Quem pode trair? A infidelidade sob uma perspectiva de gênero

Discente: Maria Joana Batista Ribeiro; Orientador: João Batista de Menezes Bittencourt.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS – ICS
CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS

MARIA JOANA BATISTA RIBEIRO

QUEM PODE TRAIR? A INFIDELIDADE SOB UMA
PERSPECTIVA DE GÊNERO.

MACEIÓ
2016

2

MARIA JOANA BATISTA RIBEIRO

QUEM PODE TRAIR? A INFIDELIDADE SOB UMA
PERSPECTIVA DE GÊNERO.

Trabalho de conclusão de curso submetido ao Instituto de
Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas,
como parte do requisito para obtenção do Grau de
Licenciada em Ciências Sociais.
Orientador: Prof. Dr. João Batista de Menezes
Bittencourt

MACEIÓ
2016

3

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________
Prof. Dr. João Batista de Menezes Bittencourt (Orientador) - UFAL
1º Examinador

___________________________________________
Prof. Dr. Amaro Xavier Braga Junior
2º Examinador

____________________________________________
Prof. Drª Rute Vasconcelos Lopes Ferreira
3º Examinador

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
2016

4

AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me dado força nesse empreendimento.
A Universidade Federal de Alagoas, seu corpo docente, direção e administração
que oportunizaram a janela que hoje vislumbro um horizonte superior.
Ao meu orientador Prof. Dr. João Batista de Menezes Bittencourt, pelo suporte no
tempo que lhe coube, pelas suas correções e incentivos.
Aos meus pais, pelo amor, incentivo e apoio incondicional.
E a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação, o meu
muito obrigado.

5

RESUMO
O objetivo do presente trabalho é analisar o fenômeno da infidelidade a partir de uma
perspectiva de gênero. Analisando ao longo da história os papéis atribuídos a homens e
mulheres no quesito infidelidade, casamento e família, foram analisadas as representações do
masculino e do feminino na perspectiva do Direito, da Religião e da Ciência, verificando
como estas serviram de base para fundamentar diferenças sociais. E mostrar em que medida
elementos tradicionais e modernos se articula nas falas dos estudantes da Universidade
Federal de Alagoas.
Palavras – chave: Infidelidade Conjugal. Papéis de gênero. Discurso.

6

ABSTRACT
The objective of this study is to analyze the phenomenon of infidelity from a gender
perspective. Looking through history the roles assigned to men and women in the category
infidelity, marriage and family, the representations of the male and female were analyzed
from the perspective of Law, Religion and Science, checking how these served as the basis to
support social differences . And show to what extent traditional and modern elements is
articulated in the speech of students of the Federal University of Alagoas.

Key - words: Conjugal Infidelity. gender roles. Speech.

7

ÍNDICE
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................08
Capítulo I – Infidelidade Conjugal .........................................................................................10
1.

Infidelidade, casamento e família: papéis masculinos e femininos .............................10

2.

Transformações sociais: novas configurações..............................................................13

3.

Sentidos da infidelidade conjugal em nossos dias........................................................16

Capítulo II -- Representações do feminino e do masculino sob as perspectivas do direito, da
religião e da ciência...................................................................................................................19
Capítulo III – Os diferentes discursos.....................................................................................26
1.

Grupo selecionado.........................................................................................................26

2.

Resultados da pesquisa..................................................................................................30

3.

Perdoa ou não perdoa?.................................................................................................34

Considerações Finais...............................................................................................................38

Bibliografia .............................................................................................................................40

8

INTRODUÇÃO

A infidelidade conjugal foi considerada justa até muito tempo para os homens. As
mulheres eram educadas para o casamento, tinha um papel de submissão

e procriação após

o casamento e deveriam ser extremamente fiéis.
A ciência, o Direito e a religião são algumas instâncias que estabeleceram
comportamentos para cada membro da sociedade. Deixando as mulheres restritas ao espaço
do privado possibilitando aos homens uma liberdade maior. As diferenças entre homens e
mulheres são diversas, principalmente no que diz respeito a opiniões, comportamentos,
atitudes e crenças, mas, serviu de base para classificar homens como superiores em relação às
mulheres, fundamentando diferenças sociais, dando a mulher um papel com menor prestígio
social.
Mas os valores têm mudado como também a forma de enxergar os tipos de
comportamento. A modernidade mudou a ordem social tradicional. O estilo de vida e
costumes sociais emergidos da Europa a partir do século XVIII foram fatores determinantes,
ou seja, modos de comportamento estabelecidos pela primeira vez na Europa depois do
feudalismo. Esse estilo de vida transformou as formas de relacionamento social. Nas
sociedades tradicionais a coletividade exercia uma maior influência sobre as decisões dos
indivíduos, ao passo que nas sociedades modernas há uma preponderância do Eu sobre o
NÓS!
O objetivo do presente trabalho é problematizar os diferentes discursos sobre infidelidade
conjugal articulados por homens e mulheres estudantes da Universidade Federal de Alagoas que
frequentam os diferentes cursos na instituição. Analisar o fenômeno da infidelidade em um contexto
de destradicionalização, de transformações de valores e verificar se há um maior equilíbrio entre as
posições de gênero.

A escolha desse tema deveu-se ao fato de se verificar sua ocorrência na esfera da
vida amorosa desde muito tempo. Baseada nas leituras que fazia, assim como nos relatos de
casos que ouvia no âmbito social que estava inserida, a curiosidade de conhecer essa
problemática aguçou minha curiosidade o que acabou determinando o tema desta monografia.
A traição é um tema abordado na área da Psicanálise, Psicologia, Psiquiatria,
Psicologia Clínica. É justamente por ter pouca produção na área das ciências sociais que
acabou determinando o desenrolar desta pesquisa.

9

A metodologia utilizada foi à qualitativa. A abordagem das metodologias
qualitativas de investigação destaca o seu carácter descritivo, interpretativo e compreensivo
com que se analisa o social, valorizando o significado da ação e o papel dos sujeitos na
construção social da realidade.
O método trabalhado foi análise de narrativas. Minha preocupação foi com os
sentidos presentes nas narrativas dos estudantes. Foi focalizado um assunto sobre o qual
confeccionei um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões. A
pesquisa foi feita na modalidade on-line1. A pesquisa on-line oferece várias vantagens,
possibilita que a análise seja feita não apenas por uma pessoa, não somente em um mesmo
lugar, o que significa um ganho de tempo e agiliza todo o processo. Esse tipo de entrevista
pode fazer emergir informações de forma mais livre e as respostas não estão condicionadas a
uma padronização de alternativas.
O primeiro capítulo busca contextualizar ao longo da história os papéis atribuídos
a homens e mulheres no quesito infidelidade, casamento e família e como transformações
sociais determinaram novas configurações. Nessa etapa foram considerados os pressupostos
teóricos de Giddens (1993), Bourdieu, (2005), Bozon, (2004), Bauman (2009). Em seguida
são apresentados os vários sentidos da infidelidade nos dias atuais. Nesse momento foram
considerados os pressupostos teóricos de Pasini (2010), Goldenberg (2004). No segundo
capítulo é abordado como a Religião, o Direito e a ciência apresentaram discursos que
serviram de base para fundamentar diferenças sociais entre homens e mulheres. O terceiro
capítulo constitui a analise de dados levantados através da pesquisa com estudantes da
Universidade Federal de Alagoas de diferentes cursos, com idade entre 21 a 28 anos; a
pesquisa foi feita na modalidade on-line, e as questões postas foram referentes a infidelidade
conjugal. Esses dados podem ajudar a pensar como os sentidos da infidelidade ou os discursos
sobre infidelidade são produzidos através dos papéis de gênero, como também mostrar em
que medida elementos tradicionais e modernos se articula nessas falas.

_______________________
1

On-line, as entrevistas foram realizadas através de e-mails enviados para os interlocutores.

10

CAPÍTULO I
Infidelidade Conjugal
As transformações que vem ocorrendo no amor, no casamento e na sexualidade
no decorrer da modernidade (a revolução sexual, a emancipação feminina) teve consequências
enormes na intimidade dos indivíduos. A infidelidade conjugal sempre foi vista de formas
distintas por diversas sociedades, algumas tratavam com extremo rigor, como por exemplo, na
Antiga Babilônia, era retirado um dos olhos da esposa para que esta só enxergasse o esposo,
outras como um ato aceitável, uma vez por ano era permitido às mulheres de Savóia, região
da França, irem a tabernas com o intuito de se relacionarem com outros homens.
A palavra traição se remete ao ato de trair e significa falta de lealdade, quebra da
fidelidade e confiança. Sendo assim, a traição pode acontecer entre amigos ou entre
indivíduos que estabeleçam um relacionamento amoroso.
De acordo com O Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa (2004) a
palavra traição significa: Ato ou efeito de trair. Perfídia. Entrega aleivosa. Quebra aleivosa da
fé prometida e empenhada. Infidelidade conjugal. Emboscada desleal; surpresa vil à
traição: traiçoeiramente, aleivosamente. Pelas costas, à falsa fé.

