ISSO É UM PROBLEMA? PERSPECTIVAS DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA NO ÂMBITO ESCOLAR NO BAIRRO DO JACINTINHO
DISCENTE: MONICK ANNE DA SILVA PIMENTEL; ORIENTADORA: DÉBORA ALLEMBRANDT
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - ICS
LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
MONICK ANNE DA SILVA PIMENTEL
ISSO É UM PROBLEMA?
Perspectivas da gravidez na adolescência no âmbito
escolar no bairro do Jacintinho
MACEIÓ-AL
DEZ - 2018
MONICK ANNE DA SILVA PIMENTEL
ISSO É UM PROBLEMA?
Perspectivas da gravidez na adolescência no âmbito
escolar no bairro do Jacintinho
Trabalho apresentado como requisito
parcial para conclusão do curso
de Licenciatura em Ciências Sociais
do Instituto de Ciências Sociais da
Universidade Federal de Alagoas sob
a orientação da Profª Drª Débora
Allebrandt.
MACEIÓ – AL
DEZ - 2018
TERMO DE APROVAÇÃO
MONICK ANNE DA SILVA PIMENTEL
ISSO É UM PROBLEMA?
Perspectivas da gravidez na adolescência no âmbito
escolar no bairro no Jacintinho
Trabalho apresentado como requisito
parcial para conclusão do curso
de Licenciatura em Ciências Sociais
do Instituto de Ciências Sociais da
Universidade Federal de Alagoas, em
19 de dez. de 2018, e aprovada pela
Banca examinadora abaixo assinada:
Banca Examinadora:
_______________________________________________________
Professora Dra. Débora Allebrandt (Orientadora)
_______________________________________________________
Professora Dra. Jordânia de Araújo Souza (Examinadora)
_______________________________________________________
Professora Dra. Nádia Meinerz (Examinadora)
MACEIÓ-AL
DEZ - 2018
Dedico este trabalho a minha vó Janete,
a minha mãe Maristela, meus irmãos
Hugo Henryque e Gabriel, a minha tia
Mauricélia, a minha amiga Joélia, as
escolas que abriram as porta para a
realização desse trabalho e a todos que
contribuíram para este estudo e a minha
formação.
Agradecimentos
Primeiramente a Deus e as forças do universo!
A minha orientadora Débora Allebrandt, que me orientou da melhor maneira
possível, compreendendo minhas dificuldades e me ajudando a superá-las.
A minha família consanguínea, primeiramente a minha vó Janete que se
preocupa e está sempre ao meu lado, a minha mãe Maristela que sempre trabalhou
para dá o melhor para mim e aos meus irmãos, a minha tia Mauricélia que sempre
me incentivou a estudar, e aos meus irmãos Gabriel e Hugo Henryque,
especialmente ao Hugo que mesmo sendo tão novo, sempre ajudou. E a minha
cadela Bela que me fez companhia em quase todos os meus momentos de estudos,
principalmente durante as madrugadas em claro.
A família que escolhi, os meus amigos, Joélia, Cezar, Débora e Sandra.
Fizeram parte dessa etapa da minha vida, sempre ajudando, apoiando, estudando e
divertindo quando possível. Mas aqui meu agradecimento vai especialmente para a
Joélia (minha mãe do coração) que sempre me ouvi, aconselha, encoraja nos
momentos mais complicados, nos assuntos da faculdade ou na vida e nos divertindo
sempre. Agradeço a todos que participaram da minha formação e os que de alguma
forma contribuíram para a realização desse estudo. E agradeço também, aos
professores responsáveis pelo PIBID, Júlio Gaudêncio, Jordânia Souza e Welkson
Pires, pela oportunidade e confiança que me foi dada e pelo aprendizado obtido.
Para finalizar, agradeço os momentos difíceis e as pessoas que disseram que
eu não conseguiria, pois sem eles eu não teria a motivação para ir até o fim.
Às vezes ganho… às vezes perco,
mas sempre aprendendo.
Desistir jamais!
RESUMO
Este presente trabalho refere-se as perspectivas sobre a gravidez na adolescência
no âmbito escolar. Tendo como objetivo analisar a construção da gravidez na
adolescência no âmbito escolar. A obtenção dos resultados se deu por meio de ida
ao campo e a aplicação de questionários (perguntas abertas e fechadas). A escola,
não aborda adequadamente a sexualidade e não conhece seus alunos. A gravidez
na adolescência é estigmatizada, tanto dentro como fora da escola, por modificar a
ordem do plano de vida, geralmente da mulher, devido às colocações dos papeis de
gênero. A gravidez não atrapalha, mas sim as questões de gênero e o despreparo
da escola para lidar com tal situação.
Palavras-chaves: Conflito geracional, escola, gravidez na adolescência e
sexualidade.
RESUMEN
Este presente trabajo se refiere a las perspectivas sobre el embarazo en la
adolescencia en el ámbito escolar. Con el objetivo de analizar la construcción del
embarazo en la adolescencia en el ámbito escolar. La obtención de los resultados se
dio por medio de ida al campo y la aplicación de cuestionarios (preguntas abiertas y
cerradas). La escuela, no aborda adecuadamente la sexualidad y no conoce a sus
alumnos. El embarazo en la adolescencia es estigmatizado, tanto dentro como fuera
de la escuela, por modificar el orden del plan de vida, generalmente de la mujer,
debido a las colocaciones de los papeles de género. El embarazo no interfiere, sino
las cuestiones de género y el despreparo de la escuela para lidiar con tal situación.
Palabras claves: Conflicto generacional, escuela, embarazo en la adolescencia y
sexualidad.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO: O QUE É ISSO MEU JOVEM ?........................................8
1.1 Gravidez na adolescência......................................................................12
1.2 Conhecendo o Jacintinho......................................................................13
1.3 Dados das escolas públicas do Jacintinho..........................................15
2. CAPÍTULO 2: COMO VAI À ESCOLA?....................................................17
2.1 Aplicação do survey...............................................................................23
3. CAPÍTULO 3: VOCÊ VIU ESSES DADOS?.............................................27
3.1 Sexualidade e educação........................................................................37
4. CAPITÚLO 4: PERSPECTIVAS DOS ALUNOS E
PROFESSORES SOBRE A GRAVIDEZ ..................................................40
4.1 Comentários dos professores...............................................................52
5. CONCLUINDO... ......................................................................................54
5.1 O que a escola pode fazer?....................................................................56
6. ANEXOS....................................................................................................59
6.1 Diário de campo.......................................................................................60
6.2 Respostas dos alunos e professores...................................................70
6.3 Questionário aluno.................................................................................81
6.4 Questionário professor..........................................................................83
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................85
Introdução: O que é isso meu jovem?
Meu pensamento vai até onde você está
Meu pai me diz outra vez
Que eu desperdiço meu futuro e sua paz
Com o meu jeito de ser
Quando eu o escuto, estou tão longe daqui
Fecho os meus olhos e já estou pensando em ti
E sou rebelde
Quando não sigo os demais
E sou rebelde
Quando te quero até com raiva
E sou rebelde
Quando não penso igual á ontem
E sou rebelde
Quando me jogo sem pensar
E sou rebelde
E que talvez ninguém me conheça bem
Um dia desses ainda vou me mandar
Atrás, quem sabe, do primeiro sonho
Tudo na vida é perder ou ganhar
Tem que apostar, tem que apostar sem medo
Não importa muito o que dizem de mim
Fecho os meus olhos e já estou pensando em ti
E sou rebelde
Quando não sigo os demais
E sou rebelde
Quando te quero até com raiva
E sou rebelde
Quando não penso igual á ontem
E sou rebelde
Quando me jogo sem pensar
E sou rebelde e que talvez
Não importa muito o que dizem de mim
Fecho os meus olhos e já estou pensando em ti
(Alguns trechos da Música Rebelde, em português, da banda RBD)
Acredito que após esta música muitos já julgaram a qualidade desse trabalho,
não acreditaram ou até mesmo podem ter rido, mas eu vejo esta música muito mais
que um hit de 2006 entre os jovens, a vejo pelo olhar das Ciências Sociais. Nela
podemos encontrar tanto elementos Durkheimianos quanto a descrição dos jovens
millennials. Mas antes de adentrar na análise sócio antropológica da música, os
convido para compreender a história da construção social da juventude.
Segundo o livro A história Social da Criança e da Família, de Philippe Ariés
(1981), ao longo da história houve alguns métodos para a identificação dos sujeitos,
8
inicialmente era usado o nome, mas não dava muitas informações sobre o sujeito,
então, o sobrenome veio para preencher essa falha, muitas vezes, era utilizado o
seu lugar de origem. A idade ficou em evidência, após o uso dos párocos para ter
registros exatos da camada rica que frequentava os colégios.
No século XVI, as pinturas das famílias passaram a ter a idade dos sujeitos
representados e a data de sua pintura, pois assim registravam e contavam a história
da família, os pertences também começaram a ser datados e a ter as iniciais de
seus donos, porém com o tempo essas ações foram perdendo as forças.
As idades deixaram de ser apenas uma marcação biológica, para ter também
uma função social, definindo o seu papel na sociedade. No século XVIII, as crianças
eram reconhecidas pela idade de brincar, a segunda idade era a escolar, a terceira
idade (dos adolescentes que até então eram unificados com a infância) era marcada
pela busca dos relacionamentos amorosos e o envolvimento com esportes. No início
do século passado a juventude ganhou ares de modernidade, devido a mistura de
pureza, força e alegria. Ser jovem é, estar em dois mundos ao mesmo tempo, não é
mais criança, mas também não alcançou a maturidade.
Nesse pequeno resumo sobre o trabalho de Ariés (1981), percebe-se que as
idades da vida são constructos sociais, que definem as atividades, regras e
comportamento de cada geração, que varia com o passar dos anos (de acordo com
as modificações na sociedade). A fase da vida que atualmente é denominada como
adolescência, mantém algumas características de antigamente, como a idade do
namoro e relações amorosas ou a idade de guerra para os meninos (que hoje ao
completarem 18 anos são obrigados a se alistar nas Forças Armadas). Entretanto,
houve modificações, por exemplo, antigamente as meninas deveriam se casar na
fase que atualmente conhecemos como adolescência, mas hoje o plano de vida
sugere que as meninas se casem depois que sua formação estiver completa
(preferencialmente, o nível superior e trabalhando).
Mas o que é ser jovem nos dias de hoje? Para Bourdieu (1983) é uma
questão do objeto que se compara, uma pessoa de 15 anos pode ser considerada
mais nova que uma pessoa de 25 anos e mais velha que uma de 10 ou a época da
rebeldia. No Dicionário do Aurélio on-line a definição de jovem é: “1 - Relativo à
juventude ou a quem está na juventude. 2 - Que existe há pouco tempo. 3 - Que ou
quem tem pouca idade; que ainda não é adulto. 4 - Que ou quem está na
9
juventude.”, há conceitos ligados ao dado biológico (idade), mas a juventude é muito
mais que uma idade, ela está associada a outros elementos como o emocional,
cultural e por ser uma condição social transitória (BIRDI et.al 2017) (como foi
colocado por Ariés, os estágios da vida foram criados socialmente). Dependendo da
perspectiva sempre seremos os jovens e os velhos de alguém. A divisão pela faixa
etária é um modo de classificar e hierarquizar o poder, quem é velho (manda) e
quem é jovem (obedece), quem tem a experiência e quem tem a força, energia
juvenil, assim reforçando o papel social de cada indivíduo.
Porém, a ideia de juventude é transmitida como unidade social, entretanto, a
juventude é plural, cada grupo possui suas particularidades e visões de mundo
diferentes. Na juventude brasileira, por exemplo, pode–se encontrar a juventude
negra, a juventude feminista, a juventude conservadora, os que pertencem às
classes altas e baixas, os que foram criados no seio da religião e os que não, isto é,
temos vários elementos sociais e culturais que influenciam na formação das
juventudes e seus indivíduos.
Mesmo assim a opinião de muitos adultos resume os millennials como
rebeldes e irresponsáveis, de acordo com Reguillo (2012) a ideia do jovem “rebelde
sem causa” foi propagada pela indústria cinematográfica, devido os jovens
começarem a se comportar como atores sociais e políticos, ou seja, a partir do
momento que despertaram questionamentos e agindo sobre as estruturas sociais. O
nome da música Rebelde (no início do texto) chama atenção, no primeiro contato
idealiza-se jovens que não seguem as regras sociais para aparecer, mas quando
analisada a música se apresenta como uma carta aberta, um meio de apresentar os
pensamentos e anseios dos jovens, em um dos trechos “E sou rebelde quando não
sigo os demais” expõe que o modo de se expressar para o mundo é diferente do
que é esperado, o jovem acaba sendo punido por meio desse rótulo (ou outros
meios, como castigos, por exemplo) e acabam não sendo levados a sério e nem as
suas reivindicações enquanto sujeitos sociais, devido a ideais reproduzidos e
reforçados pelas gerações.
No trecho “Meu pai me diz outra vez que eu desperdiço meu futuro e sua paz
com o meu jeito de ser”, apresenta o conflito geracional que se evidencia entre a
juventude e a idade adulta. De acordo com Margulis e Urreti(1996) cada geração é
marcada por contexto histórico, cultural e tecnológico, existe o antes e depois de
10
cada modificação estrutural na sociedade, por exemplo, o telefone celular, antes
possuía configuração e funções simples como apenas para ligação, mas atualmente
a maior parte das pessoas (principalmente entre os jovens) o telefone deixou de ser
apenas para telefonar e se tornou a “extensão do corpo” possuindo novas
configurações e aplicativos que facilitam a interação entre sujeitos.
Segundo esses mesmos autores, “La geración, más que uma conciedencia
em la época de nacimiento, remite a la historia, a la momento historico en el que ha
sido socializado.” (MARGULIS e URRETI, 1996, p.8) A juventude de ontem, não é a
mesma de hoje que será diferente de amanhã, devido as modificações estruturais
que ocorrem no decorrer da história, contribuem um novo modo de pensar e agir em
coletivo (sem levar em consideração os elementos individuais e a reprodução das
condutas sociais) de um determinado grupo, no caso gerações. Assim surge um
conflito entre o velho e o novo, enquanto um vê a sua realidade como a ideal e
verdadeira, o outro vê a possibilidade de expandir e evoluir as ideologias e crenças.
Outro elemento que contribui para o conflito de gerações é a segurança
versus o risco (PAIS, 2006). O primeiro relacionado, comportamento, pensamento e
estado dos adultos e o segundo aos jovens, como ir a baladas, usar drogas, “rachas”
de carros ou esportes radicais, uma tendência de colocar a prova tanto as regras
sociais, como a própria vida , como no trecho “Tudo na vida é perder ou ganhar Tem
que apostar, tem que apostar sem medo” mostra que
os jovens tendem ao
comportamento de risco sem temer a morte, pois pela lógica do ciclo de vida
nascemos, crescemos, reproduzimos e morremos (geralmente, na velhice o que se
encontra longe da juventude). O risco vai muito além do que um simples desafio à
vida, dentro de alguns grupos sociais urbanos, acaba resultando um poder, fazer
aquilo que muitos não fariam, por exemplo, como “pichar” em um lugar alto sem
equipamentos de segurança, traz para o sujeito um privilégio e acaba sendo tratado
com respeito dentro do grupo.
Vivemos em uma sociedade cada vez mais fluída, e isso se evidencia nos
jovens, com ideias e vontades que passam por uma metamorfose, essa
característica é abordada em algumas partes da música “Um dia desses ainda vou
me mandar atrás, quem sabe, do primeiro sonho... E sou rebelde Quando não penso
igual á ontem. E sou rebelde Quando me jogo sem pensar”. As relações desses
jovens estão cada vez mais líquidas, podem fazer faculdade hoje e amanhã fazer
11
um “mochilão” e sair pelo mundo, mudar de ideia e se fixar em um lugar casando,
casar e amanhã separar. Com essas ideias e relações cada vez mais instáveis, nos
dias de hoje é possível encontrar e ter relacionamentos por meios das redes sociais
e aplicativo (sendo físico ou virtual e com qualquer pessoa do mundo). Estas
possibilidades se devem tanto aos avanços tecnológicos como a “liberdade
adquirida” (conquistada pelas rupturas nas estruturas sociais, mesmo assim passível
de punições), que permite pelo menos em tese que os jovens de hoje podem fazer o
que desejam sem grandes influências das ideias tradicionais. Os jovens estão cada
vez mais se distanciando das ideias estáticas, e indo para campos que se sintam
livres, onde possam correr riscos e aproveitar o hoje.
Gravidez na adolescência
Quando iniciei esta pesquisa, a pergunta inicial que ficou em minha cabeça
era mais ou menos esta: “Antigamente as jovens deviam ter filhos cedo, por que
hoje as meninas que têm filhos cedo, são julgadas ou punidas socialmente?” Para
obter a resposta, parti para duas vertentes a moral e o plano de vida.
Segundo Durkheim, a consciência coletiva é quem rege a sociedade, pois é
nela que as ideias, costumes, regras e a cultura em si é baseada, assim, ao
nascermos já temos o futuro pré-determinado e idealizado, um bom exemplo é
quando os pais descobrem o sexo de seu bebê, se for menina compram o enxoval
rosa e se for menino azul e começa uma educação de acordo com o sexo, para que
venha se comportar e atingir as expectativas da sociedade. A história da sociedade
é baseada no patriarcalismo, onde a mulher foi/é orientada a cuidar da família e dos
filhos, enquanto é dever do homem trazer os meios de subsistência. Nos séculos
passados a construção da família e as responsabilidades se iniciavam na juventude
(como é colocado por Ariés, que no século XVIII a adolescência era voltada para os
relacionamentos, mais precisamente, o casamento). Segundo Margulis e Urreti
(1996), nos séculos XIX e XX, a sociedade começou a oferecer ao jovem a ideia de
postergar a construção da família, para se dedicar a sua formação acadêmica. O
plano de vida passou por reformulações, atualmente esperasse que o jovem se
forme no Ensino Superior, arranje um emprego e depois com uma vida econômica
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estável possa construir uma família, e quando essa ordem é alterada, há um
problema. O que mais aflige jovem é a gravidez na adolescência. É justamente essa
construção da gravidez na adolescência no âmbito escolar (no bairro do Jacintinho)
como um problema que iremos investigar nesse trabalho.
Conhecendo o Jacintinho
O bairro do Jacintinho é o segundo mais popular da cidade de Maceió,
segundo o censo de 2010, entorno de 86.500 habitantes, sendo 45.524 mulheres e
40.990 homens1. “Segundo o pesquisador da história do bairro José Ademir, o nome
é uma alusão ao primeiro proprietário, Jacinto Athayde, descendente de
portugueses, que construiu seu casarão no Poço e a ladeira de pedra que dava
acesso ao sítio. A partir da década de 60, a região foi crescendo desordenadamente
com a população que chegava do interior do Estado.” (PONTO de memória do
Jacintinho).
