A carreira de árbitro de futebol no Brasil
Discente: José Elias dos Santos Filho; Orientador: Elder Patrick Maia.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - ICS
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS – LICENCIATURA
José Elias dos Santos Filho
A CARREIRA DE ÁRBITRO DE FUTEBOL NO BRASIL
Maceió-AL
2014
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José Elias dos Santos Filho
A CARREIRA DE ÁRBITRO DE FUTEBOL NO BRASIL
Monografia apresentada como exigência final para a
conclusão do Curso de Graduação em Ciências Sociais –
Licenciatura, desenvolvida sob a orientação do Prof. Dr.
Elder Patrick Maia Alves
Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Instituto de Ciências Sociais – ICS
Maceió-AL
2014
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TERMO DE APROVAÇÃO
José Elias dos Santos Filho
Trabalho de conclusão de Curso submetido à Banca Examinadora, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do grau de licenciatura em Ciências Sociais.
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________________________________
Prof. Dr. Elder Patrick Maia Alves
______________________________________________________________________
Profa. Dra. Luciana Farias Santana
______________________________________________________________________
Prof. Dr. Wendel Ficher Teixeira Assis
Maceió-AL
2014
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Gostaria de dedicar este trabalho a toda à minha
família, especialmente a minha mãe Regina Maria
da Conceição, ao meu pai José Elias dos Santos,
já (falecido), e a minhas irmãs Eliane, Elisângela,
Divânia, que sempre estiveram presentes nas
horas mais difíceis dessa caminhada e que me
ensinaram a amar, respeitar, ser honesto e dar
valor as coisas simples da vida.
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AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a "DEUS" por nos conceder o dom da vida e nos dar
saúde para que possamos cumprir nossos objetivos durante toda a nossa caminhada;
Agradecer é algo prazeroso e ao mesmo tempo difícil. Prazeroso por ser a
ocasião de citar pessoas que direta ou indiretamente, com sua prodigalidade, acabaram
ajudando na confecção desse trabalho. Difícil pelo fato de, agradecendo, correr o risco
de não mencionar alguns companheiros e companheiras que tiveram também uma
importância capital.
À minha mãe Regina Maria da Conceição e ao meu pai José Elias dos Santos
(falecido) por ter sempre confiado em mim e em meu sucesso, em busca de estudar
para alcançar um futuro melhor no decorrer de minha vida.
Aos amigos do Curso de Ciências Sociais – Licenciatura da turma de 2007,
impossível esquecer vocês. Ao Bruno, Willander, Marta, Anatelson, Rômulo, Larissa,
Charles, Zulma e tantos outros: obrigado por tudo.
A todos os familiares que sempre me apoiaram e sempre estiveram ao meu
lado me dando força, e torcendo por mim;
À minha mulher Nelma que esteve sempre presente durante esses quatro anos,
dando amor carinho incondicionalmente, me fazendo sorrir das coisas mais simples e
me mostrando que tudo ia ser melhor. Amor te amo muito e te agradeço por tudo que
tens feito por mim e por nós e que sem você nada seria possível, pois você é a minha
inspiração de todos os dias. E te peço desculpas pelos momentos que estive ausente
para a realização do trabalho;
Aos meus dois filhos, Djair Elias e Derlan Elias, que nunca deixaram de
acreditar no pai que tem e em muitos momentos estavam de meu lado, para fortalecer o
meu espírito de luta apesar das diversidades existentes.
A Federação Alagoana de Futebol e aos árbitros que fazem parte da entidade e
colaboraram com a realização da pesquisa, que em momento nenhum deixaram de
atender ao meu chamado e responde as perguntas da pesquisa.
A Liga Esportiva Amadora do Benedito Bentes, que me deu a oportunidade de
trabalhar como estagiário durante esses quatro anos; A todos os meus alunos que
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fizeram parte dessa jornada e que continuaram fazendo parte da minha vida;
Aos professores, colegas e funcionários da UFAL pelos conhecimentos
adquiridos durante todos esses anos, além de grande amizade que foi construída
durante o período de curso, que vou levar para sempre em pensamento.
Agradeço em especial ao meu orientador Dr. Elder Patrick Maia Alves, que é
uma pessoa incrível, inteligente, capaz, amigo e que sempre tornou todas as
orientações mais agradáveis e divertidas, onde se mostrava dedicado e nunca mediu
esforços para me ajudar. Obrigado Professor;
Enfim, agradeço a todas as pessoas que participaram deste período e a todos
que me ajudaram direta ou indiretamente. MUITO OBRIGADO a todos vocês!
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"Sai de tua tenda
Oh filho meu, te mostrarei as estrelas do céu
Sai de tua tenda
Oh filho meu, te mostrarei a areia do mar
Será que podes contar?
Será que podes imaginar?
Tudo aquilo que sonhei para ti, filho meu?
O que minhas mãos fizeram para ti, filho meu?
Minha benção será sobre ti
Uma nova história Deus tem pra mim
Um novo tempo Deus tem pra mim
Tudo aquilo que perdido foi
“Ouvirei de sua boca, te abençoarei”
Fernandinho — Uma nova História.
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RESUMO
A presente pesquisa tem como tema: A Carreira de Árbitro de futebol no Brasil.
A escolha de tema justifica-se, em saber quais os motivos que levam as pessoas a se
tornarem árbitros de futebol, será o gosto pelo esporte ou pela questão financeira. O
objetivo geral do presente estudo foi: Investigar o que leva as pessoas a se tornarem
árbitros nos jogos de futebol, tendo como problema de pesquisa a seguinte questão:
Qual o motivo que leva a pessoa a se tornar um árbitro de futebol? A investigação é
descritiva qualitativa, sendo utilizado como instrumento de pesquisa um questionário
semi-estruturado, aprovado pelo professor Elder Patrick Maia Alves, que trabalha na
instituição do curso de Ciências Sociais da UFAL, contendo treze (13) questões, sendo
três (3) questões fechadas e dez (10) questões abertas, com uma população de quinze
(15) árbitros, a amostra se constitui com cinco (5) colaboradores, sendo considerados
árbitros que fazem parte do quadro de árbitros da Federação Alagoana de Futebol
(FAF). Estes dados coletados foram expostos em quadros, para melhor compreensão e
análise dos dados. Para a realização desta análise os dados foram divididos em três (3)
categorias definidos, o que leva o sujeito a se tornar um árbitro de futebol, as
dificuldades encontradas na arbitragem, a violência no futebol e a disponibilidade em
optar por outra profissão. A revisão bibliográfica e análises realizadas têm como base
autores como, Frisselli e Mantovani (1999), Borsari (1989), Daolio (2005), Silva (2002),
Nunes (2002), entre outros, onde permitiu concluir que os árbitros mesmo com a
violência presente não pensam em parar de arbitrar nos jogos, por que realmente
gostam do esporte e também pela questão financeira, onde esse dinheiro já faz parte
do orçamento pessoal da vida de cada um, ou seja, unindo então o útil ao agradável.
Palavras-chave: Árbitro. Futebol. Violência. Trabalho. Profissionalização.
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ABSTRACT
This research has as its theme: The Career of Soccer Referee in Brazil. The
choice of theme is justified, to know the reasons that cause people to become soccer
referees, will be the taste for the sport or the financial issue. The overall objective of this
study was to investigate what causes people to become referees at football matches,
with the research problem the following question: What is the reason that drives a
person to become a football referee? The research is qualitative descriptive, being used
as a research tool a semi - structured questionnaire, approved by the teacher Elder
Patrick Maia
working with the institution of the Social Sciences UFAL, containing
thirteen ( 13 ) questions, three ( 3 ) closed questions and ten ( 10 ) open questions with
united population of fifteen( 15 ) arbitrators, the sample is constituted with five ( 5 )
employees being considered arbitrators who sit on the board of referees Alagoana
Football Federation ( FAF ). These data were collected in exposed frames, for better
understanding and analysis of data. For this analysis the data were divided into three ( 3
) categories defined, which leads the individual to become a football referee, the
difficulties encountered in arbitration, football violence and the availability opt for another
profession. The literature review and analyzes made were based authors as Frisselli and
Mantovani (1999 ), Borsari (1989 ), Daolio (2005 ), Silva (2002 ), Nunes (2002 ) , among
others, which concluded that even with the referees this violence does not think to stop
refereeing in games, they really enjoy the sport and also the financial issue, where that
money is already part of the personnel budget of the life of each one, ie, so combining
business with pleasure .
Keywords : Referee . Football . Violence. Work . Professionalization .
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LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Identificação dos árbitros e características como sexo, idade e formação
escolar.............................................................................................................................40
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LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS
CBF — Confederação Brasileira de Futebol
FAF — Federação Alagoana de Futebol
FIFA — Fédération Internacionale Football Association
IFAB — International Football Association Board
LEABB — Liga Esportiva Amadora do Benedito Bentes -2
UFAL — Universidade Federal de Alagoas
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 13
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................... 15
2.1 A ORIGEM DO FUTEBOL........................................................................................... 15
2.2 O FUTEBOL NO BRASIL ............................................................................................ 18
2.3 FUTEBOL E CULTURA............................................................................................... 19
2.4 VIOLÊNCIA NO FUTEBOL ......................................................................................... 21
3 TRABALHO ................................................................................................................... 24
3.1 ARBITRAGEM ............................................................................................................. 26
3.2 ATRIBUIÇÕES DO ARBITRO PRINCIPAL ................................................................. 30
3.3ALGUNS
ASPECTOS
QUE
INFLUENCIAM
NO
COMPORTAMENTO
DO
ÁRBITRO............................................................................................................................ 31
3.4 A PROFISSIONALIZAÇÃO DA ARBITRAGEM .......................................................... 34
4 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS....................................................................... 36
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA .......................................................................... 37
4.2 DESCRIÇÃO DOS SUJEITOS PESQUISADOS ......................................................... 37
4.3 DESCRIÇÃO DA AMOSTRA ...................................................................................... 37
4.4 INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS E SUA OPERACIONALIDADE ......... 38
4.5 CATEGORIAS ............................................................................................................. 39
5 APRESENTACAO E ANÁLISE DOS DADOS ............................................................... 40
5.1CATEGORIA A – O QUE LEVA O SUJEITO A SE TORNAR UM ÁRBITRO DE
FUTEBOL .......................................................................................................................... 41
5.2 CATEGORIA B - AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NA ARBITRAGEM.......... .... 46
5.3 CATEGORIA C - A VIOLÊNCIA NO FUTEBOL E A DISPONIBILIDADE EM OPTAR
POR OUTRA PROFISSÃO. .............................................................................................. 48
6 CONCLUSÃO ................................................................................................................ 52
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 55
APÉNDICE ........................................................................................................................ 57
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1. INTRODUÇÃO
O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo inteiro, desde a
população de classe média baixa até a população de classe média alta, enfim por
todos, sejam eles homens ou mulheres, o primeiro presente de um pai quando seu filho
nasce no Brasil é uma bola de futebol, todo lugar há sempre uma bola de futebol sendo
rolada, seja num campo, quadra, rua esburacada enfim, o futebol nos últimos tempos
teve uma grande evolução na parte de treinos, ou seja, preparação física e junto a essa
evolução também vem as mudanças da própria regra do futebol.
E com essa evolução do futebol, houve a necessidade da criação das regras e
conseqüentemente do árbitro para conduzir as partidas de acordo com as regras. Hoje
a função do árbitro tem sido muito negligenciada, apesar de sua importância para o
futebol, pois sem sua presença não pode ocorrer uma partida, de fato, para uma partida
ser conduzida com eficiência, deverão estar presentes no campo de jogo no mínimo
três árbitros, um atuando como árbitro principal e os outros dois atuando como árbitros
assistentes, conhecidos popularmente como bandeirinhas.
Para ser um bom árbitro não basta somente saber as regras do jogo, têm que
ter um bom conhecimento técnico, percepção visual, percepção auditiva, percepção
espacial, um posicionamento ideal, o poder de decisão e o autocontrole emocional,
essas qualidades estão ligadas na formação de um bom arbitro. Os árbitros na visão
dos espectadores e treinadores só são considerados bons ou que fez um ótimo trabalho
quando a sua equipe vence a partida, quando a sua equipe perde os árbitros são
xingados com palavras de baixo calão, algumas vezes são agredidos fisicamente por
torcedores ou até dirigentes dos próprios clubes, muitas vezes sofrem ameaças de
morte antes do inicio da partida e dependendo do resultado final da partida após a
partida.
