E depois da escola? Aspirações e projetos de futuro sob a perspectiva de jovens estudantes do Ensino Médio
Discente: Noélia Nunes Marinho; Orientador: João Batista de Menezes Bittencourt.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Noélia Nunes Marinho
E DEPOIS DA ESCOLA? ASPIRAÇÕES E PROJETOS DE FUTURO SOB A
PERSPECTIVA DE JOVENS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO.
Maceió
2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Noélia Nunes Marinho
Monografia apresentada ao curso de Ciências
Sociais da Universidade Federal de Alagoas,
como requisito para a conclusão do curso de
Licenciatura em Ciências Sociais.
Orientador: Professor Dr. João Batista de
Menezes Bittencourt
Maceió
2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CURSO LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Noélia Nunes Marinho
E DEPOIS DA ESCOLA? ASPIRAÇÕES E PROJETOS DE FUTURO SOB A
PERSPECTIVA DE JOVENS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO.
Monografia apresentada ao curso de Ciências
Sociais da Universidade Federal de Alagoas,
como requisito para a conclusão do curso de
Licenciatura em Ciências Sociais.
Aprovada em 19 de dezembro de 2014.
________________________________________________________
Prof. Dr. João Batista de Menezes Bittencourt (Orientador)
________________________________________________________
Profª. Ms. Evelina Antunes Fernandes de Oliveira
________________________________________________________
Profª. Dra. Marina Félix de Melo
Maceió
2014
À meu esposo, demais familiares e amigos que
torceram e acreditaram em mim para a
concretização do sonho de minha formatura.
AGRADECIMENTOS
Ao meu orientador Dr. João Batista de Menezes Bittencourt por sua dedicação e
colaboração no decorrer desta pesquisa. Seus comentários, indicações de textos e livros foram
relevantes para o início, desenvolvimento e finalização da mesma.
À Professora Mestra Evelina Antunes Fernandes de Oliveira que, por meio de suas
orientações durante o tempo em que participei do PIBID UFAL Ciências Sociais, pude refletir
sobre o papel importante do Cientista Social em um espaço escolar.
Ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/UFAL), que me
proporcionou, por intermédio de minha inserção no mesmo, o interesse que dispenso ao tema
das juventudes.
RESUMO
Marinho, Noélia Nunes. Juventudes contemporâneas e o habitus na construção de
projetos de futuro. Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal de
Alagoas. Maceió. 44 páginas, 2014.
Esta monografia se inclina à compreensão dos projetos de futuro de uma amostra de
109 jovens concluintes do ensino médio de uma escola pública de Maceió/AL, a Escola
Estadual Moreira e Silva. Neste sentido, será investigado se o capital cultural dispensado pela
família contribui para uma possível produção de aspirações desses jovens e ainda se os grupos
de pares e o consumo de bens simbólicos participam da definição do que farão posteriormente
ao ensino médio. Por fim, será analisado se os mesmos realmente estão orientados
mentalmente para a concretização de aspirações e desejos ou estão fincados no presente. A
pesquisa foi realizada nos dias 24 e 30 de outubro e 14 de novembro de 2014.
Palavras-chave: Juventude, Projetos de futuro, Escola.
SUMÁRIO
Introdução ------------------------------------------------------------------------------------------------- 9
Capítulo 1. As juventudes e as nuances da construção de projetos de futuro ------------------- 12
1.1 A plasticidade e o protagonismo das juventudes contemporâneas -------------------------- 15
1.2 Juventudes: “Vez e voz” na sociedade moderna ----------------------------------------------- 23
Capítulo 2. Quando o “campo” é a escola ----------------------------------------------------------- 25
Capítulo 3. O que querem e pensam os jovens pesquisados -------------------------------------- 28
Considerações finais ----------------------------------------------------------------------------------- 42
Referências Bibliográficas ---------------------------------------------------------------------------- 44
Introdução
A questão que será discutida neste trabalho, diz respeito aos elementos estruturados e
estruturantes das aspirações dos jovens de camadas populares, estudantes de uma escola
pública de Maceió. Para tanto, será preciso compreender o que esses atores sociais pensam
dos campos onde estão situados, tais como a família, a escola, os grupos de pares e o consumo
de bens simbólicos, e em que medida esses campos e instâncias atuam sobre eles.
O interesse pela questão de pesquisa surgiu basicamente pela participação em um
projeto de pesquisa (PIBID UFAL 2012 - 2014) que ainda atua em uma escola pública
estadual em Maceió/AL, a Escola Estadual Moreira e Silva, localizada no Centro Educacional
de Pesquisas aplicadas (CEPA).
A curiosidade se deu no momento em que foi percebido que era preciso entender um
pouco sobre os jovens, enquanto pesquisadora, para então atuar profissionalmente com eles.
Com intenções esclarecedoras, esta pesquisa tem, ao mesmo tempo, perspectivas
micro e macro, pois, considera dados que alcançam maior amplitude, mas também considera
aspectos situacionais, sentidos elaborados pelos jovens, uma vez que estes podem ser
reveladores para a interpretação social das juventudes.
Por priorizar a abordagem bourdiesiana no decorrer do estudo, as noções e os
conceitos, tais como o de “capital cultural”, “espaço social”, “campo” e “interesse” estarão
presentes, por considerar que as ideias de Bourdieu (2004) são peças fundamentais (embora
não únicas) para a compreensão do fenômeno em questão.
Outro fato a ser destacado é a discussão sobre a modernidade do ponto de vista de
Anthony Giddens (2002) e George Simmel (2006), que não poderia ficar de fora, já que serão
desvendadas especificidades das juventudes contemporâneas.
No primeiro capítulo, o objeto de pesquisa, “os jovens da Escola Estadual Moreira e
Silva” será contextualizado, considerando que estes jovens estão situados em um cenário
moderno. Serão também ressaltadas as especificidades, tendências e a existência de processos
conflituosos que abarcam a vida dos jovens em questão, articulando tais ocorrências à
discussão teórica sobre projetos de futuro.
Será considerado ainda, cada campo social que os jovens estão inseridos, pretendendo
saber, em maior amplitude, os campos que ainda no plano futuro, pretendem estar situados,
considerando ainda a possibilidade de existência de várias noções de projeto.
Serão considerados também os diversos capitais culturais incorporados pelos jovens, a
construção de sociabilidades, como também a produção de gostos por meio de experiências
vivenciadas por eles.
O tema da socialização é, neste capítulo, bastante privilegiado, pois a mesma produz
habitus, como defende Setton (2012) e, de acordo com Bourdieu (2004) produz na estrutura
mental dos indivíduos a estrutura do espaço social em que estão ou foram socializados. Mas,
segundo o autor, isso não é definitivo, pois, as estruturas mentais são constantemente
provocadas e modificadas pelas estruturas estruturantes.
É por isso que para a discussão da construção de projetos de futuro, o habitus dos
jovens precisa ser posto em evidência, pois, nenhuma ação se constitui como dada ou mesmo
natural na sociedade; tudo é construído socialmente.
No segundo capítulo, a discussão privilegiará o cenário escolar à luz de algumas
abordagens teóricas, pensando ainda minha experiência como pesquisadora.
Ainda neste capítulo, será apresentada uma questão colocada por uma aluna da escola
(por intermédio da entrevista realizada) onde foi feita a pesquisa, onde pude estabelecer um
diálogo mais aprofundado acerca de suas inquietações futuras e também sobre o peso que a
escola agrega na construção de sua visão de mundo.
No terceiro capítulo, serão aplicadas reflexões teóricas a partir dos dados empíricos
que foram coletados. Esses dados representam uma aproximação do pensamento dos jovens
sobre os diversos espaços sociais onde estão situados, além de deixar claro suas vontades e
desejos posteriores à conclusão do ensino médio.
A investigação acerca das condições econômicas e sociais dos jovens corresponde a
uma limitação nesta pesquisa. Apesar de o assunto ser mencionado no texto e existir em
algumas tabelas evidências sobre tais condições, o assunto não atinge o aprofundamento
teórico e empírico, efetivamente, necessário.
Apesar dessa fragilidade, no cruzamento dos dados empíricos aparecem alguns
desdobramentos do capital econômico, que colaborou para que algumas lacunas fossem
fechadas.
Com relação à metodologia aplicada, inicialmente foi realizada uma revisão
bibliográfica, em seguida foi elaborado um questionário estruturado contendo questões
objetivas e abertas.
Foi solicitada à direção, à Coordenação do PIBID Ciências sociais e aos professores
das turmas a realização da pesquisa com os alunos.
No dia 24 de outubro de 2014 foi feita a distribuição dos questionários para 37 alunos
do turno matutino. Neste mesmo dia, após a devolução dos questionários, a oportunidade de
fazer entrevistas se apresentou já que, posteriormente, não haveria mais aulas. Os jovens
foram convidados a permanecerem em sala para uma entrevista, o que resultou na
permanência de 02 jovens, um garoto e uma garota.
Nos dias 30 de outubro e 14 de novembro de 2014 a distribuição dos questionários se
deu para 31 e 41 alunos, respectivamente, do turno vespertino. A intenção de realização de
entrevistas foi frustrada já que, os alunos teriam outras aulas.