1.

Infidelidade, casamento e família: papéis masculinos e femininos

Por muito tempo a infidelidade conjugal foi um comportamento com maior
incidência entre os homens. A eles sempre foi permitida uma dupla moral sexual, podiam
trazer para seu leito concubinas, prostitutas, enquanto a esposa devia-lhe a virgindade e uma
fidelidade intransigente. Possuir várias esposas representava poder, riqueza, ou prestígio
social. Na antiguidade grega e romana, a sexualidade lícita para os homens adultos lhe
permitia todos os prazeres, desde que não colocassem em perigo a sua posição social.
Em relação à mulher o ideal destas consistia na garantia e confiança de um lar
com um marido que a amparasse e por ela decidisse e pensasse, e filhos até quantos viessem.
Esse era o grande fim almejado pela mulher. O mundo que lhe cabia era o mundo do lar. O
que ocorria no mundo exterior a sua casa não lhe importava. Esse mundo era exclusivamente
de seu esposo. Na antiguidade grega e romana, a sexualidade lícita para as mulheres livres se
limitava à reprodução dentro do casamento.

11

A reprodução humana era vista como natural e óbvia inscrita por sua vez, na
organização e na representação androcêntrica (sociedade centrada em valores masculinos) do
mundo e das coisas. A posição subordinada das mulheres na reprodução era apenas um dos
múltiplos aspectos da inferioridade do feminino no mundo social e sensível.
Ter filhos era na visão de todos, bons investimentos, quanto mais herdeiros
melhor, pois estes desempenhavam papel fundamental no exercício do trabalho familiar.
O casamento não era efetuado pelo amor romântico que conhecemos hoje que tem
origem no final do século XVIII sendo um fenômeno da modernidade, nem tampouco da
atração sexual mútua, entretanto este era efetuado em muitas regiões, além de outros fatores
sob o alicerce de situações econômicas, ocorriam dentro da mesma classe social e em zonas
geograficamente próximas. Muitas mulheres chegavam a casar-se sem ter nenhum
conhecimento sobre sexo, com exceção de que este estava relacionado aos impulsos
indesejáveis dos homens e que deveriam ser suportados.
O casamento era um contrato muitas vezes iniciado pelos pais ou parentes, em vez
dos próprios parceiros conjugais. O laço conjugal estava preso a uma divisão interna do
trabalho, o esposo como provedor da mulher e dos filhos, e a mulher preocupada com os
filhos e a casa. O casamento tinha a finalidade de garantir segurança à família, e representava
uma ajuda recíproca para a sobrevivência dos cônjuges e dos filhos.
A perda da virgindade antes do casamento nas tradições mediterrâneas e latinoamericanas permaneceu (ainda permanece em alguns lugares) uma transgressão grave,
levando essa mulher para fora da categoria das mulheres honestas que podem ser desposadas,
trazendo a desonra para os homens de sua família e para o seu esposo.
Aquelas que não se classificavam dentro da categoria das mulheres honestas,
aquelas que não tinham o padrão de comportamento exigido na época, eram classificadas
como “mulheres perdidas”.

As mulheres têm sido divididas entre as virtuosas e as perdidas, e as
“mulheres perdidas” só existiram a margem da sociedade respeitável. Há
muito tempo a “virtude” tem sido definida em termos de recusa de uma
mulher em sucumbir à tentação sexual, recusa esta amparada por várias
proteções institucionais, como namoro com acompanhante, casamentos
forçados e assim por diante. Os homens, no entanto, têm sido
tradicionalmente considerados como tendo necessidade de variedade sexual
para sua saúde física. Em geral tem sido aceitável e envolvimento dos
homens em encontros sexuais múltiplos antes do casamento, e o padrão
duplo após o casamento era um fenômeno muito real. (GIDDENS, 1993:16).

12

Esta classificação se dava a partir da visão androcêntrica, onde todos os valores da
sociedade eram julgados a partir da visão masculina. A lei que operava (ainda opera em
alguns lugares) é a lei onde os homens dominam. Entretanto a “dominação masculina” não foi
criada por homens em um determinado período histórico , esta é resultado de um processo
realizado ao longo do tempo, onde escolas, Estado e a família desempenharam um papel
importante na elaboração e imposição de princípios de dominação. A divisão entre os sexos é
tida como natural e evidente adquirindo um reconhecimento de legitimação, todavia este se
deu por um processo socialmente construído.
A divisão entre os sexos parece estar “na ordem das coisas”, como se diz por
vezes para falar do que é normal, natural, a ponto de ser inevitável: ela está
presente, ao mesmo tempo, em estado objetivado das coisas(na casa, por
exemplo, cujas partes são todas “sexuadas”), em todo mundo social e, em
estado incorporado, de esquemas de percepção, de pensamento e de ação.
(BOURDIEU, 2005: 17).

A dominação do “masculino” sobre o “feminino” ocorre porque a “dominação
masculina” não necessita de legitimação, pois se encontra amparada através das diferenças
biológicas observadas entre os sexos sendo integrada pelos indivíduos na forma de esquemas
de percepção, ação e preferências duráveis.
Para Bourdieu (2005) o mundo social constrói o corpo como realidade sexuada e
como depositário de princípios de visão e de divisão sexualizantes.
Esse programa social de percepção incorporada aplica-se a todas as coisas
do mundo, e antes de tudo, ao próprio corpo, em sua realidade biológica: é
ela que constrói a diferença entre os sexos biológicos, conformando-a aos
princípios de uma visão mítica do mundo, enraizada na relação arbitrária de
dominação dos homens sobre mulheres, ela mesma inscrita, com a divisão
do trabalho na realidade da ordem social. A diferença biológica entre os
sexos, isto é, entre o corpo masculino e o corpo feminino, e,
especificamente, a diferença anatômica entre os órgãos sexuais, pode assim
ser vista como justificativa natural da diferença socialmente construída entre
os gêneros e, principalmente, da divisão social do trabalho. (BOURDIEU:
2005: 19)

Entretanto as formas de pensamento dominantes exercem influência também
sobre os “dominados”, que terminam por dar legitimidade à dominação. As mulheres
terminam reproduzindo as representações que as depreciam na ordem social. Ou seja, os
homens não são os únicos responsáveis por dar legitimidade e possibilitar a perpetuação da
“dominação masculina”, inconscientemente as mulheres contribuíram para este fato, seja
afirmando ou dando continuidade a discursos de dominação. Os homens e as mulheres são

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dominados pela dominação masculina. Os homens que buscam construir relações mais
simétricas com suas parceiras são vistos como “menos homens”, “barriga branca”, dominado
pela mulher.
Apenas atividades heterossexuais eram aceitas na sociedade, a homossexualidade
(qualidade de ser que sente atração física, emocional por outro ser do mesmo sexo ou gênero)
era considerada um comportamento patológico, uma doença que, deveria receber cura e por
fim seu aniquilamento.

2.

Transformações sociais: novas configurações
As instituições modernas diferem de todas as formas anteriores de ordem
social, quanto ao seu dinamismo, em grau em que interferem com hábitos e
costumes tradicionais. A modernidade muda radicalmente a essência da vida
social afetando os aspectos mais pessoais de nossa existência, acarretando
também em transformações do eu. (GIDDENS, 2002: 9)

A ocorrência de revoluções políticas e industriais, a baixa taxa de fecundidade, o
aumento da expectativa de vida da crescente proporção da população de 60 anos, o declínio
da instituição do casamento e da grande aceitação social do divórcio, a elaboração de
tecnologias reprodutivas, das transformações nas relações de gênero, a inserção intensiva da
mulher no mercado de trabalho e das mudanças ocorridas na esfera da sexualidade, favoreceu
o surgimento de novos modelos familiares e novas formas de relacionamentos humanos.
A partir dos anos de 1960 nos países desenvolvidos a “segunda revolução
contraceptiva” marca o fim de um processo secular. Ela se caracteriza pela
difusão maciça de métodos contraceptivos médicos, que atuam sobre a
fisiologia feminina e são controlados pela mulher. (BOZON, 2004: 43)

Com a difusão de métodos contraceptivos modernos houve uma reviravolta na
maneira de encarar a fecundidade. Em vez de ter muitos filhos surge o desejo de tê-los em
menor número. A fecundidade passa a ser pensada como um projeto pessoal, cuja execução
exige preparo e reflexão. Ter ou não ter filhos, quando tê-los, o intervalo entre o primeiro e
um segundo filho. Tudo isso são decisões que as mulheres (e seus parceiros) devem tomar.
A autonomia feminina é um dos elementos chave na falência da estrutura
patriarcal. Foram justamente às mulheres comuns que tratam de suas vidas cotidianas, como
também os grupos feministas que foram precursores em mudanças de enorme importância,
como por exemplo, no relacionamento de igualdade sexual e emocional (relação onde ambos
os envolvidos recebem e doam sentimentos, emoções).