Tendo isso em vista, este trabalho teve como tema: A Carreira de árbitro de
futebol no Brasil. Portanto levantou-se o seguinte problema de pesquisa: Quais os
motivos que levam as pessoas a se tornarem árbitros de futebol? Para responder o
problema o presente estudo tem como objetivo geral: Investigar o que leva as pessoas
a se tornarem árbitros nos jogos de futebol.
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Para facilitar o cumprimento do objetivo geral, foram traçados os seguintes
objetivos específicos: Descrever quais as qualidades necessárias atribuídas ao
desempenho de um árbitro nos jogos de futebol; constatar a formação profissional de
um árbitro; verificar como eles enfrentam a violência de modo geral na realização dos
jogos.
Para melhor desenvolver essa pesquisa foram planejadas algumas questões
norteadoras: qual a influência que os árbitros tiveram para realizar essa função? Quais
as dificuldades que os árbitros enfrentam na arbitragem? Para melhor entendimento, o
presente estudo esta dividido em capítulos e sub-capítulos, subsidiado por vários
autores, entre eles Frisselli e Mantovani (1999), Borsari (1989), Daolio (2005), Silva
(2002), Nunes (2002), entre outros.
O capítulo 01(um) contém a origem do futebol, o futebol no Brasil, futebol e
cultura e finalizando o capitulo um com a violência no futebol.
No capítulo 02(dois) temos um breve histórico sobre trabalho, arbitragem,
atribuições do arbitro principal, alguns aspectos que influenciam no comportamento do
árbitro. No capítulo 03 (três) temos a metodologia, apresentando caracterização e
descrição da amostra, instrumentos para coleta de dados e sua operacionalidade,
categorias. No capítulo 04 (quatro) temos a apresentação e análise dos dados seguidos
de conclusão, referências e apêndice.
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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 A ORIGEM DO FUTEBOL
A origem do futebol segundo Cabral (1978), foi na china e para ser mais exato,
começou dentro das velhas muralhas, no ano de 2700 a.C. Assim concordam a grande
maioria, ou seja, quase todos os historiadores que pesquisam sobre o mesmo assunto.
No Japão antigo nasceu um esporte muito parecido com o futebol atual,
chamava-se Kemari. Era realizado num campo de 200 metros quadrados. A bola era
feita de fibras de bambu, contava com 16 jogadores, divididos em duas equipes de 8
jogadores cada, e dentre as regras o contato físico não era permitido. Historiadores
especializados em futebol descobriram relatos que confirmam o fato de terem
acontecido jogos entre chineses e japoneses na antiguidade (FRISSELLI e
MANTOVANI, 1999).
Na Itália medieval também apareceu um jogo muito parecido. Era chamado de
"gioco Dei cálcio", praticado em praças da Itália e contava com 27 jogadores de cada
equipe que tinham como principal objetivo levar a bola até os dois postes que se
situavam nos dois cantos extremos da praça. Os participantes transferiam para o jogo
seus problemas pessoais, causados principalmente por questões sociais típicas da
época medieval, portanto a violência era muito presente. Além da violência, o barulho e
a desorganização eram muito intensos, tanto que o rei Eduardo II acabou por decretar
uma lei proibindo a prática do jogo e condenando a prisão aos praticantes. Mas o jogo
não foi extinto, graças a integrantes da nobreza que criaram uma nova versão do jogo,
com regras, onde cerca de doze juízes deveriam cumprir as regras e abolir a violência
do jogo.
Posteriormente o Gioco Dei Cálcio chegou a Inglaterra por volta do século XVII,
onde adquiriu regras diferentes e foi organizado e sistematizado. O campo de jogo teria
medidas oficiais, que na época era 120 por 180 metros, e nas duas pontas seriam
colocados dois aros retangulares chamados de gol. A bola era cheia com ar, e feita de
couro. Assim surgiu o futebol, com regras claras e objetivas, o jogo começou a ser
praticado por estudantes e filhos da nobreza inglesa (FRISSELLI e MONTOVANI,
1999).
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Aos poucos o futebol foi se popularizando. Em 1848, numa conferencia, foi criado um
Único código de regras para o futebol. Em 1871 foi estabelecido o guarda-redes — o
goleiro do futebol atual — que seria o único autorizado pela regra a colocar as mãos na
bola e deveria ficar próximo ao gol defendendo-o, evitando a entrada da bola. As regras
foram surgindo, sendo aprimoradas para a melhoria do logo. Em 1875 foi criada a regra do
tempo da partida, que foi fixado em 90 minutos, e no ano de 1891 surgiu o pênalti, para
punir a falta dentro da área (DUARTE, 1996, p. 13).
O marco histórico do futebol, de acordo com Frisselli e Mantovani (1999),
ocorreu em Florença, no dia 17 de Fevereiro de 1529, quando a Piazza Santa Croce
dos grupos de 27 jogadores em cada lado decidiram resolver suas diferenças políticas
ou outras rivalidades numa partida de Cálcio, como era denominado na época, sem
vencedores, neste dia teve-se o primeiro empate, uma hipótese, já que não se tem
relatos que apontavam uma vitoria.
Ainda sobre esse marco Frisselli e Mantovani (1999, p.4):
Alguns anos mais tarde, em 1850, Giovanni di Bardi estabeleceu regras para o
"CALCIO", e apesar delas não terem sido registradas e chegado ate os dias atuais,
sabe-se que seu objetivo era ordenar um pouco o jogo, então praticado com demasiada
violência. Desta forma os jogadores passaram a ter posições definidas, os pontapés e
empurrões escandalosos foram proibidos e 10 árbitros foram instituídos, para punirem as
infrações.
O impedimento foi adicionado as regras somente em 1907. No ano de 1885 foi
iniciado o processo de profissionalização do futebol. Contribuindo para divulgar o
futebol em diversas partes do mundo, uma equipe inglesa chamada Corinthians fez
uma excursão fora da Europa, em 1897. No ano seguinte, foi criada a Football League
para que pudessem organizar torneios internacionais. E por fim, em 1904, foi fundada a
Federação Internacional de Futebol Association (FIFA), que organiza até hoje o futebol
pelo mundo todo (FRISSELLI E MANTOVANI, 1999).
A origem do futebol segundo Borsari (1989), pesquisas e documentos
comprovam-lhe a prática desde a pré-história, período em que era praticado com uma
bola de granito, como afirma o professor Barkans da Universidade de Munique.O
futebol, na verdade foi praticado por todos os povos da terra.
Na china, precisamente no ano de 206 A.C., o imperador Huang-Ti publicou um
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livro que regulamentava um jogo, praticado ha 2.500 A.C. no treinamento militar de
seus soldados. No ocidente os gregos, no ano 776 A.C. já conheciam um jogo de bola,
o "epyskiros", que integrava o programa da educação atlética da juventude helência.
Consistia em disputar, com os pés, a posse de uma bexiga cheia de ar, por duas
equipes de quinze jogadores. Os gregos cultivavam ainda o "harpaston" em que se
usava uma bola de couro recheada com crina animal. O objetivo desse jogo era fazer a
bola transpor o espaço entre dois bastões de alguns pés de altura, ligados por um
cordão de seda.
Borsari (1989), afirma que este jogo, os romanos assimilaram-no, quando
conquistaram a Grécia. Latinizado para "harpastum" era, na Roma antiga, de pleno
agrado dos soldados devido à violência das jogadas e ao espírito de combatividade. A
cada conquista dos romanos, o "harpastum" ganhava terreno: os gauleses o
assimilaram, posteriormente, os francos.
Já na França, do "harpastum" originou-se o "soule ou choule", com as naturais
variações regionais, que era praticado ora como disputa violenta pelos populares.
Tentava-se fazer uma bola passar por entre dois bastões fincados no solo. Por volta de
1500, em Florença, iniciou-se a prática de um jogo disputado por dois grupos de vinte e
sete pessoas, com regras definidas.
Segundo Borsari (1989), em 1846, as primeiras regras foram ensaiadas, e o
futebol começou a ser, largamente, praticado nas escolas e consolidou-se nos clubes.
O "football", como o "rugby", usavam o mesmo campo, com onze jogadores de cada
lado, com as mesmas pretensões táticas, ou seja, de totalidade ofensiva, com quase
todos os jogadores correndo sobre a bola, no intuito de fazê-la passar por entre as
traves da baliza. Ainda sobre as regras Borsari (1989 p.12):
Somente em 1860 definiram-se os caminhos do "football", pois, quando se tentou
organizar campeonatos colegiais ou entre clubes houve necessidade de uniformizar as
regras. Em 1862, formou-se uma comissão que elaborou o "the simplest play"; mas, no
ano seguinte, em 26 de outubro, realizou-se a histórica reunião, na Taberna
Freemason, em Londres, onde representantes de onze clubes e escolas definiram suas
leis fundando a "The Football Association".
Somente em 1873 foi adotado o tiro de canto para tais situações: primeiro a
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equipe que estivesse sendo atacada, colocasse a bolo pela linha de meta sedia um tiro
de canto a equipe que atacava, segundo a equipe que estivesse atacando, colocasse a
bola pela linha meta sedia um tiro de meta a equipe atacada, por isso foi adotado o tiro
de canto no futebol. Em 1875, a corda que unia os postes foi substituída por uma
barra transversal, ainda a 2,44 metros do solo. E a mudança do campo passou a ser
feita somente no intervalo do meio tempo. Por essa época, o futebol já tinha
atravessado os mares, espalhando-se pela Europa. Por iniciativa da França, Bélgica,
Espanha, Suíça, Holanda, Suécia e Dinamarca, a 21 de maio de 1904, foi fundada a
Federação Internacional de Futebol, a qual se filiaram, posteriormente a Inglaterra,
Alemanha, Áustria e Itália.
2.2 O FUTEBOL NO BRASIL
Para Frisselli e Mantovani (1999), os registros do futebol no Brasil são do ano
de 1870, introduzidos através dos marinheiros holandeses e/ou ingleses. Existem
registros também de que os padres jesuítas haviam trazido o jogo da Europa. Segundo
Murad (1996), o futebol foi introduzido oficialmente no Brasil em 1894, em São Paulo,
por Charles Miller. Descendente de Ingleses, nascido em 24/11/1874, no Bairro do
Brás, na capital paulista. Segundo Reis (apud BRUNHS, 2000), ainda em 1894, o
futebol moderno chega ao Brasil, restrito apenas para a elite paulista e carioca,
enquanto na Inglaterra, onde teve sua origem, a profissionalização do futebol já era um
fato irreversível.
Segundo Murad (1996), Charles Miller aos nove anos foi estudar na Inglaterra,
encantou-se pelo esporte, sendo excelente jogador, habilidoso e artilheiro. Afirma ainda
Murad (1996), que retornando ao Brasil dez anos depois, Charles Miller trouxe em sua
bagagem, duas bolas de futebol, dois uniformes completos, uma bomba de ar e uma
agulha, as bolas eram de cadarço para fechar a passagem aberta entre os gomos de
couro, onde era introduzida a Câmara de ar, que machucava muito os jogadores na
hora do cabeceio.
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Conforme Murad (1996), Charles Miller foi quem abriu caminho para o esporte
mais praticado no país, sem contarmos com as conquistas e a supremacia a nível
mundial. Para o mesmo autor, Charles Miller, além de grande jogador, foi arbitro por
muito tempo, falecendo em 1953 com 79 anos.
A tarefa de Charles Miller de organizar o futebol no Brasil não foi fácil, pois seus
amigos jogavam críquete, outro esporte criado pelos ingleses. Em 1895 aconteceu o
primeiro jogo no Brasil, onde Charles Miller atuou pelo São Paulo Railway Tem, que
venceu o The Gás Tem por 4x2. Aos poucos o futebol foi adquirindo novos adeptos que
simpatizaram com o jogo e começaram a sua pratica. Hans Nobinling, um professor
Alemão, e Oscar Cox,um jovem carioca que estudou na suíça, contribuíram bastante
para difusão no Brasil. Nobiling fundou o Germânia, time de raízes alemã em São
Paulo, hoje chamado Pinheiros. Já Oscar organizou o futebol no Rio de Janeiro.
Segundo Afif (1997) a Federação Internacional de Futebol (FIFA) reconheceria
a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) como única entidade oficial do Brasil. A
partir daí, o futebol Brasileiro começou a participar de torneios importantes e cresceu
muito o número de espectadores pelo futebol, não ficando mais restrito somente para
elite.
E como complemento Reis (apud BRUNHS, 2000), afirma que com o passar
dos anos, a partir de 1908, homens das outras classes sociais passaram a ter direito de
jogar o futebol moderno, porém com algumas restrições, jogadores negros não podiam
jogar, e também a dificuldade que os analfabetos tinham de jogar, pois precisavam
assinar a súmula obrigatoriamente. No próximo sub-capítulo falaremos sobre o futebol e
a cultura, pois ele faz parte da vida do brasileiro.