Nesses três dias marcados, me dirigi à escola e conversei com os alunos antes da
distribuição dos questionários. Expliquei para eles o objetivo da pesquisa e também sua
importância.
A duração da pesquisa nas turmas teve duração média de 30 a 50 minutos.
Posteriormente à etapa da distribuição dos questionários e da entrevista, foi realizada a
tabulação dos dados, utilizando estatística descritiva, e logo o cruzamento dos dados com a
abordagem teórica.
A metodologia utilizada se caracteriza, ao mesmo tempo, por qualitativa e
quantitativa.
Capítulo 1. As juventudes contemporâneas e as nuances da construção de projetos de
futuro
Nas Ciências Sociais, parece existir um consenso em tempos atuais ao considerar a
juventude como não homogênea.
Autores como Juarez Dayrell (2012), Pierre Bourdieu (1978), Machado Paes (2006) e
tantos outros consideram a existência de um caráter heterogêneo aplicado à juventude. Dessa
forma, é preciso considerar o termo “juventudes” no plural, em detrimento de variações
existentes.
Bourdieu (1978) destaca a arbitrariedade que a palavra juventude tem em relação ao
grupo ao qual se refere. Desse modo, a palavra diz pouco sobre tais grupos, pois, a juventude
é uma categoria relacional que possui no tempo e no espaço singularidades e desdobramentos
que impossibilitam homogeneizá-la.
Segundo Piccolo (2010) o estabelecimento de divisões etárias e classificações se dão
em virtude de intenções organizacionais aplicadas à sociedade, com o fim de estabelecer
políticas públicas ou mesmo limitações de atitudes ou ações, pautadas por uma visão
determinista em relação ao modo de vida. Isto pode ser problematizado, pois, é uma visão que
materializada, acaba por restringir comportamentos.
Ao falar sobre juventudes contemporâneas, se torna indispensável tomá-las como
categorias inerentes à modernidade. Isso porque existem elementos que demarcam tais
categorias de forma distintiva em relação ao modo de vida no fim do século XIX, como
percebe Simmel (1931).
A modernidade promove a crescente individualização, ocasionada pela divisão do
trabalho como lembra Durkheim (1999), produzindo uma maneira peculiar de posicionamento
dos indivíduos no mundo. Apesar disso, Simmel nos convida a pensar, a partir de seu método
microssociológico, como em uma mesma sociedade se formam “sociedades” ou “unidades”,
estabelecendo configurações ou modelos de grupo, cujos quais possuem forma e conteúdo
próprios.
Seguindo a perspectiva de Simmel, os atores sociais, apesar de se desprenderem do
rigor de uma ordem clássica presente na família, religião e demais instâncias de uma época
extremamente marcada pela tradição e disciplinamentos dos corpos em alta amplitude,
permanecem com resquícios ou elementos dessa ordem.
Elias (1990) já falava sobre como as transformações das sociedades ocidentais,
mediante o estabelecimento do Estado moderno alterou os costumes segundo um curso
civilizador.
Elias (1990) se remete à um processo de mudança de uma ideologia extremamente
ancorada na tradição, onde assim como Durkheim (1999) pensa, prevalecia o nós sobre o eu.
Este eu se confundia com o coletivo de modo a ter, cada indivíduo, um corpo inclinado
ideologicamente para um padrão, um nós supremo.
À medida que as transformações sociais vão ocorrendo, destacando a crescente
industrialização e especialização das funções como bem explica Durkheim (1999), o coletivo
dilui-se em indivíduos que se tornam cada vez mais autônomos e diferentes entre si, seguindo
uma lógica associada ao progresso individual, que ao mesmo tempo necessita da cooperação e
união dos indivíduos que, apesar de diferentes, estão condicionados uns aos outros para a
finalização de tarefas.
Giddens (2002) aponta para a complexidade da modernidade que, oferecendo diversas
opções e alternativas de trajetórias a serem seguidas, oferece pouco aparato para a definição
de escolhas. É nesse cenário onde se localizam os jovens na contemporaneidade, frente à uma
infinidade de opções, mas, ao mesmo tempo, experimentando incertezas e conflitos.
Pais (2006) enxerga as incertezas como produto de um tempo fluido, com poucos
direcionamentos e orientações, onde as juventudes diante dessa problemática, tendem a
decidir ir para longe daquilo que lhe causam medo e dúvida. Se projetam para viver o agora,
experimentando diversos recursos considerados riscos pelos demais atores sociais.
Entre alguns jovens surgem, então, uma forte orientação em relação ao presente, já
que o futuro fracassa em oferecer possibilidades de concretização das aspirações que
em relação à eles se desenham. Nesses casos, os projetos de futuro encontram-se
relativamente ausentes. Ou, existindo, são de curto prazo. O importante é viver o
agora. (PAIS 2006, p. 10)
Anteriormente, como já falado, as trajetórias eram bem demarcadas, existia pouca
mobilidade social e, nesse sentido, a existência de conflitos em relação à trajetórias e projetos
de vida ou de futuro eram pouco prováveis. Em tempos atuais, as juventudes são abarcadas
por conflitos existenciais como aponta Giddens (2002).
Se coloca como condição o fator “reflexão” diante de opções tão variadas, mas, isto
não quer dizer que por serem variadas são atingíveis. Pais (2006) está justamente preocupado
com isso. Tantas opções, porém, as juventudes se questionam em o que escolher e como
alcançar aspirações.
É por isso que para o autor, viver o agora se torna tão importante e atrativo para os
jovens. Longe de um ideal e cobrança por um futuro, eles encontram a tranquilidade e zonas
de conforto. Porque se preocupar com o futuro?
A modernidade reverencia o progresso como uma regra a ser seguida por todos. Isto se
torna um padrão ideológico, onde a sociedade de forma geral enxerga aquele que não está
preocupado com o futuro como alguém irresponsável, fora do padrão, conforme Durkheim
(2007-[1901]) bem discorria sobre a dualidade “normal versus patológico”. Pensando nisso,
alguns jovens podem sofrer estigmatizações. Com base na reflexão de Pais (2006), é possível
que possam ser tratados como propensos a cometerem desvios. É comum ouvirmos frases do
tipo: “─ Na minha época eu não era assim!”
Convidando Bourdieu (2004) e Elias (2006) para um esclarecimento sobre a ideia de
progresso, certamente a mesma seria encaixada em uma perspectiva relacional, pois, será que
o que se considera progresso em dias atuais é de fato progresso? não estamos considerando o
mesmo seguindo uma lógica linear, ou melhor, por um viés evolucionista? é necessário
refletir (...).
O senso comum não possui um conhecimento reflexivo e pautado em investigações, as
quais apontam o comportamento das diversas juventudes atuais como produto e consequência
da própria modernidade, como parte de um longo processo social não planejado, como se
refere Elias (2006), e contribui para a formação de visões preconceituosas em relação aos
jovens.
Ao esperar ou pressionar os jovens por uma atitude em relação ao planejamento do
futuro, a sociedade reivindica que se cumpra uma linearidade em relação aos percursos, como
se os comportamentos devessem se materializar conforme algo já dado ou mesmo já esperado,
isto é, o cálculo e o raciocínio são bem aceitos.
1.1 A plasticidade e o protagonismo das juventudes contemporâneas
Ainda segundo Pais, é possível entender as juventudes contemporâneas por duas
abordagens: a socialização e a performatividade. O autor privilegia a discussão acerca da
segunda que, para ele, é bastante emblemática nas juventudes.
No entanto, entre muitos jovens, as transições encontram-se atualmente sujeitas às
culturas performativas que emergem das ilhas de dissidência em que se têm
constituído os cotidianos juvenis. Ou seja, as culturas juvenis são vincadamente
performativas porque, na realidade, os jovens nem sempre se enquadram nas
culturas prescritivas que a sociedade lhes impõe. (PAIS 2006, p. 7)
O caráter de performatividade, segundo o autor, remete à um tipo de comportamento
que preza o “estar no controle”, característico do protagonismo e da criatividade; longe da
presença de regras. Segundo esse raciocínio, as juventudes, de modo geral, se configurariam,
pela performance, mas isso não quer dizer que as juventudes não frequentem locais onde há
existência de regras.
Conforme coloca Charlot (2007) ocorre uma negociação entre as juventudes e as
regras locais. Pode-se dizer ainda, com base nas reflexões do mesmo, que as juventudes têm
um caráter plástico, em virtude da possibilidade sempre possível de um reajustamento local. É
o caso da inserção dos jovens na dimensão religiosa.
Sabe-se que a dimensão religiosa é extremamente coercitiva, tomando como referência
Durkheim (1996) e que age disciplinando os corpos segundo explica Foucault (1997) com o
fim de separar os indivíduos de um “mundo” considerado pecaminoso.
Considerando a tendência da fuga de regras pelos jovens, defendida por Pais (2006), é
colocada pela jovem entrevistada uma questão nesse sentido.
A jovem frequenta uma igreja, a igreja Assembléia de Deus, conforme declarou,
porém, em seu discurso ela diz que não se deixa levar por uma visão limitada que considera
promover tal igreja, antes segue uma lógica desprendida dos padrões da mesma apesar de ser
membro.
