A utilização do survey na ciência política no Brasil

Discente: Susane Raphaella da Silva; Orientador: José Alexandre da Silva Júnior.

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                    Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Instituto de Ciências Sociais - ICS
Curso de Ciências Sociais- Licenciatura

Susane Raphaella da Silva

A UTILIZAÇÃO DO SURVEY NA CIÊNCIA POLÍTICA NO BRASIL

Maceió, 2016

Susane Raphaella da Silva

A UTILIZAÇÃO DO SURVEY NA CIÊNCIA POLÍTICA NO BRASIL

Monografia apresentada ao curso de Ciências Sociais da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito para obtenção do
título de licenciado em Ciências Sociais, sob a orientação do
Professor Dr. José Alexandre da Silva Junior.

Maceió, 2016

Susane Raphaella da Silva

A UTILIZAÇÃO DO SURVEY NA CIÊNCIA POLÍTICA NO BRASIL

Monografia apresentada ao curso de Ciências Sociais da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito para obtenção do
título de licenciado em Ciências Sociais, sob a orientação do
Professor Dr. José Alexandre da Silva Junior.

Maceió,21 de outubro de 2016.

BANCA EXAMINADORA
José Alexandre da Silva Junior
__________________________________________
1º Examinador
Universidade Federal de Alagoas – Maceió – AL
Ranulfo Paranhos dos Santos Filho
___________________________________________
2º Examinador Interno
Universidade Federal de Alagoas – Maceió – AL
Willber da Silva Nascimento
_____________________________________________
3º Examinador Externo
Universidade Federal de Pernambuco – Recife- PE

DEDICATÓRIA

Dedico à minha família, por tanto amor dedicado a mim. Por sempre me apoiarem nesse
sonho de ser uma eterna curiosa da complexa e apaixonante sociedade humana.
Meus queridos painho, mainha e meus manos nós sabemos que não foi fácil ficarmos
longe. Não foi fácil me jogar num estado novo. Eu uma menina que parecia frágil, mas que
vocês ensinaram a ser forte por que nunca estaria sozinha. Passamos por uma grande prova antes
de iniciar nessa jornada e eu pensei que em um momento não seria forte o bastante para superar,
levantar a cabeça e seguir. Porém, quando vocês me olharam nos olhos e disseram “a batalha não
é só sua, é nossa”, respirei fundo e disse a mim mesma: “Deus não poderia ter me presenteado
com uma família tão maravilhosa assim. Um amor que dinheiro não compra, que toda pobreza
não pode tirar o sorriso, o afeto, e nossa união. O que me faz prometer que a cada dificuldade
nesse sonho, a cada novo amanhecer, continuarei lutando por vocês”.

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu Deus por ter me proporcionado uma experiência tão incrível. Cresci,
sofri e me conheci. Tive a graça de conhecer pessoas maravilhosas. Meus amigos foram mais que
isso, muitas vezes, foram anjos que me socorreram várias vezes: ao cuscuz, a passagem do ônibus
ou apenas por ouvir. Saibam que todos vocês fazem parte dessa minha vitória e não terão saída:
vão ter que me aturar muito tempo ainda.
Aos meus mestres, Prof . Dr. Júlio Cezar Gaudêncio da Silva, Profª. Dr. Fernanda
Rechenberg, Prof . Dr. Fernando de Jesus Rodrigues, Prof. Dr. Siloé Soares de Amorim, Prof .
Dr. Ranulfo Paranhos dos Santos Filho,Profª. Drª. Ruth Vasconcelos Lopes Ferreira, Prof . Dr.
Emerson Oliveira do Nascimento,Prof. Dr. Gabriel Augusto Miranda Setti, Prof. Dr. João Batista
de Menezes Bittencourt, Prof. Dr. Evaldo Mendes da Silva, Profª. Drª. Luciana da Conceição
Farias Santana que ao longo desses quatro anos compartilharam conhecimentos e notas – nem
sempre felizes –, mas impulsionava a continuar e a não desistir. Em especial ao meu orientador
José Alexandre que me aturou nas crises de tentar “abraçar o mundo com as pernas”, como ele
diz, e por me direcionar às minhas paixões: a consultoria e a pesquisa quantitativa. E, por fim,
agradeço ao curso de Ciências Sociais por me ajudar a entender os conflitos, compreender quem
sou, aceitar o outro e perceber que a beleza da sociedade está no processo, etapas de mudança e
não apenas números e resultado final.

