Relatório de Ensino em Ciências Sociais
Discente: Valmir da Silva Orientadora: velina Antunes de Oliveira
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - ICS
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - LICENCIATURA PLENA/TURNO
NOTURNO
VALMIR DA SILVA
RELATÓRIO DE ENSINO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Maceió
2017
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - ICS
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - LICENCIATURA PLENA/TURNO
NOTURNO
VALMIR DA SILVA
RELATÓRIO DE ENSINO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Relatório de Ensino em Ciências Sociais apresentado como prérequisito para a conclusão do Curso de Ciências Sociais – Licenciatura
plena/ Turno Noturno, do Instituto de Ciências Sociais – ICS, da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL, sob orientação da
Professora Evelina Antunes Fernandes de Oliveira.
Maceió
2017
Folha de Aprovação
AUTOR: VALMIR DA SILVA
Título: RELATÓRIO DE ENSINO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Sociais Licenciatura
Plena/ Turno Noturno, da Universidade Federal de Alagoas do
submetido à banca abaixo especificada e aprovada em ____ de maio
de 2017.
Orientadora: Profª Ms. Evelina Antunes Fernandes de Oliveira
___________________________________________________________
Professor Dr. Welkson Pires (ICS)
____________________________________________________________
Prof. Dr. Cristiano Bodart (CEDU)
_____________________________________________________________
RESUMO
O presente Trabalho de Conclusão de Curso resulta de Relatórios da Disciplina Estágio
Supervisionado 1, 2, 3 e 4, realizados nos anos de 2013 e 2014, na Escola Estadual Izidro
Teixeira, sediada no Município de Chã Preta, Alagoas. Nele discuto três questões que
fundamentaram minha estadia enquanto aluno em processo de formação acadêmica, saindo da
zona de conforto do campo teórico e indo para o campo prático docente, me debruçando,
inicialmente, na observação da estrutura arquitetônica, física e pedagógica da escola na qual o
estágio foi realizado, nesse caso, a escola Estadual Izidro Teixeira, sediada na Rua Padre
Dimas, s/n, mais conhecida como NURE. O segundo aspecto que tratei de descrever, foi a
minha chegada na escola. Observei ainda a referência teórica do ensino da sociologia, além de
refletir também acerca dos desafios enfrentados pelas professoras que lecionam essa
disciplina nas turmas do Ensino Médio, ou seja, nas turmas que escolhi para realizar o estágio,
2ª série “C”, 3ª série “B”, 1ª série “B” e 3º período. Ainda observei a visão que os alunos
construíram acerca do processo educativo mediante o ensino da sociologia. Por fim, o terceiro
aspecto analisado refere-se a elaboração de alguns planos de aula para serem aplicados e
trabalhados por mim com os alunos em sala, caracterizando a fase da regência nos estágios.
Palavras-chave: Estágio Supervisionado; Ensino da Sociologia; Regência.
AGRADECIMENTOS
Antes de iniciar minha apresentação, gostaria de fazer alguns agradecimentos especiais. Eu
gostaria de agradecer primeiramente a Deus, de acordo com minha crença religiosa, já que
sou católico, pois acredito que se não fosse da vontade dele, eu não estaria aqui, nesta tarde
realizando um sonho que alimento desde criança, que é o de ter uma formação acadêmica na
área da docência, pois ser professor para mim sempre foi um sonho, apesar dos problemas que
permeiam a profissão, começando pelo próprio processo de formação acadêmica, que a gente
sabe que existem e fazem parte, o que não deveria acontecer, mas acontece. Gostaria de
agradecer a todos os professores que passaram pelo meu processo de escolarização, pois
muito contribuíram para que eu pudesse está aqui. Agradeço também a presença dos senhores
avaliadores que aqui estão e em especial a minha orientadora que, também foi minha
professora de Ciência Política II, Professora Evelina Antunes Fernandes de Oliveira e a minha
família, em especial, a minha mãe: Maria José Cabral da Silva, mulher guerreira, de fé, que
não teve muitas oportunidades na vida, devido a motivos de força maior, mas que não hesitou,
juntamente com meu pai, SEU NILO, como é conhecido, de proporcionar aos 13 filhos que
tiveram o acesso a educação e a minha MANHINHA, NENA, irmã mais velha que sempre a
considerei como uma segunda mãe. A ela eu agradeço as lapadas que levei, por não querer,
muitas vezes, ir à escola, aos puxões de orelha e a cada abraço pelas conquistas que obtinha e,
por fim, aos amigos que torceram e torcem por mim.
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS
RESUMO
1 - INTRODUÇÃO..................................................................................................................07
2 - REALIZANDO O ESTÁGIO SUPERVISONADO OBRIGATÓRIO.........................10
2.1- Breve Reflexão sobre o Ensino da Sociologia...................................................................10
2.2- Descrição do espaço físico, equipamentos e considerações sobre administração
escolar.......................................................................................................................................14
2.3 – Minha chegada na escola.................................................................................................19
2.4 – Discorrendo sobre a prática docente do professor titular – Um breve olhar acerca do
ensino da Sociologia.................................................................................................................21
3 - REGÊNCIA - UMA FASE IMPRESCINDÍVEL DO ESTÁGIO.................................36
3.1 - Minha prática docente – Breve apresentação...................................................................36
4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS E AUTOAVALIAÇÃO...................................................47
ANEXOS..................................................................................................................................52
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................67
7
1 - INTRODUÇÃO
O Relatório de Ensino em Ciências Sociais é uma modalidade de Trabalho de
Conclusão de Curso, no Instituto de Ciências Sociais/UFAL (Resolução nº2 de 5/12/12). O
trabalho resulta de observações e considerações feitas aos relatórios das disciplinas Estágio
Supervisionado 1, 2, 3 e 4, em 2013 e 2014, ministradas pelo Prof. Dr. Amurabi Oliveira
(CEDU UFAL) a partir de observações realizadas na Escola Estadual Izidro Teixeira, em Chã
Preta, AL. No período, foi diretora da Escola a Profª Maria Cristina do Nascimento e as aulas
observadas foram ministradas pelas professoras Maria Célia de Holanda e Ádria Leyne da
Silva Cavalcante.
Na citada resolução são exigidos como elementos de composição de um
Relatório de Ensino em Ciências Sociais: as considerações sobre os procedimentos
didáticos nas aulas de Sociologia no Ensino Médio; a descrição da Escola; a discussão teórica
sobre ensino de Sociologia na Educação Básica; a contextualização do cotidiano escolar; a
caracterização das turmas observadas; a caracterização dos conteúdos ministrados; a
autoavaliação e a formulação coerente das considerações finais.
Como está previsto na Lei de Diretrizes e Bases Curricular da Educação Nacional
- LDB (nº9394/96), o estágio escolar é uma obrigatoriedade, ou seja, exigência, que precisa
ser cumprida e colocada em prática por uma questão obvia: é no estágio supervisionado
obrigatório que os alunos em processo de formação têm a possibilidade de colocar em prática
todos os conhecimentos e experiências que adquiriram na academia durante o processo de
formação acadêmica, ou seja, é no estágio que esses alunos irão conhecer de perto os sabores
e dissabores que permeiam a prática docente, onde irão entender na prática, que muitas vezes,
os conhecimentos adquiridos na graduação, não são suficientes quando colocados mediante a
gama de relações e conflitos sociais trazidos pelos alunos para o ambiente da sala de aula.
Assim sendo, fica claro que o estágio deve ser compreendido como uma via de
mão dupla com os próprios sistemas de ensino existentes, ou seja, aqui, as escolas, sejam elas
estaduais, municipais, públicas ou privadas, funcionarão como uma espécie de laboratório,
onde os estagiários colocarão a mão na massa, tendo assim, a possibilidade de colher aquilo
que, de fato, faz jus no processo de ensino.
Todavia, outra questão surge com relação ao papel das escolas e dos estagiários, a
de que, a escola, enquanto espaço de construção sistemática e contextualizada do saber,
possui a tarefa de receber a contribuição dos estagiários, através das pesquisas, dos projetos
de intervenção pedagógica, enfim, de propostas inovadoras que possibilitem a modificação
8
dos aspectos negativos da realidade escolar e o constante aprimoramento dos aspectos
positivos, ou seja, a escola básica será, portanto, para os estagiários, uma instituição que
ensina ao passo que também aprende; os estagiários, por conseguinte, constituem-se enquanto
sujeitos que aprendem ao mesmo tempo em que podem ensinar.
Assim sendo, posso dizer que o estágio supervisionado obrigatório foi para mim,
uma ferramenta pela qual eu pude desmontar alguns medos em relação à docência, como por
exemplo, falar em público, trabalhar conteúdos com alunos das mais variadas faixas etárias,
fazendo com que participassem e interagissem da aula, além é claro, de enfrentar o
diagnóstico e a avaliação das professoras que ali estavam me vendo reger aquelas aulas. Mas
foi também um instrumento de descoberta, onde pude aprender com os alunos, com as
professoras titulares e me surpreender comigo mesmo, mediante minha prática enquanto
docente naquela referida escola. Cada fase foi de fundamental importância para a minha
formação. Durante o período de observação foi possível conhecer o ambiente da escola, sua
organização, seus espaços, tanto internos quanto externos, os alunos, a metodologia das
professoras regentes em relação ao ensino da Sociologia, seus medos e suas prospecções
acerca do processo de ensino. Observei também a maneira como os alunos perceberam minha
chegada na escola e procurei entender a visão que eles possuem acerca da Sociologia e tudo
aquilo que envolve o processo educativo dentro do ambiente escolar.
Pude observar a prática docente de uma das professoras titulares de Sociologia,
nesse caso, da Professora Maria Célia de Holanda, em três aulas que se sucederam na turma
da 3ª série “B”, turno vespertino do Ensino Médio, foi quando eu estive mais próximo dos
alunos, analisando os percalços que permeiam a profissão docente. E por fim, pude vivenciar
o período de regência, onde se trata da prova de fogo, do momento em que somos colocados
na arena da docência. É nessa etapa do estágio que podemos aplicar os conhecimentos
adquiridos ao longo da formação acadêmica, levando em consideração o plano de curso
desenvolvido pelo professor titular, uma vez que não podemos chegar com qualquer assunto,
principalmente se a temática que se pretenda trabalhar estiver fora dos conteúdos que foram
aplicados em sala de aula pelo titular, ou seja, as aulas precisam ser planejas de acordo com os
conteúdos que estão sendo trabalhados.
O período de regência se deu nos estágios III e IV, onde iniciou-se no dia
17/03/2014 e teve como término o dia 18/07/2014, pois houve um período de paralisação das
atividades acadêmicas, acrescido da falta de professor em algumas disciplinas Estágio, de
modo que os dois períodos da Regência ocorreram ao mesmo tempo, onde ministrei seis aulas
para as seguintes turmas: 1ª série “B” e 3º período noturno do Ensino Médio.
9
Durante o processo de regência, assim como no processo de observação das aulas
da professora titular, pude perceber que a maioria dos alunos estava na sala de aula, mais que
isso, estava na aula, pois apesar da timidez, por estarem diante de uma pessoa que, até então,
era estranha aos olhos deles, participaram da aula, levantando questões, perguntando,
questionando, mas também concordando, isso mediante as temáticas trabalhadas. Percebi
também, que apesar do esforço no sentido de fazer com que as aulas fossem atraentes,
trazendo para o centro das discussões, ponderações feitas em outras disciplinas, mas mesmo
assim, alguns alunos ficavam alheios, conversando acerca de outros assuntos, problemas que,
na medida do possível, foram solucionados.
Assim sendo, neste relatório busquei expressar um pouco da minha convivência
com os estudantes, o que me foi muito enriquecedor, pois pude perceber que no contexto da
sala de aula acontecem coisas que, muitas vezes, a formação que recebemos na graduação não
nos ajuda a compreender, pois precisamos ser reflexivos, astutos e eternos aprendizes, pois
esta é a função do educador mediar o conhecimento, mas também ser mediado pelos
conhecimentos que são trazidos pelos alunos para o contexto da sala de aula.
10
2 - REALIZANDO O ESTÁGIO SUPERVISONADO OBRIGATÓRIO
2.1. Breve Reflexão sobre o Ensino da Sociologia
A Sociologia enquanto campo científico perpassou por vários caminhos até chegar
aos moldes atuais, ou seja, surgiu a partir do processo de dupla revolução, a Revolução
Francesa (1789 e 1799) e Revolução Industrial (1760 a 1840), que veio colocar toda
sociedade da época em um plano de análise, onde caria de uma ciência que viesse analisar as
transformações ocorridas na época. Contudo, quando a Sociologia surge, ela não entre no rol
das ciências pelo simples fato de não possuir, inicialmente um método, ou seja, ciência para
ser ciência, tinha que ter um método, de modo que, a Sociologia, não tinha, tratava-se apenas
de um campo especulativo.
Ainda sendo considerada como uma arte de indagar, de especular, sem que tivesse
um método científico para provar a existências de certos fenômenos e suas implicações na
vida social, a Sociologia contou com a contribuição de figuras importantes da teoria social,
onde se pode citar August Comte, filósofo e sociólogo francês, nascido em 1798, no dia 19 de
janeiro, na cidade de Montepillier, vindo a falecer em Londres, no dia 5 de setembro de 1857,
este, sendo considerado por muitos cientistas sociais, como sendo o primeiro proventor do
termo, uma vez que foi ele, dentro da filosofia positivista, quem trouxe a lume essa ciência da
sociedade, justamente, na perspectiva de mostrar que os diversos problemas sociais, a partir
de diagnosticados, poderiam ser resolvidos com o estabelecimento da ordem social, ou seja, o
progresso da sociedade só seria possível por meio da ordem.
Mas Comte não foi o único, pois quando traz a lume a possibilidade de uma
ciência da sociedade, como muitos colocam, ainda estando a Sociologia dentro da
configuração das ciências exatas, com o codinome – “Física social”, é Émile Durkheim
(1858-1917), quem transforma a possibilidade em fato, ou seja, no ano de 1895, quando
“fundamenta as Regras do Método Sociológico”, de modo que a Sociologia agora passou a
possuir um objeto de estudo e um método. O objeto de estudo seria a própria sociedade e suas
transformações ocorridas nos diversos âmbitos, e o instrumento de análise e comprovação
metódica seria a teoria, por isso muitos o chamam de “Pai da Sociologia”.
No que se refere à Sociologia enquanto campo disciplinar, estando inserida dentro
do currículo educacional, a mesma também enfrentou alguns percalços, uma vez que, de
acordo com o autor Amaury Moraes, a disciplina Sociologia, assim como a própria Filosofia
sempre estiveram numa posição de sinuca de bico, isso, por conseguinte, no que diz respeito
11
ao campo disciplinar, dada à relutância de se agregar as disciplinas dentro dos currículos das
escolas públicas, em especial, a Sociologia:
Dificilmente será bem-sucedida a inclusão de temas referentes a estes campos
(Sociologia e Filosofia) pelas outras disciplinas, com docentes que não tenham a
formação plena e adequada para o cumprimento dessa tarefa. Daí ser insatisfatório o
texto da atual LDB (MORAES, 2003, p.369).
Por não possuir tradição no campo da educação básica, assim como outras
disciplinas possuem, a Sociologia, por sua vez, trouxe consigo alguns desafios na luta pela
obrigatoriedade, onde contava com “a ausência de conhecimento de alunos e também de
professores”, como assinalam (OLIVEIRA; COSTA, 2013, p. 117), além, é claro, de contar
com a falta de material didático para o ensino médio, pelo menos até o ano de2012, quando
finalmente é implantado o primeiro Programa Nacional do Livro Didático-Sociologia, pelo
MEC/INEP.
Essas idas e vindas da Sociologia dentro do currículo do Ensino Médio
contribuíram e têm contribuído para que nós, futuros cientistas sociais ou professores de
carreira, possamos pensar ou até mesmo repensar o lugar da disciplina no cenário
contemporâneo da educação brasileira, onde devemos, de maneira significativa, nos debruçar
também na análise das condições reais de ensino desse campo disciplinar, visto que, “a
educação, como objeto ou campo de atuação, há muito vem perpassando por um processo de
desvalorização, não só entre cientistas sociais, mas também quanto ao que se refere ao nível
básico” (MORAES, 2003, p 10). Vejamos o que Sarandy (2012), aponta acerca desse
processo,
se na primeira metade do século XX o ensino de Sociologia ocupava lugar de
destaque nos debates educacionais e políticos, atualmente é relevado à periferia
acadêmica, tratado com indiferença pelos gestores públicos da educação e
abandonado a um discurso em geral corporativista dos sindicatos de sociólogos. Por
sua vez, a academia tem revelado verdadeira indiferença com relação à disciplina.
(p. 49).
Partindo da afirmativa apresentada por Sarandy (2012), acima, fica claro que, nós,
estudantes de Ciências Sociais em fase de formação acadêmica, seja na área da Licenciatura
plena ou no Bacharelado, devemos considerar que este cenário defasado do ensino da
Sociologia está em constante processo de mudança, principalmente nos últimos anos, tendo
12
em vista o surgimento de espaços cada vez maiores de discussão, onde vêem a refletir sobre a
valorização da própria licenciatura e do magistério.
Todavia, para que venhamos a ter uma melhor compreensão acerca do ensino da
Sociologia na contemporaneidade, seja na escola pública ou privada, torna-se necessário e, de
certa maneira, imprescindível, conhecermos as circunstâncias em que ocorreu o seu processo
de institucionalização no ensino básico brasileiro, de modo que, essa compreensão será obtida
a partir da análise de três períodos específicos pelos quais a Sociologia passou, onde segundo
Lennert (2011, p. 387): começa no ensino secundário fazendo parte também da formação de
professores (1925-1942); em seguida e durante mais de quarenta anos a disciplina deixa de ser
obrigatória ou se ausenta do currículo (1942-1984). O terceiro período, de 1984 aos dias
atuais, é retratado pelo retorno da Sociologia ao currículo e por sua tentativa de consolidação.