Alves (2010), em um estudo realizado entre jovens pertencentes à Assembléia de Deus
em Recife, percebe que além da heterogeneidade da juventude local, há também uma
plasticidade no que se refere à permanência na igreja. Desse modo, identifica a autora, estão
presentes ali variadas juventudes, que seguem uma lógica, muitas vezes inversa em relação ao
que propõe a hierarquia da igreja. Há uma negociação e um reajustamento promovido por
essas juventudes.
Conforme Velho (2006) a linha que separa simbolicamente igreja e mundo tornou-se
frouxa na contemporaneidade, de modo que, no interior da igreja como identifica Alves
(2010) é possível perceber elementos considerados do “mundo”, como por exemplo, o modo
que se vestem grande parte dos jovens no cenário investigado.
Elias (1990) explica como mediante um processo civilizador, o habitus muda e a força
da tradição diminui. Com base nisso, é notório considerar que são “eles”, os jovens atuais que
promovem as auto-coações seguindo uma lógica própria. Não é mais a hierarquia da
instituição coercitiva como a igreja segundo o estudo de Alves (2010), que controla as
subjetividades, antes ela está sujeita às negociações da juventude. É nítido como a ordem se
inverte no cenário moderno.
A negociação ocorre, porém, não sem conflitos. A autonomia nas decisões sobre as
ações e mesmo sobre os valores internalizados é de fato sempre rebuscada para dentro de
trilhos, embora sem êxito. Esse não êxito corrobora para uma reconfiguração social dentro da
instituição.
Como mostra Magalhães (2014), a igreja é considerada por esses jovens como um
ambiente de sociabilidade (categoria que será exposta mais adiante). Nesse ambiente, os
diversos jovens encontram seus pares. Falando com base em Simmel (2006), encontram
corpos socializados, formando uma “unidade”.
Pappámikail (2012) alerta para a reivindicação dos jovens na contemporaneidade pela
autonomia. Segundo a autora, a mesma é um processo psicossociológico desenvolvido pelos
indivíduos.
Os conceitos autonomia, liberdade e independência financeira são totalmente distintos,
mas são confundidos pela instituição familiar e mesmo por outras instituições clássicas como
a igreja.
A família, seguindo o raciocínio da autora, considera o jovem como alguém
incompleto e que só está pronto a usufruir de sua própria autonomia no momento em que
conquista a independência financeira. Isso ocasiona conflitos, podendo haver uma quebra de
regras pelos jovens que, de fato, já são autônomos.
Brandão (2012) lembra que, nos tempos atuais, as longas trajetórias escolares têm se
tornado cada vez mais presentes. Isto em virtude do maior acesso à escola.
A aspiração por trajetórias escolares cada vez mais longas por parte dos setores antes
excluídos da escola argumenta fortemente na direção da centralidade (e poder) da
escola de impor padrões de linguagem e valorização de conteúdos dos currículos
oficiais, em direção oposta ao suposto enfraquecimento de seu poder de imposição
de uma ordem cultural. (BRANDÃO 2012, p. 57)
Tomando como base o argumento de Brandão e ancorando-o à problemática da
autonomia referenciada por Pappámikail (2012) é relevante questionar se um indivíduo que
dedica longos anos de tempo aos estudos, deixando o emprego como aspiração mais futura,
será sempre considerado “incompleto”.
A visão que a instituição familiar dispensa aos jovens está carregada por símbolos de
sua própria geração e pode colaborar para o choque de valores clássicos com valores
contemporâneos.
Na abordagem de Mannheim (1982), baseado em uma abordagem geracional,
considera que ocorre, em virtude do aparecimento de novos atores sociais, um fenômeno que
ele denomina “contato original”. Esse fenômeno se manifesta no momento do contato de uma
nova geração de atores com valores já existentes ou tradicionais.
Conforme o autor, tanto a forma como a assimilação de valores já existentes pelas
novas gerações, se dará sempre de forma inovada, pois, os novos atores não perceberão os
elementos sócio-culturais a eles apresentados da mesma forma que as gerações anteriores.
Ocorre, consequentemente uma reconfiguração dos valores com a presença de conflitos.
Isso significa, em primeiro lugar, que a nossa cultura é desenvolvida por indivíduos
que entram de maneira diferente em contato com a herança acumulada. Pela
natureza de nossa constituição psíquica, um contato original (encontrar alguma coisa
de modo novo) sempre significa um relacionamento modificado, um distanciamento
em relação ao objeto e uma abordagem original na assimilação, uso e
desenvolvimento do material oferecido. O fenômeno do “contato original” é,
incidentalmente, de grande significação em muitos contextos sociais. (MANNHEIM
1982, p. 74)
Ainda segundo o autor, mediante a presença de novos atores sociais, há uma perda de
elementos culturais de forma natural ou mesmo de forma não ciente ou não planejada,
lembrado também por Elias (1990). Trata-se de um novo rearranjo social que elimina da teia
das relações sociais aquilo que já não é mais útil.
Assim, o aparecimento contínuo de novos seres humanos certamente resulta em
alguma perda de possessões culturais acumuladas; mas, por outro lado, somente isso
torna possível uma seleção original quando for necessária; ele facilita a reavaliação
do nosso inventário e nos ensina tanto a esquecer o que já não é útil como a almejar
o que ainda não foi conquistado. (MANNHEIM 1982, p. 76)
Na perspectiva de Mannheim (1982) e como analisa Velho (2006), a instituição
familiar e também a igreja não estão isentas de incorporarem valores modernos. Na
modernidade, elas recebem novas configurações e roupagens. Preservam elementos
tradicionais, mas são influenciadas pelo novo formato de sociedade que se consolida.
Reforçando o que diz Velho (2006), o estudo de Malvasi (2008) aponta a família como
uma instância heterogênea, pois, segundo o autor, ela não transmite um único capital cultural
para os filhos.
Parsons (1976) apresenta a família como um sistema de personalidade, porém, é
preciso destacar que ela não é a única a promover internalizações de visões de mundo. Sobre
isso, Setton (2012) apresenta que, em 1970 ocorreu uma produção intensa de bens simbólicos
no Brasil por intermédio da mídia, amparada pela tecnologia. Isso fez com que surgissem
outras propostas de socialização.
A partir da década de 1970, com o crescimento de um mercado de bens simbólicos
no Brasil, podemos visualizar outra configuração sócio-cultural. Surge um tímido
mas aos poucos se consolida um mercado difusor de informações e de
entretenimento com forte caráter socializador. Chamo atenção aqui para o
surgimento da cultura de massa. Esta, com toda sua diversidade e seu aparato
tecnológico, com a capacidade de publicizar conselhos e estilos de vida, passa a
difundir uma série de propostas de socialização. Partilha, pois, com a família, a
religião e a escola uma responsabilidade educativa. (SETTON 2012, p. 40)
Segundo a autora, instâncias clássicas socializadoras se articularam às novas
propostas, produzindo um tipo de habitus que ela denomina “híbrido” em virtude de haver
uma associação de práticas discretas, isto é, pouco difundidas com as dimensões
socializadoras clássicas. Isso se refere a um movimento criativo que, ao mesmo tempo em que
ocorre uma articulação, ocorre também disputas pela atenção dos jovens. Neste sentido, é
possível que haja a presença de conflitos em apelo à atenção dos jovens em um cenário rico
em possibilidades.
Discutindo as aspirações dos jovens à luz do que apresenta Bourdieu (2004) acerca do
habitus, é indispensável destacar que as juventudes, assim como os demais atores sociais,
possuem em seus corpos um conhecimento que é histórico, um conhecimento que abarca toda
a trajetória de vida. Desse modo, o corpo se antecipa ao pensamento, o corpo fala por meio do
conhecimento que está incorporado a si.
Os indivíduos e, neste caso, os jovens, possuem em suas estruturas mentais as
estruturas objetivas do espaço social. Desse modo, não colocam em questionamento as ações
realizadas, pois estão envolvidos com o “jogo”, jogando o jogo.
É interessante perceber que na base de cada ação e discurso, estão os valores, as
normas e o comportamento adquirido por meio do habitus. Nesse sentido, as trajetórias
adotadas pelos jovens adquirem na visão de Bourdieu (2004) uma classificação relacional.
Isto é importante, pois, desnaturaliza a ideia de que sempre há nos indivíduos a presença do
cálculo e da racionalidade para agir ou mesmo atitudes consideradas pelo senso comum como
inatas.
Bourdieu (2004) enriquece ainda mais a problemática da ação quando discorre que,
em razão de todo o conhecimento incorporado, os indivíduos desenvolvem uma percepção
capaz de orientá-los em relação ao próximo passo a dar, pois, já sabem o que ocorrerá depois.
Até aqui discutimos fatores importantes que abarcam, de modo geral, as juventudes
contemporâneas: a discussão sobre autonomia, a socialização, a performatividade e o habitus.
Existe outra dimensão que se apresenta de forma não menos importante entre os jovens: a
sociabilidade.
Com base nas reflexões de Simmel (2006) a sociabilidade está relacionada à interação
de determinados indivíduos que, na verdade, se fundem em uma “unidade”. Dentro desta
“unidade” está um plano de intenções lúdicas onde os indivíduos se desprendem (quando
estão em interação) de suas próprias subjetividades para dar lugar a uma espécie de eu-social.
