As tecnologias digitais e a sociologia do Ensino Médio
Discente: Michelle Rôse Lima de Almeida; Orientadora: Evelina Antunes de Oliveira.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAS
CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
MICHELLE RÔSE LIMA DE ALMEIDA
As tecnologias digitais e a sociologia no Ensino Médio
Maceió - Al
2016
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MICHELLE RÔSE LIMA DE ALMEIDA
As tecnologias digitais e a sociologia no Ensino Médio
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao
Instituto
de
Ciências
Sociais
da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial para a obtenção de título de
graduação em Ciências Sociais.
Orientadora: Profª. Ms. Evelina Antunes de
Oliveira
Maceió - Al
2016
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MICHELLE RÔSE LIMA DE ALMEIDA
As tecnologias digitais e a sociologia no Ensino Médio
BANCA EXAMINADORA
Profª. Ms. Evelina Antunes Fernandes de Oliveira
Prof. Ms. Fabson Calixto
Prof. Dr. Welkson Pires
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AGRADECIMENTOS
Agradeço a DEUS, por ter proporcionado a realização de mais um sonho e por ter
renovado as minhas forças a cada dia me dando coragem e sabedoria.
À minha família, minha mãe CÍCERA, meu pai IVANEZ e minha irmã LUANA, por
todo apoio, incentivo, nesta etapa da minha vida.
A meu querido esposo ISRAEL ALMEIDA, pelo amor, compreensão e dedicação
nestes anos de convivência.
À minha orientadora professora EVELINA OLIVEIRA, por todo apoio, toda
dedicação e incentivo, sem sua ajuda eu não conseguiria. Obrigada mesmo.
Agradeço a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram no cumprimento de
mais uma etapa da minha vida. Obrigada por tudo!
Michelle Rôse Lima de Almeida
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RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo discutir sobre o surgimento das novas tecnologias no
ambiente escolar, bem como a utilização e eficácia desse serviço no processo de ensino
aprendizagem, refletir sobre o papel das mídias da educação. Tratar sobre o conceito de
cibercultura, uma comunidade virtual que aparece como opção para diminuição de custos com
papel, além de proporcionar uma maior difusão de conhecimentos mais acessíveis, de modo
que a cibercultura relaciona cultura às novas tecnologias. Compreender o papel da sociologia
no Ensino Médio e sua funcionalidade, bem como analisar o uso de mídias dentro das aulas de
Sociologia, dada a falta de estrutura vivenciada pela maioria das escolas públicas do estado de
Alagoas. Fazer uma análise de como as mídias podem contribuir, sobretudo, nas aulas de
sociologia no ensino médio. As novas tecnologias vêm desempenhando um papel importante
no âmbito educacional, pois está ocasionando mudanças significativas nas relações entre
professores e alunos. Acreditar na potencialidade das mídias como instrumento de aquisição de
conhecimento é essencial para a construção de aulas mais dinâmicas e totalmente dentro do
contexto na qual o aluno está inserido, pois temos uma educação cada vez mais atrelada à
tecnologia.
Palavras-chave: Mídias, Educação e Sociologia.
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ABSTRACT
This study aims to discuss the emergence of new technologies in the school environment, and
the use and effectiveness of service in the teaching and learning process, reflect on the role of
media education. Handle on the concept of cyberculture, a virtual community that appears as
an option for the reduction of paper costs, besides providing a greater diffusion of knowledge
more accessible, so that cyberculture culture relates to new Technologies. Understanding the
role of sociology in high school and its functionality, and to analyze the use of media within
the sociology classes, given the lack of structure experienced by most public schools in the state
of Alagoas. Making an analysis of how the media can contribute, about everything, in sociology
classes in high school. New technologies have played an important role in the educational field,
it is causing significant changes in the relationship between teachers and students. Believing in
the potential of the media as knowledge acquisition tool is essential for building classes more
dynamic and fully within the context in which the student is inserted, because we have an
education increasingly linked to technology.
Key words: Media, Education and Sociology.
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SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO....................................................................................................................8
2 – MÍDIAS E EDUCAÇÃO....................................................................................................11
2.1. COMO A EDUCAÇÃO ESTÁ SE TRANSFORMANDO PELO USO DA
TECNOLOGIA............................................................................................................................................11
2.2. TEORIA DA MÍDIA E GLOBALIZAÇÃO.........................................................................................16
2.3. NOVO PADRÃO DE SOCIABILIDADE...........................................................................................17
2.4. CONCLUSÕES....................................................................................................................................20
3 – AS MÍDIAS E O ENSINO DE SOCIOLOGIA..................................................................21
3.1. FINALIDADE E HISTÓRIA DA DISCIPLINA SOCIOLOGIA........................................................21
3.2. O USO PEDAGÓGICO DAS MÍDIAS...............................................................................................23
3.3. MÍDIAS, EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA...........................................................................................23
3.4. CONCLUSÕES....................................................................................................................................25
4 – NOTAS SOBRE O ENSINO DE SOCIOLOGIA NA REDE PÚBLICA DE
ALAGOAS................................................................................................................................27
5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................34
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1. Introdução
Sabe-se que as reflexões a respeito do assunto mídia e educação vêm sendo abordadas
há várias décadas, pois foi constatada a influência na formação intelectual do sujeito
contemporâneo e da necessidade em explorar o assunto diante do rápido desenvolvimento das
novas tecnologias de informação e comunicação. Quando estas novas tecnologias chegaram às
salas de aulas, modificaram as relações no âmbito educacional, agregando uma interação
bastante válida para essa disseminação de conhecimentos que as tecnologias de informação
proporcionam.
No entanto, vemos que houve um aumento da demanda por tecnologias de informação,
demonstrada, por exemplo, por um número significativo de acessos à internet nos últimos anos,
provocando diversas mudanças, entre elas, no plano econômico e no campo do conhecimento.
Fez-se necessário investimentos na área para poder tentar acompanhar esse crescimento, assim
como foi preciso repensar muita coisa no campo educacional. Essa mudança aconteceu não
apenas nas escolas, mas em todas as instituições sociais.
Desta forma, a escola e todas as instituições de ensino foram obrigadas a incorporar às
suas práticas às Tecnologias da Educação-TI, em virtude desse chamamento por novas práticas
pedagógicas. O acesso, que antes era bastante restrito, passou a ser difundido na tentativa de
alcançar todos os envolvidos, docentes, técnicos, gestores e discentes.
O aparecimento da navegação na Internet tornou-se parte integrante do cotidiano dos
indivíduos, pois ela proporciona um acesso muito maior à informação e de maneira muito mais
rápida, pois abriu-se um leque de informações das mais variadas áreas em um só lugar (físico),
proporcionando mais eficácia nas pesquisas e a otimização do tempo despendido para realizar
vários tipos de pesquisas. Uma das grandes diferenças é a relação entre o tempo e a produção
de conhecimentos pois consultar, estudar, analisar pode ser feito a qualquer hora, tornando o
processo de aprendizagem mais rápido e até prazeroso, uma vez que o estudante pode ter acesso
a várias fontes ao mesmo tempo, numa tela de computador ele pode ler vários assuntos.
Um ponto bastante interessante a ser discutido é a questão da relativa redução de custos,
gerada pela utilização dos recursos tecnológicos. Como exemplo, temos a educação à distância
que vem crescendo ano após ano no Brasil, que embora venha recebendo muitas críticas é uma
forma de ampliar o acesso à Educação,
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A cibercultura, essa comunidade virtual global, que aparece como uma ótima alternativa,
no que diz respeito à redução de custos, custos esses que vão desde o tempo gasto para abrir
um livro, até o consumo de papel, dando uma oportunidade a mais de otimização de tempo e
uma menor poluição do meio ambiente com o menor gasto de papel.
Por outro lado, o maior acesso à educação ocorrido no Brasil nos últimos anos, o que
aconteceu ao mesmo tempo em que o uso da tecnologia foi difundido em toda a sociedade,
possibilitou e possibilita que um número maior de pessoas entre em contato com diversas fontes
de informação.
