Gênero e sexualidade na sala de aula de sociologia no Ensino Médio

Discente: Simone Mariano da Silva; Orientador: Evelina Antunes de Oliveira.

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

SIMONE MARIANO DA SILVA

GÊNERO E SEXUALIDADE NA SALA DE AULA DE SOCIOLOGIA NO
ENSINO MÉDIO.

MACEIÓ
2014

SIMONE MARIANO DA SILVA

GÊNERO E SEXUALIDADE NA SALA DE AULA DE SOCIOLOGIA NO
ENSINO MÉDIO.

Monografia apresentada pela acadêmica Simone
Mariano da Silva como exigência do curso de
Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade
Federal de Alagoas, sob a orientação da professora
Evelina Antunes Fernandes de Oliveira.

MACEIÓ
2014

SIMONE MARIANO DA SILVA

GÊNERO E SEXUALIDADE NA SALA DE AULA DE SOCIOLOGIA NO ENSINO
MÉDIO, EM MACEIÓ, AL.

Aprovada em 12/10 2014

BANCA EXAMINADORA

Profª Ms.Evelina Antunes Fernandes de Oliveira (orientadora)
Profº Dr. Júlio Cezar Gaudencio
Profº Ms. Gilson Rodrigues

CONCEITO FINAL: 8,7 ( oito inteiros e sete décimos)

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AGRADECIMENTOS

A Deus por está sempre presente em minha vida, sem o qual nada seria possível.
A toda minha família, em especial minhas mães Nisbel Castro Lisbôa, Maria das
Dores de Oliveira e minha tia Jozete obrigada por participarem da minha vida e vitória.
Aos meus padrinhos, Maria Teresa Lisbôa que sempre tem uma palavra de conforto e
ao Carlos da Silva por ter sido o único pai que tive, ele agora está ao lado de Deus.
Ao meu companheiro Caio de Moraes Pachioni por está comigo desde o início
apoiando-me nas horas mais difíceis.
Aos amigos, que sempre incentivaram meus sonhos e estiveram sempre ao meu lado.
A Profª Evelina Antunes, que me acompanhou nessa jornada, transmitindo força e
tranquilidade.

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RESUMO

Este trabalho tem como objetivo discutir a forma de tratamento dado aos temas gênero
e sexualidade nos livros didáticos adotados pelas escolas públicas de ensino médio, no
período 2012-14. Para tanto, situamos estes temas no debate sobre juventude, escola,
socialização e diversidade, assim como observamos as normatizações escolares. A
metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental com análise de
conteúdo.

Palavras chaves: sexualidade, gênero, livro didático de sociologia.

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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.............................................................................................................04
1.

JUVENDUDE, ESCOLA E DIVERSIDADE.............................................................06

1.1 Juventude e escola..........................................................................................................06
1.2 Juventude e diversidade cultural....................................................................................10
2.

NORMATIZANDO A SEXUALIDADE NAS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO...14

2.1 As normatizações e os preconceitos dentro das escolas..................................................14
2.2 As fontes de informação sobre sexualidade não estão na escola....................................19
3. GÊNERO E A SEXUALIDADE NOS LIVROS DIDÁTICOS DE SOCIOLOGIA..23
4. OBSERVAÇÕES FINAIS..............................................................................................31
BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................33

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INTRODUÇÃO
O objetivo é discutir a forma de tratamento dado aos temas gênero e sexualidade nos
livros didáticos adotados pelas escolas públicas de ensino médio, no período 2012-14,
situamos estes temas no debate sobre juventude, escola, socialização e diversidade, assim
como observamos as normatizações escolares. A metodologia utilizada foi a pesquisa
bibliográfica e a pesquisa documental com análise de conteúdo. É importante lembrar, como
afirma Meucci (2013, p. 76) que o livro didático não serve apenas como ferramenta de ensino
e aprendizado, mas como bem cultural. O desafio de transpor conhecimento acadêmico e
científico para o universo escolar através do livro didático pede uma leitura simples, clara e
acessível, algo trabalhoso e difícil.
Quando pensamos em ensino médio, nos vem à mente, adolescentes, juventude,
maturação, crescimento, desenvolvimento social e, consequentemente, problemas a serem
resolvidos. De fato, é nessa fase da vida do jovem estudante que há uma preparação
intelectual, porém também uma preparação para a vida adulta, quando são construídas
coletivamente suas identidades. E a escola, com certeza, tem sua grande parcela de
participação entre tudo o que pode fazer esta juventude, essa relação entre juventude, escola e
diversidade cultural foram utilizados os textos de Charlot Bernard, Lea Pinheiro Paixão,
Juarez Dayrell, Helena Abramo, Pedro Paulo Branco, Maria Nobre Damasceno e Wivian
Weller.
Quanto à normatização dos processos escolares, os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs), instituídos pelo governo federal em 1997, fez com que a educação sexual se tornasse
conteúdo obrigatório, sendo tratado como tema transversal em todas as etapas da
escolarização, as referências foram, Fabíola Cordeiro, Paulo Freire, Simone Bastos Guterres,
Regina Novaes, Daniela Barsortti Santos, Rosalina Carvalho Silva e Swamy de Paula Lima.
No que se refere aos temas gênero e a sexualidade nos livros didáticos de sociologia
foram feita uma análise documental, com recurso da análise de conteúdo, dos livros didáticos
adotados no ensino médio, entre 2012-14, a partir da seleção das palavras gênero, sexualidade
e família (ou arranjos familiares), para identificarmos o espaço ou a importância que as
questões de gênero e sexualidade ocupam nos livros de Sociologia. Estes livros são
distribuídos através da política pública Plano Nacional do Livro Didático-PNLD.
Portanto, os documentos estudados foram os livros didáticos e os conteúdos que foram
analisados foram selecionados através da identificação das palavras e da frequência com que
aparecem. Os livros em questão são Sociologia para o Ensino Médio de Nelson Dacio

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Tomazi (2007) e o livro Tempos Modernos, Tempos de Sociologia de autoria de Helena
Bomeny e Bianca Freire-Medeiros (2010).
A falta de referência à pesquisa no tema gênero e/ou sexualidade nos livros didáticos,
acarreta vários prejuízos para professores e alunos, ao longo do texto podemos observar
alguns pontos.

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Capítulo 1- Juventude, escola e diversidade.
Neste capítulo tratamos de algumas questões importantes para entendermos os jovens
na escola. As pesquisas apontam a necessidade de entendermos os jovens como protagonistas
sociais. Alguns estudos apontam para a importância de entendermos as relações institucionais
das quais eles fazem parte, com destaque para a escola e a família. Se a escola é uma
instituição importante na socialização da juventude, como ela se articula com a diversidade
cultural desta mesma juventude?

1.1 Juventude e escola
Bernard Charlot (2006a) traz uma reflexão sobre a questão de valores e normas dos
jovens na sociedade contemporânea, normas educacionais da família e dos próprios jovens e
as questões da sexualidade e das relações amorosas e conjugais. De acordo com o autor, o
jovem terá que enfrentar um paradoxo: a sociedade contemporânea que valoriza a juventude,
demonstra não gostar da mesma.
O jovem é exaltado em todos os meios de comunicações como, na publicidade, nos
discursos políticos, porém, quando o jovem tenta obter um emprego, é exigida experiência de
trabalho, o que é intrigante, para ter experiência precisa de oportunidade, isso causa a ira dos
jovens e com razão, pois exigir uma experiência prévia é descartar os jovens do emprego.
Charlot (2006a) chama a atenção para a permanência do jovem contemporâneo mais tempo na
família em relação às gerações anteriores, dizendo que não está relacionado só com o
sentimento, mas sim com mundo adulto não está preparada a abrir-lhes as portas do emprego,
da independência e das responsabilidades sociais.
O outro lado do problema é a complexa relação entre a sociedade e a juventude. À
juventude falta um futuro. O autor diz que, por definição, a noção de juventude está ligada à
idéia de um futuro amplo e aberto, porém como esperar um futuro no meio do caos, como
energia nuclear, terrorismo e doenças novas e globalizadas, como a AIDS, doença “da vaca
louca” etc.
Bernard Charlot argumenta que por causa de várias inseguranças como aquelas
geradas pelas condições sociais, o jovem não sabe se vai estar no mesmo emprego no ano
seguinte ou até mesmo vivendo com o mesmo cônjuge daqui a dois anos. A juventude
contemporânea é uma geração responsável, porém, ela fica receosa de pensar no futuro, uma
vez que o jovem vive no “presente estendido”, se adequando às oportunidades que surgem,
como se no futuro as mesmas condições viessem a ocorrer. Isso não significa dizer que o