2.3 FUTEBOL E CULTURA
Segundo Daolio (2005), procura-se entender como um esporte oriundo de outra
sociedade que é o futebol pode rapidamente se tornar parte integrante da vida do
brasileiro. Para Daolio (2005) cada país apresenta alguns hábitos e costumes próprios,
por questão de sua própria cultura. O futebol jogado na Europa é diferente do futebol
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jogado no Brasil, o europeu é conhecido como o futebol-força, e o brasileiro como
futebol-arte. Isso não significa que um é melhor do que o outro e sim que são culturas
diferentes.
Afirma Daolio (2005) que a construção do estilo de jogo e mesmo sua produção
foram um meio de consolidar e reconhecer a nossa identidade dentro do futebol, que
simbolicamente foi conhecido como futebol-arte. Ficando marcadas algumas de nossas
características em jogadas de efeito, nos dribles, nas fintas, na forma de chutar a bola
enfim, tornando-nos conhecidos internacionalmente.
O estilo de jogo brasileiro chama muito a atenção de todos, por ser diferente
dos demais países, principalmente devido a exímia habilidade desses atletas. De
acordo com Scaglia (1999 apud DAOLIO, 2005), para o senso comum, essa habilidade
é inata, ou seja, isso tudo porque o brasileiro já nasce sabendo jogar futebol, possui um
dom, como expressão de sua natureza. Onde cabe ao professor de futebol dar apenas
algumas dicas e mostrar quais gestos são corretos.
Para Daolio (2005) o brasileiro desde criança joga futebol na rua, em campos
improvisados, na grande maioria sem grama, campos de chão batido cheios de
buracos, algum com árvores, postes no meio do campo, e isso tudo aliado ás
dificuldades no decorrer da brincadeira, ou seja, ele não precisa possuir uma bola,
basta ter um objeto para chutar e esta pronto para marcar o seu gol, e se divertir
correndo por várias horas sem perceber que o tempo está passando. Freire (2003,
apud DAOLIO, 2005 p. 58-59), ilustra a relação que o brasileiro possui com o futebol:
Para Alguns, somos vitoriosos porque Deus é brasileiro; para outros, a explicação é
genética. Mesmo que não sirva para esclarecer, basta dar uma volta por aí, pelas areias
da praia, pelas quadras de futebol de salão, pelas ruas de terra ou de asfalto, por cada
pedacinho de chão onde uma bola possa rolar, que o observador atento descobrirá que
futebol para o brasileiro a uma grande brincadeira. Jogar bola tem sido a maior diversão
da infância brasileira, principalmente da infância mais pobre e masculina, dos meninos
de pés descalços, bola, brincadeira, são alguns dos ingredientes mágicos dessa
pedagogia de rua que ensinou um país inteiro a jogar futebol melhor que ninguém.
Daolio (2005), afirma que como todas as pessoas influenciadas pela cultura,
também são os chamados craques. Certamente os craques do futebol brasileiro
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praticavam desde pequenos, e sem duvida nenhuma se alguns desses craques do
futebol brasileiro tivessem nascido nos Estados Unidos seriam craques em
basquetebol, isso também ocorreria devido a cultura dos norte-americanos. E não foi
por acaso que os Estados Unidos e o Brasil produziram excelentes jogadores de
basquetebol e de futebol, como, Michael Jordan e Pelé, isso tudo ocorreu devido as
suas culturas. Sabemos que a mídia propaga o futebol, diariamente, mostrando
também a violência vivida nos campos de futebol, portanto no próximo sub-capitulo
descreveremos sobre este assunto.
2.4 VIOLÊNCIA NO FUTEBOL
Segundo Daolio (2005), não é possível e nem da para entender a relação entre
espetáculo futebolístico e a violência fora de um contexto social e mais amplo. A
violência associada ao esporte é imprescindível quando se analisa o problema que
envolve os espectadores e os torcedores de futebol, isso ocorre devido a grande massa
de apreciadores desse esporte nos estádios em quase todos os países.
Para o autor a impressão de que a violência no esporte é um tema
contemporâneo. Segundo o autor toda essa sensação é insinuada pela própria mídia,
gerando insistentemente matérias de manifestações violentas de uma forma que chega
a ser sensacionalista. No Brasil, teve um fato em especial e foi tomado como referência
sobre o tema futebol e violência de torcidas, esse que foi o episódio do Pacaembu em
agosto de 1995, em uma final da copa de futebol Junior. Na maioria das matérias
veiculadas pela mídia de eventos esportivos que apresentam confrontos violentos entre
torcidas ou entre torcedores e policiais, as imagens e os acontecimentos do "caso
Pacaembu" são sempre relembrados e exibidos juntamente com uma retrospectiva dos
piores episódios de violência no esporte, sendo esse caso citado como um exemplo
pela mídia.
Afirma Daolio (2005), que a relação entre a violência e esporte é complexa, com
maior visibilidade no espetáculo futebolístico por causa da dimensão e da importância
deste como um dos principais fenômenos socioculturais do século XX e da grande
ampliação da projeção do futebol-espetáculo como principal produto da indústria
22
cultural. Portanto, trata-se a violência relacionada ao esporte-espetáculo como uma
problemática das sociedades urbano-industriais desde a sua origem, devido a essas
origens o esporte moderno teve a sua gênese nesse mesmo modelo de sociedade.
O autor descreve que em relação a violência das torcidas de futebol no Brasil,
ele destaca como papel importante as chamadas torcidas organizadas e questiona a
sua aproximação ou não com os "hooligans" ingleses ou com os holandeses e os
alemães, estes últimos considerados na atualidade os mais violentos torcedores de
futebol, o que mais preocupam as autoridades públicas em âmbito europeu.
Daolio descreve os tipos de violência gerados pelos seres humanos são
diversos e complexos. Para uma melhor compreensão da violência relacionada aos
espetáculos esportivos, especificamente o futebol, o autor irá simplificar os tipos de
violência citando quatro deles: a violência simbólica, a afetiva, a racional e a real.
Segundo o autor, a violência simbólica envolve apenas atitudes verbais ou
gestuais, sendo que normalmente ela é emocionalmente satisfatória e agradável.
A violência afetiva a aquela em que os indivíduos se manifestam com o intuito
de demonstrar seus sentimentos e de liberar a energia provocada pela tensão causada
pela ansiedade da partida e pela expectativa do resultado. Ela é socialmente aceita e
podemos observar nos estádios em forma de canções e hinos (REIS, 1998, apud
DAOLIO, 2005). "A violência racional a aquela em que os indivíduos ou um determinado
grupo, tem a intenção premeditada de provocar conflitos e gerar confrontos violentos
através do uso da mesma, ou seja, quem a utiliza tem um objetivo a atingir" (REIS,
1998, apud DAOLIO, 2005, p. 114).
O autor descreve que nos jogos observados no estado de São Paulo, ele pôde
presenciar o roubo de bandeiras e camisetas de torcidas adversárias e inclusive a
queima desses objetos. Essas ações seriam comuns nos "trajetos" para o estádio e
também dentro dele. As torcidas montam estratégias para esses tipos de ações além de
serem planejadas visam também a agressão ao seu adversário com a queima de seus
símbolos mais caros.
Muita das vezes, quando essas ações não são perfeitas, e saem dos padrões
planejados, elas são seguidas de grandes tumultos com agressões físicas e de contato,
caracterizando a "violência real", conhecida na mídia como a guerra entre torcidas.
23
3. TRABALHO
Segundo Quinteiro (2002), Durkheim considera que a profissão assume
importância cada vez maior na vida social, tornando-se herdeiro da família,
substituindo-a e excedendo-a. Sendo assim, Durkheim procurou no campo do trabalho,
nos grupos profissionais, um lugar de reconstrução da solidariedade e da moralidade
integradoras das quais lhe pareciam tão carentes as sociedades industriais. A
sociedade profissional a partir de um processo não anárquico desenvolveria uma
regulamentação moral apta a refrear-lhe certos impulsos e a pôr fim aos estados
anônimos quando eles se manifestam. Durkheim pensava que seria preciso pouco a
pouco vincular os homens às suas vidas profissionais, constituir fortemente os grupos
desse gênero, para o autor, seria preciso que o dever profissional assumisse, dentro
dos corações, o mesmo papel que o dever doméstico desempenhou.
Se pensarmos a condição atual do árbitro de futebol, seria incongruente dizer
que esse ator não é anômico a uma sociedade marcada por determinadas regras e
sentimentos que rejeitam a aplicação de regras a partir de uma dada subjetividade. A
relação entre nosso objeto com os aspectos modernos, se faz, dessa forma, um desafio
amplamente sociológico. Nesse sentido, Durkheim (1999) assegura que se a divisão do
trabalho não produz a solidariedade é que as relações dos órgãos não são
regulamentadas é que eles estão num estado de anomia. Para nosso entendimento o
trabalho desenvolvido pelo árbitro de futebol pode estar de acordo com o pensamento
Durkheimiano de anomia, por não desenvolver uma solidariedade no conjunto de
processos de socialização.
Podemos ser tentados a situar entre as formas irregulares da divisão do
trabalho a profissão do criminoso e as outras profissões nocivas. Elas são a negação
da solidariedade e, no entanto, são verdadeiras atividades especiais. (Durkheim, 1999)
Weber nos faz pensar quanto à ação social ligada ao trabalho do árbitro de futebol é
valoroso para a sociologia, na medida em que podemos identificar potencialmente ou
não a prática sociológica emergindo de um campo tão popular e tão “polêmico” que é o
futebol. Mas podemos pensar também o árbitro de futebol como um ser dotado de total
legitimidade para suas ações e decisões no campo de jogo, onde essa questão nos
remete a Weber quanto a natureza dessa legitimidade. Para Weber nenhum domínio se
24
contenta com obediência que não passa de submissão exterior pela razão, por
oportunidade ou respeito; procura também despertar nos membros a fé em sua
legitimidade, ou seja, aderir a verdade que ele representa. Para Marx o trabalho é a
base fundamental da evolução da humanidade, pois ele estabelece as relações de
produção como centralidade da atividade humana, e, conseqüentemente das relações
sociais. Da alienação desse trabalho Marx vê a sociedade “trabalhando” para
subordinar o individuo e não emancipá-lo. A alienação do trabalho é o símbolo da
divisão de classes e do atrito entre essas classes e conseqüentemente bom para toda e
qualquer alienação, mediante a situação. Marx vê o trabalho como fim e que passa
apenas a ser visto como um meio de subsistência.
Segundo algum historiador, apontados por Ferrari (1998), o trabalho foi
instituído inicialmente como um castigo ou como uma dor. A palavra surgiu no sentido
de tortura, no latim tripa//are, torturar com tripa//um, máquina de três pontas. A
etimologia admitida para o vocábulo trabalho é a do latim trabs, trabis, viga, de onde se
originou inicialmente um tipo trabare, que deu no castelhano trabar, etimologicamente
obstruir o caminho por meio de uma viga e logo depois outro tipo diminutivo de
trabaculare, que produziu trabalhar.
O autor acima descreve que, o que sempre se disse a respeito do significado do
trabalho, como atividade humana, ou seja, de que ele representava um esforço, um
cansaço, uma pena e, até um castigo. Sociologicamente foi, efetivamente assim,
sabendo-se que o trabalho era "coisa" de escravos, os quais, no fundo, pagavam seu
sustento com o "suor de seus rostos". Escravos e servos, historicamente eram os que
dedicavam-se ao trabalho que nas suas origens, eram sempre pesados. A produção de
bens, por mais simples e, por vezes, ainda o são, é atividade do homem chamada
trabalho que evoluiu da escravidão ao contrato de trabalho (FERRARI, 1998).
O trabalho não se insere na repetitividade da condição humana, ou seja, é pelo
trabalho que o homem constrói criações e transforma o mundo em um partilhamento de
objetivos com a natureza. (WOLECK, s/d). O autor acima citado afirma que, a lógica do
trabalho já ultrapassou muitas áreas desde a cultura até esportes. Onde na sociedade
moderna, o trabalho para muitos, se transformou em emprego.
25
Um homem só satisfaz seu desejo, suas carências humanas, quando outro homem seu
igual lhe reconhece o seu valor humano. O homem só pode manter-se humano na
relação com outros homens. (ALBORNOZ: 2002, p. 64)
Dimande (2010, p.3), afirma que "O trabalho significa para muitos: manutenção,
busca de status, realização de um projeto de vida, realização pessoal ou familiar,
independência da família, aceitação de papéis adultos, necessidade de sustentar, etc".