A cibercultura, que vincula a cultura às tecnologias avançadas, atua no ciberespaço, que diz
respeito à comunicação entre computadores. Ela irá se difundir a partir dos anos de 1970 com
os microcomputadores e a popularização da internet se dará vinte anos depois. Tomamos aqui
o conceito de cibercultura definido por Pierre Lévy (Tunísia, 1956) referindo-se aos impactos
das novas mídias na sociedade. È inegável que facilitou a vida e tornou mais rápida a
comunicação entre as pessoas.
Um dos seus maiores impactos é na área da cultura, de modo geral, e da educação, de
modo particular. No âmbito cultural as novas tecnologias também têm contribuído bastante,
pois é através dela que pode ocorrer uma disseminação da chamada “cultura do livro”, pois a
internet possibilita o acesso a milhares de exemplares de livros, jornais e outros meios
impressos. Assim como as máquinas e as fábricas revolucionaram o mundo industrial e a
Educação em sua época, a cibercultura faz um movimento semelhante na sociedade pósindustrial, impondo novos processos educacionais. Para alguns, os livros em geral, e os livros
escolares impressos, estão entrando em extinção, no entanto, o que vemos é a tecnologia cada
vez mais aliada à educação.
No que tange o ensino de sociologia no Ensino Médio, que desde as Orientações
Curriculares Nacionais-OCNs (2006) indicam um conjunto de temas bastante variado, temos
um forte aliado para ministrar aulas, pois o acesso aos mais variados conteúdos proporciona ao
professor/a uma chance de filtrar os assuntos, promovendo reflexões baseadas em novas
dinâmicas no cotidiano da sala de aula. Entretanto, estes estímulos encontram obstáculos.
Temos em evidência uma educação pública secundária desestruturada, que não dá
condições ao docente para usufruir dessas tecnologias, a exemplo da Educação Estadual de
Alagoas, onde a maioria das escolas não dispõe de televisores, computadores com acesso a
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internet, sala de vídeo etc. Para todo o Brasil, a situação não é muito diferente como veremos
adiante.
Deste modo, vemos que ainda precisamos caminhar mais nesse processo de
informatização nas escolas, uma vez que, para que as tecnologias sejam nossas aliadas, elas
precisam estar ao nosso alcance, não apenas em alguns espaços, mas em todos os espaços
educacionais.
Diante disto, esta monografia pretende refletir sobre a Educação na contemporaneidade,
com foco no uso das novas tecnologias com Pierre Lévy, Anthony Giddens e Manuel Castells.
A pesquisa bibliográfica e documental irá cuidar particularmente deste tema no que se refere
ao ensino de Sociologia na Educação Básica, e serão observados relatórios de estágio
supervisionado no curso de licenciatura em Ciências Sociais (ICS/UFAL), levando em
consideração que esta experiência no processo de formação de professores cientistas sociais
pode indicar questões relevantes para este profissional na atualidade.
2. Mídias e educação
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2.1 Como a educação está se transformando pelo uso da tecnologia
Concordando com o texto do filósofo e sociólogo Pierre Lévy (1999), tomamos o uso da
tecnologia como um dos principais motivos das mudanças ocorridas nos processos
educacionais, no mundo contemporâneo.
Este autor aponta algumas questões relevantes nestas mudanças, em todo o mundo, tais
como o aumento da demanda por informação; o aumento quantitativo e qualitativo de demandas
por formações diversificadas; o crescente acesso ao uso da internet nas escolas e as
transformações na economia dos processos educacionais, no que diz respeito os recursos
materiais e financeiros, como veremos a seguir.
“os sistemas educativos encontram-se hoje, submetidos a novas
restrições no que diz respeito à quantidade, diversidade e velocidade de
evolução de saberes. Em um plano puramente quantitativo, a demanda
de informação é maior do que nunca.” (Lévy, 1999, p. 169)
Tem-se então, uma educação cada vez mais atrelada ás inovações tecnológicas, mas como
destaca o autor, por enquanto, é uma avaliação mais baseada em referências quantitativas do
que qualitativas. Hoje em dia, principalmente no que diz respeito às universidades, os alunos
levam para as salas de aulas computadores (notebooks, tablets, telefones celulares) com acesso
a Internet e antes mesmo do professor iniciar a aula, eles já têm uma noção de que conteúdo
será exposto , portanto, os docentes devem estar, o tempo todo, se atualizando para poderem
acompanhar esse desenfreado mundo de informações que representa a Internet no mundo
contemporâneo. Isto também quer dizer que são necessárias mudanças nas metodologias de
ensino, pois não se pode esquecer que o processo educacional é uma relação humana que hoje
é muito intermediada por máquinas.
No entanto, a Educação tem passado por longos e dolorosos problemas estruturais, no que
diz respeito a uma educação de qualidade. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica,
2016 (MEC/Ed. Moderna, p. 27) apenas 0,6% das escolas públicas estão em prédios
considerados completos. Além das carências nos equipamentos escolares dos prédios das
escolas e dos problemas de gestão escolar, o que temos visto são profissionais descontentes
com seus salários, com as condições de trabalho, alunos fora da sala de aula, etc. Todos esses
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problemas geram a necessidade de uma formação continuada para atender a demanda por
profissionais que estejam habilitados a enfrentarem suas salas de aula.
“A demanda de formação não apenas conhece um enorme
crescimento quantitativo, ela sofre também uma profunda mutação
qualitativa no sentido de uma necessidade crescente de diversificação e
de personalização” (Lévy, 1999, p. 169.),
Pois dentro das salas de aula tornou-se cada vez necessária a adequação tantos dos
conteúdos quanto das metodologias de ensino, de forma a acompanhar as mudanças sociais e o
que acontece em cada país e em cada região. Todo tipo de escola passou a sentir a necessidade
de utilização de novas tecnologias, e as mídias digitais estão tomando conta dos espaços
educativos de maneira muito positiva, pois estão tornando o processo de ensino aprendizagem
mais produtivos ao atenderem as necessidades reais dos indivíduos. “Os indivíduos toleram
cada vez menos seguir cursos uniformes ou rígidos que não correspondem a suas necessidades
reais ou especificidades de seu trajeto de vida” (Lévy, 1999, p. 169).
O aparecimento da navegação na Internet tornou-se parte integrante do cotidiano dos
indivíduos, pois ela proporciona um acesso muito maior à informação e de maneira muito mais
rápida, pois abriu-se um leque de informações das mais variadas áreas , proporcionando eficácia
nas pesquisas e otimização do tempo despendido para realizar qualquer tipo de pesquisa.
Segundo Lévy “as universidades, cada vez mais, as escolas primárias e secundárias estão
oferecendo aos estudantes as possibilidades de navegar no oceano de informação e de
conhecimento acessível pela Internet” (1999, p. 170). Diversos recursos podem ser utilizados
dentro dos espaços educativos “alguns dispositivos informatizados de aprendizagem em grupo
são especialmente concebidos para o compartilhamento de diversos bancos de dados e uso de
conferências e correios eletrônicos” (idem, p. 171), existem inúmeras ferramentas usadas no
processo de aprendizagem. Umas das muito utilizadas, em vários lugares do mundo, são
ferramentas de transmissão mutua de informações, como o skype, um software que permite
comunicação pela Internet através de conexões de voz sobre IP (VoIP), ou seja, relação
educacional entre pessoas em tempo real.
Esse programa está sendo adotado por várias instituições para a transmissão de aulas, pois
torna possível que duas ou mais pessoas conversem ao mesmo tempo para debater ideias e/ou
fazerem entrevistas, estando em lugares físicos diferentes. Não apenas os alunos se beneficiam
dessas novas tecnologias, mas também os profissionais. Este recurso tem servido para aulas
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regulares nas escolas e universidades e nos cursos de formação continuada. Mesmo que esta
ainda não seja a realidade das escolas públicas alagoanas, o autor aponta pra a disseminação de
metodologias educacionais em todo o mundo e de modo irreversível.
“O uso crescente das novas tecnologias digitais e das redes de comunicação interativa
acompanha e amplifica uma profunda mutação na relação com o saber” (Lévy, 1999, p. 171),
visto que nos séculos anteriores o conhecimento também era transmitido, mesmo que de
maneira lenta, mas a educação também acontecia sem essas novas inovações tecnológicas, deste
modo entendemos essas ferramentas como sendo facilitadoras do processo de aprendizagem e
de descoberta de novos conhecimentos. Trata-se de mudanças advindas dos avanços
tecnológicos em escala global.