Com base nos estudos de Chagas (2014) a sociabilidade produz alguns efeitos
relativos à relações de poder. Um desses efeitos é a busca por visibilidade, auto-afirmação e
reconhecimento dentro do grupo e também frente aos demais atores sociais.
Alguns ambientes favorecem e são tomados como espaços de sociabilidade e, com a
reunião dos membros, há uma interação onde é possível verificar elementos de identificação
entre os mesmos e também a presença e a aceitação de regras.
A apropriação por espaços pelos jovens se torna um produto da sociabilidade. Por
meio destes espaços, eles promovem o controle social, o que permite que a visibilidade
almejada por eles seja alcançada. A visibilidade permite ainda o posicionamento e distinção
dos jovens em relação aos demais atores sociais.
Os estudos de Almeida Neto (2014), Santos (2014) e França (2014) evidenciam que a
busca por ambientes de sociabilidade são traços distintivos dos jovens contemporâneos.
Dentro de cada jovem, por sua vez, estão internalizados elementos clássicos, mas não
determinantes de uma visão de mundo, pois, associam-se a esses elementos, outros
característicos da modernidade.
As trajetórias dos jovens também se projetam para a satisfação, para a produção de
gostos e para o consumo, mas se torna relevante ressaltar que esses componentes estão
relacionados aos campos sociais onde os diversos jovens estão situados. Nenhum gosto ou
nenhum comportamento é constituído por si mesmo, antes, são o resultado das influências que
recebem do lugar onde estão situados.
Em conformidade com Bourdieu (1996), o estudo de Souza (2014) mostra que o
consumo está vinculado ao grupo cujo indivíduo está localizado, ligando-se também à
visibilidade.
A visibilidade como já tratada por Chagas (2014) se constitui em uma categoria
política com fins de auto-afirmação diante da sociedade.
Souza (2014) discorre que alguns elementos consumidos pelos jovens garantem essa
visibilidade e trata dos sons consumidos por eles como imagens simbólicas que promovem a
interpretação da vida social. Neste sentido, o consumo de determinado estilo musical diz
muito sobre a identidade dos sujeitos.
A autora argumenta ainda sobre o consumo de roupas, de correntes pelos rapazes ou
mesmo de motos em um contexto periférico do Pará onde fez a pesquisa, apontando que
alguns desses objetos garantem visibilidade em relação à atração de meninas, porém o uso
desses mesmos objetos é evitado diante da presença da polícia.
As correntes e motos compradas, segundo a autora, são adquiridos em feiras, ou
mesmo por meio de trocas, e diante da polícia não há como provar propriedade. Os jovens
rapazes acabam por se tornarem marginalizados pelo poder público.
Os conflitos que perpassam as trajetórias dos jovens estão vinculados às identidades
ou visões de mundo, formadas por múltiplos referenciais. Assim como o capital cultural, o
capital econômico Bourdieu (2004) também é importante para o entendimento do que pensam
os jovens acerca de suas trajetórias.
O estudo de Zago (2012) nos meios populares revela que a escola não tem domínio
total sobre o comportamento dos jovens. É preciso, segundo ela, compreender as condições
sociais e econômicas que os mesmos estão inseridos.
A autora rompe com discurso meritocrático existente na escola atual, denunciada
também por Bourdieu (1988) como legitimadora das desigualdades sociais, por não se
preocupar com os alunos que não tiveram acesso à conhecimentos indispensáveis. Ao invés
de recuperar o capital cultural dos que foram a ele negados, exaltam aqueles que conseguiram
por mérito um alto rendimento, em virtude de boas condições econômicas que, por sua vez,
são facilitadoras da consecução de capital cultural.
O estudo da autora e as reflexões de Bourdieu produzem reflexões do tipo: como pode
ter um bom rendimento escolar, um aluno que chega à escola ainda sem a primeira refeição do
dia?
Como destacado anteriormente, a instituição familiar não é a única a influenciar na
produção de visões de mundo, (considerando também a dinamicidade atrelada às visões
formadas, pois, podem se alterar), mas é preciso ressaltar que essa instituição tem um papel
importante em sua relação com a escola e que essa relação em alguma medida pode
influenciar nas trajetórias e aspirações dos jovens.
A pesquisa realizada pelo PIBID / UFAL Ciências Sociais (2011-2013) no “Dia da
família na escola” comemorado em uma escola pública de Maceió, em maio de 2012,
evidenciou que dos dois mil alunos matriculados na escola, apenas 42 pais compareceram ao
evento. Apesar disso, é válido ressaltar que alguns desses pais afirmaram participar do
Conselho Escolar e ainda que a maioria desses pais que compareceram (52,4%) acompanham
diariamente os deveres de casa dos filhos.
O fato de esses pais estarem presentes no evento, acompanharem os deveres de casa
dos filhos, como também se envolverem participando em intensa medida por intermédio de
uma inserção de caráter funcional dentro da escola, revela a existência de um capital cultural
transferido aos filhos. Isso ilustra bem o que Bourdieu (1996) pontua sobre a noção de
interesse que, por sua vez, traz consigo o investimento, como veremos à pouco.
À medida que as juventudes são influenciadas no jogo social, seja pelo capital cultural
da própria família e outras instâncias já citadas, elas também influenciam. Desse modo, é
preciso entender como as diversas juventudes atuam nesse jogo, quais os conflitos
enfrentados, como e a partir de que se dá o investimento por determinadas trajetórias.
Bourdieu (1996) esclarece que o investimento se dá em virtude do interesse
dispensado à campos sociais. Para isso, é preciso estar “situado” ou mesmo pertencer à
determinados campos para que haja tal investimento.
A produção de gostos pode partir de variados campos sociais. No curso da vida dos
jovens, os mesmos têm contato com diversas experiências que, por sua vez, influenciam
também na definição de trajetórias.
Dayrell (2012) mostra como a dimensão do trabalho pode ser extremamente educativa,
modeladora de identidades e formadora de visões de mundo. Para o autor, é preciso
considerar às diversas experiências juvenis. Permanecer estudando o comportamento do
jovem estritamente dentro da escola é cair no reducionismo.
Ainda segundo o autor, é preciso considerar que os jovens vão à escola carregados de
símbolos, adquiridos fora da escola. Neste sentido, vários campos sociais moldam seus
comportamentos.
Paixão (2007) informa que a escola atual tem deixado nas mãos dos jovens, enquanto
alunos, a responsabilidade da construção do sentido atribuído a ela.
A questão que reclama por resposta se refere à como os jovens constroem suas
trajetórias e quais os elementos definidores e que compõem as construções.
Como pensar o futuro mediante a uma valorização tão intensa pelo presente como
discute Pais (2010)? essa dificuldade se coloca.
Há de fato o que se pode chamar de planejamento de um futuro, mesmo que incerto
em tempos atuais como Giddens (2002) supõe? se há, o que está na base desse planejamento?
o habitus defendido por Bourdieu (2004)?
O que orientam os jovens?
O que pensam ser um projeto de futuro? estão de fato preocupados com o futuro ou
desviam-se dele conforme defende Pais (2010)?
O futuro está mesmo inatingível do ponto de vista dos jovens como coloca Giddens
(2002)?
O presente se dilui por um excesso de preocupação com um plano futuro? essas
questões serão investigadas.
1.2 Juventudes: “Vez e voz” na sociedade moderna
Para Amarante Brandão (2014), é a partir dos anos 1960 que os jovens ganham
visibilidade. Segundo ela, o que está por trás disso é a construção de suas representatividades,
possíveis pelos meios de comunicação e pelo consumo.
A abordagem da autora se aproxima da de Setton (2012) que referencia as múltiplas
opções de estilos de vida que se colocam frente aos jovens a partir dos anos 1970 no Brasil,
porém, traz para o debate a ideia de que os jovens atuais articulam processos de auto-invenção
de estilos de vida.
Segundo a mesma autora, no cenário atual, o jovem torna-se um participante ativo no
espaço público na defesa das diferenciações e estilos de vida produzidos por eles frente à uma
cultura hegemônica.
Assim como Pais (2006) a autora identifica ainda um movimento criativo juvenil que
associa a vida profissional ao Hobby. Desse modo, as juventudes desenvolvem sensibilidades
para lidar com o que tem materialmente e manifestam isso explorando o caminho entre a
vocação, o aprendizado, a vida profissional e o Hobby.
É perceptível, com base na autora, entre os jovens na Paraíba, onde realizou seu
estudo, o protagonismo, elemento também destacado por Pais (2006), que observa uma
apropriação do espaço social e a busca de autonomia para pô-la em prática.
A autora Amarante Brandão (2014) dialoga ainda com Almeida (2012) que apresenta
o jovem como um novo ator social criativo e que estabelece um novo fazer, ou seja, ele se
desprende da ideia do fazer original, realizando a atividade à sua própria maneira.
Esse novo fazer criativo e de caráter protagonista do jovem atual se aplica nitidamente
ao campo profissional.