Para o autor, o trabalho para alguns é visto como causador de incômodos e
desprazer, enquanto para outros é mera fonte de subsistência sem nenhum tipo de
gratificação; para outros, ainda, é fonte de grande realização, prazer, chegando até a
ser "mola" impulsionadora de suas vidas. Aponta Antunes (apud GOMES, 2004), que
quando se estuda o trabalho, é importante e fundamental, resgatar a afirmação feita por
Marx entre o trabalho concreto e o trabalho abstrato. Marx em suas palavras afirma
que:
[...] todo trabalho é, por um lado, dispêndio de forca de trabalho do homem no sentido
fisiológico, e nessa qualidade de trabalho humano igual ou trabalho abstrato gera o valor
das mercadorias. Todo trabalho e, por outro lado, dispêndio de forca de trabalho do
homem sob forma especificamente adequada a um fim, e nessa qualidade de trabalho
concreto produz valores de uso (MARX, 1983, p.53).
A partir destes conceitos sobre o que é trabalho na visão de alguns autores,
busca-se compreender, qual a função do árbitro sua formação, sua origem e os
aspectos psicológicos que influenciam no desempenho do árbitro.
3.1 ARBITRAGEM
Segundo o site www.museodosesportes.com.br no texto "o árbitro e as
mudanças na regra do futebol", a figura do árbitro de futebol surge no ano de 1871,
mas ele fica fora do campo, em 1878 o árbitro passa a usar um apito para controlar a
partida, em 1891 o árbitro começa a trabalhar entre os jogadores onde surgem os
árbitros assistentes conhecidos popularmente como (bandeirinhas), já em 1935 foi
testado na Inglaterra a arbitragem com dois árbitros, mas a idéia não vingou, no ano de
1970 são usados pela primeira vez, na copa do México, os cartões vermelho e o
amarelo, para punir os atletas que cometessem algumas atitudes violentas durante o
26
decorrer de uma partida.
A palavra "árbitro", segundo Hourse & Ford, (1986 apud NUNES 2002), a
tradução da palavra "referee", que vem de (referir), em outras palavras era a pessoa a
quem os homens ímpares recorriam se tivessem dúvidas perante a uma determinada
situação. De acordo com Duarte (1997 apud SILVA 2005), a figura árbitro de futebol é
tão antiga quanto o próprio futebol. Essa figura muito polêmica surgiu ainda no século
XIX.
A FIFA (2001 apud SILVA 2005), afirma que a função do árbitro tem sido muito
negligenciada, devido a sua importância para o futebol, pois sem a presença dos
"homens de preto" não pode acorrer uma partida. Pois de fato, hoje em dia para uma
partida ser conduzida deverá está presentes no campo de jogo no mínimo três árbitros,
dois atuando como árbitros assistentes conhecidos popularmente como
(bandeirinhas) e um como árbitro principal aquele que possui o apito.
Afirma Silva (2005), que por muito tempo o árbitro de futebol foi considerado
uma das figuras secundárias no futebol e com o passar dos anos percebeu-se que o
árbitro também é uma das pessoas que pode interferir diretamente no resultado final de
uma partida, pois por tomar uma decisão equivocada ou precipitada, podendo tirar do
campeonato uma das equipes que talvez tenha investido milhões de dólares na compra
de materiais, viagens e até mesmo no preparo dos seus jogadores.
O autor acima citado descreve que devido a toda essa importância do árbitro
durante as partidas a comunidade cientifica passou a estudá-lo para fundamentar sua
preparação mental e principalmente a física durante as partidas de futebol,
quer
envolver grandes clubes de futebol profissionais, tanto no Brasil como no Mundo inteiro.
Afirma Almeida (s/d, apud SILVA et al. 2002), que os primeiros árbitros conhecidos na
época e até hoje como (juízes) usavam irrepreensíveis calças vincadas, bem cortadas e
jaquetas e que corriam pelos campos enlameados parando a partida a gritos quando
achavam que teria sido cometida uma falta .
Saldanha (1971 apud SILVA et al. 2002), afirma que com o passar dos anos o
senso comum já não garantia que as regras fossem cumpridas pelos jogadores e que
antes do aparecimento da figura do árbitro de futebol, quem cumpria o seu papel era
27
uma comissão, que no decorrer das partidas se posicionava em um palanque e essa
comissão só se pronunciava ou interferia no jogo mediante as reclamações de uma das
equipes.
Saldanha (1971), contínua afirmando que quando uma das equipes se sentisse
prejudicada, recorria à comissão, todos os jogadores da equipe se manifestavam e
dirigiam-se até a mesma exigindo as providências a serem tomadas pela comissão,
contudo essas reclamações nem sempre eram em termos, portanto muitas vezes o
palanque em que se encontrava a comissão era lançado no chão com comissão e
tudo.
Então para não ocorrer mais essas situações desagradáveis e violentas foi
definido que cada equipe poderia ter apenas uma pessoa para dirigir-se até a
comissão, esse jogador na época foi chamado de o jogador "reclamador" e que o
mesmo deveria utilizar um boné. O boné deu origem ao que se convencionou chamar
de capitão da equipe, porque a palavra boné em inglês é "cap.", e quando uma equipe
inglesa ia jogar em outro pais, aparecia na escalação do time um dos jogadores
designado como "cap." e todos achavam que era abreviatura de capitão.
Monzolello (s/d, apud SILVA et. al, 2002), descreve que a arbitragem é um
"troço doido" isso porque o julgamento desportivo é uma difícil tarefa pela própria
dinâmica intrínseca do jogo. Isso tudo porque o árbitro deve primeiramente, em um
mesmo instante observar, logo após constatar, na mesma sequência interpretar a
situação, julgar ou até mesmo dependendo das circunstancias absolver ou punir um
atleta, o que não é fácil e não é qualquer pessoa que consegue.
Segundo Silva (et. al. 2002), o árbitro e chamado na maioria das vezes de
"juiz", mas o correto na verdade o profissional encarregado de conduzir uma partida de
futebol é "árbitro". Toda essa confusão acontece pelo fato de que a muito tempo atrás
quando o futebol surgiu a própria regra dava o nome ao arbitro de juiz, e seus árbitros
assistentes de auxiliares, fiscais ou juízes de linha.
Barros (1990), afirma que é uma situação muito difícil de conduzir uma partida
no Brasil, isso acontece por que são muitos os fatores que contribuem para tal, muitos
são os problemas que interferem na partida, principalmente na arbitragem, pode-se
destacar a falta de estrutura da maioria dos campos de futebol, a falta de segurança, a
28
conduta desonesta de alguns dirigentes, dos próprios patrocinadores, a falta de
conhecimento das regras por atletas, técnicos e treinadores, principalmente do público
e o próprio despreparo de alguns árbitros.
Segundo o autor citado acima as previsões para o mau andamento de uma
partida de futebol começam uma semana antes de um clássico. Isso tudo influenciado
pela própria imprensa onde a mesma começa a especular, os dirigentes querem coagir
o árbitro e várias pessoas começam a emitir suas opiniões sobre quem deve ou não
apitar o clássico. De acordo com Silva (et. al 2002), hoje, apitar uma partida de futebol
requer do árbitro mais conhecimento que qualquer treinamento pode dar. Hoje o árbitro
é visto por quase todos como um inimigo, ou seja, qualquer atitude que tenha é
suspeita, se cumprimentar alguém de forma calorosa antes do jogo, já há quem pense
que já está sendo comprado.
A pressão psicológica e tão grande naquele momento, que a seguir se
transcreve o que um árbitro escreveu na súmula após um jogo turbulento no estado de
São Paulo:
Pelo exposto, vê-se que, mesmo com o cavalheirismo e abnegação do presidente do
Internacional, Sr. Benedito, se não fosse o Todo Poderoso descer lá das alturas e darnos uma ajudazinha, e o nosso Anjo da Guarda haver trabalhado sem descanso durante
os 90 minutos de jogo, não sei se hoje os meus filhos não estariam lamentando o
desaparecimento prematuro do pai deles. Sim, porquanto ao entrar no estádio, fui logo
sendo ameaçado de [...] (ALMEIDA, s/d, apud SILVA et. ai, 2002).
Segundo a IFAB (2005/2006, apud DAGOSTIM, 2009), existem 3 etapas na
formação do árbitro. A primeira é a etapa de iniciação compreendida de 18 a 29 anos,
segundo o autor ela se caracteriza pelo pouco conhecimento das regras do jogo para
conduzir as partidas. A segunda etapa é conhecida como a etapa da perfeição, é
compreendida dos 29 aos 37 anos, onde o árbitro se aprofunda nos conhecimentos das
regras do jogo, ele já controla a partida com mais segurança. E, por fim, a ultima etapa,
conhecida como etapa da maturação, que estende-se dos 38 anos em diante, fase
essa caracterizada pelo amplo domínio das regras, o vasto conhecimento que adquiriu
durante toda a sua carreira dentro da arbitragem, controla a partida adequadamente e
com o total domínio sobre o jogo.
29
3.2 ATRIBUIÇÕES DO ÁRBITRO PRINCIPAL
As atribuições do arbitro principal da partida segundo a International Football
Association Board (2012/2013), são: fazer cumprir as regras de jogo; Controlar a partida
em cooperação com os árbitros assistentes e, quando for o caso, com o quarto árbitro;
Assegurar que as bolas utilizadas atendem as exigências da regra 2; Assegurará que o
equipamento dos jogadores atende as exigências da regra 4; Atuar como cronometrista
e manter um registro da partida; Paralisar, suspender ou encerrar a partida, a seu
critério, por qualquer infração às Regras do Jogo; Paralisar, suspender ou encerrar a
partida por qualquer tipo de interferência externa; Paralisar a partida, se em sua
opinião, um jogador está seriamente lesionado e assegurar que o mesmo seja
transportado para fora do campo de jogo. Um jogador lesionado só pode retornar ao
campo de jogo depois que a partida tenha sido reiniciada.
O árbitro permite que o jogo continue até que a bola esteja fora de jogo se, em
sua opinião, um jogador está levemente lesionado; Assegurar que todo jogador com
sangramento de uma ferida saia do campo de jogo. O jogador só pode retornar depois
do sinal do árbitro, que deve estar convencido de que o ferimento tenha deixado de
sangrar; Permitir que o jogo continue quando a equipe que sofreu uma falta se
beneficiará de uma vantagem e punir a falta cometida inicialmente se a vantagem
prevista não se concretizar nesse momento; pune a falta mais grave quando um
jogador comete mais de uma falta ao mesmo tempo; toma medidas disciplinares contra
jogadores que cometem faltas puníveis com advertência ou expulsão.
Ele não esta obrigado a tomar essas medidas imediatamente, porém devera
fazê-lo assim que a bola estiver fora de jogo; Toma medidas contra os funcionários
oficiais das equipes que não se comportam de maneira responsável e pode, a seu
critério expulsa-los do campo de jogo e seus arredores; Atua conforme as indicações de
seus árbitros assistentes em relação a incidentes que não viu; assegura que nenhuma
pessoa não autorizada entre no campo de jogo; reinicia a partida depois de ter sido
paralisada; providência as autoridades competentes um relatório da partida, com
informações sobre qualquer medida disciplinar tomada contra jogadores e/ou
funcionários oficiais das equipes e sobre qualquer outro incidente que ocorreu antes,
durante e depois da partida.
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As decisões do arbitro são definitivas, porém pode voltar atrás de sua decisão
se perceber erros ou conforme a indicação de um de seus árbitros assistentes, antes
que tenha reiniciado ou terminado a partida. De acordo com a decisão 1,da
International Football Association Board (2012/2013), o arbitro não é responsável por:
qualquer tipo de lesão sofrida por um jogador, funcionário oficial ou expectador;
qualquer dano material; qualquer outra perda sofrida por individuo, clube, companhia,
associação ou outra entidade, a qual se deva ou possa dever-se a alguma decisão que
o arbitro pode tomar em conformidade com as Regras de Jogo ou com o procedimento
normal requerido para realizar e controlar uma partida.
3.3 ALGUNS ASPECTOS QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO DO
ARBITRO.
Auto-estima
Segundo Branden (2000, apud NUNES; SHIGUNOV, 2002), que para definir a
auto-estima é utilizada a palavra "confiança", ele entende como se fosse a nossa
capacidade de pensar, nossa habilidade de enfrentamento dos nossos desafios da
própria vida, o nosso direito de vencer e de sermos felizes. E destaca como essência da
auto-estima a confiança nas próprias idéias é saber ser merecedor da felicidade.