É a transição de uma educação e uma formação estritamente institucionalizadas” (Lévy, p.
172, 1999), para que haja “uma situação de troca generalizada dos saberes, o ensino da
sociedade por ela mesma, de reconhecimento autogerenciado, móvel e contextual das
competências (Lévy, p. 172, 1999). Assim, este autor chama a atenção para as mudanças
necessárias nos conteúdos e nas metodologias d e ensino, de um modo geral.
Deste modo, quando pensamos no tamanho e na importância da rede pública de ensino no
Brasil, que segundo o Censo Escolar de 2015, as escolas estaduais e municipais de ensino médio
alcançaram quase sete milhões de matrículas, o ideal seria que o poder público pudesse garantir
a todos o acesso à informação, através da Internet de forma gratuita, visto que é de fundamental
importância investir nas potencialidades humanas.
A Rede Mundial de Computadores, não apenas informa, mas pode também desenvolver o
pensamento crítico. O indivíduo ao acessar a Rede se depara com varias informações, várias
fontes, podendo assim discernir, ponderar o que é verídico ou não, potencializando e
personalizando assim o sujeito que participa desse processo de aprendizagem e interação
através da Internet. Ou seja, o que continua sendo preciso, especialmente nos cursos de
Humanas, é o uso de fontes de informação reconhecidas pela comunidade acadêmica e a leitura
crítica dos seus conteúdos. No caso das Ciências Sociais o uso de mais de uma fonte de
informação continua sendo imprescindível em qualquer experiência de produção de
conhecimento resultante de pesquisa.
Esses novos métodos educacionais ainda possibilitam que os indivíduos mudem suas
opções profissionais várias vezes ao longo vida, diferentemente de quando tinham que decidir
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ainda na escola, ainda muito jovem, todo o seu futuro. Inclusive, antigamente, era comum um
jovem ter apenas uma profissão ou uma formação, seguindo-a por toda a vida, e é “para esse
novo universo de trabalho que a educação deve preparar” (Lévy, 1999, p.174).
Para Lévy, “a evolução do sistema de formação não pode ser dissociada da evolução do
sistema de reconhecimento dos saberes que a acompanha e a conduz” (1999, p.175), ou seja,
faz parte do processo, todas as mudanças que ocorrem. Mudaram as maneiras de adquirir e de
produzir e reproduzir conhecimentos. Este mesmo autor nos adverte que
“usar todas as novas tecnologias na educação e na formação sem
mudar em nada os mecanismos de validação das aprendizagens seria o
equivalente a inchar os músculos da instituição escolar bloqueando, ao
mesmo tempo, o desenvolvimento de seu cérebro” (Lévy, p 1999, p.175).
Tem-se visto que as transformações no papel da educação e o acesso à educação é hoje
um direito reconhecido para todos os cidadãos, principalmente quanto aos
países mais
desenvolvidos em todo o mundo.
No Brasil, durante muito tempo, a educação formal só era acessível às elites. A maioria
das pessoas não tinha acesso à escola. Para a grande maioria, crescer significava aprender, pelo
exemplo dos mesmos hábitos sociais e práticas de trabalho dos mais velhos. As crianças
começavam normalmente a ajudar, desde muito novas, nas tarefas domésticas, no cultivo da
terra e no artesanato, adquirindo no período da adolescência um grande conhecimento da terra
ou de um ofício, em geral, repetindo as tarefas dos pais. Havia muita oralidade na construção
cultural das sociedades mais tradicionais. Posteriormente, nas sociedades industriais e pósindustriais houveram mudanças consideráveis.
Para sociólogo inglês Anthony Giddens, o estudo das mudanças sociais mostra que no
mundo do trabalho também foram significativas as mudanças ocorridas com a intensificação
do uso da tecnologia, através do uso da informática “a nova tecnologia de informação está a
mudar a forma como as organizações trabalham. Muitas tarefas podem ser agora realizadas
eletronicamente, um fato que permite às organizações transcenderem o tempo e o espaço”
(2005, p. 467). Vê-se que “as fronteiras físicas das organizações estão a ser esbatidas pelas
capacidades da nova tecnologia. Muitas organizações trabalham as experiências em grandes
redes, em vez de em unidades auto-suficientes”. (2005, p. 467). Com isto, o autor quer nos dizer
que a importância das redes virtuais tende a superar a organização social baseada na
organização do trabalho num só lugar físico.
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Giddens acentua outras questões importantes para entendermos a extensão dos
impactos causados pela tecnologia na educação. Ele afirma que a economia do conhecimento
requer uma mão-de-obra familiarizada com a computação, e está cada vez mais claro que a
educação pode, e deve exercer um papel decisivo para suprir a necessidade” ( 2005, p. 407).
Sabemos que os suportes tecnológicos vem contribuindo bastante na melhoria do processo de
ensino-aprendizagem, visto que, a contemporaneidade instiga o aluno e o professor a se
informatizarem, para assim obterem aulas mais dinâmicas, mais contextualizada, enfim a
tecnologia muito tem a contribuir na educação, uma vez que essa ferramenta deve ser estudada
minuciosamente antes de utilizá-la.
A disseminação da tecnologia da informação está influenciando de diversas maneiras a
educação nas escolas, pois se faz necessário a utilização das novas mídias digitais. Conforme
explica Giddens (2005) a familiarização com a computação é necessária, e esse papel está se
tornando cada vez mais vigente no campo educacional. Sabemos que mesmo com o crescente
número de pessoas utilizando computador em casa, muitos estudantes ainda não têm
computador, e a escola aparece como elo entre os estudantes e as novas tecnologias.
Temos visto que os conhecimentos não são adquiridos uma única vez, somente na
juventude, por exemplo, mas ao contrário eles são adquiridos ao longo da vida. Com todas as
mudanças no mundo do trabalho, desde o século passado, cada vez mais os profissionais estão
se qualificando, se reciclando, sobretudo através de formações continuadas por meio da
internet. O termo aprendizado está tomando um sentido mais amplo, de modo que este tem em
suas significações a diversidade do ambiente, se afastando da crença de que o aprendizado só
se dá dentro de uma sala de aula formal, pois está sendo entendido que o aluno tem muito a
aprender fora do espaço sala de aula, sendo esse espaço também compreendido através das
mídias digitais e da internet.
Este fato também coloca novas questões para as escolas formais, em todos os graus de
ensino. Ao passo em que a internet possibilita uma profissionalização mais diversificada, as
instituições de ensino e seus profissionais continuam imprescindíveis à introdução de qualquer
pessoa ao mundo do conhecimento. Entretanto, estas mesmas escolas responsáveis pela
Educação formal precisam também incorporar as novas tecnologias em seus procedimentos
para ficarem em sintonia com as demandas de seus alunos e professores e com as exigências
do mercado de trabalho.
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2.2 Teorias da mídia e globalização
Sabe-se que as sociedades possuem uma forma de comunicação peculiar, e que anda de
acordo com o seu próprio tempo. Possuem como elemento propagador das culturas, a sua forma
de comunicação, fazendo com que as mesmas mantenham-se vivas. A natureza da mídia, ou
dos meios de comunicação de modo geral, tem um poder de persuasão maior até mesmo que o
conteúdo que está sendo transmitido.
Giddens (2005, p. 374) chama a atenção para a importância da televisão nas formas
modernas de transmissão de informação.Se compararmos a TV com outros meios de
comunicação que apenas sejam visualizados, como os livros, ou somente ouvidos, no caso do
rádio. Isto faz com que aconteça um fenômeno descrito por MacLuhan chamado de aldeia
global, onde milhares de pessoas estão “ligadas” assistindo às transmissões dos principais
eventos mundiais instantaneamente. Marshall MacLuhan (1911-1980), o canadense que se
tornou referência na teoria da comunicação, prevê o alcance da internet e cria termos
conhecidos em todo mundo, como “aldeia global”. Esta possibilidade de trocar informação em
tempo real é também considerada por Giddens como uma grande mudança cultural e
educacional.