O bairro esta localizado em um dos pontos centrais da cidade o que facilita a
locomoção entre os bairros, é frequente que seus moradores afirmem “o Jacintinho é
perto de tudo”, fica alguns minutos do centro da cidade e das praias mais
conhecidas e de um dos shoppings mais antigos da cidade, e vias que interligam a
uma variedade de localidades da cidade (por exemplo, a Leste Oeste). Além disso, o
bairro possui escolas, grandes supermercados, postos de saúde, ponto – socorro, a
Casa de direto (auxilia os cidadãos na emissão de documentos, cursos
profissionalizantes e com a ajuda da Ronda do Bairro2, realiza atividades com as
crianças que envolvem o esporte e aulas de reforço) que também é frequentada por
pessoas de outros bairros, rádio (96.6) e canal de TV (mais conhecido como canal
5), farol, batalhão e centrais de polícias que são referências na cidade e a sua
famosa Feirinha do Jacintinho.
A feira (onde se encontra de tudo um pouco) que funciona todos os dias na
sua rua principal e nas ruas adjacentes, mesmo fluxo de pessoas durante a semana,
1
Disponível em: http://populacao.net.br/populacao-jacintinho_maceio_al.html. Acesso em: 20/01/2019.
Projeto do governo que visa o combate à violência nos bairros, o seu lançamento ocorreu no bairro do
Jacintinho em 2018. Maiores detalhes, disponível em: http://www.imprensaoficialal.com.br/wpcontent/uploads/2018/01/DOEAL-03_01_2018-EXEC.pdf, pág. 1. Acessado em: 29/04/2019.
2
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é no final de semana que a feira brilha, sendo ofertada uma grande variedade de
frutas, verduras, produtos de limpeza, alimentos, lanchonetes, roupas, sapatos,
objetos para casa e entre outros produtos. De acordo com Santos (2014) a feirinha
do jacintinho cresceu sem organização nas ruas do bairro, e tendo a possibilidade
de exposição mais variada possível, em lojas, bancas, carrinhos e até as calçadas,
colocadas de tal modo que facilite a montagem e a desmontagem das barracas. Sua
localização contribui para o desenvolvimento da feira “por ser uma rota de passagem
de muitos trabalhadores, a feira se mostra como uma opção de consumo”
(SANTOS,2014, pág.38) com o funcionamento de algumas barracas na rua
principal3 muitos motoristas realizam suas compras no conforto de seu carro.
Outra característica muito conhecida do bairro do Jacintinho são suas grotas,
se assemelham as favelas do Sudeste, entretanto, no lugar do morro, são
inclinações de terra que se aparenta vales, ou no popular “as grotas”. Viver nesses
lugares para a maioria traz um estigma negativo, em uma volta para conhecer
melhor o bairro, antes da pesquisa, ao passar por uma das entradas de uma das
grotas e perguntar qual era o nome da grota, uma moradora rapidamente
respondeu: “aqui é uma travessa, a grota é mais em baixo”, mesmo morando em
uma das entradas ela negou o local onde mora, já que a ligação de quem mora nas
grotas vive em situações de pobreza e a violência urbana, entre elas o tráfico de
drogas. Devido a sua grande extensão, bairro que mescla com a extrema pobreza
com a classe média baixa, as casas são praticamente uma colada na outra, e as
ruas sempre movimentadas.
Com esse pequeno resumo sobre o bairro do Jacintinho, é possível conhecer
um pouco a maioria dos atores envolvidos neste trabalho. Para ampliar mais, vamos
observar como é a educação pública do bairro (com Ensino Médio).
3
Alguns comerciantes ficavam na rua principal, dividindo espaço com os pedestres e os carros, a prefeitura os
realocou para ruas adjacentes, porém alguns feirantes voltaram para seus pontos de origem. Disponível em:
http://www.alagoas24horas.com.br/1136920/feirantes-devem-ser-retirados-do-jacintinho-neste-domingo/
Acessado em: 28/04/2019
14
Dados das escolas públicas do Jacintinho
Quanto o dado escolar, o jacintinho possui três C.M.E.I4, nove escolas
municipais e seis escolas pelo Estado. Foi observado o IDEB5 das escolas do
Jacintinho dos últimos anos (apenas as escolas pesquisadas e resultados do Ensino
Fundamental II). A Escola Estadual Manuel Simplício do Nascimento, melhorou suas
notas entre 2015 e 2017, porém ainda abaixo da projeção:
Notas
Projeção
2015
2017
2015
2017
2.5
3.8
4.2
4.4
Já a Escola Estadual Professora Miriam Marroquim de Quintela Cavalcante,
obteve o êxito nas notas de 2017:
Notas
Projeção
2015
2017
2015
2017
3.1
4.7
3.7
3.9
Assim, pode-se compreender melhor a situação educacional das duas (das
três, a Escola Estadual Profº Theonilo Gama não teve as notas de 2015 e 2017
divulgadas, mas a nota de 2013 foi de 1.9 e a projeção para aquele ano era de 3.9)
Escolas de Ensino Médio do Jacintinho, uma está claramente com dificuldades na
questão de aprendizado e sua estrutura é simplória, enquanto a segunda a que
possui uma estrutura física mais conservada e projetos que envolvem os alunos,
obteve melhor êxito.
Este trabalho está dividido em quatro capítulos, o primeiro capítulo aborda a
juventude e a apresentação do bairro onde foi realizada a pesquisa. O Segundo
capítulo possuem duas partes, a primeira envolve a relação entre a educação e
sociedade, possuindo como base minha experiência de estágio e PIBID em sala de
4
Centro Municipal de Educação Infantil.
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que mede a qualidade do aprendizado e estabelece metas
para melhorias educacionais.
5
15
aula, e a segunda parte uma descrição da aplicação do survey no ambiente escolar.
O terceiro capítulo apresenta os dados quantitativos do survey. E o quarto, expõe e
analisa os pontos de vista dos entrevistados (alunos e professores) sobre a gravidez
na adolescência, e possibilidades para diminuir a tensão entre escola e alunos sobre
a temática da sexualidade e diversidade sexual.
16
Capítulo 2: Como vai à escola?
Minha formação acadêmica é Licenciatura em Ciências Sociais, e tal condição
possibilitou que eu vivenciasse diferentes realidades escolares, minha imersão se
deu por meio dos estágios supervisionados (400 horas) e do PIBID (agosto de 2016
– fevereiro de 2018). Os estágios 1 e 2 (observação), realizei na Escola Estadual
Teotônio Vilela Brandão, localizado no bairro Poço, próximo ao bairro Ponta Verde
que possui prestígio social na cidade (devido a sua localização, fica perto da orla, e
é habitada por pessoas das classes mais abastadas). Diferente de outras escolas
esta possuía aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula, proporcionando certo
conforto aos alunos e professores. O estágio 3 (regência) fiz na Escola Estadual
Theonilo Gama, no Jacintinho, modalidade
EJA, durante a reforma feita pelo
Estado, pois a escola se encontrava em um estado deplorável ao ponto de ter que
andar sobre o lixo dentro das salas e os próprios alunos que se encarregavam da
limpeza. O último estágio realizei na Escola Estadual Professora Margarez Maria
Santos Lacet, localizada no Tabuleiro dos Martins, zona periférica assim como nas
outras escolas, a estrutura da escola era precária, os quadros desgastados e áreas
comuns vandalizadas. Em contrapartida, a escola que abrigou o projeto do PIBID
Escola Estadual Moreira e Silva, mantém certos privilégios sobre as outras escolas,
a primeira dela é por não parecer uma prisão, possuía uma infraestrutura razoável
(em 2017 foi iniciada a instalação de ar condicionado nas salas de aula), tem grande
visibilidade nas mídias, abriga projetos que as outras escolas não possuem, de certo
modo é vista como uma escola modelo, ela fica no Centro de Estudos e Pesquisas
Aplicadas (CEPA).
Duas das quatro escolas citadas (Teotônio e Margarez), se assemelham a um
presídio, por serem divididas por blocos e possuírem uma quantidade demasiada de
grades. Em uma das atividades realizadas no PIBID (que consistia em relatar um
ritual do seu cotidiano, de modo como se observasse outra cultura), um grupo de
alunos descreveu a escola como uma prisão:
Grupo A: O cárcere é o local onde as pessoas são separadas por clãs, o agente tem
a função socializadora dos indivíduos [...] tem o castigo [...] pode aumentar caso você
não tenha bom comportamento [...] (Atividade dos alunos).
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O cárcere é a estrutura física e administrativa, que separa os alunos em
turmas (os clãs), o professor é o agente socializador, e o fato de permanecer na
escola é um castigo, que pode ser prorrogado se não conseguir alcançar as notas
necessárias. Mas por que ver a escola como castigo? A maioria das pessoas
falariam que os jovens são assim mesmo, mas onde é parte do jovem e onde é
culpa do sistema educacional do país? Nas escolas por onde passei vi elementos
positivos e negativos, um dos principais é a linguagem entre a escola (administração
e professores) com os alunos, na maior parte das vezes a linguagem acadêmica
rege as aulas e os professores estão exaustos que aplicam aulas tradicionais, pouco
atrativas para os jovens e contribui para o déficit na sua trajetória educacional. De
acordo com o texto de Joaquim (2014) os alunos do Ensino Médio já estão inseridos
na cibercultura, ele propõe que o professor se reinvente junto com essas
modificações e utilize as redes sociais que podem ser ferramentas importantes para
melhorar o ensino, ajudando aprofundar o conteúdo de modo atrativo.
As redes sociais virtuais podem ser aliadas às aulas de sociologia, na medida em
que contribuem para a mobilização de saberes, o reconhecimento de diferentes
identidades e a articulação dos pensamentos que compõem a coletividade. É
necessário que a escola e o professor façam uso dessas redes levando em
consideração que é preciso a intervenção intencional dos professores que devem
funcionar como agentes capazes de contribuir para o aprofundamento das
temáticas discutidas nesses espaços e orientar as discussões, auxiliando no
aprofundamento dos temas, na síntese de ideias e na análise crítica de dados.
(JOAQUIM, 2014. Pág. 9).
Tanto a escola como a sociedade deve perceber que os jovens de hoje não
são os mesmo de 10, 20 e 30 anos atrás e que os métodos utilizados antigamente,
talvez não surtam o efeito esperado. A escola deve-se perguntar quem é o jovem
que ensino?
Segundo Dayrell e Carrano (2014), os alunos são vistos como
indisciplinados, irresponsáveis e dispersos, porém, sobre as perspectivas das
gerações anteriores, que tem no imaginário um jovem ideal, enfatizando a falta de
características adequadas. Entretanto, com o surgimento de novas tecnologias e
desenvolvimento social, os hábitos e comportamentos divergem das outras
gerações, e deve-se levar em conta, que não há uma juventude, mas juventudes e
cada um com sua experiência e vivência.
A educação possui vários atores sociais envolvidos: o Estado, a escola e
institutos de Ensino Superior, os professores, os alunos, os pais e a sociedade,
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entretanto, essa relação não funciona como deveria. O Estado, que é o responsável
no investimento na educação e por criar leis, porém com a corrupção existente esse
investimento não é aplicado corretamente, como o caso de desvio da merenda 6. E
quando ocorre a abertura de editais para professores os horários são extensos e
não levam em consideração o tempo que o professor trabalha em casa, assim
ocasiona desgaste no professor comprometendo a qualidade das aulas. A escola,
por sua vez, está mais interessada em alçar metas e em atividades extracurriculares,
do que realmente nas dificuldades dos alunos, digo isso por ter presenciado uma
reunião na escola que envolvia a parte administrativa e os professores, a direção
ficou satisfeita pelo número de aprovados em universidades, entretanto, a grande
maioria estava em faculdades particulares e por ironia do destino, na área de
licenciatura (em 2016, os alunos do terceiro ano da Escola E. Moreira e Silva
colocaram em suas camisas os cursos que pretendiam cursar, tinha Engenharias,
Direito, Enfermagem, nenhum queria licenciatura). Mas o que faltou aos alunos que
queriam fazer Medicina, Direito, Engenharias e afins, cursos que gostariam de
cursar, foi falta de estudo, Preguiça, Nervosismo na hora da prova? Segundo o
sociólogo francês François Dubet (2008), a escola não é justa com as crianças de
origem humilde, é mais rígida, pois é na periferia onde estão os alunos mais fracos.
A escola utiliza o sistema de mérito como segregação, os alunos mais fracos se
esforçam, porém, não obtém êxito, a única explicação que resta é a sua
incapacidade, o aluno tende a ficar com o sistema educacional, que enfatiza o
mérito. O problema é que se supõe que a maioria não irá conseguir assim
transformar a elite escolar em social. Tudo se resume a mérito quando se tem um
ensino público com pouca qualidade e segregado.
Durante o PIBID, observei que nenhum aluno do terceiro ano tinha a vontade
de ser professor, isso se deve ao fato de como a categoria é apresentada, não há
investimentos na educação que o auxilie, o salário dos professores é pouco em
comparação ao trabalho que fazem, além das aulas que aplicam demandam tempo
para prepará-las e estudar o conteúdo, cada turma tem características únicas,
porém o professor possui tantas turmas para dar aulas que se torna mecânico. Um
dos professores que acompanhei passava qualquer atividade do livro para
6
Caso conhecido como a máfia da merenda. Disponível em: <https://g1.globo.com/sp/saopaulo/noticia/ministerio-publico-denuncia-capez-por-corrupcao-passiva-e-lavagem-de-dinheiro-na-mafia-damerenda.ghtm>l. Acesso em: 16/12/ 2018.
19
preencher a hora, assim os alunos perdem a qualidade das aulas e não podiam
observar, estranhar e analisar elementos das Ciências Sociais (no ensino básico, a
disciplina é sociologia, mas possui antropologia e ciência política) por exemplo, as
desigualdades sociais que é um assunto presente no dia a dia da sociedade e que
acabou sendo naturalizado por muitos.
Os alunos, maiores beneficiários da educação, chegam ao Ensino Médio
(público) com dificuldade de interpretação e escrita, elementos que deveriam ter
desenvolvidos no decorrer da sua trajetória escolar, isso faz pensar na situação
precária da educação brasileira, e que na altura que eles chegam é difícil de corrigir.
Mesmo com essas dificuldades, os alunos são bem criativos e desde o momento
que o professor consiga guiar e apresentar outras perspectivas.
No contexto brasileiro da jornada escolar de meio período, percebia a família na base
tanto do sucesso quanto do fracasso escolar, ao compensar (ou não) as deficiências
escolares e as dificuldades dos estudantes, oferecendo (ou não) alguma forma de
reforço escolar, conforme a classe social (capital econômico e cultural) e o tipo e
qualidade da escola (privada ou pública, mais ou menos exigente). (CARVALHO,2004
pág. 95).
A citação acima, fala sobre a importância dos pais para o bom êxito na
educação, mas quando falamos em educação pública a maior parte dos pais não
possuem tempo para ir à escola devido ao trabalho, assim acabam não
acompanhando o desempenho do filho e sem saber como auxiliar para melhorar seu
desempenho, além de ser naturalizado a ideia que é dever da escola educar, mas
aprendizagem será melhor com o apoio e acompanhamento dos pais e da teia social
que a envolve.
A educação é um dos assuntos mais falados na sociedade durante as
eleições, mas esse interesse se modifica quando ocorrer a greve dos funcionários
da educação, a própria sociedade sabe da deficiência da educação, mas como é
algo que não afeta a todos diretamente e como têm assuntos vistos como
prioritários, a educação vai ficando em segundo plano e sem nenhuma resolução
que contribua no bom funcionamento da mesma e das partes que a constitui.
A experiência que tive com o PIBID, ajudou na minha formação como
professora. Vivenciei experiências que estão presentes no cotidiano das escolas,
aprender a lidar com a falta de recursos didáticos, pouco tempo para aplicar a aula,
20
a burocracia escolar e as diversas realidades e comportamentos dos alunos,
elementos que são vistos de modo superficial no estágio.
Quando falamos na formação do professor, a academia não prepara o
licenciando para situação do dia a dia escolar, por exemplo, como lidar com alunos
usuários de drogas, alunos com déficit de atenção, alunas grávidas e alunos com
algum tipo de deficiência (tem uma disciplina de libras, porém a carga horária é
muito pouca e falta de preparo para outras deficiências). As disciplinas de eixo do
curso e as pedagógicas são divididas e tratadas à parte, faltando uma integração
entre essas disciplinas que poderiam ajudar os licenciandos. Os professores das
disciplinas pedagógicas não tem tanto domínio sobre as áreas (os cursos de seus
alunos) para contribuir na ligação, apesar que ocorrer uma tentativa. As disciplinas
de eixo (no curso dos alunos) possuem mais atenção que as pedagógicas, mas os
alunos licenciandos irão preparar os futuros alunos do Ensino Superior.
Ser professor é muito mais do que conseguir uma vaga de emprego na área,
é ter jogo de cintura, saber transformar a linguagem acadêmica de modo que os
alunos venham compreender, e ver na educação como o modo de ampliar a visão
destes jovens e adultos. A escola não deve ver somente o aluno como um número,
mas ao perceber seu déficit pensar em modos (junto com o professor) de melhorar
sua aprendizagem, quem é o “aluno-problema”? Quem é a aluna que será mãe? O
aluno que falta muito, porque isso ocorre com frequência? Ou seja, como é
trabalhado no texto de Dayrell e Carrano (2014), compreender os espaços vividos e
construídos pelos jovens, e promover o engajamento participativo, o que pode
estimular a aprendizagem. Resumindo, saber quem é seu aluno, colocá-lo em
primeiro lugar, pois a escola só existe por causa dele.
Foi nesses estágios e PIBID, que tive contato com adolescentes que são
mães. Uma aula de Sociologia por semana é muito pouca (são cinquenta minutos,
porém, se demanda tempo para que os alunos cheguem na sala, caso seja a
primeira aula ou depois do intervalo, prepara material e fazer chamada. Tudo isso
reduz o tempo da aula, o que acaba dificultando o aprofundamento do conteúdo)
para se aproximar dessas alunas, e questionamentos começaram a ser levantados:
Como a escola dá suporte para alunas e alunos que possuem crianças? Até que
ponto a gestação pode atrapalhar ou ajudar na educação? Qual o peso da gravidez
para evasão escolar? O que se altera e se mantém nas relações sociais que
21
envolvem os jovens pais? Essas e outras questões me levaram a fazer esta
pesquisa, para observar e analisar a gravidez no ambiente escolar no bairro do
Jacintinho (periferia de Maceió).
Para iniciar a pesquisa7, procurei as escolas públicas que possuem o Ensino
Médio no bairro. Encontrei três escolas, Escola Estadual Manoel Simplício do
Nascimento, Escola Estadual Miram Marroquim e Escola Estadual Theonilo Gama.
Minha imersão no campo ocorreu pela minha apresentação aos responsáveis pelas
escolas, e a aplicação de um questionário para alunos e professores, com a
intenção de me aproximar e separar os interlocutores que poderiam ajudar na
pesquisa. Nos questionários, tanto dos alunos como dos professores, busquei
informações como dados socioeconômicos, se tinham filhos, empregos (no caso dos
professores a quantidade de horas e as outras escolas que lecionam), como a
escola aborda os temas sexualidade e diversidade sexual, a intimidação que os
futuros pais e mães sofrem e se gostariam de participar de uma entrevista mais
aprofundada. A ideia inicial era deixar os entrevistados livres para decidir se
gostariam ou não de participar, mas o modo de aplicação foi modificado devido à
baixa adesão, entretanto mantendo a liberdade para participar.