14

As ideias sobre o amor romântico foram um conjunto de influências que afetaram
as mulheres a partir do final do século XVIII, estas ideias estavam associadas à subordinação
da mulher ao lar e ao seu relativo isolamento do mundo exterior.
O “eu” do individuo era algo estabelecido por instituições maiores e preexistentes,
como a igreja, a família e mais tarde a escola. Mas, nas sociedades modernas o “eu” é um
“projeto reflexivo” do próprio indivíduo, estando cada vez mais integrado nas decisões
individuais do estilo de vida.

A identidade na modernidade é uma tarefa do próprio

individuo, o eu agora é resultado de um processo contínuo, e não mais de atribuições
coletivas. Ele sabe que o resultado de suas atitudes é fruto de suas escolhas. A modernidade
“ofereceu” ao individuo uma identidade “móvel”, mutável. O individuo pode escolher o que
ser o que fazer ao longo de sua vida. Todavia, as instituições socializadoras não perderam
completamente sua influência, o indivíduo agora possui maior margem para negociação. Os
constrangimentos sociais não foram substituídos em todas as sociedades, mas houve uma
diminuição deste e um aumento progressivo da autonomia dos indivíduos.
O conceito de modernidade desenvolvido por Giddens “refere-se a estilo, costume
de vida ou organização social que emergiram na Europa a partir do século XVII e que
ulteriormente se tornaram mais ou menos mundiais em sua influência”. (1991:11)
Na modernidade não existe período de aprendizagem sexual nos primeiros
estágios do casamento, a maior parte das pessoas, chega ao casamento trazendo com elas
reservas de experiência e conhecimento sexual.
Hoje, muito mais é esperado do casamento do que ocorria em gerações anteriores,
seja pela mulher ou pelo homem. As mulheres esperam tanto receber quanto proporcionar
prazer sexual, sendo a vida sexual compensadora no casamento um elemento chave para um
casamento satisfatório.
O casal dos dias atuais passa a ter uma importância maior no casamento. A
relação de dependência que antes ligava a sexualidade ao casamento vem passando por
modificações importantes permitindo a emergência de novos arranjos afetivos. A sexualidade
que antes era um dos atributos do papel do individuo casado, tornou-se uma experiência
interpessoal indispensável à existência do casal, formando a linguagem básica do casamento.
Outro fator que a modernidade favoreceu de acordo com Giddens (1993) foi a
“sexualidade plástica”, liberta das necessidades de reprodução. A sexualidade plástica é o
sexo sem a obrigação de reprodução, sendo uma “propriedade” potencial do individuo. Com a
criação de tecnologias reprodutivas, a concepção pode ser artificialmente produzida, ficando

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plenamente autônoma. Nisso a reprodução pode ocorrer na ausência de atividade sexual,
nesse sentido a sexualidade torna-se qualidade dos indivíduos e de suas relações mútuas.
Na sexualidade contemporânea, a procriação ocupa apenas um espaço
reduzido e marginal. A sexualidade aparece como uma experiência pessoal,
fundamental para a construção do sujeito. O repertório sexual se ampliou, as
normas e as trajetórias da vida sexual se diversificaram, os saberes e as
encenações da sexualidade se multiplicaram. (BOZON, 2004: 43)

No “mundo moderno” o casamento perdeu a força por condições exteriores da
vida social e econômica, no conceito de Giddens (1993), é a “relação pura” que desempenhará
o papel principal para a manutenção ou dissolução do relacionamento. O “relacionamento
puro” é uma forma de convívio humano onde ambas as partes envolvidas desejam igualdade
tanto no recebimento quanto na doação de satisfação emocional. A “relação pura” é buscada
apenas pelo que a relação pode trazer para os parceiros envolvidos. Esta por sua vez, enfoca
intimidade, que é uma condição principal de qualquer estabilidade de longo prazo que os
parceiros desejem atingir.
Segundo Giddens (1993), a “relação pura” depende da confiança mútua entre os
parceiros, que por sua vez se liga de perto a realização da intimidade. Na relação pura, a
confiança não é e não pode ser tida como “dada”, entretanto como outros aspectos da relação,
deve ser trabalhada, a confiança do outro precisa ser ganha.
Outro fator condicionado pela modernidade foi o sexo desatrelado do amor
romântico, fazendo parte da nova identidade feminina. Ou seja, necessariamente não é preciso
estar apaixonado para que ocorra o ato sexual. Muitas noites avulsas de sexo ocorrem sem que
os envolvidos saibam quase nada ou nada sobre o outro.
De acordo com Bauman (2009), os laços humanos se tornaram frágeis, porque
segundo ele vivemos em uma sociedade “liquida - moderna”, ou seja, numa sociedade em que
as condições sob as quais atuam seus membros, mudam num tempo mais curto do que aquele
necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas das formas de agir. Para ele a vida
líquida é uma vida precária, vividas em condições de incertezas.
E de que forma isso afeta os relacionamentos humanos?
Hoje, aumenta o número de pessoas que tendem a chamar de amor mais de uma
de suas experiências de vida, que não garantem que o amor que hoje vivenciam é o último e
que tem expectativa de viver outras experiências como essa no futuro. Para muitos a relação
ou o relacionamento não é mais considerado como eternos, nem tampouco “até que a morte
nos separe”, mas momentâneos.

16

Estar comprometido hoje, para algumas pessoas é estar fechando as portas para
possíveis possibilidades românticas no futuro que podem ser mais vantajosas, satisfatórias e
completas do que a atual.
O conjunto as quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito.
Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”. A
súbita abundância e a evidente disponibilidade das “experiências
amorosas”podem alimentar (e de fato alimentam) a convicção de que amar
(apaixonar-se, instigar o amor) é uma habilidade que se pode adquirir, e que
o domínio dessa habilidade aumenta com a prática e assiduidade do
exercício. Pode-se acreditar (e frequentemente se acredita) que as
habilidades do fazer amor tendem a crescer com o acúmulo de experiências,
que o próximo amor será uma experiência ainda mais estimulante do quea
que estamos vivendo atualmente, embora não tão emocionante ou excitante
quanto a que virá depois. (BAUMAN, 2004:19).

Na cultura consumista encontramos o produto pronto para uso imediato com a
promessa de prazer passageiro e satisfação instantânea. Essa característica tem se estendido as
“experiências amorosas” à semelhança de outras mercadorias, prometem desejo sem
ansiedade, esforço sem suor e resultados sem esforços. Entretanto o desejo leva tempo para
seu “cultivo”, ele necessita de tempo para germinar, crescer e amadurecer, numa cultura em
que o “longo prazo” é cada vez mais curto, esperar por esses resultados se torna um processo
cada vez mais longo e irritante.
Hoje em dia muitos jovens consideram que cada escolha, não é definitiva,
inclusive a sexual. Vivem o presente e tem uma idéia muito efêmera daquilo que é durável.
Questionados sobre se é possível ser fiel o estudante de Engenharia Civil de 24
anos e a estudante de Direito de 23 anos afirmaram respectivamente: “é possível sim ser fiel,
mas depende muito do relacionamento, pois se a gente se sente bem com a pessoa, logo, não
sente a necessidade de traí-la”. “É possível, desde que as pessoas participantes da relação
sejam tolerantes, respeitosas, e se satisfaçam mutuamente, não só sexualmente, mas também
afetuosamente”. O estudante de Engenharia Civil desfaz o conceito de que todo homem pode
trair, para ele ser infiel ou fiel vai depender da maneira como a relação se encontra. Já a
estudante de Direito considera que a fidelidade dentro da relação depende da satisfação dentro
do relacionamento, desconstruindo a ideia que mulheres devem ser fiéis incondicionalmente.
3.

