre outras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao historicizar o Programa Pró-Sinpete, originário da
Pró-Reitoria de Graduação (Prograd/Ufal), observa-se sua
contribuição na difusão da Ciência, Tecnologia, Inovação
(CT&I) e do Empreendedorismo no estado de Alagoas, no
âmbito das escolas públicas e privadas, da capital e cidades do interior do estado, além das IES públicas. Ocorre seu
193
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
nascimento/gênese em 2022 e, a partir da divulgação, trabalho e avaliação dessa edição, surge a edição 2023, estruturada por ações descentralizadas em cinco cidades-polos, que
possibilitam um resultado bastante expressivo, um crescimento exponencial.
A promoção de ações sistemáticas de estímulo ao protagonismo, à criatividade, ao raciocínio científico e à inovação, voltadas para o desenvolvimento humano, social e
sustentável, contribui para fortalecer a interlocução entre
universidade e escola.
Pensar a implementação da Educação Científica na
perspectiva do letramento como prática social, desde os
primeiros anos escolares, é uma ação que implica reflexão
e superação de concepções e práticas transmissoras, reprodutoras e cartesianas de Ensino de Ciências que ainda são
predominantes nas escolas. O Sinpete corrobora para essa
progressiva ruptura.
E na divulgação de conhecimento, articulam-se iniciativas acadêmicas, escolares, científicas e sociais entre
todos os agentes, sejam estudantes, professores do Ensino
Fundamental, Ensino Médio, Ensino Médio Técnico e Ensino Superior ou mentores científicos. Todos estão engajados
para mostrar “o seu melhor” ao longo do ano de atuação do
programa, seja antes, durante ou após o evento, culminando para alguns grupos na publicação de capítulo de livro
pela Editora da Ufal (Edufal).
A interlocução entre universidade e escola possibilita
o estímulo e a promoção da Educação Científica, formando,
194
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
produzindo, divulgando e popularizando a Ciência para o
público não especializado, especialmente crianças e jovens.
Com a ampliação e interiorização do Sinpete, verifica-se
que estudantes e professores de municípios alagoanos com
baixo IDHM têm a oportunidade de acessar conhecimentos
de CT&I e Empreendedorismo de forma igualitária, participando ativamente do processo de letramento científico e se
transformando em possíveis multiplicadores.
O Sinpete envolve a participação de escolas de municípios de Alagoas. Os estudantes advindos de escolas
situadas em municípios com IDHM “baixo” expõem e relatam interativamente os produtos e as vivências de suas
pesquisas, num diálogo com os ODS. Essa articulação traz
significados à reflexão sobre as questões que os afetam e
sua incorporação no mundo em que vivemos, contribuindo
para a formação didático-científica de professores e estudantes da Educação Básica.
Os números vivenciados na última edição do Sinpete encontram-se fortemente alicerçados nos objetivos específicos. São 66 municípios alcançados, mais da metade
deles com baixo IDHM, 230 escolas envolvidas, mais de 10
mil estudantes participantes da Semana Sinpete, 127 trabalhos científicos apresentados, com publicação na Revista
OPTIE. Caracteriza-se o belíssimo e árduo trabalho dos organizadores, parceiros, apoiadores e, principalmente, dos
protagonistas de todo esse processo – estudantes e professores – que disseminam Educação Científica nos diversos
campos de conhecimento.
195
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
O entrelaçamento de diferentes temas, muitas vezes
esquecidos nas salas de aulas como conteúdos sem função
aparente no cotidiano dos agentes envolvidos, passam a ser
expressos em ideias inovadoras, assumindo assim um significado no dia a dia de estudantes e professores, para transformação educacional, cultural, social e talvez econômica
das comunidades.
E o impacto que o Sinpete mostra na comunidade
escolar e científica do estado de Alagoas reflete o estímulo ao fomento da pesquisa científica na escola. Trata-se de
um investimento que insere crianças e jovens na Iniciação
Científica, mas, sobretudo, instiga a criação de projetos
sustentáveis que podem cooperar para o fortalecimento de
políticas sociais. Isso é reflexo das macroações do Sinpete,
envolvendo a todo momento e principalmente antes, durante e após o evento na SNCT a formação científica, a divulgação científica e a mentoria especializada.