As novas tecnologias que passam a fazer parte de todas as novas formas de comunicação
estão transformando as transmissões de dados cada vez mais sofisticadas e minuciosas. Passou
a existir todo um investimento na área para melhor aprimorar as técnicas e assim suprir a
necessidade do mundo globalizado, que tem como uma de suas principais características ser
feito de relações em rede, onde as comunidades virtuais ganham cada vez mais espaço. Segundo
Giddens (2005), as novas tecnologias das comunicações terminam por alterar todas as formas
de relações sociais, modificando assim todas as esferas da vida social.
O sistema global de redes de computadores chamado internet já faz parte de quase toda
forma de organização social existente no mundo. Embora ela tenha surgido, na década de 1980,
com um objetivo singular de compartilhar informações em diferentes pontos do EUA, ao final
do período chamado de Guerra Fria (conflito indireto, político e econômico entre os Estados
Unidos e a União Soviética, entre 1945 e 1991), irá se espalhar mundialmente a partir da década
seguinte. Segundo Giddens (2005, p.62), “A internet surgiu como o instrumento de
comunicação que teve o maior crescimento em todos os tempos”.
Este mesmo autor define a globalização (2005, p. 568) como “o aumento da
interdependência entre diferentes povos, regiões e países do mundo à medida que as relações
sociais e econômicas passam a abranger o mundo inteiro”. Ele afirma também que a internet e
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os telefones celulares são capazes de aprofundar a globalização cada vez mais. Todos os países
e todas as pessoas estão cada vez mais ligadas virtualmente em todos os aspectos da vida social,
não só no plano econômico.
Entretanto, Giddens acentua que o desenvolvimento da globalização está cada vez mais
desigual (2005,p.79) . Ela aprofunda as desigualdades já existentes no mundo, acelerando as
diferenças entre as sociedades desenvolvidas e as sociedades em desenvolvimento (Idem, p.74).
E este autor acrescenta que “O modo como pensamos nós mesmos e nossas ligações com outras
pessoas está sendo profundamente alterado pela globalização (Idem, p.68).
2.3 Novo padrão de sociabilidade
Sabemos que a sociedade é o produto da interação entre os indivíduos, “a socialização
é o principal canal para a transmissão da cultura através do tempo e das gerações” (Giddens,
2005 p. 42), é graças à socialização que ocorre a sobrevivência humana,uma vez que uma
criança não se desenvolve sem os cuidados de um adulto e diferentes gerações em contato é que
produzem culturas e constroem os diferentes modos de vida.
As formas de interações se desenvolvem em um determinado contexto social
provocando mudanças em todos os campos da vida social.
Sabe-se que o desenvolvimento da escrita foi a primeira grande revolução na
comunicação, pois havia a necessidade de comunicação e luta pela sobrevivência. Graças a
linguagem a humanidade conseguiu aperfeiçoar-se e passou a transmitir conhecimento. Com a
escrita desenvolveu-se também a ciência, logo em seguida a tecnologia, e assim a humanidade
foi seguindo com suas evoluções e no final do século XX surge um novo meio de comunicação,
a Internet.
Para Castells (2003, p. 98), todas as mudanças globais foram compreendidas, muitas
vezes, de modo conflitantes, gerando também mudanças nos paradigmas que orientavam a
produção científica “A emergência da Internet como um novo meio de comunicação esteve
associada a afirmações conflitantes sobre a ascensão de novos padrões de interação social”. O
autor destaca que a internet foi o primeiro meio a conjugar simultaneamente duas características
dos meios anteriores: a interatividade e a massividade.
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Entretanto, este mesmo autor nos chama a atenção para a desigualdade presente também
no mundo virtual. Uma ideia global, que poderia estar ao alcance de todos, nem sempre está:
construir, dizer, escrever, falar e serem ouvidos, vistos, lidos.
“(...) a formação de comunidades virtuais, baseadas, sobretudo em
comunicação online, foi interpretada como a culminação de um processo
histórico de padrões, seletivos, de relações sociais substituem as formas de
interação humanas territorialmente limitadas” (Castells, 2003, p. 98),
Ou seja, com o aumento populacional do Planeta, as fronteiras geográficas que separavam
umas sociedades das outras vão perdendo importância e, ao mesmo tempo, passamos a conviver
com outra forma de organização do trabalho.
Porém os críticos da Internet apontam o isolamento social como um problema gerado
pela mesma (CASTELLS, 2003, p. 98), pois os tipos de relações interpessoais que predominam
na sociedade contemporânea estão se valendo, cada vez mais, do mundo virtual. Seria uma
característica deste novo padrão de relacionamento a execução de várias atividades ao mesmo
tempo, como bater papo, trabalhar, namorar, etc, , partindo de um único ambiente físico, mas
destinadas a diferentes pessoas, lugares ou situações.
Ainda segundo Castells (2003, p. 99), a interação virtual, a construção dos papéis dentro
dessa relação online, a mudança de hábito, essa nova tendência, o status de “estar conectado” é
uma prática que se concentra principalmente entre os adolescentes. Levando-se em
consideração que os adolescentes estão em fase de descobrir sua identidade, fazer experiências
com ela, descobrir novos caminhos, novos conhecimentos, sobretudo, é bem típico da idade e
proporciona um aceleramento nessas descobertas na introdução da fase adulta. O que antes só
era discutido aos 18 anos, no mundo contemporâneo é visto bem mais cedo.
Podemos pensar também com este autor que a Internet nada mais é que uma extensão
da vida, em todas as suas dimensões e sob todas as suas modalidades, e a maioria de seus
usuários acredita que ela facilita o seu cotidiano. E o mais importante em termos de
sociabilidade é que a representação de papéis sociais, que antes era determinante na construção
das sociedades, a partir da Internet, também se altera “e que a própria ideia de representação de
papel social está sendo modificada ( CASTELLS, 2003, p.100).
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Embora alguns resultados de pesquisas apontem certo isolamento social por parte dos
usuários, Castells (2003, p.104) afirma que “o corpo de dados não sustenta a tese de que o uso
da Internet leva a menor interação e maior isolamento social. Há alguns indícios, porém, de
que, sob certas circunstâncias, o uso da Internet pode servir como um substituto para outras
atividades sociais”. Ou seja , ainda está em processo a compreensão de todas as mudanças que
ela provoca.
Segundo este mesmo autor, o conceito de comunidade virtual, fomentou o surgimento
de novos suportes tecnológicos para aprimorar a interação social, diferentes das formas já
existentes de interação. Portanto, as chamadas comunidades virtuais fazem parte das inovações
advindas da Internet e atua de forma essencial para o funcionamento e manutenção da mesma,
visto que, essas comunidades são responsáveis por difundir, por transmitir dados às pessoas que
estão conectadas por todo mundo, daí surgem as relações virtuais (chat, redes sociais e a troca
de emails).
Para Castells (2003, p.108), a Internet também adquiriu a função de atuar como “suporte
material para o individualismo em rede” (2003,p. 108) . Ele destaca a construção de “laços
fracos” entre as pessoas, uma vez que muita gente muda de interesse todo o tempo e nem sempre
as relações feitas virtualmente têm continuidade. Para o autor, “O individualismo em rede é um
padrão, não um acúmulo de indivíduos isolados”. São ações individuais que fazem as redes, os
interesses, os projetos, os valores que serão compartilhados (Idem, p. 109). É um padrão
globalizado de relações sociais que tende a se tornar dominante, principalmente depois da
telefonia móvel (Idem, p. 111).
Em suma, podemos então considerar que é através das novas ferramentas tecnológicas
que os indivíduos estão reconstruindo sua identidade e que a Internet interfere na formação de
sujeitos, mas não o faz de modo absoluto. Para Castells a representação de papéis que existe
em todo processo socializador não passou a ser definida exclusivamente pela internet. E neste
processo a escola se mantém como um lugar muito importante e, atualmente, não se pode pensar
em escola sem internet.
2.4 Conclusões
20
Diante do mundo globalizado em que vivemos, temos um advento crucial que está
modificando as relações sociais, principalmente as relações dentro das salas de aula, vimos que
o aprendizado está perpassando o espaço das salas de aulas, tornando-se cada vez mais
construtivo e adquirido por meio das novas tecnologias.