Branden aponta que esta convicção/confiança é um fator tanto motivacional
quanto de comportamento. O autor afirma que, o nível da auto-estima influencia muito
nos atos, e o modo como agimos influenciado por sua vez, o nível da auto-estima.
Entretanto, o nível da auto-estima não se fixa na infância definitivamente, ele pode
simplesmente ter um crescimento no decorrer do amadurecimento da pessoa, ou pode
deteriorar se, assim como a auto-estima pode ser mais alta em pessoas mais jovens, do
que nas pessoas de maior idade, ou vice-versa.
31
Ainda segundo Branden (2000, apud NUNES, SHIGUNOV, 2002, p. 74),
A auto-estima saudável correlaciona-se com a racionalidade, realismo, intuição,
criatividade, independência, flexibilidade, habilidade para lidar com mudanças,
disponibilidade para admitir (e corrigir) erros, benevolência e cooperação. A auto-estima
baixa correlaciona-se com irracionalidade, cegueira diante da realidade, rigidez, medo do
novo
e
não-familiar,
conformismo
ou
rebeldia
impróprios,
postura
defensiva,
comportamento por demais submisso ou super controlador e medo dos outros ou
hostilidade em relação a eles.
Segundo Sabbi (1999, apud NUNES, SHIGUNOV, 2002, p. 74), que apresenta
uma seguinte definição entre inteligência emocional e auto-estima:
A auto-estima é o conjunto de crenças que temos e aceitamos como verdade em relação
a nós mesmos, nossa capacidade e o que podemos fazer. Inclui a confiança para
pensarmos e enfrentarmos os desafios da vida, nossa vontade de crescer e sermos
felizes, a integridade pessoal, a sensação de sermos merecedores, dignos, qualificados
para expressarmos nossas necessidades e desejos e desfrutarmos os resultados de
nossos esforços
Nazareno (1997, apud NUNES, SHIGUNOV, 2002), afirma que na atualidade
um dos maiores problemas da arbitragem de futebol não é como muitos pensam, a
incapacidade de alguns não acompanhar com maior precisão o jogo que se torna cada
vez mais veloz e melhor percebido para as pessoas que acompanham os jogos através
da tecnologia televisiva, pois fica cada vez mais fácil identificar a insegurança e
instabilidade emocional causada pelas fortes pressões exercidas no âmbito mais
abrangente deste esporte, ou seja, não somente o que ocorre no interior das quatro
linhas do campo de jogo.
Montiel (1998, apud NUNES, SHIGUNOV, 2002), aponta que sobre a imagem
que convém ao árbitro, quatro elementos que são considerados fundamentais, onde
destaca a construção da sua imagem dada ao campo de jogo: seriedade, honestidade,
respeitosa autoridade e imparcialidade. Segundo o autor o árbitro não tem que temer,
pois o mesmo é conhecedor das regras do futebol e conta com a confiança dos seus
dirigentes, aqueles que os convocam para os jogos, e só precisa cumprir o seu trabalho
sem tentar inventar regras e táticas. Ele também não deve ser o centro das atenções,
32
pois os artistas, os protagonistas do espetáculo são os jogadores, na linguagem usual
dos árbitros ou até mesmo dos dirigentes, "quanto menos o árbitro aparecer durante o
jogo, melhor será o jogo".
Motivação
Um fator psicológico muito influente para a atuação em qualquer atividade a ser
executada é a motivação, ou seja, ela é realizada com força de vontade, com ânimo e
com perseverança. Segundo Samulski (1995, apud SAMULSKI, 2002, p.104):
A motivação é caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta,
o qual depende da interação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais
(extrínsecos). Segundo esse modelo, a ativação apresenta uma determinante de
motivação do comportamento (intenções, interesses, motivos e metas).
Voli (1998, apud NUNES, 2002), afirma que um indivíduo com baixo nível de
motivação mostra-se incapaz de alcançar alguns dos seus objetivos, ele tem uma
grande dificuldade de tomar algumas decisões perante determinadas situações, não
apresenta preocupações com a qualidade do trabalho, demonstra sentimento de
inutilidade e falta de iniciativa, entretanto, um indivíduo quando está motivado ele se
sente disposto a buscar outras atividades novas, buscam alternativas e soluções, e é
capaz de usar a sua criatividade para desenvolver suas capacidades, e além disso é
ativo.
Para Montiel (1998, apud NUNES, 2002), a motivação para o árbitro de futebol
pode ser classificada como intrínsecas, representando o gosto e o prazer em arbitrar;
ou extrínsecas como o status perante a sociedade e o dinheiro.
Aspectos físicos
Segundo a Real Federacion Española de Futebol (2007, apud MARTINEELO,
2007), o esforço físico durante a condução de um jogo, para um árbitro de futebol é
fundamentalmente à corrida, o seu deslocamento por todo o campo de jogo, sem
33
interferir no andamento da partida.
Afirma o autor que muitas vezes o árbitro precisa-se manter em atitude
dinâmica, ultrapassando os 90 minutos de jogo, sendo que destes, 33 a 45 minutos
são, deslocamentos, sprints pra frente e para trás, continuas trocas de ritmo e direção,
onde as corridas e trotes representam de 25 a 35 minutos. Segundo Dagostim (2009), a
atividade física desempenhada pelo árbitro de futebol durante o decorrer da partida, é
predominante aeróbia, de moderada intensidade. O autor afirma que dependendo do
campo de futebol, e da intensidade da partida, um árbitro chega a percorrer em média
de 7.000 à 10.000 metros por partida, onde esses deslocamentos são, sprints,
deslocamento frontais, deslocamentos laterais, caminhada, entre outros.
3.4 A PROFISSIONALIZAÇÃO DA ARBITRAGEM
Recentemente foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a lei 12.867, de
10 de outubro de 2013, que, supostamente, cria e regulamenta a profissão do árbitro de
futebol no Brasil. Inicialmente, antes de analisar especificamente o referido diploma
legal, importante que se faça um panorama atual da situação do "homem de preto" do
ponto de vista jurídico.
O árbitro de futebol, antes da edição da lei 12.867/13, era um mero prestador
de serviços da entidade desportiva a que mantinha ligação, qual seja, a responsável
pela organização do evento, a exemplo da CBF e das Federações Estaduais. A lei
9.615/98 (Lei Pelé) tinha como de fato ainda tem, muito claro, no parágrafo único de
seu artigo 88 - que o árbitro e seus auxiliares não possuem qualquer vínculo
empregatício com as entidades desportivas a que são vinculados.
Desta forma, como amplamente propalado, a atividade da arbitragem, onde se
inclui o árbitro principal e seu auxiliares, nunca foi considerada como aquela principal
por tais profissionais, uma vez que não conta com nenhum critério de continuidade e
garantia de atuação.
O árbitro e seus auxiliares só recebem seus "honorários" quando atuam nas
partidas. Contudo, conforme determina a lei 10.671/03 (Estatuto do Torcedor), a equipe
34
de arbitragem que atuará em determinada partida será escolhida mediante sorteio, o
que, invariavelmente, faz com que determinado profissional passe um campeonato
inteiro sem atuar. Ademais, estes profissionais não possuem qualquer espécie de
garantia em caso de acidente do trabalho ou outro direito decorrente das leis
trabalhistas. Em contrapartida, sempre foi de clamor geral que, para a melhoria do nível
da arbitragem, esta deveria ser profissionalizada, o que, em tese, implicaria em uma
adequada preparação desses profissionais do futebol.
Pois bem, supostamente cumprindo tal anseio, ingressou no mundo jurídico a
lei 12.867, de 10 de outubro de 2013, que visa regular a profissão do árbitro de futebol.
Contudo, o que se verifica é que, mesmo após a entrada em vigor de dito regramento
legal, a situação do árbitro de futebol e seus assistentes nada mudou e, pelo visto, não
mudará em curto espaço de tempo.
O principal ponto, no caso, é que o novo diploma legal apenas reconhece - na
teoria - a arbitragem de futebol como profissão, uma vez que seu artigo 2ª é claro ao
afirmar que "o árbitro de futebol exercerá atribuições relacionadas às atividades
esportivas disciplinadas pela Lei no 9.615, de 24 de março de 1998, destacando-se
aquelas inerentes ao árbitro de partidas de futebol e as de seus auxiliares".
Em resumo, e apesar de dispor sobre a profissionalização do árbitro de futebol,
a própria lei 12.867/13 vincula o exercício da arbitragem à Lei Pelé. Esta, a seu turno,
prevê de forma clara e expressa, no parágrafo único de seu art. 88, que não há liame
empregatício entre o árbitro de futebol e a entidade desportiva a que ele esteja ligado.
Já em seu bojo, o novo comando legislativo apenas se limita a afirmar, em seu
artigo 5º - e de forma absolutamente genérica - que "é facultado aos árbitros de futebol
prestar serviços às entidades de administração, às ligas e às entidades de prática da
modalidade desportiva futebol". Permanece, portanto, a indefinição sobre a expressão
"prestar serviços", sem indicar, precisamente, a sua real natureza jurídica.
Logo, ainda permanece grande dúvida sobre o alcance e a eficácia da nova lei.
Isso, pois, de nada adianta termos a profissão regulamentada, se não haverá um formal
empregador legitimado a respeitar o direito dos árbitros. Estes, ao fim de seu contrato,
permanecerão sem quaisquer garantias trabalhistas e/ou previdenciárias, tendo que
contar com outra profissão para seu sustento.
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Em verdade, além de manter a barreira ao vínculo de emprego já prevista na
Lei Pelé, a nova legislação pouco ou nada traz de novidades concretas, prevendo
apenas a faculdade dos árbitros organizarem-se em associações e sindicatos, direitos
já consagrados na Carta Magna (arts. 5º, XVII, e 8º).Destarte, e até a edição de
eventual norma regulamentadora, caberá à jurisprudência a responsabilidade por definir
os futuros litígios trabalhista entre o novo "árbitro profissional" e as entidades
desportivas a que estão vinculadas.
Até lá, mesmo agora com um suposto rótulo de profissional, o "homem de
preto" - que tem sobre suas costas a imensa responsabilidade de definir campeonatos
que movimentam verdadeiras fortunas - continuará a ser um mero prestador de
serviços, que na segunda-feira, pela manhã, volta a exercer sua verdadeira profissão.
36
4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Segundo Minayo (2003, p. 16), a metodologia de pesquisa é o caminho do
pensamento a ser seguido. Ocupa um lugar central na teoria e trata-se basicamente do
conjunto de técnicas a ser adotada para construir uma realidade.
Para Salomon (1999), trata-se de um estudo sobre um tema especifico ou
particular, com suficiente valor representativo e que obedece a rigorosa metodologia.
Investiga determinado assunto não só em profundidade, mas também em todos os seus
ângulos e aspectos, dependendo dos fins a que se destinam.
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
O estudo caracteriza-se por uma pesquisa descritiva, onde para Júnior (2008, p.
83), "visa descobrir e observar fenômenos existentes, situações presentes e eventos,
procurando descrevê-los, classificá-los, compará-los, interpretá-los e avaliá-los, com o
objetivo de aclarar situações para idealizar futuros planos e decisões".
Uma das linhas mestras que norteia a pesquisa de corte qualitativa é a
sustentação da crença de que as generalizações não são possíveis. E a base desta
investigação se centra na descrição, análise e interpretação das informações recolhidas
durante o processo investigatório, procurando entendê-las de forma contextualizada
(MOLINA, NETO; et al., 2004).
4.2 DESCRIÇÃO DOS SUJEITOS PESQUISADOS
Para Lakatos & Marconi (2001), universo ou população, é o conjunto de seres
animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma ou mais características em
comum. Segundo eles a delimitação do universo consiste em explicitar pessoas ou
coisas, fenômenos a serem pesquisados, enumerando suas características comuns,
como, por exemplo, sexo, faixa etária, organização a que pertencem e comunidade
onde vivem.
37
A população deste estudo foi composta por quinze (15) árbitros filiados a
Federação Alagoana de Futebol (FAF), que fazem parte do quadro de árbitros onde os
mesmos atuam como árbitros principais, com idade entre 20 e 50 anos, do sexo
masculino e tempo de prática de pelo menos 3 anos.