Existe o impacto educacional e social da publicação
de capítulo de livro pela Edufal, que mostra o interesse e o
aprendizado pela escrita científica e acadêmica, na aproximação universidade-escola, principalmente com a mentoria especializada em Letramento Científico. Lembramos
a contribuição inovadora de propostas com produtos, processos ou políticas públicas, divulgando ideias discutidas
por crianças ou jovens alagoanos, em busca de solução para
um problema ambiental, ou social que ocorre nas suas comunidades ou de âmbito global. Registramos também propostas para a formação de recursos humanos voltados para
a indústria, ou setor de serviços, ou setor público e quem
196
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
sabe para futuros educadores da Educação Básica ou do
Ensino Superior do estado. É a “prata da casa” se aperfeiçoando para trabalhar em prol da melhoria da sua qualidade
de vida e bem-estar, assim como da população alagoana,
brasileira e até mundial.
No Sinpete existe um trabalho individual, que aos
poucos vai se tornando de um grupo (desde a organização,
passando pela divulgação, acolhendo os projetos de grupos de estudantes e professores, alcançando a mentoria),
em formato colaborativo mostrando cooperação a cada
passo que se avança. Assim, promovem-se novas e futuras participações com estímulo, instigação e convite para
que a Educação Científica alcance mais e mais pessoas
envolvidas. A edição Sinpete 2023 apresenta crescimento exponencial, com os relatos de resultados destacados
neste capítulo, inspirando e exigindo incremento para a
próxima edição, em 2024.
Esperamos encontrá-lo nesta nova edição ou em alguma outra do Sinpete.
REFERÊNCIAS
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Secretaria de Popularização da Ciência. Popularização da
Ciência. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mcti/pt-br/
acompanhe-o-mcti/popciencia. Acesso em: 24 jun. 2024.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.
Alagoas. 2021. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/
brasil/al/panorama. Acesso em: 11 jan. 2024.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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KRASILCHIK, M. O professor e o currículo das ciências.
São Paulo: EDUSP, 1987.
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argumentation in the pedagogy of school science.
International Journal of Science Education, v. 21, n. 5, p.
553576, 1999.
NORRIS, S. P.; PHILLIPS, L. M. How literacy in its
fundamental sense is central to scientific literacy. Science
Education, v. 87, n. 2, p. 224-240, 2003.
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Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br. Acesso em: 19 jun. 2024.
SANTOS, V. L. P. et al. Sinpete Ufal: Universidade e Escola
de mãos dadas pela Ciência. In.: SANTOS, Vera Lucia Pontes
dos et al. Coletânea do Sinpete: parte final. 2023. Disponível
em: https://evento.ufal.br/sinpete-2023/observatoriodigital-de-informacao/e-books-ciencia-na-escola-para-odesenvolvimento-sustentavel/caderno-10_parte-final_ebook.
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SANTOS, W. L. P. dos. Educação científica na perspectiva
de letramento como prática social: funções, princípios e
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SANTOS, W. L. P. dos; SCHNETZLER, R. P. Educação em
química: compromisso com a cidadania. Ijuí: Editora da
UNIJUÍ, 1997.
SHAMOS, M. H. The myth of scientific literacy. Rutgers:
University Press, 1995.
198
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Pró-reitoria de
Graduação. Coordenação de Desenvolvimento Pedagógico.
Projeto da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia
e Inovação na Educação Básica (Sinpete): edição 2023.
Maceió: Sinpete, 2024a.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Pró-reitoria de
Graduação. Coordenação de Desenvolvimento Pedagógico.
Relatório da Semana Institucional de Pesquisa,
Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete):
edição 2023. Maceió: Sinpete, 2024b.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Pró-reitoria de
Graduação. Coordenação de Desenvolvimento Pedagógico.
Relatório da Semana Institucional de Pesquisa,
Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete):
edição 2022. Maceió: Sinpete, 2023.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECONCAVO DA BAHIA.
Universidades públicas respondem por mais de 95% da
produção científica do Brasil. 2019. Disponível em: https://
ufrb.edu.br/portal/noticias/5465-universidades-publicasrespondem-por-mais-de-95-da-producao-cientifica-dobrasil. Acesso em: 29 jun. 2024.