Na Escola Estadual Manuel Simplício, conversei com o diretor Silva8 ele me
falou que o Ensino Médio é exclusivamente a noite, e que durante o dia só funciona
o Ensino Fundamental II, ao questionar sobre o motivo, não obtive uma resposta
esclarecedora, mas em minha teoria, seria ocasionada pela mudança em uma das
escolas da região do ensino tradicional para o integral (Médio/Tecnológico), assim
tendo a necessidade de alocar as turmas do Ensino Fundamental em outras escolas
da região. O mesmo relatou que no ano letivo que havia acabado de iniciar já tinha
visualizado quatro alunas gestantes, e que no ano passado algumas alunas
abandonaram a escola por causa da gravidez, a escola poderia ter feito algo e não
fez. Ficou bem perceptível na sua fala, uma inquietação com essa questão e o
mesmo não quer que a escola continue sendo displicente com essas alunas.
Já a Escola Estadual Miram Marroquim, chama atenção antes mesmo de
entrar, os muros têm desenhos e mensagens, a maioria ligada a reflexão para obter
uma educação melhor, a sensação que dá ao ver os muros da escola é que a
mesma prioriza os alunos, os dando voz e auxiliando da melhor forma possível.
7
8
Maiores detalhes no diário de campo em anexo.
Pseudônimo.
22
Em uma conversa rápida, a coordenadora me falou que há algumas alunas
que são mães no Ensino Médio, a maioria no turno vespertino. Ela informou também
que a escola, dá apoio para essas alunas, pois são liberadas quando precisam,
como buscar seus filhos nas creches. Citou também algo que chamou minha
atenção, as alunas do Ensino Fundamental tendem a abandonar a escola quando
engravidam mais do que as alunas do Ensino Médio (que tendem a voltar).
Nessa imersão inicial na escola, pude perceber elementos sobre o tema
gravidez na adolescência e escola. Na primeira vemos a distância entre a escola e
os alunos, como o diretor falou deveríamos procurar saber por que não voltaram. As
escolas estão envolvidas em outras questões vistas como urgentes, que acabam
colocando a evasão em segundo plano. A conversa com a coordenadora da outra
escola, sobre a evasão massiva das adolescentes grávidas no Ensino Fundamental,
me fez pensar em uma hipótese, como as alunas do Ensino Médio, veem que estão
perto de concluir tendem a continuar, do que aqueles que veem o caminho da
conclusão mais distante. Mas não ficou claro se a escola foi atrás dessas alunas. A
impressão que dá é um abandono mútuo, as alunas abandonam a escola para
cuidar de seus filhos, pois a maioria não tem dinheiro para pagar uma pessoa ou
não tem alguém disponível para cuidar de seu filho enquanto estão na escola, e são
abandonadas pelas escolas que não buscam informações sobre as mesmas e meios
que contribuam para sua permanência na escola.
Aplicação do survey
O método idealizado para aplicação dos questionários consistia em utilizar
tanto o meio virtual como usar uma urna que ficou disponível para os alunos na hora
do intervalo, (não queria causar transtornos na escola com alunos saindo de sala
utilizando o pretexto da pesquisa). Para que eles respondessem e colocassem lá as
respostas, caso quisessem participar. Esse método é complicado, pois os alunos
têm baixa adesão para realizar tarefas que não tenham retorno positivo para eles,
por exemplo, pontuação nas disciplinas. A coordenadora de uma das escolas me
orientou a imprimir os questionários e aplicar diretamente para os alunos como se
fosse uma prova, assim eu teria bom retorno. No decorrer da aplicação, abandonei a
23
urna e o questionário online, para aplicação direta e em sala. A decisão foi tomada
devido ao baixo retorno dos alunos, quando modificada a aplicação do survey o
retorno foi maior.
Durante as idas as escolas, observei dinâmicas interessantes dentro desse
meio, que faz ligação com este trabalho. Nesse momento não irei abordar
detalhadamente a aplicação (poderá ser observado no diário de campo em anexo),
mas buscarei trabalhar e analisar os pontos mais importantes que ocorreram durante
a aplicação do survey.
Na primeira aplicação do survey com os professores, ocorreu durante o
intervalo entre as aulas e depois do sinal ficaram apenas dois professores um de
Sociologia e a outra de Biologia, ambos trocavam reflexões entre si e em alguns
momentos as dirigiam a mim. O primeiro a fazer esse movimento foi o professor de
sociologia sobre a questão do bullying na gravidez, ele disse que não observava o
bullying, mas um cuidado por parte dos colegas com a futura mãe e que hoje os
alunos têm acesso a informação para evitar a gravidez. A professora de biologia
aproveitou o momento para expor sua opinião dizendo que não entendia o que os
jovens de hoje pensam devido ao seu comportamento rebelde e despreocupado,
que em suas aulas ela deixa tudo bem explicado e que a gravidez era uma questão
de irresponsabilidade do jovem, principalmente das meninas que não se preveniam.
Suas falas me chamaram atenção, o fato de citar que não consegue
compreender o que a juventude atual pensa, o que querem e fazem coisas que
sabem que não fazem bem, ou seja, “atribuindo” o sinônimo de inconsequente para
os jovens, essa professora é uma representação de como os jovens são vistos, tanto
na cultura escolar como sociedade. De acordo com Dayrell e Carrano (2014), o
principal problema visto é a indisciplina, mas há um imaginário do jovem ideal, que é
a projeção de valores e crenças de gerações anteriores, como ocorre na fala da
professora quando ela explicita a gravidez na adolescência como irresponsabilidade,
porém, é importante salientar que as modificações nas estruturas sociais interferem
no modo de uma geração pensar e agir, ou seja, sempre haverá elementos que
diferenciam as gerações impossibilitando o jovem ideal dentro de conceitos préestabelecidos.
A outra foi o machismo naturalizado em sua fala como a de qualquer
indivíduo, a culpabilização da menina que engravida, pois hoje as jovens têm acesso
24
e meios para evitar a gravidez mesmo assim, por irresponsabilidade acabam
gestantes e correndo o risco de contrair doenças gravíssimas, que a mesma cita
trabalhar em sala.
Essa fala da professora é um exemplo de como a sociedade vê a gestação na
adolescência. Isso é derivado da estrutura patriarcal do Brasil, que mesmo com
muitas lutas do movimento feminista, reverbera nos dias de hoje essa moral. Sarti
(1994) o seu texto sobre Família como Universo Moral, aborda os costumes e a
moral da família brasileira, mesmo que tenha sido escrito há 24 anos, traz elementos
atuais, ela inicialmente aborda a divisão do trabalho dentro da própria família, o pai é
o responsável pelo sustento, assim possui autoridade sobre a família e a mãe
responsável de cuidar da casa, dos filhos e da educação deles. Mas quando o
homem começa a beber ele perde a moral e consigo o direito de dá as ordens em
casa, quando perde esse poder e é sustentado pelos outros isso fere a sua
masculinidade, pois é “dever” do homem ser o dominante. Outro elemento que a
autora aborda é o filho da mãe solteira. A mãe procura meios de apresentar a
sociedade que é capaz de enfrentar as consequências de seus atos (cuidar de sua
prole), e é por meio do sustento (trabalhando) que é feita essa reparação.
Com a modificação da aplicação do survey, sendo mais direto e em sala de
aula, tive a oportunidade de ter contato com alguns alunos e a responder suas
dúvidas, a maioria dos alunos tiveram dúvidas sobre os métodos de contracepção, o
que mais chamou atenção foram essas perguntas terem maior frequência nas
turmas do terceiro ano, “o que é coito interrompido?”“ o que é abstinência?” e as
alegações em uma das escolas sobre a falta de aulas sobre sexualidade, um dos
professores declarou que explicaria o assunto no 3º bimestre. Nesse quesito,
observa – se problemáticas que envolvem os atores citados na primeira parte deste
capítulo (Estado, escola, professores, alunos, pais e a sociedade).
Falar sobre sexualidade ainda é um tabu na sociedade, e quando é
perceptível a falta de conhecimento sobre a mesma nos jovens o problema se
agrava, e de quem é o dever de falar sobre? O atual Governo ameaça a retirar
assuntos que envolvem a orientação sexual da grade curricular dos alunos do país9.
Os pais e a sociedade, como veem a sociedade como tabu, acabam não informando
como se espera o jovem, assim ficando a cargo da escola trabalhar essa temática,
9
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/12/na-mira-de-bolsonaro-educacao-sexualmira-de-doencas-a-gravidez-precoce.shtml
25
porém, dentro da escola encontram-se barreiras, como o senso comum de atores
ativos na escola, assim como o direcionamento voltado para as disciplinas
biológicas, e dependendo do cronograma e planejamento escolar a sexualidade
pode ficar de fora ou não ser aprofundada (em minha experiência no PIBID, alguns
projetos adicionados de última hora no cronograma prejudicam a aplicação da aula e
o aprofundamento nos conteúdos).
Gravidez na adolescência é um tema presente nas escolas, entretanto pouco
trabalhada nas instituições de ensino, de modo que contribua para diminuir a evasão
escolar motivada pela gravidez. Afirmo isso com base nas falas de pessoas
envolvidas com o sistema de educação pública. Mas o que fazer para que essas
meninas mães permaneçam na escola? É uma pergunta que pretendo analisar
nesse trabalho. A aplicação dessa pesquisa no início foi desafiadora, porém, com a
mudança que ocorreu durante a aplicação consegui certa aproximação com os
alunos.
26
Capítulo 3: Você viu esses dados?
Ao todo, obtive 152 respostas dos alunos e nove dos professores. De modo
geral, a resposta ao questionário, de ambos os lados, concordam em muitos
aspectos sobre a gravidez na adolescência. Mas antes de adentrar no tema, é
importante conhecer os sujeitos envolvidos na pesquisa.
A maioria dos entrevistados foram mulheres, e a faixa etária dos entrevistados
(alunos) variou entre 16 e 54 anos, isso ocorreu devido a dinâmica escolar da Escola
Estadual Manoel Simplício, que no horário noturno possui diversas faixas etárias no
Ensino Médio. Dentre os entrevistados seis alunas se encaixaram no perfil da
pesquisa, com idades entre 17 e 19 anos, que estão grávidas ou já são mães, uma
delas relatou que engravidou aos onze anos, porém a criança não sobreviveu, hoje
aos dezoito anos ela cuida de uma criança como se fosse seu filho. Como é possível
observar nos gráficos abaixo:
Gênero dos interlocutores (alunos)
150
100
98
50
50
1
Masculino
Outro
0
Feminino
Gênero dos interlocutores (alunos)
Gênero dos interlocutores (Professores)
6
5
4
3
2
1
0
5
4
Feminino
Masculino
Gênero dos interlocutores (Professores)
27
Faixa etária dos alunos
30
25
20
15
10
5
0
27 26
14
2
10
10
3
1
4
1
1
1
2
2
1
1
1
14 15 16 18 19 20 21 22 23 29 32 33 35 37 43 52 54
anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anosanos anos
Faixa etária dos alunos
De acordo com a pesquisa é comum que os alunos não trabalhem e morem,
geralmente, com três a cinco pessoas, apenas uma das alunas gestantes/ mães
adolescentes trabalha e seu emprego é informal. Dependendo das dinâmicas
familiares (número de provedores) e levando em consideração a população do
bairro, esses alunos podem variar de extrema pobreza a classe média baixa. Já os
professores trabalham em outras escolas, com o tempo de experiência que varia
entre 2 a 17 anos e estão entre a classe baixa e média.
Você trabalha?
150
109
100
41
50
0
Não
Sim
Você trabalha?
Quantidade de pessoas residentes no domicílio
100
80
86
60
40
20
43
16
2
6á9
10 ou mais
0
1á2
3á5
Quantidade de pessoas residentes no domicílio
28
Professor: Você trabalha em outra escola?
6
5
5
4
4
3
2
1
0
Não
Sim
Professor: Você trabalha em outra escola?
Renda familiar dos Professores
6
5
5
4
3
3
2
1
1
0
2 á 3 salários
4 á 5 salários
acima de 6
Renda familiar dos Professores
Um dado que chama atenção é o estado civil dos alunos, a maioria é solteiro,
e um quarto (1/4) dos respondentes afirmaram que possuíam filhos. Entretanto, das
seis alunas, duas se encontram casadas e as outras quatro solteiras. A maioria das
mulheres que já são mães engravidaram enquanto estavam na escola.
29
Estado civil dos alunos
Divorciado(a)
6
União estável
8
Casado(a)
10
Solteiro(a)
125
0
20
40
60
80
100
120
140
Estado civil
Quantidade de mulheres x mães
18, 16%
98, 84%
Mulheres
Mães
Quando questionadas sobre, como a gravidez foi recebida pelos colegas, das
17 respostas, a que se destacou foi “ Nossa! Você engravidou tão cedo” (jovem
mãe), enquanto as outras ficaram entorno do “normal”, “Felizes e alegres”. Entre as
jovens mães (perfil da pesquisa) variou acerca de alegria, carinho, surpresa e uma
das que mais se destacaram: “Normal, pois isto não é coisa do outro mundo”, ou
seja, que o estado da gravidez é natural independente da idade.
A mesma pergunta foi direcionada para a reação dos professores. Entre as
17 mães que responderam o survey, várias afirmaram que: “Foi um choque para
eles”, “Eles nem chegaram a ter conhecimento, por que desisti antes”, “ foi tristeza
demais por todos que falaram que eu era muito nova”, “normal”, “normal, pois várias
alunas na escola estão gravidas isso não é novidade” (comentário de uma gestante
30
adolescente) e “ os professores sempre me orientavam, mas para que eu não
desistisse dos estudos”. E esta última chama atenção para o fato de os professores
terem dado o apoio e incentivo para que ela continuasse estudando. Quanto a
reação dos alunos, o número de reações “normais” diminuiu, enquanto, os de
“surpresa e tristeza” aumentaram.
Um dado importante, é que em ambas as perguntas surgem a resposta
“normal”, e o que seria esse “normal”? De acordo com Gonçalves e Knauth (2006) a
gravidez nas camadas populares já é algo esperado, então mesmo que para
algumas pessoas não seja bem visto devido à idade, é algo corriqueiro na realidade
do bairro e acaba sendo naturalizado.
Um elemento curioso trazido pelas questões acima, acaba envolvendo o
conflito geracional. Quando a pergunta é direcionada a reação dos colegas, a
aceitação é maior, possivelmente pelo aumento da liberdade sexual entre os jovens,
por elementos culturais estarem em xeque como a castidade, por exemplo, e por
serem frutos de uma geração de pais jovens. Esses elementos ajudam que os
alunos vejam “além da caixinha” sobre esse tema, e acabam naturalizando o
acontecimento. Indo contra a visão dos professores, que nasceram em gerações
diferentes, e que trazem consigo características culturais mais arraigadas e visões
de mundo diferentes, onde o plano de vida deve ser seguido à risca, e que uma
gestação é como se fosse o fim da vida estudantil da adolescente.
Na sessão sobre a vida escolar, descobrimos que a maioria dos alunos
mudaram de escola, porém, a maioria permaneceu no ensino público, enquanto uma
parcela considerável migrou do ensino privado para o ensino público. Quando
questionados se gostam da escola que estudam, a maioria respondeu que sim,
entretanto, quando partimos para se a escola trabalha com temas de sexualidade e
diversidade sexual e se eles têm as dúvidas sanadas, o não ganhou com folga.
Sobre a questão das atividades sobre sexualidade, a resposta dos professores tem
o mesmo resultado que a dos alunos. Segundo as jovens mães/gestantes, apenas
duas mudaram de escola, mas todas afirmaram gostar da escola, quando
questionadas sobre os projetos da escola sobre sexualidade e diversidade sexual e
as dúvidas sanadas sobre os temas: duas responderam que não e quatro que sim (a
jovem que teve o natimorto aos onze anos, disse que estava fora da escola, neste
momento da sua vida). Como podemos observar nos gráficos a seguir:
31
Onde cursou o Ensino Fundamental?
137
150
100
50
11
0
Escola Privada
Escola Privada com
bolsa
0
Escola Pública
Onde cursou o Ensino Fundamental?
Você mudou de escola?
58%
Gosta da escola que
estuda?
5%
42%
95%
Não
Sim
A escola tem aulas
ou projetos sobre
sexualidade e
diversidade
sexual?
28%
Não
A sexualidade e a
diversidade sexual
trabalhadas na
escola esclarece
suas dúvidas?
39%
61%
72%
Não
Sim
Sim
Não
Sim
Muitas famílias não falam sobre sexo abertamente, e o que é um simples “dá
um Google” para a maioria das pessoas, talvez não seja tão simples para a maioria
32
dos alunos, pois, levando em consideração aos dados socioeconômicos coletados e
a classe social dominante no bairro, não podemos tomar como dado o acesso à
internet ou a um computador, tendo que recorrer a outros meios para se manterem
conectados. Então a escola, acaba se tornando a maior (talvez única) fonte de
informação para os alunos sobre sexualidade. Além disso, sempre podemos
questionar o tipo de informação obtido por esses canais de internet.
Quando questionados sobre aulas ou projetos sobre sexualidade e
diversidade sexual na escola, os professores concordam com os alunos,
reafirmando a sua escassez. Entretanto, quando indagados sobre abordagem do
tema em suas aulas, o resultado se inverteu, mesmo assim, de acordo com os
alunos, suas dúvidas ainda não estão sendo sanadas. Então o que está ocorrendo?
De acordo com os professores, eles buscam trabalhar de um modo leve e dinâmico
(com debates e outras metodologias) para trabalhar, um deles falou que busca fazer
isso de forma aberta e franca. Um dos professores que disse não para essa
indagação relatou que irá trabalhar no terceiro bimestre (nas turmas do terceiro ano),
e o outro afirmou que se houver necessidade, pois sua disciplina não dá lacunas
para o tema. Ou seja, além do forte tabu existente na sociedade, falta envolver toda
a escola, como algum projeto ou uma palestra e se desenvolver em sala de modo
interdisciplinar, se possível. Porém, três das jovens grávidas, alegaram que a escola
tinha projetos que envolvia a sexualidade, de modo que sanaram as suas dúvidas,
mas deve-se lembrar de que há outras variáveis que podem ocasionar a gravidez
além da falta de informação (que é essencial), como a confiança no parceiro e falha
ou falta de contraceptivo.
A escola tem aulas ou projetos sobre
sexualidade e diversidade sexual?
(Professores)
8
6
4
2
0
6
3
Não
Sim
A escola tem aulas ou projetos sobre sexualidade e
diversidade sexual? (Professores)
33
Você aborda em suas aulas temas
que envolvam sexualidade e
diversidade sexual?
10
5
6
3
0
Não
Sim
Você aborda em suas aulas temas que envolvam
sexualidade e diversidade sexual?
Acerca da percepção sobre a gravidez, todos os professores afirmaram que já
tiveram em suas salas de aula jovens grávidas. Uma das perguntas que chamou
atenção foi, quais as mudanças que ocorrem na escola quando adolescentes
engravidam? E foi quase que unanimidade que a evasão escolar, dois disseram que
não tem nenhuma, um deles complementou que a única diferença é as justificativas
das faltas. Ou seja, na percepção dos professores a gravidez pode ser, é um
problema tanto por modificar o plano de vida, como por afastar as jovens da escola
(geralmente, quando abandonam a escola é difícil que voltem) então há essa
preocupação.