Assim sendo, se partirmos da premissa apresentada nos estudos realizados por
Lennert (2011), torna-se interessante pensarmos, por exemplo, em que medida a inclusão da
Sociologia no currículo do Ensino Médio poderá vir a modificar as condições de trabalho dos
professores da disciplina, uma vez que o cenário de precarização do trabalho parece se
expandir e se consolidar cada vez mais com o passar do tempo, de modo que “os desafios para
o professor do Ensino Médio não são poucos” (OLIVEIRA; COSTA, 2013, p. 118).
Desse modo, ao falarmos em precarização do trabalho, a primeira coisa que nos
ocorre, é, justamente, a questão relacionada aos baixos salários, ou seja, a péssima
remuneração dos docentes. No entanto, as questões que configuram a docência enquanto
sendo precária vão além dos baixos salários.
[...] a precarização e a proletarização do trabalho docente têm sido temas de vários
trabalhos e pesquisas desde os anos 90 [...] em particular nas redes públicas de
ensino. Os problemas ligados à precarização vêm de longa data e persistem de modo
gradativo através das péssimas condições de trabalho oferecidas aos docentes, das
formas precárias de contratação e da ausência de recursos que possam amparar a
prática pedagógica e sua organização, além da ausência de políticas públicas que
contemplem a urgência de novos caminhos para a educação básica. (OLIVEIRA;
PIZZI, 2012, p. 03).
Se partirmos da observação e análise de pesquisas que foram e vem sendo
realizadas acerca das condições de trabalho dentro do campo docente, verificaremos que a
precarização da prática docente não se restringe, como foi posto anteriormente, a questão dos
baixos salários, uma vez que, outras questões da ordem: jornadas de trabalho intensas, falta de
recursos didáticos, falta de programas de incentivo ao aluno e ao professor, entre outros, sem
sombra de dúvida acaba comprometendo a prática do professor em sala de aula.
13
Trazendo essas questões para o campo de atuação do professor de Sociologia do
Ensino Médio, assim como as questões que envolvem professores de outras áreas,teremos
enquanto resultado, uma singularidade, considerada por alguns estudiosos como sendo mais
uma dificuldade de afirmação da Disciplina, porém, para outros, essa singularidade surgirá
enquanto estímulo, uma vez que a disciplina irá tratar de assuntos que estão em constante
processo de transformação, onde será necessário repensar a ligação existente entre o aluno e
os conteúdos, ou seja, durante esse processo, várias particularidades devem ser consideradas
em relação às experiências vividas pelos alunos, experiências essas, anteriores à chegada dos
mesmos dentro do ambiente escolar, mais que isso, dentro do ambiente da sala de aula, tal
como afirmam os autores Handfas e Teixeira:
Quem são estes jovens que chegam à escola? O que vêm buscar? Que expectativas
indicam ter em relação ao ensino da sociologia? Apreender a diferença real dos
alunos implica considerá-los como sujeitos sócio-culturais que possuem
historicidade, visão de mundo, lógicas de comportamento próprias (DAUSTER
apud HANDFAS; TEIXEIRA,2007 p. 135)
Segundo esses autores, “a prática de ensino de Ciências Sociais deve levar em
conta as variadas dimensões do processo escolar.” (HANDFAS; TEIXEIRA, 2007, p. 137),
devendo ser incessantemente posta em discussão.
Contudo, existe outro fator que não podemos desconsiderar, caracterizado,
justamente, pela resistência de boa parte dos alunos em relação à disciplina Sociologia, a qual
muitas vezes eles julgam como desinteressante, sem valor algum, situação bem parecida com
a que relato mais adiante.
Essa falta de interesse por parte dos alunos em relação à disciplina Sociologia na
sala de aula pode está relacionada à prática docente do professor no que se refere a sua
didática em trabalhar determinados conceitos, ou seja, vejamos o que Bastos (2009), fala
sobre isso:
[...] a maneira que o professor trabalha a disciplina (material didático e
metodologia); o modo como a disciplina se insere no projeto político-pedagógico da
escola; o capital cultural do aluno; o fato de a escola ser técnica ou não; e a
expectativa em prestar o vestibular (FRAGA; BASTOS, 2009 p.172).
Essa afirmativa acaba se caracterizando enquanto uma questão preocupante para o
docente e o leva, muitas vezes, a buscar uma espécie de fórmula, de modelo, de “receita de
como se dá aula: métodos que sejam modernos, bibliografias que sejam adequadas, programas
que sejam interessantes, ou seja, a garantia do êxito” (MORAES, 2003, p.15). Portanto, o que
14
se busca com isso, é justamente, tentar aproximar os alunos da disciplina e que a escola passe
a fazer sentido para os alunos, em razão de que,
o sentido da escola para os estudantes está bastante vinculado à integração escolar
do aluno e à sua identificação com o professor. O interesse pela disciplina está
diretamente associado à atitude do docente: ao jeito de ensinar, sua paciência com os
alunos e capacidade de estimulá-los (KRAWCZYK, 2014, p. 88).
Dessa forma, para que os alunos possam se sentir entusiasmados com a Sociologia
enquanto campo disciplinar, o professor precisa rever sua prática metodológica, sendo capaz
de se reinventar, uma vez que a sociedade, assim como o próprio processo de ensino
aprendizagem, se modifica com o passar do tempo, principalmente com as transformações
sociais, de modo que os conteúdos que são ministrados na sala de aula muito influenciarão
nesse processo. Vejamos o que os autores Oliveira e Costa (2013, p. 126) afirmam acerca
desse processo, onde mostram claramente que o mais importante seria “possibilitar aos
estudantes novas leituras da realidade social, novos olhares sobre o mundo, novos sentidos
sobre o seu cotidiano” permitindo que esses conteúdos façam sentido para os alunos e tenham
ligação como meio onde vivem. Dessa forma, ao elaborarem sua prática de ensino em
Sociologia, os professores devem de maneira lúdica levar em consideração a realidade social
e cultural dos alunos, as limitações da escola e toda a complexidade que seu ofício possui,
[...], ou seja, refletir nesta perspectiva o planejamento de ensino, é partir do
entendimento de que na sala de aula acontecem muitas coisas ao mesmo tempo,
rapidamente e de forma imprevista, e durante muito tempo, o que faz com que se
considere difícil, quando não impossível, a tentativa de encontrar referências ou
modelos para racionalizar a prática de ensino. (DUBET apud OLIVEIRA; COSTA,
2013, p.125).
Portanto, dentro da sua prática pedagógica, o professor deve “fazer uma reflexão
constante sobre sua metodologia de ensino e seu material didático” (FRAGA; BASTOS,
2009, p. 181), para que deste modo o mesmo possa estar sempre atualizado sobre os
conteúdos que serão aplicados em sala, uma vez que sempre estarão em transformação
constante no caso da Sociologia.
2.2. Descrição do espaço físico e equipamentos e considerações sobre administração
escolar
O meu estágio deu-se início a partir de algumas análises feitas no que se refere ao
espaço físico e material da escola, isso, por conseguinte, no dia 05/10/2013 e se estendeu até o
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dia 24/01/2014. A Escola Estadual Izidro Teixeira encontra-se localizada na Rua Padre Dimas
s/n, no município de Chã Preta, Alagoas, de modo que o estágio foi realizado no período de
outubro de 2013 a dezembro do mesmo ano, muito embora, por uma mera questão de
cronograma, a data final para término do estágio tenha sido o dia 24 de janeiro do ano
seguinte. Esse intervalo de tempo foi usado para a organização das informações coletadas.
Esta Escola é conhecida por todos os champretenses como (NURE), de modo que
tem seu ensino voltado para o 3º ao 9° ano do Ensino Fundamental. Essa nomenclatura “ano”
se refere às antigas séries do Ensino Fundamental menor, onde passou de “série” para “ano”,
sendo que o 6º ano, que corresponde a 5ª série do Ensino Fundamental não é ofertado pela
referida instituição de ensino, visto que a mesma não teria possibilidade de abrir uma sala de
aula específica para receber um número relativamente pequeno de alunos, para ser mais exato,
apenas 4 alunos, sendo esta etapa do ensino transferida para uma escola da rede pública
municipal de ensino, ou seja, para a Escola Municipal Professora Amélia Vasconcelos,
sediada no mesmo município.
No ano seguinte, em 2014, quando fui realizar o período da regência, estágios III
e IV, algumas mudanças haviam ocorrido, vamos a elas: a escola passou a ofertar também o
ensino voltado para a Educação de Jovens e Adultos – EJA, sendo que nesse nível de ensino
sua nomenclatura também passou por modificações, sendo chamado de período, igual ao
sistema universitário, de modo que oferta em um único ano, dois períodos de ensino, tanto no
que se refere ao nível médio, como no que se refere ao Ensino Fundamental, onde as outras
mudanças serão discriminadas mais à frente.
O quadro de funcionários da Escola Estadual Izidro Teixeira encontra-se
configurado da seguinte forma: no ano de 2013 foram contabilizados no total, 19 funcionários
em atividade, uma vez que em 2014, o número caiu pra 18. Segundo informações
disponibilizadas pela direção da escola, existe uma política de revezamento entre os
funcionários, uma vez que a escola funciona nos três turnos, ou seja, no turno matutino,
vespertino e noturno.
No que se refere ao quadro de professores monitores e efetivos da escola, no ano
de 2013, eram treze monitores e seis professores efetivos, uma vez que em 2014, eram nove
professores monitores e seis efetivos, ou seja, quatro professores monitores a menos em
relação ao ano anterior.
Durante os dois anos em que frequentei a Escola Estadual Izidro Teixeira,
verifiquei que houve mudança no quadro de professores monitores e dos funcionários, como
bem foi mencionado acima. Vejamos tabelas 1, 2, 3 e 4 a seguir:
16
Tabela 1 - Número de funcionários ano de 2013.
Funcionários
Diretor (a)
Vice-diretor (a)
Coordenadores(as)
Secretários(as) escolar
Serviços educacionais
Serviço de vigilância
Serviço de copa/ merenda
TOTAL
Quantitativo
1
1
2
2
6
4
3
19
Fonte: Dados coletados pelo pesquisado.
Tabela 2 - Número de funcionários ano de 2014.
Funcionários
Diretor (a)
Vice-diretor (a)
Coordenadores(as)
Secretários(as) escolar
Serviços educacionais
Serviço de vigilância
Serviço de copa/ merenda
TOTAL
Quantitativo
1
1
2
1
6
4
3
18
Fonte: Dados coletados pelo pesquisador.
Tabela 3 - Número de professores monitores
Ano de 2013.
Disciplinas
Língua Inglesa
Filosofia
Química
Ciências
Biologia
Língua Portuguesa
História
Física
Educação Física
E. Fundamental I
TOTAL:
Fonte: Dados coletados pelo pesquisador.
Quantitativo
1
1
1
1
1
2
1
1
1
3
13
17
Tabela 4 - Número de professores monitores
Ano de 2014.
Disciplinas
Filosofia
Química
Ciências
Biologia
Língua Portuguesa
Física
Educação Física
Matemática
TOTAL:
Quantitativo
1
1
1
1
2
1
1
1
9
Fonte: Dados coletados pelo pesquisador.
Em 2013, a Escola tinha 618 (seiscentos e dezoito) alunos matriculados, sendo
416 (quatrocentos e dezesseis) no Ensino Médio e 202 (duzentos e dois) alunos do Ensino
Fundamental, distribuídos nos três turnos. Em 2014, foram 564 (quinhentos e sessenta e
quatro) matriculados, sendo 321 (trezentos e vinte e um) alunos do Ensino Médio e 243
(duzentos e quarenta e três) alunos do Ensino Fundamental, também distribuídos nos turnos
matutino, vespertino e noturno.
No que se refere à estrutura física da escola, a mesma conta com 06 banheiros, ou
seja, (2 para alunos, sendo um masculino e o outro feminino), (02 para professores, sendo um
masculino e outro feminino), (1 para diretora e vice), onde se encontra na sala da diretoria e (1
para os demais funcionários da escola), estando este último banheiro localizado nas
dependências da cozinha).
A escola conta com 01 sala de direção, 01 sala de coordenação, 01 secretaria, 01
sala de professores, 01 biblioteca, 01 laboratório de informática, 01 laboratório de ciências, 01
laboratório de matemática, 01 almoxarifado, 01 refeitório, 01 pátio para recreação dos alunos,
01 área para cultivo de hortaliças e um belo pomar, resquício do antigo ensino agrotécnico
não mais praticado nesta instituição de ensino.
As salas de aula encontram-se divididas em dois grandes blocos, estando um no
lado direito e outro no lado esquerdo; o bloco direito com 5 salas de aula e; o bloco do lado
esquerdo possui apenas 04 salas, visto que a quinta sala foi utilizada para montar uma
Biblioteca.
O interior das salas de aula é composto por carteiras, quadro branco e negro, 02
ventiladores de parede (alguns não funcionam) e mural de recados, estando cada mural
18
bastante danificado pelos alunos. Todas as salas possuem janelas, algumas em péssimas
condições, de modo que a iluminação em algumas das salas deixa a desejar.
A biblioteca, por sua vez, encontra-se equipada com um significativo acervo
bibliográfico, seja na área de humanas, seja na área das exatas, o que não ocorre no campo das
ciências sociais, onde só existem dois livros, sendo dois para uso dos alunos em sala e dois
para o professor. Esses livros serão discriminados mais adiante.
No que se refere ao campo das Ciências Sociais, mais especificamente à disciplina
Sociologia, a biblioteca disponibiliza dois livros didáticos, são eles: “Tempos Modernos –
Tempos de Sociologia”, de Helena Boemy; Bianca Freire-Medeiros; Raquel Balmant
Emerique e Julia Galli O´Donnell.( 2. ed. – São Paulo. Editora do Brasil, 2013) e o livro
“Sociologia para o Ensino Médio”, de Nelson Dácio Tomazi. (2ª. Ed. São Paulo: Saraiva,
2010), sendo esses livros disponibilizados pela direção da escola só para consulta, ou seja,
após o professor e aluno utilizá-los em sala de aula, a orientação advinda da direção da escola
é para que os mesmos sejam devolvidos à biblioteca da escola, uma vez que só tinham quatro
livros, ou seja, dois para o professor e dois para os alunos.
Todavia, a sala que comporta a biblioteca é bastante desorganizada no sentido
estrutural, pois possuem prateleiras e estantes danificadas, algumas já passaram do ponto de
serem substituídas. Há no ambiente muita poeira que não chega a ser insuportável, mas que
incomoda, principalmente quem sofre de algum problema respiratório ou de alergia a poeira.
Os livros são amontoados no chão, nas mesas, nas estantes, alguns encontram organizados,
seja por série, volume ou disciplina, de modo que a grande maioria dos livros não segue uma
ordem lógica de organização, apesar de existir uma pessoa que cuida da biblioteca, pessoa
essa que faz parte do quadro de funcionários da escola. As visitas ao local são constantes,
professores e alunos vão à biblioteca com o intuito de realizarem algumas atividades
pedagógicas, isso, por conseguinte, no caso das demais disciplinas do currículo, já que no
caso da disciplina Sociologia, alunos e professores pouco vão à biblioteca, a não ser quando
vão buscar os livros de Sociologia para que possam trabalhar em sala de aula.
Os alunos que estão matriculados nessa instituição de ensino advêm geralmente
de escolas da rede pública municipal de ensino, uma vez que terminaram o Ensino
Fundamental e, portanto, precisam ingressar no Ensino Médio. Por outro lado, há também
casos de transferências, principalmente depois que a Escola Estadual Cel. Pedro Teixeira,
fechou, isso por sua vez no ano de 2014, de modo que esse contingente de alunos é oriundo da
zona rural e urbana, seja do centro da cidade ou das comunidades locais.
19
A escola Estadual Izidro Teixeira, após o fechamento da Escola Estadual Cel.
Pedro Teixeira no ano de 2014, como já citado anteriormente, hoje é a única instituição de
ensino no município que oferece o Ensino Fundamental, Médio e a Educação de Jovens e
Adultos, estando à mesma atualizada com as novas nomenclaturas propostas pela Secretaria
de Estado da Educação e do Esporte.
2.3. Minha chegada na escola
A chegada na escola ocorreu de maneira tranquila e ao mesmo tempo conturbada.
Tranquila no sentido de conhecer bem os espaços escolares e por conhecer também as práticas
pedagógicas propostas pelas professoras que lecionam a disciplina Sociologia, pois as
professoras que fizeram parte da análise foram minhas professoras durante os três anos em
que fui aluno nessa instituição de ensino. A professora Maria Célia da Silva Holanda, então
com 40 anos de idade, foi graduada em Pedagogia e Pós-graduada em Docência para o Ensino
Superior, em 2004, pela Universidade Federal de Alagoas. A professora Ádria Leyne da Silva
Cavalcante, então com 42 anos de idade, graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual
de Alagoas, em 2006.
Meu ingresso como aluno do Ensino Médio na Escola Estadual Izidro Teixeira se
deu no ano de 2007, aonde vim a concluir todo o processo no ano de 2009, ou seja, construí
durante os três anos que passei nessa instituição de ensino uma relação de amizade com
praticamente todos os que fazem a Escola Estadual Izidro Teixeira, de modo que nos anos em
que o estágio aconteceu tive o privilégio de, no período de regência, trabalhar com dois alunos
que fazem parte da minha família, uma irmã e um sobrinho, o que foi muito gratificante para
mim, por isso afirmei anteriormente, ter familiaridades com todos aqueles que fazem a Escola
Estadual Izidro Teixeira.