199
SOBRE OS/AS AUTORES/AS
Aline Gonçalves Felix é licencianda em Química na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tem experiência na
área de Química. É integrante do projeto “Descobrindo o
Mundo: Aprendendo Ciências através da Investigação” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Andrea Marques Vanderlei Fregadolli é nutricionista, acupunturista, farmacêutica, educadora física, analista e desenvolvedora de sistemas, perita grafotécnica, cibernética,
judicial, extrajudicial e em investigação forense e criminal.
Graduada em Nutrição, Farmácia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Educação Física e Educação Especial
e graduanda em Biblioteconomia e Pedagogia. É mestra em
Modelagem Computacional de Conhecimento e doutora em
Ciências pela Ufal. É professora associada, nível 1, na Faculdade de Medicina (Famed) da Universidade Federal de
Alagoas (Ufal), coordenando o Programa de Pós-Graduação
em Ensino na Saúde da Famed/Ufal. Orientadora do projeto
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
“Desenvolvimento de Aplicativo M-Education-Health para
Registros Acadêmicos e de Saúde de Pessoas com Deficiência de Aprendizagem” desenvolvido no âmbito do Sinpete.
Arlindo Gabriel Mamede Cossolosso é acadêmico de Medicina na Faculdade de Medicina (Famed) da Universidade
Federal de Alagoas (Ufal), diretor administrativo da Liga
Acadêmica de Endocrinologia e Metabologia (Laem) da Ufal
(2022-2023), membro da Liga Acadêmica de Neurologia Clínica e Neuroimagem (Lanni) do Cesmac (2022-2023), autor
principal do relato de caso da EndoRecife 2023 Feocromocitoma apresentando-se como uma volumosa massa adrenal
direita com histopatológico indicando neoplasia adrenocortical: importância dos testes funcionais, aluno bolsista
cota Ufal do Pibic/Ufal (2022-2023), conduzindo a pesquisa Vodcasts Educacionais sobre Verdades e Fake News de
Temáticas Polêmicas do Aleitamento Materno Veiculadas
durante a Pandemia, aluno bolsista cota CNPq do Pibic/
Ufal (2023-2024), contribuindo com a pesquisa Aplicativo
m-Education-Health para registros acadêmicos e de saúde
de portadores de deficiências de aprendizagem. Integra o
projeto “Desenvolvimento de Aplicativo M-Education-Health para Registros Acadêmicos e de Saúde de Pessoas com
Deficiência de Aprendizagem” desenvolvido no âmbito da
mentoria da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia
e Inovação na Educação Básica (Sinpete).
César Cavalcante Ferreira é graduando em Química licenciatura na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Atualmente, é professor do Colégio Elenita Lucena, com experiência
201
CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
na área de Química. É integrante do projeto “Descobrindo o
Mundo: Aprendendo Ciências através da Investigação” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Clodoaldo Lopes Silva é graduado em Psicologia e Turismo
pelo Centro Universitário Cesmac e graduando em Análise
e Desenvolvimento de Sistemas na Uninassau. É professor
voluntário da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na
Faculdade de Medicina (Famed). Integra o projeto “Desenvolvimento de Aplicativo M-Education-Health para Registros Acadêmicos e de Saúde de Pessoas com Deficiência de
Aprendizagem” desenvolvido no âmbito da mentoria da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na
Educação Básica (Sinpete).
Davi Andrade Pereira é graduando em licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Participante da Semana Interinstitucional de Pesquisa,
Tecnologia e Inovação na Educação Básica 2023 (Sinpete) e
bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à
Docência (Pibid) (2023-2024).
Débora Cristina Massetto é graduada em Pedagogia pela
Universidade de São Paulo (USP), doutora e mestra em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na
linha Formação de Professores e Outros Agentes Educacionais, Novas Tecnologias e Ambientes de Aprendizagem. É
professora na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no
Centro de Educação (Cedu/Ufal). Tem experiência em cursos de Formação Continuada de Professores (via Extensão
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VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Universitária da FFCLRP/USP e Pró-Reitoria de Extensão/
UFSCar). Desenvolve pesquisas sobre Didática e Tecnologias da Informação e Comunicação. Orienta bolsistas
de iniciação científica e de cursos de extensão. É mentora
científica do Sinpete/Ufal e, no âmbito deste, mentora do
projeto “Desenvolvimento de Aplicativo M-Education-Health para Registros Acadêmicos e de Saúde de Pessoas com
Deficiência de Aprendizagem”.
