Redes sociais como ferramenta educacional
Discente: Taciane dos Santos Moreira; Orientadora: Luciana da Conceição Farias Santana.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS – ICS
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - LICENCIATURA
Taciane dos Santos Moreira
REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL
MACEIÓ – AL
2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS – ICS
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - LICENCIATURA
Taciane dos Santos Moreira
REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL
Trabalho de Conclusão de Curso
como pré-requisito para a Conclusão
do Curso de Ciências Sociais
Licenciatura– UFAL, sob orientação
da Profª Dra. Luciana Santana.
Maceió – AL
2014
Taciane dos Santos Moreira
REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL
Monografia aprovada em ____/____/_______ pela Banca Examinadora da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Curso de Ciências SociaisLicenciatura.
_______________________________________________
Prof. Dra. Luciana Santana ( Orientadora)
_____________________________________________
Prof. Dr. Júlio Cézar Gaudêncio Silva - 1º Examinador
____________________________________________
Prof. Dra. Marina Melo - 2º Examinador
MACEIÓ/AL
2014
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho primeiramente а Deus, por ser
essencial em minha vida, autor de meu destino, meu guia,
socorro presente na hora da angústia, ао meu pai Wilson
que não está mais entre nós, mas que tenho certeza que
sempre esteve ao meu lado me protegendo, a minha mãe
Maria José, que com seu cuidado е dedicação me deu а
esperança pаrа seguir е às minhas irmãs Wilma e Thaíse
e o meu querido sobrinho Weslley que sempre estiveram
me acompanhando com palavras de incentivo e força não
medindo esforços para que eu chegasse até esta etapa
da minha vida. Enfim pelo amor dedicado, que foi
fundamental nessa caminhada.
AGRADECIMENTOS
Inicio meus agradecimentos com imensa felicidade e nele registro o
mínimo do que sinto neste momento. Meu muito obrigada é feito pensando
naqueles que se fizeram tão importantes e necessários em minha vida (uma
caminhada que não foi fácil) , passei por muitos obstáculos, muitas vezes quis
desistir, duvidei que seria capaz e que conseguiria, contudo contei com o
apoio de pessoas que de alguma forma fizeram essa jornada ao meu lado e
que nos momentos de incertezas, me mostraram que a maior certeza é
acreditar em si mesmo. A minha amada mãe Maria José Moreira, pelo amor
incondicional e pela paciência. Por ter feito o possível e o impossível para me
oferecerem a oportunidade de estudar, por ter acreditado e respeitado minhas
decisões e nunca deixando que as dificuldades acabassem com os meus
sonhos, serei imensamente grata. Ao meu amado pai que, apesar de falecido
sempre será uma referência em minha vida, as minhas irmãs que me
aguentaram nos momentos de estresse e lamúria, as minhas tias Nena, Graça
e tio José Carlos, pelo incentivo e terem acreditado em mim.
Agradeço e ofereço este trabalho a todos aqueles que de alguma forma
estiveram comigo nos momentos de incerteza, em especial as minhas
companheiras de graduação tão queridas Milena e Simone, que sempre
estiveram presentes ao longo do percurso da graduação. Аоs amigos е
colegas, pelo incentivo е apoio constante, pelas alegrias, tristezas е dores
compartilhas com vocês, às pausas entre um parágrafo е outro dе produção
melhorou tudo о que tenho produzido na vida, deixo aqui explícita minha
alegria em tê-los como parte da minha vida: Weldlane, Juliana, Wedja,
Jacqueline, Polyana, Edjane e para aqueles que eu não citei os nomes, sintamse agradecidos igualmente.
Aos meus amigos e amigas, por compreender a importância dessa
conquista e aceitar a minha ausência quando necessário e acompanhar nos
últimos momentos da conclusão deste trabalho. Meu obrigada a Jaísa pelo
acompanhamento nas madrugadas da finalização deste trabalho e, por fim,
aquela que colaborou para a conclusão desta jornada que foi a Graduação em
Ciências Sociais na UFAL à Professora orientadora Luciana Santana.
RESUMO
As redes sociais ganham cada vez mais papel de destaque na sociedade
contemporânea. Pessoas comunicam-se diariamente por meio de novas
conexões virtuais em diferentes partes do planeta, tornando essa prática
comum no seu dia a dia. Sendo as instituições de ensino parte dessa
sociedade, observa-se que a educação formal necessita favorecer, por meio de
suas propostas, disciplinas que auxiliem o professor em formação e em
formação continuada a conhecer e exercitar a utilização dessas redes e mídias
sociais, no sentido de tornar suas aulas mais dinâmicas e conectadas com o
mundo, aproximando-se, assim, das linguagens de seus alunos. Desta forma,
percebe-se que o cenário educacional passa por uma grande diversidade de
transformações que ocorrem principalmente no que tange ao processo ensinoaprendizagem, bem como às metodologias aplicadas nos ambientes formais
das instituições de ensino.
Palavras-Chave: Redes Sociais Virtuais. Tecnologias. Sociedade. Formação
continuada de professores.
ABSTRACT
Networks and social media are gaining more prominent role in contemporary
society. People communicate daily through new virtual in different parts of the
planet connections, making this common practice in their daily lives. Being the
educational institutions of this society, it is observed that formal education
needs to encourage, through their proposals, disciplines that assist the teacher
in training and continuing education to know and exercise the use of these
networks and social media, in the sense to make their most dynamic and
connected with the world class, approaching thus the languages of their
students. Thus, it is seen that the educational scenario involves a wide range of
transformations that occur mainly in regard to the teaching-learning process and
the methodologies applied in formal settings of education institutions.
Keywords: Networking and social media. Technologies. Society. Continuing
education of teachers.
SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO ................................................................................................
9
2 – Redes Sociais Virtuais: breves apontamentos e considerações ...................
12
2.1 – História das redes sociais virtuais ..............................................................
12
2.2 - Conceitos de Redes e Mídias Sociais ........................................................
14
2.3- Serviços disponíveis em redes sociais virtuais .............................................
15
2.4 - Os Nativos Digitais ......................................................................................
17
3 - O USO PEDAGÓGICO DA INTERNET.........................................................
19
3.1 - As redes sociais e a Formação de Professores para a Educação .............
20
3.2 - Formação continuada de professores com o desafio das redes e mídias
sociais ..................................................................................................................
21
3.3 - Experiência de criar disciplinas que atendam a essa nova demanda
tecnológica ............................................................................................................ 23
3.4 - As práticas de letramento e o letramento digital .........................................
25
3.5 - Novos tempos, novos letramentos na formação de professores ...............
26
3.6 - Os Softwares Educacionais ........................................................................
30
3.7 – O Papel do professor diante do mundo digital ............................................
29
3.7.1 - Ambientes Virtuais de Aprendizagem .......................................................
30
4 – REDES SOCIAIS NA EDUCAÇÃO.................................................................
32
4.1 - Breve histórico da tecnologia na educação ................................................ 32
4.2 - Informática na educação .............................................................................
33
4.2.1 – Informática e o ensino...............................................................................
34
4.3 - Como utilizar as redes e mídias sociais na educação ............................
36
4.4 - Os impactos das redes sociais na educação ..........................................
38
4.4.1- Redes sociais: por que utilizá-las na educação? ......................................
40
4.4.2. - Limitações no uso das redes sociais no processo de ensino 42
aprendizagem
45
4.4.3 – Uso de rede social como apoio para atividades em grupo na educação .
46
4.5 – Facebook ..................................................................................................... 47
4.6 – Twitter .......................................................................................................... 49
4.7 – Orkut ............................................................................................................
5- CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................
52
6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA....................................................................
54
9
1-
INTRODUÇÃO
O desenvolvimento da informática exerce um grande impacto no modo de
produção da sociedade. O computador tornou-se uma importante ferramenta de
trabalho que contribui para o aumento da produtividade, redução de custos e
melhoria da qualidade de vida. Vários setores da economia já estão informatizados,
entre os quais a indústria, a pesquisa científica, a educação, o sistema financeiro e
as comunicações.
O objetivo desta monografia é apresentar uma reflexão das redes sociais
Facebook, Twitter e Orkut com vistas à utilização no processo ensino-aprendizagem.
Partimos do pressuposto das observações obtidas mediante um mini
projeto,intitulado “O uso de tecnologias no ensino de sociologia no ensino médio”,
desenvolvido na disciplina “Pesquisa Educacional”, durante a graduação para
obtenção de nota. A partir dos resultados obtidos, nessa disciplina, surgiu a ideia do
aprofundamento de possíveis reflexões acerca do cotidiano dos docentes do ensino
básico em relação ao uso das redes sociais como ferramenta pedagógica capaz de
dinamizar as aulas e facilitar a aprendizagem dos discentes. A sociedade da
informação dinamizou, descentralizou o ensino aprendizagem e estabeleceu uma
nova configuração ao papel do professor atualmente.
Segundo Capobianco (2011), as Tecnologias de Informação e Comunicação
(TIC) oferecem recursos para favorecer e enriquecer as aplicações e os processos,
principalmente na área de educação. A adoção dessas ferramentas para a
aprendizagem abre novas possibilidades para complementar a educação formal.
Assim, Lemos (2004), afirma que as novas tecnologias de informação e
comunicação são resultados de convergências tecnológicas que transformam as
antigas metodologias através de revisões, invenções ou junções. É evidente que as
TICs provocam mudanças por seu impacto significativo sobre a cultura e reorientam
as perspectivas sociais, econômicas, científicas e políticas.
Há alguns anos, as redes sociais eram consideradas o futuro da Internet, e de
fato atualmente elas representam ampla capacidade de comunicação e conexão
social, que possibilita uma transição de informações de escala considerável. Esses
volumes de informações estão distribuídos em diversos assuntos, como notícias,
curiosidades, dicas do cotidiano e também o dia a dia dos usuários e celebridades.
10
Para exemplificar as mudanças no tipo de informação que transita na rede é
apresentado como exemplo o Twitter, onde no início, eram postados pensamentos e
o que um usuário estava fazendo em determinado momento. Atualmente, são
postadas notícias, informações essenciais e comunicação direta com pessoas
importantes. Praticamente todos os telejornais das principais emissoras de televisão
brasileira possuem perfis no Twitter, que deixam seus seguidores informados de
novidades na política, economia, esportes, entre outras.
Os recursos oferecidos pelo Twitter, Orkut e Facebook, além de outras redes
sociais podem auxiliar na educação e na transmissão de conhecimento através do
contato entre pessoas de diferentes níveis sociais, culturais, políticos, econômicos e
educacionais. Os professores podem dirimir dúvidas de alunos a qualquer hora, de
qualquer lugar, promover atividades em grupo para aumentar a interação entre os
alunos e compartilhar conhecimentos e experiências.
Com a evolução da tecnologia, a Internet já está acessível em dispositivos de
bolso, o que aumenta a rapidez da informação. Assim, consequentemente, com
maior velocidade de transmissão de dados, maior é o volume de informações nas
redes sociais. Todavia, é preciso educar os usuários para que possam filtrar o
conteúdo das informações recebidas, visando o uso das redes sociais de forma ética
e responsável. Alcançada essa filtragem, a interação entre os meios de
comunicações, educadores e educandos torna-se mais segura em relação às
informações irrelevantes ao aprendizado e ao convívio social.
As redes sociais tornam possível o uso de novas estratégias e ferramentas
para apoiar a aprendizagem, oferecendo possibilidades inovadoras para o processo
ensino-aprendizagem. Segundo Silva e Cogo (2007), essas tecnologias estão
transformando as maneiras de ensinar e aprender, oferecendo maior versatilidade,
interatividade e flexibilidade de tempo e de espaço no processo educacional.
Para fundamentar as discussões apresentadas, recorremos as reflexões de
Arroyo (2002), Andrade (2014), Behrens (2000), Latour (2005) e Marteleto (2001)
que tratam sobre a utilização da Tecnologia da Informação e Comunicação no uso
do processo ensino aprendizagem.
Quanto à metodologia, trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva de
natureza qualitativa.
Este trabalho compõe-se de quatro capítulos. No primeiro capítulo serão
abordados os conceitos sobre as redes sociais e mídias sociais. O segundo tratará
11
do uso pedagógico da internet, no qual serão enfatizados a questões da formação
do professor e a sua formação continuada, as TIC’S na educação e seu uso
pedagógico. No terceiro são analisadas algumas das redes sociais na educação tais
como: Facebook, Twitter e Orkut (comunidades). No quarto e último capítulo é
retratado um apanho geral da utilização e potencialidades das redes sociais na
educação, além da importância dentro do contexto educacional e utilização no
ensino de Ciências Sociais na educação básica.