“Coragem! Mais vale errar, se arrebentando, do que poupar-se para nada.”
(Darcy Ribeiro)

RESUMO
O presente trabalho procura analisar a questão da utilização da ferramenta survey na Ciência
Política no Brasil, através das análises de artigos publicados em revistas acadêmicas e em anais
de encontros como ANPOCS, Lua Nova, Opinião, Revista Brasileira de Ciência Política e
Ciências Sociais, dentre outras. Esse estudo repousa sobre noções básicas da utilização desse
método quantitativo nas pesquisas brasileiras. Contundo, as etapas de amostra passam desde a
elaboração do questionário até sua análise. Além de mapearmos, estatisticamente, a frequência de
utilização desse método em trabalhos produzidos de 2000 até 2013.
Palavras-chaves: Survey; artigos; métodos quantitativos.

ABSTRACT
This paper analyzes the issue of using the survey tool in Political Science in Brazil, through the
analysis of articles published in academic journals and in meeting proceedings as ANPOCS New
Moon Review, Journal of Political Science and Social Sciences, among others. This study rests
on the basics of using this quantitative method in Brazilian research. Contend the sample steps go
from designing the questionnaire until analysis. In addition to map out, statistically, the frequency
of use of this method in works produced from 2000 to 2013.

Keywords: Survey; articles; quantitative methods.

SUMÁRIO
Introdução ...................................................................................................................................... 12
2.

Pesquisa e Elaboração de Questionários ................................................................................ 13
2.2 A Elaboração da amostra ..................................................................................................... 19
2.3 Elaboração das Amostras; ................................................................................................ 21

3.3 Metodologia de pesquisa e a Ciência política ......................................................................... 23
3.2 Resultados obtidos na pesquisa ............................................................................................... 25
4.4 Desenho de Pesquisa ............................................................................................................ 31
Conclusões ..................................................................................................................................... 39
Referências..................................................................................................................................40
Lista de tabelas ..............................................................................................................................41
Lista de Gráficos ............................................................................................................................42

12

INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem como objetivo analisar, o uso da ferramenta metodológica survey
a fim de compreender como ela é elaborada para obtenção dos dados quantitativos para
realização de estudos nas na área de Ciência Política no Brasil. E, assim, divulgar essa
ferramenta, para que mais pesquisadores tenham acesso a ela. Para Babbie:

“Há provavelmente tantas razões diferentes para se fazer surveys
quanto há surveys. Um político pode encomendar um visando a sua
eleição. Uma empresa de marketing pode fazer um survey visando
vender mais sabonetes de marca X. Um governo pode fazer um
survey para projetar um sistema de trânsito de massa ou para
modificar um programa de bem-estar social” (BABBIE, 2005, p.
95).

A partir de Babbie (2005), tento demonstrar as razões e a aplicação da utilização do
survey tanto em trabalhos acadêmicos como pesquisas de mercados – nas empresas de
consultorias e institutos de pesquisa do país. E, assim, demonstrar, também, as etapas da
pesquisa, que utiliza essa ferramenta desde a elaboração do formulário até a postura do
pesquisador.

Além de explicitar como esses dados são tratados para obtenção dos

resultados almejados. Passeando um pouco pelos testes estatísticos, tratados em software
SPSS; pela forma como os trabalhos são produzidos no Brasil, mesmo com pouco acesso
restrito aos relatórios de surveys eleitorais, representa a maior fatia de representação dessa
técnica nos institutos de pesquisas.

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Assim, demonstro os resultados apurados e obtidos pelas análises de artigos
publicados em periódico científicos brasileiros, na área das ciências sociais, que utilizaram
survey em seus trabalhos, a partir de uma busca minuciosa nos sites das mesmas e no portal
de periódicos Scielo, a fim de, minimamente, mapear a utilização dessa técnica na Ciência
Política brasileira. Sendo feita uma revisão bibliográfica em torno da ferramenta, a sua
metodologia.

2.1. Pesquisa e Elaboração de Questionários

O presente trabalho tem como objetivo pensar a questão da pesquisa quantitativa e a
utilização de survey no âmbito da Ciência Política no Brasil, a partir da análise de artigos
coletados nas principais revistas científicas reconhecidas pelo Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. Para Babbie, survey:

“se refere a um tipo particular de pesquisa social empírica, mas existem
vários tipos de survey. O termo pode incluir censos demográficos, pesquisa
de opinião pública, pesquisas de mercado sobre preferências do
consumidor, estudos de preconceitos e epidemiológicos e outros.”
(Babbie, 2005, p. 95)

A partir do conceito de Babbie (2005) é possível entender que survey é um método
que compreende as pesquisas sociais que buscam a inferência do objeto de pesquisa na
construção da sua análise. Seria, basicamente, a elaboração de questionários agrupados,
adotando uma amostragem e que pode ser construído através de questões espontâneas ou