Dhara Beatriz de Amorim Pryston é graduada em Química licenciatura pela Universidade Federal de Alagoas
(Ufal) e mestra em Ciências com concentração em Química
Inorgânica pelo Programa de Pós-Graduação em Química
e Biotecnologia da Ufal (PPGQB/Ufal). Atualmente, é bolsista CNPq em nível de doutorado pelo PPGQB/Ufal, desenvolvendo pesquisa no Grupo de Catálise e Reatividade
Química (GCaR), na síntese de catalisadores heterogêneos
para conversão de biomassa. É coorientadora dos projetos
“Descobrindo o Mundo: Aprendendo Ciências através da
Investigação” e “EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades - Sabão Sustentável com Óleos
Residuais e pasta de polimento com Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvidos com auxílio da mentoria do Sinpete.
Eduardo Henrik Evangelista Pires dos Santos é graduando em licenciatura em Educação Física no Instituto de
Educação Física e Esportes (Iefe) da Universidade Federal
de Alagoas (Ufal). Participante da Semana Institucional de
Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica 2023
(Sinpete), bolsista do Programa Institucional de Bolsas de
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Iniciação à Docência (Pibid) e integrante do projeto de extensão de Psicomotricidade na Ufal. Integra o projeto “Saúde no Pulso” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Emanuel Augusto dos Santos é graduando em licenciatura
em Educação Física no Instituto de Educação Física e Esportes (Iefe) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Participante da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia
e Inovação na Educação Básica 2023 (Sinpete), bolsista do
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência
(Pibid) e integrante do projeto de extensão de Psicomotricidade na Ufal. Integra o projeto “Saúde no Pulso” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Evellyn Patricia Santos da Silva é bacharela em Química
Tecnológica e Industrial, licenciada em Química e mestra
em Ciências – Química Inorgânica pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). É técnica em Química pelo Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Atualmente, é doutoranda e
bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Alagoas (Fapeal) no Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia (PPGQB) do Instituto de Química e
Biotecnologia (IQB) da Ufal, desenvolvendo pesquisa em
Catálise Molecular e de Superfície no Grupo de Catálise e
Reatividade Química (GCaR). Autora do caderno 2 “A Química Sustentável em sala de aula” da 1ª edição da coleção
do Sinpete Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável. É integrante dos projetos “Descobrindo o Mundo:
Aprendendo Ciências através da Investigação” e “EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades
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- Sabão Sustentável com Óleos Residuais e pasta de polimento com Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvidos no
âmbito do Sinpete/Ufal.
Felipe Neves é licenciando em Letras – Português pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Artista da palavra, audiodescritor, consultor, consultor de acessibilidade digital,
criador da Pra Ver Ouvir, formador em AD e pesquisador no
campo da tradução visual. É integrante do projeto “LabPARAtodos: Laboratório Digital e Inclusivo de Microscopia
para Ensino de Parasitologia” desenvolvido no âmbito do
Sinpete/Ufal.
Francine Santos de Paula é graduada em Química licenciatura, mestra em Química e Biotecnologia e doutora em
Química e Biotecnologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). De 2001 a 2008, foi professora da rede estadual de ensino, lecionando Química no Ensino Médio. Desde
2008, é docente do Instituto de Química e Biotecnologia
(IQB/Ufal), atuando no curso de licenciatura em Química,
principalmente nos estágios supervisionados e na área de
ensino de Química com metodologias de ensino e formação de professores. Coordenou o curso de licenciatura em
Química (2009-2011), foi vice-diretora (2012-2014) e diretora (2014-2022) do IQB/Ufal. Autora do caderno 2 “A Química Sustentável em sala de aula” da 1ª edição da coleção
do Sinpete Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável. É mentora científica do Sinpete/Ufal e, no âmbito
deste, mentora do projeto “Saúde no Pulso”.