4.3 DESCRIÇÃO DA AMOSTRA
Afirma Lakatos & Marconi (2001, p. 223) "o conceito de amostra é ser uma
porção ou parcela, convenientemente selecionada do universo (população); é um
subconjunto do universo". Participaram do estudo cinco (5) indivíduos, sendo que os
mesmos fazem parte do quadro de árbitros da Federação Alagoana de Futebol (FAF),
onde atuam como árbitros principais no mínimo uma vez durante a semana.
4.4 INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS E SUA OPERACIONALIDADE
Segundo Junior (2008), questionário é um instrumento utilizado para obter
dados de um determinado grupo social por intermédio de questões a ele formuladas,
servindo para determinar as características desse grupo em função de algumas
variáveis predeterminadas, individuais ou grupais.
Para o levantamento da coleta das informações, foi utilizado um questionário
semi-estruturado elaborado pelo pesquisador juntamente com o seu orientador, onde o
mesmo passou pela análise de três (3) professores. O questionário foi composto por
treze (13) perguntas onde contem três (3) perguntas fechadas e dez (10) perguntas
abertas, divididas em aspectos pessoais e aspectos profissionais relacionadas ao
interesse do estudo.
O procedimento para a coleta dos dados foi feita de seguinte forma. O
pesquisador entrou em contato com a Federação Alagoana de Futebol (FAF), para
obter o número de árbitros que atuam como árbitros principais e que compõem o
quadro de árbitros da entidade, após os resultados obtidos o presente pesquisador
selecionou cinco (5) árbitros, conforme sua afinidade perante os mesmos, pois o
pesquisador também presta serviços à entidade e conhece os colaboradores. Após
38
definir a amostra o pesquisador entrou em contato com os árbitros e fez o convite
pessoalmente para participarem do estudo, todos os cinco (5) árbitros convidados
aceitaram o convite e colaboraram para a realização da pesquisa.
O questionário foi aplicado no segundo semestre de 2013, para ser mais claro
no mês de setembro e foi da seguinte forma, após eles lerem o termo de consentimento
livre e esclarecido e concordarem em serem colaboradores, foi entregue o questionário
de forma individual, onde o próprio pesquisador ficou presente todo o tempo até que o
colaborador terminasse de responde o mesmo, foi feito esse procedimento com todos
os colaboradores para não haver uma suposta manipulação dos dados finais.
4.5 CATEGORIAS
Categorias segundo (MAITRE, 1987 apud MOLINA, NETO: et al., 2004), é
nada
mais que as informações obtidas, analisadas e ordenadas de acordo com
categorias de significados, cuja definição é efetuada a partir do tratamento da própria
informação, quando então forem convertidas em categorias analíticas, onde os estudos
somente serão produtivos na medida em que as categorias sejam claramente
formuladas e bem adaptadas ao problema e ao conteúdo.A partir dos dados coletados
foram selecionadas três (3) categorias que serão analisadas e discutidas no próximo
capítulo.
39
5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Neste capítulo trata-se de compreender as falas dos entrevistados, para poder
se aproximar de uma realidade que venha a responder o problema traçado dos
objetivos propostos. Inicialmente como esta pesquisa foi realizada por meio de
questionários,
sendo
necessária
uma maior
proximidade
com
os
indivíduos
participantes, onde segundo Ludke e Andre (1986), que propõem o uso de nomes
fictícios para garantir o sigilo dos entrevistados e assim tornar a coleta de dados mais
proveitosa.
Assim os nomes dos entrevistados foram trocados por letras do alfabeto,
garantindo assim que o anonimato fosse mantido. A seguir para se conhecer melhor os
entrevistados, segue o quadro (1) de identificação dos árbitros contendo as suas
características pessoais.
Quadro 1: Identificação dos árbitros e características como sexo, idade e formação escolar.
1 – Sexo
A, B, C, D, E: Masculino
2 – Idade
A, C, D, E: de 31 a 35 anos
B: de 26 a 30 anos
3 – Formação escolar
A, D: Curso superior completo: Educação física licenciatura plena
B: Curso superior incompleto: Secretariado executivo
C: Ensino médio incompleto
E: Ensino médio completo
Fonte: Alves (2011)
O quadro 1 mostra características pessoais dos 5 colaboradores em questão.
Sendo todos do sexo masculino. Destes sujeitos relacionados, 4 (A,C,D,E) possuem
idade entre 31 e 35 anos e 1 deles (B) possui idade de 30 anos. Ainda analisando o
quadro 1 podemos dizer que 2 deles (A,D) são formados em educação física
licenciatura plena, 1 (B) tem curso superior incompleto, cursava secretariado executivo,
1 (C) tem o ensino médio incompleto e o último (E) tem o ensino médio completo.
Observamos nestes dados que não são todos formados na área da Ed. Física.
Fica claro que para ser um árbitro não é necessário ser formado em algum curso
40
superior, basta apenas participar de alguns cursos de arbitragem de futebol para ser um
árbitro no futebol amador, fora alguns aspectos como, físico, técnico, auto-estima,
controle emocional, motivação que são necessários na sua qualificação. Isso ocorre
devido as entidades envolvidas não exigirem dos árbitros uma formação no ensino
superior, isso serve também para Federação Alagoana de Futebol (FAF), já para se
tornar um árbitro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é necessário ter no
mínimo uma formação superior em qualquer curso, não havendo necessidade de ser
somente no curso de Ed. Física. Assim como, para se tornar um árbitro da Fédération
Internacionale Football Association– (FIFA), é imprescindível ter além do curso superior,
o domínio, também, de dois idiomas, como por exemplos, o espanhol e o inglês.
Dando continuidade a análise do discurso, verificando o quadro 2 conforme
apêndice A, procuramos escolher 3 categorias que se aproximaram do tema e do
problema, para ser discutido com esclarecimento das teorias pesquisadas e do
entendimento do pesquisador.
Diante disso as categorias selecionadas foram:
A.
O que leva o sujeito a se tornar um árbitro de futebol.
B.
As dificuldades encontradas na arbitragem.
C.
A violência no futebol e a disponibilidade em optar por outra profissão.
5.1 CATEGORIA A - O QUE LEVA O SUJEITO A SE TORNAR UM ÁRBITRO DE
FUTEBOL.
Foi questionado aos árbitros, qual foi a idade que eles iniciaram na arbitragem1.
Com as respostas foi possível identificar que dois (2) árbitros (B,D) iniciarão antes da
etapa de iniciação, que segundo (IFAB, 200512006, apud DAGOSTIM, 2009), está
etapa de iniciação é compreendida de 18 a 29 anos, onde caracteriza-se pelo
1
Ver resposta Quadro 2, questão nº 1
41
conhecimento mínimo das regras do jogo para conduzir as partidas. Continuando a
análise observamos que três (3) árbitros (A,C,E) iniciaram na arbitragem um pouco
tarde, passando alguns anos da etapa de iniciação. Observamos as respostas deles
abaixo:
"23 anos" (A).
"15 anos" (B).
"25 anos" (C).
"16 anos" (D)
"26 anos" (E).
Com base na pergunta e nas respostas anteriores, perguntou-se para os
mesmos se foi uma decisão deles entrar na arbitragem, ou se eles foram convidados
por alguém2. Os árbitros (A, D) responderam que foi uma decisão deles mesmo, já o
arbitro (B) disse que foi convidado pelo seu próprio pai, talvez seja esse o motivo de ele
ter iniciado tão cedo na arbitragem, já os árbitros (C, E) responderam que foram
convidados por amigos.
Sabemos que muitas vezes os árbitros acontecem ao acaso, alguns dos
motivos são por gostarem do esporte, muitas vezes é por estar com os amigos no final
de semana reunidos para uma partida e não ter ninguém para apitar a mesma, onde os
amigos pedem para uma determinada pessoa apitar o jogo, e esse acaba por gostar da
função, enfim tornando-se um arbitro de futebol.
"Decisão minha" (A D).
"Fui convidado pelo meu pai" (B).
"Convidado por amigos"(C,E).
Perguntou-se também aos árbitros qual o motivo que levaram eles a se
tornarem árbitros3. É importante ressaltar que nessa questão os árbitros tiveram
respostas parecidas. E dizem o seguinte:
"Por gostar do esporte e a oportunidade de desenvolver um trabalho
2
Ver resposta Quadro 2, questão nº 2
3
Ver resposta Quadro 2, questão nº 3
42
relacionado a minha profissão" (A).
"Meu pai era árbitro" (B).
"Gostava de futebol" (C, E).
"Gosto pelo esporte e financeiro" (D).
Podemos observar com as respostas que o árbitro identificado pela letra (A)
entrou na arbitragem por gostar do futebol e viu uma oportunidade de desenvolver um
trabalho relacionado a sua profissão, que é na área da Ed. Física conforme quadro 1
mostrado anteriormente. Já o árbitro representado pela letra (B) diz que se tornou
árbitro porque seu pai foi árbitro, já os árbitros (C,E) se tornaram árbitros por apenas
gostar do futebol, entre as respostas destacou-se a do árbitro (D), onde o mesmo diz
que gosta do esporte mas também gosta da parte financeira, ou seja, ele está na
arbitragem por gostar do esporte e também pelo dinheiro. Talvez os outros árbitros
tenham omitido alguma informação sobre a questão financeira vamos dar continuidade
a análise dos dados e observar as próximas respostas.
Perguntou-se também para os árbitros, se as taxas de arbitragem é o único
rendimento financeiro, ou se eles têm outras atividades remuneradas além da
arbitragem4, solicitamos que conforme a resposta que justificassem a mesma. Podemos
verificar a seguir que todos não dependem somente das taxas de arbitragem para se
manter, todos têm outra atividade remunerada.
“A arbitragem hoje em minha vida é porque realmente gosto desta atividade,
mesmo que isso represente um ganho financeiro" (A). "Não" (8).
"Não, porque exerço outra profissão e a taxa de arbitragem do futebol amador
não é o suficiente para se manter" (C).
"Não, sou professor de Ed. Física, pois não da para se manter somente com a
arbitragem" (D).
"Não, trabalho em outra função" (E).
De acordo com as respostas coletadas, constatou-se que todas as respostas
eram parecidas, onde o árbitro (A) respondeu que a arbitragem hoje na vida dele é
4
Ver resposta Quadro 2, questão nº 4
43
porque realmente gosta, mesmo que ela represente um ganho financeiro, já o (B)
apenas respondeu que não e não justificou sua resposta, já (C) respondeu que a
arbitragem também não é seu único rendimento financeiro e que exerce outra profissão
e que a taxa de arbitragem no amador não e o suficiente para se manter, o árbitro (D)
também respondeu que não e justificou que é professor de Ed. Física e não dá para se
manter somente com a arbitragem, e o árbitro (E) também respondeu que não dá pra se
manter com as taxas e que tem outra função.
Perante as respostas podemos observar que os árbitros encaram essa
atividade como um dinheiro extra que entra em seus orçamentos, pois os campeonatos
não ocorrem durante o ano inteiro, tem suas datas de início e fim, talvez seja esse um
dos principais motivos para os árbitros não exercerem somente essa atividade, acredita
que eles têm certo receio de acontecer algo e não dar conta de seus compromissos
pessoais de família.
Foi perguntado também aos árbitros, quando se trata da questão financeira,
vale apena entrar na arbitragem? Justifique5. A partir dessa pergunta iremos observar
se a respostas confirmam algumas perguntas anteriores, e se eles não se contradizem.
"No meu ponto de vista só haverá uma compensação se conseguir levar isso
como profissão" (A).
"Sim, e muito vantajoso pelo tempo que é trabalhado" (B).
"Sim, pois este dinheiro ajuda bastante" (C).
"Sim, por ser nos finais de semana que quase ninguém trabalha, a arbitragem
vem como um trabalho extra no pagamento das dividas pessoais" (D).
"Vale, por que a questão financeira é boa, eu pago a prestação do meu carro"
(E).
Após analisarmos as respostas podemos concluir que Montiel (1998, apud
44
NUNES, 2002), estava certo quando disse que a motivação para o árbitro de futebol
pode ser classificada como intrínsecas, representando o gosto e o prazer em arbitrar;
ou extrínsecas, representando status, fama e principalmente o "dinheiro".
Nestas respostas podemos ver que houve uma contradição de alguns árbitros
quando responderam na questão de número 3 no quadro 2, que entraram na
arbitragem porque gostavam do futebol, somente o árbitro (D) foi o que não omitiu
quando disse que gosta do futebol e do financeiro.