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jovem deixe de acatar normas, sabendo que caso não sejam cumpridas, terá que sofrer suas
consequências. A juventude, como qualquer outro grupo social, precisa dessas normas e
valores para se estruturar.
Charlot (2006a) fala sobre a individualização dos valores, e começa fazendo uma
distinção importante sobre individualização e individualismo. A primeira nos remete ao
processo pelo qual o individuo faz sua própria escolha, entre o que é bom ou ruim para ele; já
no segundo caso, o indivíduo só pensa em seu interesse pessoal, onde cada vez mais o
coletivo está ficando de escanteio. As novas gerações querem tomar suas próprias decisões,
ter o domínio da sua vida sem interferência de terceiros, a tendência é que cada um saiba o
que é bom ou ruim para si mesmo. Mas não quer dizer que o jovem só pense nele, ao
contrário, é comum ele se manifestar coletivamente, e o poder de expressão em todas as
instituições se dá através de manifestações coletivas. A participação da juventude na política
costuma repetir formas de gerações anteriores e não se resume somente às urnas, e sim adesão
de partidos políticos, grupos militantes feministas, ecologistas, entre outras formas de
participação não institucional, como os grupos culturais.
Ainda se referindo à individualização, (CHARLOT, 2006a) a partir de suas pesquisas,
aponta três temas: a virgindade, considerada por muitos um tabu ultrapassado; a fidelidade,
questionada pela nova geração e a homossexualidade, ainda em debate. Com relação à
virgindade, parece não ser mais uma questão muito importante. Alguns rapazes e moças ainda
seguem valorizando a virgindade, o que acontece é que o jovem tem que lidar com novos
valores, porém, diante de normas antigas, muitas vezes, acabam misturando o caráter com
perda da virgindade, ou seja, se sentem inferiorizados a partir da primeira relação sexual.
De acordo com Charlot (2006a), a fidelidade, para maioria dos jovens, deve ser
recíproca e a vida conjugal se baseia na confiança mútua. Vemos que aderem às normas
antigas, porém com alguns valores novos e são esses valores que se embatem com a
interpretação sexista da norma oficial. Tais valores novos dizem que, diferente das normas
antigas, a mulher está pensando do mesmo modo que os homens, em se tratando de
fidelidade.
A mulher adotou as normas dos homens, tendo a opção de se recusar a ficar trancada
em um comportamento imposto como feminino, e com isso, afirmam os seus direitos
individuais.
Já a questão da homossexualidade é bastante distinta das anteriores, pois seu valor
ainda está sendo debatido, principalmente entre os jovens. Há uma diferença enorme entre
aqueles que consideram como certo o individuo ter a liberdade de escolher a sua orientação

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sexual, e aqueles que atribuem a Deus a escolha dos sexos. O que este autor está nos falando
é, na verdade, sobre alguns pontos importantes da socialização dos jovens e indica uma
disposição positiva da juventude em relação às instituições, de um modo geral, e
especialmente quanto à família e à escola. Entretanto, ele destaca a carência de estudos que
tratem o jovem como sujeito social, ou seja, os estudos dos processos de socialização da
juventude observam pouco o ponto de vista do jovem.
A pesquisadora Lea Paixão (2007) revela tensões existentes relacionadas ao processo
de socialização como uma responsabilidade da escola e professores ou da família. Os
professores reclamam que não conseguem avançar nos conteúdos, pois tem que ensinar
comportamentos básicos domésticos, que seriam ser um dever dos pais. De outro lado, há pais
que têm plena convicção que o processo de socialização é de inteira responsabilidade da
escola. De fato, a responsabilidade é de ambos. Fica evidente, de acordo com a pesquisa
realizada pela autora, que a escola está tendo que incluir em seu projeto pedagógico aulas de
etiqueta, ou regras de comportamento amplamente aceitos, principalmente entre as
populações de baixa renda. A maioria dos professores não aprova essa inclusão de atribuições
em suas atividades, e esperam que os alunos já ingressem na escola, para iniciar o processo de
conhecimento de ordem cognitiva, pois o papel primordial da escola é ensinar conteúdos e
não ensinar como “saber entrar e sair de lugar”, “saber falar” e nem tão pouco “saber respeitar
os outros”- etapas que seriam, segundo eles, dever da família e não dos professores e da
escola. Acredita-se em uma divisão de tarefas, conforme uma professora entrevistada, de 22
anos, que trabalha com uma classe de segunda série do ensino fundamental em Copacabana
(Zona Sul do Rio de Janeiro), que recebe crianças de favelas próximas:

Eu acho que está faltando, para o meu aluno, é o apoio da família, porque o aluno
tem vindo para a escola sem a participação, ele é jogado aqui dentro. Então fica
difícil para trabalhar a parte da aprendizagem, porque eu tenho que trabalhar a parte
formativa dessa criança. Eu não posso trabalhar a parte da aprendizagem, eu tenho
que trabalhar primeiro a formação dessa criança. [...] A família joga na escola e
delega para a escola tudo. Você vai alimentar, educar, orientar. E acho que faz parte
do nosso papel, mas em conjunto. Eu não acho que é minha função, até porque eu
penso uma coisa e a família, outra. Eu tenho uma formação e a família, outra. A
minha realidade é uma e a deles, outra. [...] Eles (os alunos) têm um conhecimento
sim; hábitos, não! Eles têm muito pouco, eles não sabem sentar, eles ficam
acocorados, eles não sabem manipular o caderno, eles não sabem virar a folha, o
caderno fica de cabeça para baixo. (Paixão, 2007, p. 224)

Podemos observar na indignação da professora em relação à família de seus alunos, o
que de fato ocorre é a insatisfação de ambos os lados. Família e escola que deveriam andar do
mesmo lado, estão em lados opostos. Estas tensões são muito mais complexas que se possa

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imaginar, enquanto não houver a participação da família na escola o resultado não será
positivo, pois o resultado final que é o aluno não conseguirá distinguir quem realmente é
responsável por ele. A indignação da citada professora está exatamente na falta de divisão de
tarefas, entre e escola e a família. O que está acontecendo é a escola ser considerada culpada
se a criança não tem hábitos sociáveis básicos como o por favor, desculpa, bom dia, e assim
por diante. Tais responsabilidades seriam o dever também dos pais ensinarem e não apenas da
escola.
Por outro lado, fica claro que a família espera que estas orientações para a
socialização aconteçam na escola. O que as professoras entrevistadas na pesquisa de Léa
Paixão desejam nesse processo é uma parceria com a família. O que não é explicado nesta
pesquisa é como fazer, ou seja, como a escola e a família podem compartilhar valores?
Para aumentar o problema ou tornar mais complexa esta situação, é preciso pensar
também na diversidade cultural da sociedade contemporânea que apresenta múltiplos
significados aos problemas sociais. Nesse sentido, acrescenta Müller (1999, p. 200) que: “à
escola foi dada a tarefa de construir o sentimento e a identidade nacional através da difusão da
história oficial, a disseminação de comportamentos, hábitos e valores próprios de sociedades
urbanizadas e modernizadas [...]”.
A escola hoje em dia recebe crianças afastada a alguns anos, na sua maioria de origem
pobre onde trazem para o universo escolar seu próprio estilo de vida, o que dificulta a
organização do universo escolar. Os tempos mudaram os arranjos familiares e os papéis da
mulher e do homem na sociedade atual, onde cada um carrega seu estilo de vida para dentro
da sala de aula. A sociedade contemporânea tem suas peculiaridades, uma delas é a rapidez
com que se dão as mudanças, pois tem que seguir um novo caminho, o que nas últimas
décadas era primordial, agora não tenha mais tanta importância, isso de dá porque a escola
mudou e família também. A transferência de funções analisadas pelas professoras
entrevistadas está relacionada com a mudança nas instâncias que se responsabilizem pela
educação das crianças e jovens, pois, antigamente o papel da escola e da família eram mais
conhecidos e aceitos por todos. Percebemos que estas mudanças ainda não foram bem aceitas
por todos os envolvidos na questão da socialização juvenil.
Como dissemos no início deste capítulo, o que os pesquisadores apontam é a
necessidade de todos os envolvidos nos processos de socialização da juventude
compreenderem que o aluno - o jovem dentro da escola - deve ser também um protagonista.
Faltam pesquisas que nos ajudem a entender melhor o que pensam os alunos.

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1.2 Juventude e diversidade cultural
De acordo com Damasceno (2008: 03) o espaço educativo tem como objetivo formar
uma juventude que construa uma relação social tanto individual quanto coletiva, pois se trata
de um espaço onde possibilita a socialização e as práticas culturais. Considera-se que o jovem
é um ator social, que não apenas absorve saberes adquiridos na escola e em suas relações
sociais, mas também, na construção da sociedade, através de críticas, posições, transgressões,
e, sobretudo uma mudança social, onde sua voz possa ser ouvida com seriedade.
Segundo Abramo (1997) existem duas vertentes, relacionadas à categoria juventude: a
geracional e classista. A primeira nos remete a geração social, onde a juventude se não andar
na linha é vista como uma anomia, um problema a ser solucionado. Sobre isto, Abramo
acrescenta:

a juventude é pensada como um processo de desenvolvimento social e pessoal de
capacidades e ajuste aos papéis adultos, são as falhas nesse desenvolvimento e ajuste
que se constituem em temas de preocupação social. É nesse sentido que a juventude
só está presente para o pensamento e para a ação social como “problema”: como
objeto de falha, disfunção ou anomia no processo de integração social; e, numa
perspectiva mais abrangente, como tema de risco para a própria continuidade social.
(ABRAMO, 1997, p. 29).