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Geisa Ferreira dos Santos é pedagoga, especialista em
Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica, mestra e doutora em Educação. Participa do grupo de pesquisa sobre
Estado, Políticas Sociais e Educação (Gepe). É Técnica em
Assuntos Educacionais da Universidade Federal de Alagoas
(Ufal). É mentora científica do Sinpete/Ufal.
Hevelyn Oliveira da Silva é licenciada em Educação Física pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e em Ciências do Desporto e Educação Física pela Universidade de
Coimbra. É bacharela em Educação Física pelo Instituto de
Educação Física e Esporte (Iefe) da Ufal e mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da
Universidade Federal de Alagoas (PPGE/Ufal), com foco na
linha de pesquisa em Educação e Inclusão de Pessoas com
Deficiência ou Sofrimento Psíquico. É integrante do projeto
“LabPARAtodos: Laboratório Digital e Inclusivo de Microscopia para Ensino de Parasitologia” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Hilda Helena Sovierzoski é licenciada em Ciências Biológicas, mestra em Zoologia e doutora em Ciências – Zoologia. Professora do Instituto de Ciências Biológicas e da
Saúde da Universidade Federal de Alagoas (ICBS/Ufal). Participa do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Ufal e do Programa Rede Nordeste de
Ensino – Polo Ufal, Maceió, Alagoas. É mentora científica do
Sinpete/Ufal.
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Ienmily Araújo é licencianda em Letras – Português pela
Universidade Federal de Alagoas (Ufal), audiodescritora,
idealizadora da Pra Ver Ouvir e pesquisadora no campo
da acessibilidade comunicacional. É integrante do projeto
“LabPARAtodos: Laboratório Digital e Inclusivo de Microscopia para Ensino de Parasitologia” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Igor Matheus de A. Silva é licenciado em Química pela
Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e mestre em Ciências, com concentração em Química Inorgânica, pelo Programa de Pós-Graduação em Química e Biotecnologia da
Ufal (PPGQB/Ufal). Atualmente, é bolsista da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) em nível
de doutorado pelo PPGQB/Ufal, desenvolvendo pesquisa
no Grupo de Catálise e Reatividade Química (GCaR). Possui
experiência em espectroscopia, cromatografia líquida de
alta eficiência e análise de adsorção e dessorção de nitrogênio, com foco em síntese e caracterização de semicondutores heteroestruturados e fotodegradação de poluentes
orgânicos. É integrante do projeto “Descobrindo o Mundo:
Aprendendo Ciências através da Investigação” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Isabelle Souza Soares é técnica em Agroindústria pelo
Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e licencianda em Química pelo Instituto de Química e Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas (IQB/Ufal). Atuou como monitora
no Congresso SBQ na Escola, no projeto “De Olho no Óleo:
Movimento Feminino em prol da Sustentabilidade, no
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
programa Futuras Cientistas, na 15ª Semana da Química,
na oficina Reação de saponificação e fabricação de sabão
artesanal ecológico e, como instrutora, na 16ª Semana de
Química, na oficina Transformando resíduos em riqueza:
fabricação de sabão eco-friendly. É integrante do projeto
“EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades - Sabão Sustentável com Óleos Residuais e pasta de
polimento com Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvidos
no âmbito do Sinpete/Ufal.
Isadora R. Alves da S. Santos é licencianda em Química
na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e integra o grupo
Ensino, Pesquisa e Extensão em Química (QuiCiência), inserido no Instituto de Química e Biotecnologia (IQB). Técnica
em Química pelo Instituto Federal de Alagoas (Ifal), atuou
como aluna voluntária de Iniciação Científica no Laboratório de Sistemas de Separação e Otimização de Processos
(Lassop), no Centro de Tecnologia (Ctec/Ufal). Atualmente,
trabalha com o ensino de Química para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). É integrante do projeto
“Descobrindo o Mundo: Aprendendo Ciências através da
Investigação” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Joyce Monte Freire de Lima é graduanda em licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Participante da Semana Interinstitucional de
Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica 2023
(Sinpete) e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência (Pibid) (2023-2024).