Continuando a analise das respostas, percebemos que é de grande vantagem
entrar na arbitragem se formos somente pensar no lado financeiro, já o árbitro (A)
respondeu que só haverá compensação se conseguir levar isso como profissão, já o (B)
diz que sim, é muito vantajoso pelo tempo trabalhado, ou seja, eles recebem no futebol
amador em torno de 110 reais a 130 reais por 90(noventa) minutos trabalhado,
dependendo da competição esses valores podem alterar, já o (C) disse que sim, pois
esse dinheiro ajuda bastante, o (D) também respondeu que sim, vale a pena por que é
uma atividade realizada nos fins de semana onde o mesmo não trabalha e então se
dedica a arbitragem e que esse trabalho vem como um extra em seu orçamento para
pagar as dívidas pessoais, e uma resposta que se destacou foi a do árbitro (E) onde diz
que vale apena, e que a questão financeira é boa, e que ele consegue pagar a
prestação do seu carro todos os meses somente com o dinheiro da arbitragem.
Fica muito claro que essa renda financeira que vem da arbitragem já esta
incluída no orçamento de cada árbitro todos os meses, ficando evidente o gosto pelo
esporte e também pelo financeiro unindo útil ao agradável, e que já não conseguem se
desfazer da arbitragem pelo fato desse dinheiro está incluído no seu orçamento, e se
eles pararem de arbitrar o dinheiro irá fazer falta e muitas vezes seja este o motivo de
eles estarem sendo obrigados a continuar dependo dessa renda que vem das taxas da
arbitragem.
Perguntou-se também aos árbitros se eles têm um sonho ou um objetivo dentro
da arbitragem6."No início sonhei me tornar um árbitro profissional, mas são muitas as
dificuldades inclusive ter um bom padrinho, não basta ser um bom árbitro" (A).
5
6
Ver resposta Quadro 2, questão n° 5
Ver resposta Quadro 2, questão n° 10
45
"Não precisar mais dessa renda financeira" (B).
"Comecei tarde e exerço uma função em uma empresa que não liberava em
horário de trabalho" (C).
"Ser um dos grandes árbitros da CBF e da FIFA, mais infelizmente a máfia não
cai nunca"(D).
"Apitar no Campeonato Brasileiro da primeira divisão" (E).
Analisando as respostas podemos constatar a revolta de alguns árbitros com
determinados grupos de pessoas ou entidades envolvidas. O primeiro árbitro (A)
responde que no início de sua carreira sonhava em se tornar profissional, mas são
muitas as dificuldades, ele argumenta que não basta ser um bom árbitro tem que ter um
"padrinho", ou seja, tem que haver um conhecido, talvez uma influência política para
você puder subir. O segundo árbitro (B) responde que, não precisar mais dessa renda
financeira, observando essa resposta fica evidente que o árbitro (B) está na arbitragem
somente pela questão financeira.
O terceiro árbitro (C) responde que iniciou na arbitragem tarde e que as
empresa não liberava o mesmo durante o seu expediente para arbitrar. O árbitro (D)
respondeu que sonhava em ser um dos grandes árbitros da CBF e da FIFA, mais que
infelizmente a máfia não cai nunca, podemos ver que o mesmo nos mostra revoltado
com algumas pessoas que fazem parte de determinadas entidades. Já o ultimo árbitro
(E) respondeu que sonha em apitar no campeonato Brasileiro da 1a divisão. Espera-se
que ele consiga atingir o seu objetivo, e não ter a infelicidade como de outros
companheiros da arbitragem que se dizem prejudicados durante o processo de sua
carreira por determinadas pessoas.
5.2 CATEGORIA B — AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NA ARBITRAGEM.
É de extrema dificuldade conduzir uma partida de futebol no Brasil, pois muitos
são os fatores que contribuem para tal,há muitos problemas que interferem na partida,
principalmente na arbitragem, pode-se destacar a falta de estrutura da maioria dos
campos de futebol, a falta de segurança, a conduta desonesta de alguns dirigentes, dos
próprios patrocinadores, a falta de conhecimento das regras por atletas, técnicos,
dirigentes e principalmente a do público e o próprio despreparo de alguns árbitros
46
(BARROS, 1990).
A partir desse referencial teórico iremos analisar as respostas dos árbitros
mediante a essa categoria.
Perguntou-se aos árbitros quais as dificuldades encontradas na arbitragem7.
Obtivemos as seguintes respostas:
"Organização das equipes, falta de segurança, falta de conhecimento técnico
das equipes, torcidas mal intencionadas, falta de qualificação de alguns árbitros" (A).
"Apoio das entidades envolvidas" (B).
"Na maioria das vezes a falta do conhecimento das regras entre os jogadores e
dirigentes e a falta de segurança" (C).
"Mídia, falta de segurança, falta de conhecimento das regras por parte dos
dirigentes, atletas e torcedores" (D).
"No amador os locais dos jogos, o público não saber a regra de futebol" (E).
Analisando as respostas podemos concluir que (BARROS,1990), estava correto
naquilo que falou anteriormente, que são muitas as dificuldades encontradas. Podemos
ver que as respostas dos árbitros foram parecidas, todos falaram que a falta de
segurança nos campos, que a maioria das pessoas entre elas jogadores, dirigentes e
torcedores, desconhecem as regras do futebol, houve somente um arbitro que relatou
que uma das dificuldades é apoio das entidades envolvidas, ou seja, nessa resposta ele
mostra mais um pouco de revolta, como já demonstrou na categoria anterior com
determinados grupos ou entidades.
Já o árbitro (D) além de falar da segurança, da falta de conhecimento das
regras, fala que também uma das dificuldades encontradas é a mídia. Barros (1990) foi
feliz novamente em uma de suas citações, onde o mesmo diz que, as previsões para o
mau andamento de uma partida de futebol começa uma semana antes de um clássico,
isso tudo ocorre por influência da própria mídia onde a mesma começa a especular, os
dirigentes querem coagir o próprio árbitro e várias pessoas começam a emitir suas
opiniões sobre quem deve ou não apitar o clássico.
Continuando a analise dos dados, foi perguntado aos árbitros, o que eles
7
Ver resposta Quadro 2, questão n° 8
47
sentem antes do inicio de uma partida e após o término da mesma8. E as respostas
foram as seguintes:
“Todos os jogos você tem um compromisso, um pouco maior ou menor, mas a
responsabilidade e ética devem estar presente e se espera no final um bom resultado"
(A).
"Tranqüilidade" (B).
"A responsabilidade e honestidade e não prejudicar nenhuma das equipes, e no
final o dever cumprido" (C).
"Depende do jogo e de como termina o mesmo. Se for uma partida profissional
ansioso se for amador nada" (D).
"Frio na barriga, e após contente pelo trabalho bem feito" (E).
Quanto às respostas podemos observar que o árbitro (A) respondeu que ele
tem um compromisso mediante a situação a qual ele se encontra e que durante a
partida em nenhum momento pode faltar com ética com os atletas e que deve ter
responsabilidade para conduzir a partida e espera ter um bom resultado no final. Já o
árbitro (B) respondeu somente que se sente tranqüilo antes da partida e após.
O árbitro (C) respondeu que se sente responsável e que deve ser honesto para
não prejudicar nenhuma das equipes e no final sente a sensação de dever cumprido.
Com essa resposta podemos analisar com as palavras de um autor citado na
fundamentação teórica que diz o seguinte: sobre a imagem que convém ao árbitro,
quatro elementos que são considerados fundamentais, onde destaca a construção da
sua imagem dada ao campo de jogo, que são elas: seriedade, honestidade, respeitosa
autoridade e imparcialidade (MONTIEL, 1998 apud NUNES, SHIGUNOV, 2002).
Dando sequência o árbitro (D) respondeu que depende do jogo e de como ele
termina, se for ao amador não sente nada e se for um jogo no profissional se sente
ansioso. O árbitro (E) respondeu que sente um frio na barriga antes do jogo e que após
o jogo contente pelo trabalho bem feito.
Após essas respostas podemos afirmar que o autor Montiel (1998) foi mais uma
vez feliz em um dos seus comentários dizendo o seguinte: o árbitro não tem que temer,
8
Ver resposta Quadro 2, questão n° 6
48
pois o mesmo é conhecedor das regras do futebol, e só precisa cumprir o seu trabalho
sem tentar inventar regras e táticas, na linguagem usual dos próprios árbitros, "quanto
menos o árbitro aparecer durante o jogo, melhor será o jogo".
5.3 CATEGORIA C - A VIOLÊNCIA NO FUTEBOL E A DISPONIBILIDADE EM
OPTAR POR OUTRA PROFISSAO.
Segundo alguns autores como Frisselli e Montovani, afirmam que a violência
sempre teve presente no esporte, antes mesmo de ser chamados de futebol, eles
descrevem que os participantes transferiam para o jogo seus problemas pessoais,
causados principalmente por questões sociais típicas da época medieval, portanto a
violência era muito grande e presente em todas as partidas.
Os autores ainda concluem que, além da violência o barulho e a
desorganização eram muito intensos, tanto que o Rei acabou por decretar uma lei
proibindo a prática do jogo, e condenando a prisão de quem estava praticando o
esporte.
Além dos autores citados, um outro autor chamado Borsari (1989), relata que o
jogo praticado na Roma Antiga era de pleno agrado dos soldados, isso porque as
jogadas eram violentas e tinha o espírito de combatividade.
Podemos observar que a violência é presente até os dias de hoje, Daolio
(2005), descreve que não é possível e nem da para entender a relação entre
espetáculo futebolístico e a violência fora de um contexto social e amplo. Isso tudo
ocorre devido a grande massa de apreciadores desse esporte nos estádios em quase
todos os países. Para Daolio, toda essa sensação é insinuada da pela própria mídia,
gerando insistentemente matérias de manifestações violentas de uma forma que chega
a ser sensacionalista.
Com todo esse embasamento teórico vamos as perguntas feitas aos árbitros
mediante aos objetivos da categoria. Perguntou-se aos árbitros, você já foi agredido
fisicamente em uma partida de futebol, ou após a partida? Qual foi a sua reação?
49
Justifique9. Obtiveram-se as seguintes respostas:
"Sim, no momento acho que a sensação de revolta por estar fazendo um
trabalho com comprometimento, mas não passou em pensamento parar, porque
lidamos com vários tipos de pessoas e temos de ter condições de superar as
dificuldades" (A).
"Sim, revidei, pois não tive escolha, não havia policiamento ou algum tipo de
segurança" (B).
"Sim, durante a partida, procuro sempre manter a calma e não julgar as
pessoas pelos seus atos, mas não pensei em desistir da arbitragem" (C).
"Sim, antes, durante e depois, minha reação foi fazer um relatório, boletim de
ocorrência. Não pensei em parar, pois a remuneração vale a pena. Ainda mesmo
apanhando o dinheiro vem depois" (D).
"Sim, foi de muita raiva, mas não parei de apitar (E).
Analisando as respostas dos árbitros podemos observar que todos os árbitros
entrevistados já foram agredidos fisicamente, então podemos concluir que a presença
da violência no futebol amador é muito grande.
O que chamou mais a atenção nas respostas foi que a maioria dos árbitros não
pensaram em nenhum momento em desistir da arbitragem, o que chamou mais a
atenção ainda, foi a reposta do árbitro (D) onde ele respondeu que já foi agredido antes,
durante e depois da partida mais o que mais importa é a remuneração, e ainda conclui
que, mesmo apanhando o dinheiro vem depois. Fica claro que esse árbitro está na
arbitragem justamente pela questão financeira.
Podemos perceber que alguns árbitros tiveram que reagir colocando a sua
própria vida em risco porque no local onde estava não tinha segurança. Se formos
analisar, os árbitros muita das vezes são agredidos somente pelas equipes que
perdem o jogo, nunca pela equipe que vence. Alguém tem que levar a culpa e detalhe
9
Ver resposta Quadro 2, questão n° 7
50
nunca é um jogador que erra um passe, que perde um gol, que sofre um gol é sempre
o árbitro.
Os árbitros não têm culpa se o time está passando por uma má fase ou se não
consegue ganhar, mais sempre tem torcedores, dirigentes e até mesmo atletas que
pensam o contrário. Pensam que o árbitro saiu da sua casa, que deixou sua família em
casa, deixou de passear com a sua família e que foi lá só pra prejudicar a sua equipe,
que saiu de casa já comprado e sem comentar as ofensas que sofrem antes, durante e
após a partida. Para concluir irei colocar aqui o que um árbitro escreveu na súmula
após um jogo turbulento no estado de São Paulo segundo o autor (ALMEIDA, s/d,
Apud SILVA et. al, 2002).