12
2- REDES SOCIAIS VIRTUAIS: BREVES APONTAMENTOS E
CONSIDERAÇÕES
2.1- HISTÓRIA DAS REDES SOCIAIS VIRTUAIS
No começo dos anos noventa do século XX a equipe do CERN, liderada por
Tim Berners-Lee (BERNERS-LEE; FISCHETTI, 2002) criou uma forma de interligar
arquivos de texto. Com a intenção original de resolver o problema das citações em
artigos científicos, utilizou uma estrutura de etiquetas, chamada de hypertext17 que
permitiu atribuir características adicionais a fragmentos de texto parcialmente
baseados no projeto Xanadu de 1969 (NELSON, 1999). Berners-Lee criou também
os protocolos necessários à edição, armazenamento, localização e uso destes
documentos especiais (BERNERS-LEE; FISCHETTI, 2002).
As tecnologias desenvolvidas pelo CERN permitiram a criação de uma rede
de informação interligada por links (ligações), virtuais - dentro de uma rede de
computadores - que deu origem a uma nova dimensão de relacionamentos.
Conhecida como World Wide Web, teia de alcance mundial, em inglês, ou
simplesmente web (BERNERS-LEE; FISCHETTI, 2002).
A web (abreviatura de world wide web, teia de alcance mundial) inaugurada
por Tim Berners-Lee em 1990 (BERNERS-LEE; FISCHETTI, 2002) é composta de
bilhões de documentos interligados por laços formados com hipertexto que
obedecem as regras do protocolo Hipertext Transfer Protocol18 (HTTP), também
definido por Berners-Lee (BERNERS-LEE; FIELDING et al., 1994; FIELDING;
GETTYS et al., 1999) que permite que um documento possua uma ligação direta, e
unidirecional, com qualquer outro documento disponível (CHAKRABARTI, 2003).
Antes da web, a humanidade já utilizava a Internet como canal para a troca de
informações sociais e mesmo para a criação de pequenas redes (BERNERS-LEE;
FISCHETTI, 2002). A diferença entre a web original e esta nova, que surge baseada
em interações sociais está na organização. A web foi concebida com o objetivo de
tornar a informação organizada e fácil de encontrar, foi concebida em torno da
informação (BERNERS-LEE; FISCHETTI, 2002). As redes sociais virtuais foram
concebidas em torno dos usuários (MISLOVE; MARCON, et al., 2007).
13
O e-mail, um dos mais antigos serviços criados para o relacionamento entre
atores online, criado em março de 1972, indicando que pares aplicativo/protocolo
para a troca de informações online já eram utilizados quando a web foi criada
(LEINER; CERF et al., 1999). As listas de e-mails pessoais e as mensagens
enviadas para vários usuários ao mesmo tempo constituíam os pilares de uma rede
social: grupo, contato e troca de informações. Ainda que fosse possível a interação
social individual, o protocolo File Transfer Protocol19 (FTP), constituiu, durante
vários anos, a única alternativa viável para a troca e compartilhamento de
documentos (LEINER; CERF et al., 1999).
Em 1991, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Minnesota
apresentou ao mundo o Gopher (FENSEL; LAUSEN et al., 2007). Outro
aplicativo/protocolo que unia algumas vantagens do e-mail e do FTP com uma
interface gráfica que permita navegar em árvores de arquivos, públicas e privadas,
em um ambiente com interface semelhante ao Windows 3.11. As universidades
adotaram o protocolo gopher de forma quase instantânea. Apesar disso, esse
protocolo caiu em desuso graças a maior facilidade de navegação e uso da estrutura
de hipertextos proposta por Berners-Lee (2002) e dos aplicativos de navegação que
foram criados para o uso destes hipertextos.
A popularidade da web e as novas tecnologias desenvolvidas permitiram que
em 1997 surgisse o site Six Degrees considerado como o primeiro site total e
unicamente voltado para a criação e uso de redes sociais (BOYD; ELLISON, 2007).
Em maio de 2003, o Linkedin começou suas operações com a intenção de ser
uma rede social para negócios (WILSON, 2010); em 2004 surgem o Orkut e o
Facebook (FRAGOSO, 2006). Nesta sequência, a primeira mensagem do Twitter®
foi enviada por seu fundador, Jack Dorsey, em 2006 (PICARD, 2011). Hoje existem
milhares de sites dedicados exclusivamente às redes sociais virtuais atendendo
comunidades com necessidades específicas (KALLAS, 2011). No ano de 2011, o
Google® lançou o Google+® sua rede social (GOOGLE, 2011) sem tirar do ar o
Orkut®, que permanece, até o momento, um serviço com características de rede
social independente.
Poucas semanas depois do seu lançamento o Google+® já era considerado o
site com maior taxa de crescimento da história da Internet atingindo a marca de 25
milhões de usuários no seu primeiro mês de operação.
Dados
da
Comscore,
uma empresa especializada em estatísticas de tráfego web, indicam e permitem
14
observar a medida da popularidade de uma rede social virtual requer especialização
e monitoramento constante. O número de Page views20 e o número de usuários
únicos 21 frequentes determinam o faturamento destas empresas, sendo
informações de grande importância para empresas de mídia social, especializadas
na realização de campanhas de marketing nestes sites e como tal, mantidos em
sigilo (MISLOVE; MARCON et al., 2007). A Dreamgrow Social Média divulgou um
gráfico mostrando a participação de mercado das dez maiores redes sociais dos
EEUU.
Durante os primeiros anos dos sites de redes sociais no Brasil, o Orkut®
reinou absoluto, mais como fruto de um choque cultural entre brasileiros e
americanos que devido à qualidade do serviço prestado (FRAGOSO, 2006).
Hoje
a imprensa especializada e os sites de estatísticas de acesso já indicam o Facebook
como sendo o site de rede social mais visitado do Brasil (AGUIARI, 2011; ALEXA,
2011).
Durante o período de redação deste estudo, o mercado mundial de redes
sociais virtuais esteve dominado pelo Facebook, com 750 milhões de usuários
únicos (FACEBOOK, 2011), seguido pelo Twitter com 200 milhões de usuários
únicos, do Linkedin com 100 milhões de usuários únicos. Acrescente-se a estes o
Google+ que já chegou entre os dez maiores (EBIZMBA, 2011).
2.2 – Conceitos de Redes e Mídias Sociais
Na sociedade contemporânea, as mídias vêm se tornando fundamentais na
vida das pessoas – afinal, assistir à televisão, falar ao telefone celular, ler revistas e
jornais e navegar na internet tornaram-se parte da realidade diária de grande parte
da população mundial. Sendo assim, o que se entende por redes e mídias sociais e
o que é esse veículo chamado internet que possibilita
atingi-las mais
facilmente?
De acordo com o site Brasil Escola (2011),
[...]internet é um grande conjunto de redes de computadores interligadas
pelo mundo inteiro; de forma integrada viabilizando a conectividade
independente do tipo de máquina que seja utilizada, que para manter essa
multi-compatibilidade se utiliza de um conjunto de protocolos e serviços em
comum, podendo assim, os usuários a ela conectados usufruir de serviços
de informação de alcance mundial.
15
Redes sociais, segundo Andrade (2008),
[...]são relações entre os indivíduos na comunicação por computador. O que
também pode ser chamado de interação social, cujo objetivo é buscar
conectar pessoas e proporcionar a comunicação e, portanto, utilizar laços
sociais. Mas e quais são as redes sociais na Internet? Resposta simples:
redes sociais na Internet são as páginas da web que facilitam a interação
entre os membros em diversos locais. Elas existem para proporcionar meios
diferentes e interessantes de interação.
De acordo com a Wikipédia (2011),
[...]o conceito de Mídias Sociais (social media) precede a Internet e as
ferramentas tecnológicas – ainda que o termo não fosse utilizado. Trata-se
da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle
editorial de grande grupos. Significa a produção de muitos para muitos. As
"ferramentas de mídias sociais" são sistemas online projetados para permitir
a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de
informação nos mais diversos formatos.
Ao analisar e pensar nesse tema sob o prisma oferecido pelas conceituações
citadas, pensando principalmente como as redes e mídias sociais vêm sendo
introduzidas no ambiente escolar, quer seja pelos próprios alunos, quer seja por
sugestão dos professores ou instituição escolar, acredita-se que a pesquisa do tipo
qualitativa, aqui proposta pelos autores, tornar-se-á relevante.
2.3 - Serviços disponíveis em redes sociais virtuais
A principal força motora do sucesso das redes sociais virtuais está na
estrutura desenvolvida em torno do usuário (PALLIS; ZEINALIPOUR-YAZTI;
DIKAIAKOS, 2011). Para estas empresas, os interesses dos usuários são relevantes
e, em sua maioria, a principal FONTE de informação. Consequentemente, o principal
objetivo de um serviço de rede social virtual é fornecer facilidades de relacionamento
pessoal para os seus usuários (PALLIS; ZEINALIPOUR-YAZTI; DIKAIAKOS, 2011).
Segundo Pallis, Zeinalipou-Yazti e Dikaikos (2011), classificam-se, como rede
social virtual, os serviços online capazes de:
a)
atuar
como
concentrador
de
informações
para
estabelecer
relacionamento entre usuários (amigos, conhecidos, colegas, etc.). Cada
16
usuário é capaz de, utilizando os recursos e politicas disponíveis, criar uma
lista de usuários com os quais possui algum tipo de ligação;
b) fornecer ferramentas que permitam a criação de um senso de
comunidade entre os usuários de forma informa e voluntária. Os usuários
devem ser capazes de interagir entre si, contribuir com informações a um
espaço comum, e participar em atividades interativas tais como jogos,
divulgação de fotos, divulgação de opinião ou voto;
c) permitir que o usuário crie um perfil online contendo, dados pessoais,
dados de localização, fotos, lista de ligações pessoais e afiliações. Mediante
este perfil online os usuários são conhecidos, identificados e localizados.
Receberão notificações e requisições de conexão, para participação de
atividades em grupo ou para a troca de informações privadas;
Esses serviços de socialização incluem desde ferramentas de e-mail e
mensagem instantânea até ferramentas para edição de filmes e fotos, passando por
ferramentas específicas de agendamento (aniversários, promoções, etc.) e
divulgação de status social e pessoal. Tudo isso com o intuito de trazer para o
mundo virtual todas as formas de relação pessoal existente sobre uma estrutura
tecnológica que facilite este contato (PALLIS; ZEINALIPOUR-YAZTI; DIKAIAKOS,
2011).
Além dos serviços de relacionamento, os serviços de redes sociais virtuais
possuem
ferramentas
especificamente
desenvolvidas
para
exacerbar
comportamentos sociais naturais de forma a aumentar o número de pessoas online.
Um dos exemplos mais interessantes nesta categoria de ferramenta são os jogos
online, também conhecidos como jogos sociais. Exceção deve ser feita para o
Linkedin® e Twitter® que, apesar de permitir a criação de ferramentas específicas
para jogos, não os possuem integrados no próprio serviço.
Os jogos do tipo Massively-Multiplayer Online Role-Playing Games22
(MMORPG) podem ser definidos como jogos onde existe interação entre os atores
de uma rede social, na forma de contribuição indireta ou participação direta. Este
tipo de interação social torna o jogo mais atrativo. O apelo lúdico, a diversão pura e
simples, parece irresistível (YEE, 2006). Os jogos fazem parte do processo de
socialização humana desde os primórdios da humanidade (DELL'AMORE, 2010) as
redes sociais virtuais apenas tornaram mais simples e barato encontrar parceiros
para jogar.
17
Os dez jogos de maior sucesso, oito são jogos onde um jogador precisa
construir alguma coisa (por exemplo: Farmville e Cityville) e esta construção
depende, em maior ou menor grau da interação com outros usuários (GAMASUTRA,
2012).
Na popularidade dos jogos que permitem construir algo, percebe-se um
fenômeno conhecido pelos profissionais de marketing: aparentemente o ser humano
desenvolve um apreço irracional por aquilo que constrói (SHAPIRO, 2004). As redes
sociais parecem utilizar esse apreço pelo que construímos para crescer e prosperar.
2.4 – Os Nativos Digitais
Em uma perspectiva psicológica, o autor Prensky (2001) define os Nativos
Digitais como crianças que estão crescendo com a evolução da Web e da tecnologia
em geral, e não conseguem compreender o mundo sem a utilização da comunicação
em tempo real, configurando-se como Nativos Digitais. Em outras palavras, a
tecnologia é totalmente incorporada no seu cotidiano, sendo utilizada como
ferramenta útil nos estudos, na vida diária e como um poderoso espaço para o
desenvolvimento
das
suas
relações
sociais,
através
da
participação
em
comunidades virtuais. Dessa forma, a criança é um agente social que interpreta seu
mundo e sua vida de forma particular, através de múltiplas interações simbólicas
estabelecidas pelas crianças entre si e com adultos.