Mannheim (1961) se referindo à atuação das juventudes no espaço público mostra que
é a estrutura social que irá determinar suas atuações. Em outras palavras, Mannheim está
preocupado com a função das juventudes. Acredita ele, ser elas as “reservas latentes” da
sociedade. Dependerá da estrutura social, integrá-las e mobilizá-las dentro de si.
O autor se mostra crítico no que se refere à considerar que as juventudes não possuem
interesses e ideais. Para ele, isso depende do modo como a sociedade enxerga a juventude.
Em uma sociedade considerada estática, conforme o autor, quem dita as regras e
manipula o espaço social são os adultos e velhos, esses têm status, em contrapartida, os jovens
são vistos como seres incompletos e ainda em formação, tanto do ponto de vista biológico,
como intelectual.
Mannheim (1961) indica a existência de outro modelo de sociedade, a sociedade
dinâmica que, por sua vez, acredita nas reservas latentes da população, “os jovens”, e
investem por intermédio da educação na incorporação e preparação das juventudes para terem
voz ativa na sociedade. Neste caso, segundo o autor, as juventudes passam a ter “função”.
Considerando a visão de Bourdieu (2004), até mesmo a voz ativa que teriam as
juventudes em sociedades de caráter dinâmico e a inatividade das juventudes nas sociedades
estáticas revela um habitus dispensado pela estrutura social inclinando-se para um ou outro
modelo de juventude (ativa ou não), pois, conforme o autor, por trás de um interesse está o
habitus incorporado e, neste caso, um habitus presente na estrutura social.
Capítulo 2. Quando o “campo” é a escola
A escola Estadual Moreira e Silva está localizada no bairro do Farol, mais precisamente
no interior do Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas (CEPA).
Tal escola atende a alunos que cursam o ensino médio.
A equipe da escola é composta por diretor, vice-diretor, coordenadores, supervisores,
secretários, professores, funcionários de serviços gerais e merendeiras.
A razão pela escolha desta escola para a materialização desta pesquisa foi por me
considerar já dentro do campo, uma vez que fiz parte do PIBID-UFAL Ciências Sociais por
quase dois anos, além de ter realizado os quatro estágios obrigatórios do curso de graduação
nesta mesma escola. Diante disso, eu já me sentia bastante à vontade com a direção,
professores e alunos, pois, eles já me conheciam ao longo de dois anos corridos (2012-2014).
Tendo como base a experiência do PIBID-UFAL, acompanhei algumas dificuldades que
vivenciam professores e alunos.
Uma dificuldade enfrentada pelos professores, se apresenta na dificuldade em despertar o
interesse dos alunos. Nos momentos de intervalo, eu pude acompanhar as queixas de vários
professores.
Uma dificuldade que atinge não somente os professores, mas também os alunos é a
questão de reservas de material ou sala. Em alguns momentos, presenciei quando os planos
para a aula da professora de sociologia, na época minha supervisora, foram frustrados. Diante
da impossibilidade de materializar o que havia planejado para a aula, ela simplesmente olhava
para a equipe e dizia: “─ vocês estão vendo o que aconteceu? é por isso que é sempre preciso
ter um plano B”. E de fato ela tinha.
Participar do programa, cumprir os estágios e agora ter realizado esta pesquisa, enquanto
estudante de Ciências Sociais me permitiu desmistificar várias pré-noções que eu tinha em
sobre à relação aluno-professor.
Desenvolvi, enquanto pesquisadora, digo isto me referindo à participação no programa e
também mediante a realização desta pesquisa que apresento, um olhar sociológico e claro,
bem diferente do que eu tinha antes.
Se diluíram as visões ideais de uma sala de aula, antes considerada por mim (ou melhor
pelo meu habitus incorporado, pois agora sei, “o corpo fala”), como um lugar onde o direito
de voz é somente dos professores.
À medida que o tempo passava, minhas experiências de pesquisa e meu olhar aguçavam e
se inclinavam para as bases que sustentam as ações do aluno e do professor.
Passei a ter como preocupação acadêmica, a busca pelo entendimento do que é juventude,
das especificidades da mesma, de seu comportamento pelos vários espaços sociais, tendo a
certeza, a partir das leituras de Dayrell (2012), quando faz o convite para se “procurar o
jovem no aluno”, que não se pode esquecer que o aluno não é só aluno, antes, com base em
Parsons (1976), “ser aluno” é somente “um” dos inúmeros papéis sociais que ele ocupa na
sociedade.
Nadir Zago (2012) enriquece os estudos sobre juventudes quando inclina suas
preocupações teóricas para as condições sociais como caminho para entender o
comportamento, o rendimento e outras questões específicas de cada aluno na escola.
Segundo a autora, é preciso entender o aluno, fora e para além dos muros da escola, ideia
essa que Dayrell (2012) também é de acordo.
Em uma conferência realizada em 10 de agosto de 2012, no Seminário Juventudes
Contemporâneas: Rupturas, permanências e inventividades, Juarez Dayrell discorre que a
escola não vem acompanhando o ritmo dos alunos que, como jovens são o resultado de
múltiplos processos de socialização.
Ainda no seminário, Dayrell defende que o não entendimento do novo jovem dificulta as
relações com ele. Neste caso, a escola, como também outras instâncias, segundo o autor, deve
estar preocupada com a busca pela compreensão desse novo jovem.
Durante o momento de entrevista com a aluna, fiz alguns questionamentos acerca de
questões como motivação e sentido da escola. A mesma, destacou inicialmente que considera
que a maioria dos professores das disciplinas estabelecem um grande distanciamento com os
alunos.
Nas palavras da aluna: “─ a maioria dos professores não tem aproximação nenhuma com
a gente. Eles vêm, dão aula e saem. Às vezes a gente vai justificar alguma coisa, aí eles dizem
“não quero saber, é problema seu!”. Nesse momento, o jovem também entrevistado balançou
a cabeça, mostrando concordar com a fala da jovem.
A partir dessa narrativa, pude perceber que, pelos menos esses dois jovens, esperam que o
professor seja mais do que alguém que transmite conhecimentos. Ficou claro que esses jovens
sentem a necessidade de uma maior aproximação dos professores. Uma abertura maior para o
diálogo ou mesmo para questões que não se referem diretamente às disciplinas.
De fato, como percebe Juarez Dayrell, o perfil dos jovens mudou. Conforme apresentou
no seminário, eles “os jovens” trazem novas demandas e clamam por maior visibilidade. No
caso da escola, reivindicam uma maior atenção e aproximação dos professores.
Capítulo 3. O que querem e pensam os jovens pesquisados
A idade dos alunos investigados varia entre 16 e 28 anos.
Dos 109 alunos (sujeitos da pesquisa), 41,28% são garotos e 58,71% são garotas.
Para a compreensão prática daquilo que Bourdieu (2004) conceitua por capital
cultural, pode-se tomar como demonstrativo um dado na tabela 1, que mostra, no caso das
garotas, que 54,68% delas recebem acompanhamento no momento em que realizam suas
tarefas escolares.
Tabela 1 – Seus pais ou parentes te acompanham na realização das atividades
escolares?
Garotos %
São acompanhados (as)
33,33
Não são acompanhados (as)
62,22
Não respondeu
4,44
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Garotas%
54,68
40,62
4,68
O fato de os pais dispensarem um tempo para o acompanhamento mencionado revela
um investimento, que se funda no interesse desinteressado que trata o autor. Sem refletirem
sobre a ação que realizam, mas deixando que os corpos os orientem segundo o que está a ele
incorporado, revela um habitus e a transferência de um capital cultural nas teias das relações
sociais estabelecidas.
Um ponto curioso para questionamento é o fato de que o processo inverso ocorre com
os garotos que, conforme mostra a mesma tabela não são, em sua maioria, orientados nas
tarefas.
Embora, metodologicamente, as tabelas tenham sido construídas fazendo-se separação
por sexo, com intenção apenas de observar particularidades (o que de fato foi identificado), as
possíveis particularidades ou discrepâncias observadas entre os sexos não serão aqui
esclarecidas ou investigadas, o que não impede uma análise futura.
Atentando agora para a tabela 2, é possível perceber que os percentuais mais
expressivos em relação à escolaridade dos pais se concentram no nível fundamental
incompleto. Apesar disso, não se pode afirmar que o acompanhamento das garotas recebe um
formato apenas de “cobrança”, pois, é possível que os pais com o ensino médio ou superior e
os que possuem o nível médio incompleto, ainda que com percentuais representativos
inferiores, dispensem a elas orientações em relação ao próprio conhecimento das disciplinas.
Tabela 2 - Qual a escolaridade dos seus pais?
Pai
Mãe
Garotos
Garotas
Fundamental
35,55 %
40%
Fundamental
Incompleto
Incompleto
Fundamental
13,33%
6,66%
Fundamental
Completo
Completo
Médio
8,88%
4,44%
Médio
Incompleto
Incompleto
Médio
26,66%
33,33%
Médio
Completo
Completo
Superior
2,22%
2,22%
Superior
Incompleto
Incompleto
Superior
2,22%
6,66%
Superior
Completo
Completo
Não
11,11%
6,66%
Não
Respondeu
Respondeu
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Pai
32,8%
Mãe
43,75%
14,06%
18,75%
7,81%
4,68%
20,31%
20,31%
0%
3,12%
4,68%
1,56%
20,31%
7,81%
A questão aqui a ser respondida se volta para as aspirações da amostra de jovens
coletada, tendo como ponto de partida saber quais os elementos subjetivos e concretos
orientam ou não a construção de projetos de futuro.