14

flexionadas, com a finalidade de coletar dados que atendam ao que a pesquisa pretende
alcançar. O questionário elaborado, então, segue para um pré-teste visando diminuir os
possíveis erros e, em seguida, se escolhe um grupo focal que possa responder aos
questionários, respeitando os interesses da pesquisa em questão. Após a aprovação dos
questionários elaborados, estes são colocados para aplicação por pesquisadores que irão
observar se existe uma estratificação a ser seguida, ou seja, a porcentagem, por exemplo, de
homens e mulheres em relação à idade, renda e escolaridade. Observadas essas questões, as
cotas definidas na estratificação devem ser cumpridas pelos pesquisadores para,
posteriormente, processar os dados obtidos em campo.
A pesquisa de survey pode ser de cunho explanatório, exploratório e descritivo. De
acordo com Pinsonneault & Kraemer (1993), a diferença consiste na profundidade para
com o objeto estudado. Tais autores destacam também a importância da adequação dos
indivíduos que responderão à pesquisa: a unidade de análise, objeto que pretende ser
estudado, ou seja, que respondentes realmente representam aquilo que informarão ao
pesquisador, ou ainda, se, na sua maioria, eles possuem as informações buscadas na
pesquisa.
Seguramente, a aplicação do survey deve obedecer ao planejamento da pesquisa.
Por exemplo, pode servir para descrever o objeto ou testar relações entre variáveis. Ou seja,
se a pesquisa em curso irá utilizar o tempo numa perspectiva transversal (retrato de
momento) ou longitudinal (acompanhamento do fenômeno em diferentes momentos).
Outros fatores que interferem na utilização da técnica são: à percepção dos sujeitos e
o ambiente da pesquisa. Ambos precisam ser cuidadosamente observado/controlado para
que não haja modificação na pesquisa. Uma medida indicada é a incorporação de questões

15

para verificação das condições necessárias tanto para pesquisa em campo como em
laboratório. São necessárias: simulação ou pré-teste, usualmente realizado pelos centros de
pesquisas. Sendo assim, o ambiente da pesquisa pode alterar os resultados pretendidos. Os
sujeitos podem vir a questionar a sua utilidade ou tentar manipular as respostas dos
questionários aplicados ou não agir normalmente.
A elaboração do instrumento, também requer bastante atenção. Em pesquisas sociais
que envolvem surveys, as perguntas não podem ser elaboradas a partir de preconceitos, pois
logo serão percebidas pelos entrevistados como tal. É preciso que haja uma boa
combinação, pois assim o pesquisador irá descobrir com os entrevistados, níveis de
preconceito. Muitas vezes os entrevistados não compreendem a necessidade da repetição
das mesmas alternativas, apenas mudando a ênfase de importância. Nesse tipo de pesquisa,
é possível também exercer uma análise prospectiva, real ou hipotética de opinião. Por
exemplo, na Ciência Política costuma-se buscar o posicionamento dos entrevistados diante
de um fato ou candidato. Todavia, nem sempre o fato está situado no presente, assim como
nem sempre a candidatura está na rua. Seja como for, as questões prospectivas são, na sua
maioria, menos confiáveis (BABBIE, 2005).
Além da plausibilidade da questão, o pesquisador também precisa decidir sobre o
nível de mensuração das variáveis: nominal, ordinal, intervalo e razão. Esses níveis servem
para analisar o survey e as respostas adquiridas. No nível mais simples, a medição refere-se
apenas a atributos. Por exemplo, uma variável que distingue entre do sexo masculino e
feminino. Quanto à medida ordinal reflete uma ordenação entre categorias que compõem
uma variável, a pirâmide social exemplifica isso, pois possui classe baixa, média e alta. Por
fim, o intervalo e a razão. O intervalo é usado para descrever condição, mais provém mais

16

sentido do que na medida ordinal, por que a distância entre os elementos tem significado
real, ao passo que a razão tem as mesmas características do intervalo, mas adicionada uma
a mais por possuir um zero real, absoluto. Por exemplo, a idade: quem possui 20 anos tem
o dobro de quem tem 10 anos de idade além de peso, altura e tempo. Na realidade, o nível
de mensuração da variável estará refletido na escala que padroniza a resposta da questão.
Obviamente, nem sempre é clara qual a melhor opção. O pesquisador deve ficar atento à
habilidade dos pesquisados com certo padrão de resposta. Em outros temos, não é razoável
elevar o nível de mensuração correndo risco de aumentar sobremaneira a não reposta.
Ao se propor a desenhar um questionário, é necessário avaliar o tipo de análise que
será feita após a coleta dos dados. Como será medida cada variável, e se todas as medidas
devem ser levadas em conta. Dessa forma, prefere-se a não construção de questionário com
variáveis de apenas um nível de mensuração. É interessante, introduzir questões que o
indivíduo seja levado a responder, fornecendo e enumerando opções de múltipla escolha,
tomando nota das respostas, caso haja. Para Matos & Trez (2012) a elaboração de um
questionário deve observar seguintes os pontos:


Elaboração de diferentes tipos de questionários com o rodízio das questões;



Inserção de perguntas que quebrem a rotina de resposta do pesquisado;



Inserção de perguntas com escala inversa para avaliar a confiabilidade dos
resultados obtidos;



Sequência das perguntas: as perguntas devem ser ordenadas segundo um critério
lógico, com o objetivo de tornar o questionário interessante e claro para o
entrevistado;

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

Tamanho do questionário: deve ser definido o tamanho máximo e priorizadas
perguntas que contemplam às questões definidas a partir do problema da pesquisa;



Desenho do questionário: na formulação do questionário, deve ser selecionada uma
aparência que proporcione maior clareza às perguntas. As perguntas devem ser
divididas em etapas distintas e numeradas, para facilitar a análise dos dados e o
entendimento do entrevistado.

Conceituando a elaboração do questionário BANDEIRA (2003) apresenta caminhos
para melhorar a elaboração de questões dividindo em cinco sessões. A primeira seção lidará
com as bases conceituais e populacionais de um questionário. A segunda tratará do
contexto social da aplicação do instrumento. A seguir apresenta-se a estrutura lógica do
instrumento; e na quarta seção, os elementos do instrumento, i.é, questões e itens. Na quinta
seção apontam-se diferenças nos instrumentos, conforme a maneira de sua aplicação:
entrevista individual, pelo telefone, por correio convencional ou eletrônico, ou em grupos
(Bandeira, 2003).

1. Exemplificando
Há quanto tempo mora nesta cidade?
[Caso apropriado] Onde morava antes?
Em geral, está satisfeito em morar aqui?

Em um primeiro começo de estruturação é direcionar-se do mais geral para o mais
específico; do menos delicado, menos pessoal, para o mais delicado, mais pessoal. Esta

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ordem se aplica a conjuntos temáticos de itens e a um grupo de itens que tratam de uma
temática em comum.
2. Exemplificando

“Concluindo, gostaríamos de fazer algumas perguntas para melhor caracterizar os
respondentes desta pesquisa... ’’
Um segundo momento de organização do instrumento é que, na medida apropriada,
deve seguir uma ordem nexo. Usando hipoteticamente ao perguntar sobre sua moradia,
pergunta-se inicialmente sobre a cidade, depois sobre o bairro, a rua e o prédio onde o
respondente mora. Além de progredir do geral para o específico, aproxima-se do
respondente do pesquisador deixando o mais receptivo para expor sua opinião sobre o
objeto da pesquisa.

3. Exemplificando

“Inicialmente, gostaria de saber sua opinião sobre as opções de lazer neste bairro...”
No terceiro exemplo, estar implícito no segundo, que sugere que itens tratando de
uma mesma temática fiquem unidos e recebam uma introdução que ajude o respondente a
concentrar-se na temática a ser trabalhada.
É necessário, também, trabalhar com perguntas de curta extensão sem grandes
complicações. Portanto, a simplicidade no vocabulário e capacidade de síntese precisa ser
exercitada. Em geral, as melhores questões não possuem termos dúbios e enunciados curtos
e diretos, capazes de serem entendidos da mesma forma por todos os entrevistados. Antes
de tudo refletir sobre as questões antes de ser colocado no questionário e sobre a
necessidade de sua presença ajudam na diminuição do viés sobre o mesmo.

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2.2 A Elaboração da amostra

Efetivamente, o primeiro passo para obtenção das informações é o recorte amostral.
Aqui a principal missão é garantir que o grupo selecionado seja representativo em relação a
população. Em outras palavras, a amostra deve refletir a diversidade presente na população.
Isso em termos das principais variáveis que podem influenciar nos padrões de resposta. Em
geral, as amostras levam em conta o gênero, a idade, a distribuição geográfica e a
escolaridade da população. Embora seja trabalhoso desenhar uma boa amostra, há várias
razões que justificam a questão da amostragem, a principal: a busca do baixo custo para
desenvolver a pesquisa, já que (na sua maioria custo é alto). Há diversas técnicas de
amostragem que o pesquisador pode escolher, a opção deverá se adequar aos objetivos
almejados pela pesquisa e aos recursos disponíveis para investigação.
A amostragem pode ser irrestrita e restrita, além de ser probabilística e não
probabilística. Existem ao menos seis critérios de escolha para definir uma amostragem: 1)
População de interesse; 2) Parâmetros de interesse; 3) estrutura da amostragem; 4) o tipo de
amostra; 5) tamanho da amostra e 6) custo. A população define-se a partir da questão de
pesquisa, exige uma definição precisa da unidade de análise (indivíduos, famílias, escolas,
partidos, etc). Os parâmetros são medidas utilizadas para descrever de forma resumida
variáveis de interesse na população (proporção, média e desvio padrão). A estrutura é a
lista de elementos da qual a amostra é de fato retirada, torna-se mais complexa a medida em
que se adiciona clivagens da população. Quanto ao tipo, membros de uma amostra podem