A denominação “Nativo Digital” advém do pensamento do autor que acredita
que os estudantes de hoje são falantes nativos da linguagem digital, dos
computadores, vídeo games e internet. Esses alunos estão acostumados a receber
informações variadas em um mesmo momento e em um curto espaço de tempo.
Preferem, assim, realizar múltiplas tarefas, processar mais de uma informação por
vez e acessa aleatoriamente essas informações. Além disso, trabalham melhor em
redes de contatos, buscando gratificações instantâneas e frequente reconhecimento.
Para o autor, há também os Imigrantes Digitais, ou seja, pessoas que não
nasceram em um mundo digital, mas acabaram por adotar, pela convivência,
práticas com o uso das tecnologias digitais, mesmo mantendo um certo “sotaque”
como resquício de seu passado (PRENSKY, 2001).
Essa característica pode ser percebida de diversas maneiras, como por
exemplo, a leitura de manuais e a busca de informações na internet para a execução
18
de programas, ao contrário dos nativos que aprendem com a prática. Eles, mesmo
que utilizem e-mails, preferem imprimi-los para uma melhor leitura, além de preferir
mostrar as impressões de sites que visitam ao invés de enviar o endereço de
localização por e-mail.
Esses imigrantes digitais podem ser encontrados com frequência nas escolas,
como professores de nativos, buscando ensinar uma população que está falando
uma linguagem diferenciada e totalmente nova. Alguns deles acreditam que seus
alunos não aprendem ao assistir televisão, escutar músicas ou navegar na Web.
Para eles, os alunos continuam sendo os mesmos e se os métodos utilizados por
eles funcionaram anteriormente, não há porque mudá-los.
19
3 - O USO PEDAGÓGICO DA INTERNET
A origem da Internet se deu durante a Guerra Fria quando os Estados Unidos
solicitou a Advanced Research Projects. Desde 1980, os computadores pessoais e o
desenvolvimento de técnicas computacionais como os jogos simulados fazem surgir
o computador como extensão das capacidades cognitivas humanas que ativam o
pensar, o criar e o memorizar.
Segundo Pretto e Costa Pinto, essas máquinas não
estão mais apenas a serviço do homem, mas interagindo com ele, formando um
conjunto pleno de significado. A partir de 1995, a Internet se expandiu com um
grandioso poder de expressão a nível individual e coletivo ampliando em larga
escala o número de usuários.
A Internet é um meio que poderá conduzir-nos a uma crescente
homogeneização da cultura de forma geral e é, ainda, um canal de construção do
conhecimento a partir da transformação das informações pelos alunos e
professores.
As
redes
eletrônicas
estão
estabelecendo
novas formas de
comunicação e de interação onde a troca de ideias grupais, essencialmente
interativas, não leva em consideração as distâncias físicas e temporais. A vantagem
é que as redes trabalham com grande volume de armazenamento de dados e
transportam grandes quantidades de informação em qualquer tempo e espaço e em
diferentes formatos.
Os professores estão sendo convocados para entrar neste novo processo de
ensino e aprendizagem, nessa nova cultura educacional, no qual os meios
eletrônicos de comunicação são a base para o compartilhamento de ideias em
projetos colaborativos. A utilização pedagógica da Internet é um desafio que os
professores e as escolas estarão enfrentando neste século que pode apresentar
uma concepção socializadora da informação.
A Internet tem atingido cada vez mais o sistema educacional e as escolas. As
redes são utilizadas no processo pedagógico para romper as paredes da escola,
bem como para que aluno e professor possam conhecer o mundo, novas realidades,
culturas diferentes, desenvolvendo a aprendizagem através do intercâmbio e
aprendizado colaborativo.
Com o rápido crescimento do processo de globalização, vários problemas
estão afetando muitos países ao mesmo tempo. Questões como inflação e meio-
20
ambiente têm preocupado diferentes autoridades em todo o mundo. E também, com
o assustador crescimento do conhecimento, torna-se impossível para o aluno e o
professor dominarem tudo. Assim, o trabalho em equipe e a Internet oferecem uma
das mais excitantes e efetivas formas para capacitar os estudantes ao processo
colaborativo e cooperativo e, ainda, desenvolver a habilidade de comunicação.
Aprendizagem colaborativa é muito mais significativa quando os estudantes
podem trabalhar com alunos de outras culturas, podendo entender e perceber novas
e diferentes visões de mundo, ampliando, assim, seu conhecimento. Os estudantes
que trabalham como colaboradores em projetos dentro ou fora das escolas podem
medir coletar, avaliar, escrever, ler, publicar, simular, comparar, debater, examinar,
investigar, organizar, dividir ou relatar os dados de forma cooperativa com outros
estudantes. Porém, é importante lembrar que os professores devem trabalhar com
metas comuns e que a colaboração em sala de aula é o primeiro passo em direção à
cooperação global.
3.1 - As redes sociais e a Formação de Professores para a Educação
Segundo Newman (2001), as redes são conexões estabelecidas por pessoas
que se unem através de conhecimentos. Sendo assim, ao referirmos ao social essas
redes unem pessoas que se interligam em torno de um mesmo objetivo
(MARTELETO, 2001).
As redes sociais foram foco de pesquisas empíricas e teóricas nas ciências
sociais durante 50 anos motivadas pelo interesse inerente nos padrões de interação
humana, além de se acreditar que as estruturas das mesmas têm implicações
importantes para a expansão de informação. Nas redes sociais se estabelecem
interações onde cada sujeito tem sua função e identidade, desenvolvendo desta
forma relações de interesses comuns, com base na troca de informações e
conhecimento. O trabalho pessoal nessas redes é tão antigo quanto a história da
humanidade, mas, apenas nas últimas décadas, as pessoas passaram a percebê-lo
como uma ferramenta organizacional (MARTELETO, 2001).
Nós sujeitos, somos constituídos nas interações. Neste caso a construção do
ser humano ocorre nas interações sociais que se estabelecem ao longo de sua vida.
Nestas, são produzidos os sentidos e significados que o caracteriza como um ser
21
único e individual (VYGOTSKY, 2001) através do diálogo com o outro, com a
interação das diferentes vozes do discurso, podemos nos autoconstruir de maneira a
possibilitar a construção de um sujeito com identidade única e própria.
Assumindo esses pressupostos, entendemos que, as redes sociais, onde são
construídas relações (sociais) situadas no tempo e no espaço, constituem-se como
uma ferramenta cultural para formação de professores. Corroboramos com Hames;
Zanon & Wirzbicki (2006) que:
[...] novas possibilidades de enfrentamento da problemática educacional
precisam ser criadas, sendo importante apostar na importância do refletir
coletiva e criticamente sobre aspectos práticos da atuação profissional
relacionados com a formação docente, potencializando reflexões sobre
saberes profissionais, o que significa passar da ideia do ‘aprendendo da
própria experiência’ para a ideia do ‘aprendendo da experiência de outros,
com a prática de outros, com os saberes mediados por outros’. “Práticas
docentes colocadas em discussão podem ajudar a promover processos do
aprender a ser professor na interação com outros, ajudando a criar a
condição de sujeito implicado em processos de mediação mobilizadores da
própria formação”. Explicitar e discutir concepções e crenças subjacentes a
práticas docentes colocadas em discussão, de maneira crítica, indagativa e
problematizadora, é um caminho potencializador da constituição do saber
profissional. (HAMES; ZANON & WIRZBICKI, 2006, p. 04).
Sendo
assim,
essas
redes
sociais
permitem
a
sistematização
de
conhecimentos através de intercâmbios. Essa representação das redes humanas
permite perceber como uma rede de muitas unidades é capaz de originar uma nova
ordem, que não pode ser entendida apenas por suas unidades (MARTELETO,
2001). Ou seja, se cada ser individual é uma unidade complexa, em ambiente de
rede, cada sujeito pode buscar colaboração mútua, visando uma maior completude,
visto que por natureza própria somos seres inacabados (FREIRE, 2000).
Ações que contemplem a formação de professores em redes estão sendo
realizadas por vários pesquisadores e educadores no Brasil tais como Galiazzi et al.
(2007); Gatti (2005) e Foerste (2005) e são denominadas por redes de pesquisa,
redes de intercâmbio ou redes de colaboração.
3.2 – Formação continuada de professores com o desafio das redes e mídias
sociais
A formação continuada de professores parece estar cada vez mais voltada
para a utilização de recursos tecnológicos que facilitem a interatividade e reduzam o
22
tempo e a distância entre seus participantes. No entanto, os desafios nas suas
utilizações ainda são grandes, seja pela falta de tempo ou pela desinformação dos
profissionais, pois, como orienta Tescarolo (2005, p. 111), “a formação escolar tem
como núcleo a relação pedagógica em que a ação do formador passa a ser
decisiva”.
Por outro lado, o professor não pode simplesmente adotar os recursos
tecnológicos e ser um mero instrutor ou repassador de conteúdos, pois agindo
assim, irá se distanciar daquilo que Tardif (2000, p. 10) chama de prática
profissional:
[...] chamamos de epistemologia da prática profissional o estudo do conjunto
dos saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de
trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas. A finalidade de
uma epistemologia da prática profissional é revelar esses saberes,
compreender como são integrados concretamente nas tarefas dos
profissionais e como estes os incorporam, produzem, utilizam, aplicam e
transformam em função dos limites e dos recursos inerentes às suas
atividades de trabalho.
Ela também visa a compreender a natureza desses saberes, assim como o
papel que desempenham tanto no processo de trabalho docente quanto em relação
à identidade profissional dos professores.
Ainda, seguindo orientação de Juliatto (2007), alguns especialistas chegam a
afirmar que o professor-instrutor, mero repassador de informações, está com os dias
contados. Com esse papel limitado, ele pode ser facilmente substituído pelos
modernos recursos da educação a distância, da informática, da internet e pelo poder
espetacular da mídia.
Algumas competências docentes são inerentes à formação de professores,
embora alguns, mesmo sem a formação, acabem desenvolvendo tais competências
durante a carreira docente e buscando aprimoramento para melhoria do seu
desempenho em sala de aula e fora dela.
Arroyo (2002) discorre sobre as competências docentes como se fossem
caixas de ferramentas. Segundo o autor, só é possível equipar a caixa dos nossos
alunos se tivermos uma variedade de ferramentas em nossas próprias caixas. Para
isso, fazem-se necessários também os recursos tecnológicos, pois dessa forma será
possível aperfeiçoar desde o planejamento das aulas até sua execução efetiva.
23
Para Claxton (2005), além de conteúdo, o professor precisa de habilidades
que serão trabalhadas e aprendidas com uma formação específica, e a tecnologia
figura nesta formação.
Afinal, já não é mais possível admitir que um professor somente reproduza o
conhecimento – é necessário e urgente que ele o produza.
3.3 - Experiências de criar disciplinas que atendam a uma nova demanda
tecnológica.
Um dos passos é preparar o professor, potencializando-o por meio de bases
teóricas e práticas para lidar pedagogicamente com os alunos. De certa maneira,
busca-se instigar suas bases conceituais, procedimentais e atitudinais interrelacionando-as de tal forma que favoreçam o ensino e a pesquisa com o apoio do
grande advento representado pela informação e comunicação que circulam nas
redes e mídias sociais.
Partindo-se de todos os impasses que se enfrenta no Brasil e em muitos
países no mundo, diante da universalização do acesso e das populações que fazem
parte da exclusão digital, dos meios de comunicação e telecomunicação – somandose a isso a internet e o surgimento, numa escala mais avançada, da sociedade em
rede –, cabe destacar as ideias de Guerreiro (2006, p. 173):
[...]a sociedade em rede será responsável pela difusão social do
conhecimento em larga escala de transmissão a partir de sistemas
tecnológicos interconectados e inteligentes, com acesso público para o
cidadão em diferentes pontos de conectividade e interatividade, nos
espaços de grande fluxo e fácil locomoção de ambientes urbanos e rurais.
Na Era da Informação, a cidade torna-se o grande palco da história humana
e da sociedade em rede.
Nesse confronto de possibilidades e impossibilidades situa-se a figura na
sociedade das instituições de ensino, representadas pelos seus atores principais
que são os professores, instigadores e dinamizadores da inteligência humana – o
quanto estão preparados para este mundo novo?