Pelo exposto, vê-se que, mesmo com o cavalheirismo e cooperação do diretor
de futebol do clube do luverdense, o Sr. Carlos Barbosa do nascimento, que teve que
descer do alto de sua cadeira cativa, para nós ajudar a sairmos do campo, e ainda
contamos com o nosso anjo da guarda, que trabalhou durante 90(noventa) minutos de
jogo, não sei se hoje as nossas famílias
não estariam lamentando, os nossos
desaparecimento ao voltar do jogo realizado.
Dando continuidade a analise dos dados, foi perguntado aos árbitros a seguinte
pergunta, se hoje tivesse outra profissão disponível para ganhar o mesmo que ganha
na arbitragem, você optava por qual profissão? Justifique10. Obteve-se as seguintes
respostas:
"Por outra, devido ao nível de comprometimento e falta de estrutura" (A). "Por
outra, pois em um jogo de futebol tudo pode acontecer" (B).
"Arbitragem, apesar dos riscos dos xingamentos eu gosto do esporte e uma
forma de estar envolvido" (C).
"Por outra, por segurança e arriscar a vida na maioria dos jogos"(D).
"Por outra profissão, por motivo da responsabilidade de uma partida de futebol"
51
(E).
Podemos observar que quatro (4) árbitros responderam que trocariam de
profissao, devido a segurança nos locais, devido a responsabilidade e o
comprometimento com a partida. O arbitro (B) respondeu que tudo pode acontecer em
uma partida de futebol, o (D) respondeu que mudaria pelos motivos de estar arriscando
a vida na maioria dos jogos.
O árbitro (C) foi o único que respondeu que preferia a arbitragem apesar dos
riscos e dos xingamentos e que era um meio de ele estar envolvido com o esporte.
Diante dessas situações de violência encontradas na arbitragem, desses riscos
que eles correm, por que eles não deixam a arbitragem? Continuo afirmando que a
questão financeira continua sendo o principal motivo de estarem na função de árbitros,
mas acredito que estão ali por que também gostam do futebol. Apesar de colocarem a
sua vida em risco, também perdem finais de semana, não saem com suas famílias para
passear, fica evidente que estes árbitros questionados, gostam do que fazem, mas
também unem o útil ao agradável, tendo um orçamento garantido.
10
Ver resposta Quadro 2, questão n° 9
52
6. CONCLUSÃO
Damos início ao processo de conclusão desse trabalho onde faremos um
resgate dos temas tratados em cada capítulo, com o propósito de extrair de cada
momento a contribuição central para a articulação do tema e problema respondido.
No primeiro capitulo foi abordado o histórico do futebol, sua origem e evolução,
falamos de como o futebol chegou as características atuais em meio a uma historia de
contextualização, da própria evolução do homem, na economia, cultura e sociedade.
Podemos concluir que o futebol teve origem em antigos jogos sem nenhum tipo de
regras e que era praticado com muita violência, praticado muitos anos antes de Cristo.
Com o passar do tempo o esporte evoluiu de uma tal maneira e passou a ser um
esporte de elite, praticado apenas pelas classes sociais altas. Mas o esporte continuou
crescendo e observou-se que era necessário que os melhores jogadores estivessem
nas equipes, independente da sua posição social e financeira, assim dando
oportunidade para todos praticarem.
Podemos também concluir que o futebol hoje no Brasil é considerado um dos
esportes mais praticados, tornando-se uma cultura no país onde a grande maioria dos
brasileiros pratica, seja elas crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. O futebol
acabou tornando-se uma paixão na vida do brasileiro.
Com toda essa paixão, afirmamos que o esporte acaba se tornando violento,
uma violência provocada por pessoas mal intencionadas, onde acabam perdendo o
controle emocional e acabam partindo para agressões físicas, onde muitas vezes a
violência acontece dentro de campo e fora dele, as vezes envolvendo atletas,
dirigentes, árbitros, torcidas organizadas, entre outros.
Fica claro neste trabalho que a arbitragem de futebol não é uma profissão
regulamentada pelo ministério do trabalho, tornando-se assim uma atividade autônoma,
onde pessoas civis prestam serviço às entidades envolvidas, porque nem todos são
formados. Quando tratamos da palavra trabalho concluímos que, no início quando
surgiu o trabalho ele era encarado como um castigo ou como uma dor, era uma
atividade humana, onde representa um esforço, um cansaço, uma pena e até mesmo
um castigo. O trabalho nos dias atuais é encarado como manutenção, busca de status,
53
realização de um projeto de vida e realização pessoal e familiar, foi o que a pesquisa
mencionou em seu desenvolvimento.
Relacionando as opiniões e construções bibliográficas dos autores em questão,
fica claro que, sem o árbitro, o espetáculo esportivo não pode acontecer. Com base
nessa centralidade, reforça a importância do tema tratado e procuramos responder ao
questionamento levantado como problema: qual o motivo que leva a pessoa a se tornar
um árbitro de futebol?
Após analisarmos as respostas dos árbitros entrevistados, chegamos a
conclusão que, são muitos os motivos. Um dos motivos respondido pelos árbitros é o
gosto pelo esporte, onde desde criança já gostavam de jogar futebol, um deles afirmou
que gosta do esporte e também do dinheiro que ganha na arbitragem.
Observamos que um dos árbitros entrou na arbitragem quando tinha apenas 12
anos, onde foi influenciado pelo seu pai que era árbitro, alguns foram influenciados por
amigos e outros decidiram por si só entrar na arbitragem.
Quando tratamos da questão financeira, concluímos que vale a pena ser árbitro
de futebol, foi o que afirmou a maioria dos entrevistados, eles conseguem ganhar uma
boa renda, e que a mesma ajuda muito no seu orçamento pessoal, algum relataram que
conseguem pagar prestações do carro apenas com o dinheiro ganho dentro da
arbitragem. Podemos também concluir que todos os árbitros têm outra profissão e
exercem outras funções, e afirmaram que não dá pra se manter somente com o
dinheiro da arbitragem.
Após questionarmos sobre a formação escolar dos colaboradores, podemos
concluir que, pra se tornar um árbitro de futebol amador não é necessário ter o ensino
superior, basta apenas realizar algum curso relacionado a arbitragem de futebol, ter um
bom condicionamento físico, ter controle emocional, ter conhecimentos técnicos,
capacidade visual e auditiva, enfim.
Após analisarmos os dados, concluímos também que os árbitros encontram
muitas dificuldades para conduzir uma partida de futebol. Eles afirmaram que a maioria
das pessoas gostam do futebol, mas muitas desconhecem as regras do esporte, onde
as pessoas os julgam por determinados fatos ocorridos no decorrer da partida sem ao
menos conhecer as regras, onde muitas vezes acabam partindo pra violência, outras
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dificuldades encontradas são os locais onde as partidas ocorrem, a segurança, torcidas
mal intencionadas, a mídia o apoio das entidade envolvidas a falta de qualificação de
alguns árbitros por não possuir uma escolaridade adequada.
Concluímos também que, quatro árbitros optaram por trocar de profissão, se
tivesse outra profissão disponível pra ganhar o mesmo que eles ganham na arbitragem,
e justificaram que mudariam de atividade pela violência que ocorre no futebol amador, e
declararam que, em uma partida de futebol tudo pode acontecer, falta de segurança,
arriscando a vida na maioria dos jogos vivenciados.
Todos os árbitros que participaram desse estudo afirmaram que já foram
agredidos fisicamente e nenhum pensou em parar de arbitrar. Para finalizar este
estudo, concluímos que, mesmo com a violência presente, eles não pensam em parar
de arbitrar os jogos, por que realmente gosta do esporte e também pela questão
financeira, onde esse dinheiro já faz parte do orçamento pessoal da vida de cada um,
ou seja, unindo então o útil ao agradável.
Esta pesquisa não se esgota com este conhecimento, pretende-se dar
continuidade em outra oportunidade, buscando uma realidade junto aos grandes
árbitros que fazem parte da CBF e FIFA.
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APÊNDICE
APÊNDICE A — Quadro 2 — Dados referentes aos árbitros questionados
Fonte: ALVES (2011)
1) Qual era a sua idade quando iniciou na arbitragem?
• A:
23 anos
• B:
12 anos
• C:
25 anos
• D: 16 anos
• E:
26 anos
2) Foi uma decisão sua entrar na arbitragem, ou foi convidado por alguém?
• A, D: Decisão minha
• B: Fui convidado pelo meu pai
• C, E: Convidado por amigos
3) Qual o motivo que levou você a se tornar um árbitro?
• A: por gostar do esporte e a oportunidade de desenvolver um trabalho relacionado a
minha profissão.
• B: Meu pai era árbitro
• C, E: Gostava de futebol
• D: Gosto pelo esporte e financeiro
4) As taxas de arbitragem é seu único rendimento financeiro ou tem outras atividades
remuneradas alem da arbitragem? Justifique.
• A: A arbitragem hoje em minha vida é porque realmente gosto desta atividade, mesmo que
isso represente um ganho financeiro.
• B:
Não
• C:
Não, porque exerço outra profissão e a taxa de arbitragem do futebol amador não é o
suficiente para se manter.
• D: Não, sou professor de Ed. Física, pois não da para se manter somente com a
arbitragem.
• E:
Não, trabalho em outra função
• A:
No meu ponto de vista só haverá uma compensação se conseguir levar isso como
profissão.
• B: Sim, é muito vantajoso pelo tempo que é trabalhado.
• C:
Sim, pois este dinheiro ajuda bastante.
• D: Sim, por ser nos finais de semana que quase ninguém trabalha, a arbitragem vem como
um trabalho extra no pagamento das dívidas pessoais.
• E: Vale, por que a questão financeira é boa, eu pago a prestação do meu carro
6) O que você sente "antes do início de uma partida e após o termino da mesma?
• A: Todos os jogos você tem um compromisso, um pouco maior ou menor, mas a
responsabilidade e ética devem estar presente e se espera no final um bom resultado.
• B: Tranqüilidade
• C: A responsabilidade e honestidade e não prejudicar nenhuma das equipes, e no final o dever
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cumprido.
• D: Depende do jogo e de como termina o mesmo. Se for uma partida profissional ansioso se for
no amador nada.
• E: Frio na barriga, e após contente pelo trabalho bem feito.
7) Você já foi agredido fisicamente em uma partida de futebol, ou após a partida? Qual foi sua
reação? Justifique.
• A: Sim, no momento acho que a sensação de revolta por estar fazendo um trabalho com
comprometimento, mas não passou em pensamento parar, porque lidamos com vários tipos de
pessoas e temos de ter condições de superar as dificuldades.
• B. Sim, revidei, pois não tive escolha, não havia policiamento ou algum tipo de segurança.
•C: Sim, durante a partida, procuro sempre manter a calma e não julgar as pessoas pelos seus
atos mas não pensei em desistir da arbitragem.
• D: Sim, antes, durante e depois, minha reação foi fazer um relatório, boletim de ocorrência. Não
pensei em parar, pois a remuneração vale apena. Ainda mesmo apanhando o dinheiro vem
depois
• E: Sim, foi de multa raiva, mas não parei de apitar.
8) Quais as dificuldades encontradas na arbitragem?
•A: Organização das equipes, falta de segurança, falta de conhecimento técnico das equipes,
torcida mal intencionadas, falta de qualificação de alguns árbitros.
• B. Apoio das entidades envolvidas.
• C: Na maioria das vezes a falta do conhecimento das regras entre os jogadores e dirigentes e a
falta de segurança.
• D:Mídia, falta de segurança, falta de conhecimento das regras por parte dos dirigentes, atletas e
torcedores.
•E: No amador os locais dos jogos, o público não saber a regra de futebol.
9) Se hoje tivesse, outra profissao disponível para qanhar o mesmo que qanha na arbitragem,
você optava por qual profissão? Justifique.
• A: Por outra, devido ao nível de comprometimento e falta de estrutura.
• B: Por outra, pois em um jogo de futebol tudo pode acontecer.
• C. Arbitragem, apesar dos riscos dos xingamentos eu gosto do esporte é uma forma de estar
envolvido.
• D: Par outra, por segurança e arriscar a vida na maioria dos jogos.
• E. Por outra profissao, por motivo da responsabilidade de uma partida de futebol.
10) Qual o seu sonho ou objetivo dentro da arbitragem?
• A: No inicio sonhei me tornar um arbitro profissional, mas são muitas as dificuldades inclusive
ter um bom padrinho, não basta ser um bom arbitro.
• B. Não precisar mais dessa renda financeira.
• C. Comecei tarde e exerço uma função uma empresa que não liberava em horário de trabalho.
• D: Ser um dos grandes CBF e FIFA, mais infelizmente a máfia não cai nunca.
• E: Apitar no campeonato Brasileiro da 1ª divisão.
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