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ser a partir da probabilidade ou por outras soluções. Os elementos podem ser selecionados
individualmente e diretamente da população (amostra irrestrita) ou por meio de controles
adicionais (restrita). A escolha pode ser probabilística, aleatória, onde todos os sujeitos da
população têm iguais chances de seleção conhecida e diferente de zero ou não
probabilística, não aleatória (subjetiva), os sujeitos poderão ser escolhidos por conveniência
da amostragem.
A pesquisa precisa ser confiável, não se pode querer “adivinhar” as possíveis
respostas. Existem métodos, técnicas e cálculos estatísticos que irão ajudar na análise dos
resultados. A dimensão principal para garantir a confiabilidade aos resultados é o tamanho
da amostra. O tamanho da amostra deve ser uma função da variação dos parâmetros da
população sob estudo e da exigência de precisão dos resultados estimados. Dessa forma,
nem sempre as maiores populações precisam ser representadas pelas maiores amostras.
Para ser preciso, o tamanho da amostra será uma função da: 1) dispersão ou variância
dentro da população; 2) nível de precisão; 3) nível de confiança; 4) número de subgrupos
de interesse. A dispersão depende do parâmetro que será estimado. Em geral, busca-se
estimar uma proporção, uma média ou um desvio padrão. O nível de precisão é uma função
inversa da margem de erro admitida pelo pesquisador, quanto maior a margem, menor a
precisão. A margem de erro é, portanto, a diferença máxima provável entre a estatística
amostral observada P e o parâmetro populacional P. Já o nível de confiança, em termos
técnicos, é a probabilidade 1 – α da estimação realmente representar o parâmetro
populacional (supondo que o processo de estimação seja repetido um grande número de
vezes).

21

A fórmula para o cálculo da amostra depende do tipo de população a ser
representada e do parâmetro que se pretende estimar. Matematicamente, existe população
Finita- aquela que podemos localizar ou que estão dentro da margem de 100.000 + ou pessoas infinita-aquela que não podemos localizar ou acima de 100.000 pessoas. Em geral,
busca-se estimar uma proporção, uma média ou um desvio padrão. Por exemplo, para a
estimação de uma média a formula é a seguinte:
Assim toda amostra depende do estabelecimento de um nível de confiança. De uma
amostra refere-se à área da curva normal definida a partir dos desvios-padrão em relação à
sua média (PARANHOS et al, 2014). Segundo exemplo formulado pelo próprio autor:
1 desvio padrão = 68% de representatividade
2 desvios = 95,5% de seu total
3 desvios = 99,7% da amostra ou população

Observação: quanto maior o nível de confiança, maior o tamanho da amostra.

2.3 Elaborações das Amostras;
- Porcentagem com que o fenômeno se verifica
Quanto maior a amostra, menor o erro. A estimação prévia da porcentagem com que
se verifica um fenômeno é muito importante para a determinação do tamanho da amostra de

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uma população pesquisada que não supera 100.000 elementos, as fórmulas para o cálculo
do tamanho da amostra é a seguinte.

Estimação da Média

Estimação da Proporção

Sendo:
n =Tamanho da amostra.
σ = Nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão.
p = Porcentagem com a qual o fenômeno se verifica.
q = Porcentagem complementar (100-p).
N = Tamanho da população.
e = Erro máximo permitido.
Quando se for trabalhar com amostra maior que 100.000 deve-se trabalhar com
fórmula de população infinitas:
Sendo assim o n é o número da amostra; Z∝⁄2 representa o nível de confiança que
terá a pesquisa, que de forma geral seria (90%, 95% e 99%); p seria a porção de
entrevistados que apresenta a característica; q representa porção que não possui
característica de interesse, para isso realiza-se uma equação sendo q = 1- p. N é o tamanho
da população que será representada pela amostra. Tendo e como o erro estimado permitido,
na regra geral usa-se (2%, 3% ou 4%).
Quando se passa para etapa das análises dos dados obtidos através dos questionários
de surveys, técnicas e softwares ajudam os pesquisadores, a trabalhar esses dados de forma
mais dinâmica.

23

Na sua maioria, se utiliza SSPS para exportar os dados colhidos dos questionários
que apresentarão dados prévios da pesquisa eleitoral, política pública e governabilidade,
entre outras, na Ciência Política. Vale ressaltar que se o questionário for bem feito, as
respostas declaradas ou flexionadas irão conseguir responder à pergunta que move a
pesquisa ou fornecer indícios a partir de teste de hipóteses.