No entanto, a chegada foi também conturbada pelo fato de ter me deparado com
um choque de horários entre turmas de Sociologia para as quais eu havia sido designado como
estagiário e também porque as minhas disciplinas de Estágio 1 e 2 foram dadas
simultaneamente. Como a disciplina é ministrada todas as segundas-feiras no turno
vespertino; na terceira aula, para as turmas da 2ª série “C” e da 3ª série “B”do Ensino Médio,
pela professora Célia, como realizar, então, meu o Estágio I na 2ª série “C”, se o horário
chocava com o horário da 3ª série “B”, turma que escolhi também para realizar o Estágio II?
Assim, após ter conversado com a professora titular, Mª. Célia da Silva Holanda, consegui dá
20
prosseguimento a minha prática nas duas turmas, uma vez que a mesma fez uma troca de
horários com a professora de Língua Portuguesa, de modo que a professora de Sociologia
cedeu a terceira aula que seria de Sociologia, ficando com a quarta aula que seria de Língua
Portuguesa, na 2ª série “C”, foi assim que consegui dá prosseguimento aos meus estágios
iniciais.
A professora Maria Célia da Silva Holanda leciona a disciplina Sociologia em seis
turmas do Ensino Médio, nas segundas, quintas e sextas-feiras. Inicialmente, ao chegar na sala
de aula junto com a professora Célia, percebi que houve um certo estranhamento nos alunos
causado por minha presença. Esse estranhamento pode ser explicado pelo fato dos alunos que
compõem essa turma já me conhecerem fora dos espaços escolares, sendo alguns dos alunos,
amigos, colegas e até mesmo, parentes.
Isso causou na turma um sentimento de desconforto, pois, após a professora ter
me apresentado enquanto estagiário da disciplina Sociologia na referida turma, todos ficaram
com uma fisionomia de espanto, de modo que meu sentimento também foi recíproco, pois me
senti desconfortável não no sentido de não saber lidar com uma turma do Ensino Médio, mas
pelo simples fato de está diante de pessoas tão próximas, conhecidas e íntimas, não me refiro
a toda turma, mas a maioria, de modo que não podia agir de forma a me colocar como sendo
aquela pessoa que os mesmos estão habituados a lidar fora do contexto da sala de aula, uma
vez que estava ali, não enquanto sendo o Valmir do decorrer da vida cotidiana, mas enquanto
alguém que estava realizando uma determinada prática e que, portanto, não podia se deixar
levar pelo sentimento de pertencimento àquele grupo, nem muito menos usurpar o lugar da
professora titular ou se colocar acima dos mesmos, daí o porquê de me sentir desconfortável.
Diferente de alguns professores da rede pública estadual de ensino, ou da rede
privada, que possuem uma carga horária extremamente pesada no que se refere à disciplina
Sociologia, vindo a lecionar a 15, 20 ou 30 aulas semanais, além de lecionar outras
disciplinas, distribuídas em duas ou mais escola, a professora Maria Célia da Silva Holanda só
leciona a disciplina Sociologia e em uma única escola, onde também é coordenadora, tendo
um número total de 213 alunos divididos em seis turmas.
Embora a professora não tenha um número muito grande de turmas, o que
configuraria em um problema que poderia vir a comprometer sua prática de ensino, a mesma
precisa se desdobrar entre o cargo de professora e coordenadora, o que está longe de ser uma
tarefa fácil, requer tempo, assim como requereria se a mesma viesse a lecionar, por exemplo,
em 20 turmas do ensino médio, ou seja, sua prática está dentro do que pensou TARDIF
(2000), “O saber do professor depende também do tempo de trabalho que ele exerce a sua
21
profissão, com o passar do tempo o professor aprende, a saber-trabalhar (saber-ensinar), onde
ocorre mudança na forma de trabalhar e si mesmo.”
Esse pensamento está dentro do que nos lembra Schwartz (1997, p. 7), acerca do
trabalho docente, ou seja, o autor diz o seguinte:
“A experiência viva do trabalho ocasiona sempre um drama do uso de si mesmo,
uma problemática negociação entre o uso de si por si mesmo e o uso de si pelo(s)
outro(s). Se uma pessoa ensina durante trinta anos, ela não faz simplesmente alguma
coisa, ela faz também alguma coisa de si mesma: sua identidade carrega as marcas
de sua própria atividade, e uma boa parte de sua existência é caracterizada por sua
atuação profissional. Em suma, com o passar do tempo, ela tornou-se – aos seus
próprios olhos e aos olhos dos outros – um professor, com sua cultura, seu éthos,
suas idéias, suas funções, seus interesses etc.”
Contudo, sabemos que o professor enquanto mediador do conhecimento, o mesmo
não pode ficar preso a sua prática docente só porque a faz há algum tempo, então orienta sua
prática mediante aquilo que sempre executou, uma vez que a sociedade constantemente
perpassa por processos de transformações, seja no campo político, cultural, religioso ou em
outros campos, onde caberá ao professor orientar sua prática mediante essas transformações,
com o intuito de mudar sua prática docente, sendo reflexivo, criativo e astuto, afinal, os
conhecimentos que o professor possui, são conhecimentos sociais, uma vez que são
compartilhados com terceiros e modificados ou acrescentados pelos mesmos.
Professora de Sociologia a mais de cinco anos nessa instituição de ensino, Maria
Célia da Silva Holanda, em 2013, após perder o cargo de diretora na Escola Estadual Cel.
Pedro Teixeira, uma vez que a escola foi fechada no ano de 2014, justamente por não ter
havido um número significativo de alunos matriculados, assumiu o cargo de coordenadora na
escola onde o estágio foi realizado, deixando a sala de aula no que diz respeito a sua prática
docente enquanto professora de Sociologia, pelo menos a princípio, pois logo depois, devido
o quadro de carência de professores na rede pública estadual de ensino no município, a
mesma resolveu lecionar a disciplina Sociologia novamente.
2.4 – Discorrendo sobre a prática docente das professoras titulares – um breve olhar
acerca do ensino da Sociologia
Se desdobrando entre o cargo de professora e coordenadora, o que significa que a
mesma possui uma jornada de trabalho bastante intensa, Maria Célia de Holanda, revelou que
22
ainda encontra tempo para estudar e planejar suas aulas, ou seja, por semana a professora
seleciona do seu tempo 4 horas em média para realizar tal tarefa.
Em uma conversa informal, a professora revelou que o quadro defasado de
carência da rede pública estadual de ensino se dá, justamente, devido a uma desvalorização
por parte do poder público em melhor remunerar a docência, principalmente no que diz
respeito ao campo da Sociologia que, até pouco tempo, pelo menos até 2003 e 2004, nem nos
editais dos concursos públicos estaduais existia enquanto campo docente, o que veio a mudar
recentemente, mais exatamente a partir de 2005, onde a disciplina já fazia parte dos editais
dos concursos para educação a nível de estado, de modo que, segundo a professora, só a partir
da luta em defesa dos direitos dos educadores é que a mudança ou uma possível mudança
pode ser possível, embora muito ainda precise ser feito, não só no que se refere à Sociologia,
mas a todo campo docente.
Essa realidade denunciada pela professora nos leva a refletir acerca do que pensou
o escritor e educador brasileiro Paulo Freire (2011, p. 39), em sua obra intitulada –
“Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa”, no capítulo 2.5 “Ensinar exige Humildade, Tolerância e Luta em Defesa dos Direitos dos Educadores”-. O
que Paulo Freire faz nesse capítulo, é na verdade uma apresentação acerca da luta dos
professores em defesa dos seus direitos, de sua dignidade, onde deve ser entendida com um
momento importante de sua prática docente, como prática ética. Segundo o autor, a defesa da
educação é parte integrante dos sabres necessários pra prática docente. A luta pela dignidade
da profissão que ainda é tão desrespeitada, desprestigiada e, nos últimos tempos, até mesmo
ameaçada por projetos de lei que propõe a criminalização de professores, vem fazer com que
os mesmos se desencantem pela profissão e acabem que, muitas vezes perdendo a vontade de
lecionar, desistindo da profissão.
Essa luta em favor da dignidade da profissão, esse respeito a si mesmo é tão
importante para prática docente, quanto o respeito que o professor deve assumir pela
identidade dos alunos. Uma das piores consequências do descaso que o poder público provoca
na prática docente, ou seja, na educação, é justamente, a disseminação de um estado de
espírito negativo dos professores, que faz com que estes se cansem da profissão, se sintam
esgotados, desestimulados, fracassados, desistam dos alunos, da sua prática, dos seus sonhos
que muitas vezes estão atrelados a própria prática educativa, ficando indiferentes, parando de
acreditar que são capazes de educar e comecem a dizer que não há mais o que se fazer,
jogando a toalha literalmente, ou seja, rendendo-se a realidade ao invés de erguer a cabeça e
continuar lutando.
23
Perguntei a mesma como conseguia dar conta de tantas atribuições, levando em
consideração seu cargo de coordenadora. Ela, então, gentilmente me respondeu que enfrenta
muitas dificuldades para lecionar a disciplina Sociologia, não só do ponto de vista
pedagógico, mas também do ponto de vista cronológico, pois existe um calendário a ser
cumprido no que se refere a disciplina, e um calendário no que se refere as suas tarefas
enquanto coordenadora, onde se esforça para fazer o melhor, dentro do possível.
É evidente que o professor em sala de aula exerce um papel fundamental,
imprescindível dentro do processo de ensino aprendizagem, pois, trata-se de alguém que
orienta, auxilia, esclarece mais também aprende, estando o mesmo inserido dentro de um
espaço de construção e propagação do saber que é a sala de aula. Além de ter uma formação
específica numa determinada área, portanto, ser capacitado a está dentro de uma sala de aula,
o mesmo é, antes de qualquer coisa, um mediador, uma vez que precisa proporcionar em sala
de aula ou dentro dos espaços escolares, um bom relacionamento com os alunos, respeitando
os limites de cada um, para que assim juntos possam criar maneiras de facilitar e enriquecer o
aprendizado. Portanto, um professor qualificado é capaz de melhorar o desempenho do aluno,
preparando para o mercado de trabalho como também para a vida.
Como pano de fundo dessa perspectiva, sobre a prática docente, está a de perceber
os professores como atores competentes e sujeitos ativos como foi bem assinalado por
TARDIF (2002, p. 234):
Se assumirmos o postulado de que os professores são atores competentes, sujeitos
ativos, deveremos admitir que a prática deles não é somente um espaço de aplicação
de saberes provenientes da teoria, mas um espaço de produção de saberes
específicos oriundos dessa mesma prática.
O autor Maurice Tardif está afirmando que o professor dentro das suas atribuições
na escola, principalmente em sala de aula, precisa levar em consideração a realidade que está
ligada à prática do aluno, ou seja, ele precisa ser capaz de ser flexível com relação à sua
prática.
[...] a prática profissional nunca é a simples aplicação dos conhecimentos
universitários. Ela filtra e adapta esses conhecimentos em função das exigências
concretas do trabalho docente, abandonando aqueles considerados inúteis, por não
terem relação com a realidade (TARDIF. 2000. p.12).
O autor Maurice Tardif foi muito coerente com essa afirmação, pois considera
que um dos maiores problemas da pesquisa em ciências da educação consiste em abordar o
estudo do ensino de um ponto de vista normativo, o que significa dizer que os pesquisadores
24
se interessam muito mais pelo que os professores deveriam ser, fazer e saber, do que pelo que
eles são, fazem e sabem realmente. (MAZZOTTI, p. 41).
Assim sendo, percebe-se que uma das várias dificuldades que o professor
enfrenta na sala de aula de Sociologia é justamente a falta de interlocução, principalmente no
que se refere ao momento de reflexão, de debate e discussão, onde não há por parte dos alunos
contribuição alguma para com o processo de ensino-aprendizagem, ou seja, segundo a
professora, e pelo que pude perceber, as aulas se baseiam simplesmente na fala da professora
e na concordância, por parte dos alunos em relação a tudo que é dito pela mesma, como se o
que a professora coloca em sala de aula se tratasse de verdades absolutas impossíveis de
serem discutidas, refletidas e debatidas.
Num certo dia de aula observada, mesmo com as provocações feitas pela
professora na tentativa de colocar a turma dentro de um processo de construção do
conhecimento, a partir do diálogo, da troca de informações, só após vinte ou trinta minutos de
conversa foi que três ou quatro alunos se manifestaram, no sentido de participar da aula, ainda
que de maneira sucinta.
O que é interessante dentro desse processo, é que no que se refere à atividade
docente proposta pela professora em sala de aula, a maioria dos alunos não interage com a
mesma, por outro lado, conversas paralelas dos mais diversos gêneros são desenvolvidas
pelos alunos na hora da aula, ou seja, se a aula de Sociologia ocorre num intervalo de tempo
de 50 à 60 minutos, cerca de 80% da aula é utilizada pelos alunos de forma inadequada, com
conversas paralelas, pelo menos foi o que a professora relatou e o que pude perceber quando a
mesma propôs como tema da aula o sistema capitalista, do ponto de vista social,histórico e
político, tendo como referência o teórico alemão, Karl Marx.
Apesar da escola disponibilizar o livro didático (TOMAZI, 2010) e de
(BOEMY, 2013), para se trabalhar a disciplina Sociologia nas três séries do Ensino Médio,
não percebi por parte dos alunos uma valorização desse material, pois nas observações feitas
em sala, muitos alunos não se dedicavam às tarefas propostas pelo professor, de modo que em
conversas informais com alguns alunos, ouvi algumas colocações tais como “a disciplina não
reprova”, assim,percebi uma espécie de desqualificação da disciplina.
Considerando que a Educação é um processo permanente e contínuo, seus
resultados nem sempre aparecem imediatamente e satisfazem a todos que fazem o processo
educativo, seja no Brasil, ou, seja no mundo, mas os professores precisam ser apoiados,
incentivados e capacitados para que possam lidar com certas situações de conflitos, buscando
25
sempre explorar novas metodologias, novos recursos e práticas que possam valorizar o ensino
público.
Outra dificuldade observada no que se refere ao ensino da Sociologia nessa
instituição de ensino e, de modo geral, no que se refere ao ensino em outras disciplinas, está
intrinsecamente ligada à estrutura física da escola, aos recursos tecnológicos, materiais e
didáticos.
Os equipamentos que a escola disponibiliza, segundo as professoras, apresentam
problemas na hora que são utilizados, não sempre, mas vez ou outra acontece, o que não foi o
caso das aulas que observei e ministrei, pois o Data-show não apresentou problemas, onde
para fazer uso do mesmo. Tive que levar meu notebook pessoal, pois a escola não dispunha de
um. A escola possui uma TV e um aparelho de DVD, além de um aparelho de som, só que às
vezes os mesmos também apresentam problemas, o que dificultava sua utilização no que se
refere a execução de alguma atividade filmográfica e a atividades do tipo amostras culturais
ou feiras e projetos dentro de cada área específica do conhecimento. Além disso, os quadros
brancos estão comprometidos, de modo que a falta de material para que o docente possa
trabalhar em sala de aula é algo quase escasso. O que não implica dizer que não exista, mas
não em quantidade o suficiente para todos os professores, de modo que não há apagadores em
quantidade suficiente, nem para quadro negro, nem tão pouco para quadro branco. O
laboratório de informática da escola não funciona e poderia, segundo a professora e os
próprios alunos, ser utilizado para realização de pesquisas, no entanto, só a direção da escola
tem acesso.
Além dos problemas com a estrutura física, com os recursos materiais e humanos,
existem outras dificuldades relacionadas ao ensino da Sociologia, tanto no que se refere a
prática de ensino como no que se refere ao grau de aprendizagem dos alunos em relação à
disciplina. No que se refere a prática de lecionar Sociologia, a dificuldade, segundo o que a
professora relatou está, justamente, no fato de não haver material didático suficiente para essa
disciplina, pois tirando o livro “Sociologia para o Ensino Médio, de Nelson Dácio Tomazi
(2010) e “Tempos modernos, tempos de Sociologia”, de Helena Bomeny (2013), a escola não
disponibiliza nenhum outro, caindo sobre o professor a responsabilidade de buscar mais
materiais que possam ser trabalhados nas aulas. Já no que se refere aos alunos, a dificuldade
de aprendizagem, segundo a professora, está no fato dos mesmos não gostarem de ler, se não
todos, a grande maioria. De acordo com a professora, a queixa que os alunos fazem a ela,se
configura pelo fato de que os conteúdos de Sociologia de nada acrescentam ou acrescentarão
na vida deles no futuro, ou seja, tudo não passaria de “balela”, como eles mesmos falam.
26
Não há, portanto, na perspectiva dos alunos a necessidade de ler os textos de
Sociologia. Para eles refletir é uma tarefa exclusiva da História ou da Geografia, que são
consideradas as únicas disciplinas que fazem sentido. Quanto à interpretação de textos, estes
mesmos alunos disseram que seria uma tarefa da disciplina Língua Portuguesa.Para a
professora Célia estas questões foram consideradas um obstáculo ao processo de ensino e
aprendizagem.
Embora a professora saiba da importância da Sociologia para formação dos seus
alunos, já que é a partir dela que toda configuração social, seja em qual âmbito for, pode ser,
de fato, analisada, a mesma reconhece que essa visão que tem de nada influi na visão que os
alunos construíram a cerca da disciplina. Segundo esta professora, a Sociologia nos ensina a
enxergar a sociedade como ela de fato é, além de nos ajudar a compreender um fenômeno
que, a princípio, julgamos conhecer, mas que quando posto em um plano de análise
percebemos que não o conhecemos de fato, a exemplo, o preconceito no Brasil.