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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Juan Pablo Veron de Oliveira é graduando em licenciatura
em Educação Física no Instituto de Educação Física e Esportes (Iefe) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Participante da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia
e Inovação na Educação Básica 2023 (Sinpete), bolsista do
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência
(Pibid) e integrante do projeto de extensão de Psicomotricidade na Ufal. Integra o projeto “Saúde no Pulso” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Keyla Milena Alves da Silva é licencianda em Química
pelo Instituto de Química e Biotecnologia da Universidade
Federal de Alagoas (IQB/Ufal). Atualmente, integra o grupo
de pesquisa em Ensino e Extensão em Química (QuiCiência) do IQB/Ufal, desenvolvendo pesquisa sobre Aprendizagem Baseada em Projetos e o Estudo de Plantas Medicinais.
Foi monitora no Programa Futuras Cientistas e instrutora na
oficina Transformando resíduos em riqueza: fabricação de
sabão eco-friendly, na 16ª Semana de Química (IQB/Ufal).
É autora do caderno 2 “A Química Sustentável em sala de
aula” da 1ª edição da coleção do Sinpete Ciência na Escola
para o Desenvolvimento Sustentável. É integrante do projeto
“EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades - Sabão Sustentável com Óleos Residuais e pasta de
polimento com Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvidos
no Âmbito do Sinpete/Ufal.
Laise Damasceno Lucas é graduada em Análise de Sistemas, especialista em Informática Educacional e mestra em
Informática pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
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VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Atualmente atua como Superintendente de Desenvolvimento Científico na Secretaria de Estado da Ciência, da
Tecnologia e da Inovação de Alagoas (Secti - AL). É mentora científica do projeto “Turismo conectado: mapeamento
do turismo de Murici para implementação de aplicativo de
atualização colaborativa com Google Maps” desenvolvido
no âmbito do Sinpete/Ufal.
Luana Marina de Castro Mendonça é licenciada em Ciências Biológicas, mestra em Ecologia e Conservação pela
Universidade Federal de Sergipe (UFS) e doutora em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). É professora adjunta no Instituto de Ciências Biológicas e da
Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). É
coordenadora-geral adjunta do Sinpete e, no âmbito deste,
é mentora do projeto “LabPARAtodos: Laboratório Digital e
Inclusivo de Microscopia para Ensino de Parasitologia”.
Lucas Felipe Ramos Barbosa é graduando em licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Participante da Semana Interinstitucional de
Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica 2023
(Sinpete) e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência (Pibid) (2023-2024).
Maria Eduarda Laranjeira Costa da Fonseca é acadêmica
de Medicina na Faculdade de Medicina (Famed) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). É membro da Liga Acadêmica de Clínica Médica da Ufal (LCM) e foi membro da Liga
Acadêmica de Estudo do Trauma e Emergência da Uncisal
(Laete). Integra o projeto “Desenvolvimento de Aplicativo
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
M-Education-Health para Registros Acadêmicos e de Saúde
de Pessoas com Deficiência de Aprendizagem” desenvolvido no âmbito da mentoria da Semana Institucional de Pesquisa, tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete).
Maria Elizabete de Andrade Silva é graduada em Educação Física – licenciatura plena pela Universidade Federal
de Alagoas (Ufal), mestra em Educação Brasileira e doutora em Ciência do Desporto, ramo Atividade Física e Saúde
pela Universidade de Coimbra – Portugal. Tem experiência
na área de Educação Física e Esporte, atuando principalmente em Formação Docente, Educação Física Escolar, Iniciação Esportiva e Aptidão Física de Escolares. É membro
do grupo do Laboratório Aplicado em Estudos de Educação
Física, Esporte e Lazer (LaEL). É professora adjunta IV do
Instituto de Educação Física e Esportes (Iefe) da Ufal. De
1988 a 1994, foi professora de Educação Física Escolar no
Ensino Básico, lecionando aprendizagem da natação nos
anos iniciais até o Ensino Médio. No período de 1988 a 1995,
coordenou o curso de Educação Física – licenciatura plena do departamento de Educação Física da Ufal; de 2017
a 2019, foi coordenadora do curso de Educação Física – licenciatura do Iefe/Ufal. Atua principalmente nas disciplinas de Metodologia do Ensino da Natação I/II e em Estágio
Supervisionado IV. É orientadora do projeto “Saúde no Pulso” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Maria Ester de Sá Barreto Barros é bacharela, mestra e
doutora em Química. Professora do Instituto de Química
e Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas (IQB/
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Ufal), coordena o Mestrado Profissional em Química em
Rede. Integra o grupo de pesquisa QuiCiência, desenvolvendo trabalhos na área de ensino de Química com ênfase
na elaboração de materiais didáticos digitais. É coordenadora do Sinpete/Ufal - polo Maceió e, no âmbito deste, é
mentora científica dos projetos “Descobrindo o Mundo:
Aprendendo Ciências através da Investigação” e “EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades
- Sabão Sustentável com Óleos Residuais e pasta de polimento com Casca de Ovo nas Escolas”.