3.3 Metodologia de pesquisa e a Ciência política
A Ciência Política do Brasil tem uma relação estreita com os métodos quantitativos,
mas a utilização desse método ainda anda a passos lentos, questão que deve ser tratada
como um problema que advém da deficiência dos cursos de graduação de Ciências Sociais
(SOARES, 2005). Uma vez que as disciplinas durante a graduação são, em sua maioria,
densamente teóricas ficaria a cargo das coordenações dos cursos de Ciências Sociais
proporcionar mudanças curriculares, incentivando propostas que viabilizem um curso denso
em teorias clássicas, mas que também ofereça disciplinas voltadas à aplicação prática dos
métodos e técnicas de pesquisa. Até os programas de Ciência Política de pós-graduação
precisam ser renovados, para que os trabalhos de mestrados e doutorados utilizem mais
métodos quantitativos com surveys nas suas pesquisas (SOARES, 2005). Na UFMG e USP,
por exemplo, existe um curso de método quantitativo reconhecido nacionalmente. Apesar
dessa deficiência encontrada na formação dos cientistas políticos, muitos utilizam surveys
em suas pesquisas de método quantitativo como também em pesquisas mistas, uma vez que

24

esse modelo pode ser bem útil para responder questões subjetivas do indivíduo ou grupo
pesquisados a partir de perguntas espontâneas.
É possível observar a presença desse método nos artigos publicados em revistas
brasileiras como Lua Nova, Dados, Opinião Pública, RBCS, RBCP (Qualis Superior).
Artigos esses que, a partir desse método, abordaram as campanhas eleitorais com a
finalidade de analisar a aprovação dos indivíduos e gestores. Com a utilização desse
método é possível extrair, da amostra escolhida, a opinião e o posicionamento do indivíduo
diante do questionário e dependendo do desenho, também é possível fazer interferências
para a toda a população que lhes foi apresentado. Dependendo da forma como a amostra for
desenhada, também será possível fazer inferência para grupos maiores, para população. Na
Ciência Política brasileira os pesquisadores utilizam esse método como forma de obtenção
de resultados que contribuam no desenvolvimento de seus trabalhos.

25

3.2 Resultados obtidos na pesquisa
Artigos analisados

Para começar, todos os periódicos pesquisados que publicaram artigos com
utilização de survey estão listados na tabela abaixo. Precisamente, essa tabela organiza os
periódicos pelos seus respectivos qualis:
Tabela 3.1 – Periódicos que publicaram artigo com análise de survey
REVISTAS

QUALIS

Revista Brasileira de Ciência Política

A1

Revista Lua Nova

A2

Revista Novos Espaços

A2

Revista Perspectiva

A1

Revista Tempo Social

B2

Revista Brasileira de Ciências Sociais

A1

Revista Opinião Pública

B1

BIB - Revista Brasileira de Informação Bibliográfica
em Ciências Sociais

B1

Fonte: Elaboração do autor

Pode ser observar na tabela que boa parte das revistas que possui publicações que
fizeram análise de surveys na construção das pesquisas na área da Ciência Política no Brasil
possuem avaliação qualis máxima – A1. Ao todo, forma encontrado 14 artigos, a grande
maioria publicado em periódicos com qualificação nessa faixa. O gráfico abaixo ajuda a
dimensionar a distribuição dos artigos pelos Qualis dos periódicos.

26

Gráfico 3.1 – Frequência de artigos por qualis

Fonte: Elaboração Própria

De acordo com o gráfico, mais de 70% dos artigos que fizeram análise de survey
figuram em periódicos com qualis A. Mais precisamente, a probabilidade de um artigo que
faz uso dessa técnica está em um periódico com qualis nessa faixa é de 0,714. Outra
informação importante é a disposição desses artigos no tempo. O gráfico abaixo ilustra essa
dimensão.

Gráfico 3.2 - Produção Anual

27

Fonte: Elaboração Própria

Os artigos identificados foram publicados ao longo dos últimos 13 anos. Durante a
pesquisa, detectamos um aumento da utilização dessa ferramenta nas pesquisas brasileiras
concentradas na Ciência Política tanto na academia como nos Institutos de pesquisas.
Assim, de forma ainda tímida, no inicio anos 2000 essa técnica está presente em apenas 01
dos artigos publicados nas revistas pesquisadas, alcançando um ápice de utilização no ano
2013 (03 artigos).
Apresentados os dados gerais, a seguir fazemos uma análise mais detalhada do
conjunto de artigos encontrados. A ideia é demostrar como a análise de survey foi
explorada. Para partir do básico, o gráfico abaixo apresenta a quantidade de tabelas
contidas nos artigos.