No tópico Gravidez na adolescência, boa parte dos alunos afirmaram que já
estudaram com jovens grávidas e que há meios de evitar a gravidez. Como é
possível observar nos gráficos abaixo:
Na sua vivência escolar, já
conviveu com algum(a) jovem
com filho(s)?
10%
90%
Não
Sim
34
Como pode ser evitada?
outro
16
Uso da camisinha
125
Metódos contraceptivos( injeção, pílulas e…
128
Coito interrompido
15
Abstinência
23
0
20
40
60
80
100
120
140
Como pode ser evitada?
Todos os professores afirmaram que já lecionaram para jovens em gestação
e na possibilidade de evitar a gravidez, e assim como os alunos, eles afirmaram que
o uso da camisinha e os métodos contraceptivos são mais eficazes. Como é
possível observar abaixo:
Métodos contraceptivos
Métodos contraceptivos
Uso da camisinha
Métodos contraceptivos (pílula e injeção)
Tabelinha
Coito interrompido
Abstinência
Outro
9
6
6
1
1
1
O item sobre bullying na gravidez traz uma curiosidade. Quando indagados
sobre terem presenciado tal ponto, por unanimidade os professores disseram que
não. Porém, os relatos dos alunos são um pouco diferentes, mesmo com a maioria
afirmando que nunca presenciou, houveram alunos que presenciaram. Mesmo
ocorrendo certa naturalização da nova dinâmica do plano de vida, essa alteração
ainda não é bem vista. Como é citado no texto de Gonçalves e Knauth (2006), as
meninas que possuem um comportamento mais livre e que saem à noite, quando
engravidam, a sociedade em torno, vê a gestação como o meio de deixa- lá mais
35
caseira, muitas vezes utilizam termos, como “quem procura acha”, “agora sossegou”
ou o famoso “estava coçando”. Algumas respostas foram bem parecidas com os
termos citados anteriormente, por exemplo, “... menina tão nova e com filho, não tem
juízo.", “vadia, puta, pega macho das outras, engravida e não sabe quem é o pai
etc.”. Todavia a maioria dos relatos foi entorno da alteração no roteiro do plano de
vida: ““... “não pensa”,” a culpa é dela”, "ela deveria ter evitado", “ sem futuro",
"estudar não quer, mas fazer filho faz". Tivemos apenas uma resposta que fugiu
desse padrão, sobre o comportamento de um professor mediante um bebê na sala
de aula: “[...] ela levou a bebê dela para a escola e quando estava na sala de aula
estudando, o professor mandou ela ir embora, pois não queria aquela criança
chorando em seu pé de ouvido [...]”. Este comentário, observado por uma aluna,
apresenta o despreparo da escola para lidar com tal situação, a escola não conhece
seu aluno, e como é trabalhado no texto de Dayrell e Carrano (2014) a imaginação
do jovem ideal, de outras gerações cria conflitos. Não há apenas uma juventude,
mas juventudes. Esse comentário (agressivo) para a jovem mãe apresenta a ela a
escola como um lugar hostil, dando margem para a evasão, a escola tem que
acolher seus alunos e ajuda-los a conhecer um mundo poder criticar e analisar.
Mas entre as jovens mães de interesse da pesquisa, alegaram que não
sofreram bullying devido a gravidez, entretanto, uma delas escreveu: “nunca sofri,
pois não ficarei calada e nem ousariam tirar onda com minha cara. Pois isso[o
bullying] é uma safadeza”.
Nesse aspecto, ocorreu uma nuance significativa entre os discursos dos
principais atores da escola. Na minha experiência escolar (como aluna), era difícil
que os alunos cometessem bullying de modo claro na frente do professor, quando
não aguentavam recorriam a brincadeiras que afetasse o outro sem ser notado
(apenas uma vez o professor notou e chamou atenção de modo marcante). Isso se
dava pela hierarquia da escola, o mesmo poder que o professor tem de ensinar tem
de punir, possivelmente, este medo de ser punido inibe tais atos na presença do
professor. A maioria dos relatos são citações que culpabilizam a jovem mãe e que
enaltecem as consequências da gravidez, ou até mesmo as punem como no caso
que o professor impediu uma aluna (que estava com seu bebê) de assistir a aula.
36
Sexualidade e educação
A sexualidade é muito mais que o ato sexual em si, é também uma
expressão cultural, que envolve gênero e como o sujeito se identifica em sociedade.
Um bom exemplo é quando se descobre o sexo de uma criança que está na barriga
da mãe. A sociedade começa a idealizar gostos, comportamentos e até profissões
baseado no sexo. Caso o sujeito fuja do regime binário (características masculinas
ou femininas relacionadas ao seu sexo biológico), acaba de certa forma sendo
punido pela sociedade, como é tratado por Colão et. al (2010):
Os sujeitos que possuem tal crença constroem conceitos próprios, marcados por
estereótipos, que são os fios condutores para a disseminação do preconceito, pois se
encontram em consonância com os interesses do grupo dominante, que utiliza seus
aparelhos ideológicos para difundir a imagem depreciativa de qualquer pessoa
“diferente” do que foi padronizado pela sociedade [...] já existe um (pré) conceito
formado, fazendo com que os sujeitos simplesmente se apropriem dele, colaborando
para a acentuação do processo de alienação da identidade do sujeito e a sua
consequente exclusão social. Esses estereótipos dão origem ao estigma que vem
sinalizar suspeita, ódio e intolerância dirigidos a determinado grupo, inviabilizando a
sua inclusão social. (COLAO, et. al. 2010. Pág. 5).
Mas falar sobre sexualidade para alguns professores pode ser constrangedor,
por ainda ser um tabu, mas é um assunto que deve ser abordado na escola com
maior frequência, por não só sobre o ato da relação sexual, mas sobre questões de
gênero e diversidade sexual. O texto “A flor da pele” de Nougueira (2004) explicar a
visão de Freud sobre a sexualidade como ampliar a visão sobre a mesma. Antes de
falar de sexualidade, o autor explica o que é fantasia para Freud. Ela tem uma
duplicidade, ora conteúdo do mundo imaginário, ora atividade criadora que anima o
mundo. A fantasia dos pacientes destinada a encobrir a atividade auto erótica dos
primeiros anos de vida do mesmo. A vida sexual se inicia nos primeiros anos de vida
do sujeito, como a forma de autoconhecimento, essa tese foi muito criticada, pois a
sociedade vê a infância como a inocência.
Freud percebe que a fantasia é tanto o adoecimento quanto a sexualidade, o
adoecimento é produzido pela fantasia para encobrir a sexualidade (o autoerotismo)
que é praticado para o nosso bem-estar. A posição de Freud, desculpabiliza a
sexualidade ao tirá-la do campo da moralidade, e a fantasia dos infelizes está nas
formas com a subjetividade se expressa e dá sentido à vida.
37
A masturbação era um tabu na idade média, as escolas evitavam falar sobre
o assunto, apenas falava que o ato causava doenças e que todos ficaram sabendo
que o sujeito a realizou, por isso muitos indivíduos a evitavam, por ser reproduzido
socialmente como algo impuro. Atualmente sabe-se que a masturbação não causa
doenças e a mesma passa a ser um ato de prazer, autoconhecimento e bem-estar, e
que muitos jovens na idade escolar são sexualmente ativos.
A escola por sua vez, como é uma instituição social, acaba reproduzindo as
regras, normas e ideias sociais, incluindo sobre sexualidade. Conforme o texto de
Colão et. al (2010), durante sua pesquisa foi constatado que a maioria das respostas
dos professores, indicavam que a educação sexual deveria ser dirigida mais as
alunas que os alunos, pois as primeiras amadureciam mais cedo e corriam o risco de
engravidar. Ou seja, o dever de se prevenir e evitar a gravidez é responsabilidade da
mulher, assim se apresenta como uma questão de gênero o que é responsabilidade
do Homem e da Mulher. Isso também pode ser verificado no texto de Heilborn et. al
(2002):
Os comportamentos sexuais e reprodutivos – incluindo-se uma eventual gravidez e
parentalidade adolescentes – só adquirem sentido pleno à luz da construção e das
representações de gênero, ou seja, do modo como cada gênero representa a si
próprio, o outro e a relação entre eles [...] Esses impasses são reforçados pela atitude
dos homens (que encontra expressão modelar entre os de classes populares), que,
diante de parceiras fortuitas, encaram a contracepção como um problema feminino,
mas reservam para si a palavra final quanto ao uso da camisinha. (HEILBORN, et. al.
2002. pág.22 e 23).
Observando as problemáticas sobre sexualidade, como a escola trabalha
esse tema? Para ajudar a responder, temos os PCNs10 (material elaborado pelo
Governo para nortear o Ensino Básico) que afirmam, trabalhar a orientação sexual
(de modo transversal) vincula-se com o exercício da cidadania, pois o aluno
aprenderá ter respeito pelo seu corpo e o do outro, assim como garantir direitos
básicos, saúde, informação e conhecimento. A sexualidade, teoricamente, deixou de
ser reprimida, assim a escola assume papel educativo. Quando a sexualidade é
vista como fonte de prazer e bem-estar. Mas surge o questionamento, de quem é o
dever de falar de sexualidade com os alunos? De acordo com os PCNs é “Toda
comunidade escolar envolvida no processo educativo dos alunos...” (pág.299),
entretanto, esse assunto acaba sendo desenvolvido com mais frequência pelas
10
Parâmetros Curriculares Nacionais (Orientação Sexual)
38
disciplinas de Ciências Naturais (ciências, biologia e educação física), e assim não
envolve toda a dimensão da sexualidade (questões de gênero e identidade sexual)
que pode ser trabalhada em projetos e nas demais disciplinas, principalmente,
Sociologia e Filosofia.
Nas escolas em que apliquei o survey o tema da sexualidade era visto apenas
nas disciplinas de ciências/biologia, Educação física (professor alegou que iria
trabalhar no terceiro bimestre com os 3º anos) e sociologia. Além de uma atividade
extracurricular (seminário realizados por estudantes de medicina) observada em
uma das escolas.
39
Capítulo 4: Perspectivas dos alunos e
professores sobre a gravidez
Opiniões sobre gravidez na adolescência
Responsabilidade
29
Religião
1
Outside
1
Normal
11
Negativos
48
Não me meto
21
Financeiro
2
Família
6
Evitar e prevenir
35
Escolha
17
Descuido
6
Culpa da jovem mãe
18
Culpa do Estado, Escola e pais
9
Consequências/Atrapalha
44
Apoio
1
Aborto
2
0
10
20
30
40
50
60
Antes de iniciar este capítulo gostaria de fazer uma pequena observação,
trata-se de uma pesquisa de opinião, entretanto, não é uma pesquisa sem objetivo,
é abordar o indivíduo para entender o todo, já que a sociedade influência o indivíduo
e vice-versa. Analisar os pontos de vista é analisar o reflexo da cultura social.
O gráfico acima apresenta apenas os comentários dos alunos, divididos em
categorias, em resposta a pergunta: Qual a sua opinião sobre a gravidez na
adolescência? Alguns se encaixaram em mais de uma categoria. Como não é
possível esmiuçar cada comentário, trarei os que mais se destacaram 11. O que
chama atenção é a relação entre os comentários das alunas que são mães sobre a
11
As tabelas com todos os comentários em suas categorias em anexo.
40
de seus colegas, o que seria “normal”, aqui ganha um significado de fortes
consequências e que poderia ter sido evitado, ou seja, mesmo que sendo visto como
algo esperado é algo negativo que irá atrapalhar a vida da jovem 12. Uma das
observações que mais chamaram atenção foi sobre o aborto, que trouxe os dois
pontos de vista do debate.
De acordo com o código penal brasileiro, Art. 124 - Provocar aborto em si
mesma ou consentir que outrem lhe provoque: Pena – detenção, de um a três
anos13. O tabu e a criminalização do aborto, não permite que pessoas afirmem que
tenham feito, mas abre a brecha para que seja discutido. Nessa pesquisa
apareceram apenas, dois comentários que agregaram esse tema. “Se acontecer por
acidente, não deve interromper em nenhum caso. Mas se prevenir não acontece por
acidente”; “Pode ser evitada com a legalização do aborto” O interessante é que cada
um defende os dois lados do debate. A primeira traz consigo, a ideologia da religião
que é contra o aborto e a favor da vida. Enquanto, o segundo comentário dá direito
de escolha para a gestante. Muitas mulheres não têm condições de cuidar de uma
criança, e muitas vezes recorrem a métodos ilegais para não ter a criança. Segundo
o texto de Morais (2008, p.54), “A penalização do aborto não protege a vida das
gestantes e é a quarta causa de óbito maternos no Brasil [...] legislações restritivas
são danosas para a saúde da mulher e não reduzem o número de abortos
praticados. ”
Os comentários como: “pode atrapalhar os estudos, no caso o futuro também,
pois é preciso dos estudos para arrumar trabalho”, “acho que atrapalha bastante os
estudos, mas dá para fazer os dois com ajuda da família” referem se a atrapalhar a
vida (principalmente os estudos) e as consequências, tiveram uma quantidade
significativa. Isso ocorre, (como já foi citado nos capítulos anteriores) devido se
distanciar do plano de vida esperado na sociedade como é reforçado pelo
comentário “que os jovens poderiam aproveitar sua adolescência concluir seus
estudos e não pensar em ter filho até ter uma estrutura”. De acordo com o texto de
Gonçalves e Knauth (2006) a palavra aproveitar está ligada ao sensual, ficar e se
divertir enquanto se é jovem e sem grandes responsabilidades, cuidar de uma
12
A maioria dos comentários foi direcionada para as jovens mães. Como se a paternidade ou os deveres dos
pais fossem distanciados ou inexistente.
13
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm. Acesso em:
21/11/2018.
41
família, por exemplo. Assim a gravidez é vista como um rito de passagem que
abrevia a juventude, já que cuidar de um filho requer uma nova postura
(responsabilidade), algo que impede a continuação dos projetos de vida como a
ascensão profissional.
“Infelizmente é algo que acontece muito. Acredito que seja por falta de diálogo
dos pais, orientação nas escolas e por muitas vezes pensarem que engravidar irá
fazer uma família melhor”. Segundo o texto de Heilborn et. al (2002), o modo que os
pais dos jovens abordam a sexualidade entre as classes é divergente, enquanto os
pais das camadas médias são mais liberais e abertos ao diálogo, os pais das
camadas populares são mais conservadores e fechados para esse tipo de conversa,
este tipo de comportamento é um meio de não despertar a curiosidade no jovem
para não iniciar sua vida sexual tão cedo. A escola como o seu papel de transmitir o
conhecimento, acaba falhando na abordagem desse assunto, como trazido pelos
Parâmetros Nacionais Curriculares de orientação sexual. O assunto ainda é tabu e
não são muitas pessoas que se sentem à vontade ou sabem abordar, assim os
alunos não ficam esclarecidos sobre a sexualidade. Como reprodutora de
conhecimento, a escola deve repensar os métodos aplicados e como solucionar
esse problema.
O importante é que os alunos sejam capazes de entender a
sexualidade e a diversidade sexual, não só pelo fato de se prevenir de uma gravidez
indesejada, mas que desnaturalize construções sociais, por exemplo, que não é
apenas o dever da mulher de se prevenir na relação sexual (gravidez), e nem de ser
a dona de casa e cuidadora dos filhos, e que pode sair e aproveitar a vida com a
mesma liberdade do homem.
No texto de Goldenberg (2005), quando questionadas sobre o que invejam
nos homens, as informantes falaram que a liberdade, entre elas poder urinar onde
quisessem. No entanto, sua análise vai além dessas respostas, o pênis tanto para o
homem e para a sociedade possui uma simbologia de virilidade, poder e liberdade, o
homem pode sair e chegar a hora que bem entender e quanto mais mulheres “ficar”
melhor, enquanto as mulheres ficam à mercê de uma vigilância mais acirrada:
[...] oito pesquisadas responderam que o que mais invejavam em um homem é o
“pênis”, enquanto três pesquisados revelaram que o que mais invejam em outros
homens é o “pênis grande”. Nenhuma mulher qualificou o pênis e nenhum homem
disse simplesmente “pênis”. Este dado pode indicar que as mulheres invejam a
condição masculina privilegiada na sociedade, enquanto os homens invejam um
símbolo de potência, força e virilidade. (GOLDENBERG, 2005, p. 93).
42
“Se o governo incentivar programas, isso pode ser evitado”. Ao contrário da
maioria das outras opiniões, que culpa a jovem-mãe e seus pais, esse ponto de vista
engloba o governo, mas qual culpa do governo? Brandão aborda os desafios da
contracepção, e um deles é a “dificuldade dos serviços públicos: [...] despreparo dos
profissionais da saúde no atendimento aos adolescentes e jovens e a interrupção na
distribuição dos métodos nos serviços de saúde, aliada às dificuldades dos jovens
de comprá-los.” (2009, p.1067).
“[...]gravidez na adolescência para mim é normal”, “ normal, existe método
para isso não acontecer, mas têm pessoas que não usam”, “Normal, é só ter
responsabilidade”. Pontos de vista que veem a gravidez como “normal” (geralmente,
junto com a possibilidade de evitar e responsabilidade), aparecem onze (11) vezes.
Mas o que tem de “normal”? De acordo com Gonçalves e Knauth (2006), aos 15
anos os jovens ganham permissão para sair à noite e aproveitar a sua juventude,
entretanto é a fase que familiares temem a iniciação sexual, ou seja, é uma questão
comportamental, quando se ver uma jovem que possui liberdade, gosta de sair à
noite e possui uma variedade de parceiros, a sociedade em volta utiliza termos como
“está coçando” ou “ está pedindo”14 e fica à espreita de uma futura gravidez para que
esta modifique o comportamento da jovem mãe. Outro elemento que é necessário
levar em conta para essa naturalização é a frequência dos eventos, de acordo com o
DATASUS 2016, 23% da população de nascidos vivos em Maceió vieram de mães
adolescentes (10 a 19 anos) e 24% em Alagoas:
14
Elementos observados dentro da comunidade que estou inserida, que é a mesma das escolas.
