Padrão de resposta da Arguição Oral Teórico-Merodológica
Padrão de resposta da Arguição Oral Teórico-Metodológica
PADRÃO DE RESPOSTA.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS – ICS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
ANTROPOLOGIA SOCIAL – PPGAS
EDITAL Nº 03/2020 - PROPEP-CPG/UFAL/PPGAS
PADRÃO DE RESPOSTAS DA ARGUIÇÃO ORAL TEÓRICOMETODOLÓGICA
QUESTÃO 1:
De que maneira diferentes autores indicados na bibliografia discutem os
tensionamentos dos limites conceituais de cultura?
Akhil Gupta e James Ferguson. Observar a disjunção operada entre
Lugar e Cultura, dando exemplos de como isso se manifesta. Apontar para
os riscos de concepções naturalizadas de culturas espacializadas. Atentar
para a problematização da relação entre Espaço e Cultura na situação póscolonial. Discutir deslocamento e desterritorialização.
Arjun Appadurai – Apresentar como o conceito de nativo foi tratado pela
antropologia, discutindo os riscos e equívocos de se pensar o nativo como
“encarcerado” a um lugar e/ou a ideias ou formas de pensar,
demonstrando compreensão de que conceitos como o de nativo, mas
também de cultura não devem ser compreendidos como instâncias
enclausuradas ou enclausuradoras; refletir sobre as consequências de
visões essencialistas, exemplificada na discussão sobre o conceito de
hierarquia (Dumont) para a compreensão do sistema de castas na Índia.
Clifford Geertz – Discutir Cultura numa perspectiva hermenêutica,
interpretativa. Destacar seu entendimento enquanto teia de significado,
enquanto conceito essencialmente semiótico. Discorrer sobre Cultura
“como um conjunto de mecanismos de controle — planos, receitas, regras,
instruções...— para governar o comportamento”.
Manuela Carneiro da Cunha - Apresentar/discutir os conceitos de
Cultura (sem aspas) e de “Cultura” (com aspas); demonstrar compreensão
sobre as formas como a antropologia contemporânea lida com a noção de
cultura valendo-se dos exemplos apresentados em contexto de grupos
tradicionais lidando com a questão de direitos intelectuais. Citar/discutir
conceitos de ‘cultura em si’, ‘cultura para si’. Noção de cultura como
conotação de sistema metacultural, destacando seus usos fora da
academia, como “argumento político”.
Marilyn Strathern – Discorrer sobre como a autora apresenta o conceito
de Sociedade enquanto “artefato cultural relevante”, explicando porque o
conceito tornou-se obsoleto.
Ulf Hannerz – Apresentar/Discutir a reorganização espacial da cultura no
cenário da globalização, destacando sua condição fluida que atravessa
fronteiras e apresenta sua face híbrida. Fronteira enquanto confluência
Universidade Federal de Alagoas - Campus A.C. Simões – Av. Lourival Melo Mota, s/n – Tabuleiro do Martins. CEP: 57072-900
Maceió/AL - E-mail: secretaria.ppgas@ics.ufal.br
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ecológica de correntes culturais. Apontar para os limites de se pensar a
cultura como estática. Citar conceitos pertinentes à discussão, tais como
aculturação, transnacionalização, culturas crioulas, dentre outros.
QUESTÃO 2:
Discorra sobre como Geertz (1989) se refere ao trabalho etnográfico na
antropologia. Dê exemplos de sua etnografia sobre a briga de galos em
Bali apontando como esse autor realiza uma interpretação sobre os
balineses, seguindo suas explicações sobre a “descrição densa”.
Observar que o trabalho etnográfico remete a “um repertório de conceitos
[..] feitos-na-academia e sistemas de conceitos – ‘integração’,
‘racionalização’, ‘símbolo’, ‘ideologia’, ‘ethos'’, ‘revolução’, ‘identidade’,
‘metáfora’, ‘estrutura’, ‘ritual’, ‘visão do mundo’, ‘ator’, ‘função’, ‘sagrado’
e, naturalmente, a própria ‘cultura’ — [que] se entrelaçam no corpo da
etnografia de descrição minuciosa na esperança de tornar cientificamente
eloquentes as simples ocorrências.”
Explicar a pesquisa etnográfica enquanto “estar-se situado” e a cultura
como “um conjunto de textos”. Observar que através da compreensão da
prática da etnografia pode-se entender a análise antropológica enquanto
forma de conhecimento, nunca de primeira mão.
Explicar como Geertz realizou sua etnografia sobre a briga de galos em
Bali. Dar destaque às “descrições minuciosas”. Observar que os
significantes são atos simbólicos e que o objetivo do antropólogo é “a
análise do discurso social.” Demonstrar compreensão da briga de galos
enquanto “entidade sociológica”, “reunião concentrada”. Observar a
identificação psicológica dos homens balineses com seus galos, a maneira
como cuidam e despendem tempo com esses animais. Remeter-se às
considerações do autor sobre “a briga de galos absorvente,” tratando-a
como dramatização social. Destacar a briga de galos enquanto “uma
leitura balinesa da experiência balinesa, uma estória sobre eles que eles
contam a si mesmos.”
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