É corriqueiro propagarmos o discurso de que vivemos em um país que prega uma
democracia racial, no entanto, o que ocorre, na verdade, é que cada vez mais o preconceito é
perpetuado com mais força, logo, a Sociologia, enquanto ferramenta de análise e diagnóstico
nos ajuda de maneira a compreendermos o porquê de dizermos que vivemos em um país em
que não se aceita o preconceito, sendo que o mesmo continua existindo. Nesse sentido, a
Sociologia surge como um telescópio que irá nos mostrar quais elementos estão por trás desse
fenômeno, o que é instigante e intrigante ao mesmo tempo.
Foram observadas, no total, três aulas com duração de uma hora. Na primeira aula
observada, para ser mais exato na aula do dia 04 de novembro de 2013, a professora iniciou
um conteúdo sobre o sistema capitalista, levando duas aulas para concluí-lo. A professora
partiu da análise do contexto histórico do surgimento desse sistema econômico, trabalhando
aspectos da obra de Marx, “O Capital – A crítica a economia política”, utilizando uma
linguagem acessível, simples, sem fugir da cientificidade do texto, de modo que os alunos
pudessem compreender o que o autor está mostrando em sua obra através da fala da
professora, onde destacou conceitos importantes, tais como: classe social, relações de poder,
luta de classes, modo de produção dentre outros.
A aula foi realizada de forma a fazer com que os alunos participassem da
discussão por meio de perguntas feitas pela professora, a exemplo: o que vocês entendem por
classe social? O que significa relação de poder? Já ouviram falar em luta de classes? O que é
viver dentro de um sistema capitalista? Todas essas perguntas foram sendo respondidas por
27
meio da explanação oral durante duas aulas, ou seja, em duas semanas, já que cada aula de
Sociologia tem duração de apenas 60 minutos.
Dessa forma, na segunda aula, para ser mais exato, no dia 18 de novembro, ao
concluir o assunto proposto na primeira aula, “O sistema capitalista”, a professora passou um
seminário sobre a temática, valendo quinze pontos, onde dividiu a turma em 4 grupos
compostos por cinco ou seis pessoas, dependendo do número de alunos presente em sala de
aula. De acordo com o programa da disciplina, o tema “capitalismo” foi trabalhado a partir
dos conceitos força de trabalho, condições de trabalho e processos de trabalho, que foram
distribuídos entre diferentes grupos de alunos. Estes tiveram uma semana para realizarem tal
tarefa, vindo a apresentar o seminário no dia 18 de novembro de 2013, de modo que apenas
dois grupos apresentaram, pois, o tempo foi insuficiente para que os quatro grupos
apresentassem o referido seminário, vindo os dois últimos grupos a apresentar o seminário no
dia 25 de novembro.
A avaliação da professora em relação aos grupos partiu da análise de um relatório
apresentado pelo líder de cada grupo, além de ter avaliado cada componente individualmente
e em grupo. Além dessa atividade, a professora revelou que propõe enquanto atividade
pedagógica e avaliativa, discussões, embora não dê muito resultados, por motivos comentados
anteriormente, prova escrita, além de utilizar filmes de acordo com o tema abordado e
conteúdos em forma de slides.
A avaliação em sala de aula ocorre mediante a aplicação de provas, debates,
seminários, trabalhos em grupo e individual, enfim, o processo avaliativo é contínuo dentro
do cronograma da escola, de modo que, segundo a professora, sua observação se debruça na
análise da capacidade de assimilação e reflexão dos alunos em relação os conteúdos que são
aplicados em sala de aula, a partir da exposição oral, de modo que se debruça também na
capacidade de diagnosticar as principais dificuldades dos alunos em relação a assimilação de
alguns conteúdos, tentando buscar a melhor forma de construir sua prática dentro do processo
de ensino aprendizagem. Todavia, este tipo de avaliação é determinado pela direção da escola.
Quando perguntada sobre a relação entre o ensino de Sociologia na Escola e a
formação para a cidadania, a professora afirmou que a Sociologia orienta os indivíduos para o
exercício da mesma, pois é a partir da Sociologia que os alunos e os sujeitos sociais de modo
geral, conseguem compreender as transformações políticas, as questões éticas, culturais,
econômicas, religiosas e sociais, estando aptos a lidarem com a sociedade na qual estão
inseridos. Ainda afirma que a compreensão sobre a sociedade pode facilitar o entendimento
de que todos os sujeitos podem ir e vir, escolher sua religião, tomar decisões, em casa, na rua,
28
e em todos os lugares, inclusive em momentos de eleições, sem que façam isso na base da
coerção.
Estas anotações referem-se ao estágio supervisionado I, onde analisei a conduta da
professora Célia na turma da 2ª série “C”, turno vespertino. As observações quanto ao Estágio
Supervisionado 2 estão a seguir.
No total foram observadas três aulas na turma da 3 série “B”, turma devidamente
matriculada com 41 alunos, no turno vespertino, de modo que na primeira aula, iniciada
exatamente às três e dez da tarde, logo após o intervalo, a professora Célia me apresentou
como estagiário e deu prosseguimento a aula realizando a chamada.
Em seguida, pediu que a turma se dividisse em cinco grupos compostos por
quatro componentes, de modo que a atividade proposta teve como tema central o “Processo de
Globalização”. Após a divisão dos grupos a professora nomeou os cinco grupos da seguinte
forma: “Grupo 1 – intitulado de Grupo Pêra”, ficou incumbido de formular cinco
perguntas, cujas respostas fossem alternativas de A à D; “Grupo 2 – intitulado de Grupo
Uva”, ficou incumbido de formular cinco perguntas com respostas; “Grupo 3 – intitulado de
Grupo Maçã”, ficou incumbido de formular cinco questionamentos para debate; “Grupo 4 –
intitulado de Grupo Laranja”, ficou incumbido de elencar quais os pontos negativos e
positivos que foram trazidos pela globalização e, por fim, o “Grupo 5 – intitulado de Grupo
Jaca”, ficou incumbido de explicar o que representa a globalização no mundo.
As cinco tarefas foram distribuídas em forma por sorteio, onde apesar de terem
iniciado a tarefa proposta pela professora na mesma aula, o tempo não foi suficiente para que
pudessem ter concluído a mesma, ou seja, a primeira aula foi realizada no dia 4 de novembro,
numa segunda-feira; a segunda aula ocorreu 15 dias depois devido a um feriado e foi quando
os alunos fizeram a entrega do trabalho a mim, pois a professora faltara neste dia. Após
receber os trabalhos dos alunos, confeccionei uma lista de presença e mandei todos os alunos
assinarem, liberando-os em seguida, pois como não se tratava de um estágio de regência, logo
não havia planejado nenhuma aula, só fui com a incumbência de observar a prática docente da
professora. No mesmo dia fui até a casa da professora para entregar as tarefas realizadas pelos
alunos. Não houve nenhuma explanação acerca da temática, ou nenhum debate pelo menos na
primeira e segunda aula.
No que se refere à terceira aula, ocorrida na semana seguinte, a professora veio a
discutir acerca da temática globalização, não trazendo a lume, especificamente, as atividades
inicialmente propostas por ela, mas questões pertinentes a todo contexto que envolve o
processo de globalização, partindo do princípio de que os alunos já tinham lido sobre o
29
assunto. Desse modo, no decorrer da exposição da professora, a mesma provocou a turma
com perguntas tais como: o que vocês entendem por globalização? O Brasil perpassou e
perpassa por um processo de globalização? Qual símbolo representa a globalização? Quais
características positivas e negativas vocês poderiam elencar acerca do processo de
globalização? Apesar das tentativas de envolver a turma no processo de discussão, poucos
alunos participaram da aula. Contudo, aqueles que se dispuseram a participar da aula, estando
os mesmos amparados em referencial teórico, os conhecimentos que expuseram não se
tratavam de informações advindas do senso comum.
Assim sendo, a aula foi finalizada com as ponderações da professora, agradecendo
minha presença em sala de aula e agradecendo aos alunos que participaram da discussão. A
metodologia utilizada foi a exposição oral com o auxílio de um slide acerca do tema.
Após a aula, perguntei a professora com quais conteúdos a mesma trabalhava em
sala de aula além do tema “Globalização”, de modo que a mesma me respondeu que na turma
da 3ª série “B”, suas aulas são baseadas no programa de conteúdo da disciplina para o Ensino
Médio, onde os conteúdos são divididos por semestre, ou seja, no primeiro semestre o
programa da disciplina elenca oito unidades de conteúdo para serem trabalhados, onde o tema
da globalização encontra-se inserido. No que se refere ao segundo e último semestre, o
programa da disciplina elenca sete unidades.
Como o intervalo de tempo das aulas de Sociologia é extremamente curto, a
professora revelou que a escolha dos conteúdos feita pela mesma foge um pouco do programa
da disciplina e a mesma tenta se orientar pelo ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. Na
sequência, perguntei se a mesma conhecia e fazia uso das Diretrizes Curriculares Nacionais,
me respondendo que sim.
Logo em seguida a perguntei, por exemplo, o que mais pesava no momento da
seleção dos conteúdos? Ela então me respondeu que leva em consideração o ENEM, que pesa
no momento da escolha dos conteúdos os conteúdos que provavelmente serão aplicados nos
vestibulares. Isso dar-se a fim de preparar e capacitar os alunos para tal disputa que os
orientará diretamente para o universo acadêmico e, consequentemente, para o mercado de
trabalho. Assim sendo, a mesma tenta utilizar ao máximo em suas aulas o livro didático
disponibilizado pela escola só para o uso em sala de aula, neste caso, o livro do autor Nelson
Dácio Tomazi – “Sociologia para o Ensino Médio”. O que não consegui perceber pelo menos
nas três aulas observadas, mas foi o me relatou.
Todavia, a professora ainda acrescentou que procura trabalhar ao máximo com o
projetor de multimídia e com o uso da internet, na perspectiva de tornar suas aulas mais
30
dinâmicas e suscetíveis ao processo de interdisciplinaridade com outras áreas do
conhecimento que dialogam diretamente com a Sociologia. Assim sendo, revelou que procura
trabalhar com o livro didático ao máximo, justamente por ele ser mais acessível, não só para
ela, mas também para os alunos, já que alguns alunos ainda não sabem lidar muito bem com a
informática ou com a tecnologia de modo geral. Os alunos acham isso ótimo, relata a
professora. Para eles os conteúdos do livro são bastante discursivos. A professora procura
planejar suas aulas a partir dos conteúdos propostos pela Secretaria de Estado da Educação e
do Esporte – SEEE, conteúdos esses que coincidem diretamente com os do livro didático,
quando não dá para relacionar os conteúdos, a mesma faz isso por conta própria, na
perspectiva de melhor trabalhar com a disciplina com seus alunos, seja no diz respeito a turma
da terceira série “B”, seja em qualquer outra turma em que trabalhe. A mesma lamenta que a
escola não disponibilize os livros para que os alunos possam levar para casa para puderem
melhor analisá-los, pois como o intervalo de tempo é extremamente curto no que diz respeito
as aulas de Sociologia, os livros não são utilizados como deveriam ser. Ela revelou que isso
ocorre pelo fato da escola não dispor de quantidade suficiente de livros para distribuir entre os
alunos, o número de livros existente só é suficiente para ser disponibilizado em sala de aula,
onde isso só é possível por conta do remanejo entre alunos e entre turmas.
Apesar de não ter participado da escolha dos livros, a professora revelou que uma
das vantagens de se utilizar os livros didáticos é justamente pelo fato destes proporcionarem
aos alunos maior visibilidade dos conteúdos propostos. Contudo, revela que existe também
uma dificuldade em optar pela escolha dos livros didáticos, a dos livros, muitas vezes não
deixar espaço para discussão por conta da restrição que os mesmos produzem. Apesar de não
concordar com a exposição feita pela professora, é necessário que reflitamos acerca da forma
como esses livros são utilizados, pois a forma como os mesmos são utilizados, pode dá
abertura à discussão, ou restringi-la.
De acordo com a professora, o fato da escola não disponibilizar os livros didáticos
para todos os alunos pode ter duas implicações, sendo uma positiva e outra negativa. A
positiva se caracterizada pelo fato dos alunos não terem desculpas esfarrapadas para dar ao
professor no momento da execução de alguma atividade que a mesma proponha, com o
argumento que esqueceu os livros em casa, pois o livro é disponibilizado em cada aula pela
direção da escola sob supervisão da professora, ou seja, isso dá mais segurança no que se
refere a aplicação dos conteúdos, por outro lado, a não distribuição do livro restringe o aluno
a fazer uso do livro somente naquela aula, o que pode atrapalhar os mesmos mediante o
processo de assimilação de determinados conteúdos, uma vez que os mesmos poderiam
31
analisar o livro em casa, com mais tempo e calma. Enfim, essa é, na fala da professora, a
realidade do ensino público em seu município. E como sabemos que o livro didático em
Sociologia foi adotado nas escolas públicas brasileiras apenas a partir de 2012, este tipo de
material didático, naquele momento, ainda era relativamente pouco conhecido pelos
professores.
Minhas observações acerca da prática docente ministrada pelas professoras
titulares continuam, agora, sob a égide de execução da prática pedagógica desenvolvida pela
Professora Ádria Leyne na turma da 2ª série “A”, do Ensino Médio, turma devidamente
matriculada com um número de 35 alunos, isso, por sua vez, no turno matutino. Foram
observadas duas aulas, no total, de modo que a primeira observação foi realizada numa terçafeira, para ser mais exato, no dia 22 de abril do corrente ano. A aula iniciou às 07h10min da
manhã, tendo um número de 30 alunos, ou seja, cinco alunos faltaram à aula, de modo que a
aula acabou às 08h00min horas.
A professora que leciona a disciplina Sociologia chama-se, Ádria Leyne da Silva
Cavalcante. Com quarenta e dois anos de idade, a professora é formada em Pedagogia pela
Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL, tendo concluído seu curso no ano de 2006.
Atualmente trabalha como professora de três disciplinas na referida escola. São elas: Artes;
Ensino religioso e Sociologia. Trabalha com a disciplina Sociologia há três anos, ou seja,
desde 2011, sendo que sempre trabalhou na referida escola.
No que se refere a sua prática docente enquanto professora de Sociologia, a
mesma trabalha com 5 turmas, são elas: terça-feira – das 7:00 às 9:00 da manhã, leciona a
disciplina para as turmas da1ª série “B” e 2ª série “A”; quarta-feira, das 9:00 às 10:00 da
manhã, trabalha com a turma da 1ª série “A” e, finalmente, na quinta feira, das 7:00 às 8:00 da
noite, leciona nas turmas do 1º período e do 3º período.
A professora deu início a sua prática pedagógica me apresentando a turma da
2ª série “A”, de modo que em seguida apresentou a mesma, qual seria a proposta pedagógica
daquele dia, onde optou por trabalhar com uma espécie de dinâmica interativa denominada
“Troca de um segredo”. Segundo a professora, o objetivo de se trabalhar com esse tipo de
dinâmica é, justamente, fortalecer o espírito de amizade entre os membros do grupo. Assim, a
dinâmica ocorreu da seguinte forma: todos puderam participar, onde tiveram um tempo
estimado de 45 minutos para realizarem a dinâmica.
Os materiais que usaram foram o lápis e o papel. A professora distribuiu um
pedaço de papel para cada integrante que, de forma simples, deveriam escrever algum
problema, angústia ou dificuldade pelos quais está perpassando e não consegue expressar
32
oralmente. A professora explicou que os papéis não deveriam ser identificados, a não ser que
os integrantes assim desejassem. Após escreverem nos referidos papéis o que foi solicitado,
estes foram dobrados de modo bastante semelhante e depositados em um recipiente que foi
colocado no centro do grupo. Logo em seguida, a professora os distribuiu aleatoriamente entre
os integrantes. Nesse momento, a professora solicitou que cada integrante analisasse o
problema recebido como se fosse seu, procurando definir qual seria a sua solução para o
mesmo. Após um tempo cronometrado pela professora, a mesma solicitou que cada integrante
explicasse para o grupo, isto, por conseguinte, de forma oral e em primeira pessoa o problema
recebido e qual solução o mesmo daria para o referido problema. Logo após esta explanação
feita pelos alunos, o debate foi aberto, onde a professora elencou uma série de
questionamentos. Vamos a eles: Como você se sentiu ao descrever o problema? Como se
sentiu ao explicar o problema do outro? Como se sentiu quando o seu problema foi relatado
pelo outro? No seu entender, o outro compreendeu seu problema? Você se sentiu que
compreendeu o problema da outra pessoa? Foi fácil ou difícil resolver o problema do outro?
A partir desses questionamentos, pude perceber que os alunos, cada um com
sua forma de se expressar, se envolveram efetivamente na discussão, muito embora alguns se
mostrassem no que diz respeito à capacidade de explanação, reflexão e de análise,
extremamente coibidos, sendo mais objetivos possíveis nas respostas.
Essa discussão na primeira aula serviu de base para que a professora pudesse
trabalhar o conceito de Sociologia no segundo encontro, realizado no dia 29 de abril de 2014,
também numa terça-feira, ou seja, a professora discorreu acerca de aspectos relacionados à
disciplina, tais como: o que ela estuda, para que serve e qual seria sua ferramenta de trabalho
no que se refere ao estudo e análise dos fenômenos e fatos sociais, dentre outros.