43
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe em
2015 (Maceió)
Tabela de nascidos vivos por idade da mãe em 2015 (Maceió)
25%
23%
22%
18%
9%
2%
1%
10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 59 anos
(184)
(3.366)
(3.950)
(3.545)
(2.837)
(1.373)
(303)
Extraído de: DATASUS http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nval.def
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe 2016
( Maceió)
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe 2016 ( Maceió)
27%
22%
21%
18%
9%
2%
1%
10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos
(189)
(3.055)
(3.809)
(2.997)
(2.511)
35 a 39
(1.253)
40 a 54 anos
(293)
Extraído de: DATASUS http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nval.def
44
Taxa de nascidos vivos pela idade da mãe 2015
(Alagoas)
Tabela de nascidos vivos pela idade da mãe 2015 (Alagoas)
27%
24%
22%
15%
7%
2%
2%
1%
10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 45 a 59 anos
(827)
(12.918)
(14.148)
(11.541)
(8.012)
(3.834)
(909)
(68)
Extraído de: DATASUS http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nval.def
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe 2016
(Alagoas)
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe 2016 (Alagoas)
28%
24%
21%
16%
7%
2%
2%
10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 34 a 39 anos 40 a 54 anos
(739)
(11.657)
(13.672)
(10. 182)
(7.520)
(3.496)
(898)
Extraído de: DATASUS http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nval.def
45
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe região
Nordeste (2015)
Tabela de nascidos vivos por idade da mãe região Nordeste (2015)
26%
24%
20%
17,8%
9%
2%
1%
Menor de 10 15 a 19
a 14 anos
anos
(10.065)
(170.122)
20 a 24
anos
(219.572)
25 a 29
anos
(203.518)
30 a 34
anos
(151.179)
35 a 39
anos
(72.815)
40 a 44
anos
(17.742)
0,2%
45 a 69
anos
(1.351)
Extraído de: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe na
região Nordeste (2016)
Tabela de nascidos vivos por idade da mãe na região Nordeste (2016)
27%
23%
19,9%
18%
9%
2%
1%
Menos de 10 15 a 19
a 14 anos
anos
(9.216)
(158.615)
20 a 24
anos
(212.364)
25 a 29
anos
(184.702)
30 a 34
anos
(141.960)
35 a 39
anos
(70.707)
40 a 44
anos
(17.351)
0,1%
45 a 64
anos
(1.198)
Extraído de: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def
46
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe
Brasil(2015)
Tabela de nascidos vivos por idade da mãe Brasil(2015)
25%
24%
20%
18%
10%
2%
0,8%
0,2%
menos de 15 a 19
20 a 24
25 a 29
30 a 34
35 a 39
10 a 14
anos
anos
anos
anos
anos
anos
(520.864) (751.669) (728.404) (601.650) (311.036)
(26.701)
40 a 44
anos
(72.391)
45 a 69
anos
(4.856)
Extraído de: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def
Taxa de nascidos vivos por idade da mãe
Brasil(2016)
Tabela de nascidos vivos por idade da mãe Brasil(2016)
25%
24%
20%
17%
11%
2%
0,8%
menos de 10 15 a 19
a 14 anos
anos
(24.139)
(477.246)
0,2%
20 a 24
anos
(721.301)
25 a 29
anos
(680.476)
30 a 34
anos
(570.091)
35 a 39
anos
(307.406)
40 a 44
anos
(72.437)
45 a 69
anos
(4.653)
Extraído de: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def
Analisando ambas as tabelas, é verificável que as faixas etárias de 10 a 19
anos, são a segunda maior taxa de gravidez no município de Maceió e no Estado de
Alagoas. Ampliando para o nível regional e Nacional, nos anos de 2015 e 2016, os
47
índices se mantêm com poucas alterações nas esferas observadas, repetindo uma
crescente entre os 15 a 19 anos e se mantém ate os 24 anos, partindo desse ponto
as taxas de natalidade tendem a cair.
Na esfera nacional as regiões Nordeste e sudeste lideram o número de casos
de gravidez na adolescência, em 2015, Nordeste teve 180.186 casos (na faixa etária
dos 10 a 19 anos), contra 179.332 casos da região sudeste. No ano seguinte (2016)
o Nordeste teve 167.8746 casos na gravidez na adolescência, enquanto o sudeste
apresentou 161.338 casos.
Além dos números, o que chama atenção são as
disparidades entre as regiões enquanto uma sofre com questões sociais mais
latentes (como a pobreza), a outra é o “motor” econômico do país, então surge à
pergunta, o que mantém essas regiões com os maiores números de casos de
gravidez na adolescência?
Mesmo que o Sudeste seja a região mais desenvolvida do país, assim como
as outras regiões sofre com questões sociais como a educação e saúde precárias,
elementos fundamentais para trabalhar e desmistificar a sexualidade em uma
sociedade onde o sexo é um tabu. Ou seja, hipoteticamente, um dos grandes
motivos para esses casos de gravidez (que se mantêm consistentes durante os
anos) é a falta de políticas públicas que trabalhem com os temas de sexo e
sexualidade com a população, ocasionando a falta de informação adequada para os
jovens, que poderiam ser tratadas nas escolas, postos de saúde ou programas do
governo que os jovens estejam inseridos.
“Eu acho que pode ser evitado, com uso de preservativos, remédios e etc.”, “
é que todas as jovens devem ter precauções, e usar preservativos. ”, “ Que os
jovens devem se prevenir na relação sexual”. São comentários que afirmam, a
possibilidade de evitar a gravidez com simples métodos (como por exemplo
preservativo). A maioria dos comentários das jovens mães aborda esta necessidade
de evitar a gravidez e de ser responsável durante a relação sexual, pois tende
atrapalhar o futuro: “Seria bom evitar o máximo, pois na maioria das vezes atrapalha
os estudos, e não é legal” e “a gravidez pode ser evitada, só basta ser responsável
quando estiver transando”. Apesar de serem comentários que abordem o senso
comum, nessa categoria trás consigo a demanda da alta natalidade entre pais da
faixa etária dos 10 a 19 anos, não é somente uma questão de falta de camisinha, ou
“sem vergonhice” dos jovens, mas problemáticas que envolvem a estrutura e
48
questões sociais, como o tabu e a falta de diálogo e informações corretas. De
acordo com Brandão (2009, p.1066-1068), a falha na contracepção envolve:
Mulher
1. O contexto do relacionamento;
2. A falta de rotina sexual;
3. Vergonha de revelar a vida sexual, o que a impede de ir aos postos de saúde e as
farmácias;
4. Efeitos hormonais dos contraceptivos, que modificação o corpo o deixando “menos
belo” na concepção da sociedade, com o desenvolvimento de acnes e inchaço, além
e outros efeitos;
5. Descuido e esquecimento;
6. Dificuldade dos serviços públicos;
7. Falha dos Métodos Contraceptivos.
Homem
1. Concepção da virilidade masculina;
2. Uso de preservativos só com parceiras desconhecidas;
3. Coito interrompido, sem o conhecimento do ciclo menstrual da parceira.
Além desses elementos trabalhados por Brandão (2009), existe a questão de
gênero que é abordada no texto de Heilborn et. al (2002), onde a contracepção é
vista como um problema do universo feminino, sendo da responsabilidade da mulher
de evitar. Em alguns casos a mulher se encontra em desvantagem para negociar o
uso do preservativo com o parceiro, pois, existe uma idealização no universo social,
que sem preservativo a transa é mais proveitosa, assim coloca em risco a saúde de
ambos os envolvidos.
O que mais chama atenção em todo esse universo da sexualidade na
juventude é a reprodução dos papeis de gênero. “ Atrapalha bastante em tudo, mas
vai pela cabeça de cada mulher”, “Eu acho que muitas meninas adolescentes
engravidam porque querem”, “É uma coisa que toda jovem pode evitar, pois
atrapalha muita coisa”. A gravidez ainda é vista como uma escolha e que pode ser
evitada pela mulher, em torno de dezoito (18) comentários, culpabilizaram a mãe.
49
Isso ocorre pela divisão do papel de gênero na sociedade, como é o corpo da
mulher que irá gerar, então cabe a ela se prevenir (visão social). E quando a criança
nasce, na maioria das vezes é a mãe que assume o papel de cuidar, reproduzindo
assim o papel da mãe (que cuida) e do pai (provedor, quando esse assume a
responsabilidade).
As questões de gênero são ao mesmo tempo visíveis e naturalizadas. A
história da humanidade foi marcada pela subordinação das mulheres e dominação
masculina, onde eram/são instruídas a cuidar da casa, dos filhos e do marido,
enquanto o homem pode gozar da sua liberdade na sociedade. Mas o que é ser
homem e ser mulher? É muito mais que determinação biológica, é como a
sociedade espera que o sujeito se comporte de acordo como sua biologia. Hoje
existe uma sensação de que há liberdade para fazer às escolhas, entretanto, as
opções são limitadas variando segundo o sexo do sujeito, assim padronizando as
ações. Observa-se que determinadas profissões, já são estigmatizadas, por
exemplo, a pedagogia, que seria o curso para mulheres, uma vez que são vistas
como amorosas e cuidadosas (vindo de sua essência) estão aptas para essa
função.
Há um tempo, navegando na internet, encontrei uma manchete que chamou
atenção “Educação infantil é lugar de homem? Eles dizem que sim.” Essa
reportagem, apresentava as dificuldades vividas pelos professores (homens) da
educação infantil, por serem visto como “trogloditas”, não terem a capacidade de
cuidar, passiveis de cometer um ato de violência e tiveram a sua masculinidade
colocada em dúvida. Segundo a reportagem, muitas mães não aceitaram a presença
dos professores, porém ao verem que esses homens são capazes de educar seus
filhos, começaram a aceitar os profissionais. Trouxe esse exemplo para citar a
padronização social ainda é muito forte, como a escola ajuda a propagar as
desigualdades de gênero. Nesse caso a desigualdade é fruto de um estranhamento
de homens no lugar de professoras do ensino infantil e como é trabalhado no artigo
de Prado et.al (2013). Segundo ele, a desigualdade de gênero é visível na escola ou
quando a mesma reforça. De acordo com os autores trabalhados no texto, há dois
elementos importantes, o primeiro é quando os meninos viris da classe trabalhadora
enxergam a escola e o bom desempenho na mesma como feminilizante, e quando
meninas e meninos, começam a se reconhecer e se hierarquizar seguindo o gênero.
50
Algo interessante de se observar na escola é o banheiro, enquanto as
meninas tendem a ir a grupos, o banheiro (na maioria dos casos que observei), mas
preservado e limpo, do que o banheiro dos meninos.
Questões como as dimensões curriculares, trajetórias escolares, práticas culturais na
escola, processos diferenciadores no tratamento de alunos e alunas, são identificados
por esses autores como determinantes no sexismo escolar e o que se propõe à
escola é que ela venha a agir ativamente no rechaço dos estereótipos associados às
diferenças sexuais em torno de meninas e meninos. (PRADO. Et. al. 2013. p. 29).
Na sexualidade, as diferenças entre os gêneros também se evidenciam. De
acordo com o que é citado tanto nos textos de Goldenberg (2005) e Ferreira (2009),
a iniciação sexual masculina é marcada pelo status e por elementos que reforçam
essa masculinidade na sociedade, como os corpos sarados, tamanho dos genitais e
de quantidade de mulheres que já se relacionaram, quanto mais os sujeitos
apresenta tais elementos, mais ele se destaca tanto em seu grupo como na
sociedade. O contrário ocorre com a mulher, quanto mais traços ela apresentar de
fragilidade e maternidade melhor, quando elas decidem romper com esse constructo
social, se envolvendo com mais de um parceiro e se aproximando da liberdade que
os homens possuem, são punidas na maioria das vezes por meios verbais, sendo
rotuladas como “putas” e com sua moral social desvalorizada. Conforme Goldenberg
(2005) mesmo obtendo privilégios sociais, os homens assim como as mulheres,
buscam constantemente se enquadrar nos padrões corporais e comportamentais da
sociedade, e quando não conseguem sofrem com a violência simbólica.
A divisão dos papeis nas tarefas domésticas, apresentam as características
“naturais” para sua realização. Segundo o texto de Costa (2002), a paternidade é
fundamental para uma determinada masculinidade, e que a paternidade não é só
“fazer”, mas assumir os gastos e educar. Enquanto, a maternidade é visto como um
desejo feminino, e mesmo com o auxílio do homem no sustento e na educação,
ainda são responsabilidades da mulher. O que pode ser explicada pela teoria duo
genética da reprodução, que considera a contribuição genética de ambos os pais, e
como a mulher passa nove meses gerando acaba tendo uma ligação e amor como o
filho, algo que o homem não consegue. Assim reforçando a justificativa que, como a
mãe mantém a ligação com os filhos (de modo natural) ela consegue criar os seus
filhos da melhor maneira.
51
Comentários dos professores
A maior parte dos professores não vê que os casos de gravidez na
adolescência com que conviveram tenham ocorrido por falta de informação. Em sua
opinião majoritária acreditam que a gravidez ocorreu por falta de consciência e
responsabilidade dos alunos: “Minha opinião é que muitos não levam muito a sério a
gravidez na adolescência”, “Acho que é uma questão de formação e consciência,
falta de informação é que não é.”, “ A gravidez na adolescência ocorre não por falta
de informação, mas ocorre na maioria das vezes mais por irresponsabilidade. ”
Esses comentários vão contra os dados analisados anteriormente, e levanta a
questão qual é o tipo de informação que o aluno tem acesso? Como foi confirmado
pelos alunos, não há nas escolas projetos ou atividades que esclarecessem suas
dúvidas. Quando possui dúvidas acabam buscando em outros lugares, muitas
vezes, informações inadequadas.
“Sou contra, e penso que os pais deveriam orientar melhor seus filhos. ” A
fala do professor é intrigante, pois indica que a responsabilidade de falar sobre
sexualidade é da família, porém, nem toda família é aberta para falar sobre este tipo
de assunto ou tem tempo para participar da vida educacional dos filhos. Entretanto,
para alguns pais é responsabilidade da escola educar as crianças e os jovens
(independente do tema). Porém, a responsabilidade da educação, e de abordagem
da sexualidade é responsabilidade de uma teia maior do que até agora citada,
envolve governo, escola, pais, alunos e sociedade.
“Um contratempo para o adolescente, pois assume responsabilidade antes de
sua formação (maturidade).” Faz parte da natureza do jovem começar a ter
responsabilidades
e
ao
mesmo
tempo
poder
aproveitar,
enquanto
as
responsabilidades não se tornam mais densas (como a construção de uma família
ou cargos de lideranças). Segundo o texto de Gonçalves e Knauth (2006) há uma
valorização da fase adulta nas camadas populares, ou seja, a independência do
jovem. Mas a gravidez acaba sendo, geralmente, observada como a interrupção do
futuro, quando a mesma representa o rito de passagem para a vida adulta,
requerendo mais maturidade.
“Não é novidade hoje em dia, porém não é um motivo para o abandono
escolar”. O comentário desse professor é bem pertinente nesta análise. Pois foi o
52
primeiro que abordou a gravidez, além de algo natural não a descreveu como um
problema. Quando a jovem possui ajuda dos parentes, a mesma pode ir e vir da
escola, enquanto deixa seu filho com um responsável, ou poder levar junto para a
escola. A gravidez em si, não afasta as mães do espaço escolar, apesar do hiato
que necessita, o que dificulta a volta para o ambiente escolar é como as relações de
gênero agem sobre a situação, pois a ideia disseminada na sociedade que, é dever
da mulher cuidar dos filhos, da casa e muitas vezes ela trabalha para ajudar no
sustento da casa, o peso da dupla ou tripla jornada de trabalho dificulta a volta à
escola. Mas nos casos observados, as jovens mães ainda não estão envolvidas com
o mercado de trabalho, mas serão encarregadas dos trabalhos domésticos e dos
cuidados com os filhos, como não trabalham possivelmente não se afastarão da
escola, desde que ela tenha apoio de outras pessoas para cuidar do filho durante
ausência, possa levar seus filhos para a sala de aula ou motivos maiores para o
abandono escolar.
Desse modo, os dados aqui analisados demonstram que, a gravidez na
adolescência nas camadas populares é vista como algo, normal e esperando,
entretanto, ainda possui um sentido negativo, já que altera o plano de vida adiando
ou dificultando, a ascensão educacional e profissional da jovem. O evitar e o
prevenir foram evidenciados, até entre as próprias jovens mães, o cuidado para
evitar, porém o evitar e o prevenir, não são apenas o uso do contraceptivo, mas
envolve outras demandas como: desmistificar o tabu do sexo, informações (no
ambiente escolar) e preparar os sujeitos que possuíra contato com os jovens, como
professores, funcionários da escola e agentes de saúde.
De acordo com o senso comum presente na escola, informa que a gravidez
atrapalha, eles colocam o peso da responsabilidade que os jovens terão, mas é uma
responsabilidade que é voltada para a mulher, devido à construção social e sua
divisão de papeis de gênero. Quando se tem uma criança, foram do que se era
esperado, sendo solteira ou não concluído os estudos, recaí sobre a mulher a
responsabilidade de mostrar a sociedade que tem condições e controle sobre a
situação, segundo Sarti (1988). Ou seja, a gravidez em si não atrapalha a jovem
mãe, mas as condições sociais que ela terá, e de como a escola irá lidar com tal
situação, permitindo que a mesma leve o filho para a sala de aula como ou sem
acompanhante, por exemplo.
53
Concluindo
...
Nesse trabalho analisei os conflitos geracionais, a relação entre educação e
sociedade, relação aluno e escola, sexualidade e educação, e as perspectivas sobre
a gravidez na adolescência dos atores principais da escola (alunos e professores).
Ser jovem (entre 12 e 20 anos) é trazer consigo o estigma de irresponsável e
rebelde. Entretanto, é o ponto de vista das gerações passadas, que idealizam um
jovem conforme sua cultura de geração. É isso que justamente diferencia as
gerações, as modificações nas estruturas e o surgimento das tecnologias, fazem
com que o pensamento e ações marquem as gerações e criem conflitos entre
ambas. Não existe uma só juventude, mas juventudes. Como é mutável juventude
de hoje é diferente de ontem, e será diferente amanhã.
As escolas nos dias de hoje, tem que aprender a lidar com a falta de interesse
e de atenção do aluno. Porém, a problemática não é só o aluno, mas, todos os
envolvidos na rede da educação: o Estado que não investe na educação, a escola e
professores devem conhecer os seus alunos, entendendo suas trajetórias de vidas e
buscando modos de aliar o uso das tecnologias com a aula de modo que atraia a
atenção e envolva o aluno, auxiliando-os a desnaturalizar e a estranhar elementos
socioculturais. No outro lado temos os pais, que devido a necessidade de trabalhar
ou até mesmo sem ter domínio do conteúdo, acabam não se envolvendo com a
relação escola e aluno.
Há um elemento importante que não deve ser esquecido, o ensino superior,
na formação de professores, muitas vezes não aproxima os conteúdos de eixo com
os conteúdos didáticos, e não trabalha de modo mais aprofundado as possíveis
dificuldades que serão encontradas em campo, por exemplo, como as aulas de
libras (que o período ofertado é pequeno).
A aplicação de um survey virtual nas escolas, pelo método de aplicação
idealizado, não surtiu o efeito esperado, tendo que ser modificado para uma
aplicação direta em sala de aula. Nessas aplicações, alguns alunos fizeram
perguntas pertinentes à sexualidade, pois não sabiam o que significava. Mas ao
mesmo tempo esse momento, me permitiu que conhecesse algumas histórias, como
o caso de uma jovem que engravidou cedo e teve seu filho natimorto.
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Os dados quantitativos ajudaram a traçar um perfil breve do jovem morador
do bairro do Jacintinho. A maioria dos entrevistados foram mulheres, que não
trabalham solteiros (as) e sem filhos, seis alunas que são ou serão mãe na
adolescência, e segundo as mães da escola (17) alegaram que, enquanto seus
amigos ficaram felizes, alegres e “normais”, os professores tendiam a uma reação
mais negativa da situação. Quanto aos professores, eles trabalham em outras
escolas, a maioria homens e com renda acima de seis salários mínimos.