Abramo afirma que tudo é entendido como uma fase de transição, a fase da infância
para a vida adulta, e esse acontecimento é um momento específico e dramático de
socialização.
Já a vertente classista da explicação sociológica da juventude, segue outra posição
onde a mesma não faz apenas parte de uma fase anterior à fase adulta, e sim faz parte de um
quotidiano cheio de diferenças gritantes, aonde cada jovem vai se comportar à sua maneira.
Não há um padrão de comportamento juvenil, as expectativas perante a sociedade são
infinitas e cada um vai deslumbrar-se, cair, acreditar, idealizar e tirar suas próprias
conclusões, essa é a fase de sentir e tomar posições frente a tudo isso.
A pesquisa de Damasceno (2008:03) é direcionada para as camadas populares ainda
carentes de várias formas de inserção social. De acordo com esta autora, os sujeitos ouvidos
em sua investigação ainda acreditam que a escola seja a principal saída para superar a
exclusão social, o que se torna uma contradição enorme, pois se trata de um espaço onde há
vários indicadores de exclusão, seja por classe, cor, gênero, crenças diferentes. No entanto, na
socialização e trocas de experiência nesse espaço educativo, o que se coloca é a necessidade
de desconstruir a imagem do jovem pobre, ligado à marginalização ou à violência, como se

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essa fosse característica apenas desse jovem. Quanto ao jovem de classe média, o problema
da exclusão é mascarado e protegido pela sociedade. Entendemos então que ocorre muito
preconceito na forma de entender o jovem na escola.
Outro ponto importante apontado por Abramo (1997) é a necessidade do jovem ser
reconhecido como capaz de participar dos processos de investigação, negociação e invenção
de seus diretos, para que o mesmo tenha credibilidade perante a sociedade. Esta pesquisa
ressalta que a sociedade vive momentos de conflito e tensões, violência gerando mais
violência, fazendo com que o jovem absorva tudo isso, tornando-se um espelho da sociedade,
no qual esse espelho tem seu reflexo cheio de conflitos interiores e exteriores.
Damasceno (2008, p.04) apresenta uma outra questão importante no debate (nacional e
internacional) acerca da juventude atual, diz respeito à diversidade cultural. Baseada nos
autores Featherstone (1997), Hall (1997) e Candau (1997) esta autora afirma que surgem três
argumentos bem diferentes: o primeiro aponta para a diminuição da distância geográfica
através dos avanços tecnológicos, possibilitando o intercâmbio entre várias culturas e
gerações; o segundo afirma que o resgate dos valores culturais estaria sendo ameaçado pelo
consumismo dominante e colocando em risco culturas específicas; e o terceiro argumento,
seria a exclusão social que não atinge a todos por igual, acentuando os processos
discriminatórios, de racismo, de xenofobia, de manutenção de padrões sexuais. Isto tem maior
impacto nos grupos socioculturais excluídos. Neste contexto, Damasceno argumenta que os
processos educacionais levem em consideração uma sociedade cada vez mais multicultural e
com diversas formas de exclusão.
Apesar de toda dificuldade do jovem da periferia, cercado de violência, do
descompromisso do Estado, do crescente uso de drogas. Deve-se considerar também que todo
tipo de jovem tende a ser curioso, ingênuo, utópico e, acima de tudo, preocupado com a
solidariedade da comunidade. É possível reconhecer nele um sonho de uma vida melhor. E a
escola participa desse crescimento.
Com estes autores, entendemos aqui que também temos poucas pesquisas que tratam a
juventude e a diversidade cultural como questões sociais que têm impacto nas escolas.
De fato, até a década de 1990, a pesquisas educacionais não estavam preocupadas em
realizar trabalhos sobre grupos femininos, no âmbito das culturas juvenis, ou mesmo uma
reflexão sobre temas como relações de gênero e sexualidade. Foi a partir dos anos 2000,
segundo Weller (2005), que o tema juventude começa a ser discutida, estudada e
principalmente debatida pelos estudantes de antropologia, sociologia, abrindo espaço para
outros cursos, como a pedagogia, a psicologia social, a comunicação, o serviço social, a

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história, a educação física, entre outros. De acordo com a pesquisa de Weller, no período de
2000 a 2007, foi encontrado na área de ciências sociais um total de 20 dissertações e duas
teses de doutorado; na educação foram defendidas 22 dissertações e cinco teses. É preciso
então levar em consideração a existência de um número maior de programas de pósgraduação em Educação do que em Ciências Sociais. E sabemos que é nas Ciências Sociais
onde mais se trabalha temas como diversidade cultural e exclusão social.
A produção de estudos e pesquisas sobre gênero e juventude ainda é bem pequena. De
acordo com Weller (2005, p.107-126) a ausência de pesquisas sobre jovens e adolescentes do
sexo feminino está relacionada ao desinteresse instaurado pela mídia, que está voltado para
grupos juvenis preferencialmente do sexo masculino. Segundo a autora, isto se deve ao fato
de que as preferências de gênero não se constituem em um tema de grande importância para
os meios de comunicação, assim como não estão muito presentes nos estudos acadêmicos
principalmente voltados para a escola.
A ausência de estudo sobre as culturas juvenis femininas trás uma série de problemas,
como preconceito e estereótipos fazendo a desigualdade de gênero ficar mais acentuada. Para
Castro, o baixo interesse e investimento de grupos feministas na compreensão das culturas
juvenis estariam relacionados ainda “ao fato de as mulheres jovens ainda não se constituírem
em um coletivo feminista, sujeito social de pressão, sujeitos de uma cidadania ativa e juvenil
feminista” (2004, p. 298). Como a autora comenta, os interesses ligados à feminilidade ainda
estão em fase de crescimento.
Quando pensamos em ensino médio, nos vem à mente, adolescentes, juventude,
maturação, crescimento, desenvolvimento social e, consequentemente, problemas a serem
resolvidos. Ainda temos muitas perguntas sem resposta. De fato, é nessa fase da vida do
jovem estudante que há uma preparação intelectual, porém também uma preparação para a
vida adulta, quando são construídas coletivamente suas identidades. Torna-se uma busca de
saber sobre si, perguntas como: quem sou eu? O que quero fazer? Há uma busca incessante de
significados do ser homem ou ser mulher, de construção de identidade de gênero e sexual. De
acordo com o autor Dayrell (2007) é necessário que as pesquisas realizadas no ensino médio
não se detenham apenas em conteúdos considerados importantes para formação profissional
do aluno, mas que desenvolvam questões ligadas à identidade do individuo, que serão
refletidas, de modo positivo ou não, em futura escolha tanto profissional quanto pessoal. Para
tanto, afirma este autor, devemos procurar encontrar os sentidos atribuídos pelos próprios
jovens à vida e, em particular, à escola.

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Em estudo realizado por Grösz (2008) ficou claro que a categoria gênero quase não é
discutida no ambiente escolar, apesar de ser reconhecido que as desigualdades de gênero estão
visíveis. Segundo Grösz:
Essas desigualdades, sobretudo a de gênero, não se constituem num „problema‟ para
a escola que deva ser „resolvido‟ imediatamente. Ela parece estar tão naturalizada,
assimilada e internalizada nos/as professores/as, no cotidiano da escola, na
organização e normas estabelecidas, que mesmo percebida em algumas faceta, ela
não está „incomodando‟ o status quo da escola. Uma articulação entre as categorias
raça, etnia, gênero e classe social tampouco é realizada. Cada uma delas é percebida
como um marcador social individual, que não se cruza e que é trabalhado
separadamente, em forma de projetos (2008, p.138).

Uma das maiores dificuldades apontada por Grösz (2008) é a falta de qualificação dos
professores/as, o que impossibilita uma percepção mais ampla na produção das desigualdades
de gênero. Este autor acentua que é comum vermos professores reproduzirem seus
preconceitos de gênero. Logo, o que se espera da menina ou do meninão são comportamentos
imutáveis.

Deste modo há uma naturalização das diferenças, o que apresenta alguns

problemas como veremos a seguir. Luana (2009, p. 115) realizou uma pesquisa em uma
escola pública em Vitória-ES, na qual constatou que:

Bom comportamento é visto como uma característica feminina, e, portanto, rejeitada
pelos estudantes do sexo masculino que “sentem a necessidade de se distanciar da
imagem do bom aluno, acreditando que quando se distanciam dessa imagem
guardam uma “esperteza”, uma certa vivacidade, se aproximando da imagem de
“jovens astutos” (SANTOS, 2009, p. 115).