Dessa forma, a professora Ádria trabalhou com o livro de Sociologia, intitulado,
“Tempos modernos, tempos de Sociologia”, das autoras, Helena Bomeny e Bianca Freire –
Medeiros, onde traz como operador metodológico o belíssimo filme “Tempos Modernos”,
dirigido por Charles Chaplin e protagonizado pelo personagem Carlitos, de modo que é
composto por vinte capítulos, tendo no total, 280 páginas divididas em três grandes partes. A
primeira parte traz como tema “A Aventura Sociológica”, a segunda, intitula-se “A Sociologia
vai ao cinema” e, por fim, a última parte, denomina-se “A Sociologia vem ao Brasil”.
Todavia, foi de acordo com o primeiro capítulo, intitulado, “O que é Sociologia”, capítulo
encontrado na primeira parte do livro, que a professora trabalhou.
Durante sua explanação, a professora fez algumas perguntas na perspectiva de
incitar um debate entre os alunos, levando em consideração os conhecimentos prévios
33
advindos do senso comum acerca do que eles entendiam por Sociologia. A resposta que
alguns alunos deram foi quase que unânime, ou seja, trata-se de uma ciência que estuda a
sociedade, daí, considerando a resposta dada pela pequena parcela de alunos que se
dispuseram a participar do processo de explanação da temática, a professora tentou mostrar
para os alunos que um conceito não pode ser construído de forma tão geral, onde amparada no
referencial teórico já discriminado anteriormente, mostrou que a Sociologia é, antes de tudo
uma ferramenta de análise, que opera com dados empíricos imbuídos na teoria para se
debruçar na análise de um determinado objeto de estudo, que não se trata de um, dói ou três, e
sim de vários, de modo que esses objetos se encontram nesse grande campo, espaço que,
denominamos de sociedade.
A professora sempre utiliza textos, dinâmicas e aulas expositivas. O livro de
Sociologia utilizado no Ensino Médio é o de autoria de Nelson Dácio Tomazi,“Sociologia
para o Ensino Médio”. Porém, nessas duas aulas observadas, a professora optou, dentro da
temática que trabalhou, por utilizar o livro “Tempos modernos, tempos de Sociologia”, das
autoras, Helena Bomeny e Bianca Freire – Medeiros.
Por fim, finalizando as observações acerca da prática docente, trago a lume as
contribuições da professora Ádria Leyne, a partir de duas aulas que a mesma ministrou na
turma da 1ª série “A” do Ensino Médio, turma devidamente matriculada com um número de
31 alunos, isso, por sua vez, no turno matutino, como muito bem já foi exposto acima. A
primeira observação foi realizada numa quarta-feira, para ser mais exato, no dia 23 de abril do
corrente ano. A aula foi iniciada às 09h10min da manhã, tendo um número de 27 alunos, ou
seja, quatro alunos faltaram à aula, de modo que a aula acabou às 10h00min horas da manhã.
A professora deu início a sua prática pedagógica me apresentando a referida turma
da 1ª série “A”, onde após realizar a chamada expôs no quadro branco a temática com a qual
iria trabalhar. O tema abordado foi “O que é cultura”, trazendo como sub-tema - “Cultura e
dominação social”. Os textos com os quais a professora trabalhou não possuem referência.
Todavia, a mesma me falou que os retirou do Google, só que não lembrava os links.
A professora pediu que todos os alunos pegassem os textos que havia levado, de
modo que a mesma xerocou os textos em quantidade suficiente para que todos os alunos
pudessem ter acesso e realizassem uma leitura silenciosa. Como os textos eram relativamente
sucintos, cada um com uma página, apenas, a professora estipulou 10 minutos para que todos
lessem. Percebi que durante o tempo que a professora havia determinado para que os alunos
lessem o que a mesma havia solicitado, alguns ficaram conversando aleatoriamente, enquanto
34
os demais davam prosseguimento ao que foi solicitado, principalmente pelo fato da professora
ter se retirado um instante para atender a um chamado que surgiu da direção da escola.
Quando a professora voltou, pediu que eu escrevesse no quadro 1 questão com
cinco alternativas discursivas, ou seja, abertas, alternativas essas que deveriam ser
respondidas no caderno pelos alunos. A questão com as alternativas era referente aos textos
propostos, de modo que ao expor a mesma no quadro negro, os alunos, de imediato,
começaram a escrever no caderno. As questões com as alternativas, foram as seguintes:
1ª – Leia os textos “O que é cultura” e “Cultura e dominação social”, e respondam as alternativas de
acordo com o que o enunciado abaixo pede:
Como a cultura é definida:
a) Pelo texto
b) Por você
c) Pela Antropologia e Sociologia
“Do ponto de vista dos cientistas políticos, a Cultura é o cimento social que faz cada indivíduo sentir-se
pertencente a uma comunidade, identificar-se com sua História e perceber-se como portador das
garantias e direitos civis, políticos e sociais que foram coletivamente conquistados”.
De acordo com o enunciado, responda:
a) O que o enunciado tem a ver com dominação social?
Quadro 5 – Atividade acerca do tema “O que é cultura” e “Cultura e dominação
social
Fonte: Questões elaboradas pela professora em sala de aula (2014).
Percebi que os alunos ficaram atentos às questões, de modo que alguns se
deslocavam dos seus lugares em direção ao birô para pedir esclarecimentos a professora, onde
a mesma não hesitava em auxiliá-los. Minha presença nessa turma teve pouco impacto, pois
quase todos os alunos não vinham até a mim para perguntar absolutamente nada, com exceção
de dois rapazes que, durante a atividade vieram me pedir ajuda em termos de esclarecimento
de algumas dúvidas, de modo que me prontifiquei em auxiliá-los. Após perceber que alguns
alunos já estavam concluindo a atividade, a professora informou que na próxima aula iria
incitar um debate sobre essas questões, de modo que os alunos só ganhariam pontos a partir
da participação dos mesmos no momento da explanação em sala.
A segunda observação foi realizada no dia 30 de abril, em uma quarta-feira, na
mesma turma. A professora fez a chamada e começou a incitar o debate a partir da leitura dos
alunos acerca dos questionamentos propostos na primeira aula, onde a professora levou em
consideração os conhecimentos prévios advindos da realidade empírica na qual os alunos
35
estão inseridos, para que assim pudesse fundamentar sua discussão no referido referencial
teórico, referencial esse, já exposto anteriormente.
Nesse segundo encontro, pude perceber uma maior participação dos alunos nas
discussões, embora tivesse comparecido à aula o mesmo número de alunos da primeira, ou
seja, 27 alunos. Após a discussão, a professora corrigiu o caderno de cada um e os entregou
em seguida.
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3 - REGÊNCIA - UMA FASE IMPRESCINDÍVEL DO ESTÁGIO
3.1 – Minha prática docente – breve apresentação.
O período de regência foi muito significativo, pois pude elaborar alguns planos de
aula e colocá-los em prática no ambiente da sala de aula, de modo que pude sentir de fato, a
sensação que os professores sentem quando estão ministrando suas aulas, ou seja,
transmitindo conhecimento, sendo um construtor e propagador do saber, ao mesmo tempo em
que também aprendemos, e eu aprendi muito com minha prática.
No dia 13 de maio de 2014, numa terça-feira, lecionei uma aula para a turma da 1ª
série “B”, no turno matutino, ou seja, pela manhã. A turma é composta por 32 alunos, mas
apenas 25 estavam presentes na aula.
O tema da aula foi sobre “O Conceito de Sociologia, breve reflexão histórica”,
temática esta escolhida de acordo com o conteúdo que a professora estava trabalhando em
sala. Assim sendo, a aula foi ministrada de acordo com um plano de aula confeccionado por
mim, de modo que os recursos didáticos, a metodologia e avaliação estão descriminados no
mesmo.
Nesta primeira aula, utilizei um texto retirado de uma obra chamada “O que é
Sociologia”, do autor Carlos Benedito Martins (1994), onde apresentei de forma oral aos
alunos todo o aparato histórico do surgimento da Sociologia presente no capítulo I, para poder
mostrar depois o conceito dessa ciência. Para a aula, preparei alguns slides mostrando a
introdução que Carlos Benedito Martins traz acerca do que vem a ser essa palavra, mas não
apenas, pois, de forma lúdica, trouxe também, em forma de slides todo o aparato teórico no
que se refere ao surgimento desse campo científico e disciplinar, a fim de mostrar para os
alunos que a Sociologia, enquanto campo científico e disciplinar, não surgiu de uma ora para
outra, tratou-se de um processo que foi ocorrendo de modo lento, gradual.
Mostrei para os alunos, amparado no I capítulo do texto, que foi a partir do auxílio
de diversos autores da teoria social, que o termo Sociologia aparece no ano de 1838, por meio
de um processo de dupla revolução, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.
Pode-se citar August Comte, filósofo e sociólogo francês, nascido em 1798, no
dia 19 de janeiro, na cidade de Montepillier, vindo a falecer em Londres, no dia 5 de setembro
de 1857, como sendo o primeiro proventor do termo. Foi ele, dentro da filosofia positivista,
quem trouxe a lume essa ciência da sociedade, justamente, na perspectiva de mostrar que os
diversos problemas sociais, a partir de diagnosticados, poderiam ser resolvidos com o
37
estabelecimento da ordem social, ou seja, o progresso da sociedade, só seria possível por meio
da ordem. Mas Comte não foi o único, pois quando traz a lume a possibilidade de uma ciência
da sociedade, como muitos colocam, ainda estando a Sociologia dentro da configuração das
ciências exatas, com o codinome – “Física social”, Durkheim, outro filósofo e sociólogo
francês, nascido no ano de 1858 e falecido no ano de 1917, é quem transforma uma
possibilidade em fato, ou seja, no ano de 1895. Este autor foi proclamado o pai da Sociologia,
justamente por “fundamentar as Regras do Método Sociológico. Mas não foram apenas
Comte e Durkheim quem se proclamaram como sendo responsáveis pela existência da
Sociologia, outros autores também colaboraram para com sua existência, de modo que esse
texto vem mostrar alguns desses aspectos, que são imprescindíveis na compreensão do
contexto histórico de surgimento e consolidação da Sociologia.
Antes de trabalhar com esses aspectos, fiz aos alunos algumas perguntas que são
corriqueiras no ensino da Sociologia. Tais como. O que é Sociologia? O que ela estuda? Qual
seu instrumento de análise? Por que é importante estudarmos Sociologia? Enfim, realizei
algumas perguntas do gênero. A princípio, parti do fato de que a professora já havia
trabalhado esta temática com os mesmos, logo poderiam enriquecer o debate a partir dos
conhecimentos já adquiridos em sala de aula, o que de fato aconteceu, pois os alunos deram
diversas respostas, cada uma diferente da outra, inclusive trazendo questões da própria
vivência, o que foi muito bom, pois o debate fluiu.
Foi a partir desse debate que expus o texto citado anteriormente. Mas não apenas,
pois utilizei algumas tarjetas, e pude acrescentar conteúdos com o livro “Tempos modernos,
tempos de Sociologia” (2012). Logo, pude mostrar para eles como os autores ao falar de uma
mesma temática tendem a convergir e a divergir em alguns pontos, onde essas convergências
e divergências podem colaborar com uma melhor compreensão da temática.
Nessa primeira aula, não propus nenhuma atividade para que os alunos
desenvolvessem, a proposta foi, justamente, de levá-los a um campo discursivo, reflexivo e
analítico acerca da temática, tarefa realizada com êxito, se não com a participação de toda
turma, pelo menos com boa parte dela. A segunda aula, com duração de uma hora aula mais
ou menos, optei por trabalhar na mesma linha temática, afinal, falar acerca do contexto
histórico de surgimento, consolidação e conceituação do que vem a ser a Sociologia e como a
mesma surgiu, não é assunto para uma única aula, e sim para três ou quatro aulas. Dessa
forma, na aula do dia 20 de maio de 2014, numa terça feira, levei para a turma da 1ª série “B”,
a seguinte temática – “Discorrendo acerca do processo de formação e desenvolvimento do
campo científico sociológico, análise histórica”.
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A ideia de ministrar essa aula partiu do pressuposto de está trabalhando com um
referencial teórico que muito auxilia na explanação de todo o processo de formação e
desenvolvimento do campo científico sociológico a partir de uma análise histórica, ou seja, ao
mesmo tempo em que o ator está apresentando a importância da Sociologia, as teorias que
colaboraram para com a existência desse campo e para com a conceituação da disciplina, o
autor está remetendo os leitores a uma viagem pela história, mostrando os avanços que
ocorreram na história da humanidade a fim de nos levar a um plano reflexivo a importância da
Sociologia para analisarmos, por exemplo, a nova sociedade ou as novas sociedades que
surgem, daí, a emergência de se ter uma ciência para diagnosticar essa nova sociedade que
surge.
Portanto, me orientando dentro dessa perspectiva achei por bem dar continuidade
ao tema proposto no primeiro plano, utilizando o capítulo II do livro citado, onde tomando
como ponta pé a discussão que foi suscitada na aula do dia 13, trabalhei alguns slides que
mostravam, justamente, a origem e a formação desse campo científico.
A partir da apresentação oral, sendo amparada pelo auxílio dos slides, resolvi
trazer enquanto recurso metodológico e didático, “A Guerra do Fogo”, por se tratar de
um filme de 1981, feito
na França e
Escócia, Islândia, Quênia e Canadá. A
no Canadá,
direção
é
com
de Jean-Jacques
locações
na
Annaud. Anthony
Burgess e Desmond Morris.
Achei interessante trabalhar com essa referência filmográfica, por se tratar de uma
produção cinematográfica que conta uma história de período anterior ao uso da língua de
maneira universal, tendo a linguagem corporal um forte apelo, juntamente com outros
elementos que renderam à produção dez prêmios, sendo um deles o Oscar, além de sete outras
indicações nos anos de 1982 e 1983.
O filme retrata um período na pré-história de dois grupos de hominídeos. O
primeiro, que quase não se diferencia dos macacos por não ter fala e se comunicar através de
gestos e grunhidos, é pouco evoluído e acha que o fogo é algo sobrenatural por não
dominarem ainda a técnica de produzi-lo; o outro grupo é mais evoluído e tem uma
comunicação e hábitos mais complexos, como a habilidade de fazer o fogo. Esses dois grupos
entram em contato quando o fogo da primeira tribo é apagado em uma guerra com uma tribo
de hominídeos mais primitivos, que disputam pela posse do fogo e do território. Do contato
com uma mulher do outro grupo, os três caçadores do fogo aprendem muitas coisas novas, já
que ela domina um idioma muito mais elaborado que o deles, assim como domina também a
técnica de produção do fogo. Levados por diversas circunstâncias a um encontro com a tribo
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de Ika, percebem que há uma maneira diferente de viver; observam as diferentes formas de
linguagem, o sorriso, a construção de cabanas, pintura corporal, o uso de novas ferramentas, e
até mesmo um modo diferente de reprodução.
Ao assistirmos o filme, expliquei para eles que a Sociologia é uma importante
ferramenta de análise acerca dos aspectos apresentados no filme, mas não apenas, pois a
Antropologia, a História e a Geografia, dentro de um processo interdisciplinar dialogam nos
possibilitando um rico acervo teórico acerca do estudo de diferentes povos, mediante sua
configuração cultural, social, econômica, religiosa e política, de modo que esse filme, diante
do que o autor está mostrando em seu texto, realça essa afirmação, a afirmação de que a
Sociologia é resultado de transformações históricas.
Como o filme tem duração de uma hora e meia, solicitei ao professor de história
que me cedesse uma aula para trabalhar o filme com eles, sendo assim, a exposição do
capítulo II, levando em consideração a participação dos alunos, ocorreu num intervalo de
tempo de uma hora aula, visto que mais uma hora foi usada para assistirmos o filme e
concluirmos essa etapa da aula. Contudo pedi aos alunos que elaborassem um texto
dissertativo, contendo introdução, desenvolvimento e conclusão acerca do que foi exposto até
então em sala de aula. Todavia, no texto, os alunos deveriam apresentar aspectos relacionados
ao modo de vida dos dois grupos, a fim de mostrar a partir do que foi discutido, como é que
hoje, em pleno século XXI, ainda possa existir grupos que concebem acontecimentos naturais
e sociais como sendo algo proveniente de forças sobrenaturais e grupos que menosprezam
outros a partir de um etnocentrismo exacerbado.
Essa atividade deverá ser realizada individualmente e entregue a professora para
avaliação. Essa questão do etnocentrismo foi posta aí, partindo do princípio de que a
professora já havia trabalhado anteriormente com eixo sobre cultura. Eles teriam quinze dias
para entregar a tarefa, visto que no próximo encontro trabalharíamos com outra autora
abordando a mesma temática, onde seria nesse terceiro encontro que aplicaria um trabalho
avaliativo para ser entregue a mim. O fato de ter estipulado quinze dias para a entrega do
trabalho solicitado foi justamente a questão da terceira aula que ainda tinha que ministrar, tal
como ministrei. Outro fato que corroborou para com tal procedimento, foi o fato de, na
semana posterior a minha aula, toda escola ter que se envolver em um projeto didático
organizado pela direção.
A terceira aula, ministrada no dia 27 de maio de 2014, teve como tema “A
Sociologia é a ciência da sociedade?”. Nesta aula compareceram 24 alunos, de modo que após
realizar a chamada, parti do pressuposto de que apesar das aulas anteriores terem sido
40
produtivas, achei por bem agregar ao referencial teórico as explanações feitas pela autora,
Maria Cristina Costa (1997) - “Sociologia - à ciência da sociedade”. Este livro mostra as
principais transformações econômicas, políticas e culturais ocorridas no Ocidente a partir do
século XIX, como as Revoluções Industrial e Francesa que evidenciaram mudanças
significativas na vida em sociedade com relação a suas formas passadas, baseadas
principalmente nas tradições.