Os alunos gostam da escola que estudam, mas apontam que a escola não
está sendo capaz de trazer atividades ou projetos que sanem suas dúvidas sobre
sexualidade. Alguns professores alegaram tentar trabalhar o tema, do modo mais
dinâmico e aberto possível, mas aparentemente de modo isolado. Minha hipótese é
que se esse conteúdo fosse trabalhado de modo interdisciplinar, talvez diminuísse
as dúvidas dos alunos. Quase que por unanimidade os alunos já estudaram com
jovens grávidas, alegaram que há meios de prevenção entre eles o preservativo e os
métodos anticoncepcionais. Sobre a temática bullying na gravidez adolescência, a
maioria alegou que não observou, mas os poucos que relataram trouxeram
situações impactantes, como o caso que o professor pediu para que uma aluna se
retirasse da sala de aula com o seu bebê, para não atrapalhar a aula, assim
apresentando uma escola hostil, professores despreparados para tal situação e uma
escola que não conhece seu aluno.
A sexualidade acaba se tornando centro de um impasse, de quem é a
responsabilidade e quem deve falar sobre se tema? Muitas famílias tem receio de
falar para não incentivar o inicio da vida sexual (especialmente no caso das
meninas). Como a falta de diálogo em casa, a escola se apresenta como o único
local onde pode ser discutido com informações relevantes à sexualidade. Entretanto,
segundo o PCN de orientação sexual, esta temática deve envolver toda a
comunidade escolar (se possível), mas a sexualidade acaba ficando centrada nas
disciplinas biológicas, e não sendo trabalhadas amplamente (como diversidade
sexual).
Na percepção dos alunos a gravidez na adolescência se destacou como algo
que atrapalha a vida, os estudos e ascensão profissional, e que deve ser evitada,
prevenida e a responsabilidade são principalmente da jovem mãe. Uma das bases
estruturais da sociedade é o patriarcalismo, o que ocasiona a divisão dos papeis de
55
trabalho entre os gêneros, que pode ser visível quando se fala de gravidez (e com
mais ênfase quando envolve a adolescência). Entretanto essa colocação é mais
observada nas classes populares, uma vez que é esperado mais responsabilidade e
que sigam as instruções passadas durante o seu desenvolvimento como sujeitas na
sociedade. Deve-se levar em consideração, que há variáveis para as falhas dos
métodos contraceptivos, que vão além de irresponsabilidade, agregando do
descuido a falta de instrução e atendimento nos centros de saúde.
Já na percepção dos professores, a gravidez está mais voltada para a
irresponsabilidade, pois segundo eles, os alunos possuem informações suficientes
para evitar. Outro professor colocou toda a responsabilidade para trabalhar esse
tema na família, sem levar em consideração as possíveis bases familiares que não
venha permitir um diálogo aberto sobre sexualidade. A educação não é papel de “A”
ou “B”, mas da parceria entre escola, família e sociedade.
Conclui - se que, a gravidez na adolescência possuí um estigma negativo,
pois é vista como um estado que atrapalha a vida da jovem mãe. Porém, analisando
as perspectivas desses atores e do envolvimento da escola, é perceptível o que
atrapalha é a divisão dos papeis de gênero dentro da sociedade. Assim, acaba
recaindo sobre a mulher o peso de cuidar da casa, dos filhos e de sustentá-los. Mas
quando a escola dá suporte e apoio a essa aluna, durante e depois da gestação, o
padrão da “negatividade e do atrapalhar” pode ser rompido. Na escola se apresenta
a possibilidade de dizer as alunas grávidas e a sociedade, que gravidez não é
“doença”, mas um estado na vida que não impede os sonhos e a ascensão nos
estudos e profissional.
O que a escola pode fazer?
Em uma breve conversa com um dos diretores da Escola Estadual Manuel
Simplício, ele falou sobre os impactos da gravidez na adolescência no âmbito
escolar percebidos por ele, e o mesmo me sugeriu que pesquisasse soluções para
esta problemática. Seguindo as informações obtidas do survey dos alunos e
professores, e a minha experiência no campo da educação, visualizei algumas
possibilidades para minimizar tal questão.
56
A relação sexual sem a proteção adequada, não evita só a gravidez, mas
também as doenças sexualmente transmissíveis. E como os alunos apontaram que
em sua trajetória escolar não tiveram suas dúvidas esclarecidas (durante a aplicação
do survey, alguns alunos do terceiro ano, me questionaram o que era coito
interrompido ou abstinência sexual, isso reafirma a falta de informação), o ideal é
pensar em metodologias que envolvam a escola toda, ou boa parte dela. Na Escola
Estadual Miram Marroquim, presencie uma palestra sobre sexualidade realizada
pelos alunos de medicina de uma universidade particular, apesar do conteúdo ter
sido direcionado para as ciências naturais. A escola pode realizar uma palestra geral
sobre sexualidade e diversidade sexual, os professores trabalhar também em sala,
ou de modo interdisciplinar, ou dentro das possibilidades que sua disciplina permite.
A outra possibilidade seria um projeto interdisciplinar, com o objetivo de
intervenção em toda a escola. Trabalhar com um determinado estágio educacional
(1º, 2º ou 3º ano, preferencialmente antecipar dentro das possibilidades, pois nem
todos os livros dão abertura para trabalhar o tema, alguns livros acabam se
tornando, o orientador curricular. Sendo mais visível na disciplina de sociologia, que
tem a falta de um currículo básico), apresentando os resultados pela a escola,
facilitando o contado das outras turmas. Entretanto tem uma ressalva, com base na
minha experiência PIBID, se o projeto não for muito bem articulado, pode atrapalhar
o bom desenvolvimento das aulas, por exemplo, os jogos internos onde tinha as
duas primeiras aulas e depois a culminância, assim os alunos ficavam ansiosos e as
aulas programadas não sendo realizadas. Ou seja, deve ser um projeto inserido
desde inicio do cronograma escolar para ajudar na organização dos professores e
da escola.
A escola deve conhecer melhor seus alunos, tanto nas questões de
aprendizagem, e outras como nos casos de gravidez, mas a escola tem outras
demandas. Nos casos de gravidez, a escola tem que buscar ações que ajudem essa
jovem, como em uma da escola onde a coordenadora fala que eles buscam ajudar
da melhor forma possível, como permitindo que levem seus filhos ou que saiam mais
cedo para buscar na creche.
Além dos alunos, é necessário trabalhar com os professores e outros
funcionários da escola, para que saibam lidar com a situação dessas alunas, ou
melhor, que passem a conhecer seus alunos e a sua pluralidade. E ver que trabalhar
57
sobre sexualidade não é dever de “A” ou “B”, mas da sociedade, e não ver como um
problema social, e sim como um estado temporário e dando suporte para que essas
alunas não abandonem a escola.
As abordagens sociológicas tanto sobre a gravidez na adolescência como
para sexualidade, pode contribuir em sala de aula. Os professores de sociologia tem
a possibilidade de aproximar o tema trabalhando as questões sociais, como
desigualdade de gênero, diversidade sexual e temas que envolvam a juventude.
Abrindo o leque para a realização de pesquisas e projetos na sala e escola.
58
Anexos
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Diário de Campo
Depois que montei o questionário, fui procurar a disponibilidade das escolas
para aplicar a pesquisa. A primeira escola foi a Escola Estadual Theonilo Gama, que
fica na rua principal do bairro e recentemente se tornou uma escola de ensino
integral, uma funcionária da escola me informou que estavam de recesso e que as
aulas só voltariam no dia 23 de abril de 2018, entretanto os alunos do EJA estavam
tendo aula, porém não é o objeto da minha pesquisa.
A segunda escola foi a Escola Estadual Manuel Simplício, que fica em uma
rua transversal a principal, próxima à feira do bairro. Ela fica muito perto a uma
ladeira, com algumas casas que se assemelham as famosas grotas do Jacintinho,
há uma pequena entrada, com um espaço aberto limitado, lá tem pneus e paletes
reciclados e pintados que servem como jardim suspenso, antes de adentrar na
escola propriamente diante, acima da grade há uma espécie de painel feito de
emborrachado e decorado que saúda as pessoas que chegam, a frase “aqui tem
educação de qualidade” chamou atenção nesse painel. No primeiro dia que fui,
estranhei por não ouvir os sons típicos de uma escola, como gritos e várias vozes de
alunos animados, ao entrar soube que os professores e a administração da escola
estavam em reunião e se preparando para voltar as aulas que seria no dia seguinte
(quinta-feira) assim prevendo o caos da primeira semana de aula, preferi ir na
semana seguinte.
Conversei com o diretor Silva ele me falou que o Ensino Médio é só a noite, e
que durante o dia só funciona o Ensino Fundamental II, o mesmo falou que o tema
de minha pesquisa era muito interessante, relatou que no ano letivo que havia
acabado de iniciar já tinha visualizado quatro alunas gestantes. Ele me sugeriu a
pesquisar como a escola pode ajudar essas alunas, o mesmo relatou que no ano
passado algumas alunas abandonaram a escola por causa da gravidez, a escola
poderia ter feito algo e não fez. Ficou bem perceptível na sua fala, uma inquietação
com essa questão e o mesmo não quer que a escola continue sendo displicente com
essas alunas. Quando soube que o Ensino Médio é exclusivamente noturno nessa
escola, estranhei, pois até então tinha o conhecimento que a modalidade EJA possui
aulas no turno da noite e não o ensino regular, a resposta sobre o motivo de um
horário diferente, não foi esclarecedora, mas em minha teoria, seria ocasionada pela
60
mudança em uma das escolas da região do ensino tradicional para o integra l (Médio
Tecnológico), assim tendo a necessidade de alocar as turmas do Ensino
Fundamental em outras escolas da região.
Nesse mesmo dia, fui a Escola Estadual Miram Marroquim, que é próxima a
uma depressão relativa que fica entre o bairro do Feitosa e do Jacintinho, a escola
fica em uma rua estreita, os muros têm desenhos e mensagens, a maioria ligada a
reflexão para obter uma educação melhor, a sensação que dá ao ver os muros da
escola é que a mesma prioriza os alunos, os dando voz e auxiliando da melhor
forma possível.
Já havia entrado nessa escola (2015) para fazer uma atividade para a
disciplina de Projetos Integradores IV, a diretora foi colocada pela secretaria de
educação, ela mantinha o contato próximo com os alunos, ajudando os terceiros
anos a organizar a formatura e fazendo outros serviços com a portaria da escola. A
escola apresentava alguns problemas estruturais, como o bebedouro que vazava,
salas fechadas (algumas com cupins), portas e carteiras escolares estavam
danificadas. Mas na minha primeira visita depois de três anos, encontrei uma escola
pintada e com azulejos novos, com porteiro, ar condicionados funcionando (isso nas
partes que tive acesso), parecia uma nova escola.
Na minha primeira tentativa o diretor não estava, voltei à tarde, conversei
com o diretor geral que permitiu a minha pesquisa e pediu para que eu conversasse
com uma das coordenadoras para ver como iria funcionar. Ela foi à diretora da
escola em 2015, atualmente está no cargo de coordenadora e foi com ela que
conversei, ela me falou que entregou a direção na semana anterior. A expliquei que
pretendia deixar os alunos livres para responder, colocar uma urna na escola e
explicar aos alunos e funcionários sobre a pesquisa, a mesma me sugeriu que eu
imprimisse os questionários e aplicasse em algumas turmas, pois assim eu teria um
retorno deles, se eu deixasse para que eles respondessem se quisessem
possivelmente não teria grande retorno. Isso me fez lembrar da minha experiência
em sala de aula, quando se deixa o aluno muito à vontade, geralmente, não se tem
o retorno esperado.
Em uma conversa rápida, a coordenadora me falou que há algumas alunas
que são mães no ensino médio, a maioria no turno vespertino. Ela informou também
que a escola, dá apoio para essas alunas, pois são liberadas quando precisam,
61
como buscar seus filhos nas creches. Citou também algo que chamou minha
atenção, as alunas do ensino fundamental tendem a abandonar a escola quando
engravidam do que as alunas do Ensino Médio (que tendem a voltar).
A Escola Estadual Miram Marroquim, foi a primeira escola em que apliquei o
questionário, após uma caminhada considerável, cheguei a escola pouco antes do
intervalo. Fui direto falar com a coordenadora Larissa, ela estava inscrevendo e
verificando os documentos dos alunos interessados em participar dos Jogos
Estudantis de Alagoas (JEAL) entre as escolas do Estado, organizado pela
Secretaria do Estado da Educação (SEDUC), muitos alunos iam à sua procura
buscando tanto entregar os documentos como para conseguir um prazo maior para
a entrega. Chamou minha atenção a quantidade de alunos interessados em
participar. Como cheguei um pouco antes do intervalo, não pude explicar a pesquisa
aos alunos, assim impossibilitando a aplicação com os alunos naquele dia, mas
pude explicar e aplicar aos professores e passar nas salas das turmas do Ensino
Médio e explicar sobre a pesquisa.
Aproveitei o momento do intervalo para falar com os professores em sua sala.
É uma sala mediana, com os alguns armários, uma parede com um painel com
avisos sobre as próximas atividades e em baixo uma linha formada por xerox dos
atestados médicos dos alunos, não havia quantidade suficiente de cadeiras para
todos e as janelas são de madeira pintada e rotatórias. A coordenadora Larissa me
apresentou aos professores e explicou o básico da minha pesquisa, quando falei o
tema, percebi um grupo de professores no fundo da sala que se animaram e
começaram a conversar sobre sexo entre si, e em alguns momentos chamando
outros professores para a conversa. Na sala havia um estagiário, que aproveitou a
deixa da pesquisa para aplicar a sua com a mesma temática.
Foi entregue aos professores o survey impresso, quase todos pegaram, e
ficaram de responder o meu e o do estagiar, tocou para a aula e alguns só
conseguiram responder um questionário, os que não haviam respondido o meu
questionário sugeri que deixassem com a coordenadora e alguns professores que
tinham a aula vaga responderam na minha frente, assim pude observar suas
reflexões, quando feitas em voz alta.
Os professores que ficaram era um de Sociologia e a outra de Biologia,
ambos trocavam reflexões entre si e em alguns momentos as dirigiam a mim. O
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primeiro a fazer esse movimento foi o professor de sociologia sobre a questão do
bullying na gravidez, ele disse que não observava o bullying, mas um cuidado por
parte dos colegas com a futura mãe e que hoje os alunos têm acesso a informação
para evitar a gravidez. A professora de biologia aproveitou o momento para expor
sua opinião dizendo que não entendia o que os jovens de hoje pensam devido ao
seu comportamento rebelde e despreocupado, que em suas aulas ela deixa tudo
bem explicado e que a gravidez era uma questão de irresponsabilidade do jovem,
principalmente das meninas que não se preveniam.
Suas falas me chamaram atenção, o fato de citar que não consegue
compreender o que a juventude atual pensa, o que querem fazem coisas que sabem
que não fazem bem, a outra foi o machismo naturalizado em sua fala como a de
qualquer indivíduo, a culpabilização da menina que engravida, pois hoje as jovens
têm acesso e meios para evitar a gravidez mesmo assim, por irresponsabilidade
acabam gestantes e correndo o risco de contrair doenças gravíssimas, que a mesma
cita trabalhar em sala.
Essa fala da professora é um exemplo de como a sociedade vê a gestação na
adolescência. Isso é derivado da estrutura patriarcal do Brasil, que mesmo com
muitas lutas do movimento feminista, reverbera nos dias de hoje essa moral. Sarti
(1994) o seu texto sobre Família como Universo Moral, aborda os costumes e a
moral da família brasileira, mesmo que tenha sido escrito há 24 anos, traz elementos
atuais, ela inicialmente aborda a divisão do trabalho dentro da própria família, o pai é
o responsável pelo sustento, assim possui autoridade sobre a família e a mãe
responsável de cuidar da casa, dos filhos e da educação deles. Mas quando o
homem começa a beber ele perde a moral e consigo o direito de dá as ordens em
casa, quando perde esse poder e é sustentado pelos outros isso fere a sua
masculinidade, pois é “dever” do homem ser o dominante. Outro elemento que a
autora aborda é o filho da mãe solteira. A mãe procura meios de apresentar a
sociedade que é capaz de enfrentar as consequências de seus atos (cuidar de sua
prole), e é por meio do sustento (trabalhando) que é feita essa reparação.
Depois entraram dois professores, um deles era de Educação Física, que
ajudava a coordenadora a inscrever os alunos, ele pegou o questionário por uma
certa pressão da minha presença e do pedido da coordenadora. Ele estava bem
impaciente com o questionário, queria se livrar logo, pedindo as respostas para os
63
outros professores. Creio que a sua preocupação com a inscrição no JEAL,
atrapalhou as respostas no questionário, entretanto pode ter sido o desinteresse
pelo assunto.
Passei nas salas do Ensino médio junto com a coordenadora da escola,
avisando os alunos sobre a pesquisa, os alunos dos terceiros anos demostraram
interesse, expliquei como funcionaria a dinâmica da pesquisa, que teria uma caixa
com questionário do lado e qualquer dúvida poderiam me procurar. Antes de sair
soube que no dia seguinte teria uma palestra sobre sexualidade e doenças
sexualmente
transmissíveis
realizada
pelos
alunos
de
medicina
de
uma
Universidade particular de Maceió, a coordenadora permitiu que eu observasse a
mesma.
No dia seguinte, me encaminhei para o auditório onde ocorria a palestra, o
direcionamento do assunto era voltado para a saúde, mas o que me chamou
atenção foi a participação ativa dos alunos e suas variadas perguntas, entre elas
sobre gravidez. O bom dessa palestra é que apresentava a importância da
prevenção não só contra a gravidez como as doenças sexualmente transmissíveis.
Não fiquei até o fim, pois tocou para o intervalo e tinha que preparar a urna e os
questionários.
Na hora do intervalo, alguns alunos se aproximaram da caixa para responder,
os alunos dos terceiros anos não apareceram por estarem na palestra. Assim que
cheguei uma aluna perguntou sobre a pesquisa e a caixa, assim que começou o
intervalo ela veio a minha procura e trouxe mais dois amigos, depois se
aproximaram duas meninas e chamou um colega delas para responder também.
Uma das partes do questionário fala sobre o bullying na gravidez, mas alguns alunos
entenderam que era o que eles sofriam e responderam de tal modo. Sabia que
adesão seria baixa, a partir do momento que você dá liberdade para o aluno
escolher participar, geralmente não participam, a quantidade inicial foi um pouco
desmotivadora.
No mesmo dia à tarde voltei à escola para realizar a pesquisa e explicar aos
alunos da tarde, as coordenadoras estavam ocupadas e não me acompanharam nas
salas, como não sabia onde ficava a turma acabei não informando turma do terceiro
ano, que segundo a coordenadora têm duas mães adolescentes. Antes do intervalo
um grupo com quatro meninas pegaram os questionários para responder, quando se
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iniciou o intervalo realizei o mesmo processo do turno anterior, porém dessa vez
ocorreu
uma apresentação
gospel no
intervalo
organizado
pelos alunos,
aparentemente, um desses alunos passou bom tempo chamando a atenção de
todos e ainda pediu para que ficassem de pé para ajudá-los. Isso acabou
direcionando a atenção dos alunos para outra atividade, outro elemento que me
impressionou foi a aproximação de um aluno com atitudes diferentes dos demais,
buscava sempre manter o diálogo comigo passando a sensação que estava
flertando, pois realizava perguntas bem pessoais, me mantive neutra fazendo o
possível para que não desse abertura para outras interpretações, além de ficar em
uma situação complicada como pesquisadora, pensei em até que ponto a minha
idade próxima ao do meu objeto de pesquisa poderia me ajudar ou atrapalhar.