Sentidos da infidelidade conjugal em nossos dias.
Hoje a infidelidade conjugal não se restringe apenas a um comportamento

exclusivo aos homens, as mulheres se tornaram mais fortes e mais seguras, e passam a

17

considerar a satisfação emocional e sexual um quesito indispensável para continuação dos
relacionamentos amorosos. Não os encontrando no casamento ou namoro irão procurar em
outro “lugar”.
De acordo com Passini (2010), as mulheres saíram ganhando, o prazer feminino é
agora requisitado como um novo direito, e o número de orgasmo substituiu o número de
filhos, que até pouco tempo era o critério para avaliar o grau de realização da mulher.
Mas de acordo com Pasini (2010), as motivações para a infidelidade podem ser de
ordem psicológica como um modo de evasão da vida cotidiana, das frustrações de cada dia, a
necessidade de satisfazer tendências diferentes e recolhidas, entre outros, como também de
ordem sexual.
Com a fragmentação dos valores tradicionais e com a afirmação dos direitos
individuais, a fidelidade foi posta em discussão. De acordo com Pasini (2010) hoje nas
sociedades ocidentais as mulheres traem tanto quanto os homens. As mulheres em sua maioria
nas sociedades ocidentais, não estão mais dispostas a verem seus parceiros em “aventuras”
extraconjugais, enquanto elas ficam assistindo tudo passivamente, elas consideram que
possuem o mesmo direito. Elas traem seja por represália ao parceiro, às normas impostas pela
sociedade ou simplesmente porque “desejam outras experiências”.
Ele aponta algumas causas que levaria homens e mulheres ao ato de infidelidade.
Uma das causas descritas seria “porque existe outro amor”, quando um dos
cônjuges ou envolvido está apaixonado por outra pessoa. “Porque ainda existe amor, mas não
paixão”, muitos que estabelecem relações extras conjugais afirmam amar os parceiros mais
que necessitam sentir o “friozinho na barriga” de quem estar apaixonada, alegando ser esse o
motivo que leva a infidelidade. Outros afirmam que traem por conta do “tédio” dentro da
relação, por querer fugir de uma vida que parece não oferecer mais surpresas do ponto de
vista emocional nem do erótico. Muitos dizem trair por “represália”, ou seja, quando quem é
traído sente-se ferido e “paga na mesma moeda”, como forma de vingança. Há aqueles que
afirmam ter necessidade de fazer sexo com certa frequência, ou seja, afirmam que traem por
necessidade de sexo.
Existem pessoas que não conseguem manter uma “relação de casal duradoura”,
porque temem que a intimidade a torne fraca e dependente. Outras traem porque sentem a
necessidade de ser “paparicadas” e por “desejo de ternura”. Há indivíduos que não se
conformam em ter apenas uma pessoa, levam adiante uma vida paralela ao casamento com
outra pessoa. Há aqueles que traem “por medo da velhice”, ou seja, traem porque tem medo

18

do tempo que passa. Fazer sexo torna-se uma confirmação de sua capacidade de sedução. Para
Passini essas são algumas causas que levaria homens e mulheres a infidelidade.
Todavia para Bozon (2004) em muitas sociedades atuais todo início da vida
conjugal se caracteriza por uma intensa atividade sexual, e os parceiros atribuem uma grande
importância a exclusividade sexual, à fidelidade. Sendo a fidelidade um fator decisivo no
inicio da relação para a continuação do relacionamento e a infidelidade para o rompimento.
Entretanto a partir de um envolvimento afetivo maior que de acordo com Bozon adquiri-se
por volta do terceiro ao quarto ano de casamento, os desejos dos parceiros ficam menos
ajustados e o valor da exclusividade sexual diminui, consequentemente as relações
extraconjugais quando ocorrem, têm consequencias mais fracas sobre o futuro do
relacionamento do que as poderia ter tido no inicio do relacionamento.
Já para Giddens (1993) nos dias atuais a proporção de mulheres casadas há mais
de cinco anos que têm encontros sexuais extraconjugais é, hoje em dia, virtualmente a mesma
que a de homens que se encontram na mesma situação. O padrão duplo ainda existe, mas as
mulheres não são mais tolerantes diante da perspectiva de que – enquanto os homens
necessitam de variedade e pode-se esperar que se envolvam em aventuras extraconjugais –
elas não se comportem do mesmo modo.
Goldenberg (2004) por sua vez, afirma que as mulheres em sua maioria traem por
estarem apaixonadas por outra pessoa, ou por necessidade de sentir-se amada. Ela ainda
afirma que muitas mulheres responsabilizam seus parceiros pelas infidelidades cometidas,
afirmando que só saíram com outra pessoa para “satisfazer” as faltas deixadas por eles.
É o que afirma a estudante de Comunicação Social de 24 anos, questionada sobre
o que levaria mulheres ao ato de infidelidade esta afirmou: “Por decepções, carência,
suposições, falta de confiança, sentimentos e relacionamentos opostos enfraquecidos, como
também por prazer como o sexo”. Já a estudante de Psicologia de 22 anos afirmou: “O que
tenho observado em relação à traição por parte das mulheres é que a motivação geralmente
vem como forma de vingança por já terem sido traídas anteriormente, ou pela carência de
afeto por não estarem sendo correspondidas”. É sob o signo de fragilidade, de não merecerem
a culpa pelo ato infiel que mulheres infiéis são percebidas, correspondendo à construção
sócio-cultural onde mulheres são tidas como seres frágeis, onde precisam dos homens para
tomar decisões ou penalizá-los por elas.

19

Capítulo II
Representações do feminino e do masculino sob as
perspectivas do direito, da religião e da ciência
Em análise aos vários aspectos que condicionaram a formação da família, Engels
(1984) mostra que antes da ordem patriarcal ser a vigente, existia uma constituição de famílias
onde a liderança era exercida pelas mulheres.
A partir dos estudos de Morgan sobre os iroqueses, Engels identifica os sistemas
de parentesco e formas de matrimônio que condicionaram a formação da família.
A família consanguínea é a primeira fase na constituição da família, nessa fase os
grupos conjugais são classificados por gerações. Irmãos e irmãs são marido e mulher, sendo
proibido relações sexuais recíprocas entre pais e filhos.
O segundo momento corresponde à família Panaluana. Nessa fase as relações
carnais entre irmãos e irmãs são excluídas, possibilitando a criação da classe dos sobrinhos e
sobrinhas, primos e primas, estabelecendo como tipo de matrimônio o por grupos. É nesse
momento que é estabelecida as gens, um grupo fechado de parentes consaguineos da
linhagem feminina, não podendo casar-se uns com os outros.
Em decorrência das proibições em relação ao casamento, se tornou impraticável
as uniões por grupos, sendo substituída pela Família Sindiásmica. Nessa o matrimônio ocorre
por pares.
A princípio não se podia contar a descendência senão por uma linha feminina, isso
possibilitou às mulheres a posição mais elevada que tiveram.
Mas em fator do desenvolvimento das condições econômicas, da domesticação de
animais e a criação do gado, foi aberto fontes de riquezas até então desconhecidas,
desenvolvendo relações sociais inteiramente novas.
“Até a fase inferior da barbárie, a riqueza duradoura limitava-se pouco mais
ou menos à habitação, as vestes, aos adornos primitivos e aos utensílios
necessários para a obtenção e preparação dos alimentos mais simples. Agora,
com suas manadas de cavalos, camelos, asnos, bois, carneiros, cabras e
porcos, os povos pastores, que iam ganhando terreno, haviam adquirido
riquezas que precisavam apenas de vigilância e dos cuidados mais primitivos
para reproduzir-se em proporção cada vez maior e fornecer abundantíssima
alimentação de carne”. (ENGELS: 1984: 57)

20

Com a introdução de novas riquezas convertidas em propriedade particular das
famílias, e aumentadas depois rapidamente, acertaram um rude golpe na sociedade alicerçada
no matrimônio sindiásmico e na gens baseada no matriarcado.
“O matrimonio sindiásmico havia introduzido na família um novo elemento.
Junto à verdadeira mãe tinha posto o verdadeiro pai, provavelmente mais
autêntico que muitos “pais” de nossos dias. De acordo com a divisão do
trabalho na família de então, cabia ao homem procurar a alimentação e os
instrumentos de trabalho necessários para isso, consequentemente era, por
direito, o proprietário dos referidos instrumentos e em caso de separação
levava-os consigo, da mesma forma que a mulher conservava os seus
utensílios domésticos. Assim, segundo os costumes daquela sociedade, o
homem era igualmente proprietário do novo manancial de alimentação, o
gado, e, mais adiante, do novo instrumento de trabalho, o escravo”.
(ENGELS: 1984:58, 59)

Com o aumento das riquezas, o homem ocupou uma posição mais importante que
a da mulher na família. Valendo-se dessa vantagem para mudar em favor de seus filhos, a
ordem da herança estabelecida. Pois a filiação vigente era o direito materno.
Decidiu-se então que os descendentes de um membro masculino permaneciam na
gens, mas os descendentes de um membro feminino sairiam dela, passando a gens de seu pai.
Assim foram abolidos a filiação feminina e o direito hereditário materno, sendo substituídos
pela filiação masculina e o direito hereditário paterno. A monogamia foi fundada com o fim
de obter uma paternidade incontestável.
O dever de fidelidade nasceu com o objetivo de controlar os corpos e a
sexualidade feminina, a fim de garantir o conhecimento da paternidade, buscando impedir a
transferência hereditária de patrimônio a outro que não fosse o filho do marido. Em nome do
direito de propriedade, a sexualidade feminina passou a ser objeto de controle.
“Com o desmoronamento do direito materno, o homem apoderou-se da
direção da casa a mulher viu-se degradada, convertida em servidora, em
escrava da luxúria do homem, em simples instrumento de reprodução. Essa
baixa condição da mulher, manifestada sobretudo entre os gregos dos tempos
heróicos e, ainda mais, entre os dos tempos clássicos, tem sido gradualmente
retocada, dissimulada e, em certos lugares, até revestida de formas de maior
suavidade, mas de maneira alguma suprimida ”. (ENGELS, 1984:61)

Nesse momento foi instituída a prática da monogamia. Para Engels o surgimento da
monogamia nada mais é do que a sujeição de um sexo pelo outro. Para Engels foi nesse
momento que houve a derrota da mulher.