Oportunizar, por meio de disciplinas de formação continuada, que instiguem e
promovam a mudança de suas práticas acredita-se ser um dos meios que podem
detonar novos olhares para cenários tão complexos – e ao mesmo tempo tão
24
disponíveis, se estiverem abertos a eles. Já não basta só olhar e ficar apenas na
contemplação das novas linguagens, é necessário envolver-se, mergulhar e
enxergar de fato as ondas digitais, nestes espaços virtuais, verificar o quanto se
pode favorecer a prática profissional em sala de aula e além dela.
De acordo com Saad (2003, p. 73),
[...] é de grande significado o que Marshall McLuhan chamava de “olhar
para o futuro como se estivéssemos olhando através de um espelho
retrovisor”. Muitas pessoas da mídia consideravam as novas mídias
confirmando a previsão de McLuhan, como uma “carruagem sem cavalos”,
onde existia apenas a sua própria versão do livro eletrônico ou do cinema
interativo. A chagada da web trouxe também o questionamento dessas
posições, reafirmando o conceito de que a hipermídia é um novo meio de
comunicação, como foi a prensa ou o telefone, e não apenas um suporte
para veiculação dos já existentes conteúdos, como livros, filmes ou
programas de TV [...] a hipermídia nos apresenta três atividades conjuntas:
a publicação, a comunicação e o pensar.
Com isso posto, verifica-se que a formação desse articulador de
conhecimentos necessita estar muito além de meramente utilizar os meios; é preciso
levar o aluno a produzir ideias, a ter consistência na informação e comunicação,
enfim, aprender a pensar.
São propostas assim que envolvem e estimulam a criação de novas frentes
em disciplinas de doutorado e mestrado, como destacado anteriormente. O futuro,
portanto, aponta com essa demanda de possibilidades e bons momentos se forem
feitos acertos entre informação, comunicação e o processo de aprendizagem para
apropriação de conhecimentos.
Entender esses aspectos é o primeiro passo para acertar-se com este futuro,
que parece estar o tempo todo acenando e marcando sua presença no presente.
Enfrentá-lo é com certeza a alternativa para que não se permita a formação de um
grande obstáculo quase que intransponível, necessitando-se, para tanto, entender
que as novas linguagens foram criadas por seres humanos e devem ser meios
facilitadores para essa caminhada.
De acordo com Carvalho (2007, p. 73),
[...] há um desafio cultural a ser enfrentado na sociedade; desvincular o
conceito de espaço educacional como um ambiente protegido e afastado do
mundo – “um casulo gestador” – e criar novos espaços educacionais ao
diversificar e ampliar as possibilidades de interação social de procedimentos
midiatizados no processo de aprendizagem.
25
Está sendo gestada, com certeza, uma nova sociedade, uma nova civilização
e as instituições educacionais não podem ficar omissas a essas rápidas e
volumosas mudanças.
Investigar, analisar, preparar-se, refletir e agir são ações necessárias para os
cidadãos deste novo século, neste novo milênio. Levar suas aulas a espaços jamais
imaginados, circular o pensamento em rede, interconectado e favorecer as
informações não somente em mera comunicação, mas em possíveis soluções de
que a humanidade carece. A educação é um dos pilares centrais da evolução do
pensamento humano e os professores, mediadores dessa transformação.
3.4 - As práticas de letramento e o letramento digital
Street (1993) aponta para a diferenciação, retomada por Kleiman (1995),
entre os modelos autônomo e ideológico de letramento, no sentido das diferentes
abordagens utilizadas para a pesquisa e análise das práticas de letramento,
entendidas como “atividades que envolvem a língua escrita com a finalidade de se
alcançar um determinado objetivo numa determinada situação” (MARTINS, 2012).
Enquanto o modelo autônomo tende a se restringir ao texto escrito em si, ou,
no máximo, ao evento de letramento de forma circunstancial, o modelo ideológico
(de cunho sócio-histórico) leva em consideração fatores ideológicos e hegemônicos
que exercem pressão e imprimem modificações sobre o que as pessoas fazem com
os textos, como o fazem e por quê. Utilizando termos advindos da concepção
construída pelo linguista inglês Norman Fairclough (2001), podemos dizer que o
modelo autônomo se centra na dimensão textual propriamente dita, às vezes,
ponderando também a respeito de fatores próprios da dimensão discursiva, ou seja,
da forma de produção, circulação e consumo de textos; já o modelo ideológico vai
mais além, ponderando sobre os jogos de poder que se fazem perceber em traços
ou pistas que se detectam nos textos.
É levada em conta, por exemplo, a forma com que se dá a naturalização de
crenças e representações, e o pesquisador é chamado a ponderar sobre aspectos
micro e macro analíticos, ou seja, sobre como determinados itens lexicais presentes
nos textos remetem a seu âmbito de circulação, assim como a questões
26
hegemônicas que, enquanto transcendem o contexto situacional propriamente dito,
exercem pressões sobre ele, modificando-o e sendo modificadas por ele.
Um ponto fundamental para a abordagem própria do modelo ideológico de
análise reside na diferenciação bakhtiniana entre gêneros primários e complexos do
discurso (CF. MARTINS, 2007), desde que também enfocada a partir de um viés
sócio-histórico. Segundo a teorização construída pelo filósofo russo, os gêneros
complexos do discurso, de formação histórica mais recente, assimilariam, em todos
os níveis, os demais gêneros que o precederam. Com base nessa diferenciação,
podemos dizer, hoje, que o letramento digital em suas diferentes modalidades –
como as páginas do Facebook, os ambientes virtuais de aprendizagem, a
webconferência, que serão analisadas mais adiante – é portador de características
que já existiam no letramento não digital e que aparecem nele reconfiguradas ou
modalizadas.
3.5 - Novos tempos, novos letramentos na formação de professores
De acordo com Kleiman e Martins (2007), para que a formação do professor
resulte na “autorização do professor para agir no seu contexto de ação, o foco de
investigação deve estar nos processos de formação enquanto práticas de
letramento, aos quais os professores são submetidos”, e não no professor,
frequentemente tomado como responsável pelas más condições de ensino. As
autoras advogam a importância hoje de um professor “localmente autônomo, capaz
de diagnosticar situações didáticas e de encontrar as atividades e instrumentos
necessários para propiciar a aprendizagem”, articulados aos interesses dos alunos.
Alinhando-se, portanto, a uma abordagem crítica, as autoras dão preferência
à consideração do contexto amplo em que está inscrita a prática do professor em
sala de aula, em lugar de circunscrever sua análise a aspectos pontuais dessa
prática. É nessa medida que ponderam sobre a forma com que as instâncias
administrativas – a Secretaria da Educação de certo município, no caso em análise –
também
necessitam
ser
responsabilizadas
pela
deformação
que
sofrem
determinadas propostas pedagógicas até que cheguem, de fato, ao contexto em que
se dá o diálogo professor/aluno e o processo de ensino e aprendizagem
propriamente dito.
27
É a partir de abordagem crítica semelhante, que Gee (2001) nos chama a
atenção para os novos letramentos próprios da contemporaneidade – “novos
tempos, novos letramentos” - em texto dotado de certo tom irônico e relativamente
cético, na medida em que aponta para o abismo crescente que separa as classes
sociais: se antes o domínio da escrita acadêmica podia ser visto como a porta de
passagem para os privilégios da classe mais abastada, agora um sofisticado
portfólio passaria a incluir, entre vários outros aspectos, o acesso ao letramento
digital. Na postulação do autor, ao professor engajado com transformações sociais e
comprometido com o sucesso de jovens e crianças desprivilegiados, restariam duas
alternativas: uma seria trabalhar de acordo com a corrente neoliberal presente nas
escolas e tratar de providenciar oportunidades, fora delas, para que os alunos
desfrutem de atividades e experiências enriquecedoras e críticas; outra seria
combater a agenda neoliberal dentro das escolas:
“[…] fazer com que as escolas venham a ser lugares propícios para a
criatividade, para o pensamento profundo e para a formação de seres
completos; lugares em que todas as crianças e jovens podem adquirir
portfólios adequados para o seu sucesso, um sucesso definido de formas
múltiplas, assim como a capacidade de criticar e transformar as estruturas
sociais criando, com isso, mundos melhores para todos” (GEE, 2001, p. 18,
tradução nossa).
Pensar na formação de professores, hoje, a partir de uma abordagem crítica
envolve, portanto, uma série de aspectos, dentre os quais destacamos os seguintes,
agora adotando, a propósito, alguns princípios da abordagem de Latour (2005), que
trazemos para dialogar com a reflexão que vimos desenvolvendo:
1) As instâncias formativas não são dotadas de saberes privilegiado:
somos todos agentes dentro de uma rede de atores;
2) Somos todos mediadores: os formadores, os professores, os alunos;
3) Cada um de nós exerce deformações dentro dessa rede, e a máquina é
também um ator, um modalizador;
4) Cada ação possui seu princípio de transformação – seja com vistas à
manutenção ou à transformação das estruturas sociais vigentes - porém
os efeitos, em si, são imprevisíveis.
É importante destacar, de toda forma, que a abordagem de Latour difere, em
certo sentido, daquela presente nos Estudos do Letramento, porém principalmente
28
no que concerne à abordagem autônoma do letramento, já que, para a Teoria do
Ator-Rede, todos os elementos se interligam constantemente e geram efeitos
deformantes recíprocos, não sendo possível ponderar sobre nenhum elemento
isoladamente. Dessa forma, ainda mais do que antes, não seria possível ponderar
sobre o assim chamado impacto do letramento digital de forma isolada. As
transformações são constantes e, até certo ponto, imponderáveis.
Resumimos abaixo os princípios teóricos em que nos baseamos, antes de
nos voltar para o item seguinte, em que passaremos a aplicá-los às ações
desenvolvidas no âmbito do Grupo de pesquisa LEETRA:
1- Optamos pelo modelo ideológico ou sócio-histórico de análise para
pensar nas práticas de letramento. Ao fazê-lo, ponderamos sobre os
mais diversos aspectos que estão em jogo quando se trata da
formação de professores, ou seja, não centramos nossa atenção
apenas na prática do professor em sala de aula;
2- Da mesma forma, não atribuímos ênfase excessiva ao impacto das
TICs na formação de professores, mesmo porque não nos alinhamos
com a vertente do “literacy divide”;
3- Assim como Gee, apostamos na transformação das práticas de ensino
e aprendizagem com vistas na construção de um mundo melhor para
todos;
4- Acreditamos na força de agência do professor e dos alunos.
3.6 - Os Softwares Educacionais
Os softwares educacionais são aqueles construídos com finalidade de serem
utilizados para o ensino e a aprendizagem. Os primeiros softwares educacionais
surgiram na década de 40, para a simulação de voos e a capacitação de pilotos em
tempos de Guerra Mundial. Desde então, até meados da década de 70, com
computadores pertencendo a poucas organizações e sendo máquinas de grande
porte, eram utilizados para a realização de cálculos mais extensos.
Com a disseminação do uso dos computadores nos anos 80 e a diminuição
do tamanho das máquinas, a popularização desses equipamentos fez com que
aumentasse o interesse no desenvolvimento de softwares para os diferentes
campos de conhecimento, entre eles a educação. A partir daí, educadores passaram
29
a pensar a utilização dos computadores como ferramenta de auxílio à aprendizagem
e a resolução de problemas.
Para que um software seja educacional, deve ser projeto por meio de uma
metodologia que o contextualize no processo de ensino e de aprendizagem. No
entanto, mesmo que o software seja bem planejado, pode deixar a desejar no
momento em que o professor fazer uso dele.
O que faz com que um processo de ensino-aprendizagem seja eficiente não é
apenas a opção tecnológica, mas, também, a proposta epistemológica e didáticopedagógica que suporta o uso de determinada tecnologia. Para Giraffa (1999),
software educacional é todo programa que utiliza uma metodologia que o
contextualize no processo ensino e aprendizagem, pode ser considerado
educacional. Dessa maneira, esses programas, quando usados com uma boa
metodologia, podem-se tornar potencializadores do desenvolvimento sócio-cognitivo.
3.7 – O Papel do professor diante do mundo digital
Estudar a ciberinfância e os conhecimentos produzidos por ela na Web
contemplam um tipo de infância presente em muitas escolas, sendo que essa
parcela de crianças só tende a aumentar. Hoje, elas já nascem no meio digital e
muitas não sabem como é o mundo sem essas tecnologias. Essas crianças podem
ser chamadas de nativos digitais. Esses “nativos” possuem o domínio e a facilidade
com que crianças e adolescentes trabalham desde pequenos com a tecnologia.