A discriminação existente nas escolas se dá aos papéis atribuídos para os
homens e mulheres, evidenciando a fragilidade como uma característica feminina,
enquanto que o homem é exaltado por sua masculinidade. Isto se torna questionável,
pois os jovens estão no mesmo ambiente, mas se sentem em mundos diferentes. Em
geral, aos alunos são permitidas certas coisas diferentes daquelas permitas às alunas.
Acabar com o silêncio e o tabu em torno das questões de gênero e sexualidade requer
professores/as, gestores/as preparadas para lidar com conflitos pertinentes ao tema no
cotidiano. Uma sociedade machista e/ou homofóbica, na qual a discriminação é clara,
deveria ter no ambiente escolar um espaço para a crítica e não apenas para a
reprodução dos preconceitos.
Podemos concluir que onde há diversas culturas, há vários mundos diferente, que se
não forem trabalhados, continuaram a perpetuar mais preconceito em relação ao gênero e
sexualidade dentro ou fora do âmbito escolar.

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Capítulo 2. Normatizando a sexualidade nas escolas de ensino médio
Entre os vários pontos presentes no tema da diversidade cultural associada à
juventude, destacamos dois: gênero e sexualidade. Veremos neste capítulo os compassos e
descompassos entre as orientações oficiais para o ensino médio e o cotidiano escolar, no que
diz respeito à normatizações escolares para o ensino médio.

2.1. As normatizações e os preconceitos dentro das escolas

Segundo Carvalho (1999-2006), as pesquisas realizadas sobre juventude empregando
as categorias gênero e sexualidade começaram a surgir a partir da segunda metade dos anos de
2000. Se comparado ao tema “juventude e relações de gênero no ensino médio”, o conjunto
de trabalhos sobre sexualidade, que tomam a escola como lócus da pesquisa, é bem maior. No
geral, as escolas tratam dos conceitos gênero e sexualidade através de temas como a educação
sexual, que englobam a sexualidade na escola, a gravidez precoce, a homossexualidade ou a
homofobia na escola.
Do ponto de vista da normatização dos processos escolares, os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs), instituídos pelo governo federal em 1997, fez com que a
educação sexual se tornasse conteúdo obrigatório, sendo tratado como tema transversal em
todas as etapas da escolarização. Observamos que a maioria das pesquisas realizadas está
voltada para a gravidez na adolescência dos jovens brasileiros. As pesquisas realizadas pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) mostram que as
jovens possuem “estratégias de coerção sexual para obter sexo de seus parceiros”, onde de
certa forma está ligado ao tema gravidez na adolescência. Segundo Fabíola Cordeiro (2008),
mesmo que os estudos não sejam muitos, aqueles que trabalham a questão de gênero apontam
outros problemas:

Em geral, as mulheres têm sido os sujeitos privilegiados nos estudos sobre gênero e
violência. Pouco se sabe sobre as motivações, os sentidos e as representações que
informam as práticas e vivências masculinas envolvendo, por exemplo, sexo contra
vontade, seja como agente ou como alvos de constrangimento” (2008, p. 02).

Nesse sentido, a autora analisou relatos de jovens de ambos os sexos sobre situações
em que travaram contatos e/ou intercursos sexuais contra vontade e em que haviam se

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utilizado de estratégias de coerção sexual para obter sexo de seus parceiros. A autora conclui
que

os homens aparecem como agentes e alvos das estratégias de coerção constitutivas
dos processos locais de negociação em torno do exercício sexual. Tal afirmação não
implica questionar a condição de vulnerabilidade das mulheres, sobretudo, às
violências mais graves e praticadas por parceiros íntimos ou às variadas articulações
entre violência e masculinidade na cultura brasileira. Ela revela a complexidade das
dinâmicas que engendram as relações de poder entre os gêneros, evidenciando o
equívoco de reduzi-las a uma oposição simplista agressores/homens x
vítima/mulheres.

Fica claro, através da pesquisa, que os estereótipos de mulheres como sexo frágil e de
homens fortes está caindo em desuso, pois já foi demonstrado que nem sempre o agressor é o
homem.
Por sua vez, as Orientações Curriculares Nacionais (OCNs) recomendam que os
conteúdos da disciplina Sociologia no ensino médio desnaturalizem os problemas sociais,
para que os alunos possam desenvolver o pensamento crítico. Acredita-se que assim, o aluno
terá a possibilidade de olhar criticamente o seu próprio cotidiano. Sobre este assunto, Bastos
(2003), propõe a construção de um novo ethos no ambiente escolar, dizendo que a disciplina
sociologia não deveria ser a única responsável para lidar com este problema, sugerindo um
tratamento interdisciplinar, dentro da grande área de Humanas. Não se pode perder de vista
que questões de gênero exercem fortes apelos na atenção dos alunos de ensino médio. Alguns
autores afirmam que é possível observar a curiosidade dos alunos, pois todos querem debater
e entender seu lugar no mundo, o que inclui discutir o papel do homem, da mulher e suas
diferenças que são socialmente construídas. Porém, ainda temos escolas que não conseguem
fazer isso.
Esta mesma autora nos chama a atenção para a prática pedagógica utilizada na escola
quanto ao tema gênero. A grande dúvida é como articular este tema à teoria sociológica, de
modo adequado ao ensino médio ou fundamental.
Outro aspecto importante desta questão, ainda segundo a mesma autora, é como obter
tal desconstrução de mitos, de ideologias, de senso-comum no ambiente escolar. Verifica-se
que a escola é repleta de preconceito, e é neste ambiente que o aluno tenta construir sua
identidade social. O sociólogo Pierre Bourdieu (citado por Bastos, 2003, p. 254), que já havia
identificado nas escolas uma associação ao masculino, e uma desvalorização do feminino. A
autora chama a atenção para que os docentes de sociologia possam fazer um debate
pedagógico, que inclua as relações de poder na sociedade como todas as diferenças de gênero

16

que estão presentes nas relações sociais, portanto, no interior da escola. Estes professores
precisariam rever seus modos de pensar, de agir, de compreender, de absorver, de impor-se,
para lidar com diferentes comportamentos.
Ao estudar o papel do professor, Paulo Freire rebate o modelo que é utilizado na maior
parte das escolas, onde o aluno não é estimulado a questionar, mas sim a repetir. Tal modelo é
baseado na memorização e na fragmentação do conhecimento especializado. Em seu livro
Pedagogia do Oprimido traz uma crítica a este modelo no qual, o docente detém o
conhecimento e seu papel é transmiti-ló, como se o aluno fosse um pote vazio e o qual fosse
preciso ser cheio. Isso dificulta a reflexão e a construção de opinião própria do aluno. Assim,
podemos entender que os preconceitos tendem a se reproduzirem. De acordo com o autor este
modelo de educação privilegia a manutenção da ordem. Segundo Freire,

A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a
libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres vazios a
quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência
especializada, mecanicisticamente compartimentada, mas nos homens como “corpos
conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode
ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas
relações como o mundo (FREIRE, 2005, p. 77).

A Sociologia pode e deve contribuir para as várias perguntas, na sua maioria sem
resposta, para o indivíduo em relação a este mundo, a Sociologia fica com a tarefa de debater
na escola e contribuir para criar um novo ethos na escola, é preciso estimular nosso aluno a
fazer parte dessa mudança onde os padrões são questionados e reavaliados, onde um tema
como gênero possa aguçar a imaginação sociológica do aluno sem preconceitos, onde o
questionamento é permitido como também a possível solução para tais problemas advindos no
ambiente escolar e que o aluno tenha satisfação de fazer e experimentar o diferente, o que não
significa que será o errado. Portanto, entendemos que a Sociologia no ensino médio pode vir a
ser um espaço de discussão para entendermos alunos e professores como sujeitos do espaço
escolar.
Mesmo diante da grande repercussão deste livro no Brasil, nos anos 1970, este tipo de
compreensão do processo escolar, ainda nos dias atuais, não é muito aplicado. Como já
dissemos anteriormente, ainda faltam muitas pesquisas que expliquem, de modo abrangente, o
que são e o que querem os sujeitos que fazem a escola.
Do ponto de vista das políticas públicas para a educação, várias ações foram feitas no
Governo de Inácio Lula da Silva, em 2005, de acordo com a autora Swamy de Paula (2013).
Foram criadas políticas públicas que priorizavam a juventude e sua diversidade, uma delas

17

ganhou o destaque intitulada como ProJovem - Programa Nacional de Inclusão de Jovens,
onde um dos maiores desafios do governo era fazer com que o Estado interagisse construindo
uma política sólida para a juventude brasileira, como também fazer com que esses
mecanismos de política fossem institucionalizados. A intenção do programa era alcançar a
juventude pobre, sem vínculo formal de trabalho, situado em centros urbanos e com baixa
escolarização, o que não é difícil de encontrar nas capitais de todo país. O objetivo era fazer o
jovem concluir o ensino fundamental, preparar-se para o mundo do trabalho, através de cursos
profissionalizantes, e aumentar o vínculo de ações de cidadania em sua comunidade.
De acordo com a Lei nº. 11.129, de 30 de junho de 2005, fica evidenciado que o
ProJovem foi apresentado como um programa experimental, tendo como

finalidade e

objetivo bem específico:
proporcionar formação integral ao jovem, por meio de uma efetiva associação entre:
a) elevação da escolaridade, tendo em vista a conclusão do ensino fundamental; b)
qualificação com certificação de formação inicial e c) desenvolvimento de ações comunitárias de interesse público. Como objetivos específicos, são mencionados: a) a
reinserção do jovem na escola; b) a identificação de oportunidades de trabalho e capacitação dos jovens para o mundo do trabalho; c) a identificação, elaboração de
planos e o desenvolvimento de experiências de ações comunitárias e d) a inclusão
digital como instrumento de inserção produtiva e de comunicação (BRASIL, 2005,
p. 13).