Como não havia ido ao terceiro ano e percebi que não alcançava meu objeto,
modifiquei meu modo operante. Deixei a caixa e adotei o que a coordenadora havia
me sugerido, imprimir os questionários e aplicar para a turma. Fui outro dia, para
aplicar, cheguei antes um pouco antes do intervalo. A turma tinha entorno de 25
alunos, e estavam tendo aula de Biologia, o professor que é monitor, cedeu o
espaço de sua aula, mais ou menos 10 minutos. A coordenadora me apresentou e
expliquei brevemente sobre o questionário e esclareci o tópico sobre bullying, a
maioria dos alunos foram rápidos nas respostas, e era perceptível na maioria o
interesse em participar da pesquisa. Entretanto, em uma olhada rápida nos
questionários não havia pessoas que fossem pais e não vi as jovens mães, não sei
se as alunas ficaram com receio ou se faltaram, assim não consegui me aproximar
com o meu objeto por meio do questionário nessa escola.
A segunda escola que apliquei o survey foi à Escola Estadual Manoel
Simplício do Nascimento, conversei com o diretor geral o professor Silva, ele me
informou ter observado meninas grávidas no ensino fundamental e caso eu quisesse
poderia formar um grupo diretamente com essas meninas para informar a minha
pesquisa. Porém, até o momento não vi como necessário, mas pensei em ampliar
meu objeto, sair do Ensino Médio e ir para o Ensino Fundamental. Ele me orientou a
falar com os diretores que ficam a noite, no dia 28.04.2018, fui a escola conversar
com a diretora presente no turno da noite, quando cheguei ela estava na biblioteca
entregando os livros para os alunos, a sala estava cheia de livros didáticos e de
alguns objetos que aparentavam estarem sem uso há muito tempo. Enquanto os
65
alunos iam e vinham, eu a explicava sobre a minha pesquisa, por estar perto da hora
do intervalo e querendo saber em quais salas deveria aplicar, a diretora me levou a
sala dos professores e apresentou a mim e a minha pesquisa, os professores
começaram a falar das turmas que visualizaram alunas gestantes no Ensino Médio,
nas turmas do 1º B, 2º A, 2º B, 3º A e 3º B. Saí da escola, já sabendo das turmas e o
dia que iria aplicar o questionário.
Na quarta-feira dia 02.05.2018, fui a escola para aplicar, como a diretora que
falei não estava me dirigi a coordenadora, que pediu maiores detalhes da pesquisa
para saber como iriamos operar. Inevitavelmente teria que interromper a aula de
algum professor. Entretanto, uma professora que estava para entrar de licença me
cedeu suas aulas, mas a turma que dava era o 2º A, assim nós três nos dirigimos
para a turma. O caminho até a sala apresenta que o solo é irregular, os corredores
são estreitos e baixos, há muitas grades que junto com o espaço estreito dá uma
sensação de prisão, após os banheiros tem um pequeno pátio, que dá acesso a
quadra aberta da escola e a cantina. Comparado com as escolas estaduais com
péssimas estruturas, essa está regular, mas podendo melhorar.
Na primeira sala que entrei, todas as janelas que são de madeira estavam
abertas, para ajudar melhor na ventilação, as carteiras poderiam estar em um estado
melhor e não tinha cadeira para o professor, o que fez com que a professora e eu
ficássemos em pé durante toda a aula. O fundo da sala estava um pouco escuro,
aparentemente por mau funcionamento. Estavam presentes 27 alunos, entretanto
havia um fluxo considerável de alunos que entravam na sala depois do horário. A
coordenadora me apresentou a turma, todos pegaram para responder quem
chegava atrasado ia à direção da professora pensando que era prova. Nessa turma
visualizei duas alunas grávidas, uma delas chegou atrasada com o seu marido, e
outra aluna falou que ela deveria responder o questionário. Aplicação durou mais ou
menos uma aula, o interessante da minha presença que os alunos tiravam suas
dúvidas comigo, como se eu fosse uma de suas professoras, foi nesta turma que
consegui a minha primeira interlocutora que se encaixava completamente no perfil.
Antes de acabar o intervalo, como a coordenadora que me auxiliou estava em
uma reunião, voltei para a sala dos professores para saber qual seria a próxima aula
da professora que seria afastada, como não era da turma do meu interesse ela
sugeriu que eu fosse com o professor de filosofia para a outra turma do segundo ano
66
e o mesmo permitiu que o acompanhasse. Na sala havia em torno de quinze alunos
em sala, e como na outra turma os alunos continuavam entrando na sala mesmo
após o início da aula. Enquanto o professor escrevia no quadro algumas questões,
os alunos respondiam meus questionários. Um grupo de alunos chamou atenção
pela aproximação deles entre si e pelas brincadeiras que tiraram inicialmente com o
questionário por ser visto com um questionário grande (mas o questionário
dependendo das respostas as orientava para outras questões) um deles fingiu ligar
para a mãe para obter as respostas, eu também comecei entrar na brincadeira com
eles e o professor, acredito que isso reflexo da minha experiência de sala de aula e
caso eu fosse hostil em algum momento, eles poderiam deixar de responder.
Outro aluno que chamou minha atenção chegou depois do início da aula. Ele
deixou um pouco claro sobre suas opiniões, quando comentava para si em voz alta
algumas questões, como a diversidade sexual, ele se expressou de modo como se
essa diversidade fosse estranha. O outro momento se iniciou um pequeno debate
entre esse aluno e o professor sobre o ser donzelo e sobre a “zoação” de ser um,
esse debate introduziu de modo não muito aprofundado sobre a dominação
masculina, o homem considerado donzelo ou virgem acima da idade esperada,
acaba tendo sua orientação sexual questionada. Uma aluna me perguntou se
poderia colocar o que aconteceu com sua vizinha na questão do bullying, e contou
sobre um caso que aconteceu na rua dela, que sua vizinha engravidou muito nova e
ela foi agredida verbalmente por algumas pessoas, como não correu no ambiente
escolar não pode ser considerado como bullying, mas foi um caso que resolvi
escrever por ser algo que deve ocorrer no dia a dia dessas meninas que não
seguiram com o plano de vida traçado pela sociedade.
Quando sai da escola, acabei pegando o mesmo caminho de um casal de
alunos que estavam na primeira turma e chegaram atrasados, a mulher estava
grávida. Quando se faz a pesquisa no bairro em que se convive, é possível
encontrar e ter como informantes pessoas que se tem maior proximidade ou o
famoso conhecer de vista (quando não se tem tanta proximidade, mas por pertencer
ao mesmo local e ser visto com frequência) e acabei reconhecendo a mulher, mas
não citei tal fato com receio que se fechasse. E o marido dela começou a me
questionar sobre a minha pesquisa, “O que é essa pesquisa”? “Quem será o maior
beneficiado com essa pesquisa, você a escola ou nós (alunos)”? Então o expliquei
67
que era minha pesquisa de conclusão de curso. Ele aproveitou o momento para falar
que a escola deveria dar aulas sobre sexualidade para ajudar a sanar as dúvidas,
isso foi uma demanda que outros alunos me relataram. Após essa explicação, ele
falou de modo que a gravidez na adolescência é culpa da menina, pois a mesma
tem os meios necessários para evitar e que no lugar de ficar gestante deveria
investir no futuro, uma visão que é reverberada pela sociedade.
No dia 09.05.2018, voltei a escola para realizar o survey com as outras
turmas, a coordenadora que me auxiliou no outro dia não pode ir, então falei com
outra coordenadora que ainda não havia conhecido. A mesma me levou para a sala
de um dos terceiros, que estava tendo aula de Educação Física, o professor permitiu
que eu aplicasse o questionário, a turma colaborou com a pesquisa e como nas
outras turmas alguns alunos tiraram as dúvidas. Mas uma aluna se destacou entre
os demais, ela estava sentada em frente à mesa do professor, onde acabei ficando
com maior frequência e ela me falou que a escola não trabalha sobre sexualidade
com os alunos, o professor respondeu que no terceiro bimestre ele abordará o
assunto. Quando ela pegou o questionário e percebeu que era sobre gravidez, ela
compartilhou sua história de vida, segundo ela, engravidou quando tinha mais ou
menos treze anos, mas o seu filho morreu após o parto e hoje aos 18 anos ela cria
um filho adotivo que o destino colocou em sua vida. Ela se referia como louca
naquela época, e após essa situação que a deixou uma marca enorme ela se
transformou em uma pessoa mais responsável. Isso me remeteu ao texto de
Gonçalves e Knauth (2006) segundo a autora, as meninas que possuem hábitos
noturnos e que gostam se sair muito de casa, não são bem vistas, mas quando
engravidam a sociedade vê seu estado como o meio de sossegá-la.
Depois do intervalo fui à outra turma do terceiro ano, que era o mesmo
professor da turma anterior. Quando entrei tinha mais ou menos uns 20 alunos em
sala, os outros foram entrando no decorrer da aula. O professor me falou que ali
havia adolescentes que já eram mães e haviam outras esperando, todas as citadas
que estavam preocupadas com outras coisas perceberam minha presença em sala,
e como nas outras turmas apresentei e entreguei a pesquisa, mas diferentemente
das outras turmas os alunos fizeram mais perguntas sobre elementos que esperava
que soubessem , como o que era abstinência e o que era o coito
interrompido(palavras que aparecem no questionário) então eu os explicava, e
68
acabei circulando muito na sala e me aproximando dos alunos. Tive uma conversa
rápida com uma das grávidas, ela estava sentada no canto do fundo da sala, seu
batom vermelho chamava atenção de longe, onde estava sentada e sua roupa
disfarçava a barriga, que só era perceptível se prestasse atenção, ela me contou
que tinha 19 anos, e esperava o primeiro filho, mas já tinha certa experiência por
cuidar de seus irmãos mais novos, contei para ela sobre uma colega que tenho que
engravidou durante a adolescência e que consegue aproveitar a vida e ser mãe,
durante aquela breve interação ela tinha um enorme sorriso em seu rosto, que
significou para mim naquele momento que ela estava feliz com a sua gestação.
Quando me virei, uma das alunas que já era mãe estava com sua filha nos braços
dentro da sala, o que tirava atenção de algumas meninas envolta, mesmo tendo os
desafios de uma jovem mãe ela não desistiu dos estudos (durante minha breve
imersão em campo não visualizei outra pessoa que cuidasse da bebê enquanto a
mãe estava em sala).
Antes de finalizar a aplicação do questionário, um grupo de meninas pediu
para que eu aplicasse uma aula sobre sexualidade para a turma, e que elas
gostariam de compreender melhor alguns termos que utilizei no questionário como o
coito interrompido. Uma das meninas estuda à tarde, estava na sala de aula
acompanhando sua prima (a mãe da aluna do terceiro ano temendo a insegurança
do bairro leva e traz sua filha da escola, algumas vezes acompanhada da sobrinha),
essa aluna falou que as meninas da tarde precisam muito dessa aula, segundo ela
há muitas gestantes no Ensino Fundamental, e que eu deveria levar meu
conhecimento, expliquei que meu objetivo não seria esse tipo de trabalho, mas caso
necessitasse e fosse possível eu faria.
69
Respostas dos alunos e professores
Aborto
•
•
Se acontecer por acidente não deve interromper em nenhum caso. Mas se prevenir não
acontece por acidente;
Pode ser evitada com a legalização do aborto;
Apoio
•
As grávidas deveriam ter apoio das pessoas e não serem julgadas por ter
engravidado cedo.
Consequências / Atrapalha a vida, estudos e futuro
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Acho
que
atrapalha
bastante nos estudos, mas
dá para fazer os dois com
ajuda da família;
Na minha opinião gravidez
na adolescência é um
compromisso em que vai
viver mais para o bebê que
para si mesmo;
É uma coisa que toda jovem
pode evitar, pois atrapalha
muita coisa;
Não é muito bom, pois
atrapalha um pouco;
É
tempo
corrido
e
cansativo;
Que os jovens poderiam
aproveitar sua adolescência
concluir os estudos e não
pensar em ter filhos até ter
uma estrutura;
Um
ato
totalmente
irresponsável
que
traz
consequências;
Todos sabemos que um
•
•
•
•
•
•
Eu acho que a
gravidez pode ser
evitada, mas se
caso ocorrer, é
preciso criar a
criança;
Pode
atrapalhar
um pouco, mas
nada que faça
com que pare de
fazer
as
obrigações;
Atrapalha bastante
em tudo, mas vai
pela cabeça de
cada mulher;
É
uma
coisa
estranha
e
atrapalha
os
estudos, e você
mora com filhos
mais é normal;
Na minha opinião
adolescente tendo
filho, é como uma
•
•
•
•
•
Nada comentar, mas
cada
atitude
tem
consequências.
Acho
que poderia ter cuidado
e se proteger;
Muitas jovens, hoje têm
como
pensamento
experimentar o sexo
cedo, como se isso
fosse uma coisa natural
(e muitas mães perdem
a juventude);
Na minha opinião a
gravidez
na
adolescência
deveria
ser evitada, porque elas
não estão preparadas
para serem mães;
Falta
de
responsabilidade
a
ponto de não concluir o
Ensino Médio e ter uma
vida financeira favorável
para planejar um (a)
filho (a);
70
•
•
•
•
•
•
•
•
•
adolescente não tem nem
condições ou capacidade
para ter um (a) filho (a);
Acho que não pensou
antes... pois a gravidez na
adolescência
prejudica
muito a vida;
Minha opinião, é que a
gravidez na adolescência
atrapalha
em
tudo,
principalmente,
na
adolescência e o futuro;
Minha opinião é negativa,
pois quando um jovem
engravida tudo se torna
mais complicado deixar os
estudos para cuidar dos
filhos, etc...
Normal,
é
ter
responsabilidade;
Acho que tem seu lado bom
e ruim, bom porque quando
nossos filhos crescerem
vamos estar mais novas,
mas ruim porque perdemos
muito tempo da nossa
adolescência;
Atrapalha bastante, mas vai
tudo pela cabeça de cada
mulher;
Na
minha
opinião,
a
gravidez na adolescência,
cada um tem seu ponto de
vista, eu por exemplo, acho
algo normal. Mas vai
depender das condições
que o adolescente vive;
Minha opinião é que a
gravidez na adolescência
atrapalha
em
tudo,
principalmente,
na
adolescência e o futuro;
É algo que pode ser evitado
como
contraceptivo,
camisinha, pílula...E que
provavelmente
pode
atrapalhar os estudos;
•
•
•
•
•
•
•
•
criança
tendo
outra;
Complicada,
principalmente
para quem não
concluiu o Ensino
Médio;
Pode atrapalhar os
estudos, no caso o
futuro
também,
pois hoje em dia é
preciso
dos
estudos
para
arrumar trabalho;
Minha opinião, é
que uma criança
atrapalha
os
estudos;
Na minha opinião,
acho que deveria
ser evitada ao
máximo,
pois
engravidar
cedo
traz;
muitos
problemas
Gravidez,
na
adolescência
interrompe alguns
sonhos
e
atrapalha
os
estudos;
Jovens que tem
tudo
para
ser
alguém na vida,
deixa todo o futuro
de lado para viver
em prol de outra
vida;
Respeito,
mas
atrapalha
os
estudos;
Que poderia ter
evitado, mas já
que veio tem que
ter
toda
responsabilidade;
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Respeito, mas atrapalha
os estudos;
Na
minha
opinião
deveria ser evitada ao
máximo,
pois
engravidar cedo traz
muitos problemas...
Não é certo, certas
vezes
chega
a
atrapalhar e muito a
vida da menina, porém,
é a vida e escolha de
cada um;
Atrapalha bastante, pois
você deixa de fazer
tudo que você faz ou
fazia;
Um
ato
totalmente
irresponsável que traz
consequências;
Seria bom evitar o
máximo, pois na maioria
das vezes atrapalha os
estudos e não é legal;
É algo que poderia ser
evitado,
porque
prejudica os estudos;
As vezes por escolha
própria e outra por não
se prevenir. Quando
não é planejado pode
atrapalhar
muitas
coisas.
Na maioria das vezes
eles não têm emprego e
acaba sobrando para os
pais, e eles têm que ter
muita responsabilidade;
Eu acho que dificulta
um pouco em questão
financeira.
71
Culpa da jovem mãe
•
•
•
•
•
•
•
É que todas jovens têm que
ter precauções, e tem que
usar preservativos;
Muitas jovens hoje têm
como
pensamento
experimentar o sexo cedo,
como se isso fosse uma
coisa natural (e muitas
mães perdem a juventude);
Eu
acho
que
muitas
meninas
adolescentes
engravidam porque querem;
Minha opinião é que todas
têm vários motivos para
evitar, mas na maioria das
vezes acontecem sempre;
Atrapalha bastante em tudo,
mas vai pela cabeça de
cada mulher.
É algo que está se
acomodando
cada
vez
mais, porém precisa ser
evitado;
Acho que é falta de
atenção, e um descuido
besta, porém se acontecer
de engravidar é seguir em
frente e criar seu filho com
muito amor e carinho.
•
•
•
•
•
•
•
É uma coisa que
toda jovem pode
evitar,
pois
atrapalha
muita
coisa;
Muitas
meninas
engravidam cedo,
por que querem.
Não vejo nada
demais engravidar
cedo.
Eu acho que é
irresponsabilidade
as meninas que
engravidam,
porque têm várias
coisas
para
prevenir;
Normal, engravida
porque quer;
Atrapalha bastante
em tudo, mas vai
pela cabeça de
cada mulher;
É algo que deve
ser refletido, tem
que possui em
mente que um
novo ser humano
será formado;
.
•
•
•
•
•
Na minha opinião a
gravidez
na
adolescência
deveria
ser evitada, porque elas
não estão preparadas
para serem mães;
Depende das pessoas
que vão engravidar;
Um ato de descuido
onde uma adolescente
inexperiente tende de
acometer
de
ficar
grávida. Se ouvisse
mais informações em
vez de ser um tabu;
Eu acho errado, porque
todas
deveriam
engravidar
quando
fossem de maiores;
Na
minha
opinião
gravidez
na
adolescência seja ela
ou não, eu não vejo
como
acabou
a
adolescência, cada um
tem seu ponto de vista,
eu por exemplo, acho
algo normal. Mas vai
depender
das
condições
que
o
adolescente vive.