21

Desde a Idade Média, nas sociedades ocidentais, o exercício do poder sempre se
formula no direito.
O direito é um enorme meio para construção dos gêneros, legitimação e criação da
ordem simbólica patriarcal. Ele sempre traçou diferenças entre os papéis de homens e
mulheres, contribuindo para configuração dos gêneros e manutenção da ideologia patriarcal.
O código Civil de 2002 art. 1.566 concerne os direitos e deveres conjugais a
ambos os cônjuges de forma igual, regulando a chamada separação-sanção, com o intuito de
penalizar o cônjuge culpado, como a perda do direito ao uso do sobrenome matrimonial e à
natureza da verba alimentar.
SUBTÍTULO I
Do Casamento
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I - fidelidade recíproca;
II - vida em comum, no domicílio conjugal;
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos;
V - respeito e consideração mútuos.
De acordo com Holanda (2012) o Código Civil de 2002 art. 1.566 que regula os
direitos e deveres conjugais aos cônjuges encontra por trás da suposta neutralidade diferenças
de gênero. Para Holanda a neutralidade jurídica encontra-se em favor dos homens e contra as
mulheres, já que quem toma o sobrenome do companheiro são as mulheres e em sua maioria
ficam com a guarda das crianças, necessitando de pensão alimentícia.
Para Holanda (2012) por trás da suposta neutralidade, objetividade e abstração, o
Direito também pode ser responsável por criar e ratificar diferenças de gênero. O direito é
uma maneira de exercer a violência, de anexá-las em proveito de alguns, e fazer funcionar sob
a forma da lei geral, as dissimetrias e injustiças de uma dominação, sendo as mulheres as mais
penalizadas.
O contrato social (teoria de que os homens no estado natural trocaram as
inseguranças dessa liberdade pela liberdade civil e equitativa, salvaguardada pelo Estado)
para Pateman (1993) nada mais foi do que a dominação dos homens sobre as mulheres.
“o contrato original é um pacto sexual-social, mas a história do contrato tem
sido sufocada”. (PATEMAN: 1993: 15)

22

A história do contrato sexual trata da gênese do direito político e explica por que o
exercício desse direito é legitimado, porém essa história trata o direito político enquanto
direito patriarcal ou instância sexual, o poder que os homens exercem sobre as mulheres.
Para Pateman (1993) o pacto original foi também um pacto sexual, pois criou o
direito político dos homens sobre as mulheres. A teoria do contrato teve por pretensão por fim
as formas de sujeição natural, mas ao contrario disso, fundamentaram a sujeição moderna.
Baseado na fé como a maioria das religiões, o Cristianismo baseia-se nas
“verdades reveladas” por Deus a alguns indivíduos, relatadas nas Sagradas Escrituras (Bíblia)
e na interpretação que autoridades da Igreja dão.
Nos séculos XII e XIII a Igreja conseguiu promover a sacramentalização do
matrimônio exercendo poder legitimo sobre a vida conjugal. Era necessário tornar o
casamento um sacramento, uma instituição divina para ser controlado pelos poderes da
hierarquia eclesiástica. Transformando o matrimônio em monopólio da Igreja Católica.
Ao ser sacramentado, o casamento, ficou subjugado à guarda do corpo sacerdotal.
Assegurando a consolidação do poder político da Igreja, determinando a produção de um
código de conduta moral. A união conjugal passou a ser uma união sagrada, autorizada pelo
clero. Tendo como emblemas do casamento cristão a indissolubilidade conjugal e a
monogamia.
O ato sexual passou a ser tratado como uma obrigação dos cônjuges, não podendo
haver o desejo erótico, pois para alguns sacerdotes, o sexo no matrimônio era considerado
pecado, isso até o século XV. A sexualidade conjugal estava restrita à reprodução.
Todavia entre os séculos XVI e XVII o casamento passou a ser um acontecimento
divino, que ligava o sexo à formação e propagação da espécie humana. O sexo podia
acontecer normalmente, sem que por sua vez a reprodução fosse impedida. Surgiu a idéia de
dívida conjugal, onde cada cônjuge tinha uma dívida sexual, que havia adquirido após o
matrimônio e quando solicitado por um dos esposos o débito deveria ser pago. Ambos não
poderiam recusar-se a pagar a dívida. Teoricamente ambos possuíam igualdade sexual,
entretanto os sacerdotes liberaram as mulheres de pedir ao marido para que pagasse a dívida,
evitando “tal constrangimento”. A mulher não carecia reivindicar o pagamento da dívida, o
esposo estava incumbido de perceber o desejo da mulher. Estas também estão circunscrita ao
discurso de que as “mulheres precisam honrar seus maridos”.
No Antigo Testamento o homem podia ter várias esposas e concubinas. Salomão
tinha 700 esposas e 300 concubinas. Abraão, Jacó, Davi, Salomão e muitos outros tinham

23

várias esposas. A poligamia não era considerada um comportamento inadequado, nem imoral,
mas aceito pela sociedade hebraica descrita nos textos bíblicos. A infidelidade masculina era
punida quando era cometida com uma mulher casada.
Se um homem for encontrado deitado com mulher que tenha marido,
morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher.
(DEUTERONÔMIO, 22: 22)

Todavia, a mulher hebraica deveria ser estritamente fiel ao seu marido, pois caso
esta fosse pega em adultério sofreria drásticas penalidades. A mulher que fosse pega em
adultério era punida com mutilação e estrangulamento, mas o método mais utilizado era o
apedrejamento.
Se uma jovem é dada por esposa a um homem e este descobre que ela não é
virgem, então será levada para a entrada da casa de seu pai e a apedrejarão
até a morte. (DEUTERONÔMIO 22: 20-21)

No Novo Testamento pronunciam-se comportamentos “adequados” para
mulheres.
Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, como se faz em todas as
igrejas dos cristãos, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar
submissas, como diz também a lei. Se desejam instruir-se sobre algum
ponto, perguntem aos maridos em casa. (CORÍNTIOS: 14, 34-35)
A cabeça do homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem e a cabeça de
Cristo é Deus. (Coríntios: 11: 3)
O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem.
(CORÍNTIOS: 11:9)

O cristianismo estabelece papéis, discursos “que devem ser incorporados” por
homens e mulheres. Questionado sobre qual o modelo ideal de casal o estudante de Geografia
de 21 anos declarou: “O que se ama, de preferência um homem e mulher que é o caso de fato
fomos feito para ser, porém, não tenho problema com casais homoafetivo”. Destacando
elementos tradicionais em seu discurso e influenciado pelo discurso religioso esse estudante
afirma que o casal ideal é o heterossexual defendido nos textos bíblicos.
A ciência por sua vez, definiu características inatas a homens e mulheres. Eles
possuem força física maior, elas menos força. O Cérebro feminino é 10% menor que o
cérebro masculino, eles possuem uma visão de “túnel”, elas uma visão periférica mais ampla.
Essas e muitas outras diferenças biológicas, sexuais, habilidades diferenciadas entre homens e
mulheres serviram de base para fundamentar diferenças sociais entre eles como sinônimo de
inferioridade feminina. Diferenças biológicas e sexuais veiculadas através de interpretações
biologistas determinaram posições sociais hierarquicamente diferentes a ambos. O discurso

24

social “determinou” que a mulher possui uma “natureza” frágil, já o homem uma “natureza”
forte, que o lugar da mulher é em casa e o do homem na rua.
De acordo com a ordem patriarcal, os papéis sociais de homens e mulheres são
completamente diferentes. Os papéis masculinos são dotados de prestígio social, porque
geralmente são exercidos no espaço público, enquanto os femininos são, muitas vezes,
inferiorizados e invisibilizados, já que em sua maioria são exercidos no espaço doméstico
privado.
De acordo com a teoria evolucionista darwiniana o papel do homem desde os
tempos remotos era o de encontrar o maior número de fêmeas saudáveis para procriar.
Entretanto, este discurso tem se estendido até os dias atuais afirmando que os homens
necessitam de variedade sexual, que são “naturalmente insatisfeitos”, justificando assim sua
“natureza” infiel.
Todavia para Foucault (1988) a sociedade é regida pelos vários mecanismos que a
compõe, igreja, escola, família, entre outros. Os pais, os cônjuges, se tornam na família os
principais agentes do dispositivo da sexualidade que no exterior se apóia nos médicos,
pedagogos, padres, pastores e psiquiatras. O poder age através desses mecanismos, ele dita a
regra e faz-se a regra.
Dentre seus emblemas, nossa sociedade carrega o do sexo que fala. Do sexo
que pode ser surpreendido e interrogado. (FOUCAULT, 1988: 75)

O poder marca fronteiras no sexo, é ele quem diz o que é licito e ilícito, permitido e
proibido. E sob o signo de carne a ser dominada, diferentes formas de discursos tendem a
controlar os corpos femininos, restringindo práticas a elas, enquanto aos homens lhe são
permitidas.
“O poder age pronunciando a regra: o domínio do poder sobre o sexo seria
efetuado através da linguagem, ou melhor, por um ato de discurso, que
criaria pelo próprio fato de se enunciar, um estado de direito. Ele fala e fazse a regra. A forma pura do poder se encontraria na função de legislador; e
seu modo de ação com respeito ao sexo seria jurídico-discursivo”.
(FOUCAULT, 1988: 81)

O poder se exerce a partir de inúmeros pontos (direito, religião, ciência e muitos
outros) e em meio a relações desiguais e móveis. O poder estar em toda parte, “não porque
englobe tudo e sim porque provém de todos os lugares” (1988, 17). Para Foucault os
micropoderes estão espalhados pelos mais diversos instituições da vida social, pessoas que
interiorizam e cumprem as normas estabelecidas pela disciplina social. Segundo Foucault o

25

poder estabelece discursos da verdade sobre o sexo, a sexualidade é construída socialmente
dentro da esfera do poder.
O próximo capítulo constitui a análise de dados obtidos a partir de pesquisa de
opinião de estudantes dos diferentes cursos da Universidade Federal de Alagoas.