G

28

ráfico 3.3 – Quantidade de tabelas por artigo

Fonte: Elaboração Própria

Como era de se esperar, todos os artigos apresentaram tabelas. A média é de 5,6 tabelas por
artigo com desvio padrão de 2,63. Precisamente, o artigo com menor número de tabelas
possui duas e o que conta com o número máximo apresenta dez tabelas. No entanto, resta
saber se as tabelas estão apresentadas de forma clara, ou seja, apresenta a informação que
se propõe facilitando entendimento do leitor. O gráfico abaixo ilustra a frequência de
tabelas legíveis e ilegíveis encontradas nos artigos.

29

Gráfico 3.4 - Tabelas legíveis

Fonte: Elaboração Própria

De acordo com o gráfico, mais de 35% das tabelas apresentadas nos artigos
selecionados apresentam deficiência na exposição das informações. Os problemas
identificados referem-se a “poluição” das tabelas, falta de clareza das variáveis trabalhadas
e até imprecisão dos números apresentados. Abaixo repetimos a análise para os gráficos.
Gráfico 3.5 – Quantidade de gráficos por artigo

30

Fonte: Elaboração Própria

Em média, os artigos apresentam 2,17 gráficos com desvio padrão de 2,08. Dois artigos não
apresentam gráficos, enquanto 2 apresentam o maior número de gráfico da série (seis).
Como quantidade e qualidade são dimensões distintas, o gráfico a seguir representa a
qualidade dos gráficos encontrados.

Gráfico 3.6 – Gráficos Legíveis

31

Fonte: Elaboração Própria

Apesar da menor frequência de artigos com gráficos, a situação da exposição é melhor que
a das tabelas. Cerca de 80% dos gráficos identificados apresenta as informações corretas e
boas condições para intepretação.

4.4 Desenho de Pesquisa
Para além do exame da distribuição e forma dos artigos, é necessário fazer a avaliação do
desenho de pesquisa executados. Nessa etapa serão expostos dados sobre os seguintes aspectos:
Quadro 3.1 – Lista de variáveis
Variável

Descrição

Questão de Pesquisa

Apresentação de questão de pesquisa.

Hipótese

Apresentação de hipótese de trabalho.

Descrição de Técnicas

Apresentação das técnicas para análise.

Ambição do Estudo

Estudo Exploratório ou Formal.

32

Objetivo do Estudo

Estudo Descritivo ou Causal.

Dimensão Temporal

Estudo Transversal ou Longitudinal.

Tipo de Amostragem

Amostragem probabilística ou não probabilística.

Dados Secundários

Utilização de dados não oriundos do Survey.

Parâmetro Principal

Estimação de média, desvio ou proporção.

Análise de Frequência

Utilização de apenas análise de frequência.

Testes de Associação

Utilização de algum teste de associação.

Fonte: Elaboração Própria

De início informamos que todos os artigos anunciam a questão de pesquisa e a
hipótese de trabalho, sem exceções. Porém, há uma variação quanto apresentação das
técnicas, ambição e objetivo dos estudos. Para ampliar enriquecer a análise, apresentamos
os dados a partir de gráficos com cruzamento de categorias.
Gráfico 3.7 – Descrição das Técnicas e Ambição do Estudo

.

Fonte: Elaboração Própria
Gráfico 3.8 – Descrição das Técnicas e Objetivo do Estudo

33

Fonte: Elaboração Própria

De acordo com o gráfico, a descrição das técnicas é mais comum em artigos cujo ambição é
exploratória. Nessa categoria, 75% dos artigos fazem a descrição das técnicas contra 50%
dos artigos cuja ambição é formal. Quanto ao objetivo, o cuidado com a descrição é maior
dentre os que pretendem encontrar relações de causalidade. Precisamente, 100% dos artigos
com esse objetivo descreve as técnicas que irá utilizar. Dentre os que pretendem apenas
descrever o fenômeno, apenas 45% faz a descrição das técnicas. Na sequência, analisamos
a perspectiva temporal e o tipo de amostragem utilizada pelos artigos.

34

Gráfico 3.9 – Perspectiva Temporal

Fonte: Elaboração Própria

Gráfico 3.10 – Tipo de Amostragem

35

Fonte: Elaboração Própria

Os estudos utilizam uma perspectiva transversal e adotam uma amostragem simples
aleatória. Em outros termos, a maioria dos estudos fazem apenas um retrato de momento do
fenômeno, além disso, estabelece chances iguais para seleção de casos (respondentes) sem
estabelecer nenhuma clivagem (amostra aleatória simples). A última análise que precisa ser
feita diz respeito a correspondência entre dados, objetivo da análise e técnicas.