Os adultos que nasceram antes da difusão da tecnologia digital, podem ser
vistos como imigrantes digitais (PRENSKY, 2001), pois esses aprenderam e
conheceram os computadores e outros aparelhos eletrônicos ao longo de suas
vidas. Entretanto, a evolução e a expansão tecnológica estão se dando de forma tão
veloz que não paramos para pensar a respeito da constituição dessa cibercultura na
qual estamos inseridos.
Muitos adultos já se apropriaram e necessitam tanto dos
aparelhos eletrônicos, que, assim como as crianças não se imaginam mais “vivendo”
sem eles.
É como se os imigrantes digitais falassem outra língua e se vivessem em um
novo país, tendo que aprender, muitas vezes sem um suporte maior, uma outra
forma de comunicação. São os “imigrantes digitais” que tentam falar a “língua
30
digital”, mas com “forte sotaque analógico”. No ambiente escolar, essa inadequação
entre “imigrantes digitais” e os “nativos digitais” mostra-se ainda mais problemática.
Um fato a ser pensado pelo imigrante é que ele imagina que as tecnologias digitais
devem ser “introduzidas” no processo de ensino e aprendizagem, no entanto, elas
estão sempre presentes, imbricadas na ação dos nativos/alunos, pois eles vivem e
pensam com essa tecnologia, ainda que na frente deles esteja um professor
“imigrante digital” com um giz branco e um quadro negro.
O mundo digital trouxe para o ensino a necessidade de se aprimorar os
espaços de comunicação, de interação, de construção coletiva, de aprendizagem,
constituindo-se em verdadeiros espaços de convivência. Nesse sentido, não raro as
atividades propostas pelo professor restringem-se à digitação de texto ou uso de um
CD-ROM que nem sempre é interativo, evidenciando uma proposta totalmente
“analógica”. Outro erro comum é colocar a aula no laboratório ao encargo de um
monitor, para substituir um professor que faltou naquele dia ou mesmo
condicionando a ida dos alunos ao laboratório de informática àqueles que tiveram
bom comportamento durante a semana.
O professor precisa ter um olhar crítico sobre sua prática pedagógica,
escolhendo o melhor material a ser utilizado pelas crianças e refletindo junto com
elas sobre a apresentação do site, dos sentidos dados pelos seus produtores e os
sentidos que podemos dar, enquanto usuários, crianças e responsáveis pela nova
geração. A criança precisa entender o mundo social e natural, as produções
culturais e tecnológicas de sua época, para ser um cidadão informado, crítico,
posicionado,
capaz
de
expressar
suas opiniões,
seus
sentimentos,
suas
discordâncias e também ser capaz de ouvir seus parceiros, seus interlocutores.
3.7.1 - Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) são plataformas que se
compõem de suporte tecnológico, interface gráfica, programação e de relações que
são estabelecidas através dele (BEHAR, et al, 2004). Esse recurso é de grande
utilização na Educação a Distância (EAD) e pode servir de suporte para aulas
presencias e semipresenciais, na criação de um ambiente que vai além da escola,
integrando alunos e professores. Em geral, essas plataformas apresentam
31
ferramentas para repositório de arquivos, fóruns, bate-papos, espaços para
exercícios diversos, entre outros.
Nesse trabalho, será dado destaque ao AVA Planeta ROODA, desenvolvido
pelo NUTED/UFRGS. Essa plataforma foi criada para dar suporte a aulas de
Educação Infantil e Ensino Fundamental. Sua concepção se deu a partir de uma
pesquisa desenvolvida em duas escolas do município de Porto Alegre e de acordo
com um levantamento realizado pela Internet. A partir das ideias coletadas, sua
interface seguiu a temática “espaço sideral”, tema recorrente nas escolas e de
interesse das crianças da faixa etária correspondente ao seu público-alvo, entre 4 e
10 anos de idade.
Entre seus recursos, tanto alunos quanto professores tem acesso a
ferramentas de comunicação (Comunicador e Fórum), repositório de arquivos
(Biblioteca) e espaço para escrita pessoal e disponibilização de trabalhos (Blog).
Nesse momento, essa plataforma encontra-se em fase de implementação de entre
outras ferramentas que visam proporcionar a interação e o trabalho cooperativo, de
acordo com a ação pedagógica do professor. De fácil navegação, utiliza símbolos de
fácil compreensão nos botões, através dos quais, mesmo crianças não alfabetizadas
podem navegar.
32
4 - REDES SOCIAIS NA EDUCAÇÃO
Para a análise das redes sociais na educação, foi realizada uma revisão de
literatura em revistas técnicas e científicas para levantamento das principais
características e tendências do uso das redes sociais.
4.1 – Breve Histórico da Tecnologia na Educação
A Tecnologia Educacional teve início na década de 40 do século passado nos
Estados Unidos, utilizando-se da tecnologia audiovisual em aplicações militares,
seguida mais tarde pelos programas educativos de ensino programado (PONS2,
1998).
Porém somente no final do século XIX e início do século XX, surgiram as
primeiras máquinas de ensinar, elas serviam para resolver problemas lógicos de tiro
dos militares.
Segundo Pons (1998), a partir da década de 60, a expansão dos meios de
comunicação de massa, sobretudo o rádio e a televisão, irá gerar mudanças nos
costumes sociais, na maneira de fazer política, na economia, no marketing, na
informação jornalística e também na educação (IDEM, 1998).
Durante os anos 70, surgem os primeiros Computadores Pessoais (PC), com
isso teve início um processo de ensino individualizado, no qual uma tecnologia
externa ao meio educativo é utilizada com uma finalidade individual.
Nos anos 80, houve grande progresso da comunicação em rede, em virtude
disso, várias pessoas conseguiam se comunicar em tempo real de qualquer lugar do
planeta, com isso era possível realizar a interação de imagens, banco de dados e
som. Nesta mesma década ocorre o início da popularização da internet e a utilização
do Hipertexto com meio de transmissão de informação.
A partir da década de 90, com o avanço das telecomunicações e da
informática, a internet e os computadores pessoais se tornaram ferramentas quase
que indispensáveis no processo de ensino, novas formas de educação surgiram,
como exemplo o ensino a distância (EaD).
33
O futuro é bastante promissor para a integração da educação e da
informática, o surgimento de novas áreas de estudo na informática, como a
Inteligência Artificial (IA), aliado com os novos conceitos de metodologia da
educação serão um campo de pesquisa vasto e gratificante, podemos dizer que a
tecnologia será um elemento propulsor da educação da nossa sociedade.
4.2 - INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO
A informática na educação pode assumir quatro grandes papéis: como
disciplina escolar, tecnologia educativa, conjunto de instrumentos nas disciplinas
existentes e a informática para a gestão de documentos e de comunicação. O que
se coloca como prioritário no tocante à intervenção da informática na educação
refere-se ao fato de analisar as relações entre tratamento de informação e
conhecimento.
O sistema educacional vigente vem sendo criticado por contribuir pouco com
o desenvolvimento do pensamento do aluno, de sua capacidade de aprender novas
habilidades e de lidar com situações inesperadas, apesar dos investimentos
aplicados em tecnologias de informação e comunicação e em programas de
formação docente.
Os investimentos aplicados em informatização de escolas públicas ainda são
poucos
para
garantir
a
inclusão
digital,
em
proporções
apropriadas
alunos/equipamentos e em estratégias pedagógicas baseadas no uso de
tecnologias.
Logo, a simples incorporação de equipamentos nas escolas sem a necessária
criação de ações pedagógicas e políticas de fomento ao desenvolvimento de
projetos integradores da informática para uso educacional, com acompanhamento
constante dos resultados obtidos e programas de formação dos docentes, poderá
gerar a banalização da informática na educação assim como a ociosidade dos
equipamentos disponíveis nos laboratórios de informática.
De acordo com as colocações acima, esperamos que os gestores de políticas
educacionais possam desenvolver projetos para a utilização dos espaços
informatizados das escolas públicas de forma a disponibilizar acesso e metodologias
34
aos discentes, reduzindo, nessa instância, as desigualdades de oportunidades entre
estudantes de baixa renda.
4.2.1 - INFORMÁTICA E O ENSINO
Podemos encontrar atualmente em todo o território nacional um grande
número de escolas sem energia elétrica, outras funcionando em condições
precárias, vemos no interior escolas funcionando debaixo de árvores, porém a
fixação por escolas informatizadas é cada vez maior. Essa diferença entre as
escolas das principais regiões do nosso país e das regiões Norte e Nordeste reflete
a desigualdade social e econômica do país. Nesse contexto, vemos que a ausência
de computadores nas escolas, quase sempre, é entendida como atraso, sendo que
existe a crença que um indivíduo sem conhecimento de informática será
marginalizado socialmente e profissionalmente.
Hoje temos estudos que buscam redimensionar a prática educativa e valorizar
a informática como ferramenta pedagógica. Os princípios que servem de fulcro para
este estudo apontam para a importância de reconhecer professores, que os livros
didáticos não possuem a verdade finalizada e acrescentamos, ainda, que o
computador pode ser uma ferramenta de experimentação. Com isso temos uma
mudança nos papéis tradicionais desempenhados por professores e alunos, os
primeiros deixariam de ser aqueles que repassam informações, convertendo-se em
coordenadores de um trabalho de pesquisa. Os últimos deixariam de ser aqueles
que recebem informações passivamente, transformando naqueles que buscam e
analisam dados.
Existem muitos problemas que surgem numa sociedade desigual como a
brasileira, são enormes os desafios colocados pela informatização do mundo do
trabalho e da escola. Em sua pesquisa, acerca do computador como mediador dos
processos pedagógicos, a educadora mineira Sheila Alessandra Brasileiro afirma
que:
“Em Belo Horizonte, enquanto os filhos das camadas médias, estudam com
informática, os filhos das camadas baixas procuram estudar informática. Os
primeiros vão à escola que tem computador, os segundos vão à escola de
computação, quando conseguem pagar, fazendo, às vezes, o sacrifício de
depositar todo o seu salário neste investimento.” (BRASILEIRO, 1996: 87)
35
O primeiro desafio a ser vencido é a democratização do acesso a informática.
Do contrário, estaremos aumentando a distância que separa as classes populares
das classes altas. E essa relação tem nítidas implicações para a questão da
organização do sistema de ensino.
A pesquisa de Brasileiro, publicada pela editora da Universidade Federal de
Minas Gerais, mostra que as escolas privadas têm sempre melhor infra-estrutura em
termos de informática em relação às públicas. Porém, seu trabalho procura também
analisar se as escolas utilizam o computador e a informática como ferramenta
pedagógica, como atividades extra-classe ou apenas como chamariz mercadológico.
Nesse item, as conclusões são preocupantes. Em algumas escolas públicas
encontram-se a disposição dos educadores em utilizar os computadores como
ferramentas pedagógicas, elaborando projetos pedagógicos e buscando ministrar os
conteúdos escolares através da informática, levando os alunos a pesquisarem e a
criarem a partir dos mesmos.
Esbarram, porém, quase sempre no pequeno número de computadores, nos
altos preços dos softwares, no despreparo dos profissionais. Noutras, também
públicas, o computador é utilizado para atividades extra-classe e são oferecidos
cursos básicos de computação aos alunos e à comunidade escolar. Sem
desmerecer essa iniciativa que tem como pontos positivos o fato de oferecer uma
qualificação ainda que mínima aos alunos e, principalmente, de aproximar a
comunidade da escola, é preciso afirmar que essa prática está ainda muito distante
das reais possibilidades de um trabalho pedagógico com a informática. Na verdade,
continuam sendo reafirmadas as práticas pedagógicas tradicionais e a informática
sendo utilizada como algo estanque, completamente isolada do mundo pedagógico
e da relação ensino-aprendizagem.
Nas escolas privadas, com exceção daquelas que têm feito um maior
investimento na elaboração de projetos pedagógicos, o computador também é
utilizado como atividade extra-classe. Há aqui um diferencial quanto às escolas
públicas: os cursos de computação que essas escolas oferecem não são apenas
básicos, tendo os alunos um acesso maior à utilização da informática. Porém, no
que diz respeito ao essencial – a utilização do computador como ferramenta
pedagógica – a situação continua a mesma. A maior barreira que essas escolas
enfrentam para transformar essa prática pedagógica está na formação dos
36
profissionais da educação, na maioria das vezes, ainda despreparados quanto à
informática educativa, por mais que dominem a aplicativa.
Observamos também, a perversidade social e pedagógica da relação que se
estabelece entre informática e educação. Como as escolas privadas sobrevivem do
dinheiro que seus alunos pagam para freqüentá-la, muitas vezes o computador (os
mais velozes, número de computador por aluno etc) é utilizado por elas como
chamariz mercadológico. O perverso dessa situação está exatamente em que a
questão pedagógica é colocada em segundo plano num ambiente que deveria ser a
prioridade absoluta.