26

CAPÍTULO III

Os diferentes discursos

Nesse capítulo estão contidos dados adquiridos a partir de questionários enviados
por e-mail para estudantes da Universidade Federal de Alagoas. O objetivo deste é analisar os
diferentes discursos sobre infidelidade conjugal articulados por homens e mulheres estudantes
da Universidade Federal de Alagoas que frequentam os diferentes cursos na instituição. Esses
dados podem ajudar a pensar como a infidelidade é pensada através dos papéis de gênero,
como também mostrar em que medida elementos tradicionais e modernos se articula nessas
falas.
1.

Grupo selecionado
Para a realização do presente trabalho foram contatados estudantes de diversos

cursos de graduação entre a faixa de 21 a 28anos de idade. Os cursos foram Administração,
Biologia, Ciências Sociais, Comunicação Social, Direito, Economia, Educação Física,
Engenharia Civil, Engenharia de Agrimensura, Física, Geografia, Letras, Matemática,
Pedagogia, Psicologia, Serviço Social e Zootecnia. Outros estudantes de demais cursos foram
convidados a participar, mas afirmaram indisponibilidade. Ao todo foram enviados 32 e-mails
como será demonstrado na tabela a seguir:
Tabela 1. Número de e-mails enviados por curso
Cursos

Número de e-mails enviados

Administração

03

Biologia

01

Ciências Sociais

03

Comunicação Social

01

Direito

03

Economia

01

27

Ed. Física

01

Engenharia Civil

01

Engenharia de Agrimensura

01

Física

01

Geografia

07

Letras

01

Matemática

01

Pedagogia

03

Psicologia

02

Serviço Social

01

Zootecnia

01

Total

32

Dos 32 e-mails enviados 16 pessoas reenviaram os questionários com as
respostas. Ou seja, 50 % responderam ao questionário. A tabela a seguir mostra o curso e o
número de pessoas que responderam ao questionário.
Tabela 2. Número de participantes por curso
Curso

Número de e-mails respondidos

Administração

2

Ciências Sociais

1

Comunicação Social

2

Direito

2

Engenharia Civil

1

28

Geografia

4

Pedagogia

1

Psicologia

2

Zootecnia

1

Total

16

O grupo de estudantes que responderam ao questionário possuem a faixa etária de 21
a 28 anos de idade, na tabela a seguir será demonstrado a idade, sexo e religião dos 16
estudantes que responderam aos e-mails.
Tabela 3. Idade, sexo e religião dos participantes que responderam ao questionário:
Curso

Idade

Sexo

Religião

Administração

21 anos

FEM

Católica

Administração

22 anos

FEM

Católica

Ciências Sociais

21 anos

FEM

Não definida

Com. Social

23 anos

FEM

Católica

Com. Social

24 anos

FEM

Católica

Direito

23 anos

FEM

Agnóstica

Direito

24 anos

MAS

Católico

Engenharia Civil

24 anos

MAS

Não possui

Geografia

21 anos

MAS

Protestante

Geografia

24 anos

MAS

Não Possui

Geografia

25 anos

MAS

Protestante

29

Geografia

28 anos

FEM

Protestante

Pedagogia

28 anos

FEM

Católica

Psicologia

21 anos

MAS

Não definida

Psicologia

22 anos

FEM

Protestante

Zootecnia

24 anos

MAS

Não Possui

Dentre os participantes que responderam aos e-mails 09 são mulheres e 07 são
homens e todos afirmaram estar solteiros como será demonstrado nas tabelas a seguir:
Tabela 4. Sexo dos estudantes que participaram da pesquisa

Sexo

Nº

Feminino

09

Masculino

07

Total

16

Estado civil

Nº

Casado

0

Solteiro

16

Separado

0

Total

16

Tabela 5. Estado Civil

30

Nossa amostragem é constituída, em sua maioria, pelo sexo feminino, e todos os
participantes que responderam ao questionário declaram-se solteiros. Na tabela a seguir será
demonstrado o total de pessoas para cada religião:
Tabela 6. Religião dos estudantes que participaram da pesquisa
Religião

N° de Pessoas

Católica

06

Protestante

04

Não definida

02

Outra

01

Não Possui religião

03

Total

16

Nenhum dos estudantes da pesquisa participa de movimentos estudantis na Ufal.
A literatura lida por eles é: Contos, crônicas, fábulas, ficção científica, aventura, novelas,
suspense, poemas épicos, ensaios e outros. Tipos de filmes são: Aventura, ação, comédia,
comédia romântica, drama, épico, história, religioso, suspense e terror.
A estudante de Administração de 22 anos trabalha no Ministério Público Federal e
a estudante de Pedagogia 28 anos trabalha em escola particular em Maceió. Os demais
estudantes afirmaram não estar trabalhando atualmente.

2.

Resultados da pesquisa

O questionário proposto aos estudantes que participaram da pesquisa constituiu-se
por dez questões referente ao tema infidelidade conjugal. As perguntas tinham por objetivo
perceber como jovens estudantes da Universidade Federal de Alagoas percebem a infidelidade
conjugal.

31

Para a estudante de Administração de 22 anos infidelidade conjugal é “uma
atitude que uma pessoa, com compromisso firmado com outra, venha a ter que insinue ou
demonstre desejo por outras pessoas”, para a estudante de Direito de 23 anos “é a quebra de
um laço mantida reciprocamente ou não”, para o estudante de Geografia de 24 anos é “trair a
confiança do outro”, para a estudante de Comunicação Social de 23 anos “é a ação que
desencadeia a decepção em uma pessoa”. Segundo eles a infidelidade não está relacionada
apenas ao ato sexual tido com outra pessoa, a infidelidade para eles se dá também quando a
confiança do outro é quebrada, desrespeitada, quando o parceiro mente ou omite algum
acontecimento.
Para eles os motivos que levariam homens e mulheres à infidelidade são diversos.
Alguns argumentaram que só com a análise de cada caso é que se poderia encontrar uma
resposta, pois “cada caso é um caso”, mas segundo a estudante de Comunicação Social de 24
anos os motivos seriam: “Falta de caráter, sentimentos enfraquecidos pelo desgaste cotidiano,
desentendimentos, falta de zelo pelo parceiro/a”. Já os possíveis motivos para que os homens
traiam seria: “Além da compulsão pelo sexo oposto e a ideia intrínseca de virilidade, o
homem trai pela instintiva busca do prazer por está em um relacionamento desgastado, sem
laços fortes”. Influenciada pelo discurso biologista, a estudante explica a infidelidade
masculina sob o signo de que os homens necessitam de variedade sexual, que são
“naturalmente insatisfeitos”, justificando assim sua “natureza” infiel.
Já em relação à mulher a mesma estudante afirmou: “Por decepções, carência,
suposições, falta de confiança, sentimentos e relacionamentos oposto, enfraquecidos”. É sob o
signo da carência que a estudante de Comunicação Social apresenta as mulheres, para ela a
mulher só efetivaria a traição por faltas no relacionamento, não somente, ela também apontou
que por prazer.
Para alguns dos entrevistados as motivações para a infidelidade seriam diversas,
mas há aqueles que acreditam que não há o que justifique a infidelidade de um indivíduo, a
estudante de psicologia de 22 anos afirma o seguinte: “não há justificativa para a traição,
embora o senso comum diga que quando há a vontade de trair há também um
descontentamento no relacionamento, acho que isso se resolve de outras maneiras, e não deve
ser considerado motivo para trair”. Ela ainda afirmou “acredito que os homens traem seja pela
construção cultural que permite a eles maior liberdade de ação em relação ás mulheres. Essa
liberdade de ação faz com que os homens pensem desde muito cedo que eles possuem maior
fraqueza diante da vontade de trair e, caso aconteça à traição eles não sofrerão grandes