De fato sabemos que a intenção do Governo é plausível, no entanto o jovem pobre tem
suas particularidades, o fato de pertencer à classe desfavorecida não significa que todos são
desfavorecidos da mesma maneira. A dificuldade maior está na diversidade desse perfil, como
abranger a todos de forma positiva se, na realidade, são tão desiguais? De acordo com sua
própria posição na sociedade, sua identidade, sua vida já está traçada, por ser pobre já está
estigmatizado, já carrega consigo uma série de suposições decorrentes de sua condição
econômica, então para que isso seja amenizado os profissionais da área, no caso, os
professores de jovens carentes, precisam está preparados para a árdua tarefa de fazer sua vida
escolar ter um rumo diferente de sua realidade, ajuda-los a construir sua identidade social, ter
um olhar diferenciado sobre as modificações de seu comportamento, o projeto para conseguir
êxito precisa trabalhar em cima da vida social do jovem, sua vida cotidiana, a dificuldade de
ser diferente, por está em um patamar visto como atrasado, diferenciado e até vergonhoso
para eles. Vemos aqui que as diferenças sociais e econômicas entre os jovens geram situações
diferentes quanto à sua identidade cultural e também quanto à sua disponibilidade ou interesse
em relação à escola formal, mas apesar de toda dificuldade vivida desses jovens ainda é
possível vê o interesse em alcançar objetivos como estudo e uma profissão. A diferença de

18

gênero é observada por Swamy de forma bem interessante, além de existir diferença em ser
intitulado como jovem dependendo de sua condição financeira, as mulheres estão
participando e concluindo o curso de forma positiva, enquanto que a evasão escolar é mais
acentuada entre os homens, alguns por terem que sustentar a família e outros por não
acreditarem que é possível mudar de vida.
O PROJOVEM ainda está em fase de maturação, tem muita coisa a ser feita, a ser
considerada, uma delas a diversidade existente nos jovens brasileiros, uma realidade que
precisa ser explorada em conjunto com os municípios e estados.
Voltando ao ensino médio regular, sobre o qual a maioria das pesquisas aqui
apresentadas foram feitas, e onde se concentra a maior parte dos jovens brasileiros, a política
educacional do governo federal também pode ser criticada do ponto de vista das
normatizações em vigor.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – Pluralidade Cultural:
Orientação Sexual (2001), o debate sobre a inclusão da temática da sexualidade no currículo
das escolas de primeiro e segundo graus se intensificou a partir da década de 70. Há registros
de discussões e de trabalhos desde a década de 20, conforme a retomada contemporânea dessa
temática, junto com os movimentos sociais se propôs, com a abertura política, a repensar
sobre o papel da escola e dos conteúdos por ela trabalhados.
Foi a partir dos anos 1980, que a demanda de trabalhos na área da sexualidade nas
escolas aumentou devido à preocupação dos educadores com o grande crescimento da
gravidez indesejada entre as adolescentes e com o risco da contaminação pelo HIV (vírus da
AIDS) entre os jovens. A princípio, acreditava-se que as famílias apresentavam resistência à
abordagem dessas questões no âmbito escolar, mas atualmente sabe-se que os pais
reivindicam a orientação sexual nas escolas, pois reconhecem não só a sua importância para
crianças e jovens, como também a dificuldade de falar abertamente sobre o assunto em casa
(PCNs).
A orientação sexual na escola, de acordo com os PCNs deve ser uma ferramenta de
estudo, para trazer problemas à tona, levantar questionamentos e ampliar o leque de
conhecimentos e de opções para que o aluno, ele próprio, escolha seu caminho. A Orientação
Sexual não diretiva proposta será circunscrita ao âmbito pedagógico e coletivo, não tendo,
portanto caráter de aconselhamento individual de tipo psicoterapêutico. Isso quer dizer que as
diferentes temáticas da sexualidade devem ser trabalhadas dentro do limite da ação
pedagógica, sem serem invasivas da intimidade e do comportamento de cada aluno. Tal

19

postura deve inclusive auxiliar as crianças e os jovens a discriminar o que pode e deve ser
compartilhado no grupo e o que ser mantido como vivência pessoal.
Alguns conteúdos foram selecionados de acordo com a vivência da sexualidade em
cada indivíduo incluindo fatores de ordens distintas: aprendizado, descoberta e invenção.


Relevância sociocultural;



Consideração às dimensões biológicas, psíquica e sociocultural da sexualidade;



Possibilidade de conceder a sexualidade de forma saudável, prazerosa e
responsável.

Com ajuda desses critérios, os conteúdos foram organizados em três blocos:


Corpo: matriz da sexualidade.



Relações de gênero.



Prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis/ AIDS.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais, dizem que os conteúdos de Orientação Sexual
podem e devem ser flexíveis, de forma a abranger as necessidades específicas de cada turma a
cada momento. Podem-se encontrar programas de Orientação Sexual, no qual inclui tópicos
como pornografia, prostituição, abuso sexual, métodos contraceptivos, desejo sexual,
masturbação entre outros. Tais conteúdos devem possibilitar a abordagem dos diferentes
assuntos, que variam de acordo com a faixa etária, cultura regional e fatos contemporâneos
veiculados pela mídia ou vividos por uma dada comunidade. O desafio que se coloca é o de
dar visibilidade a esses aspectos, considerada fundamental; porém, há uma estreita ligação
entre eles, o que forma uma unidade coerente com a concepção de sexualidade adotada. Ou
seja, novamente os estudos apontam para a falta de pesquisas sobre a forma como questões
como gênero e sexualidade são trabalhadas nas escolas, embora nas universidades sejam
encontradas várias referências.

2.2 As fontes de informação sobre sexualidade não estão na escola

Como o tema da sexualidade, de modo geral, não é discutido apenas dentro da escola,
as pesquisadoras Santos e Silva (2008) analisaram duas revistas que discutem a formação e
valores entre os jovens. As revistas Capricho e Todateen foram o objeto de estudo analisado
pelas professoras Daniela Barsortti e Rosalina Carvalho (2008) sobre a publicação intitulada

20

(Ideais de mulher) estética, visão de corpo e relações afetivo-sexuais veiculadas pela mídia
escrita em revistas direcionadas ao publico jovem no contexto brasileiro. De imediato,
observamos a mudança da relação tempo-espaço onde a chegada da globalização trouxe uma
modernidade tardia alterando de modo significativo toda nossa relação social e principalmente
à identidade dos jovens entrando na fase de incertezas, descobertas, acabam adquirindo
receitas de estilo de vida. Através da mídia, são divulgados verdadeiros manuais de como
construiu sua própria identidade. É comum adolescentes seguirem tais manuais para assim
serem iguais aos demais, pois sendo “iguais”, serão aceitos no meio que vivem.
Há vários estudos no qual trás a mídia como uma das principais influências na vida do
jovem brasileiro. Barsortti e Carvalho mostram alguns estudos interessantes sobre o assunto,
como as pesquisas de Ribeiro e Moore (2002) e Serra e Santos (2003) que estudaram como a
saúde reprodutiva é discutida por seções das revistas Capricho e Querida, dirigidas ao público
jovem. O estudo dá ênfase ao caráter normativo que algumas matérias das revistas possuem
em relação aos comportamentos sexuais e práticas de sexo seguro. Outros estudos mostram
que, além de normativas, as informações mostravam-se ambíguas, como no caso estudado por
Serra e Santos (2003), no qual fizeram uma análise dos conteúdos de uma revista para
adolescentes que abordava as práticas alimentares de emagrecimento.
Sabemos que a mídia tem uma participação enorme no processo identitário dos jovens,
porém tal realidade ainda possui um espaço para reflexão dos jovens. O objetivo da pesquisa
foi discutir as ideias de feminilidade, os modos e formas previstas para a mulher,
considerando aspectos ligados à sexualidade, à saúde sexual e as relações entre gêneros. As
revistas Capricho e Todateen, pesquisadas por Barsortti e Carvalho (2008), são direcionadas
para adolescentes e possuem manuais, guias de conduta. Costumam sugerir, por exemplo,
como a garota deve fazer para beijar bem, ou oferecem dicas para as bocas virgens com
finalidade de satisfazer de maneira positiva os garotos. É interessante pensar que, ainda nos
dias atuais, existam condutas comportamentais extremamente machistas, ambas as revistas
intitulam algum manual ou receita para os garotos. Nesta abordagem, foi discutido o
significado de “amasso” e ficou clara a diferença entre os pontos de vista dos meninos e das
meninas. A opinião dos meninos não está vinculada a sentimentos ou laços afetivos. Enquanto
as meninas entendem que o amasso está relacionado ao “tesão”. Elas se preocupam em fazer
ou não por receio de serem julgadas, pois tudo está ligado ao sentimento, pensamento este que
vem se arrastando pela cultura, onde o romantismo pertence ao mundo feminino.
Várias matérias publicadas pelas revistas, tais como prevenção, iniciação sexual, de
fato trás pontos negativos e positivos, como ficar atento à visita ao ginecologista, lembrar que