Uma última questão observada diz respeito às dificuldades com os softwares
educacionais. Segundo seus estudos, os poucos softwares nacionais não passam
de uma transposição das tradicionais cartilhas para o computador, não atendendo
também às divergências culturais e à heterogeneidade presente nas salas de aula.
Como na maioria das vezes são feitos por informatas que nada entendem de
educação, são atrativos, mas não chegam a ser superiores, em termos pedagógicos,
à tradicional cartilha que afirma que “Ivo viu a uva”, ou seja, trabalha-se a
alfabetização ou outro conteúdo qualquer totalmente descontextualizado e
desvinculado da realidade do aluno, da realidade local e da realidade sócio-políticoeconômica nacional e mundial.
4.3 - Como utilizar as redes e mídias sociais na educação
A realidade atual aponta para uma era tecnológica bastante avançada. É
possível, por exemplo, acompanhar com relativa simultaneidade acontecimentos que
ocorrem ao redor do mundo. Percebe-se, portanto, que a utilização dessas
tecnologias influencia a sociedade de forma significativa. Sendo, pois, a escola um
segmento da sociedade, ela vem sendo também afetada de forma bastante
acentuada, por meio da crescente utilização desses recursos tecnológicos. Nesse
sentido, Behrens, Maseto e Moran (2000, p. 71) afirmam que:
[...] a produção do saber nas áreas do conhecimento demanda ações que
levem o professor e o aluno a buscar processos de investigação e pesquisa.
O fabuloso acúmulo da informação em todos os domínios, com um real
potencial de armazenamento, gera a necessidade de aprender a acessar as
informações. O acesso ao conhecimento e, em especial, à rede
37
informatizada desafia o docente a buscar nova metodologia para atender às
exigências da sociedade. Em face da nova realidade, o professor deverá
ultrapassar seu papel autoritário, de dono da verdade, para se tornar um
investigador, um pesquisador do conhecimento crítico e reflexivo. O docente
inovador precisa ser criativo, articulador e, principalmente, parceiro de seus
alunos no processo de aprendizagem. Nesta nova visão, o professor deve
mudar o foco do ensinar para reproduzir conhecimento e passar a
preocupar-se com o aprender e, em especial o “aprender a aprender”,
abrindo caminhos coletivos de busca e investigação para a produção do seu
conhecimento e do seu aluno.
Diante desse novo panorama, compreende-se que a utilização de redes e
mídias sociais na educação é um fato, e, assim sendo, o professor precisa estar
aberto e atento para conhecer e aplicá-las a sua prática de sala de aula, sob pena
de se tornar desatualizado e acabar por transformar as aulas em algo pouco atrativo
aos olhos cada dia mais aguçados e curiosos de seus alunos. Nesse contexto, cabe
a contribuição de Kenski (2007, p. 103), quando afirma:
[...] professores bem formados conseguem ter segurança para administrar a
diversidade de seus alunos e, junto com eles, aproveitar o progresso e as
experiências de uns e garantir, ao mesmo tempo, o acesso e o uso
criterioso das tecnologias pelos outros. O uso criativo das tecnologias pode
auxiliar os professores a transformar o isolamento, a indiferença e a
alienação com que costumeiramente os alunos frequentam as salas de
aula, em interesse e colaboração, por meio dos quais eles aprendam a
aprender, a respeitar, a aceitar, a serem pessoas melhores e cidadãos
participativos. Professor e aluno formam “equipes de trabalho” e passam a
ser parceiros de um mesmo processo de construção e aprofundamento do
conhecimento: aproveitar o interesse natural dos jovens estudantes pelas
tecnologias e utilizá-las para transformar a sala de aula em espaço de
aprendizagem ativa e de reflexão coletiva; capacitar os alunos não apenas
para lidar com as novas exigências do mundo do trabalho, mas,
principalmente, para a produção e manipulação das informações e para o
posicionamento crítico diante dessa nova realidade.
Observa-se, a partir dessas considerações, que o professor deixou de ser a
única referência do aluno quando se trata de encontrar informações; porém, sua
responsabilidade tem se mostrado ainda maior, pois seus alunos utilizam-se das
várias modalidades do Google e Wikipédia para pesquisar tudo e todos quantos já
se encontram publicados, e o professor nem sempre é a primeira opção de busca.
Essa colocação acompanha ainda a orientação de Behrens, Maseto e Moran (2000,
p. 70):
[...] as mudanças desencadeadas pela sociedade do conhecimento têm
desafiado as universidades no sentido de oferecer uma formação
compatível com as necessidades deste momento histórico. A visão de
38
terminalidade oferecida na graduação precisa ser ultrapassada, pois vem
gerando uma crise significativa nos meios acadêmicos. Crise alimentada
pela falsa ideia de que ao terminar o curso o aluno está preparado para
atuar plenamente na profissão. O novo desafio das universidades é
instrumentalizar os alunos para um processo de educação continuada que
deverá acompanhá-lo em toda sua vida. Nesta perspectiva, o professor
precisa repensar sua prática pedagógica, conscientizando-se de que não
pode absorver todo o universo de informações e passar essas informações
para seus alunos. Um dos maiores impasses sofridos pelos docentes é
justamente a dificuldade de ultrapassar a visão de que podia ensinar tudo
aos estudantes. O universo de informação ampliou-se de maneira
assustadora nestas últimas décadas, portanto o eixo da ação docente
precisa passar do ensinar para enfocar o aprender e, principalmente, o
aprender a aprender.
Considera-se, pois, a formação continuada dos docentes no stricto sensu,
aqui objeto de pesquisa, para que utilizem as redes e mídias sociais como um dos
meios para a iminente mudança na prática pedagógica, fomentando maneiras de
ampliar a informação e o aprendizado para além dos limites da escola.
4.4 – Os impactos das redes sociais na educação
A definição de uma rede social é a de
[...] uma estrutura social composta por pessoas ou organizações,
conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e
objetivos comuns. Uma das características fundamentais na definição das
redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos
horizontais e não hierárquicos entre os participantes. Muito embora um dos
princípios da rede seja sua abertura e porosidade, por ser uma ligação
social, a conexão fundamental entre as pessoas se dá através da
identidade. (...) Um ponto em comum dentre os diversos tipos de rede social
é o compartilhamento de informações, conhecimentos, interesses e
esforços
em
busca
de
objetivos
comuns.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social).
Hoje, um dos locais em que as redes sociais mais tem se expandido é a web.
As redes de relacionamento virtuais são um dos tipos em que mais têm crescido o
número de usuários, porque o uso delas permite com que eles possam transpor
seus interesses para o mundo virtual e assim a WEB passa a fazer parte do
cotidiano das pessoas, principalmente dos jovens, porque é nela que eles se
reconhecem, comunicam-se, interagem e se informam.
O modo como a escola está organizada atualmente não está mais se
adequando ao perfil da geração net. Esse público se envolve em várias atividades
39
simultâneas, tem interesse em vários campos do saber; nos conteúdos que
estudam, atividades que realizam. No cotidiano da escola, só consideram
significativas as atividades, conteúdos, disciplinas, avaliações, entre outras, nas
quais percebem que estão sendo contemplados em relação a essa multiplicidade de
interesses e várias dimensões que compõem sua personalidade, sua integralidade
enquanto seres.
Gardner (2000) defende que não há uma inteligência, mas sim múltiplas
inteligências humanas, ou seja, que nós possuímos capacidade de aprender e
apresentar habilidades em relação a várias áreas do conhecimento, e, sendo as
inteligências múltiplas, a escola deve diversificar suas formas de atuação,
priorizando não só as áreas da linguagem ou do conhecimento lógico-matemático,
mas variando o leque de discussões e atividades para que se estimule todas as
formas de inteligência e habilidades que podemos manifestar.
Em face da expansão do uso das redes sociais, a escola e o processo
educativo em si não podem ficar alheios ao papel que exercem nas formas de se
expressar e relacionar da geração net; se é fato que estamos em uma configuração
social diferente de todas as anteriores, então a educação também deve se renovar
para atender as novas demandas formativas que estão surgindo nesse contexto.
Assim, uma perspectiva que surge para a educação é a de utilizar as
tecnologias em seus processos, principalmente as TIC’s, e uma forma eficiente de
fazer isso é trazer para as práticas, conteúdos e demais atividades da escola o uso
das redes sociais, já que elas exercem tanto fascínio entre esse público. Devemos
considerar que o ensino via redes pode ser uma ação dinâmica e motivadora.
Mesclam-se nas redes informáticas- na própria situação de produção e aquisição de
conhecimentos – autores e leitores, professores e alunos.
As possibilidades comunicativas e a facilidade de acesso às informações
favorecem a formação de equipes interdisciplinares de professores e alunos,
orientadas para a elaboração de projetos que visem à superação de desafios ao
conhecimento; equipes preocupadas com a articulação do ensino com a realidade
em que os alunos se encontram, procurando a melhor compreensão dos problemas
e das situações encontradas nos ambientes em que vivem ou no contexto social
geral da época em que vivemos. (KENSKI, 2004,p.74)
Porém, a utilização das redes sociais na escola ainda é uma discussão
controversa: muitos profissionais apresentam sérias resistências ao uso das redes
40
ou de quaisquer outros recursos tecnológicos na escola, seja por desconhecimento
do funcionamento desses recursos, preconceito ou incapacidade de realizar uma
transposição pedagógica de seus conteúdos para um meio que não seja a sala de
aula presencial e seus recursos tradicionais – quadro, giz, projetores e livros
didáticos.
Mas, algo a ser considerado por eles é que os impactos deste processo [o
uso da web e seus recursos, como as redes sociais] na capacidade de
aprendizagem social dos sujeitos têm levado ao reconhecimento de que a sociedade
em rede está modificando a maioria das nossas capacidades cognitivas. Raciocínio,
memória, capacidade de representação mental e percepção estão sendo
constantemente alteradas pelo contato com os bancos de dados, modelização
digital, simulações interativas, etc.(BRENNAND, 2006, p.202)
Assim, uma das razões pelas quais a escola poderia utilizar as redes sociais
em suas atividades, partindo da percepção de Gardner, seria a de levar em conta
que o propósito da escola deveria ser o de desenvolver as inteligências e ajudar as
pessoas a atingirem objetivos de ocupação e passatempo adequados ao seu
espectro particular de inteligências. As pessoas que são ajudadas a fazer isso se
sentem mais engajadas e competentes, e, portanto, mais inclinadas a servirem a
sociedade de uma maneira construtiva. (GARDNER, 2000, p.16)
Na perspectiva de desenvolver as variadas formas de inteligência que o ser
humano possui, o pensamento crítico-analítico dos educandos é válido que se
utilizem recursos diferenciados no processo de ensino-aprendizagem, recursos mais
“conectados” com a realidade desse público, do qual a escola não pode se manter
distante. Ou seja, considerando que o perfil do aprendiz não é mais o mesmo de
antes, que também as fontes de informação, os estímulos e desafios são mais
variados, isso faz com que as crianças e jovens de hoje sejam mais ativos,
questionadores e participantes em seu processo de aprendizagem. Eles procuram
conhecimentos que sejam válidos, úteis e relacionados às suas atividades e muitos
não se identificam com perspectivas tradicionais de ensino, nas quais lhes é dado o
papel de mais contemplar o saber do que participar da construção do mesmo.
41
4.4.1 - Redes sociais: por que utilizá-las na educação?
A inserção das redes sociais nas escolas enquanto uma ferramenta no
processo de ensino-aprendizagem já é um fato que acontece em muitas instituições
de ensino: os alunos trazem para dentro da escola elementos de sua realidade
externa, através dos seus celulares, Mp’s, notebooks, netbooks, usando os
computadores da escola e outros recursos eletrônicos que lhes permitem manter
essa conexão com os outros e com o mundo.
Mesmo que de forma indesejada, as redes sociais se entrelaçam ao cotidiano
da escola, interferem nas aulas e atividades, tornando-se um elemento o qual pode
e deve ser explorado pelos professores e demais profissionais no desenvolvimento
das atividades da escola. Aulas, pesquisas, debates, seminários, trabalhos em
grupos constituídos por alunos de escolas diferentes (até de países e culturas
diferentes), contato (chat,troca de emails, troca de arquivos,etc.) com pessoas
relacionadas a algum tema em discussão, essas são apenas algumas atividades
que podem ser desenvolvidas através do uso das redes sociais na escola, porque
assim como as ferramentas da Web 2.0, as redes sociais oferecem um imenso
potencial pedagógico. Elas possibilitam o estudo em grupo, troca de conhecimento e
aprendizagem colaborativa. Uma das ferramentas de comunicação existentes em
quase todas as redes sociais são os fóruns de discussão.