Matheus Oliveira de Novaes é licenciando em Química
pelo Instituto de Química e Biotecnologia (IQB/Ufal). Tem
experiência na integração inovadora entre o Ensino de Química e a Cultura Pop, visando tornar o aprendizado mais
acessível e envolvente. É integrante do projeto “EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades - Sabão Sustentável com Óleos Residuais e pasta de polimento
com Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvidos no âmbito
do Sinpete.
Monike Bayma Marques é bacharela e licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal)
e especialista em Docência para o Ensino Superior (Centro
Universitário Cesmac). Foi supervisora do subprojeto Pibid
de Sociologia (2023-2024) na Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti Silva. Atualmente, é doutoranda no Programa
de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE). É pesquisadora no subcampo de
Ensino de Sociologia na Educação Básica.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Müller Ribeiro Andrade é médico veterinário, mestre em
Ciências Animais nos Trópicos e doutor em Biociência Animal. Professor do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
da Universidade Federal de Alagoas (ICBS/Ufal) e vice-coordenador do curso de licenciatura em Ciências Biológicas.
Atua no Mestrado Profissional em Ensino de Biologia em
Rede Nacional, no Programa de Pós-Graduação em Ciência
Animal e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Saúde. Coordena o grupo de pesquisa Parasitologia e Saúde Única (ParasitOH). É mentor científico do Sinpete/Ufal
e, no âmbito deste, é orientador do projeto “LabPARAtodos:
Laboratório Digital e Inclusivo de Microscopia para Ensino
de Parasitologia”.
Nathalia Roberta Marques Gonçalves é graduanda em licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal de
Alagoas (Ufal). Participante da Semana Interinstitucional de
Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica 2023
(Sinpete) e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência (Pibid) (2023-2024).
Pedro Henrique Albuquerque de Oliveira Santos é acadêmico de Medicina na Faculdade de Medicina (Famed) da
Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e membro da Liga
Acadêmica de Urgência e Emergência Clínica (Lauec) da
Ufal (2022-2024). Foi diretor de pesquisa da IFMSA Brazil
Ufal (2020-2021). Atualmente, é aluno bolsista cota CNPq
do Pibic/Ufal (2023-2024), contribuindo com a pesquisa
Aplicativo m-Education-Health para registros acadêmicos
e de saúde de portadores de deficiências de aprendizagem.
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Integra o projeto “Desenvolvimento de Aplicativo M-Education-Health para Registros Acadêmicos e de Saúde de
Pessoas com Deficiência de Aprendizagem” desenvolvido
no âmbito da mentoria da Semana Institucional de Pesquisa, tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete).
Rayane Janine Lessa Santos é graduanda em licenciatura em Educação Física no Instituto de Educação Física e
Esportes (Iefe) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Participante da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete), em 2023, e
bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à
Docência (Pibid). Integra o projeto “Saúde no Pulso” desenvolvido no âmbito do Sinpete/Ufal.
Ronald Gabriel dos Santos Freitas é graduando em licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Participante da Semana Interinstitucional de
Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica 2023
(Sinpete) e bolsista do Programa Institucional de Iniciação
à Docência (Pibid) (2023-2024).
Sofia Evangelista Arruda de Oliveira é acadêmica de Medicina na Faculdade de Medicina (Famed) da Universidade
Federal de Alagoas (Ufal) e membro da Liga Acadêmica de
Atendimento ao Politraumatizado (Laap) do Cesmac (20222024). Atuou como coordenadora-geral do Centro Acadêmico Sebastião da Hora e como membro titular do Núcleo
Docente Estruturante (NDE) (2022-2023). Foi National Officer on Medical Education pela International Federation of
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
Medical Students Association (IFMSA) (2022-2023). Integra
o projeto “Desenvolvimento de Aplicativo M-Education-Health para Registros Acadêmicos e de Saúde de Pessoas
com Deficiência de Aprendizagem” desenvolvido no âmbito da mentoria da Semana Institucional de Pesquisa, tecnologia e Inovação na Educação Básica (Sinpete).