Culpa da Escola, Estado e pais
•
•
Se o governo incentivar
programas isso pode ser
evitado;
Infelizmente é algo que
acontece muito. Acredito
que seja por conta da falta
de
diálogo
dos
pais,
orientação nas escolas e
•
•
•
Que os pais falem
mais com seus
filhos;
Falta de orientação
em algumas vezes
e prevenção;
Que
os
pais
deveriam falar com
•
•
Na maioria das vezes
ocorre por descuido, ou
até mesmo porque os
pais não orientam seus
filhos (a);
A gravidez pode ser
evitada
através
da
conscientização
dos
72
•
por muitas vezes pensarem
que engravidar ira faze-la
ter uma família melhor;
Pode ser evitada com a
legalização do aborto;
seus filhos sobre
sexualidade
e
também falar nas
escolas sobre esse
assunto como isso
ia
diminuir
a
gravidez
na
adolescência;
•
jovens no âmbito social,
sobre o uso correto da
camisinha;
A
gravidez
na
adolescência,
muitas
vezes acontece por
falta de informações;
Descuido
•
•
Um ato de descuido onde uma
adolescente
inexperiente
tende de acometer de ficar
grávida. Se ouvisse mais
informações em vez de ser
um tabu;
Acho que é falta de atenção, e
um descuido besta, porém, se
acontecer de engravidar é
seguir em frente e criar seu
filho com muito amor e
carinho;
•
•
Assim, fui mãe
cedo
por
descuido.
Mas
tem
muitos
motivos
para
evitar;
Para mim não é
burrice,
é
descuido;
•
•
Na maioria das vezes
ocorre por descuido, ou
até mesmo porque os
pais não orientam seus
filhos (a);
Descuido.
Escolha
•
•
•
•
•
Nada contra, pois
cada um faz suas
escolhas;
Cada um têm
suas
escolhas,
então respeito;
Normal,
engravida porque
quer;
Totalmente
contra, hoje em
dia só têm filhos
quem quer;
Bom
isso
depende de cada
um, se a pessoa
tem consciência
•
•
Não
vou
mentir,
eu
não julgo e
nem
acho
nada. Cada
um tem a sua
escolha, não
falta maneiras
de
se
prevenir;
Muitas jovens
têm
como
pensamento
experimentar
o sexo cedo,
como se isso
fosse
uma
•
•
•
Acho que cada
um sabe o que
quer para si
mesmo;
Eu acho que
muitas
meninas
adolescentes
engravidam
porque
querem;
Não é certo,
certas vezes
chega
a
atrapalhar
e
muito a vida
da
menina,
•
•
•
Nunca
me
importei, o que
as
pessoas
fazem da sua
vida
não
é
problema meu;
Muitas meninas
engravidam
cedo,
porque
querem.
Não
vejo
nada
demais
engravidar
cedo;
Cada um faz o
que quer, acho
uma
besteira
73
•
que ela tenha;
Ás vezes por
escolha própria e
outra por não se
prevenir. Quando
não é planejado
pode atrapalhar
muitas coisas
•
coisa natural
(e perdem a
juventude);
Atrapalha
bastante em
tudo, mas vai
pela cabeça
de
cada
mulher;
•
porém, é a
vida e escolha
de cada um;
Faz
quem
quer, só é ter
maturidade e
saber evitar.
•
até
porque
cada um tem a
sua
consciência;
Faz quem quer,
porque
pode
evitar;
Evitar e prevenir
•
•
•
•
•
•
A
gravidez
pode
ser
evitada,
só
basta
ser
responsável
quando
estiver
transando;
Nada
a
comentar,
mas
cada
atitude
tem
consequência
s. Acho que
poderia
ter
cuidado e se
proteger;
Normal, existe
método para
isso
não
acontecer,
mas
têm
pessoas que
não usam;
Bom, eu não
apoio,
mas
também não
sou a favor,
pois é uma
coisa
que
pode
ser
evitada;
É uma coisa
que
toda
•
•
•
•
•
•
•
Que os jovens
devem
se
prevenir
na
relação sexual;
Não vou mentir,
eu não julgo e
nem acho nada.
Cada um tem a
sua escolha, não
falta maneiras de
se prevenir;
Ah, não sei, o
certo
é
se
prevenir, mas se
acontecer
acidentalmente
temos
que
aceitar;
É que todas as
jovens têm que
ter precauções, e
devem
usar
preservativos;
Eu acho que é
irresponsabilidade
as meninas que
engravidam,
porque têm várias
coisas
para
prevenir;
Na minha opinião
a gravidez na
adolescência
deveria
ser
•
•
•
•
•
•
Se acontecer por
acidente
não
deve interromper
em
nenhum
caso. Mas, se
prevenir
não
acontece
por
acidente;
Assim, fui mãe
cedo
por
descuido.
Mas
têm
muitos
motivos
para
evitar;
Acho que deveria
ser evitada;
Minha opinião é
que todas têm
motivos
para
evitar, mas na
maioria
das
vezes acontece
sempre;
Falta
de
responsabilidade
a ponto de não
se
prevenir,
concluir
seu
Ensino Médio e
ter uma vida
financeira
favorável
para
planejar um filho
(a) !;
•
•
•
•
•
•
Eu acho que
a gravidez
pode
ser
evitada,
mas se caso
ocorrer
a
gravidez,
precisa criar
a criança;
Então, não
acho nada
errado, mas
também não
é
correto.
Tem
bastante
coisas para
evitar
a
gravidez;
É algo que
está
se
acomodand
o cada vez
mais, porém
precisa ser
evitado;
Falta
de
orientação
em algumas
vezes,
e
prevenção;
Poderia ser
evitada, se
os
jovens
74
•
•
•
jovem
pode
evitar,
pois
atrapalha
muita coisa;
A
gravidez
pode
ser
evitada
através
da
conscientizaç
ão dos jovens
no
âmbito
social, sobre o
uso correto da
camisinha;
Na
minha
opinião, acho
que
deveria
ser evitada ao
máximo, pois
engravidar
cedo
traz
muitos
problemas...
Seria
bom
evitar
o
máximo, pois
na
maioria
das
vezes
atrapalha os
estudos e não
é legal;
•
•
•
•
•
evitada,
porque
elas não estão
preparadas para
serem mães;
Os adolescentes
não se previnem
por
falta
de
responsabilidade;
Na minha opinião
é algo que pode
ser evitada;
Que poderia ter
evitado, mas já
que veio deve ter
toda
responsabilidade;
É
algo
que
poderia
ser
evitado,
porque
prejudica
os
estudos;
•
•
•
Na minha opinião
gravidez é uma
coisa muito séria,
por isso que é
bom evitar na
adolescência;
Que poderia ter
evitado, mas já
que veio tem que
ter
toda
responsabilidade;
É algo que pode
ser evitado como
contraceptivo,
camisinha,
pílula...E
que
provavelmente
pode atrapalhar
os estudos;
Ás vezes por
escolha própria e
outra por não se
prevenir. Quando
não é planejado
pode atrapalhar
muitas coisas;
•
•
•
tivessem
mais
consciência
de que a
gravidez é
algo sério e
não é uma
brincadeira;
Acho
que
pode
ser
evitada,
mas
também
acho
uma
idiotice ter
filhos hoje
cedo;
Faz quem
quer,
porque pode
evitar;
Faz quem
quer, só é
ter
maturidade
e
saber
evitar.
Família
•
•
•
Acha que atrapalharia bastante nos
estudos, mas dá para fazer os dois com
ajuda da família;
Que os pais falem mais com seus filhos;
Infelizmente é algo que acontece muito.
Acredito que seja por conta da falta de
diálogo dos pais, orientação nas
escolas e por muitas vezes pensarem
que engravidar irá fazer ter uma família
melhor.
•
•
•
Que os pais deveriam falar com seus
filhos sobre sexualidade e também falar
nas escolas sobre esses assuntos como
isso ia diminuir a gravidez na
adolescência;
Na maioria das vezes ocorre por
descuido, ou até mesmo porque os pais
não orientam seus filhos (as);
Na maioria das vezes eles não tem
emprego e acaba sobrando para os
pais, e eles têm que ter muita
responsabilidade.
75
Financeiro
•
•
Eu acho que dificulta um pouco em questão financeiro;
Na maioria das vezes eles não tem emprego e acaba sobrando para os pais, e eles têm
que ter muita responsabilidade;
Não me meto
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Nada contra, pois cada
um faz suas escolhas;
Acho que cada um sabe o
que quer para si mesmo;
Nada contra*
Nunca me importei o que
as pessoas fazem da sua
vida não é problema meu;
Normal, existe método
para isso não acontecer,
mas têm pessoas que
não usam;
Varia de pessoa para
pessoa, mas na minha
opinião é algo natural;
Bom isso depende de
cada um, se a pessoa
tem consciência que ela
tenha;
Sobre a minha opinião,
varia de cada pessoa;
Eu não tenho nada contra
a gravidez, porque eu
convivo com pessoas
com filhos;
•
•
•
•
•
•
•
Nada
comentar,
mas cada atitude
tem
consequências;
acho que poderia
ter cuidado e se
proteger;
Então, não acho
nada errado, mas
também não é
correto.
Tem
bastante
coisas
para
evitar
a
gravidez;
Ah, não sei, o certo
é se prevenir, mas
se
acontecer
acidentalmente
temos que aceitar;
Na minha opinião é
uma coisa normal,
que vemos hoje;
Normal,
é
ter
responsabilidade;
Depende
das
pessoas que vão
engravidar;
•
•
•
•
•
•
•
Não vou mentir, eu não
julgo e nem acho nada.
Cada um tem a sua
escolha,
não
falta
maneiras de se prevenir;
Tenho nada contra de
quem engravida ou está
grávida;
Geralmente, não sou de
me envolver em assuntos
polêmicos, então não
tenho uma opinião sobre
isso. Pode atrapalhar um
pouco, mas nada que
faça com que pare de
fazer as obrigações;
É uma coisa estranha e
normal ao mesmo tempo;
Bom, não apoio, mas
também não sou a favor,
pois é uma coisa que
pode ser evitada.
Não vou mentir, eu não
julgo e nem acho nada.
Cada um tem a sua
escolha,
não
falta
maneiras de se prevenir;
76
Negativos
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Falta
de
responsabilidade
de
ambas
as
partes
envolvidas;
Não é muito bom, pois
atrapalha um pouco;
Os adolescentes não se
previnem por falta de
responsabilidade;
É uma coisa estranha e
atrapalha os estudos, e
você mora com filhos
mais é normal;
Falta
de
responsabilidade
a
ponto
de
não
se
prevenir, concluir seu
Ensino Médio e ter uma
vida financeira favorável
para planejar um filho (a)
!;
É tempo corrido e
cansativo;
Não concordo com a
gravidez
na
adolescência, meninas e
meninos devem estudar
e se formar;
Que os jovens poderiam
aproveitar
sua
adolescência
concluir
seus estudos e não
pensar em ter filhos até
ter uma estrutura;
Não é uma coisa muito
ruim, mas vai atrapalhar
bastante adolescência;
Irresponsabilidade;
Na
minha
opinião
adolescente tendo filho,
é como uma criança
tendo outra;
Respeito, mas creio que
atrapalha os estudos;
Na minha opinião, acho
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Falta
de
maturidade, pois
é uma gravidez
de risco pode
perder o bebê;
Falta
de
responsabilidade.
Todos
nós
sabemos que um
adolescente não
tem
nem
condições
ou
capacidade para
ter um (a) filho
(a);
Poderia
ser
evitada, se os
jovens tivessem
mais consciência
de que a gravidez
é algo sério e não
é
uma
brincadeira;
Complicada,
principalmente
para quem não
concluiu o Ensino
Médio;
Pode atrapalhar
os estudos, no
caso o futuro
também,
pois
hoje em dia é
preciso
dos
estudos para a
arrumar trabalho;
Não é muito bom,
não.
Não acho certo
engravidar
na
adolescência,
mas também tudo
acontece
como
Deus quer;
Não
é
certo,
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Jovens que tem tudo para
ser alguém na vida, deixa
todo o futuro de lado para
viver em prol de outra vida;
Cada um faz o que quer,
acho uma besteira até
porque cada um tem a sua
consciência;
Acho que não pensou
antes... pois gravidez na
adolescência
prejudica
muito a vida.
Para mim é uma coisa
horrível principalmente para
as classes mais pobres;
Na minha opinião gravidez é
uma coisa muito séria, por
isso que é bom evitar na
adolescência;
Acho que pode ser evitada,
mas também acho uma
idiotice ter filhos hoje cedo;
Minha opinião uma criança
na adolescência atrapalha
os estudos;
Totalmente contra, hoje em
dia só têm filhos quem quer;
Atrapalha bastante, pois
você deixa de fazer tudo
que você faz ou iria fazer;
Não concordo, porque como
um adolescente serão pai
ou mãe;
Na maioria das vezes eles
não tem emprego e acaba
sobrando para os pais, e
eles têm que ter muita
responsabilidade;
Gravidez na adolescência
interrompe alguns sonhos e
atrapalha os estudos;
É algo que poderia ser
evitado, porque prejudica os
estudos;
Ás vezes por escolha
77
•
•
•
•
•
que deveria ser evitada
ao
máximo,
pois
engravidar cedo traz
muitos problemas...
Minha opinião, é que a
gravidez
na
adolescência atrapalha
em tudo, principalmente,
na adolescência e o
futuro;
Na minha opinião é algo
que pode ser evitada;
Um
ato
totalmente
irresponsável que traz
consequências;
Que poderia ter evitado,
mas já que veio tem que
ter
toda
responsabilidade;
Seria bom evitar o
máximo, pois na maioria
das vezes atrapalha os
estudos e não é legal;
•
•
•
certas
vezes
chega
a
atrapalhar
e
muito a vida da
menina, porém, é
a vida e escolha
de cada um;
Falta de ouvir
mais o que dizem
as pessoas com
mais
experiências;
É algo que pode
ser evitando com
contraceptivo,
camisinha,
pílula... E que
provavelmente
pode atrapalhar
os estudos;
Eu
acho
que
dificulta
um
pouco
em
questão
financeira;
•
•
•
•
própria e outra por não se
prevenir. Quando não é
planejado pode atrapalhar
muitas coisas;
Falta de Sabedoria;
Faz quem quer, porque
pode evitar;
Faz quem quer só é ter
maturidade e saber evitar;
Minha opinião é negativa,
pois quando um jovem
engravida tudo se torna
mais complicado deixar os
estudos para cuidar dos
filhos, etc...
Normal
•
•
Eu não tenho
nada contra a
gravidez, porque
eu convivo com
pessoas
com
filhos;
Na minha opinião,
a gravidez na
adolescência [...]
eu não vejo como
acabou
a
adolescência,
cada um tem seu
ponto de vista, eu
por
exemplo,
acho algo normal.
Mas vai depender
das
condições
•
•
Não
vou
mentir,
eu
julgo e nem
acho nada.
Cada
um
tem a sua
escolha, não
falta
maneiras de
se prevenir;
Tenho nada
contra
de
quem
engravida ou
está grávida;
•
•
•
•
•
Normal,
existe
método para isso
não acontecer, mas
têm pessoas que
não usam;
Normal,
é
ter
responsabilidade;
Varia de pessoa
para pessoa, mas na
minha opinião é algo
natural;
É
uma
coisa
estranha e atrapalha
os estudos, e você
mora com filhos,
mas é normal;
Sobre
minha
opinião, a gravidez
•
•
Na minha
opinião é
uma coisa
normal,
que
vemos
muito dos
dias
de
hoje;
É
uma
coisa
estranha
e normal
ao
mesmo
tempo;
78
que
vive
adolescente;
o
na
adolescência
para mim é normal;
Outsider
•
É um reflexo da cultura esquerdista (PSOL é um dos maiores propagadores) e um país
sem educação;
Religião
•
Não acho certo, engravidar na adolescência, mas também tudo acontece como Deus
quer;
Responsabilidade
•
•
•
•
•
•
A gravidez pode ser
evitada só basta ser
responsável quando
estiver transando;
Pode atrapalhar um
pouco, mas nada
que faça com que
pare de fazer as
obrigações;
Falta
de
responsabilidade de
ambas as partes;
Os adolescentes não
se previnem por falta
de responsabilidade;
Falta de maturidade,
pois é uma gravidez
de risco pode perder
o bebê;
Todos sabemos que
um adolescente não
tem, nem condições
nem
capacidade
•
•
•
•
Eu acho que a
gravidez
pode
ser evitada, mas
se caso ocorrer a
gravidez
é
preciso criar a
criança;
Normal, é ter
responsabilidade
s;
Acho que é falta
de atenção, e um
descuido besta,
porém
se
acontecer
de
engravidar
é
seguir em frente
e criar seu filho
como muito amor
e carinho;
Falta
de
responsabilidade
a ponto de não
se
prevenir,
•
•
•
•
•
•
•
Pode ser um pouco difícil,
mas nada que faça com que
a gente pare de fazer nossa
obrigação;
Eu
acho
que
é
irresponsabilidade
as
meninas que engravidam,
porque têm várias coisas
para prevenir;
Na minha opinião a gravidez
na adolescência deveria ser
evitada, porque elas não
estão preparadas para serem
mães;
Irresponsabilidade;
Falta de responsabilidade;
Jovens que tem tudo para
ser alguém na vida, deixa
todo o futuro de lado para
viver em prol de outra vida;
Acho que pode ser evitada,
mas também acho uma
idiotice ter filhos hoje cedo;
79
•
•
•
•
•
para ter um (a) filho
(a);
Um ato totalmente
irresponsável
que
traz consequências;
Apesar de pode ser
evitada,
se
acontecer temos que
aceitar
e
ser
maduros.
Na minha opinião
adolescente
tendo
filho, é como uma
criança tendo outra;
Apesar de poder ser
evitada,
se
acontecer temos que
aceitar
e
ser
maduros;
Atrapalha bastante,
pois você deixa de
fazer tudo que você
faz ou iria fazer;
•
•
•
concluir
seu
Ensino Médio e
ter uma vida
financeira
favorável
para
planejar um filho
(a) !;
Acho que não
pensou antes...
pois gravidez na
adolescência
prejudica muito a
vida;
Que poderia ser
evitado, mas já
que veio tem que
ter
toda
responsabilidade;
Na minha opinião
gravidez
na
adolescência é
um compromisso
em que vai viver
mais para o bebê
que
para
si
mesmo;
•
•
•
•
Na maioria das vezes eles
não têm emprego e acaba
sobrando para os pais, e eles
têm
que
ter
muita
responsabilidade;
Falta de sabedoria;
Faz quem quer só é ter
maturidade e saber evitar;
É algo que deve ser refletido,
tem que possuir em mente
que um novo ser humano
será formado;
•
Opinião dos professores sobre gravidez na adolescência
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Sou contra e penso que os pais deveriam orientar melhor seus filhos;
Minha opinião é que muitos não levam muito a sério a gravidez na adolescência;
A gravidez na adolescência ocorre não por falta de informação, mas ocorre na maioria das
vezes mais por irresponsabilidade;
Acho que é uma questão de formação e consciência, falta de informação é que não é;
Acredito que a falta de sensibilização com essas jovens para o risco de gravidez indesejada
é o que aumenta o número de casos;
Irresponsabilidade;
Falta de cuidado;
Um contratempo para o adolescente, pois assume responsabilidade antes de sua formação
(maturidade);
Não é novidade hoje em dia, porém não é um motivo para o abandono escolar.
80
Questionário (alunos)
81
82
Questionário (Professores)
83
84
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