Os membros podem abrir um novo tópico e interagir com outros membros
compartilhando ideias. Enfim, com tanta tecnologia e ferramentas gratuitas
disponibilizadas na Web, cabe ao professor o papel de saber utilizá-las para atrair o
interesse dos jovens no uso dessas redes sociais favorecendo a sua própria
aprendizagem de forma coletiva e interativa (BOHN, 2009, p.01)
Também, em defesa das redes, enquanto ferramenta de aprendizagem, Gallo
apresenta as contribuições e aspectos positivos do uso de uma rede virtual de
relacionamentos - o Orkut que atualmente é a rede social de relacionamentos
virtuais com maior número de usuários no Brasil - como ferramenta no processo de
ensino-aprendizagem:
Essa grande abrangência nos variados temas, a troca de informações, a
facilidade no manuseio e alta interligação entre os usuários fazem do Orkut uma
ferramenta popular e de sucesso entre jovens e adultos.
42
O aspecto lúdico através da diversão, descontração e espontaneidade faz
com que o Orkut não seja visto também como um ambiente de aprendizagem e sim
como um ambiente de relacionamento pelos usuários, porém muitos passam a
construir conhecimento por meio de recados (scrap) e ou pela discussão gerada
pelas comunidades virtuais.
Nesse sentido, pode funcionar como aliado/parceiro, pois possibilita o
encontro de pessoas com interesses semelhantes e múltiplos pontos de vista,
favorecendo a comunicação e ampliando a cooperação e o reconhecimento do
outro. (GALLO, 2006, p. 49)
Podemos perceber que os diversos elementos que compõem a maioria das
redes virtuais (perfis, páginas de recados, comunidades, jogos, compartilhamento de
fotos, vídeos, músicas, entre outros) permitem com que seus usuários interajam
entre si, compartilhem opiniões, gostos, vontades: a forma como são tratados
diversos temas, a apresentação visual, os links que podem remeter a outras
páginas. Isso tudo faz com que as redes sociais virtuais em sua maioria apresentem
uma dinâmica de funcionamento que leva os usuários a terem interesse em
acompanhar o que há de novo, participar, ou seja, torna-se importante ser um
membro, contribuir com conteúdo e informações e assim interagir, fazer-se presente
nesse meio.
Assim, ao introduzirmos o uso das redes sociais na escola, podemos junto
com elas inovar o cotidiano das atividades da escola em relação aos seguintes
aspectos: atratividade, interatividade, inovação, diversidade, entre outros, os quais,
sem dúvida podem servir como elemento motivador dos alunos em relação a sua
aprendizagem.
4.4.2 - Limitações no uso das redes sociais no processo de ensino
aprendizagem
Quanto ao uso das redes sociais no processo de ensino-aprendizagem na
escola, devemos levar em conta que as redes sociais, assim como outros recursos,
necessitam ter uma proposta pedagógica norteando o seu uso na educação para
que essa utilização seja eficaz no processo de ensino-aprendizagem. Por ainda
serem uma alternativa didática cuja viabilidade está sendo alvo de estudos, além
43
disso, há a questão das restrições a serem consideradas em relação ao uso
educacional das redes sociais.
Um dos problemas mais apontados, em relação ao uso das redes sociais, é
que elas expõem seus usuários que disponibilizam informações pessoais e
mecanismos de contato (número de celular, endereço, e outros.). É fato que, ao
ingressarmos numa rede social virtual, principalmente se essa for externa, a qual a
escola não pode garantir a privacidade de uso, é necessário adotar precauções em
relação a quais informações pessoais irão circular na rede, de forma a evitar que as
mesmas nos levem a sermos alvos de ações criminosas, sejam elas virtuais
(assédio ou cyberbullying por exemplo) como também presenciais (roubos,
violências diversas, trotes e outros procedimentos) desagradáveis.
Outro elemento que gera resistência em relação ao uso das redes sociais é o
fato de que as mesmas não são acessíveis a todos – escolas que não possuem um
laboratório de informática em boas condições de funcionamento, alunos que não tem
acesso a um computador potente ou a internet com velocidade e definição
suficientes para que possam realizar e acompanhar as atividades propostas,
acabam se prejudicando em atividades que sejam desenvolvidas exclusivamente
pelas redes sociais;
Outra questão detectada na realização de atividades pedagógicas através do
uso das redes sociais é o fato de que é necessário um acompanhamento eficaz dos
professores e outros profissionais, porque as informações publicadas na rede nem
sempre podem ser removidas ou editadas. De acordo com Silva (2009), “devemos
ter cuidado com o que publicamos nas redes sociais (artigos, opiniões, dados
pessoais, comentários, respostas a outros usuários, etc.), porque nem sempre
podemos reformular ou remover essas informações”, o que pode gerar algum tipo de
problema, tanto para quem publicou, como para quem é alvo daquela publicação.
Por isso os alunos necessitam de orientações claras e eficazes para não se
prejudicarem na realização das atividades, principalmente aquelas de caráter
avaliativo.
Além desses, há ainda outros entraves que podem surgir quando as redes
sociais virtuais são utilizadas na educação, conforme estudos de Harasim et al.
(2005):
44
Ocorrência de dificuldades técnicas - tanto alunos como professores podem
ter dificuldades no uso das redes ao se depararem com problemas técnicos
tais como dificuldades no acesso, na execução de procedimentos
(downloads, uploads, por exemplo) problemas de conexão, dificuldades no
manuseio de softwares e aplicativos, entre outros;
A “ansiedade de comunicação” – os usuários iniciantes ficam ansiosos em
saber se suas mensagens chegaram e também em receber respostas
imediatas aos seus questionamentos; os usuários das redes virtuais devem
saber que o “diálogo” apresenta diferenças em termos de velocidade entre
perguntas
e
respostas,
principalmente
em
atividades
assíncronas;
determinados tipos de atividades na rede exigem um tempo diferenciado do
real;
Excesso de informações na rede ou “Infoglut” – esse termo se refere ao
problema de excesso, de sobrecarga de informações na rede, ou seja,
quando uma atividade na mesma é focada em algum objetivo educacional,
deve-se ter um controle, um filtro em relação à quantidade e tipo de
informações que circulam na rede, para evitar que informações que não são
relacionadas aos objetivos da atividade acabem ocupando o espaço de
outras mais necessárias e dessa forma confundam os alunos ou os tirem do
foco do que estão fazendo;
Problemas na administração do tempo - as atividades em rede podem se
tornar mais extensas do que as atividades presenciais, por isso é
necessário um planejamento e controle mais rigoroso do tempo para evitar
a dispersão ou mesmo a desistência em relação às atividades; tanto
professores como alunos devem ter condições de acompanhar as
atividades propostas, e para isso o planejamento do tempo é fundamental;
Dificuldades na condução das atividades (conversas, trabalhos, etc.) - as
diversas atividades que ocorrem nas redes, para que contribuam no
processo de ensino–aprendizagem necessitam ser planejadas de modo
eficaz e de forma que sejam possíveis de serem realizadas pelos alunos; se
o professor cobra demais ou de menos, não orienta os alunos, não
estabelece objetivos claros a serem atingidos, os alunos podem se
desmotivar ou mesmo construir concepções equivocadas sobre algo;
Desenvolvimento de competição ao invés de cooperação entre os alunos,- é
necessário cuidado no tipo de atividades solicitadas aos alunos e também
na condução das mesmas, porque um dos objetivos das atividades em rede
é promover a cooperação entre os alunos, mas um dos equívocos mais
comuns é com que sejam propostas atividades que promovem a
competição, a rivalidade e o individualismo, saindo da perspectiva de uma
aprendizagem colaborativa;
45
Dificuldades no estabelecimento da dinâmica de grupo, participação
desigual dos usuários, má comunicação, ausência de apoio institucional e
de planejamento estratégico, são ainda outros problemas apontados pelos
autores (HARASIM ET AL, 2005)
Poderíamos ainda elencar outras dificuldades, mas as que foram apontadas
aqui já são um indicativo que há muitos elementos a serem considerados para que o
uso das redes, principalmente as virtuais, sejam uma opção válida no processo de
ensino-aprendizagem.
4.4.3 - Uso de rede social como apoio para atividades em grupo na educação
O fenômeno das redes sociais online nasce com a difusão da internet e ganha
força em forma de redes de relacionamento (Orkut, Facebook, Twitter, Myspace) e
hoje, também, de redes profissionais (p. ex. Linkedin). Sua principal característica é
a horizontalidade de relações e a possibilidade de comunicação virtual, síncrona ou
assincronamente.
Passarelli (2010), em trabalho publicado sobre a etnografia virtual em redes
sociais de escolas públicas em norte e nordeste brasileiros, afirma que não há mais
uma relação de estranhamento entre o público jovem e o universo digital, “já que a
rede é um fato consumado e incorporado como a continuidade e extensão de seu
dia-a-dia, de sua realidade”. A autora destaca que, na rede, o sujeito deixa de ser
observador e passa a ser também ator, expressando sua subjetividade em rede, por
meio de conversações e intervenções sociais. É importante destacar, no entanto,
que essa subjetividade pode ser real ou construída, conforme o desejo da autora.
Segundo Passarelli (2010, p.7), as ferramentas sociais da internet podem favorecer
novas formas de ação coletiva, “criando grupos de colaboração capazes de
transformar o status quo”. A constituição de comunidades virtuais:
[...] é impulsionada, tendo como principal peculiaridade o fato de surgir de
forma espontânea, quando se estabelecem agrupamentos sociais com base
em afinidades. No interior de tais comunidades devem existir elementos
como solidariedade, emoção, conflito, imaginação e memória coletiva,
união, identificação, comunhão, interesses comuns, interação”.
46
Embora nem todos os elementos elencados pela autora necessariamente
estejam presentes em uma comunidade virtual, a presença de alguns deles pode
justificar a expansão das redes sociais para outras esferas. Dentre as principais
razões que envolvem a participação dos alunos em sites de relacionamento e
comunidades virtuais, Passarelli (2010) elenca as seguintes: “I) fazer novos amigos
(81%); II) conversar com amigos (77%); III) trocar mensagens e recados (60%) e IV)
reencontrar pessoas (53%) e V) participar de comunidades (46%)”. Tendo em vista
que o trabalho da autora foi disponibilizado já há algum tempo, é possível verificar
que, do período descrito por ela até o momento em que este trabalho está sendo
elaborado, as redes sociais ganharam força e espalharam-se para outras esferas de
atividade humana, no sentido bakhtiniano, como, por exemplo, para as esferas
profissional e acadêmica, e não mais apenas para fins de entretenimento.
Foi nesse novo contexto, que o grupo LEETRA criou duas comunidades no
facebook como apoio às atividades desenvolvidas por membros do grupo: uma
comunidade para os integrantes do “Curso de inglês para graduandos indígenas”
(com a denominação LEETRA Indígena, do qual participa parte significativa da
comunidade acadêmica indígena da universidade em questão) e outra como apoio
do curso NATV 3130, coordenado pela líder do grupo em colaboração com
professora canadense (neste caso, com a denominação “NATIVE CONNECTIONS”,
com a participação de graduandos em Letras e de mestrandos do Programa de PósGraduação em Literatura, do lado brasileiro, e de graduandos e pós-graduandos em
“Native Studies”, do lado canadense). Nessas duas comunidades de Facebook, os
participantes trocavam experiências, informações, material online, e davam
continuidade às discussões realizadas na sala de aula presencial - no caso do curso
para indígenas que pertencia, também, a atividade de extensão universitária, assim
como dois outros cursos mencionados acima - e via webconferência, no caso do
curso NATV 3130, que fez parte das atividades de Memorando de Entendimento
assinado recentemente entre as duas universidades.
4.5 - Facebook
O Facebook foi criado em fevereiro de 2004, em Harvard, nos EUA por Mark
Zuckerberg e três amigos, um deles o brasileiro Eduardo Severin. Primeiramente,
47
lançaram o TheFacebook.com. Em dezembro do mesmo ano, a rede já alcançara a
marca de um milhão de usuários. Ele foi a rede social mais visitada do mundo, no
ano de 2010, superando a Google, líder absoluta de acessos até então.
Ele, assim como todas as outras redes sociais, vem ganhando a preferência
dos usuários da Internet na realização de várias tarefas, como compartilhamento de
ideias e notícias, divulgação de fatos e produtos interessantes a um público
específico e diversão por meio de seus aplicativos. Além dessas, existem outras
finalidades como estabelecer contatos, que muitos julgam ser a mais relevante,
adquirir conhecimento e gerar discussões a respeito de diversos assuntos.