Thatiane Veríssimo dos S. Martins é licenciada em Química e doutora em Química com ênfase em Catálise Heterogênea pelo Programa de Pós-Graduação em Química e
Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas (PPGQB/
Ufal). Atualmente, é professora e pesquisadora (DTI-A) na
Ufal, com experiência em complexos organometálicos, catalisadores heterogêneos e sua aplicação em processos de
biorrefinaria. Em 2019, foi contemplada com o Prêmio Nacional Arrehenius. Autora do caderno 2 “A Química Sustentável em sala de aula” da 1ª edição da coleção do Sinpete
Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável. É
orientadora dos projetos “Descobrindo o Mundo: Aprendendo Ciências através da Investigação” e “EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades - Sabão
Sustentável com Óleos Residuais e pasta de polimento com
Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvidos com auxílio da
mentoria do Sinpete.
Vera Lucia Pontes dos Santos é licenciada em Pedagogia,
especialista em Gestão e Planejamento Educacional e em
Tecnologias em Educação, mestra e doutora em Educação.
Pedagoga da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade
Federal de Alagoas (Ufal), atua na coordenação adjunta
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CIÊNCIA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
VOLUME 3 | ENSINO SUPERIOR
do Programa de Formação Continuada em Docência do
Ensino Superior (Proford) e como técnica pedagógica da
Secretaria Municipal de Educação de Maceió. É líder do
Grupo de Pesquisa Interinstitucional Formação de Professores da Educação Básica e Superior e editora-chefe
da Revista Observatório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica (Optie). É coordenadora-geral do
Sinpete/Ufal e, no âmbito deste, é mentora científica de
projetos, além de autora e organizadora da 1ª edição da
coleção Ciência na Escola para o Desenvolvimento Sustentável, composta por 10 fascículos.
Wander dos Santos Sá é licenciando em Química pelo
Instituto de Química e Biotecnologia (IQB/Ufal). Atua no
laboratório do Grupo de Catálise e Reatividade Química
(GCaR), na iniciação científica (IC), pesquisando catalisadores à base de carvão com metais. É integrante do projeto
“EcoEmpreendedor: Transformando Resíduos em Oportunidades - Sabão Sustentável com Óleos Residuais e pasta de
polimento com Casca de Ovo nas Escolas” desenvolvido no
âmbito do Sinpete.
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A Edufal não se responsabiliza por possíveis erros relacionados às revisões ortográficas e de normalização (ABNT).
Elas são de inteira responsabilidade dos/as autores/as.
O
ingresso na universidade sempre vem atrelado a muitos sonhos e
dúvidas. Como serão os anos de formação? Como sairei? Que tipo de
prossional me tornarei? São tantos caminhos possíveis para cada
prossão! Uma coisa podemos armar: vivenciar as possibilidades que a
universidade proporciona para o desenvolvimento de pesquisas e extensão é
um caminho que fará você participar ativamente da formação do seu “eu”
prossional. Neste terceiro volume da coleção Ciência na Escola para o
Desenvolvimento Sustentável, contempla-se projetos de estudantes e docentes
do Ensino Superior que foram premiados no Concurso de Ideias Inovadoras da
2ª edição da Semana Institucional de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na
Educação Básica (Sinpete). Como projetos de estudantes e docentes universitários podem compor uma coleção de Ciência na Escola? E a resposta é: há
uma estreita relação entre escola e a universidade. Anal, não é na escola que
estão os futuros universitários? Ao longo dos capítulos deste volume, registrase o desenvolvimento de trabalhos nas áreas de Química, Ciências Biológicas,
Medicina, Educação Física e Ciências Sociais nas escolas. Em cada capítulo,
identica-se Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda
2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que são um apelo global à
ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir
que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Assim, descobre-se a Ciência de diversas formas: investigativa, empreendedora, inclusiva, ativa e social.
Cor realização
9 786 556 24 280 4