Vimos também que os espaços educacionais formais estão se enfrentando com esses
novos estudantes globalizados, que fazem parte de uma geração que tem a necessidade de
inovar, de adquirir diferentes conhecimentos, aprendidos de várias formas e em vários
espaços,como sempre é caracterizada a juventude.
Pode-se citar o exemplo dos cursos online, basta possuir um computador com acesso à
internet que é possível estudar online. E não podemos esquecer que estes cursos online também
têm professores, matérias didáticos e procuram ter procedimentos pedagógicos adaptados ao
ambiente virtual, ou seja, são cursos que tentam trazer para este ambiente uma estrutura formal
de curso. Esse fato só é possível graças às novas tecnologias da educação que estão aparecendo
como importantes aliados à produção e difusão de conhecimento.
Temos então uma nova organização da sociedade, uma sociedade onde a conexão, a
transmissão instantânea de dados é a sua marca. Desde usar dinheiro até ler um livro, tudo pode
ser feito virtualmente. Esse é o novo padrão de socialização descrito por Giddens, uma difusão
de conhecimentos que é feita através da propagação dos modos de vida e da cultura, esta
acontece de maneira rápida e prática através das novas tecnologias. Já Castells destaca que a
vida em rede, é também uma extensão do nosso cotidiano, e que se faz necessário aprender a
lidar com essas novas tendências, uma vez que fazemos parte desse processo de reconstrução
de sujeitos. Entendo que a internet amplia nossas relações sociais, de modo que temos que
utilizar essa ferramenta ao nosso favor. Dentro do âmbito educacional ela aparece como peça
fundamental.
3 As mídias e o ensino de sociologia
21
3.1 Finalidade e história da disciplina Sociologia
Sabemos que a disciplina Sociologia na Educação Básica, no Brasil, com mais de cem
anos de história, só recentemente voltou como matéria obrigatória no currículo escolar, como
veremos adiante.
É comum vermos nas escolas alunos se perguntarem sobre a finalidade da disciplina.
Ele tem dificuldade de entender, por exemplo, que conhecimentos adquiridos por meio desta
disciplina poderão ajudá-lo a conquistar uma melhor condição no mercado de trabalho, uma
consciência crítica.
A sociologia é o estudo da sociedade. É a busca pelo conhecimento dos fenômenos
sociais, do comportamento das instituições e das relações de convivência entre os seres
humanos. O ser humano é um ser social, isso quer dizer que em algum momento, todos tiveram
ou terão algum contato com outro ser humano ao longo da sua vida, até mesmo para se isolar
do mundo e das pessoas, o sujeito necessita da colaboração dos outros sujeitos. A sociologia
moderna surgiu da necessidade de alguns estudiosos entenderem e explicarem as principais
transformações a partir do final do século XIX. Já durante a Idade Média a sociedade europeia
tinha uma série de comportamentos oriundos de um modo de vida baseado no uso da terra que
era concedida pelo rei aos nobres; estes cobravam alugueis aos servos, que por sua vez poderiam
usar a terra para produzir alimentos e criar animais. O Clero era influente e determinava muitas
regras que deveriam ser adotadas pela maioria dos homens “pré-modernos”.
Com o surgimento das máquinas, assim como a migração dos homens para as cidades,
com a Revolução Francesa e a consolidação do modo de produção capitalista, a sociedade
passou a ter hábitos diferente. Iniciou-se então, uma nova ordem mundial.
Na idade moderna existe uma crescente valorização da busca por toda forma de
conhecimento baseado em conceitos racionais e não mais apenas em respostas divinas. É a
ciência que passa a ser outra forma de conhecer o mundo, além da religião.
Quem primeiro consegue estabelecer conceitos sociológicos é francês Augusto
Comte. Foi ele o primeiro a usar a palavra sociologia e a criar a teoria que ficou conhecida
como Positivismo. Com Durkheim a Sociologia aparece pela primeira vez como disciplina, na
França, em 1887 ( OCNs Ciências Humanas e suas Tecnologias, 2006, p.101).
22
No Brasil, no então chamado ensino secundário, a disciplina surge como matéria
obrigatória em 1890, como parte da reforma educacional proposta por Benjamim Constant
(1833-1891), mas não seguiu adiante. No começo do século XX, ela passará a fazer parte dos
currículos das escolas normais e do que hoje chamamos de ensino médio (Idem, Ibid).
Entre 1925 e 1942, com a vigência da Reforma Rocha Vaz e depois com
a de Francisco campos (1931), a sociologia passa a integrar os currículos da
escola secundária brasileira, normal ou preparatória (...).em 1933 e 1934
aparecem nos cursos superiores de Ciências Sociais”(Idem, p. 102).
De 1942 a 1982 a Sociologia aparece e desaparece dos currículos nos cursos que hoje
chamamos de ensino médio. A partir de então ela fica permanente em alguns estados brasileiros,
como São Paulo. Com a LDB-Lei nº 9.394/96, volta a ser obrigatória em todo o Brasil, mas “de
maneira interdisciplinar pela área das Ciências Humanas (...)” ( Idem,p. 103). Finalmente em
2008 a LDB é alterada incluindo a obrigatoriedade da Sociologia e da Filosofia no ensino
médio.
Dentro do âmbito escolar é bem visível uma não compreensão da necessidade de estudar
Sociologia, uma vez que os alunos estão a todo tempo indagando: “Por que devo estudar isso?”.
A sociologia é uma disciplina que tem como objetivo levar o aluno a reflexão e crítica dos
fenômenos sociais, não aceitando as informações superficiais ou baseadas no senso comum.
Uma das primeiras aprendizagens que o aluno obtém é a de que todas as ações individuais são
determinadas pelas imposições sociais. O aluno poderá se posicionar e até mesmo contribuir
para resolução dos problemas que se apresentam na sociedade.
Esta função de explicar a vida social, desnaturalizando ideias e valores reproduzidos
pelo senso comum ( OCNs, 2006) traz para a disciplina Sociologia nas escolas a necessidade
de se atualizar sempre quanto aos conteúdos e materiais didáticos. Por isso nos preocupamos
em estudar como se dá o uso das novas tecnologias nas aulas de sociologia no ensino médio.
3.2 O uso pedagógico das mídias
Sabemos que a tecnologia vem se consolidando cada vez mais como uma grande aliada
no processo de ensino-aprendizagem. As mudanças em torno da tecnologia tem conseguido
23
uma profundidade ampla e rápida, como vimos no início deste trabalho. Diante disso faz-se
necessário que a escola se insira dentro desse processo, pois a tecnologia tem mostrado grande
importância no desenvolvimento da sociedade.
Na sociedade contemporânea vemos os alunos inseridos ao mundo virtual, no mundo
das mídias. Ocorre então, uma mudança na prática do docente para que possa ofertar ao aluno
uma educação apropriada para o uso consciente e reflexivo das tecnologias. O trabalho com a
tecnologia exige do professor uma nova forma de educar, pois a revolução da tecnologia
acontece independente de estar ou não em um planejamento da escola, pois os alunos que já
convivem com essa tecnologia inovadora em seu cotidiano já sentem a necessidade de que
escola desenvolva seu trabalho partindo dela.
Faz-se necessário que o professor adquira conhecimentos técnicos e científicos sobre
como desenvolver uma prática pedagógica inovadora e que contemple o desenvolvimento de
competências úteis a formação completa do cidadão. Conhecer como essas práticas funcionam
é essencial para o desenvolvimento e aprimoramento delas em sala de aula. Desse modo é
possível compreender que a tecnologia passa a ser uma parceira no desenvolvimento de novas
potencialidades na prática docente.
A utilização das mídias na escola tem como objetivo principal criar ambientes de
aprendizagens, enriquecendo as aulas e despertando o senso crítico dos discentes. Porém, não
deve ser exigido somente do professor, mas também da escola. É preciso haver um aparato para
que o uso das mídias funcionem. E elas aparecem como um novo meio para o desenvolvimento
de metodologias de ensino, ou seja, os conteúdos das Ciências Sociais, que devem constar na
disciplina Sociologia no ensino médio, passam a ter um novo parceiro que é o uso destas novas
mídias.