A tabela 3 revela que 60% de 22% dos garotos que trabalham, o fazem para adquirir
independência financeira.
Tabela 3 - Você trabalha?
Garotos
%
Sim
Não
Não respondeu
Garotas
Sim
22,22
77,77
0
%
14,06
Motivos atribuídos
%
Necessidade
30
Adquirir Independência
60
Tempo Livre
10
Motivos atribuídos
Necessidade
%
44,44
Adquirir Independência
44,44
Experiência
11,11
Não
85,93
Não respondeu
0
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Segundo o que discorre Pappamikail (2012), a independência financeira conquistada
pelo jovem, significa para a família o elemento fundamental para permitir que o mesmo goze
de sua autonomia. Apesar disso, na tabela 4 os dados mostram que 75,5% dos pais ou
parentes dos garotos e 78,12% dos pais ou parentes das garotas apoiam as escolhas, decisões e
objetivos desses jovens.
Tabela 4 - Seus pais ou parentes apoiam suas escolhas, decisões e objetivos?
%
Garotos
Garotas
Sim
75,55 Sim
Não
6,66
Não
Às vezes
13,33 Às vezes
Não respondeu
4,44
Não respondeu
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
%
78,12
4,68
17,18
0
Tabela 5 - Como você costuma agir no momento em que seus familiares não concordam com a
maneira que você pensar ou escolhe realizar determinada ação?
Garotos
Faço conforme eles pedem
Persisto em fazer o que quero
Tento ignorar
Questiono até descobrir o por quê
%
8,88
15,55
2,22
13,33
Não tenho esse problema
2,22
Não respondeu
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
57,77
Garotas
Faço o que mandam
Sigo em frente com meu objetivo
Tento descobrir o por quê
Tento convencê-los
Converso para chegar em um
consenso
Não respondeu
%
21,87
14,06
9,37
7,81
12,5
34,37
A autonomia parece tomar uma configuração diferente do que mostra a autora, na
medida em que a maioria dos pais e parentes parecem dispensar maior confiabilidade e
protagonismo aos jovens pesquisados sobre suas ações. Isto pensando nos dados da tabela 4.
Na tabela 5, logo acima, observa-se que existe uma reivindicação por autonomia,
como trata a autora, tanto em relação aos meninos quanto em relação às meninas, com
percentuais respectivos de 14,06% e 15,55%.
Ainda nesta tabela, é verificado uma aceitação significativa à vontade dos familiares e
parentes por parte das meninas (21,87%), indicando que a autonomia é, em muitos casos,
colocada sob a guarda da família ou responsáveis. A autonomia, por sua vez, se configura em
uma categoria relativa.
Na entrevista realizada com um garoto da escola acerca dos gostos e identificações, o
discurso do jovem convergiu com o que trata a autora.
O jovem é impedido de utilizar sua autonomia quanto à questão de “ir à igreja”, fato
destacado por ele. Em seu discurso ele disse: “─ meus pais me obrigam a ir à igreja. Eu
gosto mesmo é de curtir Rock. As pessoas na igreja tem o pensamento muito...” (gesticulou
imitando o acessório que se costuma colocar nos cavalos para que estes não desviem o olhar
para os lados. Gesticulou sem conseguir nomear tal pensamento dos membros da igreja).
Conforme já discutido, a modernidade traz consigo a busca pelo progresso. Neste
sentido, é válido dizer que os jovens não estão isentos dessa busca, a começar pela
reivindicação daquilo que já é deles, a autonomia, por ser um processo desenvolvido
cognitivamente e também socialmente. Diante disso, as juventudes parecem dar sinal de que
buscam algo, talvez visibilidade e auto-afirmação, conforme Chagas (2014) anuncia.
Giddens (2002) falando acerca do caráter multifacetado da modernidade, parece tomar
a “escolha” como categoria ligada à noção de projeto, dando a impressão de que a
modernidade traz consigo um controle sobre todos os corpos. Todos devem escolher algo, um
ideal de futuro e ao mesmo tempo refletir sobre isso, o que antes dos tempos modernos não
era verificado. Neste sentido, vale uma reflexão sobre o diálogo com uma aluna durante a
entrevista:
“─ eu queria muito no ano que vem fazer faculdade, mas, o meu filho tá muito
pequenininho e quando ele ficar maiorzinho eu vou ter que procurar um trabalho pra ajudar
o meu esposo! tá muito pesado pra ele.”
E quanto à faculdade? perguntei.
Nesse momento observei que seus olhos passaram a adquirir um brilho extra.
Imediatamente ela afirmou: “─ a minha faculdade eu vou fazer, não vou desistir, é meu
sonho!”
Por que você quer fazer faculdade?
“─ ah! pra ter uma formação, pra ser alguma coisa na vida.”
Essa última narrativa da garota remete justamente à um ideário de progresso e ainda ao
que Giddens (2002) parece afirmar quando fala desse caráter multifacetado do cenário
moderno como se dirigisse os corpos à escolhas. Em dias atuais é necessário ser algo, escolher
algo. É possível inferir que “ser alguma coisa na vida” se constitui em uma representação
subjetiva que sustenta a aspiração almejada.
Essa tendência à escolha é uma construção social que virou uma espécie de lei,
embora não tratada nos discursos aleatórios entre os atores sociais. A vida moderna parece
estar pautada em direção à um caminho que “exige” escolhas.
A escolha por “ser independente” também está presente em um dado da tabela 3,
mostrando que 44% das garotas a buscam por meio do trabalho. Este se transforma em uma
ponte para a independência e fonte também para a realização de si no dia-a-dia, conforme
mostra a tabela 6 em que o almejo por trabalho aparece quatro vezes entre as garotas, com
percentuais de 1,56 cada e uma vez citada como uma aspiração de garotos, só que em
modalidade de estágio, com 2,22%.
Tabela 6 - Entre as coisas que você tem vontade de fazer no seu dia-a-dia, existe alguma que você
não consegue ou não pode realizar? Qual a razão?
Ação almejada
Garotos
Impedimento
%
O trabalho
2,22
Ficar na internet
2,22
Sair com amigos
2,22
Trabalhar
Menor de idade
1,56
2,22
Fazer cursos e
trabalhar
O filho
1,56
2,22
Trabalhar
Não consegue
emprego
1,56
2,22
Trabalhar
A escola
1,56
Jogar bola
Curso de inglês
Pular de paraquedas
Assistir um
programa de manhã
Estagiar como jovem
aprendiz
Namorar
Falta de condições
financeiras
Falta de condições
financeiras
A escola
A família impõe
dedicação somente aos
estudos
A família da garota
não permite
Academia
Falta de condições
financeiras
2,22
Sair com amigos
A violência
2,22
Jogar bola
Falta de Tempo
2,22
Atividade Física
Não
Estuda os três horários
2,22
33,33
Não respondeu
44,44
Garotas
Ação almejada
Trabalhar
Ir à qualquer
lugar só
Aulas de violão e
fotografia
Aula de inglês
Ir à festas
Fazer cursinho no
contato
Trabalhar
Viajar
Não
Não respondeu
%
Impedimento
Conta de
energia
O pai não
permite
Os pais querem
dedicação
somente aos
estudos
Possui problema
epilético
1,56
1,56
1,56
1,56
Falta de tempo
1,56
Falta de tempo
O pai não deixa
Falta de
condições
financeiras
A escola
É menor de
idade
1,56
1,56
1,56
1,56
1,56
50
28,12
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
A aspiração por um trabalho é relacional em outros contextos, pois, observando a
tabela 6 o percentual de 2,2% de garotos que desejam “jogar bola” como forma de realização
no dia-a-dia, a variável “trabalho” assume um sentido inverso do proposto na tabela 3.
Em um dado momento, durante a realização da entrevista, a garota (a mesma tem 17
anos e tem um filho) afirmou que após terminar o ensino médio, irá em busca de um trabalho,
no intuito de ajudar o esposo que está, segundo ela, com muitas despesas por causa do filho.
Neste caso, o trabalho não se configura com um projeto de futuro ou mesmo como aspiração.
As condições sociais e econômicas é que encaminham a jovem a escolher ir em busca de um
trabalho após a conclusão do ensino médio.
Através de alguns dados da tabela 6, quando o assunto é trabalho, observa-se que as
aspirações são relacionais. Dependendo de contextos e momentos circunstanciais, elas podem
assumir diversos sentidos, ora como realização, ora como bloqueio para outras aspirações.
Nesta perspectiva, é válido citar a ideia de Bourdieu (2004) em relação ao atravessamento dos
campos onde se verifica o conflito.
Ainda sobre o desejo por um trabalho, na tabela 3 aparece um dado que incita a
curiosidade. 11,11% das 14,06% das garotas que trabalham, justificaram fazê-lo em
detrimento de adquirir “experiência”. Isto remete ao que Almeida (2012) salienta sobre as
juventudes atuais, que assumem um caráter criativo em relação ao fazer. Ao mesmo tempo, a
experiência pode proporcionar a produção de gostos e identificações, promovendo
simultaneamente novas incorporações pelos atores sociais.