21

o uso do preservativo está ligado não só a DSTs, mas também uma gravidez indesejada,
porém isso tudo tem que partir da menina, como se a responsabilidade fosse exclusividade
sua, e não dos meninos. Por outro lado, as revistas chamam a atenção para a autonomia do
próprio corpo, em contra partida não estimulam um dialogo entre os sexos. O que existe na
verdade é um monologo, no qual é exposto a opinião exclusiva dos meninos, e um espaço
bem reduzido onde é exposto o ponto de visto das meninas.
Podemos observar que há um embate entre ideais de feminilidade, aspectos da
sexualidade, saúde sexual e relações entre gêneros, diferentes tipos de ideias em que a
masculinidade e o ideal masculino são postos em evidência. Na relação de gêneros há uma
valorização heterossexual, a relação monogâmica duradoura, destacando a valorização do
amor romântico para as mulheres. As relações entre homens e mulheres estão ligadas há
padrões que ainda persistem nos dias atuais, tais relações não conseguiu acompanhar a
modernização. Com o pensamento moderno, tivemos mudanças histórico-culturais
significativas ao longo dos tempos, isso é um fato, porém certos padrões e preconceitos ainda
são reproduzidos em ambos os gêneros.
Os autores acima demonstram que a sexualidade não é bem trabalhada nas escolas e
que outras fontes de informação extraclasse são também importantes para a compreensão
escolar do problema. Este tema precisa ser trabalhado melhor, uma vez que a educação sexual
está prevista no PCN‟s e costuma fazer parte dos projetos pedagógicos das escolas. Os autores
defendem que o tema da sexualidade seja mais trabalhado nas escolas, tentando diminuir as
curiosidades e dúvidas que possam existir na vida sexual dos adolescentes ou jovens. De
acordo com a pesquisadora Ivana Carla, na década de 1990, a preocupação dos educadores
quanto à inserção de um programa de Orientação Sexual no currículo escolar se intensificou.
Em 1996, é lançado pelo Ministério do Desporto e Educação um documento sobre a
Orientação Sexual – no âmbito dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN‟s -, como tema
transversal, visando ser um referencial fomentador da reflexão sobre os currículos escolares,
uma proposta aberta e flexível, que pode ou não ser utilizada pelas escolas na elaboração de
suas propostas escolares. Os professores se detêm nos aspectos mais ligados a questões
biológicas de anatomia e reprodução, e costumam deixar duvidas nos alunos. Desta falta de
informação decorre certa facilidade para as piadas, brincadeiras, comentários preconceituosos,
estimulados pela ausência de uma discussão dentro da escola que apresente pontos de vista
críticos sobre a questão de gênero e sexualidade, fato reconhecido dentro da própria
normatização.

22

[...] Essa abordagem normalmente não abarca as ansiedades e curiosidades das
crianças, nem o interesse dos adolescentes, pois enfoca apenas o corpo biológico e
não inclui a dimensão da sexualidade. [...] (BRASIL/MEC, 1999, p.292).

Concluímos que existe um relativo impasse entre as normatizações sobre os temas
trabalhados no ensino médio, no que diz respeito à sexualidade e ao gênero e que os jovens
estudantes ainda estão longe de serem os protagonistas nos estudos e pesquisas sobre o tema,
ainda que seja uma recomendação dos Parâmetros Curriculares Nacionais. A escola junto
com seus docentes ainda tem certa dificuldade em trabalhar na sala de aula temas como
gênero e sexualidade. No entanto, através de políticas publicas e qualificação dos professores(
com atualização bibliográfica), os alunos se sintam motivados a prestar mais atenção nestes
temas.

23

Capítulo 3- Gênero e a sexualidade nos livros didáticos de sociologia
Neste capítulo foi feita uma análise documental, com recurso da análise de conteúdo,
dos livros didáticos adotados no ensino médio, entre 2012-14, a partir da seleção das palavras
gênero, sexualidade e família (ou arranjos familiares), para identificarmos o espaço ou a
importância que as questões de gênero e sexualidade ocupam nos livros de Sociologia. Estes
livros são distribuídos através da política pública Plano Nacional do Livro Didático-PNLD.
Portanto, os documentos estudados foram os livros didáticos e os conteúdos que foram
analisados foram selecionados através da identificação das palavras e da frequência com que
aparecem.
Vale lembrar que o livro didático de Sociologia deve conter os conteúdos de Ciências
Sociais. E ambos os livros não tratam igualmente dos conteúdos de antropologia, ciência
política e sociologia. Esta última é a que aparece mais vezes.
Como o livro de Sociologia nas escolas é um fato recente, já começam a aparecer
várias críticas, como a de Simone Meucci (2013) onde é feita uma análise abrangente dos
livros. A autora destaca sua importância: “(...) os livros não se constituem apenas como
ferramenta de ensino e aprendizado, mas também como bem cultural, matriz curricular e
instrumento de formação docente” (2013, p. 75).
Meucci identifica nos livros didáticos em uso no país, “dois tipos de sentidos
atribuídos à sociologia escolar. 1) prescrição de conduta politicamente correta, 2) denúncias
das injustiças da sociedade atual” (2003, p. 76). A autora demonstra que isto pode trazer
problemas para a sala de aula, já que estes sentidos podem ser entendidos de muitas maneiras.
Ela conclui que nestes livros faltam os conteúdos das pesquisas atuais que são feitas dentro
das Ciências Sociais, nas universidades.
Nesta monografia temos como objetivo investigar de que maneira estes temas - gênero
e sexualidade - são ou podem ser trabalhados nas salas de aula com o uso do LD. Os capítulos
foram localizados a partir da identificação destas palavras nos temas centrais, conceitos e
palavras-chave especificadas no manual do professor (MP).
A partir de uma primeira leitura para termos uma visão geral das obras, identificamos
que as questões de gênero e sexualidade, quando aparecem, estão ligadas ao conceito de
família e de desigualdade social. Como nosso referencial teórico identifica estes temas como
importantes para entendermos os processos de socialização, procuramos suas relações tanto
com a família quanto com a escola. Desta primeira seleção, partimos para a sistematização do

24

uso destes temas no livro do aluno (LA) e no manual do professor (MP), que juntos formam a
obra chamada livro didático, conforme demonstramos a seguir nos quadros 1 e 2.
Conforme o Guia do Livro Didático (MEC/INEP/PNLD, 2012), o livro Tempos
Modernos, Tempos de Sociologia de autoria de Helena Bomeny e Bianca Freire-Medeiros
apresenta uma abordagem bastante original, parte do livro consiste em apresentar os
conteúdos da teoria sociológica, mobilizando o cinema como recurso principal.
Na descrição geral desta obra, no Guia (2012, p. 28) afirma-se que:

A partir das cenas descritas do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, o livro
introduz alguns dos conceitos e teorias fundamentais das Ciências Sociais que
procuram analisar ações, pensamentos e sentimentos típicos da vida urbana
industrial moderna.
O livro estabelece uma homologia entre o cinema e as Ciências Sociais, os apresenta
como modalidades distintas de consciência da vida social moderna, dando ênfase na
utilização de autores pouco usuais da teoria social, tais como Simmel, Foucault,
Walter Benjamim e Tocqueville, alem das sínteses dos clássicos, Weber, Max e
Durkheim.