Assim, a autora mostra nesse primeiro capítulo do livro, que surge, então, a
Sociologia em pleno século XIX com as primeiras pesquisas sociais e nas ideias gerais do
Iluminismo, como forma de entender e explicar aquelas mudanças sociais. Por isso, a
Sociologia é uma ciência datada historicamente e que seu surgimento está vinculado à
consolidação do capitalismo moderno.
Essa disciplina, segundo a autora, marca uma mudança na maneira de se pensar a
realidade social, desvinculando-se das preocupações transcendentais e diferenciando-se
progressivamente das demais ciências enquanto forma racional e sistemática de compreensão
da sociedade, de modo que ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais, as
explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete, baseada,
quando muito, na observação casual de alguns fatos. Para as explicações, são empregados os
métodos estatísticos e a observação empírica.
A discussão foi suscitada levando em consideração tudo o que já foi discutido até
então, como uma espécie de revisão, só que com outra metodologia, pois não partir da
exposição de textos, me amparei nesse referencial teórico para trabalhar algumas imagens que
tratam de aspectos da vida cotidiana. Por que utilizar imagens ao invés de textos? Algum
aluno poderia ter me perguntado. Mas nenhum aluno me perguntou absolutamente nada. Caso
tivessem perguntado, a resposta que daria seria fácil. Eu diria, olha além das imagens
chamarem mais atenção elas não serão utilizadas para refletirmos sobre as cores, sobre a
beleza das mesmas ou sobre suas meras representações em relação ao que se está trabalhando,
mas serão utilizadas enquanto ferramentas que deverão causar em vocês um sentimento de
estranhamento, uma necessidade de desnaturalizar algo que foi naturalizado, no caso
proposto, alguns conceitos do que vem a ser a Sociologia ou até mesmo, conceitos
sociológicos, tais como: ação social, fato social, processo de socialização e etc. O que de fato
aconteceu, embora eu não tivesse dado essa resposta aos alunos, simplesmente pelo fato de
não terem me perguntado nada, como já falei anteriormente.
Quando levei as imagens para sala de aula, fiz os seguintes questionamentos:
Essas imagens têm alguma relação com a Sociologia? Se tiver, quais são? O que vocês acham
41
que a Sociologia estuda, a partir da análise das imagens e do que já foi discutido
anteriormente? Quais as situações da vida que interessam a um sociólogo? Após colocar esses
questionamentos no quadro negro, alguns alunos perguntaram se poderiam responder em
forma de texto, então falei que se era de preferência deles, poderiam, mas que não se tratava
de uma imposição. Deixei claro que os questionamentos postos no quadro, seria uma forma de
encerrarmos a temática a cerca do conceito de Sociologia e do seu contexto histórico de
surgimento e consolidação, onde foi a partir dos questionamentos que pude expor algumas
informações já disponibilizadas anteriormente de acordo com o referencial teórico escolhido.
Assim, ao término da aula, solicitei a seguinte tarefa: “A nossa sociedade é um cenário da
Sociologia, então, vocês deverão se organizar em 4 (quatro) grupos compostos por seis
componentes e deverão escolher um lugar da cidade para realizar esta atividade que valerá
cinco pontos”. Essa nota foi anunciada aos alunos após ter conversado com a professora.
Indiquei como local para a atividade uma praça, uma rua movimentada, uma feira, um evento
social, para observar por um determinado tempo, a forma como as pessoas se relacionam, se
comportam, interagem. Orientei para que o relatório fosse feito por escrito ou por vídeo ou à
critério do grupo. Deveriam ficar atentos aos encontros, as trocas, a circulação e ao
comportamento das pessoas naquele local, situação ou evento.
Após expor a tarefa que eles teriam que realizar, escrevi no quadro negro o
objetivo, a razão central de ter solicitado tal tarefa. Assim sendo, vamos ao objetivo:
“sensibilizar o olhar aguçado e crítico dos alunos para a análise dos fatos sociais,
estimulando assim o “pensar” e a “imaginação sociológica” sobre o espaço, a
realidade na qual estão inseridos”
Como o plano foi pensado para uma única aula, tratei de abrir uma exceção para a
culminância da tarefa ainda na semana em que a aula foi ministrada, uma vez que na quintafeira, dia 29 de maio de 2014, eles estariam livres no turno vespertino, tratei logo de marcar a
socialização do trabalho para este dia, o que foi feito com êxito. A ideia de marcar a
socialização do trabalho para quinta feira se deu ao fato de na semana posterior não haveria
aula, devido a um projeto elaborado pela direção e coordenação da escola, e como no mês de
junho eles também não terão aula, por conta das festas juninas e da Copa do mundo, voltando
às atividades curriculares só na primeira semana de julho. Pensando nisso e, tendo em vista
que meu estágio terminaria no dia 18 de julho, resolvi adiantar tudo, o que deu certo, para
minha alegria.
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Apesar do pouco tempo que estipulei, os alunos se organizaram e deram conta do
recado, de modo que no dia da culminância do trabalho, na quinta-feira, à tarde, por volta das
02h30min da tarde, cada grupo começou apresentar seu respectivo trabalho. O primeiro grupo
produziu um vídeo, e o segundo elaborou um texto. O terceiro e o quarto grupo realizaram
uma entrevista seguindo as orientações acima discriminadas. A partir da apresentação dos
grupos, minha avaliação consistiu na observação dos seguintes aspectos: avaliei a obediência
aos procedimentos metodológicos, à criatividade, a capacidade de explanação e reflexão, e a
capacidade de trazer os colegas pertencentes a outros grupos para o centro da discussão na
hora da socialização do trabalho.
A oportunidade que tive de lecionar em uma turma de 1ª série, o que corresponde
ao 1º ano do Ensino Médio, em turno matutino, com um número de 32 alunos, muito embora
nem todos tenham comparecido às aulas, foi uma experiência válida e satisfatória. Contudo,
em relação às turmas que escolhi para fazer as observações, não senti da parte dos alunos,
duma pequena parte, para falar a verdade, muito interesse pela disciplina Sociologia, muito
pelo contrário, percebi que alguns demonstraram preguiça de ler, de pensar, de se pronunciar
e até mesmo de escrever, quando eram solicitados.
Os textos que optei por trabalhar na referida turma, de acordo com os três planos
de aula, eram textos relativamente curtos e de fácil compreensão, mesmo assim, alguns alunos
apresentavam algumas dificuldades de assimilação dos conteúdos, embora os conteúdos de
acordo com os planos de aula elaborados fossem complementares, ou seja, um plano dava
prosseguimento ao outro, fato que colaborou para com uma boa prática de ensino, uma vez
que as temáticas propostas foram devidamente trabalhadas.
Finalizando o período de regência, ministrei na turma do 3º período do Ensino
Médio noturno, três aulas, de modo que no dia 14 de maio de 2014, foi minha primeira aula,
que iniciou, exatamente, às 07h00min da noite, vindo a terminar às 8:00 no mesmo turno.
Numa turma de 37 alunos, apenas 25 estavam presentes nesta primeira aula.
Iniciei a aula me apresentando, onde em seguida expus no quadro negro o tema com o qual
trabalharia naquela aula. O tema da aula foi o seguinte: “Como definimos cultura?”.
Antes de expor os slides com os respectivos textos que selecionei para aula, fiz a
seguinte pergunta: O que vocês entendem por cultura? Então apenas quatro alunos se
dispuseram a me responder, onde disseram que cultura seria os costumes, as crenças, as
danças, as músicas, ou seja, que cultura estava relacionada ao folclore.
Com base nas respostas que me deram, trouxe para sala de aula dois textos que
trabalham o conceito de cultura. O primeiro foi retirado do livro Sociologia para o Ensino
43
Médio, de Nelson Dácio Tomazi, unidade seis, no capítulo 18, cujo título é – “Dois conceitos
e suas definições”.
O Segundo texto foi retirado do Google, do seguinte link 1 para trabalhar os vários
conceitos de cultura. Além destas partes de texto, sem autor identificado, também algumas
tarjetas conceituais retiradas do Yahoo, justamente para mostrar aos alunos como as pessoas
definem cultura, e como os autores da teoria social e antropológica definem esse termo.
Com a utilização desse material didático, mostrei para os alunos que não existe
um conceito que seja único para o termo “Cultura”, pois o termo cultura nos remete a uma
dimensão investigativa acerca do que acreditamos ser cultura, ou melhor, do que significa ter,
fazer ou não fazer parte de uma determinada cultura. Isto se deve ao fato do termo cultura está
relacionado a um modo de pensar, agir, sentir, criar, absorver algo, enfim, está ligada a uma
capacidade do ser humano de representar e de se sentir representado, onde isso pode depender
de algo que esteja relacionado ao fator biológico, histórico, geográfico, social e, por fim,
cultural. Por isso a dificuldade de se conceituar cultura.
No entanto, a partir das discussões que foram incitadas durante a aula, deixei claro
que apesar de não existir um conceito que seja único para o termo cultura, simplesmente pelo
fato de que não participamos de uma única cultura, e sim de culturas, a gente pode, a partir do
que os autores estão apresentando, construir um conceito que nos dê um entendimento do que
seja cultura, daí, a importância de ter exposto para eles o conceito de cultura segundo Boas,
Malinowski, Laraia, Tylor, dentre outros.
Nesse primeiro encontro optei por trabalhar com conceitos, levando em
consideração a participação dos alunos no momento da discussão, fosse perguntando,
questionando, trazendo questões concernentes a realidade de cada um, fosse trazendo
conceitos de outras áreas do conhecimento. Para mim, o que estava em xeque, era fazer com
que os alunos participassem, dialogassem e, principalmente, que os mesmos compreendessem
a temática não como um conhecimento mecânico, um conhecimento que foi transmitido
através da minha prática pedagógica enquanto professor, mas que assimilassem um
conhecimento que estivesse baseado no que foi trabalho em sala, no que eles já conheciam
acerca da temática, no que os autores estão apresentando em suas obras, construindo assim
uma nova forma de pensar o tema, ou seja, um novo conhecimento, proposta essa que se
apresentou eficaz, pelo menos foi o que pude constatar ao final da aula.
1
GrupoEscolar.com: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/cultura-um-conceito-antropologico.html
44
O segundo encontro com a turma ocorreu no dia 21 de maio do corrente ano. O
encontro foi numa quarta-feira, no mesmo horário, de modo que nesse encontro, após realizar
a chamada, percebi que o número de alunos havia aumentado, ou seja, compareceu a aula um
número de 30 alunos, cinco a mais em relação ao primeiro encontro.
O tema da aula foi o seguinte – “Ser culto é ter cultura?”. Como no primeiro
encontro eu já havia trabalhado alguns conceitos de cultura, provoquei o debate, o que acabou
ocorrendo com êxito a partir da pergunta que fiz a todos: “Dizer que alguém é culto, é a
mesma coisa que afirmar que alguém possui cultura? Que essa pessoa por ser culta e ter
cultura pode ser considerada como sendo inteligente, pois obteve escolaridade, e que,
portanto, quem não sabe ler nem escrever não é culto, ou seja, não tem cultura?
Alguns alunos disseram que já se acostumaram a ouvir os pais dizerem que
precisam ir para escola, uma vez que só tem futuro quem estuda. Se assim não for, não terão
oportunidade no mercado de trabalho, pois serão como eles, ou seja, não terão cultura, serão
analfabetos, leigos e burros.
Para fundamentar o debate, utilizei dois textos muito curtos, devidamente
retirados do Google nos seguintes links2. O primeiro texto, intitulado – “Cultura: um conceito
antropológico I” tratou de especificar como as formas estabelecidas de tradição mudam no
decorrer do tempo, quer em consequência de desenvolvimentos internos ou de contatos com
modos estranhos, e como um indivíduo nascido numa dada sociedade absorve, usa e influencia os
costumes que constituem sua herança cultural.
Procurei trabalhar aspectos relacionados à
identidade cultural, me distanciando um pouco daquele tipo de conceituação centrado em definir o
que seria ter cultura, o que seria ser culto, ou, o que seria ser inculto, aspecto extremamente
relevante que levou os alunos a reverem alguns conceitos trabalhados na última aula para melhor
compreender atemática proposta.
O segundo texto, intitulado – “A cultura”, veio trabalhar aspectos relacionados a
ditados que estamos habituados a pronunciarmos no decorrer da vida cotidiana, ditados esses que
demonstram muito bem que participamos de uma cultura, uma cultura que, em primeira instância
advém da natureza humana. O texto trouxe alguns exemplos de ditados que dizemos no dia-a-dia
para trabalhar o que seria ser culto, ter cultura ou ser inculto, ou seja, tratou-se de um texto que
serviu de base para que através do debate pudéssemos desnaturalizar determinados conceitos.
Após toda a reflexão e debate acerca dos dois textos, realizei um pequeno exercício
com cinco questões discursivas para que eles pudessem responder no caderno. Respondendo no
2
http://www.portalcdr.com.br/colunasDetalhes.php?id=201 e
http://www.primeirafilosofia.com.br/primeirafilosofia/Unidade8/a%20cultura.pdf
45
caderno, os mesmos me entregariam e então, eu corrigiria caderno por caderno, avaliando assim a
capacidade de cada um de assimilação, argumentação e obediência aos conceitos, tarefa que foi
cumprida com êxito pelos alunos.
A tarefa foi a seguinte:
1- É correto afirmar que Cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a
moral, os costumes e etc.? Fundamente sua resposta.
2- “Um homem para ser culto, basta ter cultura”. Esta afirmação está correta? Explicite sua resposta.
3- Só quem leu muito, quem passou um longo tempo na escola, faculdade, é que tem cultura? Argumente.
4- É correto afirmar que não ter cultura é participar de uma cultura? Por quê?
5- “A cultura não se constitui como invenção da relação com o outro”. Esta afirmação está correta?
Explique
Quadro 6 – Exercício acerca do tema cultura
Fonte: Questões elaborada a partir dos dois textos retirados dos links apresentados na nota de rodapé2(2014).
O terceiro encontro se deu no dia 28 de maio daquele ano. Na aula compareceram
20 alunos, apenas. O tema da aula foi o seguinte: “Cultura popular e Cultura erudita”. Este
tema encontra-se no capítulo 18 do livro – “Sociologia para o Ensino Médio”, do autor
Nelson Dácio Tomazi, na unidade 6.
Após realizar a chamada, apresentei algumas imagens para os alunos, a fim de
trabalhar os conceitos de cultura popular e cultura erudita.
Ao verem as imagens, alguns alunos ficaram calados. Outros não, já começaram a
apontar algumas imagens como sendo representantes da cultura popular e da cultura erudita, e
assim por diante. Foi a partir daí que o debate foi aberto. Perguntei, então, o porquê terem
classificado aquelas imagens como representantes da cultura popular e erudita. Ninguém me
respondeu. Então pensei, vou trabalhar com os textos que escolhi para fundamentar a
explicação acerca do tema e o porquê de estar trabalhando com as imagens. Então expus para
eles o texto que se encontra no capítulo 18, do livro de Dácio Tomazi, páginas 176 e 177, cujo
título é – “Cultura popular e Cultura erudita”.
Os dois textos, em sua totalidade, apontam o conceito de cada cultura, tal como
ela se manifesta na sociedade, tal como cada uma é praticada pelos indivíduos, que fazem uso
46
das mesmas para se auto representarem. Enfim, os textos apontam as convergências e
divergências conceituais, de modo que a cultura popular e cultura erudita podem ter a mesma
sofisticação, mas na sociedade não possuem o mesmo status social - a cultura erudita é a que é
legitimada e transmitida pelas escolas e outras instituições, onde achei importante ressaltar,
isso por sua vez baseado no segundo texto, que os produtores da cultura popular não têm
consciência de que o que fazem, têm outro nome, e os produtores de cultura erudita têm
consciência de que o que fazem tem essa denominação e é assunto de discussões, mesmo
porque os intelectuais que discutem esses conceitos fazem parte dessa elite, são os agentes da
cultura erudita que estudam e pesquisam sobre a cultura popular e chegam a essas definições.
Assim sendo, percebi que após o debate acerca dos textos, as imagens que ali
estavam expostas faziam muito mais sentido. Na verdade, essas imagens provocaram nos
alunos certo estranhamento, no sentido de não tratarem os conceitos que julgavam conhecer
como sendo simples e naturais, onde desnaturalizaram a visão que tinham acerca do tema de
forma impressionante. Isso ficou claro no momento da execução do trabalho em grupo.
Após explanar toda temática, fui à biblioteca e peguei alguns livros velhos que são
utilizados para recorte, livros esses que não fazem parte do arcabouço teórico da biblioteca,
pois se tratam de livros já danificados, doados pela comunidade e pelos alunos por meio de
um projeto que foi executado pela escola para esse fim, já recortar livros de acervo de
biblioteca é crime, pois se tratam de bens públicos. A ideia central era justamente a de fazer
com que os alunos pudessem recortar figuras que representassem os dois tipos de cultura
trabalhados em sala, ou seja, cultura erudita e cultura popular. Como na aula só vieram 20
alunos, dividi a turma em dois grandes grupos compostos por dez componentes, sendo que o
primeiro grupo ficou coma incumbência de encontrar imagens que representassem a cultura
popular e, o segundo, por conseguinte, com a incumbência de encontrar imagens que
representassem a cultura erudita. Tarefa que cumpriram sem nenhum problema.
Minha avaliação consistiu em observar se todos os alunos participaram da
discussão no momento da explanação da temática na sala, no envolvimento dos mesmos no
momento da elaboração da tarefa proposta; na capacidade de argumentação e articulação com
os colegas; na capacidade de opinarem e de darem sugestões. Enfim, na participação efetiva
de todos em tudo aquilo que foi proposto em sala, onde a nota foi dada pela professora, já que
a mesma acompanhou todo o processo.