Uma grande vantagem do uso do Facebook é que ele tem como característica
a centralização de informações, o que permite ao usuário navegar em busca de
diversos assuntos sem sair da sua página na rede.
O Facebook, atualmente, pode ser acessado pelo celular, diminuindo a
distância entre a rede e o usuário, que pode tê-la em suas mãos. É possível receber
o conteúdo via mensagem de texto, democratizando a utilização móvel do site, uma
vez que sem esse recurso apenas os smartphones seriam capazes de interagir com
esta disponibilidade (ARIMA; MORAES, 2011). Esse recurso permite maior
velocidade na transmissão das informações e conteúdos, facilitando o uso do
Facebook como distribuidor de conhecimento, ampliando as dimensões do uso
desta rede social na educação.
Ele conta com uma infinidade de aplicativos, que satisfazem diversas áreas
de interesse, inclusive a educação. Existem diversos aplicativos nesta área para uso
de alunos, professores e de uso comum, dentre os quais podemos destacar alguns
como o Notely e o Study Groups voltados para o uso dos alunos, o Mathematical
Formulas para o uso docente e o WorldCat (COLLEGEDEGREE.COM, 2008). Esses
aplicativos têm como função auxiliar os estudantes e professores para que exista
uma maior interação aluno-aluno e aluno-professor, além de oferecer opções de
busca, dicas de aprendizagem e organização.
4.6 - Twitter
O Twitter é um serviço online de microblogging, sendo que o usuário deve
responder a simples pergunta “O que está acontecendo” (What’shappening?) em no
48
máximo 140 caracteres, assim ele pode expor opinião, debater, comentar e fazer
publicidade. É uma rede de informações em tempo real (TWITTER, 2011).
Ele permite que usuários diferentes se liguem através de uma rede de
seguidos e seguidores e, assim, pode ser usado como uma ferramenta e um canal
para as pessoas expressarem o que sentem, pensam ou fazem no momento em que
estão escrevendo (PAVÃO JUNIOR; SBARAI, 2010).
Quando as mensagens são escritas e publicadas nos perfis, em tempo real,
são transmitidas para uma espécie de lista de atualizações, chamada de timeline, de
todos os seguidores do autor da mensagem, de forma que quem estiver online pode
ler, responder, reenviar e escrever sobre o mesmo tema de outras pessoas.
Pela sua capacidade de transmissão de mensagens em tempo real via
Internet, o Twitter pode fazer com que um simples assunto se torne um tema a ser
discutido no nível global.
Na maior parte do tempo, o Twitter apenas transmite informações
irrelevantes. Porém, por sua velocidade, mobilidade e alcance, é uma plataforma
que possibilita a comunicação de forma eficiente. “É como se cada indivíduo tivesse
seu próprio meio de comunicação”, afirma o sociólogo Michel Maffesoli (PAVÃO
JUNIOR; SBARAI, 2010).
Ainda segundo Pavão Junior e Sbaral (2010), as mensagens ganham maior
alcance se transmitidas por usuários com muitos seguidores e com grande influência
em comunidades virtuais.
Existem vários aplicativos que possibilitam escrever e ler a partir de diferentes
meios de acesso a Internet, não ficando limitado ao navegador e a página principal
do Twitter. Atualmente há aplicativos para celulares, smartphones e computadores.
Quanto à segurança, o usuário pode decidir por deixar seu perfil público
fazendo com que todos possam acessar e ler as mensagens mesmo se não
estiverem conectados no site ou ainda proteger seu perfil, assim, apenas os
seguidores podem ler as mensagens e cabe ao usuário o dever de aprovar quem
serão seus seguidores. “Com milhares de perfis novos todos os dias, um dos
benefícios imediato do uso da ferramenta é a concentração dos dados em um só
lugar” (LEAL, 2009, p. 34).
De acordo com Pavão Junior e Sbarai (2010), desde a sua criação, o Twitter
já foi utilizado na política, nos negócios e no entretenimento. Pode-se citar, como
49
exemplo, as eleições iranianas, quando ocorreu o movimento chamado de
“revolução do Twitter”.
Muitos políticos em campanhas, empresas e pessoas utilizam o Twitter como
forma de marketing online. Os jornais e sites de noticiários costumam publicar o
título das últimas notícias em perfis do Twitter buscando, dessa forma, sua
divulgação.
A concentração de informações, facilidade de troca de dados, discussões
online em tempo real e o acesso rápido são características a serem exploradas na
Educação, pois o professor pode passar informações, vídeos, links com conteúdo
para download, responder dúvidas e divulgar notícias sobre os temas a serem
estudados.
4.7 - Orkut
O Orkut é uma rede social criada pelo turco Orkut Buyukkokten em 22 de
janeiro de 2004, com a finalidade de ajudar os membros a conseguirem novas
amizades, relacionamentos e empregos. A comunidade é afiliada a empresa Google,
uma vez que seu projetista chefe é um de seus engenheiros (PING, 2009).
No início, para ingressar no serviço de relacionamento era necessário que se
recebesse um convite de algum membro. Mesmo assim, em menos de seis meses
no ar, o Orkut atingiu a marca de um milhão de membros. Além de perfis de
usuários, existem no Orkut as comunidades, que são formadas por grupos de
pessoas que têm alguma proposta ou ideia em comum. Nas comunidades são
realizadas discussões, no formato de fóruns e enquetes sobre determinados
assuntos, além da possibilidade de divulgar eventos.
Atualmente, o Brasil é o país com o maior número de usuários no mundo
(mais da metade) e a rede detém a preferência dos brasileiros.
Para se adequar à concorrência no segmento das redes sociais, o Orkut
lançou uma nova versão, com uma nova aparência e novos recursos. A necessidade
de rapidez na transmissão de informação, fez com que a página inicial mostrasse as
atualizações dos amigos como fotos, vídeos e pensamentos. Isso se torna
interessante quando se pensa na divulgação de ideias e conhecimentos. Não é
50
necessário muito esforço para que as pessoas tenham acesso às informações
disponíveis.
O acesso às mensagens ficou mais rápido quando foi introduzido o recurso
para receber os recados pelo celular através de SMS (Short Message Service).
A rede permite alguns benefícios como o agrupamento de profissionais da
mesma área para discussões técnico-científicas, utilidade pública, como fornecer
informações sobre educação e saúde, reunir vítimas de problemas semelhantes,
gerando uma interação que pode auxiliar essas pessoas com o compartilhamento
das experiências alheias, além de aproximar pessoas que tinham perdido contato
pessoal.
Assim como em outras redes sociais, no Orkut o usuário possui uma página
própria chamada de perfil. Nela podem ser escritos dados pessoais, sociais,
profissionais e formas de contato. Além das informações pessoais, também é
possível publicar álbuns de fotos, listarem vídeos provenientes de sites e criar uma
lista de eventos (GONZALES; COSTA, 2008).
A comunicação direta entre os perfis é feita, na maioria das vezes, através de
pequenos textos chamados de recados ou scraps em inglês. Na nova versão do
Orkut, os scraps podem ser públicos e visualizados por todos os usuários ou
totalmente privados e visualizados somente pelos participantes da conversa. Os
vídeos e as imagens publicados na Internet podem ser anexados junto aos textos
em scraps.
Outra forma de comunicação entre os perfis ocorre por meio de depoimentos,
com um usuário escrevendo sobre o outro. No Orkut consegue-se também enviar
um tipo simplificado de email chamado de mensagem.
O acesso a algumas partes do perfil e certas formas de comunicação pode
ser limitado pelo seu dono, de forma que a escolha fica entre deixar público ou
habilitar somente para seus amigos. Entre as restrições se destacam a de leitura e
escrita de recados, depoimentos, acesso a álbuns de fotos, à lista de vídeos e aos
dados pessoais.
As comunidades são ambientes relativamente controlados, seu criador pode
apagar tópicos publicados e enquetes, editar informações e descrições sobre a
comunidade, decidir quem serão e se necessário remover participantes. Para
auxiliar na administração de uma comunidade, o dono pode dar alguns privilégios a
determinados participantes, denominados moderadores.
51
Elas são plataformas para discussão de determinados tópicos, nos fóruns um
assunto pode ser totalmente debatido e pesquisas de opiniões são possíveis no
decurso de enquetes. Com a opção de apagar tópicos e postagens, remover e
aceitar participantes, o professor consegue controlar os debates na comunidade,
evitando discussões errôneas, pode propor o desenvolvimento de técnicas e
soluções para os problemas que inicialmente só seriam abordados em sala de aula.
Na nova versão do Orkut um único recado pode ser enviado para vários perfis
e, se explorado na educação, possibilita ao professor mandar um pequeno texto aos
seus alunos, vídeos-aula, fotos demonstrativas com explicações e sites.
Existem ainda os aplicativos que são, na maioria das vezes, jogos ou formas
de diversão desenvolvidas por programadores e aplicadas por vários perfis. Porém,
a criação e utilização de aplicativos educativos pode se mostrar como ferramenta
eficiente no processo ensino-aprendizagem de várias faixas etárias, sendo possível
criar desde jogos educativos para crianças, até simuladores de situações problemas
para universitários.
52
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como todo instrumento que desponta enquanto alternativa a ser trabalhada
no cenário educacional, o uso das redes sociais, principalmente aquelas focadas em
relacionamentos via web, como discutimos aqui, pode trazer contribuições e
avanços como também problemas e prejuízos para o cenário educacional.
As tecnologias relacionadas à comunicação abrem e disseminam um leque
extenso de oportunidades e formas de comunicação e interação entre os indivíduos,
por isso as mesmas nas diversas formas em que se materializam – como por
exemplo, as redes sociais virtuais – não podem ser ignoradas em relação as
interferências que ocasionam em diversos segmentos da vida individual e coletiva.
O que vai garantir a eficácia, ou seja, um ganho para a educação através do
uso das redes no processo de ensino aprendizagem é o fato de que devemos
considerar que elas já fazem parte do cotidiano de boa parte dos alunos e são
utilizadas por eles em outros momentos, ou seja, a utilização das redes sociais na
educação é algo que, pela familiaridade e identificação que a geração net apresenta
em relação as mesmas, pode viabilizar uma melhora no rendimento dos discentes
em relação à aprendizagem, por ser uma instância significativa na vida da maioria
deles. Por isso as ações que forem desenvolvidas utilizando esse recurso terão um
significado dentro do cotidiano desses alunos.
Portanto, é preciso que os profissionais da educação busquem se inserir e os
que já fazem parte aprofundem-se a configuração do novo cenário educacional – a
educação mediada pelo uso das tecnologias, principalmente as TIC’s – Tecnologias
da Informação e Comunicação e as redes sociais nelas contidas, bem como as
linguagens, recursos, técnicas e métodos necessários para que possam estabelecer
uma situação comunicacional com a chamada geração net.
Por fim, ainda enfocando os profissionais da educação, o elemento relevante
para tornar viável o uso das redes na escola é o fato que haja sensibilidade por parte
dos professores na busca de explorar as potencialidades e os recursos que as redes
apresentam, propor atividades que foquem as diversas inteligências e habilidades
dos alunos, de forma que esses se sintam desafiados e motivados na realização das
atividades. Além disso, as ações têm que contribuir para que os discentes, frente a
um universo repleto de informações, possam ter condições de saber selecioná-las,
53
obtê-las, analisá-las e por fim transformá-las em conhecimentos válidos em seu
universo pessoal e social.
Com a presença massiva da Tecnologia da Informação e Comunicação no dia
a dia das pessoas é inevitável que as culturas sociais alterem-se, pois a sociedade
encontra novas maneiras de transmitir informações e gerar conhecimento.
De acordo com Panseri (2009), o modelo de educação que caracterizará a
sociedade da informação e do conhecimento provavelmente não será calcado no
ensino, presencial ou remoto: será calcado na aprendizagem. Consequentemente,
não será um modelo de Educação a Distância, mas, provavelmente, um modelo de
Aprendizagem Mediada pela Tecnologia.
Assim, aprender a utilizar as Tecnologias da Informação e Comunicação fazse necessário para mediar o processo educativo, destacando atualmente as redes
sociais, será essencial para as Instituições de Ensino em todos os níveis, pois as
novas gerações de estudantes estão cada vez mais conectadas a essas novidades.
As redes sociais podem motivar as pessoas a buscar o conteúdo desejado e
fazer desses ambientes, repositórios de objetos de aprendizagem, salas de
discussões e trocar conhecimentos. Contudo, precisamos levar as pessoas a
refletirem seus esquemas mentais, a entenderem a importância e os ganhos que
terão ao participarem de processos interativos como os proporcionados pelas redes
sociais.
54
6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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