3.3 Mídias, Educação e Sociologia
De acordo com Johnson (2001, p. 9), “a explosão de tipos de meios de comunicação no
século XX nos permite, pela primeira vez, apreender a relação entre a forma e o conteúdo, entre
o meio e a mensagem, entre a engenharia e a arte”. Essa explosão e a velocidade das com que
as coisas ocorrem é que nos faz perceber como os meios de comunicação tema capacidade de
nos influenciar.
24
O desenvolvimento e o aperfeiçoamento das mídias disseminaram o processo comunicativo
e a conexão entre os povos. As mídias participam de maneia efetiva na educação, pois a
utilização das mesmas faz parte das aulas, uma vez que o acesso a internet se tornou amplo e
acessível a uma parcela grande da população. O uso do celular é um grande exemplo dessa
disseminação de conhecimentos, pois o aluno até mesmo durante uma aula ou palestra pode
consultar simultaneamente se a informação que está sendo passada está totalmente correta.
Todo esse processo de troca de informações simultâneas que a internet proporciona nos leva
a refletir sobre como a sociedade recebe essa troca, essa interação, pois esse tipo de recurso
deve ser utilizado da maneira correta.
Vale ressaltar que, se por um lado “(...) a atração dos processos midiáticos” atua de maneira
contundente em nossa “sociedade mediatizada”, conforme apontam Braga e Calazans (2001),
por outro lado, faz-se relevante à educação apropriar-se de forma crítica e criativa das mídias
(e ou das tecnologias midiáticas), de modo a torná-las em multiplicadores e circuladores dos
saberes. As convergências e possibilidades entre os campos da Comunicação e Educação são
variadas. A primeira é a reciprocidade, pois as duas áreas podem aproveitar a construção interior
de cada uma. Vê-se, com frequência, os dois campos em interação, ainda mais que a
comunicação estimula o processo simbólico das atividades da sociedade. A interface mais
comum é a utilização dos meios de comunicação no processo formal de ensino. Quanto mais
houver essa aproximação, mais cada campo desenvolve a competência de interagir com o outro.
Seguindo Dwyerd (2010) a incorporação das TIC nas Ciências Sociais brasileiras e no
Ensino Médio abre um leque de novas alternativas ao desenvolvimento do ensino. De acordo
com Sonia Penin em “Ensinar a Ensinar: didática para a escola fundamental e média”, a
tecnologia disponível, sobretudo através da internet possibilita diferentes formas de acesso ao
saber e alerta para este momento atual em que temos como símbolo a informática, defendendo
que a base das mudanças da cultura contemporânea não está na tecnologia em si, mas na forma
como o acesso e a relação com o conhecimento se transforma a partir dela. Para Almeida e
Prado (2005) o uso da tecnologia na escola, quando pautada nos princípios que privilegiam a
construção do conhecimento, o aprendizado significativo e interdisciplinar e humanista, requer
dos profissionais novas competências e atitudes para desenvolver uma pedagogia voltada para
a criação de estratégias e situações de aprendizagem que possam tornar-se significativa para o
aprendiz, sem perder de vista o foco da intencionalidade educacional.
Segundo Dwyer (2010, p. 165), a Sociologia exerce um papel na formação do cidadão
bem informado, mas é preciso reconhecer que a mera existência das TIC não garante, por si só,
que descobertas sejam feitas. É preciso ter pesquisadores dotados de qualificações em
25
Informática e Sociologia, professores capazes de ensinar seus alunos como pesquisar e teorizar,
do contrário o aparecimento das TIC na escola pode estar associado a uma reprodução de
saberes já existentes.
Para Moraes e Guimarães (2010, p. 52), é interessante que haja a mediação pedagógica
das TIC em relação ao ensino de sociologia, referindo-se às diferentes e possíveis maneiras de
se traduzir o conhecimento sociológico, tornando-o compreensível e interessante para os alunos
do ensino médio, sugerindo ainda associar a apresentação de temas a recursos capazes de
provocar interesse e conferir materialidade ao conteúdo trabalhado, despertando no aluno a
habilidade do estranhamento e desnaturalização dos fatos sociais. Portanto o professor possui
essa missão de ensinar ao aluno como lidar com a infinidade de conhecimentos disponíveis, e
ainda assim, caberá ao aluno a decisão de como irá utilizá-lo.
3.4 Conclusões
As TI não estão sendo utilizadas como se espera, com eficiência e eficácia em sua
função, visto que, há uma grande deficiência nos equipamentos midiáticos da escola pública
revelando assim a grande desigualdade nas diferentes redes de ensino e o quanto às escolas
necessita das mesmas em suas práxis.
A inclusão das Tecnologias de Informação no ambiente escolar é de grande importância,
pois possibilita a interação entre professor – aluno na busca e na apropriação do conhecimento,
como também facilita no entendimento do aluno ao conteúdo apresentado.
Por isso, acreditando em um melhor aproveitamento das tecnologias disponibilizadas
pelas escolas aos educadores e alunos.
No ambiente escolar a maioria dos educadores já utiliza a mídia vídeo, porém ainda
existem alguns que receiam o seu uso, por motivos de não saber manusear os equipamentos e
possuir certa resistência à utilização da tecnologia. A forma mais utilizada pelos educadores
das instituições é o uso da mídia vídeo, sem limitações a aulas expositivas.
Portanto, é necessária a formação do educador para a tecnologia, pois ela prover
condições para que seja construído seu conhecimento sobre as técnicas midiáticas, entender por
que e como integrar as mídias em sua prática pedagógica e ser capaz de superar barreiras de
ordem administrativa e pedagógica. Com isso possibilitará a transição de um sistema
fragmentado de ensino para uma abordagem integradora de conteúdos, voltada para a resolução
de problemas específicos do interesse de cada educando (MORAN,2000).
26
De forma geral o ensino de Sociologia mediado pelas Tecnologias da Informação e da
Comunicação requer uma preparação didática do professor para que venha a dominar além do
conteúdo teórico da disciplina, o manuseio das TIC, favorecendo assim o processo de ensino e
o interesse por novos métodos de aprendizagem, propiciando a formação de alunos críticos,
autônomos e reflexivos, conforme aponta as diretrizes da Sociologia para o Ensino Médio.
Ainda conforme orientam as Diretrizes a escola básica e, em especial, o ensino médio foram
constituindo uma cultura própria – o que muita vez se chama cultura escolar –, em que saberes
produzidos pelas pesquisas acadêmicas são transformados em saberes escolares, com
características próprias, definidas por um contexto de ensino em que se redefinem os tempos,
os conteúdos, os métodos, as avaliações e as condições do aprendizado dos alunos. Trata-se de
um desafio no tocante ao ensino sociológico que requer a permanência da linguagem clássica e
da teoria, a interação do sujeito social com o seu meio, ao mesmo tempo em que a configuração
atual da sociedade globalizada agrega novos valores e paradigmas em relação ao processo
pedagógico.
Neste caso as TIC utilizadas como ferramentas para mediar o ensino de Sociologia é
uma proposta para que o objetivo principal da formação venha a ser concretizado, constituir
cidadãos criativos e informados, com uma carga curricular presente, interpretada e analisada
com o suporte das Tecnologias da Informação e da Comunicação, transformando o ambiente
escolar num imenso laboratório, onde o conhecimento é difundido de maneira rápida e eficaz,
contribuindo ainda mais para o crescimento intelectual do alunado.
4- Notas sobre o ensino de Sociologia na rede pública de Alagoas
O professor de Sociologia no Ensino Médio enfrenta desafios
diários e necessita
estar em constante reflexão, uma vez que, formar opiniões dentro de uma sociedade totalmente
influenciada por quem não detém o conhecimento é uma tarefa árdua. O ensino de Sociologia
é norteado pelas Leis de Diretrizes e Bases Nacionais- LDB (1996), pelos Parâmetros
Curriculares Nacionais-Ensino Médio-PCN (2000) e pelas Orientações Curriculares para o
27
Ensino Médio- OCNs (2006). Estas normatizações dizem respeito ao trabalho docente com os
conteúdos de Ciências Sociais, ou seja, de Antropologia, Ciência Política e Sociologia.