Quadro 1- Frequência das palavras família, gênero e sexualidade no livro didático

Tempos Modernos, Tempo de Sociologia. Livro do Aluno (LA) e Manual do Professor
(MP).
Palavra
investigada
Capítulo 12
Temas
centrais
(MP)
Conceitos e
palavraschave (MP)
Objetivos
(MP)

Família (ou arranjos familiares)
Título: Brasil, mostra tua cara!
Desigualdades regionais brasileiras; as instituições sociais e o processo
de socialização (família e escola); mudança social: estrutura,
comportamento, cultura.
Cultura; desenvolvimento; IDH; PIB; urbanização; migração;
socialização; regiões metropolitanas; educação; arranjos familiares.
-Entender que, apesar da unidade territorial e linguística, o Brasil
apresenta muitas realidades distintas de prosperidade e pobreza; de
qualidade de vida nas diferentes regiões; de oferta de serviço; de
manifestações culturais etc.;
-Entender que dois dos indicadores que compõem o IDH brasileiro,
educação e saúde, tem ofertas desiguais dentro do território nacional e
que isso interfere na qualidade de vida e nas oportunidades dos cidadãos
brasileiros;
-Compreender como o processo de urbanização brasileiro, desencadeado
na década de 1950, contribuiu para modificar costumes e aspectos da
estrutura da sociedade e que a vida nos grandes centros urbanos é
permeada por inúmeros paradoxos;
-Compreender algumas alterações na vida privada dos brasileiros
(arranjos familiares) relacionadas com a urbanização e a modernização

25

Bibliografia
citada no
capítulo
(LA)

da sociedade.
IBGE
(Instituto
Brasileiro
de
Geografia
e
Estatística).
http://www.ibge.gov.br/home/. Acesso em 27/1/2008.
PRADO,
Miguel
Arcanjo.
Folha
Online
(11/4/2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u391165.shtml.
Acesso em 2/2/2009.
PROGRAMA
DAS
NAÇÕES
UNIDAS
PARA
O
DESENVOLVIMENTO (PNUD/Brasil). http://www.pnud.org.br/idh/
(com ligeiras adaptações). Acesso em 28/01/2009.

RODRIGUES, Aryon Dall`Igna. Título do artigo da Revista Ciência e
Cultura
[online],
2005,
v.57,
n.2,
p.35-38.
http://cienciacultura.bvs.br.pdf/cic/v57n2/a18v57n2.pdf. Acesso em
28/1/2009.
Bibliografia -BROCK, Colin; SCHWARTZMAN, Simon. Os desafios da educação
recomendada no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2005.
(MP)
-FIGUEIRA, Sérvulo Augusto (Org.). Uma nova família? O moderno e
o arcaico na família de classe média brasileira. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 1987.
-FRÚGOLI JR., Heitor. Sociabilidade urbana. Rio de Janeiro: Jorge
zahar, 2007.
OLIVEIRA, Lucia Lippi de. O Brasil dos imigrantes. 2.ed. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
-PEIXOTO, Clarice Ehlers(Org.). Família e envelhecimento. Rio de
Janeiro: Editora
FGV, 2004.

Ocorrência
da palavra
por tipo de
atividade
didática
(LA)

1. Monitorando a aprendizagem: apenas 1 caso entre 6 atividades
propostas.
2. Assimilando conceitos: nenhuma.
3. Olhares sobre a sociedade: nenhuma.
4. Exercitando a imaginação sociológica: toda a atividade discute os
arranjos familiares
5. Sessão de cinema: entre 3 sugestões de filmes, um diz respeito às
relações familiares

Palavra
investigada
Capítulo 16
Temas
centrais
(MP)

6. De olho no ENEM: entre os 6 exercícios do ENEM apresentados,
apenas em 1 ocorre a palavra família.
Gênero
Título:Desigualdade de várias ordens
As desigualdades sociais, de gênero e étnicas no Brasil.

26

Conceitos e
palavraschave (MP)

Igualdade/desigualdade; gênero; etnia; igualdade de oportunidade;
igualdade de condição; Estado de bem-estar social; meritocracia; justiça/
injustiça; exclusão/inclusão social; discriminação; racismo; ação
afirmativa.

Objetivos
(MP)

-Entender a centralidade do tema desigualdade para as ciências sociais;
-Entender a noção de desigualdade, sua presença em diversos campos e
o fato de que as diferentes desigualdades muitas vezes se reforçam;
-Entender as influências das desigualdades de gênero e de cor na
educação e no mundo do trabalho
-Conhecer interpretações a respeito das desigualdades étnicas no Brasil
– Gilberto Freyre, Florestan Fernandes e Oracy Nogueira;
-Conhecer o tratamento dado ao racismo pelas leis brasileiras.

Bibliografia
citada no
capítulo
(LA)

BARBOSA, Lívia. Igualdade e meritocracia: a ética do desempenho
nas sociedades modernas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999. p. 22.
FREYRE, Gilberto. Casa grande & senzala: formação da família
brasileira sob o regime de economia patriarcal [1933]. Rio de Janeiro:
Record, 1992.
FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de
classes. São Paulo: Ática, 1978. 2 vol.
GODOY, Denyse. Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2008.
HASENBALG, Carlos A. Discriminação e desigualdades raciais no
Brasil. Rio de Janeiro: Graal,1979.
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca, preconceito racial de
origem. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, vol. 19, n. 1., nov.
2006 [1983]. p. 291-292.
SCALON, Celi (Org.). Imagens da desigualdade. Belo Horizonte: Ed.
UFMG; Rio de Janeiro: Iuperj/Ucan,2004.
VERISSIMO,
Luis
Fernando.
Racismo.
Disponível
em
http://literal.terra.com.br/verissimo/. Acesso em 1/2/2009.

Bibliografia DUBET, François. As desigualdades multiplicadas. Ijuí: Editora Unijuí,
recomendada
2003.
(MP)
HASEMBALG, Carlos; SILVA, Nelson do Valle. Origens e destinos:
desigualdades sociais ao longo da vida. Rio de Janeiro: Faperj; Iuperj;

27

Topbooks, 2003.
SCHWARTZMAN, Simon. As causas da pobreza. Rio de Janeiro:
Editora FGV, 2004.
SEM, Amartya. Desigualdade reexaminada. Rio de Janeiro; São Paulo:
Record, 2001.
Ocorrência
da palavra
por tipo de
atividade
didática
(LA)

1. Monitorando a aprendizagem: apenas 2 casos entre as 5 atividades
propostas.
2. Assimilando conceitos: nenhuma.
3. Olhares sobre a sociedade: nenhuma.
4. Exercitando a imaginação sociológica: parte de atividade questiona a
desigualdade de gênero.
5. Sessão de cinema: nenhum.
6. De olho no ENEM: nenhum.

Entre os 20 capítulos que compõem este livro didático, intitulado “Tempos Modernos,
Tempos de Sociologia”, foi identificada a ocorrência das palavras família, gênero ou
sexualidade em apenas dois capítulos, como mostra o quadro acima. Esta baixa frequência nos
indica que existem poucas oportunidades para alunos e professores ainda que os mesmos
estejam presentes em programas de orientação sexual, dentro das escolas, os professores
precisam se qualificar, estarem preparados para lidar com tais temas, como mostra o quadro
acima quando há ocorrência das palavras nos capítulos está relacionado à desigualdade social,
discriminação e preconceito. Ou seja, as escolas não deixam de lado os temas pois trabalham
com estes programas, mas no dia-a-dia da sala de aula, eles não são muito estudados. Fica
claro que estas palavras aparecem ligadas aos temas “desigualdade social”, “relações entre
homens e mulheres” e “arranjos familiares”. Este pode ser um modo de colocar as palavras
gênero e sexualidade dentro do debate das Ciências Sociais, mas aparecem poucas vezes no
livro didático (LD) e principalmente não se referem às muitas pesquisas que são produzidas
academicamente.
Na bibliografia do capítulo 12, gênero e sexualidade são tratados como questões que
estão em mudança dentro de nossa sociedade. No capítulo 16 a bibliografia indicada para o
professor marca bem o vínculo dos temas gênero e sexualidade ao problema da desigualdade
social.