Gráfico 3.11 – Utilização de Dados Secundários e Parâmetro Estimado

Fonte: Elaboração Própria

78,57% dos artigos (11/14x100) utilizam apenas dados extraídos do survey. Metade
dos estudos (50%) busca estimar a média, a outra metade busca estimar a proporção. Os

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gráficos a seguir mostram se os estudos buscam utilizam algo mais que a análise de
frequências e quão comum é utilização de testes de associação.
Gráfico 3.12 – Outras Técnicas e Dados Secundários

Fonte: Elaboração Própria
Gráfico 3.13 – Teste de Associação e Dados Secundários

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Fonte: Elaboração Própria

50% (7/14x100) dos artigos utilizam outra técnica além da simples análise de
frequência. Dentre os que vão além, a maioria utiliza apenas dados oriundos do survey.
Igualmente, 50% dos artigos fazem testes de associação, dentre eles, 28,57% (2/7*100)
utiliza dados secundários. Precisamente, dentre os artigos que não faz teste de associação,
apenas 14,28% (1/7*100) utiliza dados secundários.
Em resumo, quanto ao desenho de pesquisa pode-se dizer que: (1) a maioria dos
estudos tem ambição formal; porém (2) apenas 57,14% deles descrevem as técnicas que
serão utilizadas na análise; (3) a maior parte dos trabalhos tem objetivo de descrever os
fenômenos; (4) assume uma perspectiva transversal; (5) utiliza amostra aleatória simples e
principalmente, (6) apenas metade utiliza outros dados secundários e faz algum teste de
associação.

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CONCLUSÕES
Concluo, neste presente trabalho, que houve um aumento na ultima década, da
utilização do survey, mas que ainda está longe de ser o ideal. Existe ainda uma resistência
na academia na utilização do mesmo e ainda o desconhecimento desta ferramenta aos
jovens pesquisadores das graduações de Ciências Sociais e áreas afins. A partir dos
resultados demonstrados na análise dos artigos publicados nas revistas, existe uma grande
utilização de frequências para analisar os dados adquiridos através dos questionários
geralmente tratados no software SPPS, com dados passados pelos pesquisadores em campo,
que busca a opinião dos indivíduos sobre o objeto estudado.
Portanto a utilização dessa ferramenta é mais que válida para trabalhar as pesquisas
no Brasil, acredito que minicursos e matérias mais interativas de metodologia nos cursos de
graduação tanto de Ciências Sociais e Ciência Política ajudariam a divulgar a mesma. Além
de projetos extensivos como empresas juniores que empolgue os jovens a cada vez, a
conhecer a possibilidade das técnicas tanto qualitativas como quantitativas.

40

REFERÊNCIAS
BABBIE, Earl. Métodos de Pesquisas de Survey. Ed. UFMG: Belo Horizonte, 2005.
BANDEIRA, Marina. Como elaborar um questionário Laboratório de Psicologia Ambiental
Universidade de Brasília Série: Planejamento de Pesquisa nas Ciências Sociais, 2003, Nº
01.

MATTAR, F. Pesquisa de marketing. Ed. Atlas. P. 132.

PINSONNEAUT, A & KRAEMER, K L. Survey research in manganent information
systems: an assessement . Journal of Managanent information systems, 1993.

Paranhos, Figueiredo Filho, Carvalho da Rocha y da Silva Junior, Corra que o survey vem
aí... Revista Latino americana de Metodología de la Investigación Social. Nº6. Año 3. Oct.
2013 - Marzo 2014. Argentina. Pp. 07-24

SOARES, Gláucio Ary Dillon. O calcanhar metodológico da Ciência Política no Brasil. In:
Sociologia, Problemas e Práticas, n. 48, 2005, pp. 27-52.

WALBURGA, Estevão Julio Keglevich de Buzin¹; PERREIRA, Ivonete Maria ; PIRES,
Larissa
Leandro; BRANDÃO, Daniel C. Elaboração e aplicação de Survey. n. 1, 2014, pp 01-10.

MATOS, Celso Augusto. TREZ, Guilherme; R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte · v.
11 · n. 1 · p. 151-172 · jan./mar. 2012. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900
(Impressa)

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1............................................................................................................ 14
Tabela 2 ............................................................................................................

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LISTA DE GRÁFICOS
Figura 1- Gráfico 3.7 .................................................................................................... 20
Figura 2- Gráfico 3.8

................................................................................................... 21

Figura 3- Gráfico 3.9 .................................................................................................... 22
Figura 4 - Gráfico 3.10 ................................................................................................... 22
Figura 5- Gráfico 3.11 .................................................................................................... 23
Figura 6- Gráfico 3.12 ................................................................................................... 24
Figura 7- Gráfico 3.13.................................................................................................... 24