As tecnologias de informação já são realidade em diversos espaços de ensino e
aprendizagem. Com isso, os professores/as e o alunos/as devem procurar se atualizar sempre.
Com esta apropriação das informações e do conhecimento tecnológico por toda a sociedade, as
TIs contribuem para expandir o acesso à informação atualizada, permitindo estabelecer novas
relações com o saber e com a sociedade (ALMEIDA, 2003). Assim, principalmente nas escolas
públicas, as TIs favorecem de maneira marcante para a inclusão social dos alunos através da
educação.
A utilização de mídias nas aulas de Sociologia passa a ser uma aliada na renovação das
metodologias de ensino, criando condições para que o aluno se aproprie e construa
conhecimentos, acompanhando a modernidade oriunda da sociedade contemporânea.
As instituições escolares da rede pública de ensino no estado de Alagoas receberam
incentivos para modernização tecnológica. Um destes incentivos foi com o programa Escolas
Sustentáveis, onde o mesmo é financiado pelo MEC. Este programa, que contempla as escolas
públicas, ligado ao Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), de acordo com a Resolução
FNDE nº 18, de 3 de setembro de 2014, para promover ações voltadas à melhoria da qualidade
de ensino na determinada escola. Com esta verba é possível a aquisição entre outras coisas para
benefício da escola, de TV, de vídeo, onde pode ser utilizada como um recurso para
desenvolvimento pedagógico em sala de aula. Há disponibilidade de duas TV’s na escola, onde
atualmente não estão sendo usadas pelos professores.
Durante os estágios Supervisionados do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais
ICS/UFAL, em dois semestres letivos, no ano de 2010, na Escola Estadual Professora Maria da
Salete Gusmão observou-se que ainda há muito que se fazer, no que diz respeito à utilização
das mídias nas aulas de Sociologia, pois a falta de estrutura vivenciada pela maioria das escola
dificulta a utilização desse tipo de recurso dentro da sala de aula. Dentro das escolas não vemos
salas de vídeo equipadas, nem dispõem de laboratório de informática. Portanto o caminho a ser
percorrido ainda é grande.
Por outro lado, observou-se também que as mídias também podem ser utilizadas fora do
espaço escolar (em casa, por exemplo), quando é solicitado que o aluno assista a algum filme
ou documentário em casa, ou até que o mesmo pesquise determinado assunto na internet; e que
o vídeo é a mídia mais utilizada, pois proporciona uma amplificação de conhecimentos através
de filmes e documentários. Vimos que o debate que a disciplina exige fica mais dinâmico e
atrai os alunos para o cotidiano da sala de aula.
28
Dentro da escola os problemas com infraestrutura são maiores que os benefícios desta
utilização, faltam desde elementos básicos e essenciais, como por exemplo, tomada, cabos etc.,
até aparelhos mais caros, como data show, caixas de som. Essa situação fazia com muitos
professores desistissem de se utilizar dessas tecnologias. A Escola Estadual Professora Maria
da Salete Gusmão possui computadores quebrados, televisores que não funcionam. Na época
da observação do estágio (abril e maio de 2010) os professores para utilizar mídia durante a
aula, combinavam com outros professores e ate mesmo com os alunos, para levar os materiais
que não tinha na escola.
Um ponto relevante observado durante o estágio foi que o laboratório estava desativado,
assim como a sala de multimídia, devido a roubos e depredação do patrimônio público que
houve, após vários episódios de roubo, os materiais ficaram inutilizados. A escola possui um
auditório que havia uma televisão ampla dentro de uma grade, no entanto a mesma foi roubada.
É importante destacar que desde 2012 as aulas de sociologia contam com o Programa
Nacional do Livro Didático-PNLD, ou seja, os professores passaram a ter um roteiro mínimo
para trabalharem os conteúdos em sala de aula. O PNLD seleciona, através de um grupo de
especialistas, os livros que serão distribuídos gratuitamente nas escolas. Em cada escola os
professores escolhem o livro que será adotado. Praticamente em todos os capítulos está sugerido
o uso de vídeos, documentários, filmes e pesquisas com o uso da internet. Nas escolas onde fiz
estágio supervisionado os livros didáticos.
Se é objetivo da Sociologia no ensino médio desnaturalizar ideias e valores do senso
comum, para contribuir no desenvolvimento de cidadãos mais informados, o uso da tecnologia
na escola pública alagoana está produzindo bons resultados quando atrai o/a aluno/a para a
escola. Mas continuam os outros problemas, como o trabalho com os conteúdos específicos da
disciplina e as difíceis relações das gestões escolares com alunos e professores.
5- Considerações Finais
A tecnologia sempre modificou as relações sociais, e nas últimas décadas tem
transformado principalmente as relações dentro das salas de aula. Vimos que o aprendizado em
sala de aula torna-se cada vez mais construtivo e adquirido por meio das novas tecnologias. As
escolas estão acolhendo os novos estudantes globalizados, que, como toda juventude em
qualquer época, faz parte de uma geração que tem a necessidade de inovar, de adquirir
diferentes conhecimentos, aprendidos de várias formas e em vários espaços.
29
As tecnologias da informação estão também ajudando na difusão de cursos como
oportunidades de aumento da escolarização, com os cursos online, pois basta possuir um
computador com acesso à internet e tempo disponível para estudar online. E não podemos
esquecer que estes cursos online também têm professores, matérias didáticos e procuram ter
procedimentos pedagógicos adaptados ao ambiente virtual, mas estamos falando dos cursos
autorizados pelo MEC, portanto, fiscalizados quanto aos seus conteúdos e metodologias. Esse
fato só é possível graças às novas tecnologias da educação que estão aparecendo como
importantes aliados à produção e difusão de conhecimento.
Temos então uma nova organização da sociedade, uma sociedade onde a conexão, a
transmissão instantânea de dados é a sua marca. Desde usar dinheiro até ler um livro, tudo pode
ser feito virtualmente. Esse é o novo padrão de socialização descrito por Giddens (2005), uma
difusão de conhecimentos que é feita através da propagação dos modos de vida e da cultura. Já
Castells (1999) destaca que a vida em rede, é apenas uma extensão do nosso cotidiano, e que
se faz necessário aprender a lidar com essas novas tendências, uma vez que fazemos parte desse
processo de reconstrução do sujeito. Entendo que a internet amplia nossas relações sociais, de
modo que temos que utilizar essa ferramenta ao nosso favor. Dentro do âmbito educacional ela
aparece como peça fundamental.
O indivíduo busca as informações conforme sua necessidade e carrega em si o potencial
para ser formador de opinião. Os meios de comunicação de massa fornecem material para a
formação de opinião e para o posicionamento diante dos fatos. E essas mídias facilitam a
participação e a interação entre todos os envolvidos. Do mesmo modo, a comunicação pode
convergir para a educação no momento em que possibilita essa estrutura aglutinadora de saberes
que é o ciberespaço. São complementares. Se bem utilizadas, as competências educativas dos
dois campos fortalecem o imaginário, o simbólico. E, quiçá, isso reflita um maior interesse e
motivação para a aprendizagem, pois, hoje, aprender é também fazer experiência em ambientes
que permitem apropriá-los de diversas [outras] maneiras. Trata-se portanto de uma
aprendizagem que tem muito de disposição geral (na medida do acesso, por muitos, a um
mesmo material simbólico) e muito de experiência singular, vivida (na especificidade das
interações e das interpretações ativadas pelos usuários) (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 62).
Foresti cita Edgar Morin (2000, p.11), ao destacar a complexidade do pensamento, fala na
questão do ensino e, mais do que isso, da educação. Defende a necessidade de um ensino
educativo, cuja missão é “transmitir não o mero saber, mas uma cultura que permita
compreender nossa condição e nos ajuda a viver, e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo
30
de pensar aberto e livre”. Além disso, argumenta que “a educação pode ajudar a nos tornarmos
melhores, se não mais felizes, e nos ensinar a assumir a parte mais prosaica e viver a parte
poética de nossas vidas”.
Esta questão nos remete ao fato de que a escola não é o único local para a busca de
conhecimentos e, assim, com a utilização das novas tecnologias, o conhecimento dentro e fora
da escola passou a ser mais rápido, mais diversificado. Foresti, com Morin (2001) nos explica
que o desenvolvimento do conhecimento se dá através da capacidade de contextualização num
mundo globalizado, onde, sem dúvida, as TIs são um forte aliado.