32

consequências, já que a sociedade não aplica sua censura para os homens com o mesmo rigor
que aplica para as mulheres. O que tenho observado em relação à traição por parte das
mulheres é que a motivação geralmente vem como forma de vingança por já terem sido
traídas anteriormente, ou pela carência de afeto por não estarem sendo correspondidas,
afirmou a estudante.
Para a estudante de psicologia a infidelidade masculina não faz parte de uma
natureza infiel, mas, parte de uma construção histórica social, onde os homens são criados de
maneira que acreditam que podem trair sem maiores penalidades. Influenciada pelo discurso
moderno de que ambos devem exercer a fidelidade dentro da relação julga que não seria o
“descontentamento” na relação um motivo para a infidelidade, mas que esta não tem respaldo
para ocorrer.
Influenciada pelo discurso biologista, onde a mulher é caracterizada sob o signo
de sexo frágil, às mulheres, de acordo com a estudante de psicologia, traem por vingança ou
por faltas no relacionamento, falta de afeto. Para ela seriam as faltas encontradas no
relacionamento a motivação para o ato infiel, não uma iniciativa da própria mulher.
Questionados sobre se é possível ser fiel a estudante de Pedagogia de 28 anos
respondeu que “sim, desde que ambos busquem investir na relação, cultivando respeito, tendo
objetivos parecidos e valorizando o que construíram. Entendendo a importância que um tem
na vida do outro”. Para o estudante de Engenharia Civil de 24 anos é possível sim ser fiel,
mas “depende muito do relacionamento, pois se a gente se sente bem com a pessoa, logo, não
sente a necessidade de traí-la”. A estudante de Direito de 23 anos afirma que é possível, desde
“que as pessoas participantes da relação sejam tolerantes, respeitosas, e se satisfaçam
mutuamente, não só sexualmente, mas também afetuosamente”.
Segundo eles a fórmula para permanecer fiel é: “sinceridade, respeito e fidelidade.
A amizade autêntica conta muito” disse a estudante de Pedagogia de 28 anos. Para a estudante
de Administração de 21 anos a fórmula para ser fiel é: “pôr-se no lugar do outro e entender o
quanto tal atitude fará a pessoa sofrer”. Já o estudante de Zootecnia de 24 anos diz que para
permanecer fiel é necessário “um relacionamento com muita cumplicidade, tanto na cama
como fora dela!”.
Para estes indivíduos a fórmula para permanecer fiel é ser amigo do seu
companheiro, ser sincero, demonstrar respeito e sempre pensar se determinada atitude irá
afetar ao outro, como também um relacionamento que tenha satisfação tanto emocional
quanto sexual. Influenciados pelo discurso do relacionamento puro (2003) ser fiel é algo

33

possível, a fidelidade ou infidelidade dependerá da maneira como a relação se encontra, se
satisfatória não há a necessidade de ser infiel.
Já o estudante de Direito de 24 anos afirmou “fidelidade é um conceito muito
subjetivo, cada um tem a consciência íntima do que é certo e errado para si mesmo, não é um
terceiro que deve determinar um padrão de conduta do que seja ou não sejam atos infiéis, mas
no meu ponto de vista é possível sim ser fiel, desde que meus atos sejam condizentes com
minhas palavras e que o meu propósito com a minha parceira sejam buscados
incessantemente”. Para o estudante de Direito não há um conceito determinado do que seja
fidelidade, vai depender de pessoa para pessoa.
Para este grupo de jovens o modelo ideal de casal consiste: “naquele em que os
pares se sintam á vontade e conscienciosos para continuar o relacionamento” afirmou o
estudante de Psicologia de 21 anos. Para o estudante de Geografia de 24 anos o casal ideal é
“aquele que demonstra respeito mútuo”. “Casal unido, sem segredos”, afirmou o estudante de
Zootecnia de 24 anos. “Onde haja cumplicidade e verdade”, ressaltou o estudante de
Geografia de 25 anos.
Para o estudante de Direito de 24 anos o modelo ideal de casal “é aquele que tem
na relação à felicidade como busca, mas como a felicidade somente não faz nada, deve haver
o compartilhamento dos problemas, a busca por soluções com o casal pensando juntos, deve
haver o amor também para que a relação não se desgaste”.
“O casal ideal é aquele que possui os mesmos ideais, convicções e estilo de vida.
Que prezam a sinceridade e confiança dentro da relação”, disse a estudante de Administração
de 22 anos.
“O modelo ideal para mim não se baseia na ideia de perfeição, mas sim na
superação e compreensão dos defeitos, na exaltação das qualidades e compartilhamento de
experiências para a evolução da capacidade de convivência. Um relacionamento onde um
suporte a fraqueza do outro e haja direitos iguais. Uma boa dose de bom humor pra tornar os
dias mais leves e a constante presença de cuidado e atenção” afirmou a estudante de
psicologia de 22 anos.
Para a estudante de Comunicação Social de 23 anos “aquele casal que pensa junto,
em união. Que tem algum objetivo em comum, que sabe se doar ao outro sem pedir nada em
troca”.
Já para a estudante do mesmo curso de 24 anos é “O que se entende, que sabe as
dificuldades, atividades e situações do outro e mesmo o restringindo de algumas coisas

34

continuam juntos. São fiéis, compartilham dos bons e maus momentos lado a lado...”,
afirmou.
Para a estudante de Direito de 23 anos é “um casal em que os cônjuges entendam
as limitações do outro e que a felicidade de um seja a felicidade do outro, sem que isso anule
a si próprio”. O casal ideal para a estudante de Pedagogia de 28 anos é “o que se respeita,
conversa e fica feliz com as conquistas pessoais do outro”.
Para a estudante de Administração de 21 anos, o estudante de Engenharia Civil e a
estudante de Ciências Sociais, não há modelo ideal de casal, segundo eles cada casal tem seu
jeito de co-existir. A estudante de Geografia de 28 anos “não vê um modelo definido, acredito
que o que te faz feliz ta certo”.
Para os demais estudantes o modelo ideal de casal se baseia naquele onde haja
cumplicidade, compartilhamento de ideais, fique feliz com as conquistas do parceiro, sejam
fiéis um ao outro, haja compreensão dos defeitos, onde haja sinceridade e que os envolvidos
tenham sua individualidade respeitada.

3.

Perdoa ou não perdoa?

A estudante de Ciências Sociais de 21 anos afirmou que provavelmente não
perdoaria a infidelidade de um parceiro, pois segundo ela “relacionamentos são firmados na
confiança – entre outros fatores -, acredito que quando há traição à primeira base a ruir seja
essa, então não conseguiria continuar em um relacionamento em que a confiança não existe
mais”. Ela prosseguiu afirmando que não têm medo de ser traída, “porque seria o mesmo que
ter medo de se relacionar com as pessoas com receio que elas lhe traíssem – seja em relações
entre parceiros, amigos, familiares -, seria se entregar em um círculo vicioso e não viver”.
As estudantes de Administração de 21 e 22 anos não perdoariam uma infidelidade
do parceiro, pois segundo elas “traição é uma escolha”. A segunda ainda afirmou que têm
medo de ser traída, pois “caso descobrisse terminaria o relacionamento e términos são sempre
tristes independentes das circunstâncias” ressaltou.
Para as estudantes de Administração, a infidelidade faz parte de uma escolha
tomada pelo próprio individuo. De acordo com Giddens (2003) nas sociedades modernas o
“eu” é um “projeto reflexivo” do próprio indivíduo, estando cada vez mais integrado nas
decisões individuais do estilo de vida. A identidade na modernidade é uma tarefa do próprio
individuo, o eu agora é resultado de um processo contínuo, e não mais de atribuições coletivas

35

(isso tem mudado gradativamente em muitas sociedades, não havendo uma inversão total).
Ele sabe que o resultado de suas atitudes é fruto de suas escolhas.
O estudante de psicologia de 21 anos também disse que tem medo de ser traído,
ele sente-se “incomodado com a ideia de uma companheira estar ficando com outras pessoas”.
E segundo ele “daria fim ao relacionamento”.
O estudante de Direito de 24 anos não perdoaria uma infidelidade, pois segundo
ele “quando há a intenção de trair é melhor ficar sozinho e curtir a vida de solteiro (a).
Quando há a descrença no projeto de vida do casal é melhor terminar o relacionamento ou
tentar resolver o problema antes que aconteça a traição”, por isso não perdoaria uma traição.
Ele ressaltou que não tem medo de ser traído, pois, “trabalho com a minha parceira muito a
relação de confiar no outro e no afeto que carregamos um pelo outro, acho que o gostar
recíproco ajuda muito para diminuir a desconfiança na parceira”.
A estudante de Pedagogia de 28 anos ressaltou “hoje em dia, não perdoaria uma
infidelidade porque tenho consciência que estou fazendo a minha parte na relação e se isso
acontecer saberei que foi uma escolha individual e consciente de quem não valoriza a relação
que tem, ou seja, falta de caráter, imaturidade”. E disse que tem medo de ser traída, “porque
seria decepcionante saber que investi tanto tempo em alguém que não pesou as consequências
dos seus atos”.
O estudante de Engenharia Civil de 24 anos disse que não perdoaria uma
infidelidade para ele “isso abalaria a confiança que é à base de qualquer relacionamento”.
Já o estudante de Zootecnia de 24 anos afirmou não sentir medo de ser traído “eu
sou mais eu, se eu for traído, eu deixo a pessoa, isso significa que a pessoa que traiu não vale
nada”. Ele não perdoaria uma infidelidade pois, “quem tem coragem de trair uma vez, traí
sempre!” .
Há uma construção histórico-social onde mulheres são divididas entre as virtuosas
e perdidas. As virtuosas têm sido definidas como aquelas que têm resistido às tentações
sexuais, as perdidas são consideradas sem valor social e vivem a margem da sociedade. Para o
estudante de Zootecnia a mulher infiel é caracterizada com desqualificação, evidenciando que
o discurso da mulher “perdida” ainda é presente na sociedade atual.
Para o estudante de Geografia de 24 anos “traição não é um erro, é uma escolha”,
ele não perdoaria uma infidelidade, segundo ele não se envolveria “com alguém que não
confiasse”, por isso não tem medo de ser traído, “ficaria muito triste, mas tiraria algum
aprendizado dessa situação” afirmou.