47
4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS E AUTOAVALIAÇÃO
A partir das observações realizadas acerca da estrutura da escola Estadual Izidro
Teixeira, fica claro que muito precisa ser feito no sentido material, estrutural e pedagógico,
uma vez que os quadros estão desgastados, há problemas na iluminação, há infiltrações, de
modo que alguns banheiros que são adaptados precisam passar por reparos. Há problemas nas
janelas e portas, uma vez que a maioria das carteiras estão danificadas e em quantidades
insuficientes.
No que se refere ao quadro de professores, há escassez de alguns, pois algumas
disciplinas deixaram de ser ministradas no ano de 2014, por falta de professores. Há ausência
de profissionais para fazer com que o laboratório de ciências e computação sejam utilizados
pelos professores e alunos, uma vez que, quase não são utilizados. A biblioteca precisa passar
por uma melhor organização e falta material escolar, a exemplo, apagadores, papel ofício A4,
pilotos para quadro branco, dentre outros. Por fim, a sala de vídeo precisa urgentemente
passar por reparos, tanto no que se refere a questão elétrica, como no que se refere aos
equipamentos que lá se encontram.
No que se refere às observações da prática docente das professoras titulares, Maria
Célia da Silva Holanda e Ádria Leyne da Silva Cavalcante na referida escola, foram
analisadas três aulas na turma da 2ª série “C”, turno vespertino e mais três na 3ª série “B”, no
mesmo turno, sendo estes seis primeiras aulas referentes a disciplina Sociologia, disciplina
ministrada pela professora Maria Célia da Silva Holanda, de modo que analisei também
quatro aulas, sendo duas na 2ª série “A”, turno matutino e mais duas na 1ª série “A”, no
mesmo turno, como muito bem já foi exposto anteriormente.
Assim sendo, a partir das observações feitas, pude constatar que os alunos não
têm muito interesse por esta disciplina, onde a trata com pleno desleixo e irrelevância. Muito
embora esta não seja uma visão que deva ser aplicada na totalidade do termo a todas as turmas
analisadas, esta foi a imagem que consegui construir em relação às mesmas.
Sem sombra de dúvidas essa configuração defasada no que se refere ao ensino da
Sociologia nesse nível de ensino, começando muitas vezes pela própria prática do professor,
prática essa que deixa a desejar, uma vez que não faz de sua aula um espaço para que
discussões acerca da realidade na qual os alunos e o próprio professor encontram-se inseridos,
sejam suscitadas, se configura como um agravante dentro do que se preconiza o processo de
ensino- aprendizagem. Justamente pelo fato da Sociologia, enquanto campo disciplinar, ser de
extrema importância e relevância para a formação do indivíduo enquanto um ser crítico,
48
reflexivo e analítico, estando o mesmo inserido dentro de uma realidade social, onde essa
desvalorização da disciplina por parte dos professores e dos alunos só vem a desqualificar o
ensino da Sociologia no Brasil.
No caso analisado, o ensino da Sociologia é desvalorizado por de boa parte dos
alunos. Mesmo com recursos didáticos que servem de base para tornar as aulas mais
dinâmicas e atraentes, se faz necessário divulgar a importância deste campo disciplinar, na
perspectiva de tratar a disciplina Sociologia com o valor e o respeito que a mesma exige e
necessita.
Além disso, torna-se imprescindível rever a metodologia de ensino que o docente
utiliza, pois, a visão que os alunos constroem acerca da disciplina pode ser consequência de
uma metodologia ultrapassada, onde buscar novas formas de transmitir conhecimento acaba
que proporcionando uma nova imagem para esta disciplina, além de novos meios e materiais
necessários a serem utilizados para estimular o interesse dos alunos dentro do processo
educativo.
Não basta só ficar esperando por uma posição do governo em relação à educação,
o professor precisa ser capaz de buscar novas formas de melhorar sua prática, trilhar por
caminhos que venham a proporcionar aos alunos um horizonte que venha a descartar as ideias
e as visões negativas que os alunos construíram acerca da Sociologia.
É evidente que a experiência de ir para sala de aula nos possibilita ter acesso a um
universo cheio de surpresas, que podem ser boas ou ruins, onde o que importa, na verdade,
não é o fato do docente se deparar com algumas dessas surpresas, mas como o mesmo irá
lidar com elas, sejam boas ou ruins.
Mesmo estando inseridos dentro de um campo que é desvalorizado pelo poder
público, no que se refere à remuneração dos salários, à formação acadêmica e continuada, à
segurança, aos recursos didáticos e tecnológicos, além da estrutura física de muitas escolas, a
docência ainda parece dominar o ranque das profissões preferíveis por muita gente, mesmo
que seja desmotivadora, levando em consideração os problemas atrelados a mesma. Portanto,
ser docente, hoje, principalmente, requer acima de tudo, força de vontade, já que em termos
econômicos a profissão não te dá muito suporte. Claro, se comparamos a remuneração dessa
categoria nos dias de hoje em relação há alguns anos atrás, houve, de fato, uma melhora, mas
não uma melhora que coloque essa categoria em uma postura de conformidade, pois muito
ainda precisa ser feito nesse sentido. O que estimula os indivíduos que pretendem trilhar por
esses caminhos é a vontade de mudar o mundo começando pela educação, o que para muitos,
esse discurso acaba que soando como utopia.
49
Contudo, para aqueles que já se encontram dentro do campo docente, apesar dos
problemas que enfrenta diariamente, o que os dá forças para continuarem e seguirem enfrente,
sem desvalorizarem suas práticas é o fato destes saberem que chegarão à escola e se depararão
com alunos que querem aprender, querem ter um futuro, uma profissão, enfim, uma carreira,
onde sem sombra de dívidas isso dá certo ânimo e levanta o astral daqueles que de uma forma
ou de outra, querem ensinar, querem construir e propagar o conhecimento, de modo que
mesmo me colocando no lugar de estagiário, estando ali na sala enquanto observador, levando
em consideração esse discurso e a prática da professora, confesso que também me sinto
contagiado por essa vontade de também fazer parte do campo docente e, portanto, poder
lecionar, ensinar, transmitir um pouco da minha experiência no que diz respeito aos
conhecimentos que adquiri.
No que se refere à Sociologia no campo universitário para todos aqueles alunos
que desejem, de alguma forma, aprender, no entanto, quando saímos desse plano ideológico e
nos deparamos com uma realidade onde impera a falta de interesse dos mesmos com a
disciplina nos dá certo susto e desânimo. Assim sendo, se de fato vier a exercer esta profissão,
não tenho como pretensão ser mais um professor, mais de ser o professor, sempre
comprometido com minha prática e buscando o que é de melhor para proporcionar aos meus
alunos, desconstruindo essa imagem retrógrada da Sociologia construída ao longo do tempo
por grande parte do alunado.
A oportunidade que tive de lecionar em uma turma de 1ª série, o que corresponde
ao 1º ano do Ensino Médio, em turno matutino, com um número de 32 alunos, muito embora
nem todos tenham comparecido às aulas; assim como de lecionar também para a turma do 3º
período do Ensino Médio, turma matriculada com um número de 37 alunos, muito embora
também nem todos tenham comparecido as aulas, estas foram, sem sombra de dúvidas, uma
experiência válida e satisfatória.
Contudo, não senti da parte de todos os alunos aquele interesse pela disciplina
Sociologia, muito pelo contrário, percebi que alguns demonstraram preguiça de ler, de pensar,
de se pronunciar e até mesmo de escrever, quando eram solicitados. Os textos que optei por
trabalhar na referida turma de acordo com os três planos de aula (ver nexos),eram textos
relativamente curtos e de fácil compreensão, mesmo assim, alguns alunos apresentavam
algumas dificuldades de assimilação dos conteúdos, embora os conteúdos de acordo com os
planos de aula elaborados fossem complementares, ou seja, um plano dava prosseguimento ao
outro, fato que colaborou para com uma boa prática de ensino, uma vez que as temáticas
propostas foram devidamente trabalhadas.
50
Após ter ministrado as três aulas sob supervisão da professora Ádria, esta que foi
extremamente prestativa e compreensiva no que se refere ao andar de minha prática, em
nenhum momento se opôs ao que eu estava trabalhando com os alunos, muito pelo contrário,
afirmou que foi de grande relevância, pois diante do que tinha trabalhado com os alunos, a
partir dos planos que elaborei (ver anexos) tratei de trabalhar tudo aquilo que ela tinha
previsto trabalhar em um mês. Depois fui conversar com ela acerca do andamento das aulas e
de possíveis contradições no ensino da Sociologia nas turmas em que estagiei, turmas essas
com as quais a mesma trabalhava, então ela me falou que sente a mesa dificuldade que eu
senti ao trabalhar com a turma da 1ª série “B”, e com o 3º período noturno, algo que, segundo
ela, não é muito satisfatório para com o processo de ensino aprendizagem.
Mesmo com esses entraves não considerei uma experiência ruim. Foi um pouco
difícil elaborar seis planos de aula, sendo três planos (ver anexos) dentro de uma ótica em que
a professora titular estava trabalhando tendo que procurar meios para conquistar a atenção dos
alunos, algo que nem sempre é possível.
Portanto, após essa prática de ensino, percebi que o professor como facilitador do
conhecimento tem que permitir ao aluno a compreensão do que ele faz, para onde estão indo e
o que está tentando realizar. Além das aulas em sala, a pesquisa é uma prática importante e
que também precisam ser trabalhadas com os alunos apesar de haver várias dificuldades de
incorporação de resultados de pesquisa. Esta experiência em sala de aula me possibilitou uma
visão mais ampla do que é ser professor; do seu papel na escola e na vida dos alunos, mas,
mais que isso, me possibilitou enxergar as dificuldades de outra forma, sejam elas em termos
de aprendizagem dos alunos, seja também pela infraestrutura deficitária da escola, ou pela
falta de materiais didáticos em quantidade suficiente para atender a demanda dos alunos em
relação a disciplina Sociologia.
Assim sendo, ter realizado meu estágio supervisionado em um ambiente que para
mim, na ocasião, era familiar, foi muito gratificante, pois conhecia bem os espaços escolares,
os diretores, coordenadores, secretários, funcionários e alguns alunos que, na época em que
ingressei no Ensino Médio, foram meus colegas de sala, mas que por motivos de força maior,
acabaram abandonando os estudos e, por incrível que pareça, voltaram a frequentar o
ambiente da sala de aula, justamente, na época em que retorno enquanto aluno em processo de
formação acadêmica, onde tive a honra e a responsabilidade, de no período de regência, poder
lecionar com os mesmos.
Ao mesmo tempo em que foi gratificante, foi também difícil no sentido de ter que
enfrentar alguns medos pessoais, tais como falar em público, lidar com pessoas que para mim
51
eram familiares, mas ao mesmo tempo estranhas, pois uma coisa é ser aluno e colega de
classe, outra coisa é ser ex-colega de classe, agora, professor em processo de formação. Eu me
perguntava como iriam me receber, me tratar? Será que irão me respeitar? Será que irão
participar das minhas aulas? Esses questionamentos foram caindo por terra no momento em
que me deparei no ambiente da sala de aula. Não obtive muitos problemas no sentido de
desrespeito por parte dos alunos nem tampouco por parte dos professores, muito pelo
contrário, fui muito bem recebido. Alguns entraves no sentido da execução da regência foram
descriminados anteriormente, uma vez que foram até enriquecedores, no sentido de poder
conhecer um pouco mais da configuração de como será minha prática profissional, enquanto
docente atuante após o meu processo de formação acadêmica.
52
ANEXOS
53
PLANOS RELACIONADOS AO ESTÁGIO III
PLANO DE AULA I
TEMA: “O Conceito de Sociologia, breve reflexão histórica”
Objetivos:
Geral: Desenvolver nos alunos a capacidade reflexiva, crítica e analítica para que possam
lidar de forma concreta com os conceitos teóricos que lhe forem postos acerca do tema.
Específico: Despertar nos alunos as habilidades necessárias para que tenham pleno controle
dos mecanismos responsáveis pela análise e pela construção de uma compreensão que não
seja considerada complexa, mas que pelo contrário, seja uma compreensão palpável e
diferenciada, levando em consideração todo o aparato histórico.
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
- Contexto histórico da Sociologia enquanto campo científico;
- Introdução ao surgimento da Sociologia;
RECURSOS DIDÁTICOS
Aula expositiva/oral;
Exposição de texto com o “Data Show”;
Observação participante;
Exposição de tarjetas conceituais;
Uso do quadro negro e branco;
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A aula foi ministrada mediante a utilização de um texto retirado do I capítulo do livro,
intitulado – “O que é Sociologia”, do autor Carlos Benedito Martins, onde apresentei de
forma oral aos alunos, todo o aparato histórico do surgimento da Sociologia. Para aula,
54
preparei alguns slides mostrando a introdução que Carlos Benedito Martins traz acerca do
tema, onde fiz uso da observação participante na perspectiva de avaliar o grau de
aprendizagem de cada aluno, isso, por sua vez, no que diz respeito a capacidade de
assimilação dos conteúdos trabalhados em sala e no que se refere a participação dos mesmos
no momento da discussão.
AVALIAÇÃO
A avaliação dos alunos consistiu na participação dos mesmos nos momentos das discussões,
de modo que foi avaliado a capacidade dos mesmos de dar opiniões, de trocarem idéias e de
contribuírem com seus conhecimentos prévios, adquiridos por meio da realidade empírica na
qual estão inseridos. Foi avaliada também a capacidade dos alunos, de trazerem os colegas
para o centro da discussão, fazendo desse processo um processo de construção e propagação
do conhecimento.
REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Sociologia: origens, contexto histórico, político e social. Os
mestres fundadores: Marx, Weber e Durkheim. (WWW.PROALMEIDA.ORG. 2011).
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia. 38ª. Ed. – São Paulo: Brasiliense, 1994.
(Coleção primeiros passos: 57).
55
PLANO DE AULA II
TEMA: “Discorrendo acerca do processo de formação e desenvolvimento do campo
científico sociológico, análise histórica”
Objetivos:
Geral: Despertar nos alunos ações que expressem uma maior dinamicidade, flexibilidade,
criatividade e tolerância para que não tomem uma postura que privilegie a intolerância, o
preconceito teórico e a crítica direcionada irredutível no momento da análise.
Específico: Levar os alunos a conhecer na íntegra todo o aparato histórico de formação e
desenvolvimento da Sociologia enquanto campo científico e disciplinar, a fim de fazer com
que compreendam a importância de se estudar Sociologia no currículo do Ensino Médio para
o entendimento da sociedade da qual fazem parte.
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
- Processo de formação da Sociologia;
- Desenvolvimento da Sociologia como ciência;
RECURSOS DIDÁTICOS
Exposição de textos com o “Data Show”;
Reprodução de um vídeo;
Trabalho individual;
Aula expositiva/oral;
Uso do quadro negro e branco;
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Com duração de uma hora aula, a aula foi ministrada a partir da exposição oral, estando essa
exposição, totalmente amparada em alguns slides produzidos de acordo com o segundo
capítulo do livro supracitado no primeiro plano, do autor Carlos Benedito Martins, onde
56
trabalhei com os alunos a origem e a formação desse campo científico que conhecemos como
Sociologia. Além disso, procurei trazer para incrementar a discussão que havia sido suscitada
anteriormente um filme, intitulado - “A Guerra do Fogo”, dos diretores Jean-Jacques
Annaud; Anthony Burgess e Desmond Morris. A partir da utilização do filme, enquanto
recurso didático e metodológico pedi aos alunos que elaborassem um texto dissertativo,
contendo introdução, desenvolvimento e conclusão acerca do que foi exposto até então em
sala de aula. Todavia, no texto, os alunos deveriam apresentar aspectos relacionados ao modo
de vida dos dois grupos, a fim de mostrar a partir do que foi discutido, como é que hoje, em
pleno século XXI, ainda possa existir grupos que concebem acontecimentos naturais e sociais
como sendo algo proveniente de forças sobrenaturais e grupos que menosprezam outros a
partir de um etnocentrismo exacerbado.
AVALIAÇÃO
A avaliação dos alunos consistiu na participação dos mesmos nos momentos das discussões,
de modo que foi avaliado a capacidade dos mesmos de dar opiniões, de trocarem ideias e de
contribuírem com seus conhecimentos prévios, adquiridos por meio da realidade empírica na
qual estão inseridos. Contudo, foi avaliada também a capacidade dos alunos de produzirem
um texto que deverá abordar aspectos positivos e negativos do filme, mediante uma visão
etnocêntrica dos próprios alunos.
REFRÊNCIA BIBLIOGRÁFICA E FILMOGRÁFICA
GUERRA do fogo, A. Direção: Jean-Jacques AnnaudCom: Everett McGill, RaeDawn Chong,
Ron Perlman, Nameer El Kadi. Disponível no seguinte endereço: http://megafilmeshd.net/aguerra-do-fogo/
MARTINS, Carlos Benedito. O que é sociologia. 38ª. Ed. – São Paulo: Brasiliense, 1994.
(Coleção primeiros passos: 57).
57
PLANO DE AULA III
TEMA: “A Sociologia é a ciência da Sociedade?”
Objetivos:
Geral: Fazer com que os alunos reflitam sobre alguns conceitos fundamentais acerca do que
vêm a ser essa palavra que denominamos de “Sociologia”, levando em consideração todos os
períodos históricos que colaboraram direta ou indiretamente para com a consolidação desse
campo científico.