28

Quanto às atividades didáticas, as palavras selecionadas aparecem poucas vezes. Nas
duas atividades sugeridas na seção Monitorando a aprendizagem, que trabalham o conceito
gênero, uma aparece ligada ao conjunto das desigualdades sociais e a outra propõe pensar este
conceito como uma questão cultural.
Quando relacionamos os objetivos do capítulo com os temas, conforme exposto no
MP, percebe-se que o debate sobre sexualidade fica em segundo plano.
A complexidade da sociedade brasileira foi tratada neste capítulo a partir de diversos
temas: as desigualdades regionais e locais em termos de desenvolvimento econômico e social;
a diversidade cultural presente no território brasileiro; a urbanização que “redefiniu” o Brasil
nos últimos cinquenta anos e as consequências desse processo sobre os costumes dos
brasileiros, tomando como exemplo as famílias. Esta não deixa de ser uma forma interessante
de apresentar os conceitos ou temas que escolhemos estudar, no conjunto dos conteúdos de
Ciências Sociais que devem estar presentes na sala de aula de Sociologia, no ensino médio.
Conforme o Guia do Livro Didático (MEC/INEP/PNLD, 2012), o livro Sociologia
para o Ensino Médio de autoria de Nelson Tomazi traz uma visão convencional do conteúdo
das Ciências Sociais, uma das principais virtudes é a linguagem adequada para o ensino
médio.
Na descrição geral desta obra, no Guia (2012, p. 28) afirma-se que:

A obra traz uma visão convencional do conteúdo das Ciências Sociais. Uma de suas
principais virtudes é a linguagem adequada para o ensino médio. A adequação
textual é ainda complementada pelo cuidado gráfico da edição, cuja diagramação,
definição de cores e excelência na reprodução de imagens zelam pelo bem-estar
visual. Ainda que essa não seja a qualidade mais reclamada de um livro didático, é
inegável que a excelência editorial somada à adequação do texto torna mais atrativo
o conteúdo, auxiliando na aproximação do aluno com o conhecimento sociológico.
Devemos destacar, ainda, as sugestões pertinentes de livros e filmes contidas no
livro (sempre acompanhadas de boas sínteses) e o recurso a poesias, letras de
músicas e excertos de textos bem selecionados.

Quadro 2- Frequência das palavras família, gênero e sexualidade no livro didático
Sociologia para o Ensino Médio. Livro do Aluno (LA) e Manual do Professor (MP).
Palavra
investigada
Capítulo 2
Temas
centrais
(MP)
Conceitos e

Família
Tìtulo: O processo de socialização
A sociedade dos indivíduos

O que nos é comum; as diferenças no processo de socialização; tudo

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palavraschave (MP)
Objetivos
(MP)

começa na família.
Incentivar os alunos a observar que a vida particular está vinculada à
sociedade e que o dia a dia das pessoas se relaciona a acontecimentos
próximos e distantes, no tempo e no espaço.

Bibliografia
citada no
capítulo
(LA)

A imaginação Sociológica, de Charles Wright Mills. Zahar.
“Contradições de classe”, em Dialética e Capitalismo, de Octávio Ianni.
Vozes.
O Mito do Herói Nacional, de Paulo Miceli. Contexto.

Bibliografia DUBAR, Claude. A socialização: construção das identidades sociais e
recomendada profissionais. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
(MP)
ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar,
1994.

Ocorrência
da palavra
por tipo de
atividade
didática
(LA)

NETTO, J. P., CARVALHO, M. C. Brant. Cotidiano: conhecimento e
critíca. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1994.
1. Cenário da sociabilidade contemporânea: nenhum.
2. Para refletir: nenhum.
3. Para organizar o conhecimento: nenhum.
4. Livros recomendados; nenhum.
5. Sugestão de filmes: entre 3 sugestões de filmes, um diz respeito às
relações familiares na contemporaneidade.

Ao analisar os capítulos do livro didático “Sociologia para o ensino médio” de
Tomazi, só no capítulo 2 são mencionadas as relações familiares, inseridas no contexto de
socialização, mas nada muito profundo. Como mostra o Quadro 2, as palavras gênero ou
sexualidade não são exploradas em nenhum dos capítulos. Isto reforça mais uma vez a falta de
pesquisa nos temas gênero e/ou sexualidade na bibliografia do LD. Entendemos que o (a)
aluno (a) pode ser o mais prejudicado, pela falta de oportunidades em sala de aula para
conhecer tantas pesquisas que são feitas hoje sobre o assunto.

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Neste livro, tanto a bibliografia quanto as atividades didáticas não são o suficiente para
abranger o assunto sobre as relações familiares. Porém, o manual do professor traz uma
proposta de projeto bem interessante intitulado “Os jovens e as diferenças” que pretende
apresentar as diferenças de gênero, etnia, religião, tipo físico, faixa etária, mentalidade,
condição física e outras, incluindo as de estilo e visão de mundo. É intrigante o fato disso não
ser exposto ao longo dos conteúdos do capítulo. De forma geral, o livro didático consegue seu
propósito, que é fazer com que o aluno tenha capacidade de desnaturalizar e estranhar aos
acontecimentos que os rodeiam, no entanto com relação às palavras gênero e sexo analisado
quanto sua não ocorrência nos capítulos, é que nos faz pensar de que forma estes temas
possam ser trabalhados na sala de aula.

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Capítulo 4 - Observações finais

Ao concluir este trabalho que tem como objetivo discutir a forma de tratamento dado
aos temas gênero e sexualidade nos livros didáticos adotados pelas escolas públicas de ensino
médio, no período 2012-14, situamos estes temas no debate sobre juventude, escola,
socialização e diversidade, assim como observamos as normatizações escolares. A
metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental com análise de
conteúdo. É importante lembrar, como afirma Meucci (2013, p. 76) que o livro didático não
serve apenas como ferramenta de ensino e aprendizado, mas como bem cultural. Se o jovem
do ensino médio conhecer mais pesquisas em Ciências Sociais, ele pode ficar mais disposto
para enfrentar os desafios de um mundo tão complexo cheio de mudanças, e isso faz com que
a sociologia escolar seja essencial na vida do jovem adolescente. É através desta disciplina
que os conteúdos da sala de aula podem ser orientados pelas inúmeras pesquisas que são
produzidas hoje, nos centros acadêmicos de Ciências Humanas.
No que se refere à juventude e escola, quando pensamos em ensino médio, nos vem à
mente, adolescentes, juventude, maturação, crescimento, desenvolvimento social e,
consequentemente, problemas a serem resolvidos. Ainda temos muitas perguntas sem
resposta. De fato, é nessa fase da vida do jovem estudante que há uma preparação intelectual,
porém também uma preparação para a vida adulta, quando são construídas coletivamente suas
identidades. E a escola, com certeza, tem sua grande parcela de participação entre tudo o que
pode fazer esta juventude.
Quanto à socialização dos jovens, fica indicada na bibliografia uma disposição
positiva da juventude em relação às instituições, de um modo geral, e especialmente quanto à
família e à escola. Entretanto, ele destaca a carência de estudos que tratem o jovem como
sujeito social, ou seja, os estudos dos processos de socialização da juventude observam pouco
o ponto de vista do jovem. Dai a importância de estudarem mais sobre gênero e sexualidade.
A discriminação existente nas escolas se dá aos papéis atribuídos para os homens e
mulheres, evidenciando a fragilidade como uma característica feminina, enquanto que o
homem é exaltado por sua masculinidade. E esta não é uma forma contemporânea de pensar

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sobre a juventude e toda a sociedade, como nos mostram as pesquisas em Ciências Sociais, e
é uma reafirmação de preconceitos.
Isto se torna questionável, pois os jovens estão no mesmo ambiente, mas se sentem
em mundos diferentes. Em geral, aos alunos são permitidas certas coisas diferentes daquelas
permitas às alunas. Acabar com o silêncio e o tabu em torno das questões de gênero e
sexualidade requer professores/as, gestores/as preparadas para lidar com conflitos pertinentes
ao tema no cotidiano escolar. Uma sociedade machista e/ou homofóbica, na qual a
discriminação é clara, deveria ter no ambiente escolar um espaço para a crítica e não apenas
para a reprodução dos preconceitos. Podemos observar diversidade cultural presente nas
escolas as quais acolhem diversos tipos de jovens, e esta precisa de um olhar mais atento.
Existe um relativo impasse entre as normatizações sobre os temas trabalhados no
ensino médio, no que diz respeito à sexualidade e que os jovens estudantes ainda estão longe
de serem os protagonistas nos estudos e pesquisas sobre o tema, o que nos aponta para um
longo debate para um futuro próximo.
Entendo que este trabalho comprova à falta de referência à pesquisa no tema gênero
e/ou sexualidade nos livros didáticos, onde o mais prejudicado é certamente o aluno do ensino
médio e o seu professor. Aos alunos, caberá procurarem esclarecimentos fora da escola, o que
pode ser contraditório: o aluno se interessa pelo assunto, mas a escola não dá muito espaço
para isso; existe a possibilidade de que se o aluno encontrasse assuntos interessantes na
escola, ele iria gostar mais e participar mais da escola.

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REFERÊNCIAS
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Educação, Secretaria de Educação Básica, 2011.

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de Sociologia. Editora Brasil, 2010.

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brasileiros. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Saúde
Coletiva (PPGSC), do Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio
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http://www.anpae.org.br/simposio2011

- TOMAZI, Nelson. Sociologia para o Ensino Médio. 1 ed. SP. Atual, 2007.

- WELLER, Wivian. Articulando gênero, raça e sexualidade. In: DAYRELL, Juarez [et al.]
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UFMG, 2012, p.425-444. Política e Administração da Educação, PUC SP, 2011. Disponível
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