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Para estes estudantes ser infiel ao parceiro faz parte de uma decisão tomada pelo
próprio individuo. Eles destacam o “relacionamento puro” como o melhor formato para a vida
a dois. O relacionamento puro é um relacionamento onde o compromisso, a confiança, a
intimidade são privilegiados.
[...] se entra em uma relação social apenas pela própria relação, pelo que pode ser
derivado por cada pessoa da manutenção de uma associação com outra, e que só continua
enquanto ambas as partes considerarem que extraem dela satisfações suficientes, para cada
uma individualmente, para nela permanecerem (GIDDENS, 1993, p. 68-69).
Para os estudantes mencionados anteriormente à causa não seria um deslize ou
algo imposto pela sociedade, por isso não perdoariam uma infidelidade. Muitos reconhecem
que o respeito mútuo, as responsabilidades no relacionamento são iguais para ambos, por isso
defendem a ideia “se eu sou fiel, ele/a também deve ser”, para eles a infidelidade não seria
resultado de faltas no relacionamento.
Mas há aqueles que não sabem se perdoaria uma infidelidade, caso das duas
estudantes de Comunicação Social de 23 e 24 anos, do estudante de Psicologia de 21 anos e
da estudante de Geografia de 28 anos, a última afirmou “Não sei, isso ia depender do tamanho
da importância que a outra pessoa representasse na minha vida, não tenho medo de ser traída,
sou muito segura de si, acredito em minhas ações, e se acontecer, tenho certeza que não foi
algo que tenha feito”. Para a estudante de Geografia, o perdão ao ato de infidelidade
dependerá do envolvimento que tenha com o parceiro, para ela se o parceiro trair será por
decisão dele, não por culpa dela.
Entre os dezesseis estudantes que participaram da pesquisa apenas quatro
afirmaram perdoar a infidelidade cometida pelo companheiro.
A estudante de psicologia de 22 anos esclareceu: “Perdoaria, mas questionaria a
relação, pois se há espaço para traição é sinal de que o relacionamento não vai bem e que um
não está sendo suficiente para o outro, não tenho medo de ser traída, pois só invisto num
relacionamento se houver confiança mútua que me permita estar tranquila em relação ao
outro, pois desconfiança em excesso não é bom sinal e enfraquece o relacionamento.
Analisaria o contexto em que se deu essa traição, em que momento do relacionamento houve
a abertura para esse comportamento e consideraria o fim dele por acreditar que quando
acontece uma vez, infelizmente há o grande risco de ocorrer diversas outras vezes”, afirmou.
Para ela a infidelidade cometida é consequência do mau estado da relação, não só o infiel tem
culpa, mas o outro envolvido também tem sua parcela de contribuição.

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A estudante de Direito de 23 anos disse que perdoaria “desde que não me afetasse
tão profundamente a ponto de me sentir ameaçada ou em um relacionamento extremamente
instável”. E disse sentir medo de ser traída porque “quase todos traem”.
Já o estudante de Geografia de 25 anos diz que “acredito que perdoaria, mas,
tenho medo de ser enganado e feito de chacota, pois na sociedade em que vivemos não é fácil.
Observo em meu próprio íntimo tendo desejo por mais de uma pessoa, querendo mais de um
relacionamento. Não sei se diria tudo isso, se iria admitir todo esse pensamento, talvez não
abrisse mão. Mas acredito que passarei por essa experiência em algum momento. Somos de
carne e desejo, o ser humano nasceu a procriação também; e quando falo de nós HUMANOS,
não dispenso nossa parte animal”, afirmou. A infidelidade masculina é aceitável em muitas
sociedades, todavia quando o homem é traído esse é recriminado e considerado como fraco,
que não soube controlar seu lar, sua esposa. O estudante de Geografia de 25 anos ressalta o
discurso biologista como respaldo para a infidelidade, que o homem é naturalmente
insatisfeito sexualmente.
Para o estudante de Geografia de 21 anos que disse perdoar uma infidelidade
cometida por uma parceira deixou claro o seguinte: “da mesma forma que estou sujeito a
queda e posso falhar, ela também pode para comigo, porém permanecer no erro é abusar da
vontade”.
Contrariando a ideia de que mulheres devem ser fiéis incondicionalmente, para o
estudante de Geografia de 21 anos a infidelidade feminina é uma falha que pode ser perdoada
caso não seja repetida, para ele não só os homens podem errar, elas também estão sujeita a
falha.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa teve como proposta analisar como a infidelidade é percebida sob a
ótica dos papéis de gênero, entender porque o homem infiel e a mulher infiel possuem status
diferenciados em nossa sociedade. Como também mostrar em que medida elementos
tradicionais e modernos se articulam nessas falas e analisar o fenômeno da infidelidade em
um contexto de destradicionalização, de transformações de valores e verificar se há um maior
equilíbrio entre as posições de gênero. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica analisando os
diversos mecanismos que condicionaram as diferentes posições sociais para homens e
mulheres.
Diante desses aspectos podemos chegar à conclusão de que ainda existem
posicionamentos de estudantes com elementos tradicionais. Caso da estudante de
Comunicação Social de 24 anos: “Além da compulsão pelo sexo oposto e a ideia intrínseca de
virilidade, o homem trai pela instintiva busca do prazer”. Para ela o homem trai simplesmente
para “provar que se é homem”, e por simples prazer sexual. Contrariando o que Passini (2010)
afirma, um dos fatores que levaria homens e mulheres nas sociedades modernas ao ato de
infidelidade seria simplesmente porque não existe mais amor para com o parceiro, ou seja,
esses discursos ainda exercem poder na vida dos indivíduos e suas interações.
Houve uma diminuição referente à desigualdade de gênero no quesito quem pode
ou não pode trair. Entre os dezesseis estudantes oito, sendo quatro homens e quatro mulheres
afirmaram que trair faz parte de uma escolha individual, e por isso não perdoariam. Em
decorrência do movimento feminista, da maior liberdade sexual e dos métodos
anticonceptivos e outros fatores que trouxeram mais autonomia as mulheres, existe hoje um
grupo de mulheres que não consideram a infidelidade conjugal um direito restrito aos homens
e querem que eles sejam exclusivos para elas tanto emocionalmente como sexualmente. A
relação deve ser baseada em igualdade na doação das emoções, para muitos a infidelidade faz
parte de uma escolha do individuo infiel, determinando a falha como exclusiva da pessoa.
Quatro estudantes, sendo um homem e três mulheres disseram não saber se
perdoariam. Apenas quatro estudantes, dois do sexo masculino e dois do sexo feminino
afirmaram perdoar uma infidelidade. Os dois estudantes do sexo masculino afirmaram que da
mesma forma que estão sujeitos a cair, elas (as mulheres) também estão e perdoariam. Indo
contra o discurso tradicional de que mulheres devem ser fiéis incondicionalmente e as que
cometem tal ato estariam dentro de um quadro de mulheres perdidas.

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Podemos concluir que existe uma construção histórica - social que legitimou a
infidelidade masculina inviabilizando a feminina. Com respaldo em discursos biologistas, do
Direito e religioso foram atribuídos papéis que deveriam ser incorporados por homens e
mulheres. Todavia com as mudanças sociais que vem ocorrendo desde o final do último
século e início do século atual - revoluções políticas e industriais, baixa taxa de fecundidade,
aumento da expectativa de vida, grande aceitação do divórcio, inserção da mulher no mercado
de trabalho, entre outros - acarretou num desencadeamento de novos tipos de relacionamento,
novos modelos familiares, modificações no papel do casal, resultando em direitos e poderes
dado as mulheres na relação conjugal, ou seja, a exclusividade sexual não é uma imposição
política e religiosa, mas passa a ser uma escolha.

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