Um projeto de conseguir algo, depois que concretizado, em outras circunstâncias pode
se diluir em uma não-aspiração, dependendo do que está em jogo, ou melhor, dependendo da
apresentação de outros desejos que são também incorporados. É o que Charlot (2007)
denomina “efeito ioiô”.
As aspirações dos jovens, em muitos casos, adquirem uma configuração relacionada à
sociabilidade, como podemos perceber ainda na tabela 6, pois, quando questionados acerca
dos desejos de ações que por algum motivo não podem ou não conseguem realizar, várias
atividades aparecem. Em sua maioria, atividades que prezam pela interação. As aspirações
apresentadas foram as mais variadas, conforme mostra a tabela.
Em um momento da entrevista como o jovem, o mesmo expressou: “─ o que eu
queria mesmo pra minha vida é montar uma banda de Rock!”
A partir do aprofundamento do diálogo, o jovem afirmou que participa de encontros
programados por amigos que também curtem Rock. Isso é revelador da existência de
sociabilidade.
Embora os percentuais mais expressivos entre os respondentes garotos e garotas
sejam, respectivamente, 33% e 50% na tabela 6, significando não haver impedimento para a
realização daquilo que almejam, qualitativamente, é imprescindível prestar atenção nos dados
de menor alcance, pois, os mesmos podem ser reveladores quanto à interpretação da vida
social.
Com relação ao impedimento na realização de desejos, ainda na tabela 6, a família
aparece duas vezes como bloqueadora destes (em relação ao trabalho para uma garota e ao
estágio no caso de alguns garotos). Neste sentido, o conflito se torna preponderante.
Outros dados ainda na mesma tabela, revelam que o impedimento de algumas
aspirações é a falta de capital econômico. Este, segundo Bourdieu (2004), pode produzir
capital cultural em virtude da acessibilidade de alguns bens ou experiências que, em relação à
construção de gostos, adquire um caráter simbólico.
A falta de capital econômico, evidenciado na tabela aparece duas vezes entre as
garotas, que recebem um percentual representativo de 1,56% cada. Uma das garotas gostaria
de ficar na internet, porém, em virtude da “conta de luz” apresentada como impedimento, a
concretização do desejo é impossibilitado. Outra garota gostaria de fazer um cursinho, mas é
impedida de fazê-lo pela falta de condições financeiras.
Esses dados que se referem à falta de capital econômico sugere relevância ao que Zago
(2012) diz, quando afirma que para entender o aluno deve-se considerar as condições sociais
nas quais o aluno está inserido. Neste sentido, fica nítido que é preciso ir para além da escola
para entender os jovens, ou seja, o que pensam, os conflitos vivenciados e os bloqueios em
relação àquilo que consideram importante para suas vidas, destacando que a importância
atribuída por eles é resultado de diversas influências de campos sociais onde os indivíduos
estão situados.
Segundo o que foi discutido por Setton (2012), a socialização produz “habitus”.
Instâncias socializadoras clássicas como a família, a escola e a religião, associam-se às novas
propostas de socialização a partir de 1970, momento em que há uma produção em massa de
bens de caráter simbólico no Brasil. Estes por sua vez, passaram, em maior amplitude a
influenciar no jogo social, na produção de gostos e identificações, disputando a atenção dos
jovens.
Analisando as tabelas 2, 7 e 8, tomando como ponto de partida a tabela 2 sobre a
escolaridade dos pais, com percentuais mais expressivos para a escolarização no nível
fundamental como já tratado, mas associando essa constatação à tabela 7, que mostra o que os
jovens almejam fazer após a conclusão do ensino médio, cujos resultados entre os garotos e
garotas remetem para a conquista de cursar faculdade, com percentual de 57,77% entre os
garotos e 81,25% entre as garotas e a certeza provável que demonstra os percentuais mais
expressivos na tabela 8, com 40% entre os meninos e 42,18% entre as meninas é bastante
intrigante.
Tabela 7 - O que você gostaria de fazer após a conclusão do ensino médio? Justifique.
%
Garotos
Justificativa
Independência
Financeira
Trabalhar
Garotas
Justificativa
33,33
Faculdade
Trabalhar
Pular de paraquedas
2,22
Trabalhar
Faculdade
----
57,77
Trabalhar
Servir às forças
---2,22
armadas
Se dono de uma loja
---2,22
de vídeo Game
Ainda não sabe
---2,22
Não respondeu
---0
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Descansar /
Viajar
---Independência
financeira
Ajudar nas
despesas de casa
----
%
81,25
10,93
4,68
1,56
Ainda não sabe
1,56
Não respondeu
0
Tabela 8 - De acordo com suas previsões, o que você tem praticamente certeza que ocorrerá após
a conclusão do ensino médio?
Garotos
%
Garotas
%
Faculdade
Procurar um emprego
Servir às forças armadas
40
33,33
4,44
42,18
40,62
3,12
Passar no ENEM
4,44
Faculdade
Trabalhar
Me casar
Curso
profissionalizante
3,12
Ficarei c/ o tempo
livre
Farei um curso técnico
2,22
Curso técnico
Não tenho previsões
6,66
Não sei
Não respondeu
6,66
Não respondeu
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Nada
2,22
1,56
1,56
7,81
0
O que está na base de um maior desejo de cursá-la? no sentido em que Bourdieu
coloca, de onde partiu a incorporação desse almejo?
Buscando encontrar vestígios de resposta, partiremos para a tabela 9 onde os jovens
são questionados sobre a funcionalidade da escola.
Tabela 9 - Para você, qual a função da escola?
%
Garotos
Ensinar
37,77
Educar
13,33
Prepara para o futuro
33,33
Prepara para viver em sociedade
4,44
Lugar de encontrar com os amigos
2,22
Não sei
2,22
Não respondeu
6,66
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Garotas
Ensinar
Educar
Prepara para o futuro
Prepara para viver em sociedade
Lugar de encontrar com os amigos
Formar jovens
Não respondeu
%
28,12
15,62
42,18
1,56
10,9
1,56
0
De acordo com a tabela, entre os garotos os percentuais de resposta mais expressivos
indicam que a função da escola sob seus pontos de vista é ensinar, com percentual de 37,77%
e preparar para o futuro, com percentual de 33,33%. No caso das garotas, o percentual mais
expressivo se inclina para a preparação para o futuro, onde o percentual atingiu 42,18 entre
elas.
Ainda investigando, partiremos agora para a tabela 10, onde os jovens são
questionados acerca da presença da motivação ou ausência da mesma para irem à escola.
Tabela 10 - Você se sente motivado para ir à escola? Por quê?
Garotos
Sim
68,8%
Justificativa
%
O racha
4,44
O ensino
6,66
Os colegas
13,33
Crescer na
2,22
Não
Justificativa
24,44%
Método
ultrapassado
É muito chato
Não gosto de
estudar
Lugar
Às
vezes
Justificativa
%
Não
justificaram
0
2,22
2,22
2,22
2,22
6,66
vida
Gosto do
ambiente
2,22
Segunda casa
2,22
monótono e
cheio de
pessoas burras
Não me atrai
Não
justificaram
2,22
13,33
Pode mudar
2,22
meu futuro
Não
35,55
justificaram
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Garotas
Sim
Justificativa
Ela garante um
futuro melhor
71,87%
%
56,52
Conhecimento
2,17
Aulas e amigos
2,17
Amigos
Minha mãe me
estimula a não
ser como ela
4,34
Não justificaram
Não
6,25%
Justificativa
%
Os
professores
faltam
Os
professores
não se
esforçam
A escola não
estimula
Não
justificaram
25
Às
vezes
Justificativa
%
Não resp.
25
25
9,37%
Não
justificaram
12,5
25
2,17
32,60
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Os dados da tabela mostram que 68,8% dos garotos se sentem motivados para irem à
escola. As justificativas para tal motivação foram as mais diversas. Os percentuais mais
expressivos das razões dos respondentes foram “os colegas” que obtiveram o percentual de
13,33%, seguido do “ensino” com 6,66%.
No caso das garotas, a motivação para ir à escola se baseia na “garantia de um futuro
melhor” recebendo um percentual de 56,52%.
Com base nos dados apresentados, pode-se concluir que a maioria das garotas enxerga
a escola como ponte para o alcance de sua aspiração que é a faculdade, que como mostrado
anteriormente, o percentual representativo foi de 81,25%. Neste sentido, é nítida a influência
exercida pela escola para a construção de projetos, vista como ponte para o futuro, embora na
tabela 12 (mostrada mais adiante), evidencia que 43,75% das garotas estudam por obrigação.
Esse dado mostra que o conhecimento não integra à base para a conquista da aspiração de
fazer faculdade.
A escola, juntamente com as outras instâncias socializadoras que dispensam
influências, descritas na tabela 11 logo abaixo, como a sociabilidade observada a partir da
saída com amigos (21,87%), a TV (15,62%) e a leitura (12,5), etc. no caso das garotas e
Internet e redes sociais (20%) e jogar bola (22,22%), etc. no caso dos garotos, podem
contribuir para a produção do ideal de cursar uma faculdade, embora nenhuma delas,
isoladamente, determine esse ideal.