Nesse mesmo pensamento, Lévy (1993) analisa as novas tecnologias – técnicas – como
uma possibilidade de potencializar a prática do conhecimento, formando uma Inteligência
Coletiva. Essas técnicas trazem novas maneiras de conhecer o mundo, representar e transmitir
o conhecimento, através da linguagem. Todo esse conhecimento fica latente, à espera de ser
acessado, capturado, utilizado e reutilizado. A formação dessa nova geração passa, de forma
natural, pelo mundo das representações sociais. As imagens trazem o mito pronto, resumido,
sem a necessidade da narrativa. E a sucessão de novas imagens é uma imposição do próprio
espetáculo. Para romper este tipo de barreira ao desenvolvimento do conhecimento podemos
pensar cada vez mais na valorização do trabalho do professor e nas suas condições de trabalho
em cada escola.
Os latino-americanos Jesús Martín-Barbero (2002) e Jorge A. Gonzales (1999) discutem
a interface entre Comunicação e Educação, cruzando o terreno da Cultura, à luz das novas
tecnologias. O primeiro enfatiza que, mais do que instrumental, a comunicação na educação
passa a ser estrutural, uma vez que remete a novos modos de percepção e de linguagem. Há
uma nova sensibilidade. A tecnologia desloca, segundo o autor (2002, p. 80), as condições do
saber. O que a trama comunicativa da revolução tecnológica introduz em nossas sociedades não
é tanto uma quantidade inusitada de novas máquinas, e sim um novo modo de relação entre os
processos simbólicos – que constituem o cultural – e as formas de produção e distribuição de
bens e serviços (MARTÍN-BARBERO, 2002, p. 81).
Entretanto, este autor adverte que o sistema escolar (estrutura e organização escolar,
condição docente, materiais didáticos e metodologias de ensino) foi formatado linearmente, só
que, agora, deve conviver com o saber sem lugar próprio, único. E, mais do que isso, a disputa
dos discursos com as imagens.
Concluindo, salientamos que uma pessoa estrutura e distribui aquilo que absorve por
meio das mídias, o que está diretamente ligado ao lugar social do sujeito (alunos, professores e
gestores escolares). Logo, a apropriação do conhecimento se dá de diferentes maneiras e de
31
forma desigual. Neste sentido, a possibilidade dos saberes construídos através do processo
educativo em consonância com os saberes da comunicação, suas mídias, contribuirão na
aquisição do conhecimento, aprimoramento da sensibilidade, para a formação de cidadãos
conscientes do exercício pleno de sua cidadania, considerando todas as diferenças entre eles.
Pessoas de diferentes condições sociais lidam com a educação e com a tecnologia de maneira
diferente. As novas mídias contribuem, sem dúvida, para o desenvolvimento do ensino, mas
dependem muito das condições reais de cada escola.
Sabemos que as TI não estão sendo utilizadas como se espera, com eficiência e eficácia
em sua função, visto que, há uma grande deficiência nos equipamentos midiáticos da escola
pública revelando assim a grande desigualdade nas diferentes redes de ensino e o quanto às
escolas necessita das mesmas em suas práxis.
A inclusão das Tecnologias de Informação no ambiente escolar é de grande importância,
pois possibilita a interação entre professor – aluno na busca e na apropriação do conhecimento,
como também facilita no entendimento do aluno ao conteúdo apresentado.
No ambiente escolar alagoano a maioria dos professores já utiliza a mídia vídeo, ainda
que alguns ainda ofereçam resistência por não saber manusear os equipamentos e ou ainda por
não terem aprendido a usa-los dentro e fora da sala de aula. Estes ainda continuam com suas
aulas limitadas às aulas expositivas.
Portanto, é necessária a qualificação tecnológica dos professores para entender por que
e como integrar as mídias em sua prática pedagógica e ser capaz de superar barreiras de ordem
administrativa e pedagógica. Com isso possibilitará a transição de um sistema fragmentado de
ensino para uma abordagem integradora de conteúdos, voltada para a resolução de problemas
específicos do interesse de cada educando (MORIN,2000).
De forma geral, o ensino de Sociologia na Educação Básica mediado pelas Tecnologias
da Informação e da Comunicação requer uma preparação didática do professor para que venha
a dominar além do conteúdo teórico da disciplina, o manuseio das TIC, favorecendo assim o
processo de ensino e o interesse por novos métodos de aprendizagem, propiciando a formação
de alunos críticos, autônomos e reflexivos, conforme aponta as diretrizes da Sociologia para o
Ensino Médio.
Conforme toda a normatização a escola básica e, em especial, o ensino médio foram
constituindo uma cultura própria – o que muita vez se chama cultura escolar –, em que saberes
produzidos pelas pesquisas acadêmicas são transformados em saberes escolares, com
características próprias, definidas por um contexto de ensino em que se redefinem os tempos,
32
os conteúdos, os métodos, as avaliações e as condições do aprendizado dos alunos. Trata-se de
um desafio no tocante ao ensino sociológico que requer a permanência da linguagem clássica e
da teoria, a interação do sujeito social com o seu meio, ao mesmo tempo em que a configuração
atual da sociedade globalizada agrega novos valores e paradigmas em relação ao processo
pedagógico.
Neste caso as TIC utilizadas como ferramentas para mediar o ensino de Sociologia é
uma proposta para que o objetivo principal da formação venha a ser concretizado, constituir
cidadãos criativos e informados, com uma carga curricular presente, interpretada e analisada
com o suporte das Tecnologias da Informação e da Comunicação, transformando o ambiente
escolar num imenso laboratório, onde o conhecimento é difundido de maneira rápida e eficaz,
contribuindo ainda mais para o crescimento intelectual do alunado.
Sabe-se que o indivíduo busca as informações conforme sua necessidade e desta feita, se
transforma em um formador de opinião. As novas tecnologias oferecem todo material para se
obter conhecimento e assim, poder obter um posicionamento diante dos fatos. E essa mídia,
aliada às novas técnicas, facilita a participação e a interação entre os diferentes públicos. Do
mesmo modo, a comunicação pode convergir para a educação no momento em que possibilita
essa estrutura aglutinadora de saberes que é o ciberespaço.
Como mostra Levy (1999) a comunicação por mundos virtuais é, portanto, em certo sentido,
mais interativa que a comunicação telefônica, uma vez que implica, na mensagem, tanto a
imagem da pessoa como a da situação, que são quase sempre aquilo que está em jogo na
comunicação, desta forma é uma interação maior.
Morin defende (2000, p. 11) a necessidade de um ensino educativo, cuja missão é
“transmitir não o mero saber, mas uma cultura que permita compreender nossa condição e nos
ajuda a viver, e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre”. Além disso,
demonstra que “a educação pode ajudar a nos tornarmos melhores, se não mais felizes, e nos
ensinar a assumir a parte mais prosaica e viver a parte poética de nossas vidas”, ou seja, que
essas mídias através da internet nos proporcionam uma infinidade de oportunidades de
crescimento intelectual.
Lévy (1993) analisa as novas tecnologias – técnicas – como uma possibilidade de
potencializar a prática do conhecimento, formando uma Inteligência Coletiva. Essas técnicas
trazem novas maneiras de conhecer o mundo, representar e transmitir o conhecimento, através
33
da linguagem. Todo esse conhecimento fica disponível, à espera de ser acessado, adquirido,
utilizado e reutilizado.
No entanto, mesmo sabendo dessa importância que os meios de comunicação exercem
dentro da educação, a realidade no ensino público, caminha a passos lentos, mas caminha, o
que já é um avanço. As mídias são utilizadas não só para ministrar aulas, mas também para o
professor enriquecer os seus conhecimentos, promover debates etc. A função da mídia dentro
de sala de aula é quase indiscutível, uma vez que ela promove uma interação entre aluno e
professor, melhorando assim, essa relação do saber. E um/a professor/a bem qualificado é
fundamental para que se faça a seleção dos conteúdos e metodologias que poderão desenvolver
suas aulas.
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