Padrão de resposta da prova de teoria

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - ICS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
SOCIOLOGIA - PPGS

	
  

Espelho da prova
Questão 1:
O candidato deve assinalar em que consiste o tipo ideal. Falar que é
um instrumento que capta a especificidade de comportamentos humanos a
partir dos sentidos da ação dos indivíduos. O pesquisador começa a construir
o tipo ideal isolando um aspecto efetivamente observado da realidade. A
partir daí se deve falar e detalhar em que consiste a imputação causal
propiciada pelo tipo-ideal, ou seja, imaginar que aquele sentido isolado de
ações efetivamente observadas se torna a única motivação pela qual os
indivíduos agem. Aí reside a ficção e o exagero no recurso ao tipo-ideal. Uma
vez detalhado em que consiste o tipo-ideal, deve-se indicar como ele é
utilizado, ao se comparar o tipo com a realidade e chegar até o conceito que
passa a representar a realidade específica. No caso do texto, detalhar como
o autor se interessa pelos sentidos de seguidores de religiões “mundiais” em
direção a atitude de rejeição ao mundo, em atitudes ascéticas, que tendo
feições nas diferentes religiões mencionadas no texto, leva a diferentes
desdobramentos em relação aos sentidos econômicos da vida, esfera de
valor por excelência que encarna o mundano. Assim, o candidato precisa
detalhar os diferentes tipos de relação entre os sentidos de rejeição ao
mundo em diferentes religiões e as diversificadas repercussões no
desenvolvimento de comportamentos econômicos.
No segundo item da questão, o candidato precisa apontar contrastes
entre o recurso ao tipo ideal de Weber e ao tipo genérico de Durkheim. Neste
último destaca-se a perspectiva da busca por elementos psíquicos que sejam
comuns aos indivíduos, permitindo apontar a realidade da consciência
coletiva. O candidato precisa explicar de que consiste a consciência coletiva

e de que forma ela é constituída, para assim se chegar ao tipo genérico. O
problema da religião aparece justamente para assinalar os fundamentos de
constituição da sociedade: realidade psíquica e simbólica. Nesse sentido, os
elementos religiosos não dizem respeito apenas a um aspecto específico da
vida social, mas elementos basilares do funcionamento da sociedade. Os
símbolos são fontes de conhecimento e fé ou, em outros termos, tem a
função de ligar os indivíduos pela crença e pelo saber. O candidato precisa
explicar como as funções de conhecimento e fé das religiões se relacionam
com as funções de coesão social mais gerais das sociedades.

Questão 2
Espera-se do candidato que explique a ideia de "consciência não pura"
desenvolvida por Karl Marx, enfatizando ser ela construto social, fruto de
relações de poder, de interesse de classe, mais especificamente da classe
dominante, detentora dos meios de produção. Espera-se, ainda, que o
candidato seja capaz de destacar que tal consciência tem por objetivo a
produção e a manutenção das desigualdades sociais no interior da sociedade
de classe (sociedade capitalista), destacando que as ideias que dominam
uma época são as ideias da classe dominante dessa mesma época.
Cabe ao candidato destacar que a "consciência não pura", de Marx, não é
marcada pela harmonia, mas pelo movimento dialético da História, pelas
lutas de classe.
Almeja-se que o candidato seja capaz de diferenciar a ideia de "consciência
não pura" de Karl Marx do conceito de "consciência coletiva", evidenciando
que enquanto a primeira é entendida como resultado do conflito e das
relações assimétricas de poder, a segunda seria resultado do conjunto de
crenças e sentimentos comuns à média dos membros da sociedade, sendo
entendida como um fenômeno que evidencia a harmonia social. Enquanto
que a consciência coletiva estaria acima das consciências particularidades
dos indivíduos, tendo sua sede na coletividade, em Marx a "consciência não
pura" seria construto de grupos sociais visando impor suas ideias a outro

grupo, mais especificamente à classe trabalhadora, com vistas a manter as
relações de dominação.
Questão 3
Nessa questão o candidato deve destacar a importância do conceito de
agência no conjunto das preocupações da Sociologia contemporânea,
mostrando como Margareth Archer e Bernard Lahire têm se debruçado sobre
a discussão. Ambos os autores partem do pressuposto de que para
compreender como o indivíduo atua na sociedade, é fundamental entender
como a sociedade atua no indivíduo. Diferente dos modelos teóricos que
possuem como referencia o individuo livre das pressões estruturais ou por
outro lado, o indivíduo completamente subsumido pelas normas sociais,
Lahire e Archer oferecem alternativas que destacam a intersecção entre as
dimensões macro e micro da realidade social.
Desse modo, é importante apresentar a crítica de ambos aos modelos que
valorizam uma dimensão em detrimento da outra. Archer, por exemplo,
considera reducionistas ambas as perspectivas que ela define a partir das
ideias de homem “sub-socializado” e “super-socializado”, a primeira que se
expressa por uma concepção de humanidade que não é devedora da
sociedade e outra que apresenta o homem como um produto social passivo.
A autora oferece como alternativa a perspectiva do realismo social, que
prioriza dentre outras coisas a dimensão temporal, a autonomia relativa dos
indivíduos, a eficácia causal em relação a maneira como nos constituímos
enquanto seres sociais e a instância da reflexividade. É a partir do conceito
de “sentido de self” que Archer desmonta a tradição epistêmica endossadas
tanto pelo sociocentrismo como também pelo antropocentrismo.

Para a

autora é o ser no mundo” ou o “estar situado” que deve ser levado em
consideração, pois são condições primeiras da existência e que antecedem
os princípios de racionalização. “Estes efeitos são independentes de nossa
capacidade de descrevê-los, assim como a gravidade já nos influenciava
muito antes que pudéssemos conceitua-la”(p.56). A primazia da prática é
também um elemento que deve ser destacado na abordagem de Archer.
Para a autora, nossa auto-consciência deriva justamente das práticas

personificadas na realidade, ou seja, ela emerge a partir da nossa relação
com o mundo.

O conceito de identidade pessoal também deve ser

destacado, pois ela se relaciona diretamente a ideia de “sentido continuo do
self”. Essa identidade deriva das interações do “Eu”com o mundo e suas
ordens ordens natural, prática e social.
No que diz respeito a discussão proposta por Lahire, é imprescindível
problematizar os elementos que compreendem a unidade do ator e sua
fragmentaridade. Em relação a unidade da ação social, Lahire indica que
Pierre Bourdieu e Jean Piaget são dois de seus principais representantes,
pois em ambas as teorias percebe-se a força que as estruturas exercem na
construção das disposições; elementos que são definidores das ações. Já em
relação a fragmentaridade, Lahire destaca a importância de perpectivas
teóricas como o interacionismo simbólico. Para os representantes dessa
vertente, as ações dos sujeitos são produzidas a partir das interações dos
agentes, logo, não existiria uma preponderância das estruturas. Assim como
Archer, que destaca o realismo social como alternativa ao modelo do homem
sub-socializado ou supersocializado, Lahire propõe a ideia de homem plural
como alternativa as visões de unidade e fragmentaridade do ator. Ele
também desenvolve a ideia de habitus plural para mostrar que o habitus não
é uma construção engessada, determinada por disposições produzidas por
estruturas, e que ele também resulta das experiências que os agentes
vivenciam cotidianamente. Desse modo não se trata de excluir uma
perspectiva em detrimento da outra, mas de reuni-las sob uma nova
perspectiva que não perde de vista as limitações estruturais, a dinâmica da
vida social e a reflexividade dos agentes.
Obs: O candidato deve descrever os conceitos mencionados.