Tabela 11 - O que você faz por prazer durante o tempo livre? (De segunda a sexta e nos fins de
semana).
Garotos
Internet e redes sociais
Namorar
Sair com amigos
Assistir TV
Estudar
Tocar guitarra e violão
Ir à igreja
Ouvir música
Sexo
Ler
Comer
Escrever
Assistir filmes
Viajar
Jogar bola
Ensaiar no coral da escola
Nada
Fumar
Ajuda a mãe
Não respondeu
%
20
17,77
6,66
8,88
11,11
6,66
8,88
6,66
6,66
6,66
2,22
4,44
8,88
2,22
22,22
2,22
4,44
2,22
2,22
4,44
Garotas
Internet e redes sociais
Namorar
Assistir TV
Sair com amigos
Estudar
Ir à igreja
Ler
Ir à praia
Ir ao cinema
Ouvir músicas
Assistir filmes
Sair com a família
Dormir
Academia
Não respondeu
%
6,25
12,5
15,62
21,87
9,37
6,25
12,5
10,93
7,81
4,68
6,25
7,81
28,12
6,25
0
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
A família também passa a ser reveladora para a aspiração em relação às garotas, já que
na tabela 10 há a presença da seguinte narrativa: “minha mãe me estimula a não ser como
ela!”. Essa fala sugere uma motivação para a filha em relação ao “ir à escola.
Segundo Giddens (2002) o elemento de reflexão está presente na modernidade. Neste
sentido, o conselho da mãe para a filha pode produzir reflexões acerca das trajetórias a serem
seguidas, sem desprezar o que Mannheim (1982) diz acerca da assimilação peculiar que
ocorre nas novas gerações, podendo haver uma ressignificação de elementos considerados
legítimos pelas gerações anteriores.
Por outro lado, o capital cultural dos pais também influencia muito no comportamento
dos filhos. Em termos práticos, o que os pais se tornaram já é uma influência direta para os
filhos, que podem aderir ou não a elementos culturais presentes na família.
Com base em Velho (2006), apesar da influência da família, como instituição clássica
e de referência para os filhos, ela não está isolada dos valores que surgem na
contemporaneidade, podendo haver a promoção de mudanças ideológicas na mesma,
mudanças essas que se apresentam também para os filhos, produzindo, moldando e
influenciando as relações sociais e desenhando outros padrões do comportamento familiar na
modernidade.
Embora as aspirações dos garotos se inclinem em maior proporção para a realização
de uma faculdade, como mostra a tabela 7, e a quase certeza que a farão, mostrada na tabela 8,
fica nítido que a escola influencia na construção dessa aspiração, porém não determina.
Outra pista a destacar e que consta na tabela 9 é o percentual mais expressivo em
relação à função da escola para os garotos, que é de ensinar, com percentual de 37,77%.
Apesar disso, não se pode afirmar que os garotos tenham a intenção de utilizar o
conhecimento para algum fim. Com base nisso, a tabela 12 abaixo mostra que a ação de
estudar é materializada por obrigação entre os garotos, obtendo o percentual de 42,22%.
Tabela 12 - O que você faz por obrigação? (de segunda a sexta e nos fins de semana)
Garotos
Vivo em um país com tanta corrupção
Dormir
Ajudo na limpeza da casa
Nada
Arrumo meu quarto
Estudar
Trabalhar
Escovar os dentes
Não respondeu
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
%
2,22
2,22
20
20
2,22
42,22
8,88
2,22
0
Garotas
Arrumar a casa
Cuidar dos meus irmãos
Nada
Trabalhar
Cuidar do meu filho e marido
Estudar
Pagar contas
Organizar meus pertences
Não respondeu
%
35,93
3,125
12,5
1,56
1,56
43,75
1,56
1,56
12,5
Observando o que Pais (2006) diz, quando destaca que os jovens sabem que se
encontrarão com o futuro, talvez os garotos tenham a faculdade por aspiração e quase certeza
de que irão alcançá-la em virtude da exigência do próprio progresso individual, claramente
exaltado na modernidade. Apesar disso, os dados não comprovam que tal ideia é válida para a
amostra de jovens investigada.
A ideia de que há entre os jovens uma orientação para o presente em razão das
incertezas provenientes do futuro, defendida por Pais (2006), apresentou resultados tímidos na
amostra analisada.
Com base na tabela 7 os percentuais de jovens que não têm ideia sobre o que
gostariam de fazer após a conclusão do ensino médio é de 2,2% para os garotos e 1,56% para
as garotas. Na tabela 8, o percentual de garotos que não têm previsões acerca do que irão fazer
após o ensino médio é de 6,6% para os meninos e de 7,81% para as meninas.
Giddens (2002) como já comentado, defende que a modernidade oferece múltiplas
escolhas, entretanto, não dá suporte para que elas sejam realizadas. Nesse sentido, é possível
que os indivíduos se sintam desnorteados quanto ao próximo passo a darem.
Em relação à amostra das juventudes analisadas, as mesmas parecem saber e ter
certeza do que estão fazendo. Isso se mostra contrário ao que propõe o autor. Ao que parece,
não se sentem mergulhadas em incertezas, pelo menos não em sua maioria. A incerteza se
apresentou em pequena escala.
Conforme a tabela 7, é possível identificar outras aspirações futuras que traduzem ou
se configuram em outras noções de projeto. Além da faculdade, com percentual de 57,77 já
mostrado, o trabalho aparece como um ideal de futuro com 33,33% para os garotos e 10,93%
para as garotas, relacionado com a independência financeira e com 2,22% que se inclina para
uma realização do próprio jovem: “pular de para-quedas”.
Há ainda outras aspirações entre os garotos, como o serviço às forças armadas com
percentual de 2,22% e ser dono de uma loja de Vídeo Games com 2,22%.
Entre as garotas, além da faculdade com percentual de 81,25%, o trabalho com
10,93% e 4,68%, há também a aspiração por viajens / descanso, com percentual de 1,56%,
refletindo que as trajetórias podem tomar diversos caminhos.
Logo abaixo estão outras tabelas com dados que merecem atenção por colaborarem
para a compreensão da realidade dos jovens pesquisados:
Tabela 13 - Estado Civil
Masculino
%
Feminino
%
Solteiros
97,77
Solteiros
90,62
Casados
2,22
Casadas
7,81
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Tabela 14 - Você mora com:
Garotos %
Garotas %
Os pais
55,55
51,56
Mãe
31,11
28,12
Pai
2,22
4,68
Avós
4,44
3,12
Sozinho
0
1,56
Amigos
0
0
Outros parentes
4,44
6,25
Cônjuge
2,22
1,56
Outros
0
3,12
Não respondeu
0
0
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
Tabela 15 - Você tem filhos?
%
Garotos
Garotas
Sim
11,11 Sim
Não
86,66 Não
Não
2,22
Não respondeu
respondeu
Pesquisa direta, Outubro e Novembro de 2014.
%
3,12
96,87
0
Considerações finais
Por meio da pesquisa foi possível detectar a presença forte da escola, que funciona
como parte da estrutura para a conquista das aspirações da maioria das garotas, embora não
determine de modo exclusivo as aspirações e projetos de futuro das mesmas.
Entre os garotos, os objetivos também se mostraram bastante definidos, assim como
no caso das garotas. Os mesmos, em sua maioria planejam fazer faculdade, conforme mostra a
tabela 12, porém, não ficou claro o que está na base da aspiração em cursá-la.
Foi evidenciado que os jovens pesquisados (garotos e garotas), em sua maioria, não
estão mergulhados por incertezas, como mostra a tabela 10, onde 57,77% dos garotos e
81,25% das garotas tem um objetivo definido: cursar faculdade após a conclusão do ensino
médio.
De acordo com o exposto acima, tais jovens (garotos e garotas) parecem se encontrar
bem orientados acerca das aspirações e previsões sobre o que, efetivamente, farão pós-ensino
médio. Talvez objetivem obter “progresso”, ideia relacionada ao crescimento individual e
contínuo na época atual, conforme foi refletido segundo as ideias de Giddens (2002).
Pode-se dizer também, já em relação às hipóteses testadas, que o capital cultural
dispensado pela família influencia, porém, não determina aspirações, embora componha a
base estrutural das mesmas.
Tais aspirações dos jovens com percentuais representativos maiores da amostra
analisada, estão sustentadas principalmente pela escola, considerada por 33,33% dos garotos
(2º percentual mais expressivo entre os respondentes) e por 42,18% das garotas (percentual
mais expressivo) como uma instituição que prepara para o futuro, embora o estudo apareça
como uma obrigação, como já verificado na tabela 12.
Com relação à entrevista realizada com a aluna da escola, seu projeto de futuro é
“cursar faculdade”, embora existam percalços que a impedem de pôr em prática o seu desejo.
O que sustenta sua aspiração é a representação simbólica de “ser alguém na vida”, que como
já vimos, é uma construção social ligada ao progresso em um cenário moderno.
A aspiração do garoto, “montar uma banda de Rock” está sustentada pela
sociabilidade, que foi possível por meio do contato e identificação com rockeiros que são
também alunos do CEPA.
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