Específico: A partir da utilização de imagens, levar os alunos a um campo reflexivo na
perspectiva de fazer com que sejam capazes de discutir acerca do tema, sem que fiquem
presos aos textos propriamente ditos, prática que aguçará a capacidade de reflexão, de análise,
estranhamento, desnaturalização e argumentação.
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
- Introdução ao Renascimento;
-A retomada do espírito especulativo
-Diferentes Visões do Renascimento;
-Um novo pensamento social e as utopias;
RECURSOS DIDÁTICOS
Exposição de textos com o “Data Show”;
Exposição de imagens;
Trabalho de campo;
Aula expositiva/oral;
Uso do quadro negro e branco;
58
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A aula foi ministrada tendo por base as explanações feitas pela autora, Maria Cristina costa,
em seu grandioso trabalho, intitulado, “Sociologia - à ciência da sociedade”. Esse texto não
foi exposto em forma de slides, mas serviu de apoio teórico para fundamentar a discussão que
teve algumas imagens enquanto fundamento metodológico e didático central. As imagens
usadas retratam cenas e situações vividas no cotidiano, onde foram retiradas do seguinte
endereço:
https://www.google.com.br/search?q=cenas+do+cotidiano&es_sm=93&source=lnms&bm=is
ch&sa=X&ei=dfuFU-fkHdGvsQSKuoHYBA&ved=0CAgQ_AUoA
e
https://www.google.com.br/search?q=sociologia++%C3%B3culos+enquanto+sociologia&es_
sm=93&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=kPyFU4ulFITksASXqoGgBA&ved=0CAYQ_A
UoAQ&biw=1280&bih=675. Enquanto procedimento metodológico para melhor trabalhar
essas imagens, optei por fazer algumas provocações em forma de perguntas, na perspectiva de
incitar uma discussão, perguntas essas que estão detalhadas no relatório. Todavia, ao término
da aula, solicitei o seguinte trabalho, onde utilizei o quadro branco para isso: “A nossa
sociedade é um cenário da Sociologia”, então, vocês deverão se organizar em 4 (quatro)
grupos compostos por seis componentes e deverão escolher um lugar da cidade para realizar
esta atividade que valerá cinco pontos. Essa nota foi anunciada aos alunos após ter obtido
conversado com a professora. O lugar que vocês deverão ir com o intuito de realizar a
atividade proposta pode ser uma praça, uma rua movimentada, uma feira, um evento social,
enfim, algo que vocês, organizados em grupos, possam observar por um determinado tempo
para que, depois, possam relatar por escrito, por vídeo, enfim, fica a critério do grupo, tudo o
que se passou no determinado local, ou seja, quero que vocês fiquem atentos a forma como as
pessoas se relacionam, se comportam, enfim, interagem entre si. Devem ficar atentos aos
encontros, as trocas, a circulação e ao comportamento das pessoas naquele local, situação ou
evento. Os alunos tiveram um curto período de tempo para realizar tal tarefa, período esse
descriminado no relatório.
AVALIAÇÃO
A avaliação consistiu na participação de todos os alunos no momento da explanação em sala
de aula, na obediência aos critérios no momento da culminância do trabalho proposto e na
59
capacidade crítica, reflexiva e criativa de cada grupo no que se refere a organização e
execução da tarefa proposta.
REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA, Cristina. Sociologia: introdução a ciência da sociedade.2ª. Ed. – São Paulo:
Moderna, 1997.
CENAS
DO
COTIDIANO.
Disponível
em:
https://www.google.com.br/search?q=cenas+do+cotidiano&es_sm=93&source=lnms&bm=is
ch&sa=X&ei=dfuFU-fkHdGvsQSKuoHYBA&ved=0CAgQ_AUoA
SOCIOLOGIA DO COTIDIANO: Treino do Olhar - 1º Atividade em sala. Sociologia-docotidiano.blogspot.com 454 × 640.
Disponível
em:
https://www.google.com.br/search?q=sociologia++%C3%B3culos+enquanto+sociologia&es_
sm=93&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=kPyFU4ulFITksASXqoGgBA&ved=0CAYQ_A
UoAQ&biw=1280&bih=675
60
PLANOS RELACIONADOS AO ESTÁGIO IV
TURMA: 3º período – Turno noturno
PLANO DE AULA I
TEMA: “Como definimos cultura”
Objetivos:
Geral: Levar os alunos a um campo reflexivo a cerca do que vem a ser cultura,
possibilitando-os conhecer os diferentes conceitos de cultura apresentados por diferentes
autores em diferentes campos científicos.
Específico: Despertar nos alunos o senso crítico ao lidar com os conceitos, de forma a não
privilegiar o paradigma da naturalização.
Conteúdos programáticos
- Os significados de cultura;
- Cultura segundo a Antropologia;
Recursos didáticos
- Aula expositiva/oral;
- Uso de tarjetas conceituais retiradas do Yahoo;
- Uso de quadro negro e branco;
- Exposição de textos com o “Data show”.
Procedimentos metodológicos
A aula será ministrada mediante a utilização de dois textos e algumas tarjetas conceituais. O
primeiro texto, intitulado, “Dois conceitos e suas definições”, texto encontrado no capítulo
XVIII, do livro “Sociologia para o Ensino Médio”, unidade seis, do autor Nelson Dácio
61
Tomazi, será exposto em forma de slides para a referida turma, onde alguns questionamentos
serão feitos, a fim de levar os alunos ao centro da discussão, onde serão levados em conta, os
conhecimentos prévios, advindos do senso comum em que cada aluno se encontra inserido. O
segundo texto, intitulado, “Cultura: um conceito antropológico”, texto retirado do Google no
seguinte
endereço:
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/cultura-um-conceito-
antropologico.html, também será exposto em forma de slides para os alunos, bem como as
tarjetas
conceituais,
devidamente
retiradas
no
seguinte
endereço:
https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060825070009AAsVE5x. A parir da
exposição desses textos e tarjetas, utilizarei a observação participante na perspectiva de
avaliar o grau de aprendizagem de cada aluno, isso, por sua vez, no que diz respeito a
capacidade de assimilação dos conteúdos trabalhados em sala e no que se refere a
participação dos mesmos no momento da discussão.
AVALIAÇÃO
A avaliação será realizada mediante a observação participante de todos os alunos no momento
da discussão, de modo que será avaliada também a capacidade dos alunos de colaborarem
com exemplos, conceitos, histórias, ditados que já ouviram ao longo de suas vidas, seja em
casa, na sociedade, nas rodas de amigo, ou em leituras que já fizeram ao longo do processo de
escolarização. Enfim, será avaliada a capacidade de argumentação, seja baseada no senso
comum, seja baseada no aparato científico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TOMAZI, Nelson Dácio. Sociologia para o ensino médio. 2ª. Ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
ESCOLAR, Grupo. Cultura: um conceito antropológico. Texto disponível em:
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/cultura-um-conceito-antropologico.html
FONTE:
Tarjetas
conceituais
disponíveis
https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060825070009AAsVE5x
em:
62
PLANO DE AULA II
TEMA: “Ser culto é ter cultura”?
Objetivos:
Geral: Desenvolver nos alunos um olhar antropológico e sociológico que os auxilie no
discernir conceitual.
Específico: Levar os alunos a reconhecer os conceitos de cultura enquanto conceitos
separados, sendo capazes de discernir, por exemplo, o que significar ser culto, ter cultura ou
ser inculto, ou seja, não ter cultura, o que irá auxiliar na compreensão da própria configuração
cultural da qual fazem parte.
Conteúdos programáticos
- Cultura, um conceito antropológico I;
- A cultura;
Recursos didáticos
- Aula expositiva/oral;
- Uso de quadro negro e branco;
- Exposição de textos com o “Data show.
Procedimentos metodológicos
A aula será ministrada em um intervalo de tempo de cinquenta minutos, no máximo, onde
serão utilizados dois textos para fundamentar a discussão a cerca do que significa dizer que
um sujeito é culto; possui cultura ou é inculto. Assim sendo, o primeiro texto a ser utilizado é
o texto do autor Adelcio Machado dos Santos, intitulado – “Cultura: um conceito
antropológico
I”,
texto
que
pode
ser
encontrado
no
seguinte
endereço:
http://www.portalcdr.com.br/colunasDetalhes.php?id=201, e, o segundo texto, da autora
Marilena
Chauí,
intitulado
–
“A
cultura”,
disponível
no
seguinte
endereço:
63
http://www.primeirafilosofia.com.br/primeirafilosofia/Unidade8/a%20cultura.pdf,
também
vem trabalhar essas questões. Ao término das discussões, tendo por base a observação
participante, enquanto recurso metodológico de análise, aplicarei uma atividade discursiva
contendo cinco questões a cerca de tudo o que será discutido em sala, onde as questões
deverão ser respondidas por cada aluno de forma individual e no próprio caderno, onde
deverão entregar ao professor para correção, sendo a pontuação de cada aluno computada na
caderneta e, os cadernos, após a correção, devidamente entregues a seus respectivos donos.
AVALIAÇÃO
A avaliação será realizada mediante a observação participante de todos os alunos no momento
da discussão, de modo que será avaliada também a capacidade dos alunos de argumentação e
assimilação dos conteúdos trabalhados em sala de aula no momento da correção da atividade
que será proposta, que, nesse caso, será um exercício com cinco questões discursivas, em
outras palavras, cinco questões abertas. Esse exercício será avaliado no próprio caderno de
cada aluno.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia: A Cultura. Texto disponível
http://www.primeirafilosofia.com.br/primeirafilosofia/Unidade8/a%20cultura.pdf
em:
SANTOS, Adelcio Machado D. Cultura: um conceito antropológico I. (2011). Texto
disponível em: http://www.portalcdr.com.br/colunasDetalhes.php?id=201.
64
PLANO DE AULA III
TEMA: “Cultura popular e Cultura erudita”
Objetivos:
Geral: Despertar nos alunos ações que expressem uma maior dinamicidade, flexibilidade,
criatividade e tolerância para que não adotem uma postura que privilegie a intolerância, o
preconceito teórico e a crítica direcionada irredutível no momento da análise.
Específico: Fazer com que os alunos no momento do contato com as imagens possam
discorrer acerca da temática sem que fiquem presos aos textos propriamente ditos, prática que
aguçará a capacidade de reflexão, de análise e argumentação, de modo que na análise
comparativa das imagens, esses terão a possibilidade de detectar e elencar as principais
diferenças que servirão de base para conceituarem o que vem a ser “cultura erudita” e a
‘cultura popular’, prática que contribuirá para que os mesmos possam abordar a temática sem
que fiquem presos ao que os autores estão mostrando em seus respectivos textos.
Conteúdos programáticos
- Cultura erudita e cultura popular;
- Conceitos e definições – Sociologia em nossas vidas;
Recursos didáticos
- Aula expositiva/oral;
- Uso de quadro negro e branco;
- Exposição de imagens.
Procedimentos metodológicos
A aula será ministrada a partir da explanação oral, tendo por base o texto presente no livro do
autor Nelson Dácio Tomazi, “Sociologia para o Ensino Médio”, intitulado – “Cultura popular,
Cultura erudita”, mas não apenas, pois algumas imagens que representam cada uma das
65
culturas,
retiradas
nos
seguintes
endereços:
https://www.google.com.br/search?q=cultura+erudita+e+cultura+popular&espv=2&source=l
nms&tbm=isch&sa=X&ei=CTyHU7vJBNXesATK5ILoAw&ved=0CAYQ_AUoAQ&biw=1
280&bih=675#q=cultura+popular&tbm=isch
http://cultura.culturamix.com/regional/americas/cultura-popular-do-brasil,
e
também
foram
utilizadas, justamente, na perspectiva de despertar nos alunos um olhar de estranhamento no
que se refere aos conceitos de Cultura popular e erudita, onde a proposta é fazer dessas
imagens uma ferramenta de desnaturalização de conceitos que eles, possivelmente possam ter
naturalizado. Para avaliar a capacidade de compreensão de cada aluno, estabelecerei uma
atividade para que os mesmos possam realizar, ou seja, o primeiro grupo ficará com a
incumbência de encontrar imagens que representem a Cultura popular e, o segundo, por
conseguinte, com a incumbência de encontrar imagens que representem a Cultura erudita.
Dessa forma, no dia da culminância dos trabalhos, a nota será dada a cada aluno a partir da
atuação em grupo e individualmente.
AVALIAÇÃO
A avaliação dos alunos consistirá na execução do trabalho em grupo, proposto em sala de
aula, isso no que diz respeito à forma como eles tentarão executar suas respectivas tarefas,
dividindo possíveis tarefas entre si, de modo que consistirá também no envolvimento dos
mesmos nas discussões abertas acerca do tema elencado em sala de aula, tendo por base o
apoio teórico dos textos que formaram o referencial teórico trabalhado em sala. Contudo, será
avaliada a capacidade dos mesmos de dar opiniões, de trocarem idéias e de contribuírem com
seus conhecimentos prévios, adquiridos por meio da realidade empírica no processo de
discussão. Além disso, será avaliada também a obediência aos conceitos, a criatividade e a
interdisciplinaridade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADRIANA, Ariana; PAIXÃO, Mariani & AGOSTINHO, Valesca. Sociologia em nossas
vidas: Cultura Popular e Cultura Erudita. (Blog de alunas da turma 3002, CEMJBM - Rio
de
Janeiro,
2012).
Disponível
no
seguinte
endereço:
http://culturaturma3002.blogspot.com.br/2012/05/cultura-popular-e-cultura-erudita.html
66
FONTE: Imagens que representam a cultura popular retiradas no seguinte endereço:
https://www.google.com.br/search?q=cultura+erudita+e+cultura+popular&espv=2&source=l
nms&tbm=isch&sa=X&ei=CTyHU7vJBNXesATK5ILoAw&ved=0CAYQ_AUoAQ&biw=1
280&bih=675#q=cultura+popular&tbm=isch
FONTE: Imagens que representam a cultura erudita retiradas do seguinte
endereço:http://cultura.culturamix.com/regional/americas/cultura-popular-do-brasil
TOMAZI, Nelson Dácio. Sociologia para o ensino médio. 2ª. Ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
67
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES-MAZZOTTI, A. J: Impacto da pesquisa educacional sobre as práticas escolares.
In: Nadir Zago; Marilia Pinto de Carvalho, Rita Amélia Teixeira Vilela. (Org.). Itinerários de
pesquisa. 2. Ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2011, v. 1, p. 33-47.
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Sociologia: origens, contexto histórico, político e social. Os
mestres fundadores: Marx, Weber e Durkheim. (WWW.PROALMEIDA.ORG. 2011).
BOMENY, Helena: Tempo modernos, tempos de sociologia: ensino médio: volume único/
org. Bianca Freire – Medeiros; Raquel Balmant Emerique e Julia Galli O´donnell. 2ª. Ed. –
São Paulo. Editora do Brasil, 2013.
COSTA, Cristina. Sociologia: introdução a ciência da sociedade. 2ª. Ed. – São Paulo:
Moderna, 1997.
FRAGA, Alexandre Barbosa e BASTOS, Nadia Maria Moura. O ensino de sociologia na
educação básica – análise e sugestões. In: HANDFAS, Anita e OLIVEIRA, Luiz Fernandes
de (Orgs.). A sociologia vai à escola – história, ensino e docência. Rio de Janeiro: Quartet;
FAPERJ, 2009. p. 171-186.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa/ 43ª.
Ed. – São Paulo: Paz e Terra, 2011.
HANDFAS, Anita; TEIXEIRA, Rosana da Câmara. A prática de ensino como rito de
passagem e o ensino de Sociologia nas escolas de nível médio. Revista Mediações,
Londrina, volume 12, número 1, 2007.
KRAWCZYK, Nora. Uma roda de conversa sobre os desafios do ensino médio. In:
Dayrell, Juarez; CARRANO, Paulo; MAIA, Carla Linhares. Juventude e ensino médio:
sujeitos e currículos em diálogo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014.
LENNERT, Ana Lúcia. Condições de trabalho do professor de Sociologia. Cad. CEDES,
Campinas, v. 31, n. 85, dez. 2011.
MARTINS, Carlos Benedito. O que é sociologia. 38ª. Ed. – São Paulo: Brasiliense, 1994.
(Coleção primeiros passos: 57).
MORAES, Amaury Cesar. Licenciatura em ciências sociais e ensino de sociologia: entre o
balanço e o relato. Tempo soc., São Paulo, v. 15, n. 1, Apr. 2003. Sociologia: ensino médio
/ Coordenação Amaury César Moraes. -Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de
Educação Básica, 2010.304 p.: il. (Coleção Explorando o Ensino; v. 15)
MOURA, Lisandro Lucas de Lima. Imagem e conhecimento. A educação do olhar no
ensino de sociologia no ensino médio. Porto Alegre, 2010.
OLIVEIRA, Luiz Fernandes de; COSTA, Ricardo Cesar Rocha da. Didática e ensino de
Sociologia: questões didático-metodológicas contemporâneas. OLIVEIRA, Luiz Fernandes
68
(Org.). Ensino de Sociologia: desafios teóricos e pedagógicos para as Ciências Sociais.
Seropédica: Edur, p. 106-121, 2013.
OLIVEIRA, Manuella Souza de. PIZZI, Laura Cristina Vieira. Monitores e a precarização
do trabalho docente em Alagoas: histórias de vida. São Cristóvão, EDUCON: 2012.
SANTOS, Mário Bispo dos. Sociologia e ensino em debate: experiências e discussão de
sociologia no ensino médio/ org. Lejeune Mato Grosso de Carvalho – Ijuí, 2004.
TARDIF, Maurice; Raymond, Danielle. Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no
magistério. Educação & Sociedade, vol. 21, núm. 73, diciembre, 2000, pp. 209-244. Centro
de Estudos Educação e Sociedade Campinas, Brasil.
